Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home   Voltar

Psoríase

Psoríase - Principais aspectos e novas opções de tratamento

A psoríase é uma doença crônica, recorrente (que melhora e volta), influenciada geneticamente e, na maioria das vezes, de fácil diagnóstico.

A morfologia das lesões da pele é bastante variável; o aspecto clínico típico é o de placas avermelhadas com escamas branco-prateadas. Sua gravidade é também muito variável, desde formas leves até casos muitos extensos, que levam à incapacidade física e emocional. As unhas e as articulações também podem ser acometidas.

A psoríase é uma das doenças de pele mais freqüentes, atingindo cerca de 2% da população mundial. Acomete igualmente homens e mulheres, sendo mais freqüente na raça branca.

Existem várias formas clínicas de psoríase:

Vulgar ou em placas: forma mais comum; caracteriza-se por placas avermelhadas com escamas, de distribuição bilateral e simétrica, com predileção por cotovelos, joelhos e couro cabeludo, geralmente poupando a face
Gutata:
lesões pequenas, em gotas, pouco descamativas, localizadas no tronco e partes proximais de braços e pernas. Mais freqüente em crianças e adultos jovens, geralmente precedido de infecção viral ou bacteriana de garganta
Eritrodérmica:
forma grave, com “vermelhão” generalizado (atingindo todo o corpo) e descamação fina
Pustulosa:
lesões que parecem bolinhas de pus sobre manchas avermelhadas.

As lesões podem surgir logo após o nascimento ou tardiamente no idoso, mas o mais comum é o início ocorrer entre a segunda e a quarta décadas de vida. Um início precoce, antes dos 15 anos de idade, é indicador de maior gravidade da doença.

Há algum produto no mercado que acalma a psoríase?

A doença provoca placas de ressecamento endurecidas e vermelhas na pele e infelizmente ainda não tem cura. Os sintomas podem ser amenizados com corticoides e sessões de laser no dermatologista. Em casa, adote cremes hidratantes e calmantes, ricos em vitaminas e ômegas.

Existem vários fatores envolvidos no surgimento da psoríase:

Fatores genéticos: sabe-se que em 30 % dos casos existem antecedentes familiares de psoríase. Fatores ambientais como traumatismo, infecções, estresse e clima permitiriam o surgimento das lesões em indivíduos geneticamente predispostos;
Fatores emocionais:
choques emocionais são encontrados em 70% dos relatos como desencadeantes da doença e das recaídas;
Alterações bioquímicas:
alteração do metabolismo de algumas substâncias na pele;
Alterações imunológicas:
A lesão de psoríase é sede de numerosas anomalias imunológicas. As 2 maiores alterações patológicas nas lesões de psoríase são a hiperproliferação da epiderme (aumento acelerado da camada mais superficial da pele) com diferenciação anormal e inflamação na epiderme e derme. Existem várias substâncias envolvidas nesses processos, entre elas, as células T que liberam substâncias, chamadas de citocinas inflamatórias, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-a), Y interferon, interleucinas, entre outros.
Outros fatores relacionados com aparecimento ou piora das lesões:
infecções por estreptococos ß hemolítico e HIV; uso de medicamentos (como antiinflamatórios não hormonais, beta-bloqueadores, lítio), etilismo, entre outros.

As lesões de psoríase podem desaparecer espontaneamente ou como resultado do tratamento, mas há uma grande tendência para recorrências.

A escolha do tratamento vai depender da localização e gravidade das lesões, duração do quadro, tratamentos prévios e idade do paciente.

É muito importante que o paciente saiba que as lesões não são contagiosas e que nas formas leves e moderadas não costumam ocorrer complicações sérias. Não existe cura para a psoríase, embora as lesões possam ser controladas com os medicamentos disponíveis.

Tratamento tópico

Em muitos pacientes os medicamentos tópicos são suficientes para manter a psoríase sob controle.

Os mais utilizados são:

Corticóides: os de alta potência são mais efetivos
Coaltar:
se usado isoladamente, tem ação moderada na psoríase
Antralina:
pode irritar a pele
Tazaroteno:
indicado para uso em lesões estáveis até 20 % da área corporal
Vitamina D:
pode ser tão eficaz como o corticóide de alta potência na psoríase em placas
Ácido salicílico: Auxilia na remoção de escamas e promove a eficácia de outros tratamentos tópicos
Tacrolimus:
é um potente imunossupressor que vem sendo testado em pacientes com psoríase em placas
Ascomicina:
vem sendo testada em psoríase em placas.

Tratamento sistêmico

Indicado nos casos moderados e graves e nos pacientes em que o tratamento tópico não foi responsivo.

Os mais utilizados são:

Metotrexate: pode ser indicado na psoríase com mais de 20% de superfície corpórea total acometida. Pode causar efeitos colaterais no fígado e no sangue, além de ser teratogênica (potencial de causar mal formações no feto se uma mulher grávida ingerir este medicamento);
Acitretina:
é só parcialmente efetiva e raramente consegue clarear totalmente as lesões. Também é teratogênico;
Ciclosporina A:
é uma das mais efetivas, mas podem ocorrer efeitos colaterais como hipertensão e insuficiência renal irreversível;
PUVAterapia:
é a utilização de medicamentos chamados psoralênicos mais fototerapia com ultravioleta A (“banho de luz”). A longo prazo, pode causar envelhecimento e maior potencial de desenvolvimento de câncer da pele e catarata.
Novas opções no tratamento da psoríase moderada e grave são os chamados agentes biológicos, como:
Infliximab e Etanercept que agem bloqueando a ação do TNF-a, um dos grandes responsáveis pelas lesões de psoríase, e Efalizumab e Alefacept que agem sobre a célula T. Estudos realizados recentemente demonstraram que o infliximab (Remicade®) proporciona uma melhora rápida, efetiva e duradoura nos pacientes com psoríase moderada a grave.

Carla Skromov de Albuquerque

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

Psoríase

O QUE É PSORÍASE

É uma doença de pele e de articulações (chamada psoríase artropática), de origem genética, mas que atinge somente 30% dos indivíduos que possuem histórico familiar.

Aproximadamente 70 a 100 milhões de pessoas, em todo mundo, possuem o gene para psoríase em suas células, podendo ou não vir a desenvolvê-la em qualquer fase da vida. Não existem exames laboratoriais para identificar a psoríase.

É conhecida desde a antiguidade e já foi confundida com a lepra (hanseníase). Muita gente acredita que a psoríase seja uma doença emocional ou psicossomática, porém, na última década, foi confirmada que além da predisposição genética, a psoríase é mediada pelo sistema imunológico de defesa, como ocorre em outras doenças como a artrite reumatóide e doença de chron, produzindo alterações nas células da pele, vasos de sangue e nas substâncias imunológicas.

Psoríase e psoríase artropática são doenças inflamatórias crônicas, não contagiosas e que ocorrem em surtos de piora, melhora ou desaparecimento por tempo indeterminado. Não há como prever sua evolução. Geralmente, fatores desencadeantes promovem um novo surto.

Na pele, a inflamação forma placas avermelhadas em que as células chamadas queratinócitos aumentam sua velocidade de produção e, ao se acumular na superfície, formam escamas esbranquiçadas.

Também pode ocorre inflamação na articulação óssea provocando rigidez de movimentação, inchaço, dor e, em alguns casos mais raros, destruição óssea.

Aprender sobre essas doenças e seus tratamentos pode resultar em melhor qualidade de vida. O Centro Brasileiro de Psoríase tem a função de contribuir para isso, oferecendo uma visão global e atualizada dos tratamentos.

QUEM TEM PSORÍASE

A psoríase atinge igualmente homens e mulheres em qualquer idade. Em 15% dos casos aparece em crianças com até 10 anos. Quando ocorre na infância e já existem casos na família, a psoríase pode ter controle mais difícil.

Ela existe em todas as regiões do mundo, com incidência de 2 % da população, sendo que em maior número em países como Finlândia, Islândia, Noruega e Alemanha e um pouco menos em povos em que não há mistura de raças, como os negros da África oriental, índios e esquimós. Nos EUA, estima-se em 8 milhões de pessoas com psoríase; no Brasil, em cerca de 2 % de seus habitantes.

É muito importante saber que 20% a 30 % das pessoas com psoríase na pele podem, em qualquer fase da vida, desenvolver psoríase artropática. O dermatologista deve ser informado quando houver dores ou inchaços em alguma junta, para uma necessária avaliação do médico reumatologista.

FATORES DESENCADEANTES

O indivíduo geneticamente predisposto para ter psoríase precisará de um ou mais fatores desencadeantes para iniciar o primeiro surto ou exacerbar uma psoríase já instalada.

São eles:

Infecções em qualquer órgão por bactérias estreptocócicas (faringite, amigdalite, pneumonia,infecção urinária, etc...), vírus (herpes, gripe, HIV, etc...) ou fungos (micose, candidíase vaginal, etc...) podem ou não predispor à psoríase e psoríase artropática. Há uma hipótese de formação de superantígenos alterando o sistema imunológico da pele. Converse com seu dermatologista se as crises de psoríase vieram após infecções.
Trauma físico na pele pode resultar em uma nova lesão de psoríase (chamada fenômeno de Koebner) ou piorar uma lesão já existente. Isso explica porque a psoríase é mais comum em cotovelos (atritos na mesa), joelhos (raspam na calça) e couro cabeludo (atrito ao escovar os cabelos). É preciso evitar remover escamas ou coçar.
Medicamentos podem alastrar a psoríase para o corpo todo, principalmente aqueles compostos de cortisona (corticóides), em comprimidos, injeções ou mesmo na fórmula de cremes, pomadas e loções capilares que, quando utilizados por longos períodos e em áreas extensas do corpo, correm o risco de serem absorvidos pela a corrente sanguínea, piorando a psoríase na pele. Evite automedicação e informe seu dermatologista de todos os remédios que usa.
Alguns medicamentos prescritos para hipertensão ou coração podem piorar a psoríase até mesmo meses depois de ingeridos, como o atenolol, propanolol e captopril. Lítio prescrito para depressão também pode influenciar, assim como a cloroquina para dores reumáticas. Nunca suspenda o uso sem antes conversar com o médico.
Origem emocional e estresse psíquico são comumente relacionados à psoríase, quando a forma é intensa e constante, mas nem sempre são a principal causa da evolução da afecção já que existem outros fatores que modificam o sistema imunológico.
A explicação possível seria a liberação de neurotransmissores pelo sistema nervoso central de outras substâncias mediadoras para pele. A psiconeuroimunologia é a ciência que estuda esses fenômenos e que também explica como técnicas de relaxamento físico e mental podem beneficiar alguns pacientes com psoríase e psoríase artropática.
Tabagismo e abuso de bebidas alcoólicas são associados com a piora da psoríase e certamente podem levar à toxicidade quando se faz uso de medicações sistêmicas para essa doença. Em relação a alimentos, nada foi associado e certamente uma dieta equilibrada, assim como evitar obesidade, são cuidados benéficos para o organismo como um todo.
Variações climáticas, inverno rigoroso e baixa umidade podem estar relacionados com períodos de piora da psoríase e da artralgia (dor articular) da psoríase artropática.

Tipo de psoríase e diagnóstico

Há tipos diferentes de apresentação da psoríase na pele:

Psoríase vulgar: pequenas lesões até grandes placas, comuns em couro cabeludo, cotovelos, região lombar e joelhos. Pode atingir unhas e genitais.
Psoríase eritrodérmica:
quando atinge a totalidade do corpo, sendo uma forma mais rara que pode ser grave e com sintomas sistêmicos.
Psoríase gutata:
semelhantes a lesões em gotas espalhadas pelo tronco.
Psoríase palmoplantar:
somente nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Pode ter a variação pustulosa quando aparecem pequeníssimas pústulas que logo se rompem.
Psoríase invertida:
quando, em vez de áreas de extensão, acometem dobras das axilas, virilhas.
Psoríase artropática:
em uma ou várias articulações e com características diferentes da artrite reumatóide. Geralmente é diagnosticada pelo médico reumatologista.

A evolução pode ser aguda ou mais comumente progressiva das áreas de atrito para outras regiões.

O diagnóstico pode exigir biópsia da pele, mas a experiência clínica do dermatologista geralmente é suficiente para confirmar.

Tratamentos

Varia conforme a quantidade de lesões na pele, sendo que em até 10% do corpo utilizam-se medicamentos tópicos com alcatrão, coaltar, derivados da vitamina D3, como o calcipotriol e calcitriol. Porém, quando há maior quantidade de lesões tornamse necessários tratamentos mais generalizados como a fototerapia (banho de luz) com ultravioleta A (PUVA) ou B, ou laser.

Na psoríase disseminada por mais de 30% do corpo e na psoríase artropática estão indicados medicamentos sistêmicos sob rigoroso controle médico e laboratorial para evitar efeitos colaterais já conhecidos há anos da acitretina, metotrexato e ciclosporina. Quando essas medicações deixam de ser eficazes ou provocam toxidades no fígado ou em outros órgãos, são indicadas as drogas biológicas injetáveis como o infliximabe, etanercepte e efalizumabe e adalimumabe.

É consenso que o melhor é combinar tipos de medicações e mudá-las na crise seguinte de psoríase.

O uso de cremes hidratantes no corpo todo, sol com moderação (e fotoprotetor no rosto), não mexer ou atritar a pele, são medidas fundamentais para saúde da derme.

A pessoa com psoríase, quando informada, tem maior condição de discernir o que é mais adequado tanto no momento como na gestão em longo prazo.

Grupos de apoio geralmente proporcionam ambiente propício para conversa, troca, informação e apoio.

Associações sem fins lucrativos são fundamentais para exercer o direito do paciente.

TER PSORÍASE

O estigma social pode ser mais difícil do que os sintomas da psoríase. É comum produzir mudanças de comportamento e até de personalidade. A falta de apoio e compreensão pode agravar a evolução da doença, tornando-a crônica.

O custo dos medicamentos e o custo de dedicar horas a tratamentos sem resultados definitivos, leva a frustrações e perda da auto-estima. Porém, uma nova atitude de enfrentamento diante da psoríase, mudanças de hábitos e maiores cuidados, aliados a tratamentos médicos e científicos, levam com certeza a um controle e melhor qualidade de vida da pessoa com psoríase.

Cid Yazigi Sabbag

Fonte: www.clinicasabbag.com.br

Psoríase

O que é?

Psoríase
Psoríase

A psoríase é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade e que afeta 1 a 3% da população. O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afetam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo.

Nos casos mais graves, estas lesões podem cobrir extensas áreas do corpo. As unhas são também frequentemente afetadas, com alterações que podem variar entre o quase imperceptível e a sua destruição.

Cerca de 10% dos doentes desenvolvem artrite psoriática. Esta traduz-se por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, de pequenas (mãos e pés) ou grandes (membros e coluna) articulações.

A origem da psoríase não está totalmente esclarecida, embora se saiba que é geneticamente determinada e envolva alterações no funcionamento do sistema imunitário, que provocam inflamação e aumento da velocidade de renovação das células da epiderme (camada mais superficial da pele).

O fato de ser geneticamente determinada não implica que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. Contudo, verifica-se uma maior probabilidade de aparecimento da doença em pessoas que tenham familiares portadores da mesma.

Uma vez que existem múltiplas doenças cutâneas que também se manifestam com lesões vermelhas e descamativas, eventualmente afetando as localizações típicas da psoríase, o diagnóstico deve ser sempre estabelecido pela observação clínica por um dermatologista. Em alguns casos poderá ser necessária a confirmação com biópsia de pele.

Tipos

Existem diversos tipos de psoríase, classificados de acordo com o seu aspecto clínico:

Psoríase em placas ou psoríase vulgar

Este tipo representa a grande maioria dos casos de psoríase. As lesões têm relevo, são vermelhas e cobertas por escama prateada. O número, dimensão e extensão das lesões é variável de doente para doente e em diferentes fases de evolução da doença de cada doente. Surgem sobretudo nos cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo, embora passam afetar qualquer área do corpo, cobrindo, nos casos mais graves, extensas áreas do tronco e membros. Em contraste com o seu aspecto exuberante, estas lesões são muitas vezes assintomáticas.

Psoríase gutata

Não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associações permite controlar os sintomas na maioria dos casos. Cada doente tem a sua especificidade, pelo que estas terapêuticas devem ser usadas criteriosamente, de acordo com as indicações adequadas para cada caso e respectiva fase de evolução e com respeito pelas regras de segurança, para evitar eventuais efeitos secundários ou agravamento da própria doença.

Psoríase inversa

A designação desta forma de psoríase resulta de uma localização “inversa” das lesões cutâneas, ou seja, privilegiando as pregas (axilas, virilhas e região infra-mamária). As lesões são vermelhas, brilhantes e não têm escama evidente. Este aspecto menos “típico” pode dificultar o diagnóstico.

Psoríase eritrodérmica

Esta é uma forma generalizada de psoríase, na qual a pele de toda a superfície corporal adquire um aspecto vermelho e inflamado. Este tipo de psoríase é muito grave devido ao risco associado de desenvolvimento de complicações.

Psoríase com Pústulas

Algumas formas de psoríase caracterizam-se pelo aparecimento de pústulas (pequenas “bolhas” cheias de pus).

A mais frequente é a pustulose palmo-plantar, na qual estas lesões surgem sobre um fundo avermelhado nas palmas das mãos e plantas dos pés, por vezes com descamação abundante e fissuras dolorosas.

Esta forma particular de psoríase é de difícil tratamento, podendo ter uma evolução crónica com surtos de agravamento. Existe uma forma generalizada de psoríase pustulosa (von Zumbusch), felizmente rara, dada a sua gravidade, que pode surgir subitamente ou evoluir a partir do agravamento de uma psoríase em placas. Ao contrario das restantes formas de psoríase, é acompanhada de sintomas gerais (febre, mau estar, etc.) e tem um risco elevado de desenvolvimento de complicações, algumas das quais potencialmente fatais.

Terapêuticas

Tópicas: (aplicação de loções, cremes ou pomadas sobre a pele)
Emolientes e queratolíticos:
O seu uso regular é importante para o controlo da descamação, constituindo um importante complemento para os restantes tratamentos.
Corticosteroides tópicos:
Muito eficazes no controlo das lesões. Existem com diferentes níveis de potência, adequados para diferentes situações e áreas do corpo. Para evitar efeitos secundários não devem ser usados de forma continuada.
Análogos da vitamina D:
Interferem no ciclo de renovação celular, controlando a descamação.
Outros: Alcatrão, ditranol.

Sol: A helioterapia é sem dúvida o meio de tratamento mais barato e acessível. A exposição à luz solar (espectro ultravioleta) induz uma melhoria na maioria dos casos. Contudo, esta deverá ser feita com moderação, uma vez que as queimaduras solares agravam a psoríase.

Fototerapia

Exposição da pele a fontes artificiais de luz ultravioleta (UV) em sessões regulares, com doses de UV adequadas a cada doente e durante períodos predeterminados. Na fototerapia UVB é usado o espectro de radiação UVB e a na PUVA é necessária a aplicação local ou por via sistémica de um agente sensibilizaste à luz UVA (psoraleno).

Medicamentos sistémicos (via oral ou injetáveis)
Usados nos casos mais graves ou resistentes ao tratamento. Implicam um acompanhamento médico minucioso.
Retinoides:
normalizam a proliferação e diferenciação das células da epiderme. As mulheres em idade fértil só os podem usar se forem estabelecidas medidas de contracepção rigorosas, por risco de malformações no feto.
Metotrexato e ciclosporina:
interferem com mecanismos inflamatórios e imunitários na base da doença.
Agentes biológicos (Etanercept, Efalizumab, Adalimumab, Infliximab):
Atuam seletivamente sobre determinados componentes do sistema imunitário. Representam a área em que se verificaram os progressos mais recentes.

Fonte: www.psoportugal.com

Psoríase

Psoríase é uma doença não-contagiosa de pele que mais comumente se apresenta como lesões inflamatórias na pele cobertas por escamas esbranquiçadas. O tipo mais comum é chamado de Psoríase em placas ou vulgar.

A psoríase ocorre em muitas variantes e diferentes graus de severidade. Os diferentes tipos apresentam características como vesículas purulentas (Psoríase pustular), severa descamação da pele (Psoríase eritrodérmica), pequenas lesões em botão (Psoríase goteada) e lesões planas inflamadas (Psoríase inversa).

Os graus de severidade da psoríase são divididos em leve, moderada e grave.

Evolução da Psoríase

Ninguém sabe qual a causa da psoríase, entretanto é geralmente aceito que há um componente genético, e estudos recentes demonstram que se trata de uma doença auto-imune da pele. Uma pessoa pode nascer com uma predisposição genética para psoríase. Uma em cada três pessoas relata uma história familiar de psoríase, mas não há um padrão de herança genética. Há muitos casos em que crianças com nenhuma história aparente de psoríase desenvolvem a doença.

Se a pessoa vai realmente desenvolver psoríase pode depender de algo que desencadeie o seu aparecimento. Exemplos de fatores desencadeantes incluem infecções sistêmicas tais como amigdalite, lesões de pele, vacinações, certos medicamentos e uso de medicação esteróide oral ou intramuscular.

Uma vez que algo desencadeia a tendência genética de desenvolver psoríase, pensa-se que em resposta, o sistema imunológico desencadeia uma reprodução excessiva de células epiteliais.

Tipos de Psoríase

Psoríase em placas

O tipo mais comum de psoríase é a chamada psoríase em placas.

É caracterizada por lesões elevadas, inflamadas (vermelhas), cobertas por escamas esbranquiçadas. As escamas são formadas por células mortas da pele. O nome técnico desta forma é psoriasis vulgaris (vulgar=comum). Pode se manifestar em qualquer área da pele, os joelhos, cotovelos, couro cabeludo e tronco são as regiões mais comumente atingidas.

Psoríase goteada

A psoríase goteada é caracterizada por pequenos pontos avermelhados de psoríase. Tal nome é devido as lesões terem o formato de pequenas gotas. Geralmente aparece no tronco, braços e pernas. Esta forma freqüentemente aparece repentinamente após uma infecção estreptocócica ou viral do trato respiratório superior.

Há também outros eventos que podem precipitar um surto: amigdalite, gripe, varíola, imunizações, trauma físico, estresse emocional e administração de drogas antimalária.

Psorísase Inversa

A psoríase inversa é assim chamada por apresentar um padrão de distribuição das lesões inverso aos outros tipos. Nesta forma as lesões se localizam nas zonas das dobras cutâneas, axilas, virilha, embaixo da mama, dobra do cotovelo etc. Tipicamente se apresentam lesões planas e inflamadas sem escamação e particularmente sujeitas a irritação devido ao atrito e ao suor.

Psorísase Eritrodérmica

Normalmente a psoríase eritrodérmica aparece sobre a pele como vermelhidão e escamação fina, freqüentemente se acompanha por prurido intenso e dor podendo ocorrer inchaço.

Psorísase Pustular

A psoríase pustular se caracteriza por pústulas (lesões vesiculares com pus não infeccioso) sobre a pele. O pus consiste de glóbulos brancos acumulados. Não é uma doença infecciosa e, portanto, não é contagiosa. Pode se localizar em certas áreas do corpo tais como mãos e pés, ou pode se generalizar.

Tem a tendência de se manifestar 3 fases cíclicos: 1) eritema (pele avermelhada), 2) formação de pústulas e 3) descamação da pele.

Artrite Psoriásica

Cerca de 10% das pessoas que têm psoríase na pele também desenvolvem uma foram de artrite chamada artrite psoriásica. A artrite psoriásica causa inflamação e feridas inchaço nas mãos, pés ou nas grandes juntas como o joelho, tornozelos, cotovelos e coluna vertebral. Pode causar rigidez, dor e lesão articular.

Psorísase do Escalpo (couro cabeludo)

Esta forma de psoríase afeta pelo menos metade das pessoas que sofrem da doença. Geralmente, o couro cabeludo terá placas de psoríase caracterizadas por lesões elevadas, inflamadas com escamas.

Psorísase Ungueal (das unhas)

A psoríase pode afetar ambas, unhas dos pés e das mãos. Comumente aparece como pintas nas unhas de vários tamanhos, forma e profundidade. Algumas vezes as unhas desenvolvem uma cor amarelada e se tornam finas. As unhas podem se esfacelar facilmente e apresentar inflamação no seu contorno. Outro possível sintoma é o deslocamento da unha do leito ungueal.

Convivendo com a Psoríase

A psoríase pode ser muito dolorosa, mas a dor é mais profunda do que a pele. As emoções sofrem também. Ela apresenta pessoas com limitações físicas, desfiguração e seu cuidado diário e tedioso demandam muito tempo. Embaraço, frustração, medo e depressão são comuns. Em casos extremos, uma perda da auto-estima resulta em um completo isolamento da sociedade.

Vários tipos de alívios temporários estão disponíveis, e eles atuam com variados graus de sucesso.

Tratamentos e medicamentos são geralmente consumidores de tempo e dinheiro. Eles podem ser cosmeticamente desagradáveis e acrescentar riscos adicionais para o paciente.

A Psoríase não segue um curso previsível. Cada caso individual tem o seu próprio curso. Uma coisa é certa, os sintomas podem ir e vir, mas eles quase sempre voltam. É uma doença para toda a vida, mas o paciente pode aprender a conviver adequadamente com a doença e levar vida praticamente normal. As pesquisas no campo estão evoluindo muito e logo devem surgir novas formas de tratamento cada vez mais eficazes.

Fonte: sampa2.pmrp.com.br

Psoríase

A psoríase é uma doença crônica e recorrente caracterizada por proeminências descamativas prateadas e placas de vários tamanhos (áreas elevadas).

A descamação é decorrente de uma taxa anormal elevada de crescimento e de substituição das células cutâneas.

A razão do crescimento celular rápido é desconhecido, mas acredita-se que mecanismos imunes tenham um papel.

Freqüentemente, a psoríase ocorre em famílias. Trata-se de uma doença comum, afetando 2 a 4% dos brancos.

Os negros apresentam menor tendência a apresentá-la.

A psoríase se manifesta, mais freqüentemente, em indivíduos com 10 a 40 anos de idade, embora todas as faixas etárias sejam suscetíveis.

Sintomas

Geralmente, a psoríase inicia como uma ou mais pequenas placas psoriáticas que se tornam excessivamente descamativas. Pequenas proeminências podem formar-se em torno da área. Embora as primeiras placas possam desaparecer espontaneamente, outras formam-se logo em seguida.

Algumas placas podem permanecer do tamanho de uma unha do polegar, mas outras podem crescer e recobrir grandes áreas do corpo, à s vezes em forma de anel ou de espiral. A psoríase caracteristicamente afeta o couro cabeludo, os cotovelos, os joelhos, as costas e as nádegas.

A descamação pode ser confundida com a dermatite seborréica (caspa) intensa, mas as placas características da psoríase, as quais se mesclam com áreas normais, diferenciam- na da dermatite seborréica.

A psoríase também pode aparecer em torno e sob as unhas, tornando-as espessas e deformadas. As sobrancelhas, as axilas, o umbigo e a virilha também podem ser afetados. Comumente, a psoríase produz apenas descamação.

Mesmo o prurido é incomum. Quando as áreas descamadas curam, a pele recupera seu aspecto normal e o crescimento de pêlo permanece inalterado. A maioria dos indivíduos com psoríase limitada apresentam poucos problemas além da descamação, embora o aspecto da pele possa ser desagradável.

Entretanto, alguns indivíduos apresentam uma psoríase generalizada (extensa) ou sofrem efeitos graves devidos à doença. A artrite psoriática produz sintomas muito semelhantes aos da artrite reumatóide.

Raramente a psoríase afeta todo o corpo, e produz uma dermatite psoriática esfoliativa, na qual toda a pele inflama.

Esta forma de psoríase é grave, pois, assim como uma queimadura, ela impede que a pele atue como uma barreira protetora contra lesões e infecções. Em uma outra forma incomum de psoríase, a psoríase pustulosa, ocorre nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, a formação de pápulas pequenas e grandes cheias de pús (pústulas). Algumas vezes, essas pústulas disseminam-se por todo o corpo.

A psoríase pode surgir sem razão aparente ou pode ser decorrente de uma queimadura solar grave, ou de uma irritação cutânea, ou do uso de medicamentos antimaláricos, ou de lítio, ou de medicamentos beta-bloqueadores (p.ex., propranolol e metoprolol) ou de quase todos os cremes e pomadas contendo medicamentos.

As infecções estreptocócicas (especialmente em crianças), as contusões e os arranhões também podem estimular a formação de novas placas.

Diagnóstico

No início, a psoríase pode ser diagnosticada erroneamente porque muitos outros distúrbios podem produzir placas e descamação similares. À medida que a psoríase evolui, o padrão descamativo característico é geralmente fácil de ser reconhecido pelo médico e, por essa razão, os exames diagnósticos comumente não são necessários.

Contudo, para confirmar o diagnóstico, o médico pode realizar uma biópsia de pele (coleta de uma amostra de pele para exame microscópico).

Tratamento

Quando um indivíduo apresenta apenas algumas poucas placas pequenas, a psoríase responde rapidamente ao tratamento.

O uso de pomadas e cremes emolientes (que lubrificam a pele), uma ou duas vezes ao dia, consegue manter a pele úmida.

As pomadas contendo corticosteróides são eficazes e seu efeito pode ser ainda maior se as áreas onde elas são aplicadas forem recobertas com papel celofane.

Os cremes contendo vitamina D também são eficazes em muitos pacientes. As pomadas e os cremes que contêm ácido salicílico ou alcatrão da hulha também são utilizados no tratamento da psoríase.

A maioria dessas medicações é aplicadas duas vezes ao dia sobre a á rea afetada.

Os medicamentos mais potentes (p.ex., antralina) são utilizados algumas vezes, mas eles podem irritar a pele, além de manchar a roupa de cama e as vestimentas. Quando o couro cabeludo é afetado, xampus contendo esses ingredientes ativos são freqüentemente utilizados.

A luz ultravioleta também pode ajudar a eliminar a psoríase. De fato, durante os meses de verão, as á reas afetadas da pele expostas ao sol podem curar espontaneamente. Freqüentemente, os banhos de sol ajudam a eliminar as placas localizadas sobre á reas maiores do corpo.

A exposição controlada à luz ultravioleta é uma outra terapia comum.

Para a psoríase generalizada, a terapia com luz ultravioleta pode ser complementada com psoralenos, drogas que tornam a pele muito mais sensível aos efeitos da luz ultravioleta.

Geralmente, a combinação de psoralenos e luz ultravioleta (PUVA) é eficaz e pode curar a pele por vários meses. No entanto, o tratamento com PUVA pode aumentar o risco de câncer de pele devido à ação da luz ultravioleta e, por essa razão, o tratamento deve ser supervisionado rigorosamente por um médico.

Para as formas graves de psoríase e para a psoríase generalizada, o médico pode administrar o metotrexato.

Utilizada no tratamento de alguns tipos de câncer, esta droga interfere no crescimento e na multiplicação das células cutâneas. Os médicos utilizam o metotrexato em indivíduos que não respondem às outras formas de terapia.

Essa substância pode ser eficaz em casos extremos, mas pode causar efeitos adversos sobre a medula óssea, os rins e o fígado. Uma outra medicação eficaz, a ciclosporina, também produz efeitos colaterais graves.

As duas medicações mais eficazes para o tratamento da psoríase pustosa são o etretinato e a isotretinoína, os quais também são utilizados no tratamento da acne grave.

Fonte: mmspf.msdonline.com.br

Psoríase

Psoríase
Psoríase

Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, de causa ainda desconhecida, que afeta de 1 a 3% da população em geral.

Atinge indistintamente homens e mulheres, sendo mais freqüente na raça branca.

Caracteriza-se pelo aparecimento de lesões róseas ou avermelhadas, recobertas de escamas secas e esbranquiçadas que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. Podendo em outros casos a se espalhar por toda a pele.

A doença pode se manifestar logo após o nascimento ou tardiamente no idoso, mas o mais comum é o início entre a 2ª e a 4ª décadas da vida.

Os tipos de Psoríase:

PSORÍASE EM PLACAS: tipo mais comum, com lesões róseas ou avermelhadas recobertas por escamas de cor branca.
PSORÍASE INVERTIDA:
lesões vermelhas leves que surgem normalmente em regiões de dobra, como axílas e virilhas.
PSORÍASE EM GOTAS:
Segundo tipo mais comum, com lesões pequenas que se assemelham a gotas.
PSORÍASE PALMO-PLANTAR:
Lesões localizadas na palma das mãos ou na planta dos pés.
PSORÍASE ERITRODÉRMICA:
A forma mais grave e menos comum, com inflamações e manchas vermelhas em grandes áreas da pele.
PSORÍASE UNGUEAL:
Quando as lesões de psoríase atacam as unhas, podendo fazer com que elas endureçam e se descolem da pele que está por baixo.
ARTRITE PSORIÁTICA:
Uma pequena porcentagem de portadores de psoríase pode apresentar inflamações nas cartilagens e articulações, desenvolvendo dor física e dificuldade de movimentação.
PSORÍASE PUSTOLOSA:
Forma aguda, com pústulas amicrobianas (embora haja aparência de “pus” as lesões não contém bactérias).

Fonte: www.psoriase.org.br

Psoríase

Definição e Epidemiologia

É uma dermatose inflamatória, de evolução crônica e recorrente, caracterizada por lesões eritematodescamativas. Afeta 2 a 3% da população mundial. Acomete igualmente ambos os sexos, principalmente entre a Segunda e Quarta décadas de vida, sendo mais comum na raça branca. É excepcional em crianças e negros.

Etiopatogenia

É uma moléstia geneticamente determinada; tem história de ocorrência familiar em 70% dos casos. A associação dessa predisposição genética a múltiplos fatores ambientais leva a uma alteração imune, desencadeando o surto eruptivo, resultante da hiperproliferação da epiderme e distúrbio da queratinização.

Os fatores ambientais mais comuns são: queimadura solar grave, traumatismo físico, clima frio, estresse emocional e infecções.

Algumas drogas podem provocar e até desencadear a psoríase: antimaláricos, lítio, betabloqueadores e alguns AINEs.

Clínica

Presença de placas eritematosas, circunscritas, isoladas ou múltiplas, de tamanho e forma variáveis cobertas por escamas branco-prateadas. As lesões são simétricas, com predileção pela superfície extensora dos membros, couro cabeludo, unhas, região sacra, e regiões palmoplantares. A face e as mucosas raramente são atingidas. O prurido é excepcional, e quando ocorre varia de moderado a intenso.

A psoríase mais comum é a numular, que se caracteriza por múltiplas lesões em forma de moeda, que acometem também o tronco, e por sobreposição e extensão periférica podem fazer extensas erupções, e se de caráter universal, resulta na chamada psoríase eritrodérmica.

Existe uma forma comum nos jovens, a psoríase gutata (em gotas ). Ela surge após uma infecção estreptocóccica de garganta, apresentando-se com múltiplas lesões pequenas em forma de gota, com evolução aguda e excelente prognóstico.

Outras formas encontradas, com menor freqüência, são a psoríase invertida (que ao invés de regiões extensoras acomete dobras flexurais, lábios e mucosa genital) e psoríase artropática ( surtos repetidos da doença causam lesões irreversíveis em dedos de mãos e pés, levando a perda funcional desses elementos).

Diagnóstico

É iminentemente clínico, em virtude da morfologia e distribuição das lesões.

O raspado de cureta pode auxiliar o diagnóstico, pois pode fornecer os seguintes sinais clínicos: sinal da vela (os fragmentos obtidos pela curetagem das escamas assemelham-se aos obtidos pela raspagem de uma vela) e o sinal de Auspitz (a remoção total das escames revela pequenos pontos de sangramento na superfície da lesão).

A psoríase apresenta também o fenômeno isomórfico de Koebner, que consiste no surgimento de lesões clássicas de psoríase nas áreas da pele expostas a traumatismos, tais como cicatrizes, escoriações e queimaduras.

Diagnóstico Diferencial

Deve ser feito com as outras lesões eritematodescamativas:

1. Dermatite seborréica: ocorre em qualquer idade e mais em mulheres. Apresenta eritema vermelho também em área interescapular e pré-esternal (simétrico). Descamação gordurosa.
2. Eczema: apresenta eritema vermelho acinzentado, com descamação fina e cinza. Apresenta prurido intenso.
3. Pitiríase Rósea: em adultos jovens e mais em mulheres. Eritema vermelho intenso em tronco, pelve e membros com lesão inicial (lesão mãe) . Apresenta placas com maior eixo paralelo as costelas.
4. Sífilis Secundária: indivíduos sexualmente ativos com eritema róseo pálido em face, palmas, plantas, região anogenital. Pesquisar adenopatia geral e reação sorológica.

Tratamento

A psoríase é uma doença de evolução crônica, e seu tratamento visa principalmente reduzir o número e a gravidade das lesões, já que seu completo desaparecimento é difícil. Sabendo disto, deve-se esclarecer o paciente quanto a não contagiosidade e ao não comprometimento sistêmico da moléstia.

O tratamento vai depender das características do paciente, e principalmente da gravidade do quadro. Os medicamentos utilizados podem ser tópicos ou sistêmicos.

Tratamento Tópico

1. Corticóides: surtos leves e moderados. Recomenda-se curativo oclusivo e pode se fazer terapia intralesional
2. Antralina e Alcatrão: para placas mais espessas e resistentes.
3. Calcipotriol: quadros leves e moderados. Resposta muito variada.

Tratamento Sistêmico

1. Retinóides Orais (Etretinato e Acitretin): Têm bons resultados, mas são teratogênicos e possuem muito efeitos colaterais.
2. Metotrexato: Um dos mais efetivos em psoríase extensa e grave. Deve-se excluir pacientes com hepatopatias, hematopatias, e deve ser usado em pacientes internados.
3. PUVA: administra-se uma droga fotossensibilizante (8-metoxipsoraleno) e expõe-se o paciente ao ultravioleta de ondas longas. Aumenta o risco de carcinogênese. Pode ser associado com retinóides orais.
4. Ciclosporina: Somente em casos graves e com paciente internado

Fonte: www.hc.ufpr.br

Psoríase

A Psoríase é uma doença de pele crônica de causa ainda pouco conhecida, mas é sabido que a chance de desenvolver a doença relaciona-se a genes que a pessoa possui desde o nascimento. Ocorre igualmente em ambos os sexos,pode aparecer em qualquer idade, mas é mais freqüente na terceira e quarta décadas da vida.

Classificação

Além das lesões escamosas ou eritematosas (vermelhas), de tamanhos variados (nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e nas costas), a psoríase pode aparecer em dobras do corpo – é a psoríase invertida – ou se manifestar como lesões pequenas e redondas, em “forma de gota” – é a psoríase gutata – às vezes relacionada a infecções de garganta.

Outras formas são a psoríase das unhas – psoríase ungueal – que provoca pequenos “furos” na unha (unhas em dedal) ou menos freqüentemente esfarelamento ou sulcos na unha; a psoríase palmoplantar, que provoca ressecamento e descamação das palmas e das plantas (sola dos pés); e a psoríase pustulosa, que se manifesta com pústulas (pequenas bolhas cheias de pus, de cor branca), além das lesões típicas.

Sinais e sintomas

A psoríase em placas causa lesões escamosas e eritematosas (vermelhas) de tamanhos variados, que aparecem geralmente em joelhos, cotovelos, couro cabeludo e nas costas. O número de lesões é muito variável e estas podem acometer qualquer outra área da pele. Normalmente, as lesões não coçam. A psoríase também pode causar artrite ou espalhar-se por toda a pele.

Como evitar?

Ainda não se sabe como evitar o aparecimento da psoríase, mas é sabido que após o controle das lesões é importante a exposição freqüente ao sol, respeitando os limites para cada tipo de pele. Fatores emocionais podem influenciar, provocando surtos de lesões ou retardando a melhora.

O que fazer até chegar ao médico?

Não empregue automedicação, mesmo tópica (especialmente corticóides) pelo risco que o seu uso, por longo tempo, traz à pele (estrias, afinamento da pele) e pela possibilidade do retorno das lesões ainda mais graves quando parar com o remédio (efeito rebote). Procure sempre seguir orientação médica para iniciar qualquer tratamento. Medicações anunciadas como milagrosas ou revolucionárias podem causar problemas.

Tem algum risco?

A psoríase pode evoluir para forma grave em uma minoria de pacientes, atingindo toda a pele do paciente e causando risco de vida se não tratada rapidamente em ambiente hospitalar.

É transmissível?

Não. A psoríase não é doença infecciosa ou transmissível pelo contato com pessoas doentes ou com qualquer objeto usado por estas pessoas, nem pelo contato através da água da piscina, por exemplo.

Qual especialidade procurar?

O dermatologista é o profissional médico habilitado a diagnosticar e a tratar a doença.

É tratada pelo SUS?

Sim.

Exige exames?

O diagnóstico da psoríase é feito pela entrevista e pelo exame das lesões do paciente, mas podem ser necessários exames durante o tratamento quando em uso de medicamentos por via oral ou quando forem pesquisadas causas de piora das lesões, como infecções.

Fonte: www.medicinal.com.br

Psoríase

Psoríase
Psoríase

O que é psoríase?

A psoríase é uma doença da pele relativamente freqüente, que afeta entre 1 a 3 % da população geral e atinge indistintamente homens e mulheres, sendo mais frequente na raça branca. Caracteriza-se pelo aparecimento na pele de lesões róseas ou avermelhadas, recobertas de escamas secas e esbranquiçadas.

Muitas vezes, estas lesões estão localizadas apenas nos cotovelos, joelhos ou couro cabeludo. Em outros casos, as lesões podem se espalhar por toda a pele. As unhas podem ser afetadas e, muito raramente, as articulações, causando a artrite psoriásica. A psoríase pode se manifestar logo após o nascimento, ou tardiamente no idoso, mas, o mais comum é o início entre a 2ª e a 4ª décadas da vida.

Contágio

Não se pega psoríase de ninguém e não há nenhum motivo para os pacientes evitarem o contato físico com outras pessoas.

Cura

As lesões da psoríase podem desaparecer completamente, mas não se pode falar de cura definitiva, pois sempre existirá uma tendência a recidivas. O objetivo principal do tratamento é chegar-se a um ponto em que as lesões sejam aceitáveis para cada doente, melhorando a sua qualidade de vida.

No entanto, os tratamentos mais modernos têm se tornado cada vez mais eficientes e as pesquisas científicas no campo da psoríase continuam apontando para melhores terapêuticas no futuro.

Diagnóstico

Através do exame clínico, observando a pele, as unhas e o couro cabeludo do paciente o dermatologista consegue concluir o diagnóstico. Exames de laboratório geralmente são de pouca utilidade, pois a psoríase é uma doença que não causa manifestações em órgãos internos.

Além do "olho clínico", o único recurso que pode confirmar o diagnóstico de psoríase é a biópsia de pele: é um exame simples, feito em ambulatório ou consultório, sob anestesia local, que ajuda a esclarecer se a lesão é de psoríase ou não. Na maioria dos casos, a avaliação dermatológica é sufiente para o diagnóstico da enfermidade.

Prevenção

Não é possível prevenir, pois as causas da Psoríase ainda não estão totalmente esclarecidas e, na maioria dos casos, já se nasce com uma predisposição genética à doença .

Como prevenir recaídas ou o agravamento das lesões

Em primeiro lugar, tendo uma postura otimista, positiva, entendendo que a psoríase é uma doença relativamente benigna e não contagiosa.

Em segundo lugar, evitando o estresse; tratando rapidamente as infecções que surgirem sobretudo as de garganta; evitando queimaduras, cortes e traumas na pele; mantendo-se afastado de medicamentos que sabidamente agravam a doença (informe-se com seu médico).

JAMAIS utilizando corticosteróides por via oral ou injetável; hidratando diariamente a sua pele.

Fonte: www.roche.com.br

Psoríase

Como tratar a psoríase ?

Dicas de cuidados com a pele É importante manter a pele limpa ao redor das áreas afetadas pela psoríase para evitar infecções. Eis algumas dicas de cuidados para limpar a pele irritada e diminuir a coceira e outros sintomas

Molhe - tomar banho, nadar, ficar numa banheira e aplicar compressas úmidas podem reidratar peles muito secas e ajudar a amolecer e remover as escamas causadas pela psoríase sem prejudicar a pele. Já que a escamação pode agir como uma barreira aos medicamentos e aos raios ultravioleta, é importante remover levemente o máximo de crostas que puder. Molhar também ajuda a diminuir a coceira e a vermelhidão das lesões. Deixe a água morna, em vez de quente (água quente pode aumentar a coceira).

Embora molhar ajude a remover as crostas das placas, saiba que molhar e secar a pele com freqüência também remove os óleos da pele, sua proteção natural contra a perda de umidade. Por esse motivo, para obter os benefícios de molhar a pele sem secá-la demais, procure umedecê-la com um emoliente logo depois de molhá-la

Hidrate - a pele seca pode rachar, sangrar e infeccionar, por isso é importante evitar que ela fique ressecada. A hidratação não apenas ajuda a prevenir a pele seca, como também reduz a inflamação, ajuda a manter a elasticidade e deixa as crostas das placas menos visíveis. Os hidratantes mais pastosos funcionam melhor como barreira contra água na pele.

Os hidratantes cremosos são eficazes, principalmente quando contém óleos que restauram a pele acometida, esses óleos podem ser:

Óleo de Girassol
Óleo de Amêndoas
Óleo de Oliva
Óleo de Cade

Aplique aloe vera - o gel da aloe vera por muito tempo ficou conhecido por suas propriedades calmantes na pele e por ajudar a cicatrizar pequenas feridas e queimaduras.Você também pode encontrar gel de aloe vera puro que está disponível na Vipfórmulas

Use alcatrão - xampus, cremes, loções, sabonetes líquidos e outros produtos de banho que contenham alcatrão podem ajudar a amenizar as descamações da psoríase. Os óleos de banho com alcatrão são especialmente benéficos

Use o ácido salicílico - pode ser que você também queira usar o ácido salicílico para remover as descamações. Os xampus, cremes, géis e outros produtos tópicos para tratamento da psoríase que contêm ácido salicílico também está disponível na Vipfórmulas

Experimente usar medicamentos à base de capsaicina - a capsaicina é o ingrediente que dá o sabor picante à pimenta. A capsaicina pode ajudar a diminuir a coceira, a descamação e o desconforto da psoríase.Pode causar uma sensação inicial de queimação leve quando aplicada nas placas e deve ser mantida longe dos olhos e das mucosas, pois pode produzir uma sensação intensa de queimação, certamente irritante

Medicina à base de ervas - muitas ervas são importantes no tratamento da psoríase, incluindo salsaparrilha (que acompanha as endotoxinas), Psoralen coryliforia e outras.

Vegelip

Rico em ácidos graxos essenciais (EFAs), Ômega-3, Ômega-6 e Ômega-9 Vegelip é um blend de lipídios da semente da abóbora,germe de trigo,groselha negra e vitamina E

Rico em ácidos graxos essenciais (EFAs),Ômega-3,Ômega-6, e Ômega-9

Vegelip é um composto altamente emoliente e nutritivo, que possui até 59% de Ômega 6 em sua composição

Possui alta penetração cutânea, incorporando-se as estruturas cutâneas alteradas; Melhora a função barreira cutânea; Melhora os sintomas da inflamação na dermatite atópica e na psoríase; Reduz a perda transepidermal de água; Melhora a espessura das placas psoríacas ; É emoliente e cicatrizante;

Vegelip foi desenvolvido para atuar no tratamento das peles doentes, secas e nas patologias dermatológicas em que a pele apresenta distúrbios na quantidade e na qualidade dos ácidos graxos de sua estrutura lipídica, com comprometimento da sua função barreira cutânea e da capacidade regenerativa

Vegelip é indicado nas dermatites atópicas, psoríase, estrias, escaras e úlceras de decúbito e outras patologias que compreendem a secura cutânea, Vegelipe é utilizado de 5 a 20% em emulsões e pode ser utilizado puro em escaras e estrias vermelhas .

Fonte: www.vipformulas.com.br

Psoríase

A psoríase é uma doença da pele bastante frequente. Atinge igualmente homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, mas pode surgir em qualquer fase da vida. Sua causa é desconhecida.

Fenômenos emocionais são frequentemente relacionados com o seu surgimento ou sua agravação, provavelmente atuando como fatores desencadeantes de uma predisposição genética para a doença. Cerca de 30% das pessoas que têm psoríase apresentam história de familiares também acometidos.

Não é uma doença contagiosa e não há necessidade de evitar o contato físico com outras pessoas.

Manifestações clínicas

Pode apresentar-se de várias maneiras, desde formas mínimas, com pouquíssimas lesões, até a psoríase eritrodérmica, na qual toda a pele está comprometida.

A forma mais frequente de apresentação é a psoríase em placas, caracterizada pelo surgimento de lesões avermelhadas e descamativas (foto) na pele, bem limitadas e de evolução crônica.

A psoríase em placas, em geral, se apresenta com poucas lesões mas, em alguns casos, estas podem ser numerosas e atingir grandes áreas do corpo.

Por serem lesões secas, as escamas da psoríase podem se tornar grossas e esbranquiçadas (foto abaixo) e as localizações mais frequentes são os cotovelos, joelhos, couro cabeludo e tronco.

É comum ocorrerem fases de melhora e de piora. Quando as placas regridem, costumam deixar área de pele mais clara no local afetado.

Outra característica, chamada de fenômeno de Koebner, caracteriza-se pela formação de lesões lineares em áreas de trauma cutâneo, como arranhões.

As lesões de psoríase são geralmente assintomáticas, mas pode haver prurido discreto (coceira).

Apresentações menos comuns são a psoríase ungueal (foto abaixo), com lesões apenas nas unhas, a psoríase pustulosa, com formação de pústulas principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés e a artrite psoriásica que, mais comum nos dedos das mãos, caracteriza-se por inflamação articular que pode causar até a destruição da articulação.

Fonte: www.dermatologia.net

Psoríase

A associação da psoríase gotada com infecção estreptocócica prévia é conhecida desde a década de 60. Nas últimas décadas, vários agentes infecciosos vêm sendo relacionados como possíveis desencadeantes e/ou agravantes da psoríase.

No final dos anos 80, foi demonstrada a importância de algumas proteínas microbianas na fisiopatogenia de doenças inflamatórias cutâneas, como a psoríase e a dermatite atópica, denominadas de superantígenos.

Os superantígenos têm papel importante no desencadeamento e na manutenção da resposta inflamatória, pela sua grande capacidade de estimular as células T. 1

No modelo proposto, pela maioria dos estudos, a presença dos superantígenos, na circulação sanguínea dos doentes com psoríase levaria ao estímulo de células T periféricas, ocorrendo assim o desenvolvimento de um sub- tipo especial de células T (CLA + T-cell).

Na pele, essas células promoveriam, juntamente com outras células inflamatórias e com os queratinócitos, a instalação de uma resposta inflamatória predominantemente Th6, com liberação de citocinas - IL-1, Interferon Á, TNFa, entre outras - com consequente manifestação dos fenômenos inflamatórios cutâneos da psoríase.

No modelo apresentado, os antígenos bacterianos são provenientes de focos infecciosos, sendo o mais frequente a infecção de vias aéreas superiores. Podem também ter origem a partir da colonização e/ou infecção cutânea de lesões crônicas de psoríase. 1,2 Infecção secundária franca em placas de psoríase, opostamente àquela observada em indivíduos atópicos, não é , no entanto, habitualmente observada.

Foi demonstrado que lesões de psoríase apresentam altas concentrações de Beta- defensinas, ao contrário do que ocorrem nas lesões de dermatite atópica3. Beta-defensinas são proteínas expressas pelo epitélio e apresentam alta atividade antimicrobiana e pró- inflamatória. Estudos têm demonstrado que estes peptídeos atuam como marcadores séricos da gravidade da psoríase.

Vários agentes infecciosos já foram relacionados com o desenvolvimento e agravamento da psoríase, mas os mais estudados são: o Streptococcus piogenes e o Staphylococcus aureus. 4 Tomi e colaboradores, em 2005, realizaram trabalho estudando 25 pacientes com psoríase. Foram isolados Staphylococcus aureus das lesões cutâneas em 60 % dos casos, sendo que 60 % das cepas isoladas eram toxigênicas.

Também observaram índices de PASI mais elevados em pacientes portadores das cepas toxigênicas, reforçando assim a teoria de que as toxinas teriam papel no agravamento da doença. 5 Travers e cols (1999), já haviam demonstrado o desenvolvimento de fenômenos inflamatórios na pele, após aplicação tópica e oclusão com superantígenos estafilocócicos (ZEB e TSST-1) e estreptocócicos (SPEA e SPEC).

Nesse estudo, foram avaliados pacientes com psoríase, dermatite atópica, líquen plano e indivíduos controles, sendo observada resposta inflamatória em todos os grupos. Comparativamente, as respostas foram mais exuberantes no grupo de pacientes com psoríase. 6 Com base no papel fisiopatogênico de agentes infecciosos na psoríase, muitos dermatologistas defendem o uso de antibioticoterapia por via sistêmica, mesmo na ausência de quadro infeccioso ativo.

Outra conduta praticada é a indicação de amigdalectomia em pacientes com psoríase com antecedentes de amigdalites de repetição. Tais condutas encontram suporte em experiência pessoal ou relatos de pequenas séries de casos. No entanto, não existem estudos bem conduzidos que ofereçam suporte para tais práticas.

Em trabalho realizado por Saxena e colaboradores em 2005, foram avaliados 30 pacientes com psoríase em placas, tratados exclusivamente com penicilina benzatina, no esquema de 1,2 milhões de unidades quinzenalmente até o sexto mês de tratamento, e mensalmente do 6º ao 24º mês de tratamento.

Foi observada redução significativa do PASI em 66,6 % dos pacientes após 36 semanas de tratamento, resposta esta que se manteve ao longo do seguimento. 7

Em 2001, Owen e colaboradores realizaram revisão sistemática, na qual foram levantados todos os trabalhos relevantes, publicados nas últimas décadas sobre o uso de antibióticos e indicação de amigdalectomia em psoríase.

Após análise criteriosa de todos os trabalhos, foram identificados apenas dois estudos controlados de intervenções, nos possíveis focos de estreptococcia, sendo que apenas um apresentava metodologia adequada na apresentação dos resultados.

Não foi verificada melhora clínica da psoríase nos grupos tratados com placebo e antibiótico sistêmico. Nenhum estudo randomizado sobre amigdalectomia foi identificado. 4

A relação infecção/psoríase também é relatada em outros trabalhos: O Helicobacter pylori, bactéria gram negativa, envolvida na patogênese da gastrite e da úlcera péptica, começou a ser relacionada como um possível agente envolvido na fisiopatogenia da psoríase, a partir de relatos de casos de melhora da psoríase após esquema de antibioticoterapia para erradição do Helicobacter pylori em pacientes com doença dispéptica e psoríase.

No entanto, os estudos mostram resultados controversos, e não existem estudos controlados que comprovem o benefício da erradicação do Helicobacter pylori nos pacientes com psoríase. 8,10 Também, o tratamento antibacteriano prolongado poderia estar atuando em qualquer outro agente infecioso que não o H. pylori.

Desde o início da epidemia da AIDS, observa-se a piora do curso clínico da psoríase nos pacientes com infecção pelo HIV, considerando-se, assim, a psoríase como um indicador clínico da progressão da infecção pelo HIV.

A piora da psoríase nesses doentes é atribuída, principalmente, às alterações do sistema imunológico, com destaque para a mediação imunológica exercida pelas células T CD8. Nos últimos anos, vários casos foram relatados na literatura, mostrando melhora rápida e substancial da psoríase em pacientes infectados que iniciaram ou reiniciaram esquemas de tratamento com Terapia Antirretroviral de Alta Eficácia. 11,13

Conclusão

Todos nós vivenciamos situações em que a piora da psoríase ocorre após quadro infeccioso. Os poucos estudos a respeito, no entanto, não permitem afirmar que o tratamento preventivo de infecções ou a remoção de possíveis focos infecciosos interferem no decurso da doença.

Marcelo Arnone

Maria Denise Takahashi

REFERÊNCIAS

1. Jappe U. Superantigens and their association with dermatological inflammatory diseases: facts and hypotheses. Acta Derm Venereol. 2000; 80:321-328.
2. Leung DY, Hauk P, Strickland I, et al. The role of superantigens in human diseases: therapeutic implications for the treatment of skin diseases. Br J Dermatol. 1998;139:17-29.
3. Jansen PA, Rodijk-Olthuis D, Hollox EJ, et al. Beta-defensin-2 protein is a serum biomarker for disease activity in psoriasis and reaches biologically relevant concentrations in lesional skin. PLoS One. 2009;4:e4725.
4. Owen CM, Chalmers RJ, O`Sullivan T, et al. A systematic review of antistreptococcal interventions for guttate and chronic plaque psoriasis. Br J Dermatol. 2001;145:886-90.
5. Tomi NS, Kranke B, Aberer E. Staphylococcal toxins in patients with psoriasis, atopic dermatitis, and erythroderma, and in healthy control subjects. J Am Acad Dermatol. 2005;53:67-72 6. Travers JB, Norris DA, Leung DY. The keratinocyte as a target for staphylococcal bacterial toxins. J Investig Dermatol Symp Proc. 2001;6:225-30.
7. Saxena VN, Dogra J. Long-term use of penicillin for the treatment of chronic plaque psoriasis. Eur J Dermatol. 2005;15:359-62.
8. Wedi B, Kapp A. Helicobacter pylori Infection in Skin Diseases: A Critical Appraisal. Am J Clin Dermatol. 2002;3:273-282.
9. Ali M, Whitehead M. Clearence of chronic psoriasis after eradication therapy for Helicobacter pylori infection. J Eur Acad Dermatol Venearol. 2008;22:753-4.
10. Fabrizi G, Carbone A, Lippi ME, et al. Lack of evidence of relationship between Helicobacter pylory infection and Psoriasis in childhood. Arch Dermatol. 2001;137:1529.
11. Rigopoulos D, Paparizos V, Katsambas A. Cutaneous markers of HIV infection. Clin Dermatol. 2004;22:487-98.
12. Mamkin I, Mamkin A, Ramanan SV. HIV-associated psoriasis. Lancet Infect Dis. 2007;7:496.
13. Patel RV, Weinberg JM. Psoriasis in the patient with human immunodeficiency virus, Part2: Review of treatment. Cutis.2008;82:202-10.

Fonte: www.saudedireta.com.br

Psoríase

Desvendando a psoríase

INTRODUÇÃO

Psoríase (do grego psoriasis = erupção sarnenta) já era conhecida desde os tempos mais remotos, existindo sua descrição e tratamento no Papiro de Ebers datado de 1550 a.C (PITA, 2003). Por mais de mil anos foi confundida com a lepra (Hanseníase) e somente no século XVIII foi diferenciada (Centro Brasileiro de Psoríase - CBP, 2007)

No século XIX, acreditava-se que a psoríase era um processo de regulação anormal do crescimento dos queratinócitos ou de origem inflamatória, mas isso mudou em 1970, quando desenvolvimentos na imunologia celular indicavam uma participação das células sangüíneas na psoríase

A partir de 1982, outras investigações mostraram a presença e importante função das células T nas lesões da psoríase. Assim, a doença passou a ser vista como uma desordem imune baseado em detecções imuno-histológicas de anti- corpos e complemento depositados na placa córnea da pele psoriática (BOS e RIE,1999)

A pele contém uma variedade de tipos celulares e mediadores que juntos constituem seu sistema imune e desenvolvem a proteção do corpo humano contra agentes externos (BOS et al, 2006). Embora a ativação do sistema imune seja um fenômeno de proteção que visa remover antígenos, tantos mecanismos mediados por células podem resultar em dano inflamatório crônico ao tecido e iniciar um estado patológico como o da psoríase (GALADARI; SHARIF: GALADARI, 2005)

As características da psoríase, como a hiperproliferação de queratinócitos, inflamação e neovascularização, refletem a interligação patológica entre queratinócitos e as células imunes

Todas essas células imunes com os queratinócitos contribuem para o desenvolvimento da inflamação crônica da pele através da produção de citocinas (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007).

A psoríase atinge cerca de 2 % da população mundial, havendo regiões com maior incidência, por exemplo, a Finlândia com aproximadamente 2,8 %, e povos com prevalência muito baixa ou inexistente, como os esquimós, mongóis e povos no oeste da África. Nos EUA há mais de sete milhões de pessoas e no Brasil, talvez, mais de três milhões

Assim mesmo, ainda é pouco divulgada na mídia e pelos serviços de saúde (Centro Brasileiro de Psoríase - CBP, 2007)

A Psoríase é, então, uma doença crônica onde os pacientes apresentam exacerbações, remissões ou lesões recorrentes (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005) que podem estar localizadas nos cotovelos, joelhos, pés, mãos, região sacra e couro cabeludo. Em outros casos, as lesões podem se espalhar por todo o corpo (PITA, 2003)

O tipo mais comum da doença é a psoríase em placa ou vulgar, ocorrendo em mais de 80% dos casos. Já a psoríase gutata ocorre em aproximadamente 10% dos pacientes e a psoríase eritrodérmica e pustular em menos de 3% cada uma (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004). As unhas podem ser afetadas e, em 8 a 10% dos casos as articulações, causando a psoríase artropática (PITA, 2003)

A patogênese da psoríase permanece incerta. Entretanto, a presença de linfócitos T tipo 1 na fase inicial da doença e a resposta as terapias que tem como alvo as células T sugerem que essas células estão relacionadas a patogênese da doença (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007)

A ação dos linfócitos T na patogênese da psoríase pode ser descrita em três eventos: ativação, migração dessas células para a pele e ações variadas das citocinas liberadas na derme e epiderme (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

A ativação inicial das células T requer estimulação do receptor de células T (TCR) pelo Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC I ou II) nas células apresentadoras de antígenos (APCs) (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

As APCs são grandes ativadoras de células T que expõe o receptor correto para o antígeno que possui internalizado

Essa é uma estimulação antígeno-específica (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

A adesão das células T com as APCs é facilitada pela interação de moléculas de superfície. Após a ativação via TCR, um segundo sinal, não antígeno-específico, é necessário para completar a ativação. A simultaneidade desses sinais é essencial para a ativação das células T e se esse sinal co- estimulatório é inibido, as células T podem se tornar não responsivas ou anérgicas (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

Quando ativadas, as células T expressam novas moléculas em sua superfície e tornam-se células T efetoras, de memória. Então elas migram para a origem do agente desencadeante e ajudam a eliminá-lo através da síntese e liberação de várias citocinas (SABBAG, 2006)

Existem várias modalidades de tratamento para psoríase, agentes terapêuticos tópicos ou sistêmicos, biológicos e foto/quimioterapia. A escolha da terapia vai depender da extensão e severidade da doença, da segurança dos agentes terapêuticos, acessibilidade ao tratamento, viabilidade econômica, qualidade de vida e vontade do paciente quanto ao tipo de terapia (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Embora esta afecção não seja contagiosa nem mortal deixa as suas vítimas desamparadas e diminuídas tanto a nível social e profissional como na vida privada, especialmente nas relações sexuais. Como não tem cura, o tratamento visa diminuir as lesões e prolongar o tempo das recidivas melhorando a qualidade de vida do paciente e conseqüentemente seu convívio social (PITA, 2003)

A psoríase é uma doença de aspectos multipatogênicos não definidamente estabelecidos. A história e a literatura trazem registros de diferentes personagens submetidos a grandes traumas ou grandes paixões que as refletem em sua saúde física.

Pesquisas recentes vêm confirmando essa correlação entre o sistema imune e o sistema nervoso central sem, no entanto, que se consiga determinar se essa correlação ocorre no desencadeamento da doença, evolução, ou ambos. Assim, confrontam-se interações entre processos psicológicos, sistema nervoso central e pele (PATRÚS; SANTOS, 1993)

A função normal da pele é proteger o corpo. As células epiteliais são programadas para o crescimento com o objetivo de renovar a pele de forma contínua, lenta, invisível. Esse ciclo de renovação leva aproximadamente um mês - do nascimen- to a morte das células. Na pele lesionada é desencadeado um processo chamado maturação regenerativa, onde as células são produzidas numa taxa mais alta, ocorre aumento da irrigação sangüínea e inflamação local (SABBAG, 2006)

Na psoríase a regeneração da pele está alterada. Os queratócitos mudam do programa de crescimento normal para o de maturação regenerativa acelerando o processo

Assim, as células são produzidas e levadas à superfície sem que haja tempo para descamação das células mortas, as quais se acumulam formando as lesões típicas da doença

As placas esbranquiçadas que cobrem as lesões são compostas por células mortas e a eritrodermia pelo aumento da irrigação sangüínea (PITA, 2003)

Embora seja reconhecida que a hiperproliferação dos queratinócitos associada à diferenciação epidérmica anormal seja a causa primária da psoríase, o motivo para tanta multiplicação das células não está precisamente determinado

Entretanto, sabe-se que os queratinócitos são estimulados a proliferar com a ativação do sistema imune (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005), por isso, a hipótese mais aceita para a psoríase atualmente é que seja uma doença ativada pelo sistema imune inato (BOS, 2006).

Qualquer forma de infecção ou dano na pele seja por radiações ou traumas, inicia a transmissão de sinais do tecido lesado para o sistema imune (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005).O estresse, medicamentos, álcool, obesidade, fumo e clima também podem desencadear ou agravar a psoríase (FRY; BAKER; POWLES, 2006), bem como anormalidades constitutivas dos queratinócitos podem liderar perturbações nas interações queratinócitos-linfócitos T, e conseqüentemente uma reação inflamatória com recrutamento de células T ativadas (BACHELEZ, 2005)

Com relação a aspectos imunológicos, a psoríase é considerada um processo inflamatório onde a proliferação epidérmica ocorre como resultado da estimulação de queratinócitos por citocinas secretadas por linfócitos T ativados

Aumento da infiltração de células T é ainda causado por uma resposta desregulada ou uma contínua ativação das APCs. Os antígenos causadores dessa estimulação constante podem ser bacterianos, virais (retrovírus) ou proteínas dos próprios queratinócitos (auto-reatividade) (GALA- DARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Infecção de garganta por estreptococo ? hemolítico é o único fator externo que tem sido associado com convicção a indução e/ou agravo da psoríase. As toxinas do estreptococo podem atuar como superantígenos, resultando em uma complexa cascata de ativação de células T, células de Langerhans e queratinócitos (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007)

Peptidoglicanos (PG) são os maiores constituintes da parede celular e tem sido demonstrado que os PG estreptocócicos induzem respostas de células T. Nota-se também que células contendo PG estão significativamente aumentadas na derme e que uma proporção destas células são macrófagos. É possível que organismos estreptocócicos após serem lisados por enzimas das células imunes liberem PG que são fagocitados por macrófagos que se dirigem aos tecidos, inclusive pele (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Existem indicações de que algumas doenças anti-inflamatórias de pele como a psoríase, podem ser mediadas por estresse oxidativo. Os queratinócitos da pele normal são os primeiros alvos de agentes pró-oxidantes, ao mesmo tempo expressam heme oxigenase (HO), uma enzima que pode ser envolvida na proteção das células contra o estresse oxidativo. Além de sua propriedade antioxidante, a enzima HO tem propriedades anti-inflamatórias e de citoproteção

Uma grande expressão de HO é observada na pele psoriática. Entretanto, o papel da HO na psoríase permanece incerto existindo apenas a hipótese da existência de um desequilíbrio no sistema oxidante-antioxidante (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007)

Um fator desencadeador da psoríase bem conhecido é o “fenômeno isomórfico de Koebner”, que é o desenvolvimento de lesões psoriáticas em pele não lesionada após uma irritação inespecífica ou trauma local, o que ativa múltiplas vias inflamatórias desencadeando a doença (BOS, 2006). Outros fatores incluem infecções estreptocócicas, estresse emocional, medicamentos (beta-bloquaeadores e sais de lítio, benzodiazepínicos, nitratos orgânicos, inibidores da enzima conversora de angiotensina, anti-inflamatórios não esteroidais), álcool, obesidade, fumo e clima (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Psoríase é então, uma doença papulo-escamosa crônica, recorrente, imuno-mediada, que apresenta morfologia, distribuição, severidade e curso variável (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006) (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007)

A remissão espontânea é relativamente rara (BOS, 2006) e ocorre em ambos os sexos (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Essa doença afeta pele, unhas, couro cabeludo, membranas mucosas e articulações (BOS e RIE,1999). Pode ser localizada ou afetar todo o corpo e apresenta ou não sintomas como prurido ou queimação (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007)

A prevalência da psoríase varia de 1 a 3% na população mundial. (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006) e aumenta com a idade. (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004) Tende ainda a ser mais freqüente em altas do que em baixas latitudes e em pessoas brancas (caucasianos) do que em negras ou asiáticas (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Segundo alguns estudos, a psoríase pode apresentar-se em qualquer idade, embora tenham revelado uma distribuição bi-modal na idade dos pacientes acometidos (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006). A principal idade da primeira manifestação costuma ser entre 15-20 anos com um segundo pico de ocorrência entre 55-60 anos, ambos os casos com apresentações clínicas distintas (LANGLEY; KRUE- GER; GRIFFITHS, 2007)

A forma mais jovem da doença - antes dos 40 anos - corresponde a mais de 75% dos casos (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007) e está associada muitas vezes a histórico familiar positivo e mostra-se mais instável, afetando uma maior extensão do corpo, com maior freqüência do envolvimento das unhas e alta incidência de psoríase gutata, além de um grande envolvimento psicológico

Entretanto, pacientes com desenvolvimento tardio (acima dos 30 anos) tem curso menos severo, mais estável e com maior incidência de psoríase palmoplantar pustulosa (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

As lesões na psoríase são distribuídas na pele, cotovelos, joelhos, cabeça, área lombosacral, couro cabeludo, dobras do corpo, unhas. Apesar das lesões exibirem características específicas, apresentam-se de várias formas dependendo da atividade, localização e severidade da doença. Essas diferentes formas podem ser localizadas ou dispersas e desenvolverem um curso variável apresentando-se como agudas ou crônicas (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007)

A apresentação usual é uma lesão bastante delimitada com presença de escamas esbranquiçadas na superfície, sob as quais existem eritemas e algumas vezes lesões pustulares de grande extensão (BOS e RIE,1999). Morfologicamente falase em paraqueratose e espessamento da epiderme devido a hiperproliferação, plexo vascular dérmico proeminente e um denso infiltrado perivascular de linfócitos, macrófagos e células dendríticas (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

As lesões na psoríase são diferenciadas de outras por serem classicamente bem definidas. Entretanto, existem outras doenças papulo-escamosas, como a pitiríase rósea e infecções por Tinea cruris, que devem ser consideradas no momento do diagnóstico diferencial (LANGLEY; KRUE- GER; GRIFFITHS, 2007).

Tipos de psoríase

Baseado no local da lesão e em suas características clínicas, a psoríase é dividida em diferentes tipos:

Psoríase vulgar ou em placas: É o tipo mais comum da doença e manifesta-se por placas redondas ou ovais, de tamanhos variados, bem delimitados, avermelhadas, com escamas secas e aderentes prateadas ou acinzentadas (PITA, 2003). Um anel esbranquiçado, conhecido como anel de Woronoff, pode ser observado cercando a placa psoriática. (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006). As áreas mais afetadas são cotovelos, joelhos, couro cabeludo, região lombo-sacra e umbigo (BEZERRA, 2007)

Psoríase gutata: É caracterizada por pequenos pontos avermelhados em formato de pequenas gotas. Ocorrem principalmente no tronco, braços e pernas.

Costuma ser desencadeada após uma infecção estreptocócica ou viral do trato respiratório superior, amidalite, gripe, varíola, imunizações, trauma físico, estresse emocional ou administração de fármacos antimaláricos (PITA, 2003). Ocorre principalmente em crianças, adolescentes e adultos jovens e tem bom prognóstico.

As erupções persistem por volta de dois meses e, em geral, clareiam após esse período, mas caso não ocorra esse clareamento, pequenas pápulas podem aumentar e transformarem-se em lesões persistentes (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Psoríase palmoplantar: Cerca de 12% dos pacientes podem desenvolver a psoríase somente nas mãos e pés. As placas geralmente são bem delimitadas e podem ser tanto finas como espessas, provocando fissuras e dor, atingindo apenas pequenas áreas de maior atrito ou sua totalidade (SABBAG, 2006)

Psoríase inversa: Apresenta um padrão inverso aos outros tipos de lesões

Localiza-se nas zonas das dobras cutâneas: axilas, virilha, embaixo das mamas, dobra do cotovelo, dobra do joelho

Caracterizam-se por lesões mais úmidas, planas e inflamadas sem escamação e particularmente sujeitas à irritação devido ao atrito e ao suor (PITA, 2003). Essas lesões são eritematosas, com placas brilhantes sem escama que podem confundir com intertrigo e infecções por cândida e dermatófitos (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Psoríase eritrodérmica: Normalmente a psoríase eritrodérmica caracteriza-se por lesões generalizadas, abrangendo extensas áreas do corpo ou sua totalidade aparece sobre a pele como uma vermelhidão e escamação fina, freqüentemente acompanhada por prurido intenso e dor, podendo ocorrer inchaço (PITA, 2003). O aspecto da lesão pode ser confundido com o de um indivíduo acometido de queimaduras, em função do comprometimento da pele (BEZERRA, 2007)

Psoríase pustular: Caracteriza por pústulas estéreis sobre a pele. Não é uma doença infecciosa, portanto não é contagiosa, pois, o pus consiste de glóbulos brancos acumulados. Pode se localizar em certas áreas do corpo tais como mãos, pés ou pode se generalizar.

Tende a manifestar-se em 3 fases cíclicas: eritema (vermelhidão), formação de pústulas e descamação da pele (PITA, 2003)

Psoríase ungueal: Em até 90% dos casos a psoríase pode envolver as unhas, correspondendo a um grande estigma da doença, pois interfere nas relações sociais e atividades de trabalho (PITA, 2003). As alterações ungueais observadas nos pacientes com psoríase dependem do local da unha envolvido (RICH; RICHARD, 2005) e podem ser caracterizadas por depressões cupuliformes e puntiformes (pitting), descoloração, hipequeratose subungueal, estrias longitudinais e onicólise (MARQUES et al, 1981)

Psoríase artropática: A psoríase artropática é uma doença inflamatória das articulações do corpo que pode causar deformidades – muitas vezes permanente – exigindo diagnóstico preciso e tratamento precoce. Seu desencadeamento se dá por meio de um fator ambiental, como uma infecção ou pelo fenômeno de Koebner. Quase sempre está associada a psoríase de pele ou unha, embora possa aparecer sem nenhum sinal externo, o que dificulta o diagnóstico (SABBAG, 2006)

Quando está presente a psoríase artropática nos dedos das mãos, as chances para se encontrar psoríase nas unha é maior que 86% (RICH; RICHARD, 2005).

Influências da genética

Psoríase é uma desordem genética onde fatores ambientais como infecções podem ter importante papel na sua apresentação (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007). Com base nisso, a severidade e a localização das lesões podem diferir entre indivíduos e populações (GALADARI; SHA- RIF; GALADARI, 2005)

Em algumas populações, doenças como psoríase são raras

Isso pode ser explicado assumindo-se que essa desordem está associada a alelos HLA (Antígeno Leucocitário Humano) raros nessas populações. Entretanto, em outras populações onde a psoríase também é incomum, existe alta prevalência do mesmo alelo. Uma explicação para a baixa prevalência da doença seria a interferência de fatores ambientais ou pouca exposição de determinada população a infecções, sobretudo quando moram em ambientes pouco urbanizados.

Populações urbanizadas sofrem pressão evolutiva e isso pode resultar em mudança de um conjunto de genes - genes polimórficos - que selecione para uma resposta imunológica aumentada já que esta oferece proteção relativa, porém imediata, contra infecções. Todavia, pode resultar não apenas em diminuição do número de infecções, mas em hipersensibilidade do sistema imune inato (BOS, 2006)

Além dos fatores externos, associa-se a doença com uma maior predominância entre certas classes de Antígenos Leucocitários Humanos (HLAs). Os mais freqüentes incluem HLA-B13, HLA-Bw57, HLA-Cw6 e HLA-DR7 (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006). Entretanto, a mais forte associação é com o Cw6 que tem incidência entre 45 a 86% em estudos com Caucasianos (FRY; BAKER; POWLES, 2006)

Psoríase não é uma doença homogênea geneticamente, mas é a única doença inflamatória crônica com uma forte associação ao HLA-C (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007). A presença do antígeno HLA-Cw6 eleva o risco para desencadear a doença em 9 a 15 vezes no portador (PONZIO, 1992)

No HLA estão localizados diversos genes de produtos que estão envolvidos na patogênese da psoríase como componentes do complemento, TNF-a e ß e genes que estão envolvidos em apresentação de antígenos (BOS; RIE,1999)

Do ponto de vista imunológico, uma anormalidade em nível do MHC classe I, molécula HLA-Cw6, pode resultar em seu reconhecimento como antígeno estranho pelo MHC de classe I restrito as células T CD8 resultando em doença auto-imune. Entretanto, o MHC de classe I é expresso em todas as células nucleadas e a restrição na psoríase a queratinócitos sugere envolvimento de antígenos ou superantígenos locais (BOS e RIE,1999)

As características clínicas têm sido associadas também ao Cw6 e observa-se que pacientes com esse alelo têm geralmente o início da doença mais cedo, erupções do tipo gutata, aumento da severidade e histórico familiar positivo (FRY; BAKER; POW- LES, 2006). A propósito, a predisposição genética da psoríase é evidenciada pela incidência da doença entre parentes, sobretudo, gêmeos (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Mesmo havendo um componente genético, isso não significa que a psoríase seja necessariamente hereditária. Cerca de 50 a 60% dos pacientes não possui registro de psoríase em sua família, o que significa que mesmo que os pais não tenham psoríase a doença pode se manifestar (BEZERRA, 2007), ou seja; a psoríase não obedece aos padrões clássicos de herança genética (PONZIO, 1992).

A imunopatogênese da psoríase

Elementos celulares e humorais do sistema imune da pele mostram-se hiper regulados nas lesões de psoríase. A ligação entre a imunidade adaptativa e inata é invariável e o resultado pode ser estimulação persistente da imunidade inata (BOS, 2006)

Embora não esteja uniformemente definido o modo de ativação e infiltração das células T nas lesões da psoríase, existem duas diferentes possibilidades, por interação com as APCs ou com os queratinócitos (BOS; RIE,1999)

A ativação inicial das células T requer estimulação do receptor de células T (TCR) pelo Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC I ou II) nas células apresentadoras de antígeno (APCs). Essa é uma estimulação antígeno-específica. Após a ativação via TCR, um segundo sinal – sinal co-estimulatório não antígeno-específico é necessário para completar a ativação. Esses sinais co-estimulatórios resultam da interação entre moléculas na célula T e seus ligantes nas APCs. A simultaneidade desses sinais é essencial para a ativação das células T e se esse sinal co- estimulatório é inibido, as células T podem se tornar não responsivas ou anérgicas (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

Na epiderme, as células apresentadoras de antígeno (APCs), como as células de Langerhans (LCs), capturam, internalizam e processam o antígeno (auto-antígeno ou superantígeno) apresentando-o na superfície. Com isso, as LCs também adquirem um número de receptores na superfície e moléculas de adesão, como a ICAM-1. Essas LCs agora maduras iniciam a estimulação de células T nos linfonodos (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Nos linfonodos, as APCs/LCs apresentam sua informação a linfócitos auxiliares (Th) CD4+ e CD8+ . O contato entre as APC e as células T é criado pela molécula de adesão ICAM-1 e ao Antígeno associado à função de leucócito - LFA-3 na APC e com LFA-1 e CD2 nas células T, respectivamente (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Uma vez ativadas, as células T obtêm na superfície proteínas específicas necessárias para a migração dos linfonodos e vasos sangüíneos para tecidos extranodais (RIE; GOED- KOOP; BOS, 2004). Tanto as células T de memória como as efetoras são liberadas dos linfonodos, onde circulam para migrar até a pele. A interação entre LFA-1 na célula T, ICAM- 1 e moléculas de adesão da célula vascular nas células endoteliais é que permite uma forte adesão e diapedese através da parede vascular (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Primeiro, as células T devem ser carregadas lentamente pelo sangue para que sejam imobilizadas e atravessem o endotélio. Esse processo é mediado pelo Antígeno Linfocitário Cutâneo (CLA), que é uma molécula de adesão expressa na superfície de células T ativadas a qual permite através de interações com selectinas que as células T exponham citocinas que ativam suas proteínas de superfície facilitando a diapedese. Pele lesionada ou não, em pacientes com psoríase tem essas moléculas de adesão hipereguladas (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

A migração das células T ao local onde está o antígeno na pele inflamada é o próximo passo na patogênese da psoríase. As células T adquirem uma molécula de adesão que assessora a sua ligação às células endoteliais, com subseqüente entrada na pele. O processo envolve liberação de quimiocinas e ligação das integrinas como as moléculas de adesão das células vasculares – ICAM-1 e LFA-1 (GALA- DARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Logo após a diapedese, células T da própria pele migram para derme e epiderme em resposta a gradientes quimiotáticos. As citocinas que reforçam o processo quimiotático são produzidas por células endoteliais, queratinócitos, monócitos e células de Langerhans e a liberação dessas é estimulada por INF-y e TNF-a (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004)

Uma vez na derme, as células Th6 e T citotóxicas liberam altos níveis de INF-y e TNF-a. Isso vai induzir as moléculas de adesão (ICAM-1) e proteínas do MHC de classe II nos queratinócitos. As células intra-epidérmicas iniciam a hiperproliferação de queratinócitos, o que acelera o crescimento epidérmico (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Há controvérsia com respeito ao aumento da renovação da epiderme na psoríase. Analisando fenotipicamente as células da epiderme de uma pele com psoríase, alguns autores acreditam que a hiperproliferação epidérmica pode também ser resultado de um aumento no conjunto de células tronco - stem cells - dos queratinócitos. Outros autores por sua vez, acreditam ser conseqüência de um aumento no número de ciclos celulares e não de stem cells. Os fatores de crescimento responsáveis pela proliferação podem vir de uma variedade de células, incluindo fatores de crescimento autócrinos e parácrinos dos próprios queratinócitos

Na verdade, é provável que exista uma mistura de fatores inibitórios e estimulantes (BOS e RIE,1999).

Diagnóstico

O diagnóstico da psoríase em geral é simples e baseia-se apenas no histórico do paciente e sua clínica, mas se necessário pode-se fazer biópsia para confirmação (SABBAG, 2006). Os testes laboratoriais não têm grande utilidade, a não ser como auxiliar no diagnóstico diferencial (Sociedade Brasileira de Dermatologia - SDB, 2006)

A observação de características como bordas externas bem delimitadas ou com halo esbranquiçado (sinal de Woronoff); escamas espessas e prateadas (sinal da vela); inflamação; presença de pontos de sangramento após raspagem (sinal do orvalho sangrante ou de Auspitz) são aspectos que auxiliam no diagnóstico diferencial da psoríase (CBP, 2007).

Diagnóstico Diferencial

A psoríase pertence ao grupo de doenças de pele chamadas eritêmato-escamosas devido ás áreas avermelhadas que escamam, por isso mesmo o quadro clínico da psoríase sendo bastante típico de outras doenças da pele pode apresentar características semelhantes dificultando o diagnóstico (SABBAG, 2006)

Dentre as doenças que devem ser consideradas no momento do diagnóstico diferencial estão as dermatites seborréica e de contato, eczemas, pitiríase rósea, sífilis secundária, micoses, intoxicações, líquen simples crônico, parapsoríase retardando o diagnóstico definitivo ou afetando sua evolução por uso inadequado de medicamentos (CBP, 2007; SDB, 2006)

Cada tipo de psoríase, de acordo com suas características, pode assemelhar-se a diferentes patologias. A psoríase ungueal, por exemplo, pode ser confundida com micoses (onicomicoses), mas o exame micológico direto e a cultura para fungos podem encaminhar para um diagnóstico correto.

A forma mais leve de psoríase no couro cabeludo, por sua vez, pode confundir-se com dermatite seborréica ou caspa. A psoríase gutata aparenta quadros de alergias ou intoxicações. Já a psoríase palmoplantar pode ser confundida com alergias (dermatites de contato ou atópicas) ou micoses como as causadas por Tineas.

Doenças como neoplasias, dermatites atópica ou seborréica, quadros infecciosos ou metabólicos podem ser confundidos com a psoríase eritrodérmica. Na psoríase pustular generalizada sintomas como febre, mal-estar, fraqueza, calafrio e taquicardia podem remeter a uma bacteremia, por isso deve-se realizar hemocultura. A artrite psoríatica deve ser diferenciada de doenças como a espondilite anquilosante, síndrome de Reiter e artrite reumatóide (SABBAG, 2006) momento em que o laboratório de imunologia pode ser útil.

Prevenção

Não se pode impedir que um indivíduo tenha psoríase já que suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas e, na maioria dos casos, já nasce com uma programação genética para ter ou não a doença.

Entretanto os portadores da doença podem prevenir novas recaídas ou o agravamento das lesões das seguintes formas:

Evitando o estresse, queimaduras, cortes e traumas na pele; Tratando rapidamente das infecções que surgirem, sobretudo da garganta; Minimizando o uso de medicamentos que agravam a psoríase, como antiinflamatórios não-esteroidais, antimaláricos, beta-bloqueadores, antidepressivos, imunossupressores e corticosteróides por via oral ou injetável; Hidratar diariamente a pele; Evitar raspar as lesões, pois o traumatismo é um dos fatores desencadeantes da patologia (PITA, 2003).

Tratamento

Não existe cura para psoríase. A estratégia do tratamento é minimizar a severidade da lesão melhorando a qualidade de vida do paciente (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007). Há um grande leque de tratamentos para a psoríase, sendo fundamental primeiramente o diagnóstico diferencial de forma a afastar a possibilidade de outras patologias (BEZERRA, 2007)

As diferentes opções de tratamento para psoríase variam quanto a modalidade, mecanismo de ação, toxicidade e eficácia. A escolha da terapia mais adequada é influenciada pela severidade e localização da doença; eficácia, tempo de uso e efeitos colaterais do medicamento; acessibilidade ao tratamento além da preferência do paciente e sua qualidade de vida (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Contudo, atualmente é consenso entre dermatologistas em psoríase que o melhor resultado tem-se ao combinar tratamentos e fazer um rodízio de tipos de tratamentos em cada nova crise (SABBAG, 2006).

Quanto ao mecanismo de ação, as terapias para psoríase são formuladas para atuarem em diferentes pontos específicos de sua patogênese:

Supressão da ativação das células T; Bloqueio da estimulação dos receptores de células T ou da co-estimulação; Modulação da proliferação de células T; Controle da migração e adesão de células T; Alteração do balanço de citocinas e neutralização do efeito daquelas circulantes (GALADARI; SHARIF; GALA-DARI, 2005).

A primeira linha de terapia inclui aplicação de agentes terapêuticos tópicos que afetam a proliferação e produção de mediadores inflamatórios envolvidos na patogênese da inflamação na pele (PELC; MARCINKIEWICZ, 2007). É fundamental também usar diariamente hidratantes ou substâncias que ajudem a manter a pele hidratada e com menos escamas (SDB, 2006)

Embora o tratamento tópico seja eficiente para muitos pacientes, aproximadamente 20% necessitam de medicamentos sistêmicos adicionais que apresentam potencial para sérios efeitos colaterais como hepato e nefrotoxicidade, teratogenicidade e câncer de pele, o que limita seu uso por longos períodos. Outro problema na administração sistêmica no caso dos corticosteróides é a possibilidade de exacerbar as lesões na pele após o desuso da medicação, por isso esse tipo de terapia é, quando possível, desaconselhada (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004).

Em geral, para casos mais suaves, existem terapias com corticosteróides tópicos, análogos de vitamina D3, retinóides, ácido salicílico, antralina, tazarotene. Já para a doença moderada a severa usa-se foto/quimioterapia, e tratamentos sistêmicos com imunossupressores e biológicos (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Tradicionalmente, a severidade da psoríase é mensurada usando vários score para os sintomas.

O sistema de pontuação (score) mais usado na psoríase é o Índice de Área e Severidade da Psoríase (PASI - Psoriasis Area and Severity Index), no qual o corpo é dividido em 4 regiões: cabeça e pescoço, tronco, extremidades superiores e inferiores

Componentes individuais desse sistema de score, especialmente eritema, infiltração e descamação são usados para os cálculos da pontuação dos sintomas (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004; SABBAG, 2006)

Um método comum de avaliação da eficácia das diferentes modalidades de tratamento na psoríase é biopsiar a pele antes, durante e após a terapia. Marcadores de proliferação, diferenciação, inflamação e ativação de células imunes também são usados freqüentemente. Entretanto, é prudente incluir também a percepção do paciente quanto à eficácia da terapia em uso.

Visando isso, uma nova forma de mensurar a eficácia da terapia tem sido obtida através da aplicação de medidas da qualidade de vida do paciente (QOL – Quality of Life), as quais são quase sempre avaliadas através de questionários de relato próprio, o que facilita para o paciente (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004).

Biológicos

“Biológicos” são proteínas modificadoras da resposta celular através de sua atividade farmacológica que podem ser sintetizadas em larga escala por técnicas de DNA recombinante para mimetizar as ações de proteínas humanas normais, interagirem com proteínas circulantes ou com receptores celulares (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Na dermatologia, os biológicos têm sido usados para tratar doenças inflamatórias de pele como a psoríase e são interessantes por fornecerem longos períodos de remissão (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004). Além disso, pela seletividade ao alvo de ação na cadeia da inflamação, os “biológicos” oferecem eficácia e permitem o uso da terapia por muito tempo (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

Os biológicos incluem citocinas e outros agentes antiproliferativos que se apresentam em três diferentes tipos de engenharia molecular:

Recombinantes humanos de citocinas ou fatores de crescimento; Anticorpos monoclonais; Proteína de fusão (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005).

De acordo com sua classificação os biológicos receberam uma nomenclatura estrita. Nomes genéricos de monoclonais quiméricos terminam em “zumab”, anticorpos monoclonais em “umab”, proteína de fusão receptor/anticorpo em “cept” (GALADARI; SHARIF; GALADARI, 2005)

Na psoríase são categorizados em 4 grupos de acordo com seu modo de ação:

Redução do número de células T; Inibição da ativação e migração na pele das células T; Imuno modificação pela mudança no perfil da citocina que a célula T pode produzir, de T1 para T2, em um processo chamado “desvio imune”; Bloqueio da ativação de citocinas inflamatórias (GALA-DARI; SHARIF; GALADARI, 2005).

Essas moléculas reagem principalmente com moléculas da superfície celular expressas seletivamente nos leucócitos ou com moléculas secretadas por células inflamatórias (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004).

Qualidade de vida

As doenças imunes costumam afetar o emocional dos pacientes e as relações interpessoais. A psoríase é uma, dentre as inúmeras moléstias que afetam o sistema de proteção natural do organismo, com o agravamento de atingir uma das partes mais expostas do corpo, a pele (BEZERRA, 2007)

Embora a psoríase não afete a sobrevivência, é certo que existe impacto negativo no bem-estar físico e psicossocial do paciente demonstrado pelo detrimento na qualidade de vida. Pacientes com psoríase tem uma redução na qualidade de vida até maior do que aqueles com outras doenças crônicas, pois se sentem estigmatizados, avaliados com base na aparência decorrente da doença, o que corrobora para entrarem em depressão e tentarem suicídio em mais de 5% dos casos (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007; SABBAG, 2006)

Todo o estresse psicológico influencia na evolução da doença e na terapia - mais de 60% dos pacientes descrevem o estresse como o desencadeador ou exacerbador da doença - por isso, a intervenção psicológica tem um importante papel no manejo da psoríase, sobretudo quando em paralelo ao tratamento farmacológico produzindo uma significante melhora na severidade da doença (LANGLEY; KRUEGER; GRIFFITHS, 2007)

O uso de terapias mais específicas, especialmente com o advento dos biológicos, permite que alguns pacientes aproximem-se cada vez mais da remissão ou redução substancial da doença o que melhora substancialmente sua qualidade de vida (MYERS; GOTTLIED; MEASE, 2006)

A satisfação dos pacientes com o tratamento é geralmente de baixa a moderada. Apenas 27% dos pacientes expressam grande satisfação. Mencionam-se os efeitos colaterais como os maiores aspectos negativos do tratamento, o que é refletido na qualidade de vida do paciente (RIE; GOEDKOOP; BOS, 2004).

CONCLUSÕES

A psoríase é uma doença comum que acomete em torno de 2% da população mundial; entretanto, não é muito conhecida pelas pessoas e nem totalmente decifrada pelos estudiosos. Pode afetar ambos os sexos e em qualquer idade, mas existem dois picos de aparecimento da doença

Apesar de não estar bem esclarecida a patogênese da psoríase, várias hipóteses são formuladas sendo que a mais aceita é a que diz respeito a existência de uma regulação anormal em nível de interação entre queratinócitos e células T. Entretanto, não se pode deixar de analisar todas as hipóteses em conjunto, pois em algum ponto elas se interligam

A ativação do sistema imune é fundamental para a proteção do organismo contra agentes agressores, sejam eles externos ou internos. Embora esse seja um fenômeno de proteção que visa remover antígenos, tantos mecanismos mediados por células podem acabar direcionados contra o próprio indivíduo resultando em dano inflamatório crônico aos tecidos. Essa taxa alterada ou descontrolada de ativação das células do sistema imune desencadeia estados patológicos como a psoríase.

Psoríase é, então, considerada um processo inflamatório onde a proliferação epidérmica ocorre como resultado da estimulação de queratinócitos por citocinas secretadas por linfócitos T ativados. O aumento da infiltração de células T é ainda causado por uma resposta desregulada ou uma contínua ativação das APCs. Os antígenos causadores dessa estimulação constante podem ser bacterianos, virais ou proteínas dos próprios queratinócitos

Além de fatores imunológicos e ambientais, a predisposição genética do indivíduo está envolvida na patogênese da psoríase. A presença do alelo HLA-Cw6 aumenta o risco de o indivíduo desenvolver a doença. A presença ou não desse fator também influencia na severidade, tipo da lesão e curso da doença

A psoríase, como outras doenças dermatológicas crônicas que podem se estender em grandes áreas da pele, constitui um sério obstáculo ao relacionamento social de seus portadores, sobretudo por sua aparência que leva a indivíduos desinformados a pensarem em uma enfermidade contagiosa

A psoríase não tem cura. O que se pode fazer é amenizar ou acabar com as lesões existentes e aumentar o tempo de remissão das mesmas. A terapêutica inclui uso de agentes tópicos ou sistêmicos e ainda há a possibilidade de fazer foto/quimioterapia. Em casos mais simples o uso de medicamentos tópicos costuma ser eficiente. Entretanto, em casos severos pode haver a necessidade de combinação de diferentes terapias tanto para aumentar sua eficácia, quanto para diminuir sua dose posológica e duração do tratamento

O uso de terapias alvo, especialmente com o advento dos “biológicos”, permite ao paciente conseguir a remissão da doença por longos períodos ou redução substancial da mesma, com o mínimo de efeitos colaterais, o que melhora sua qualidade de vida

Analisando os dados obtidos na literatura conclui-se que ainda existem muitos pontos a serem estudados e esclarecidos na patogênese da psoríase para que se possam encontrar explicações claras para seu aparecimento, desenvolvimento, remissões e recidivas; o que facilitaria o aprimoramento das terapias existentes e o desenvolvimento de outras terapias alvo que possam cada vez mais diminuir os efeitos colaterais e aumentar os períodos de remissão da doença permitindo assim, uma maior aceitação do paciente consigo mesmo e perante a sociedade.

Ana Paula Rodrigues

Raquel Maria Teixiera

REFERÊNCIAS

BACHELEZ, H. Immunopathogenesis of psoriasis: Recent insigths on the role of adaptative and innate immunity. Journal of Autoimmunity, 2005. n. 25, p. 69- 73
BEZERRA, R. M. Doença crônica auto-imune é combatida com informação e grupos de apoio. Disponível em: <http://www.abeapp.org.br/noticias/controle.php>. Acesso em: 20 abr 2007. (BEZERRA, 2007) BOS, W. E., Thio HB, Neumann HA, van der Fits L, Prens EP. The pathogenesis of inflammatory dermatoses, especially psoriasis. Ned Tijdschr Geneeskd. v
150, n 4, p 83-179 2006 Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?itool=abstractplus&db=pubmed&cmd=Retrieve&dopt= abstractplus&list_uids=16471231>. Acesso em 15 mai 2007
BOS, J. D et al. Psoriasis: dysregulation of innate immunity. British Journal of Dermatology, 2005. n. 152, p. 1098-1107

BOS, J. D. Psoriasis, innate immunity, and gene pools. American Academy of Dermatology, dez 2006. n. 3, vol. 56, p. 468-471

BOS, J. D.; RIE, M. A. de. The pathogenesis of psoriasis: immunological facts and speculations. Immunology Today, jan 1999. n. 1, vol. 20, p. 40-46

BREN, L. More than cosmetic. FDA Consumer Magazine. Disponível em: < www.fda.gov/fdac/features/2004/504_psoriasis.html>. Acesso em: 11 mai 2007.

CBP – Centro Brasileiro de Psoríase. Psoríase. Disponível em: <http:// www.cbp.med.br/principal>. Acesso em: 11 mai 2007

DUARTE, I.; BUENSE, R.; KOBATA, C. Fototerapia. Anais Brasileiro de Dermatologia. São Paulo, v. 81, n. 1, p. 74-82. 2006

FEDERMAN, D. G; FROELICH, C. W.; KIRSNER, R. S. Topical Psoriasis Therapy. American Family Physician. v. 59, n. 4. 1999. Disponível em: < http://www.aafp.org/afp/990215ap/957.html>. Acesso em: 11 mai 2007

FRY, L.; BAKER, B. S.; POWLES, A. V. Psoriasis – A possible candidate for vac- cination. Autoimmunity Reviews, n. 6, p. 286-289, 2006

GALADARI, I.; SHARIF, M. O.; GALADARI, H. Psoriasis: a fresh look. Clinics in Dermatology, n. 23, p. 491-502, 2005

LANGLEY, R. G. B.; KRUEGER, G. G.; GRIFFITHS, C. E. M.. Psoriasis: epide- milogy, clinical feature, and quality of life. Ann Rheum Dis. n. 64, Suppl II, p
ii18 – ii23, disponível em: <http://ard.bmj.com/cgi/content/full/64/suppl_2/ii18>. Acesso em: 22 abril 2007
MARQUES, A. S.; ROCHA, G. L. Estudos sobre psoríase. Anais Brasileiro de Dermatologia. São Paulo, v.56, n.1 p.5-20. 1981 MEFFERT, J. J. Photo Quis. American Family Physician. V. 58, n. 2. 1998
Disponível em: <http://www.aafp.org/afp/980800ap/photoqz.html>. Acesso em: 11 mai 2007
MYERS, W. A.; GOTTLIED, A. B.; MEASE, P. Psoriasis and psoriatic arthritis: clinical features and disease mechanisms. Clinic in Dermatology, n. 24, p
438-447, 2006 PARDASANI, A. G.; FELDMAN, S. R.; CLARK, A. R. Treatment of psoriasis: An algorithm-based approach for primary care physicians. American Family Physician V 61, n 3 2000 Disponível em: <www.aafp.org/afp/20000201/725.html>. Acesso em: 11 maio 2007
PATRÚS, O. A.; SANTOS, N. M. B. dos. Fatores psicogênicos em psoríase, estudo caso-controle seccional cruzado de 41 psoriático e 88 controles
Anais Brasileiro de Dermatologia. v. 68, n. 6, p. 333-339. 1993
PELC, A. W. MARCINKIEWICZ, J. What is the role of oxygenase-1 in psoriasis? Current concepts of pathogenesis. Internacional Journal of Experimental Pathology, 2007. n. 88, p. 95-102

PITA, C. R. Psoríase sob a luz da medicina ocidental. São Paulo, nov 2003
Disponível em: http://www.abrapse.com.br/monografia_001.pdf>. Acesso em: 20 abr 2007 PIUCCI, C. R. F.; FUGUEIREDO, F.; FOSS, N. T. Imunopatologia da psoríase: caracterização fenotípica das células presentes no infiltrado inflamatório Anais Brasileiro de Dermatologia. Rio de Janeiro, v.73, p. 191-196. 1998
PONZIO, H. A. Patogênese da Psoríase. Anais Brasileiro de Dermatologia. São Paulo, v.67, n. 4, p. 135-138. 1992

RIE, M. A. de; GOEDKOOP, A. Y.; BOS, J. D. Overview of psoriasis. Dermatology Therapy. Vol. 17, p. 341-349, 2004

RICH, P.; RICHARD, K. S. An Atlas of Diseases of the Nail. USA: The Parthenon Publishing Group Inc., 2005. p 77 – 87

SABBAG, C. Y. A Pele Emocional – Controlando a Psoríase. São Paulo: Iglu Editora LTDA, 2006. p 176

SBD - Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatologia on line. Na luta con- tra o preconceito
2006 Disponível em: <http://www.sbd.org.br/medicos/psoriase/index.html>. Acesso em 20 abr 2007.

Fonte: www.sbac.org.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal