O pterígio (do grego pterygion, "asinha") caracteriza-se por massa fibrovascular, triangular e elevada, crescendo a partir da conjuntiva em direção à córnea.
Localiza-se principalmente na área interpalpebral, no setor nasal, e mais raramente no setor temporal.
A característica clínica do pterígio varia de acordo com seu estágio de evolução. Em sua forma inicial, observa-se um pequeno crescimento da conjuntiva em direção a córnea, através do limbo.
Esta forma incipiente possui poucos vasos. Com a progressão, os vasos sangüíneos tornam-se dilatados e congestos, a córnea torna-se irregular, podendo haver comprometimento do eixo visual se o pterígio atinge o centro da córnea. Um depósito de ferro pode ser observado na borda do pterígio (linha de Stocker) significando cronicidade.
A localização fora da zona interpalpebral é considerada atípica e nesses casos outras etiologias como ceratoconjuntivite flictenular e malignidade devem ser consideradas.
Histologicamente, carateriza-se por um tecido fibrilar e fibrovascular, degenerativo, elastótico, basofílico e subepitelial que invade a córnea, destruindo a camada de Bowman.
Diversas teorias tentam explicar a patogênese do pterígio, como fatores hereditários e ambientais. A incidência é maior em áreas tropicais e subtropicais onde o clima é mais seco e quente. Pessoas freqüentemente expostas a luz solar (irradiação ultravioleta), vento, poeira, fumaça e outros fatores irritativos são mais propensas a desenvolver esta alteração.
O pseudopterígio é o nome dado a aderência inflamatórias da conjuntiva na córnea, em olhos que sofreram queimadura química, térmica ou trauma.
Diferencia-se do pterígio por não se aderir ao limbo, havendo então um plano de clivagem entre ele e a estrutura subjacente, além de ocorrer mais comumente fora do eixo interpalpebral.
A pinguécula, uma degeneração amarelada e elevada localizada no limbo, freqüentemente precede o pterígio. Este tecido conjuntival elevado propicia um defeito do filme lacrimal com formação de áreas de ressecamento adjacente; inflamação e vascularização iniciam-se no local e o paciente começa a apresentar irritação e prurido, e a lesão vai progressivamente aumentando de volume e tamanho, formando nova área de ressecamento; com a cronicidade do processo a córnea é invadida e esta alteração passa então a denominar-se pterígio.
O tratamento inicial deve ser clínico, orientando-se o paciente a proteger seus olhos da luz solar com óculos escuros e lubrificantes oculares para evitar ressecamento.
Se ocorrer inflamação e edema deve-se usar colírio com vasoconstritores para prevenir elevação do tecido e formação de defeito do filme lacrimal na área subjacente. Corticosteróides de baixa concentração podem ser prescrito por curto período de tempo.
A intervenção cirúrgica está indicada por motivo cosmético ou funcional quando a progressão da lesão coloca em risco a visão ou quando há formação de simbléfaro limitando a mobilidade ocular. Se nenhuma destas indicações existe, é melhor tratar o pterígio clinicamente, já que a recorrência após a cirurgia é freqüentemente mais agressiva do que a lesão primária.
Existem múltiplas técnicas cirúrgicas para a remoção do pterígio, todas elas apresentando possibilidade de recidiva. Vários tratamentos para evitá-la após a cirurgia são preconizados. O mais comum é a irradiação beta com estrôncio 90 aplicado na esclera próxima ao limbo, num total de 1.000 a 1.500 rad divididos em 6 aplicações. As complicações mais freqüentes com este tratamento são: escleromalácia, afinamentos esclerais graves e mesmo endoftalmite.
Outra forma de tratamento é o uso tópico de thiotepa, agente antineoplásico, que deve ser utilizado de 4 a 6 vezes ao dia por 6 a 8 semanas no período pós-operatório.

A complicação mais importante desta droga é a despigmentação irreversível da margem palpebral. Mais recentemente tem sido empregado a mitomicina, droga antimitótica e antimetabólica, na dose de 0,4 mg/ml por 4 vezes ao dia durante 2 semanas.
As complicações decorrentes do uso desta droga são oclusão do ponto lacrimal e necrose escleral.
Atualmente, a técnica cirúrgica que apresenta uma das menores taxas de recidiva é através do transplante livre de conjuntiva. Após a excisão do pterígio, retira-se da região superior do mesmo olho um retalho de conjuntiva justalimbar e transporta-se para a área onde o pterígio foi ressecado.
Com esta técnica a anatomia da região fica preservada, a esclera fica protegida e não é necessário no pós-operatório a utilização de tratamentos especiais como os citados anteriormente.
Como complicações podemos observar a formação de cistos epiteliais, retração do retalho e edema da conjuntiva transplantada. Tem sido usado também em alguns serviços, como o da Faculdade de medicina do Triângulo Mineiro, o transplante de membrama amniótica no lugar do retalho de conjuntiva.
Fonte: www.geocities.com
O pterígio é uma membrana fibro-vascular que cresce sobre a córnea. Esta membrana é muito parecida com a conjuntiva, a qual é a membrana que recobre a esclera (a parte branca do olho) e a parte interna das pálpebras. O pterígio geralmente invade a córnea por seu lado nasal (lado voltado para o nariz), mas pode ocorrer também do lado temporal (na direção da orelha) ou em outras localizações.
A córnea é uma estrutura curva e transparente localizada na porção anterior do globo ocular (na superfície do olho). Portanto, a córnea normal não apresenta vasos sangüíneos nem opacidades, permitindo a passagem de luz através dela.
Nos casos de pterígio, porém, a membrana que invade a córnea, contem vasos sangüíneos e tecido fibroso (fibras de colágeno).
Assim, o crescimento do pterígio poderá prejudicar a visão por acarretar:
1) perda da transparência da córnea (o que se chama leucoma)
2) distorção da curvatura corneana (o que se chama astigmatismo).
Além de poder prejudicar a visão, o pterígio frequentemente causa ardência, prurido (coceira), sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, fotofobia (desconforto com a luminosidade) e hiperemia ocular (olhos vermelhos).
O aparecimento do pterígio pode estar relacionado com fatores genéticos (herança dos pais) e com fatores ambientais. Dos fatores ambientais, a exposição solar, o vento e a poeira parecem favorecer o aparecimento do pterígio. Em alguns casos, o surgimento desta membrana fibro-vascular ocorre devido a um traumatismo na superfície ocular. Nestes casos a membrana costuma ser chamada de pseudo-pterígio, já que é, na verdade, uma reação da conjuntiva adjacente ao trauma.
O pterígio costuma progredir lentamente, ao longo de semanas, meses e anos, invadindo a superfície da córnea. Algumas vezes, a progressão pode ser mais rápida, prejudicando a visão e gerando desconforto ao paciente. Em outros casos, depois de crescer por algum tempo, o pterígio estabiliza-se, podendo ficar com tamanho inalterado durante anos.
Os sintomas de ardência e hiperemia ocular podem ser aliviados com o uso de colírios, como os lubrificantes oculares, por exemplo. Porém, o uso de colírios não é capaz de produzir uma regressão do pterígio. Assim, o único tratamento comprovadamente eficaz para o pterígio consiste em retirá-lo através de cirurgia.
Existem diversas técnicas cirúrgicas disponíveis para tratar o pterígio. Nos casos de pterígios que nunca foram operados, a técnica mais recomendada consiste em retirar a lesão (e o tecido fibroso adjacente) e realizar um transplante de conjuntiva. O transplante de conjuntiva visa recobrir o local da lesão, diminuindo o risco de recorrência (retorno do pterígio).
Antigamente, a cirurgia do pterígio necessitava de pontos (sutura), que geravam bastante desconforto ao paciente. Felizmente, com a evolução de novos materiais, já existe a possibilidade de realizar a cirurgia sem pontos. Isto é possível graças ao uso de colas especiais, chamadas de colas de fibrina. Este recurso, diminui o tempo da cirurgia (torna a cirurgia mais rápida) e diminui o desconforto no pós-operatório.
Geralmente optamos por uma anestesia local, evitando-se os riscos da anestesia geral. Existem diversas modalidades de anestesia local, desde o simples uso de gotas anestésicas, até as técnicas de bloqueio regional (bloqueio peribulbar). Assim, cada caso deve ser avaliado individualmente, optando-se pela técnica mais adequada para cada paciente.
Sim, o pterígio pode voltar, algum tempo depois da cirurgia, o que se chama de recorrência. O que sabemos, atualmente, é que, existem técnicas cirúrgicas melhores, capazes de diminuir muito o risco de recorrência. Assim, por exemplo, uma cirurgia bem feita, com transplante de conjuntiva, apresenta um risco de recorrência bem menor do que uma cirurgia simples, sem o transplante de conjuntiva. Além disto, pterígios que já foram operados mais de uma vez apresentam maior risco de recorrência.
Casos mais avançados ou já operados anteriormente apresentam maior risco de recorrência. Por isso, nestes casos, às vezes, temos que realizar uma cirurgia mais complexa, envolvendo outros recursos, além do transplante de conjuntiva. Um destes recursos consiste na aplicação de medicações anti-mitóticas durante a cirurgia, como a mitomicina C. Outra possibilidade é o uso de membrana amniótica especialmente preparada para tratar a superfície ocular. Esta membrana apresenta propriedades anti-inflamatórias, ajudando no processo de recuperação no pós-operatório. Além destes recursos adicionais, cirurgias mais complexas também envolvem maior atenção do cirurgião ao retirar o tecido fibroso, a fim de reconstituir a superfície ocular da melhor maneira possível.
Normalmente, não há necessidade do paciente ficar internado após a cirurgia. Assim, a cirurgia é considerada ambulatorial, pois o paciente retorna para casa após a cirurgia.
Luciano Bellini
Fonte: www.agapasm.com.br