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Quelóide

 

Quelóide é uma cicatriz que se projeta além da superfície da pele. Quando a pele é ferida, as células se multiplicam para preencher o espaço que ficou vazio devido à morte celular.

Quando as células continuam se reproduzindo, mesmo após o preenchimento deste espaço, o resultado é uma cicatriz hipertrófica ou umquelóide.

A cicatriz hipertrófica é uma area lisa, espessa que se restringe ao local da lesão. Esta se reduz após 1 ano ou mais.

Um quelóide, porém, pode se extender muito além do local da lesão.

Os quelóides não regridem espontaneamente.

Qual o aspecto de um quelóide?

quelóide possui uma superfície brilhante, e freqüentemente é arredondado.

Sua cor varia de levemente róseo a vermelho. A sua consistência é endurecida, e sempre se eleva acima da superfície da pele.

Alguns quelóides coçam ou são doloridos.

Quais as regiões que possuem maior tendência ao desenvolvimento de quelóides?

Há algumas regiões do corpo que são consideradas de alto risco para o desenvolvimento de quelóides, como a região central do tórax, dorso, lobos das orelhas, região inferior das pernas e pescoço. Contudo, podem surgir em qualquer local, p. ex. em cicatrizes cirúgicas ou qualquer área que tenha sido furada com fins cosméticos.

Quem possui maior tendência a desenvolver quelóides?

As pessoas de pele mais escura possuem uma tendência maior a desenvolver quelóides que aquelas de pele mais clara.

Há outros fatores importantes envolvidos; por exemplo, a presença de um corpo estranho (p.ex. fio de sutura) que favorece a formação de quelóides. Há também uma história familiar positiva em 5-10% dos europeus que desenvolveram quelóides.

Assim, mesmo pessoas de pele clara que possuam história familiar devem ser cuidadosas. Os quelóides são raros na infância e na velhice, ocorrendo principalmente entre a puberdade e os 30 anos. As mulheres possuem maior tendência, e os quelóides podem aumentar durante a gravidez.

Uma atitude prudente seria evitar-se qualquer cirurgia eletiva ou a colocacão de piercings em pessoas de pele escura, ou que já desenvolveram quelóides no passado.

Como são tratados os quelóides?

É muito difícil remover completamente quelóides. A retirada cirúrgica, embora pareça atraente, não é uma boa idéia. Este tipo de tratamento resulta muitas vezes no surgimento de um outro quelóide que muitas vezes será maior que aquele presente inicialmente.

Os métodos de tratamento incluem:

Injecões de cortisona

Este tratamento é seguro, as injecões de cortisona realizadas uma vez por mês podem levar a uma reducão significativa do quelóide, especialmente aqueles pequenos e de início recente.

Cirurgia

Como já foi dito, a cirurgia fará apenas com que um novo quelóide se forme.

Cirurgia associada a injeções de hidrocortisona

Este tipo de tratamento é realizado através da injeção de corticóides durante a cicatrização, para evitar a formação de um quelóide no pós-operatório, e durante todo o período de cicatrização. É muito doloroso como tratamento, mas pode eventualmente gerar uma boa resposta. Porém as injeções de hidrocortisona podem ter de ser mantidas por um período de tempo muito grande.

Criocirurgia

O congelamento dos quelóides com nitrogênio líquido pode reduzir os quelóides, tornando-os mais planos. Este método pode manchar a pele, gerando principalmente manchas brancas em pessoas de pele morena.

Compressão

A compressão de quelóides, à longo prazo, pode fazer com que sua consistência torne-se um pouco menos endurecida.

Laser

Os quelóides podem ser tratados com laser. O laser pode reduzir a vermelhidão do quelóide, mas, infelizmente, faz muito pouco ou nada em relação à massa do quelóide.

Quelóide

INTRODUÇÃO

Quelóide, do grego kelh, tumor, e eidoz, forma, é uma cicatriz espessa e elevada, de superfície bocelada ou lisa e coloração variando entre cor de pele, avermelhado e hipercrômico. Distingue-se da cicatriz hipertrófica por ultrapassar os limites da injúria inicial e pela tendência ao crescimento. No entanto, alguns autores consideram quelóide e cicatriz hipertrófica diferentes estágios de um mesmo processo.1

DISCUSSÃO

A tendência a desenvolver quelóides parece ser transmitida geneticamente e varia durante a vida de tal forma, que um indivíduo com lesões queloideanas pode sofrer grave trauma cutâneo e não desenvolver um novo quelóide.

Essa predisposição a desenvolver quelóides está presente na síndrome de Rubinstein-Taybi, que, entre outros sinais, inclui sobrancelhas espessas e arqueadas, unhas planas, eczema atópico, eczema seborréico e retardo mental.

Freqüentemente, portadores dessa síndrome desenvolvem, no decorrer de suas vidas, quelóides gigantescos. Fatores extrínsecos, tais como infecção e tensão da ferida, também favorecem a formação de novas lesões. Atualmente, acredita-se que não existe quelóide espontâneo e que as lesões sem causa aparente são provocadas por injúrias leves, não percebidas pelo paciente.

As regiões mais acometidas são o dorso, região pré-esternal, deltóidea, lobo da orelha e face. As lesões do lobo da orelha são quase sempre devidas à perfuração para o uso de brincos, e as lesões da região deltóidea, conseqüência da aplicação de vacinas. Apesar das palmas e plantas serem locais de freqüentes traumatismos, nunca apresentam quelóides.

Nas regiões de derme mais fina, como pálpebras e região genital, a ocorrência é muito rara.

Freqüentemente, há queixa de dor, prurido e parestesia espontâneos ou desencadeados por estímulos externos. Kitlowsk8 considera que a dor seja provocada por compressão das terminações nervosas pela fibrose e que o ressecamento da epiderme, devido à ausência de glândulas sebáceas, seja responsável pelo prurido.

Histologia

À microscopia óptica, nota-se epitélio fino e aplainado, cobrindo derme espessada com aumento das fibras colágenas e diminuição das fibras elásticas. Os folículos pilosos e as glândulas sebáceas estão ausentes ou diminuídos9.

A microscopia eletrônica mostra que o diâmetro das fibras colágenas é menor do que a metade do diâmetro das fibras observadas em cicatrizes normais10. Os fibroblastos apresentam filamentos de actinomiosina no citoplasma, sugerindo que essas células sejam na realidade, células de transição entre fibroblastos e mioblastos11.

Tratamento

A terapêutica é variada e inclui compressão, corticoterapia, cirurgia e radioterapia, entre outros.

Até o século passado, o único tratamento para os quelóides era a excisão cirúrgica. No início deste século, a excisão simples já era considerada ineficaz.

Hoje preconiza-se a redução do quelóide com o mínimo de trauma, deixando intacta a parte periférica da lesão e suturando sem restar espaço morto nem hematoma. Se houver tensão no local, deve-se corrigir por retalho cutâneo, expansores, zetaplastia ou enxerto de pele fina extraída do próprio quelóide.

Embora a cirurgia isolada seja freqüentemente seguida de recidiva, sua associação a esteróides, pressão ou radiação tem mostrado bons resultados.

A “compressão”, como método isolado, é empregada na profilaxia, principalmente em pacientes vítimas de queimaduras. É exercida por vestes elásticas, feitas sob medida (malhas de Jobst), e deve exceder 24mm\Hg. Acredita-se que a pressão reorienta os feixes de fibras colágenas e causa degeneração dos fibroblastos pela hipóxia.

No tratamento de quelóides já estabelecidos, a compressão deve ser associada a outro método. Fugimori12 recomenda a excisão da lesão, enxertia e pressão com esponjas adesivas de acrilato de polibutano, que permitem a passagem de ar e secreções. A esponja é fixada diretamente sobre a pele e deve ser usada diariamente por período de quatro a seis meses.

Para o tratamento de lesões do lobo da orelha, a compressão é exercida por discos plásticos, fixados nas duas faces do lobo por fios de sutura; já nos quelóides pedunculados do lobo, onde a compressão se torna impraticável, a alternativa é a ligadura do pedículo.3

A “radiação” é usada no tratamento dos quelóides desde 1906, quando De Beurman e Gourgerot descreveram seus primeiros trabalhos. Até o presente momento, não existe consenso sobre qual a melhor dose e qual o melhor fracionamento. Stark13 recomenda, após a excisão do quelóide, terapia com raios X, 2000rads, divididos em quatro aplicações, iniciando-se no primeiro pós-operatório.

O risco de radiodermite e transformações neoplásicas tem diminuído no decorrer dos anos, devido ao controle mais adequado da dosagem. Mesmo assim, essa terapêutica deve ser evitada em crianças pelo risco de hipoplasia óssea e cartilaginosa.

Os “corticóides” foram usados pela primeira vez no tratamento dos quelóides em 1950 e desde então tornaram-se uma das terapêuticas mais utilizadas. Sabe-se que os corticóides inibem a síntese protéica e a migração dos fibroblastos, mas o exato mecanismo da redução do colágeno ainda permanece desconhecido.

A administração pode ser feita por via sistêmica, tópica e infiltrativa. A administração sistêmica tem sido abandonada pela maior possibilidade de efeitos colaterais. Os corticóides tópicos em forma de cremes ou pomadas diminuem a dor e o prurido; já as infiltrações, além de abolir os sintomas, podem reduzir o volume da lesão.14

A droga mais utilizada para a infiltração é o acetato de triancinolona, na concentração de 5 a 10mg/ml. Segundo Modolim15 após dez infiltrações de triancinolona com intervalos de sete a 15 dias, obtem-se modificações da morfologia da pele lesada; o epitélio torna-se sinuoso, simulando cristas interpapilares, e a quantidade de colágeno da derme diminui.

A resistência da lesão à injeção do medicamento e a dor podem ser diminuídas por congelamento prévio da lesão com nitrogênio líquido. Os efeitos colaterais das infiltrações incluem atrofia, despigmentação, telangiectasias e síndrome de Cushing; no intuito de evitar tais efeitos, recomenda-se que as doses não ultrapassem as especificadas nas tabelas 1 e 2.

Os resultados da cirurgia a laser de argônio ou dióxido de carbono são muito discutíveis. Alguns autores preconizam como melhor forma de aplicação a coagulação puntiforme por laser de argônio em várias sessões.

A “criocirurgia” com nitrogênio líquido tem sido muito usada atualmente, por ser rápida, fácil, pouco dolorosa e não produzir sangramento. Entretanto, apresenta seu resultado cosmético prejudicado pela hipotrofia e discromia residuais.

Quando o nitrôgenio líquido (-196C) resfria a pele a -209C, ocorre estase vascular por oclusão irreversível do lume16 e destruição de todas as células vivas, sem que o arcabouço seja afetado. O congelamento pode ser feito com terminais de sonda aberta ou com spray, até que se forme uma nítida área de congelamento. Babin e Ceilley17 preconizam um só ciclo de congelamento/descongelamento; B Hirshwoitz18 recomenda dois ciclos, com tempo de congelamento de um a dois minutos. Logo após o degelo, a área torna-se avermelhada e edemaciada, segue-se vesiculação e, eventualmente hemorragia, que se tornam evidentes em 24 horas. Após a cicatrização, o quelóidetorna­se menor e mais macio. O número de aplicações varia de um a 12, em intervalos de trinta dias, dependendo da resposta do indivíduo e o tamanho do quelóide.18 Geralmente, o resultado é pior na face e região pré-esternal.19

A observação casual da redução do tamanho de um quelóide em um paciente que estava recebendo ácido retinóico para controle de afecção dermatológica motivou Russo e Laguens20 a estudar o efeito dessa droga no tratamento dos quelóides. Quatro pacientes foram estudados, sendo administrado 1mg/kg/dia de ácido retinóico. No décimo quarto dia, observaram diminuição do colágeno depositado no interstício; no décimo terceiro dia, houve redução do volume da lesão. Embora os dados iniciais sejam animadores, essa modalidade terapêutica necessita ser mais bem avaliada mediante ensaios envolvendo maior número de pacientes e maior tempo de seguimento.

CONCLUSÃO

Apesar das várias modalidades, o tratamento de quelóides e cicatrizes hipertróficas ainda é um desafio. A literatura mostra que nenhum método isolado é totalmente eficaz e que a combinação dos metódos os torna mais efetivos. A escolha da terapêutica, portanto, deve ser baseada em criteriosa avaliação clínica, para que se possa obter benefícios, tendo em vista os possíveis danos provocados por métodos mal empregados.

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