Quasares
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Quasares

Quasares são objetos extragaláticos muito brilhantes e muito distantes. O nome vem de "Quasi-Stellar Objects: QSO" e foram detectados primeiramente com rádio telescópios e quando identificados no ótico tinham uma aparência pontual, como uma estrela. Hoje já foram detectadas galáxias em cujo núcleo estão quasares e o modelo mais aceito é que os quasares são buracos negros com massas de 1 milhão a 1 bilhão de vezes a massa do Sol localizados no núcleo de galáxias ativas.

Fonte: astro.if.ufrgs.br

Quasares

Quasares liberam mais energia do que 100 galáxias normais juntas.

Muitos astrônomos acreditam que quasares são os objetos mais distantes detectados até hoje no Universo.

Quasares liberam enormes quantidades de energia - eles podem ser um trilhão de vezes mais brilhantes que o Sol! Acredita-se que quasares obtêm sua energia de buracos negros massivos no centro de galáxias nas quais os quasares se encontram. Devido ao fato dos quasares serem tão brilhantes, eles suprimem a luz de todas as outras estrelas na mesma galáxia.

Quasar
Quasar

Apesar de seu brilho, devido à sua grande distância da Terra, nenhum quasar pode ser visto a olho nú. A energia dos quasares leva bilhões de anos para atingir a atmosfera da Terra. Por essa razão, o estudo de quasares pode fornecer aos astrônomos informações sobre os estágios primordiais do Universo.

A palavra quasar é abreviação de "quasi-stellar radio source" ("fonte de rádio quase-estelar").

Este nome, que significa objeto quase-estelar emissor de ondas de rádio, foi forjado nos anos 60, quando os primeiros quasares foram detectados. O nome se mantém até hoje, embora astrônomos saibam que a maioria dos quasares são fracos emissores de rádio. Além de ondas de rádio e luz visível, os quasares também emitem raios ultravioleta, ondas no infravermelho, raios-X, e raios gama.

A maioria dos quasares são maiores do que o nosso sistema solar. Um quasar mede aproximadamente quiloparsec em diâmetro.

Fonte: heasarc.gsfc.nasa.gov

Quasares

Com a invenção de um novo instrumento de investigação em Astronomia na década de 40, foram encontradas no céu, zonas de fortes emissões de ondas rádio. No entanto, ao utilizar o telescópio, essas mesmas zonas apareciam apenas como pontos luminosos, semelhantes a estrelas.

Um dos casos mais flagrantes foi o de 3C 273.

Como é usual em Astronomia, foi analisada a luz vinda de 3C 273, procurando com as suas riscas espectrais poder explicar a sua constituição química. No entanto, os padrões encontrados não correspondiam a nenhum elemento químico conhecido! Em 1963, Maarten Schmidt chegou à conclusão que o espectro de 3C 273 tinha um padrão correspondente a elementos químicos conhecidos, mas tinha sofrido um desvio tão grande para o vermelho, que se encontrava quase irreconhecível. Segundo o efeito de Doppler, quando um objecto luminoso se afaste de nós, as suas riscas espectrais características sofrem um desvio para o vermelho, e quando se aproximam, um desvio para o azul. Desvio este que é proporcional à velocidade do objecto. Este facto indica-nos que 3C 273 afasta-se de nós com uma velocidade de aproximadamente 15% da velocidade da luz. Utilizando a lei de Hubble, calcula-se a distância a que 3C 273 está de nós: aproximadamente 620 Mpc (2 mil milhões de anos--luz). Um objecto que se situa a uma distância tão grande e é observável a partir da Terra, tem de ser extraordinariamente luminoso, com uma luminosidade equivalente a 1000 vezes a da Via Láctea! E é também dos acontecimentos mais antigos do Universo, já que a sua luz demorou 2 mil milhões de anos a chegar até nós, ou seja, estamos a observar fenómenos de há 2 mil milhões de anos atrás.

Devido à sua aparente semelhança com estrelas, estes astros foram denominados quasares, uma abreviatura de quasi-stellar rádio sources , termo que se aplica também aos quasares com fracas emissões rádio, descobertos mais tarde.

Com o decorrer da investigação, os astrónomos não encontraram quasares com idades inferiores a mil milhões de anos, o que indica que os quasares eram comuns no universo do passado mas não no actual. Foram encontrados quasares mais longínquos que 3C 273, por exemplo o PC 1247+3406, que se afasta de nós a uma velocidade que corresponde a 94% da velocidade da luz, e que se encontra a aproximadamente 3800 Mpc (12 mil milhões de anos-luz).

Em redor dos quasares foram observadas nebulosidades, correspondentes a galáxias, o que indica que o quasar é ele próprio o núcleo de uma galáxia. Embora esta seja muito difícil de observar, já que a luminosidade do quasar a ofusca.

Com a descoberta de quasares, estabeleceram-se relações com outros fenómenos: as galáxias Seyfert e as rádio-galáxias. As galáxias Seyfert, descobertas por Carl Seyfert em 1943, têm núcleos activos, embora com emissões de rádio fracas, e cuja luminosidade é semelhante à dos quasares menos luminosos. As rádio-galáxias descobertas em 1918 por Heber Curtis, como o nome indica, têm fortes emissões rádio, e luminosidade relativamente fraca. Emitem também jactos de electrões acelerados a uma velocidade próxima da da luz (c), num campo magnético forte. Por vezes, estes jactos são duplos, sendo assim designados fontes de rádio duplas.

A nível de luminosidade, as Seyfert e as rádio-galáxias situam-se entre os quasares do passado e as galáxias actuais, o que levou os astrónomos a concluir que tudo indica para que as Seyfert sejam o que resta de quasares com fracas emissões rádio, e as galáxias rádio sejam a evolução dos quasares com fortes emissões rádio.

Foram encontrados outros objectos, denominados blazares, também centros galácticos muito luminosos mas com um espectro típico do de um feixe de electrões com velocidade próxima da da luz, o mesmo tipo de radiação do jacto de 3C 273. Devido a propriedades comuns, quasares, galáxias Seyfert, rádio-galáxias e blazares são chamados galáxias activas.

Em 1968, Donald Lynden-Bell propôs a teoria de ser um buraco negro a proporcionar a energia necessária às galáxias activas, confirmada com o aparecimento de dados que levam a concluir que existe um buraco negro no centro da Via-Láctea e de Andrómeda (e suspeita-se o mesmo em muitas outras). A teoria que pretende unificar estes dados, propõe existir um buraco negro no núcleo da galáxia primitiva, e um disco de acreção, ou seja, um disco de gás que “cai” para o buraco negro, a girar em torno deste. Ao serem atraídos para o buraco negro, os gases são comprimidos e aquecidos a altas temperaturas, fazendo com que o disco brilhe, resultando na elevada luminosidade de um núcleo galáctico activo. Devido a forças de pressão dos gases e conservação do momento angular, tem de ser libertada energia de modo a manter o equilíbrio. Esta energia é libertada sob a forma de matéria, que devido ao efeito do campo magnético, resulta nos jactos de partículas aceleradas a próximo de c que são libertados perpendicularmente ao buraco negro. Os gases excitados no disco de acreção produzem o espectro característico dos quasares.

Segundo esta teoria, os tipos de núcleos galácticos activos são resultado do mesmo fenómeno, um buraco negro super massivo, mas observado de diferentes ângulos. Com o passar do tempo, o gás vai “caindo” para o buraco negro, deixando o disco de acreção cada vez com menos gases, o que leva a uma diminuição de actividade do quasar, podendo levar mesmo à sua extinção. O que explica porque não existem quasares no universo actual.

Espera-se que, com o aperfeiçoamento de novos métodos de investigação em Astronomia, as dúvidas acerca destes objectos tão fascinantes quanto os quasares possam ser esclarecidas, levando ao conhecimento do passado e compreensão do presente do Universo.

Sandra Raimundo

Fonte: www.ajc.pt

Quasares

Quasar
Quasar

Para os astrônomos, quasares são objetos extragaláticos muito brilhantes e muito distantes, cujo nome vem da expressão “Quasi Stellar Radio Sources". Eles foram detectados primeiramente com rádio telescópios, e quando identificados no visual, tinham uma aparência pontual, assim como a de uma estrela. Hoje, porém, já foram detectadas galáxias em cujo núcleo se constata a presença de quasares, e por esse motivo a definição que agora se tornou mais aceita é a de que eles são buracos negros com massas de 1 milhão a 1 bilhão de vezes à do Sol, localizados no núcleo de galáxias ativas.

Os quasares são os mais distantes, os mais brilhantes e os mais misteriosos astros presentes no Universo. Quando, no final da década de 1950, os primeiros radiotelescópios detectaram pontos parecidos com estrelas que emitiam fortes sinais de rádio, foram dados a eles o nome “quasar” – uma abreviação de “fonte de rádio quase estelar”, em inglês. Como eram e continuam sendo completamente desconhecidos para os estudiosos do infinito, construíram-se duas hipóteses que tencionavam explicar sua existência: a mais aceita, proposta em 1954 pelos astrônomos Edwin Ernest Salpeter (1924-?) e Yakov Borisovich Zel'dovich (1914-1989), explica que eles são buracos negros gigantes presentes no centro de galáxias, e na medida em que estas vão sendo absorvidas, emitem uma luz intensa. Dentro desse conceito, o astrônomo Roberto Dias da Costa, da Universidade de São Paulo - USP, esclarece: “acredita-se que os buracos negros mais próximos tenham sido quasares e estariam escuros porque o material que os envolvia e alimentava, escasseou”.

Já a outra tese levantada apresenta a versão de que os quasares seriam uma alta concentração de estrelas com massa enorme – cerca de 15 a 20 vezes maior que a do Sol - , explodindo na freqüência de uma por semana.

Todos os quasares estão a bilhões de anos-luz da Terra (um ano-luz corresponde a 9.460.800.000.000 quilômetros), mas a fortíssima radiação que emitem possibilita que sejam vistos por nós. Eles são objetos extremamente compactos e luminosos, emitindo um brilho mais intenso do que aquele que seria produzido por centenas de galáxias, ou seja, até um trilhão de vezes mais forte do que o Sol. São fortes fontes de rádio variáveis, e seus espectros apresentam efeitos indicativos de que estão se afastando em velocidade igual a até alguns décimos da que é alcançada pela luz.

Uma publicação do Observatório Astronômico de Lisboa, de Dezembro de 2006, revela que “Astrônomos, utilizando o Telescópio Espacial Spitzer de infravermelho, identificaram recentemente dois quasares (ilustração abaixo) que podem estar à beira de uma gigantesca transformação - a passagem de um objeto escondido por enormes quantidades de poeira, a um objeto completamente revelado. Os quasares são dos objetos mais luminosos do Universo. Resultam da enorme atividade de um buraco negro de massa gigantesca no seio de uma galáxia, em geral invisível na extraordinária luminosidade da região que rodeia o buraco negro. Sabe-se hoje que existe uma população de quasares de detecção muito difícil, já que residem em galáxias muito ricas em poeira”.

“Esta, atraída para perto do buraco negro, o esconde juntamente com muita da emissão de energia originada nessa região. Tais quasares foram inicialmente previstos por modelos teóricos que procuravam explicar o fundo difuso presente nas observações mais profundas em raios-X. A detecção direta de tais entidades só seria conseguida nos últimos anos com os telescópios de raios-X e infravermelhos, pois a própria poeira que esconde o quasar aquece e irradia nestes comprimentos de onda. À medida que o tempo passa, e que mais e mais matéria vai sendo consumida pelo buraco negro, a emissão de energia proveniente das suas vizinhanças vai crescendo. A certa altura, pensam os astrônomos, esses monstros emitirão mais do que a poeira que os esconde conseguirá suportar, destruindo e dispersando esta barreira até aí (quase) impenetrável”.

“Usando o Telescópio Espacial Spitzer para realizar um levantamento profundo e extenso em determinada região, além de também realizar nela observações através dos raios-X,, investigadores reuniram uma amostra de quasares com grau de obscurecimento elevado. Dois deles, apesar de extremamente ricos em poeira, exibem luminosidades tão elevadas (o equivalente a mais de 100 bilhões de estrelas tipo Sol) que não é possível a poeira continuar obscurecendo aquelas "fornalhas" durante muito mais tempo. Aproximar-se-á, portanto, uma fase de transição, de quasar obscurecido para quasar "límpido", com a poeira sendo destruída ou dispersada da região central da galáxia. Uma revelação apenas prevista por modelos teóricos e nunca antes observada no universo”..

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN

Fonte: www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br

Quasares

Quasares, quase testemunhas do Big Bang

Eles foram descobertos há apenas 25 anos, mas é certo que brilham no espaço intensamente há 15 bilhões de anos desde a origem do Universo. Aos poucos os cientistas vão descobrindo coisas sobre eles — e todas são realmente extraordinárias.

Por Almyr Gajardoni e Joseph Scheppach

Trata-se de um pequeno, quase insignificante ponto de luz azulada no céu escuro, que pode ser visto na constelação de Sagitário. Foi descoberto na noite de 15 de Setembro de 1983 e recebeu a burocrática denominação de PKS 2000-330. mas que ninguém se iluda com a modéstia dessa apresentação. O PKS 2000-330 é um dos 684 quasares descobertos pelos astrofísicos em 25 anos de pesquisa — faz parte, portanto, de um dos mais fascinantes enigmas que desafiam a curiosidade do homem. E todos os números que compõem o seu dia-a-dia são, no mínimo, de perder o fôlego.

A começar pela capacidade de radiação, ou seja, de produzir e transmitir energia. Pois qualquer quasar é capaz de irradiar tanto quanto 300 bilhões de sóis ao mesmo tempo. Aliás, se não fosse assim, nem conseguiríamos descobrir um deles no céu, pois os quasares, graças a esse poder portentoso, são os corpos celestes mais distantes que já conseguimos identificar. O PKS 2000-330, por exemplo, encontra-se a 15 bilhões de anos-luz da Terra. Se quiser, faça as contas: a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo; reduzir essa distância a quilômetros significa escrever um número que tem 23 zeros. Há quasares mais próximos, é certo O 3C 273 está a apenas 3 bilhões de ano-luz, o que ainda é muito, mas muito longe. Assim distantes, é natural que os astrônomos nem consigam dizer, com exatidão, o que são eles. Seu próprio nome já é vago: fonte de rádio quase-estelar, do inglês quasi-stellar radio source, de onde vem o acrônimo quasar. Como nem todos se revelaram fontes de rádio tão poderosas, foram chamados objetos quase estelares (QSO). Alguma coisa, em todo caso, podemos saber a respeito. Estão em galáxias gigantescas, com diâmetro em torno de 500 mil anos-luz (a Via Láctea, a galáxia onde estão o Sol e seus planetas, tem 100 mil anos-luz de diâmetro).

Eles fazem parte de galáxias ativas, relativamente jovens. Mas isso só podemos perceber quando o próprio quasar envelhece, pois quando jovem ele brilha tão intensamente que ofusca todas as estrelas da galáxia. Sendo assim, é até possível que nem existam mais quasares atualmente. Se o nosso conhecido PKS 2000-330 tivesse deixado de brilhar há 15 bilhões de anos, sua energia ainda estaria chegando à Terra. Essa é mais ou menos a época em que os cientistas supõem que ocorreu o Big Bang, dando origem ao Universo. Dai a idéia de que os quasares são corpos celestes dos mais antigos que conhecemos. Também não há dúvida de que uma força muito poderosa faz com que as estrelas dessa galáxia se mantenham concentradas em torno do seu núcleo, como um rebanho de ovelhas comportadas. Há aproximadamente uns quatro anos a maioria dos cientistas que se dedicam ao estudo dos quasares chegou a um acordo: esse vigia do rebanho só pode ser um buraco negro — outro enigma fantástico que desafia a imaginação. Se fosse possível olhar o quasar bem de perto, vertamos que do seu núcleo extraordinariamente luminoso saltam longas fontes de gás, que brilham intensamente em tons vermelho - azulados e chegam a atingir o comprimento de 80 milhões de anos-luz—ou 800 vezes maior que toda a Via Láctea.

A principal característica dos quasares parece ser essa: a brilhante, incomum luminosidade do seu centro. Ainda assim, mesmo observado pelo mais potente telescópio ótico, um quasar fatalmente se confundirá com uma estrela comum. Suas características só começam a ser reveladas quando passam pelos radiotelescópios. Os maiores telescópios óticos têm lentes de 3 metros de diâmetro; os mais modernos, combinando mais de uma lente, conseguem chegar até os 50 metros. Já a antena do radiotelescópio de Jodrell Bank, na Inglaterra, alcança 76 metros. Mas há outra vantagem: é possível combinar vários radiotelescópios, mesmo que estejam localizados em diversos países ou continentes, e obter imagens que equivalem, por sua nitidez e precisão, à capacidade de resolução de um telescópio ótico que tivesse uma lente de 12 mil quilômetros. Não é exagero dizer que com os melhores radiotelescópios hoje existentes é possível "enxergar" a mão de uma pessoa sobre a superfície da Lua.

Que tais supertelescópios são necessários quando se estudam os quasares ficou claro na noite de 5 de fevereiro de 1963: o astrônomo holandês Maarten Schmidt, trabalhando no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos. decidiu seguir uma súbita inspiração. Ele havia observado as linhas espectrais encontradas na luz proveniente de uma fonte de radiação, na constelação de Virgem, denominada 3C 273, que significa: inscrição número 273 no Terceiro Catálogo de Fontes de Rádio da Universidade de Cambridge. Essas linhas espectrais revelam os materiais que compõem o corpo celeste observado — e no caso do 3C 273 havia seis linhas amplas que, no entanto, não se ajustavam a nenhum dos 92 elementos que aparecem na natureza. Maarten pensou, então: e se as linhas espectrais não estivessem no lugar certo, por estarem submetidas ao efeito Doppler — os deslocamentos para o vermelho ou o azul?

No deslocamento para o vermelho, a luz do corpo celeste se torna mais vermelha do que é na realidade, devido à velocidade de seu movimento no espaço; e, no deslocamento para o azul, ela se torna mais azul. É o mesmo que acontece com o som de uma ambulância que passa na rua em disparada: quando ela se aproxima de nós, a sirene fica mais aguda; quando ela se afasta, fica mais grave. O deslocamento para o azul equivale à subida do som e indica que o corpo celeste está se aproximando da Terra; o deslocamento para o vermelho indica que ele se afasta. Quase sempre a luz das estrelas apresenta deslocamento para o vermelho, pois o Universo se expande permanentemente e os corpos se distanciam uns dos outros. Nas estrelas comuns, o deslocamento para o vermelho é de 0,1 por cento — ou seja, sua luz fica 0,1 por cento mais vermelha. Maarten mediu o deslocamento do 3C 273 e não conseguiu evitar um comentário assustado à mulher, quando voltou para casa:

"Hoje me aconteceu algo incrível". Incrível mesmo. O deslocamento para o vermelho que ele medira era de 15,8 por cento. Significa que aquele corpo celeste se afastava da Terra à velocidade de 47 000 quilômetros por segundo. Só para ter uma idéia: a Terra gira ao redor do Sol à velocidade de 30 quilômetros por segundo. Desde que o astrônomo americano Edwin Hubble (1889-1953) fixou o deslocamento para o vermelho como medida da velocidade de afastamento de um corpo celeste, ficou claro também que essa velocidade aumenta quanto mais longe da Terra esteja o referido corpo. Atualmente, deslocamentos para o vermelho de 15,8 por cento não espantam mais ninguém. Correspondem a uma distancia de apenas 3 bilhões de anos-luz, que é onde se encontram os quasares mais próximos. O PKS 2000-330 que estamos conhecendo tem 350 por cento de deslocamento para o vermelho: significa que ele se afasta de nós à velocidade de 276 000 quilômetros por segundo — 92 por cento da velocidade da luz — e que está a algo em torno de 15 bilhões de anos-luz de distancia. Depois da descoberta de Maarten Schmidt, os quasares ganharam o seu nome esquisito e entraram para o rol das preocupações dos astrofísicos. Algumas descobertas foram feitas: eles estão muito longe, viajam a velocidades altíssimas e são muito antigos.

Analisando a radiação de um quasar no campo das ondas de rádio, cujo comprimento vai dos centímetros aos quilômetros, verifica-se que ela provém de uma fonte em forma de ponto. As galáxias comuns são fontes de rádio dilatadas, pois irradiam em toda a sua extensão, embora a intensidade vá aumentando aos poucos de fora para dentro. A radiação do quasar é tão forte quanto a da galáxia, mas está concentrada num único ponto de origem. Durante algum tempo imaginou-se que estrelas gigantescas girassem no núcleo central dos quasares, a velocidades altíssimas — e com isso criando as fortes ondas de rádio que eles emitem. Cálculos precisos mostraram que tais estrelas não podem existir: ou seriam pequenas demais, ou girariam a tamanha velocidade que fatalmente seriam destruídas. Pensou-se também no encontro de grandes quantidades de matéria e antimatéria, capaz de provocar radiação tão forte. Mas esse caminho também não é o correto. Por que haveria tanta antimatéria nos quasares se não se encontra quase nada dela em nenhum outro ponto do Universo?

A verdade é que é difícil imaginar como pode ser liberada tanta energia num ponto relativamente pequeno, de forma que o fenômeno possa ser registrado por nossos aparelhos, aqui na Terra, a uma distância descomunal como os 15 bilhões de anos-luz. As imagens obtidas através dos sinais de rádio mostram que as galáxias comuns têm, na parte externa, braços de espiral relativamente planos, e no centro uma parte mais larga, em forma de disco. Nos quasares, falta esse disco: a ponta de irradiação parece saltar diretamente de uma esfera. A explicação mais plausível para sua intensa luminosidade é a concentração de grande número de estrelas na parte central, apertadas como sardinhas em lata. É claro que essa comparação é forçada — ainda quando muito próximas, as estrelas estão a considerável distância umas das outras.

Outra hipótese, mais recente, é que os quasares e sua extraordinária capacidade de radiação seriam fruto do choque ou encontro de duas ou mais galáxias. Isso provocaria o desvio das órbitas das estrelas e dos movimentos das nuvens de gás interestelar, e tudo seria então engolido pelo buraco negro. Como se vê, há muito ainda que pesquisar e descobrir sobre esses fantásticos corpos celestes. Em janeiro passado, uma centena de cientistas reuniu-se em Tucson, Arizona, EUA, num congresso internacional destinado exclusivamente a discutir os quasares e as inúmeras teorias construídas em torno deles. As conclusões começarão a ser conhecidas nos próximos meses. Esses cientistas estão certos de que estão nos quasares as pistas mais promissores para confirmar e para que cheguemos, enfim, à compreensão da origem do Universo.

Boxes da reportagem

Deles nem a luz consegue escapar Os buracos negros são uma engenhosa criação teórica que explica muita coisa no Universo, mas nada provou até agora, que eles existam de fato. Ninguém viu um buraco negro, pois eles têm características muito peculiares. Uma nave, para sair de um planeta, ou de um corpo celeste qualquer, deve ter uma velocidade suficiente para escapar à força de gravidade desse corpo. Os foguetes que levam satélites para a órbita da Terra devem subir a 11 quilômetros por segundo. Para sair da Lua são necessários 2 quilômetros por segundo. Já para sair do Sol seriam necessários 600 quilômetros por segundo. Agora imaginemos um corpo celeste que fosse tão denso, com matéria tão concentrada, que exigisse mais de 300 000 quilômetros por segundo. Nesse caso nada poderia escapar dele? nem a luz, que viaja a essa velocidade — a maior que pode ser atingida, segundo as leis da Física. Os buracos negros são assim. Não podemos vê-los. porque eles não permitem que a luz saia e chegue até nós.

Segundo a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein a força gravitacional da matéria retarda a passagem do tempo. Quem olhasse um corpo muito denso a distância veria que o tempo ali corre devagar. O efeito dessa diminuição da velocidade do tempo será aumentar o comprimento da onda da luz emitida por esse corpo. Se a densidade do corpo aumentar além de um certo limite. O tempo pára, o comprimento da onda de luz torna-se infinito — o que significa que ela deixa de existir e a luz se apaga. É provável que os buracos negros se formem com a morte das estrelas maciças. As camadas exteriores da estrela explodem, dando origem a uma supernova; e as camadas interiores implodem — e da implosão surgiria o buraco negro. Outros podem ter aparecido já na formação do Universo, quando densidades extremas marcaram a explosão do Big Bang.

É o possante campo de gravidade dos buracos negros que oferece a única possibilidade de detectar sua presença. No céu existem muitas estrelas duplas, que giram uma em torno da outra, muito próximas. Descrevem uma espécie de círculo centrado num ponto situado entre elas. Se uma dessas estrelas fosse um buraco negro, só seria vista sua companheira, descrevendo um círculo aparentemente sozinha — mas a influência gravitacional da outra se faria sentir. Alguns casos desse tipo são conhecidos.

Outra hipótese para explicar a origem dos buracos negros são os quasares, potentes emissores de radiação. A origem dessa radiação concentra-se num ponto minúsculo, no centro da galáxia. Parece paradoxal invocar a presença de um buraco negro para explicar um corpo que irradia tanto. É possível, pois o buraco negro atrai e devora tudo que está por perto: nuvens interestelares, planetas, estrelas. Graças à sua poderosa atração, esses corpos caem nele a uma velocidade prodigiosa — e nesse instante se aquecem e brilham intensamente, até atravessarem uma linha imaginária chamada horizonte do acontecimento. O que passar dessa linha não volta, nem mesmo a luz.

Bibliografia: Revista ou CD-ROM da Super Interessante.

Fonte: www.geocities.com

Quasares

Os quasares (abreviatura de Quasi stelars objectus, do latim Objetos quase estelares) são objetos de extrema luminosidade encontrados nos confins do Universo conhecido, mais precisamente a partir de dois bilhões de anos-luz da Terra (a maioria dominante dos quasares, entretanto, está a mais de dez bilhões de anos-luz). Devido ao fato de estarem tão distantes não é possível saber ao certo o que é um quasar, mas acredita-se que sejam núcleos galácticos ativados por buracos negros super-maciços, que absorvem gás e poeira da galáxia liberando no processo energia muito superior à liberada pela fusão nuclear.

História

No ano de 1964, Edwin Ernest Salpeter e Yakov Borisovich Zel'dovich lançaram a teoria de que os quasares são na verdade galáxias activas e não apenas objectos associados a galáxias activas. Embora esta teoria seja a mais aceita, já foram encontrados quasares dispersos, isto é, sem galáxias próximas - sugerindo que a relação entre os quasares e as galáxias não seja obrigatória e que os quasares e as galáxias não sejam um único objecto.

Aparência

Aparentemente os quasares são semelhantes às estrelas, mas a sua estrutura real é semelhante à de uma galáxia activa e sua massa é ligeiramente maior do que a de qualquer outro corpo celeste já catalogado.

Os quasares são fortes emissores de ondas de rádio e colossais emissores de luz. Tais características combinadas indicam que os quasares possuem grande quantidade de partículas de altíssima energia. Outro aspecto interessante é que muitos quasares liberam imensos jatos de partículas radioativas. O quasar 3C2173 é o quasar mais brilhante já observado, estando a aproximadamente dois bilhões de anos-luz.

A maioria dos quasares já observados possuem um forte desvio para o vermelho no espectro indicando que estão se movimentando muito rapidamente, provavelmente a uma velocidade superior a 50 mil km/s, o que, pela constante de Hubble, leva a entender que estão muito distantes. Outra conclusão devida é que se formam num período muito recente da considerada formação do universo.

Problemas com a teoria

Mas há um problema grave na teoria a respeito dos quasares: por que não se formam quasares mais perto da Terra? Poderia haver quasares bem mais perto próximos. Uma das explicações aceitas é a de que só haveriam galáxias ativas no início da formação do universo, porque elas eram novas e ainda havia matéria próxima aos seus buracos negros para alimentá-los. No decorrer de sua existência, essa matéria de acréscimo para buracos negros acabou parando de alimentar o sistema que gera a energia colossal. Mas ainda fica a dúvida, pois novas galáxias estão sempre se formando pelo encontro e consequente junção de galáxias menores, e isso deveria reacender o sistema fornecedor de energia dos quasares.

Fonte: pt.wikipedia.org