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Protozoários

A palavra protozoário tem origem grega e significa "primeiro animal". Estes microorganismos diferem das algas por serem todos unicelulares e de nutrição exclusivamente heterotrófica, além de apresentarem glicogênio como substância reserva. As células dos protozoários são totipotentes, ou seja, realizam individualmente todas as funções vitais dos organismos mais complexos, como locomoção, obtenção de alimento, digestão, excreção e reprodução. Nos animais multicelulares, ao contrário, observa-se uma especialização crescente das células e uma divisão de trabalho: cada célula assume determinada função, que desempenha de modo eficiente, podendo até perder certas capacidades, como digestão e locomoção.

São conhecidas aproximadamente cinquenta mil espécies de protozoários. A maioria é de vida livre, porém algumas podem estar fixas ao substrato. São predominantemente aquáticos (doce, salgada ou salobrada), mas podem ser encontrados nos mais variados ambientes. Alguns são parasitas de animais, causando diversas doenças inclusive ao homem, como a malária e a doença de Chagas. Outros estabelecem relações harmônicas com diferentes hospedeiros invertebrados e vertebrados, trocando favores mútuos. Os protozoários de vida livre (juntamente com bactérias e fungos) desempenham importante papel na reciclagem de matéria orgânica na natureza, pois se nutrem principalmente de restos de animais e vegetais. Estrutura e Funções

O corpo do protozoário é unicelular eucarionte e, como já vimos, desempenha sozinho todas as funções vitais necessárias à sua sobrevivência. Em sua estrutura, encontramos uma membrana plasmática similar às membranas celulares de outras células. O citoplasma de muitos protozoários apresenta duas regiões distintas: uma mais externa e viscosa, o ectoplasma, e outra, mais interna e fluida, o endoplasma. No interior do citoplasma, estão presentes as diversas organelas responsáveis por muitas funções vitais dos protozoários. 
Geralmente, os protozoários apresentam um único núcleo, porém existem espécies bi ou multinucleadas. Nestes casos, os núcleos diferem em tamanho e funções: o macronúcleo contra funções vegetativas e o micronúcleo está relacionado à reprodução.

A nutrição da maioria dos protozoários ocorre por englobamento de partículas de matéria orgânica disponíveis no meio ou por predação ativa de outros microorganismos, inclusive outros protozoários. Quando a partícula de alimento é interiorizada na célula, forma-se um vacúolo digestivo no qual ocorrerá o processo de digestão intracelular. Os resíduos são eliminados pelo corpo residual. A atividade metabólica dos protozoários origina substâncias tóxicas que precisam ser eliminadas. O processo de excreção pode ocorrer por difusão na superfície celular ou através de uma organela especializada denominada vacúolo pulsátil ou contrátil. Esta organela está presente nos protozoários de água doce e também possui a função de regulação osmótica (controle hídrico) da célula. os protozoários de água doce são hipertônicos em relação ao meio em que se encontram e por isso ocorre, por osmose, uma entrada contínua de água por seu interior. Para evitar que o protozoário inche e estoure, o vacúolo contrátil bombeia continuamente o excesso de água para fora do protozoário.
A respiração dos protozoários é predominantemente aeróbia, ocorrendo difusão direta dos gases em toda a superfície celular. Alguns protozoários parasitas que habitam o intestino de vertebrados realizam respiração anaeróbia, pois a concentração de oxigênio nestes ambientes é baixa.

A reprodução entre os protozoários geralmente é assexuada por cissiparidade. Podem ocorrer também a gemiparidade e a esporulação.
Posteriormente, separam-se e realizam a cissiparidade. Alguns protozoários, quando submetidos a condições ambientais desfavoráveis, podem criar os cistos de proteção (envoltório protetor) que os isolam do ambiente e passam a viver em vida latente. Quando as condições ambientais tornam-se novamente favoráveis, o protozoário abandona o cisto e volta às suas atividades normais.
Os protozoários de movimentação ativa locomovem-se por meio de organelas especiais que podem ser os pseudópodes, os cílios e os flagelados.

De acordo com o tipo de organela locomotora e o tipo de reprodução, os biologistas separam os protozoários em quatro classes principais:

Sarcodina (sarcodíneos ou rizópodes: 11 500 espécies);

Flagellata (flagelados ou mastigóforos: 1 500 espécies);

Ciliata (ciliados: 6 000 espécies);

Sporozoa (esporozoários: 5 000 espécies);

Rhizopoda/Sarcodina

Compreende os protozoários como as amebas, foraminíferos e tecamebas, que apresentam pseudópodes como organelas de locomoção e captura de alimento. Podem ser encontrados na água doce, salgada, no solo sob a forma de cistos ou no interior de hospedeiros. Possuem geralmente apenas um núcleo, mas pode ocorrer mais de um.
Entre os foraminíferos, observa-se a presença de tecas ou carapaças externas (SiO2) com uma ou mais perfurações por onde são emitidos os pseudópodes.
As carapaças dos foraminíferos, quando encontradas formando grandes depósitos em estratos do fundo oceânico, são consideradas pelos geólogos como bio-indicadores da presença de petróleo. Os representantes da Classe Rhizopoda reproduzem-se principalmente por cissiparidade. Entre os foraminíferos, podem ocorrer a metagênese ou alternância de gerações.

SPOROZOA

Os esporozoários não apresentam organelas de locomoção na fase adulta (na fase gâmica, podem apresentar pseudópodes) nem vacúolos contráteis. A grande maioria desses protozoários é parasita de invertebrados e vertebrados. Apresentam forma esférica ou alongada, podem formar esporos e geralmente possuem apenas um núcleo.
Nutrem-se por difusão e apresentam o paraglicogênio como substância reserva. Apresentam reprodução gâmica, agâmica ou por metagênese. na Casse Sporozoa, o gênero Plasmodium merece destaque especial, pois é o causador da malária, maleita ou impaludismo.

CILIATA/CILIOPHORA

Esta classe compreende os protozoários mais evoluídos e de estrutura mais complexa. a maioria dos ciliados é de vida livre, mas algumas espécies são parasitas, como o Balantidium coli, que habita o intestino de alguns mamíferos, podendo causar distúrbios gastrintestinais. Diferenciam-se de outras classes por apresentarem cílios como organelas locomotoras e de captura de alimento. Os cílios cobrem total ou parcialmente a superfície da célula e caracterizam-se por serem menores e mais numerosas que os flagelos. A movimentação dos cílios é coordenada por uma estrutura denominada de motórium. Na região periférica do citoplasma, próximo à membrana, observam-se os tricocistos, que são pequenas bolsas contendo filamentos muito longos e enrolados, os quais podem ser descarregados em determinadas condições de defesa.

Os ciliados apresentam uma depressão da membrana denominada sulco oral, que permite o acesso do alimento ao interior da célula. O sulco oral está ligado a uma abertura, o citóstoma, que se prolonga por um tubo denominado citofaringe, no interior da qual existe uma cobertura de cílios. O movimento dos cílios impulsiona o alimento para o interior da célula onde ocorrerá a digestão por um processo semelhante ao observado na ameba. Os ciliados de água doce realizam a excreção e a regulação osmótica através de dois vacúolos pulsáteis.

Nesta classe, os protozoários apresentam dois ou mais núcleos diferenciados em macronúcleo (vegetativo) e micronúcleo (reprodutivo). A sua reprodução ocorre principalmente por cissiparidade, mas, em condições ambientais desfavoráveis, podem realizar a conjugação como observamos anteriormente.

Fonte: www.scribd.com

Protozoários

Antes da invenção do microscópio, ninguém teria imaginado que o minúsculo espaço de uma gota d"água procedente de um charco pudesse ser o habitat de centenas de pequenos seres unicelulares capazes de vida independente. Esses seres são os protozoários.

Protozoários são pequenos seres vivos, em geral microscópicos, unicelulares e eucariotas, do reino dos protistas. Alguns cientistas questionam a inclusão dos protozoários num só grupo, mas atualmente é em geral aceita sua classificação como subfilo dos protistas. As relações taxionômicas dos protozoários entre si e com outros protistas se alteram em função de pesquisas genéticas e bioquímicas que motivam a revisão de antigas classificações baseadas em características morfológicas e fisiológicas.

Características gerais

Os protozoários vivem na água ou em qualquer ambiente que conserve um alto grau de umidade e também como parasitos nos humores de animais. Muitos são de vida livre, enquanto outros vivem sobre plantas ou dentro delas. As inter-relações variam de ocorrência casual até parasitismo estrito, sendo que alguns servem de alimento para animais diminutos. Algumas espécies podem ser úteis na purificação de filtros de água e de esgotos em estações de tratamento, mas há também os causadores de moléstias graves.

Quase todos os protozoários são microscópicos, mas alguns -- muito poucos -- podem ser vistos a olho nu. O tamanho da maioria deles oscila entre 30 e 300 micra. Antonie van Leeuwenhoek observou-os pela primeira vez após aperfeiçoar o microscópio, em 1674, e chamou-os "animalículos" que vivem em infusões vegetais. As formas parasitas são em geral as menores. A Leishmania, por exemplo, existe às dezenas num único glóbulo branco. Certos Nummulites, gênero de foraminíferos fósseis da era cenozóica, atingiam vinte centímetros, provavelmente o maior tamanho já registrado para um protozoário. Alguns gêneros atuais têm espécies que atingem seis milímetros.

Os protozoários têm formas tão diversas que não é possível obter-se um exemplo característico deles. O corpo pode ser uma massa polimorfa, ou ser protegido por formações esqueléticas muito complicadas. A locomoção é feita por meio de pequenos órgãos, denominados pseudópodos, flagelos, cílios etc., ausentes nas formas parasitas. Alguns desses pequenos órgãos são também internos, como o vacúolo contrátil presente nas espécies de água doce, que ritmicamente excretam os gases e líquidos inúteis e mantêm a densidade do protoplasma ao regular o equilíbrio osmótico entre a célula e o ambiente.

Com relação à nutrição, distinguem-se vários tipos de protozoários, desde os de alimentação heterotrófica, como a dos animais, até os que se alimentam de forma autotrófica, como fazem os vegetais. Nas formas livres de protozoários, a nutrição se faz à base de substâncias sólidas (incorporadas diretamente no protoplasma ou em certos vacúolos gástricos) como bactérias, fermentos e até outros protozoários. O paramécio, por exemplo, pode ingerir até cinco milhões de bactérias em 24 horas. Há formas de protozoários que, embora tenham nutrição fotossintética, por ação clorofílica, como as plantas, enquanto privados de luz também podem assimilar substâncias orgânicas.

A reprodução faz-se por divisão direta do indivíduo em duas células (amitose), ou indireta, onde complicados processos nucleares precedem a divisão do protoplasma (mitose). Dá-se também por esporulação, como em muitos parasitos. Embora a maioria contenha um só núcleo celular, muitos têm dois ou mais.

Algumas espécies formam colônias por simples agrupamento e coordenação de movimentos. Certas formas, muito mais avançadas, alcançam verdadeira diferenciação somática. Do ponto de vista filogenético, é provável que os metazoários tenham evoluído de colônias de protozoários. São conhecidas formas parasitárias que vivem em todos os grupos de animais e em muitas plantas. As que têm sido objeto de estudo mais detalhado são as causadoras de sérias enfermidades.

Ordenação sistemática

A classificação dos protozoários se baseia em sua reprodução, alimentação e especialmente em sua locomoção. Há quatro classes bem definidas: mastigóforos ou flagelados, sarcodinos ou rizópodes, esporozoários e ciliados ou cilióforos.

Mastigóforos ou flagelados

Caracterizados pelo longo apêndice, em forma de chicote (ou flagelo) e de movimentos rápidos e violentos, os mastigóforos ou flagelados são os protozoários mais primitivos. Têm grande interesse biológico, pois certas formas são transitórias entre plantas e animais, devido à presença de clorofila, como as do gênero Euglena. Do ponto de vista médico, são muito importantes os causadores da sífilis, da doença-do-sono, da doença de Chagas etc. Os gêneros Ceratium e Peridinium são importantes componentes do plâncton microscópico, do qual se alimentam as larvas diminutas de crustáceos e outros animais marinhos. Certos dinoflagelados podem tornar-se excessivamente abundantes, como ocorre ao longo do litoral norte-americano, onde constituem a causa da formação da "água vermelha" nos mares durante o dia e luminescência à noite.

Sarcodinos ou rizópodes

Os protozoários cujos movimentos se efetuam por simples expansão e contrações do protoplasma, como é o caso da ameba, denominam-se sarcodinos ou rizópodes. Alguns deles são também patogênicos e produtores de disenteria. As amebas têm o corpo nu, mas algumas são envolvidas por partículas de matérias estranhas aglutinadas. Certos rizópodes marinhos, como os foraminíferos, estão encerrados em cápsulas calcárias com perfurações. A reprodução dos foraminíferos é mais complicada que a amitose das amebas. Têm gerações alternadas.
Outro grupo marinho, o dos radiolários, possui um esqueleto central de matéria vítrea nas mais curiosas formas geométricas. Nas zonas quentes, a maioria dos fundos oceânicos é constituída de lodos compostos dos restos desses rizópodes, acumulados numa proporção que se calcula em 12m de espessura para cada milhão de anos. Os micetozoários (ou mixomicetos), que exibem características tanto de protozoários quanto de fungos, são com mais freqüência incluídos pelos botânicos entre os fungos, mas têm sido também classificados como rizópodes.
Esporozoários. Os esporozoários são assim denominados por se reproduzirem mais rapidamente por meio de corpos germinativos, ou esporos, resultantes de uma múltipla divisão, e de ciclo vital muito complicado. As formas são muito heterogêneas, mas todas são parasitas, e os esporozoários habitam em outras células e nos glóbulos vermelhos, como é o caso do plasmódio (Plasmodium), agente etiológico da malária.

Ciliados ou cilióforos

Os protozoários ciliados ou cilióforos são muito numerosos e também os de mais elevada organização intracelular. São cobertos de cílios, cuja vibração ondulante lhes permite nadar. Têm um orifício à maneira de boca (citóstoma) e dois tipos de núcleo celular (macronúcleo e micronúcleo), um dos quais regula as funções vegetativas e o outro as reprodutoras. A reprodução se faz em geral por um processo peculiar denominado conjugação, pelo qual os indivíduos fertilizam-se mutuamente. Os protozoários ciliados são abundantes nas águas doces e marinhas.

Espécies

Existem mais de 25.000 espécies conhecidas de protozoários. Destas, uma terça parte são restos de fósseis marinhos de foraminíferos e radiolários. Os primeiros têm importância em geologia para o estudo dos estratos indicadores da presença de petróleo. De grande importância médica no Brasil são a Entamoeba histolytica, causadora da disenteria amebiana; o Trypanosoma cruzi, agente da doença de Chagas; as espécies de Plasmodium, pelos diferentes tipos de malária; e a Leishmania brasiliensis, agente etiológico da doença conhecida como úlcera de Bauru.

Fonte: www.biomania.com.br




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