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Realismo

 

CONTEXTO HISTÓRICO

Realismo, no Brasil, nasceu em consequência da crise criada com a decadência econômica açucareira, o crescimento do prestígio dos estados do sul e o descontentamento da classe burguesa em ascensão na época, o que facilitou o acolhimento dos ideais abolicionistas e republicanos. O movimento Republicano fundou em 1870 o Partido Republicano, que lutou para trocar o trabalho escravo pela mão-de-obra imigrante.

Nesse período, as idéias de Comte, Spencer, Darwin e Haeckel conquistaram os intelectuais brasileiros que se entregaram ao espírito científico, sobrepujando a concepção espiritualista do Romantismo. Todos se voltam para explicar o universo através da Ciência, tendo como guias o positivismo, o darwinismo, o naturalismo e o cientificismo. O grande divulgador do movimento foi Tobias Barreto, ideólogo da Escola de Recife, admirador das idéias de Augusto Comte e Hipólito Taine.

Realismo e o Naturalismo aqui se estabelecem com o aparecimento, em 1881, da obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo, influenciados pelo escritor português Eça de Queirós, com as obras O Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio (1878). O movimento se estende até o início do século XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir uma nova estética: o Pré-Modernismo.

CARACTERÍSTICAS

A literatura realista e naturalista surge na França com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados, tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela sensibilidade o real.

Contudo, a escola Realista atinge seu ponto máximo com o Naturalismo, direcionado pelas idéias materialísticas. Zola, por volta de 1870, busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos princípios, negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante da natureza, colocar a observação e experiência acima de tudo. O afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à observação objetiva e à razão, sempre, aplicadas ao estudo da natureza, orientando toda busca de conhecimento.

Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".

Vindo da Europa com tendências ao universal, o Realismo acaba aqui modificado por nossas tradições e, sobretudo, pela intensificação das contradições da sociedade, reforçadas pelos movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com o avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos sob a ótica da Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin oferece novas perspectivas com base científica, concorrendo para o nascimento de um tipo de literatura mais engajada, impetuosa, renovadora e preocupada com a linguagem.

Os temas, opostos àqueles do Romantismo, não mais engrandecem os valores sociais, mas os combatem ferozmente. A ambientação dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis, localizados com precisão; os casamentos felizes são substituídos pelo adultério; os costumes são descritos minuciosamente com reprodução da linguagem coloquial e regional.

O romance sob a tendência naturalista manifesta preocupação social e focaliza personagens vivendo em extrema pobreza, exibindo cenas chocantes. Sua função é de crítica social, denúncia da exploração do homem pelo homem e sua brutalização, como a encontrada no romance de Aluísio Azevedo.

A hereditariedade é vista como rigoroso determinismo a que se submetem as personagens, subordinadas, também, ao meio que lhes molda a ação, ficando entregues à sensualidade, à sucessão dos fatos e às circunstâncias ambientais. Além de deter toda sua ação sob o senso do real, o escritor deve ser capaz de expressar tudo com clareza, demonstrando cientificamente como reagem os homens, quando vivem em sociedade.

Os narradores dos romances naturalistas têm como traço comum a onisciência que lhes permite observar as cenas diretamente ou através de alguns protagonistas. Privilegiam a minúcia descritiva, revelando as reações externas das personagens, abrindo espaço para os retratos literários e a descrição detalhada dos fatos banais numa linguagem precisa.

Outro tratamento típico é a caracterização psicológica das personagens que têm seus retratos compostos através da exposição de seus pensamentos, hábitos e contradições, revelando a imprevisibilidade das ações e construção das personagens, retratadas no romance psicológico dos escritores Raul Pompéia e Machado de Assis.

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

Realismo

A desilusão com o fracasso dos ideais do liberalismo, a miséria das cidades e a crise da produção no campo, as más condições de vida da maioria da população, contrapostas aos privilégios da burguesia, explicam a substituição do idealismo romântico, desde o fim da primeira metade do século XIX, por uma visão mais objetiva e desiludida da realidade.

Fase de transição

Elementos românticos e realistas misturam-se nos autores de transição. São representantes dessa corrente os franceses Honoré de Balzac, cujo ciclo de romances, A comédia humana, traça vasto painel da sociedade oitocentista, Stendhal (O vermelho e o negro) e Prosper Merrimée (Carmen); o inglês William Makepeace Thackeray (A feira das vaidades); ou os russos Nikolai Gogol (Almas mortas) e Ivan Turgueniev (Pais e filhos).

Honoré de Balzac (1799-1850)

Frequenta os salões de Paris, viaja muito e procura sempre um meio de enriquecer. Paralelamente, produz numa velocidade extraordinária. Nos 20 últimos anos de vida escreve cerca de 90 romances, 30 contos e cinco peças de teatro. Em 1842, dá o nome de A comédia humana para o conjunto de seus romances, subdivididos em três grandes títulos: Estudos dos costumes do século XX, Estudos filosóficos e Estudos analíticos. Seus romances são realistas nos detalhes físicos, de posição social, vestuário, habitação e traçam um gigantesco painel da sociedade da época.

Temas sociais

A preferência por temas e personagens contemporâneos caracteriza Madame Bovary, de Gustave Flaubert, Judas, o obscuro, de Thomas Hardy, Crime e castigo, de Fiodor Dostoievski, ou os contos de Guy de Maupassant, Giovanni Verga e Anton Tchekhov. Há atitude crítica em O Primo Basílio, de Eça de Queirós, Ressurreição, de Leon Tolstói, Sangue e areia, de Vicente Blasco-Ibáñez, ou A terra prometida, do dinamarquês Henrik Pontoppidan, preocupados com mensagens de alcance moral ou social. A mesma postura engajada observa-se em poetas como os portugueses Antero de Quental (Sonetos) e Abílio Manuel Guerra Junqueiro (A velhice do Padre Eterno).

Gustave Flaubert (1821-1880)

Nasce em Rouen, França. Abandona os estudos de direito em Paris e se retira para um sítio em Croisset, dedicando-se a escrever por cerca de 30 anos em isolamento. Madame Bovary – história do adultério de Emma Bovary, que termina em suicídio – provoca grande escândalo quando é lançado. Há em todo o livro uma forte crítica aos valores românticos e burgueses.

Fiodor Dostoievski (1821-1881)

Nasce em Moscou. Por sua ligação com círculos liberais é preso e condenado à morte, só tendo a pena transformada em deportação momentos antes da execução. Passa cinco anos preso na Sibéria e mais cinco como soldado de um batalhão. Anistiado em 1859, passa a morar em São Petersburgo. Crime e castigo é um drama moral de grande profundidade psicológica, onde o estudante Raskolnikov assassina uma usurária para roubar o dinheiro e salvar sua família. Os irmãos Karamazov traça um panorama de todo o povo russo.

José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) nasce em Póvoa de Varzim, Portugal. Filho ilegítimo, passa a infância afastado dos pais. Forma-se em direito pela Universidade de Coimbra, em 1866, e estréia como escritor na Gazeta de Portugal. Na década de 70 segue a carreira diplomática. Em 1889 funda a Revista de Portugal e colabora com artigos e contos na imprensa brasileira.

Seu Realismo sarcástico e espirituoso produz grandes obras como O crime do padre Amaro, O primo Basílio, A ilustre casa de Ramires.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Realismo

O realismo foi um movimento artístico e cultural que se desenvolveu na segunda metade do século XIX. A característica principal deste movimento foi a abordagem de temas sociais e um tratamento objetivo da realidade do ser humano.Possuía um forte caráter ideológico, marcado por uma linguagem política e de denúncia dos problemas sociais como, por exemplo, miséria, pobreza, exploração, corrupção entre outros.

Com uma linguagem clara, os artistas e escritores realistas iam diretamente ao foco da questão, reagindo, desta forma, ao subjetivismo do romantismo.

Uma das correntes do realismo foi o naturalismo, onde a objetividade está presente, porém sem o conteúdo ideológico.

O Realismo nas Artes Plásticas

realismo manifestou-se principalmente na pintura, onde as obras retratavam cenas do cotidiano das camadas mais pobres da sociedade.

O sentimento de tristeza expressa-se claramente através das cores fortes.

Um dos principais pintores realistas foi o francês Gustave Coubert. Com obras que chocaram o público pelo alto grau de realismo e pelos temas sociais, este artista destacou-se com as seguintes telas : Os Quebradores de Pedras e Enterro em Ornans. Outros importantes pintores deste período foram: Honoré Daumier, Jean-François Millet e Édouard Manet.

Literatura Realista

Nas obras em prosa, o realismo atingiu seu ápice na literatura

Os romances realistas são de caráter social e psicológico, abordando temas polêmicos para a sociedade da segunda metade do século XIX. As instituições sociais são criticadas, assim como a Igreja Católica e a burguesia. Nas obras literárias deste período, os escritores também criticavam o preconceito, a intolerância e a exploração. Sempre utilizando uma linguagem direta e objetiva.Podemos citar como importantes obras da passagem do romantismo para o realismo: Comédia Humana de Honoré de Balzac

O Vermelho e o Negro de Stendhal, Carmen de Prosper Merimée e Almas Mortas de Nikolay Gogol.Porém, a obra que marca o início dorealismo na literatura é a obra Madame Bovary de Gustave Flaubert. Outras importantes obras são : Os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoiévski, Anna Karenina e Guerra e Paz de Leon Tolstói, Oliver Twist de Charles Dickens, Os Maias e Primo Basílio de Eça de Queiroz

Teatro Realista

No teatro realista o herói romântico é trocado por pessoas comuns do cotidiano. Os problemas sociais transformam-se em temas para os dramaturgos realistas. A linguagem sofisticada do romantismo é deixada de lado e entra em cena as palavras comuns do povo. O primeiro representante desta fase é o dramaturgo francês Alexandre Dumas, autor de A Dama das Camélias.Também podemos destacar outras importantes peças de teatro do realismo como, por exemplo, Ralé e Os Pequenos Burgueses de Gorki, Os Tecelões de Gerhart Hauptmann e Casa de Bonecas do norueguês Henrik Ibsen.

REALISMO NO BRASIL

Literatura

Na literatura brasileira realismo manifestou-se principalmente na prosa.Os romances realistas tornaram-se instrumentos de crítica ao comportamento burguês e às instituições sociais. Muitos escritores românticos começaram a entrar para a literatura realista. Os especialistas em literatura dizem que o marco inicial do movimento no Brasil é a publicação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

Nesta obra, o escritor fluminense faz duras críticas à sociedade da época.

Teatro

As peças retratam a realidade do povo brasileiro, dando destaque para os principais problemas sociais. Os personagens românticos dão espaço para trabalhadores e pessoas simples. Machado de Assis escreve Quase Ministro e José de Alencar destaca-se com O Demônio Familiar. Luxo e Vaidade de Joaquim Manuel de Macedo também merece destaque. Outros escritores e dramaturgos que podemos destacar: Artur de Azevedo, Quintino Bocaiúva e França Júnior.

O realismo no Brasil

Realismo no Brasil teve seu início, oficialmente, em 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas de seu mais célebre autor, Machado de Assis. Esta escola só entra em declínio com o surgimento do Parnasianismo, por volta de 1890.Com a introdução do estilo realista, assim como do naturalista, o romance, no Brasil, ganhou um novo alcance, a observação. Começou-se a escrever buscando a verdade, e não mais para ocupar os ócios dos leitores.

[1] Machado de Assis, considerado um dos maiores expoentes da literatura brasileira e o maior do Realismo no Brasil, desenvolve em sua ficção uma análise psicológica e universal e sela, portanto, a independência literária do país.

Contexto histórico do Realismo no Brasil

No Brasil do Segundo reinado (de 1840 a 1889), impera o conhecido "parlamentarismo às avessas", quando o Imperador D. Pedro II escolhe o senador ou o deputado para o cargo de primeiro-ministro, com a complacência do Partido Liberal e do Partido Conservador, que se revezavam no poder, sempre segundo os interesses da oligarquia agrária.

No campo da economia, o Brasil, na metade do século XIX, ainda mantinha uma estrutura baseada no latifúndio, na monocultura de exportação com mão-de-obra escrava voltada para o mercado cafeeiro.

Por volta da década de 1870, no entanto, as oligarquias agrárias, que até então "davam as cartas" na economia e na política do país, sofrem pressões internacionais para o desenvolvimento do capitalismo industrial no Brasil, no sentido de um processo de modernização que se dá lentamente.

Inicialmente, pela proibição do tráfico negreiro. Com isso cresce a mão-de-obra imigrante, desenvolve-se a indústria cafeeira no interior do estado de São Paulo e ferrovias são construídas. Ao longo dos trilhos, concentram-se as fábricas que dão origem à classe média urbana, que se insatisfaz com a falta de representatividade política.

Essa classe, apóia-se no Exército e aceita a liderança dos cafeicultores paulistas, responsáveis pelos trabalhadores assalariados no país e defensores de mudanças estruturais, como a substituição da Monarquia, já desgastada e reacionária, pela República.

A Proclamação se dá em 1889, porém, a República não atenderia as ambições da classe média e dos militares. Então, representantes das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais passam a controlar o Estado brasileiro, por meio de uma aliança entre seus governadores que ficou conhecida como "Política do café-com-leite".

Brasil da época é um país com idéias liberais, republicanas, "modernas", no entanto, tem que conviver com uma estrutura político-econômica oligárquica, agrária, latifundiária e coronelista.

Da Europa foram trazidas algumas idéias, entre elas o positivismo de Auguste Comte, o determinismo histórico de Taine, o socialismo utópico de Proudhon e o socialismo científico de Karl Marx, o evolucionismo de Darwin e a negação do Cristianismo de Renan.

Autores e obras notáveis

Dentre os principais autores do Realismo no Brasil, estão Raul Pompéia, Visconde de Taunay e o principal deles, Machado de Assis.Entre as obras de Raul Pompéia, O Ateneu é, sobretudo, um exemplo impressionista na literatura brasileira. Alfredo de Taunay destaca-se na literatura regionalista. Sua obra-prima, Inocência , é transitória entre Romantismo e Realismo.

Machado de Assis contribuiu com grandes obras, como a introdutória do estilo Memórias Póstumas de Brás Cubas , sucedida por Quincas Borba e Dom Casmurro

As três envolvem adultério e apresentam inúmeros temas sob uma ótica crítica e irônica, característica do autor. As obras Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro destacam-se por serem narradas em primeira pessoa, característica incomum no romance realista.

Esaú e Jacó e Memorial de Aires figuram na fase filosófica e madura do autor, sendo, também, obras realistas.

Realismo filosófico

A Idade Média, três soluções para o problema dos universais e dos particulares foram propostas: o realismo, o conceitualismo e o nominalismo.

Para o realismo[S+J], os universais existem objetivamente, seja na forma de realidades em si, transcendentes em relação aos particulares (como em Platão, universais ante rem), ou como imanentes encontrados nas coisas individuais (como para Aristóteles, universidade in re).

História do realismo na arte

Realismo fundou uma Escola artística que surge no século XIX em reação ao Romantismo e se desenvolve baseada na observação da realidade, na razão e na ciência. Além de uma oposição a um realismo fotográfico.

Realismo é um movimento artístico surgido na França, e cuja influência se estendeu a numerosos países europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objeto de ação contra o capitalismo progressivamente mais dominador.

Das influências intelectuais que mais ajudaram no sucesso do Realismo denota-se a reação contra as excentricidades românticas e contra as suas falsas idealizações da paixão amorosa, bem como um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ciências exatas e experimentais e pelo progresso técnico.

A passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objetivo.

Realismo nas artes plásticas

Artistas do realismo

  • Édouard Manet
  • Gustave Courbet
  • Honoré Daumier
  • Jean-Baptiste Camille Corot
  • Jean-François Millet
  • Théodore Rousseau
  • Realismo na literatura

    Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida como fizeram os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.

    Uma característica comum ao Realismo é o seu forte poder de crítica, porém sem subjetividade.

    Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural. Por exemplo, se um autor deseja criticar a postura da Igreja católica, não escreverá um soneto anti-cristão como no Romantismo, porém escreverá histórias que envolvam a Igreja Católica de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a Igreja Católica e como as pessoas reagem a ela. Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão que procura ser objetiva, fiel, sem distorções. Em lugar de fugir à realidade, os realistas procuram apontar falhas como forma de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos.

    Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista 
    Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert.

    Principais correntes da época

  • Positivismo
  • Determinismo
  • Darwinismo
  • Alguns expoentes do realismo europeu: Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Eça de Queirós, Charles Dickens.

    Comparação com o Romantismo

    Realismo Romantismo
    Distanciamento do narrador Narrador em primeira pessoa
    Valoriza o que se é Valoriza o que se idealiza e sente
    Crítica direta Crítica indireta
    Objectividade Sentimentos à flor da pele
    Textos, às vezes, 
    sem censura
    Textos geralmente 
    respeitosos
    Imagens sem fantasias, reais Imagens fantasiadas, perfeitas
    Aversão ao Amor platônico Amores platônicos
    Mistura de épico e lírico nos textos Separação
    Cosmopolita Ufanista/Nacionalista

    Veracidade

    Despreza a imaginação romântica Contemporaneidade: descreve a realidade Retrato fiel dos personagens: caráter, aspectos negativos da natureza humana Gosto pelos detalhes: Lentidão na narrativa Materialismo do amor:Mulher objeto de prazer/adulterio Denuncia das injustiças sociais Determinismo e relação entre causa e efeito Linguagem próxima a realidade:simples,natural,clara e equilibrada.

    No Brasil

    A partir da extinção do tráfico negreiro, em 1850, acelera-se a decadência da economia açucareira no Brasil e o país experimenta sua primeira crise depois da Independência. O contexto social que daí se origina, aliado a leitura de grandes mestres realistas europeus como Stendhal, Balzac, Dickens e Vitor Hugo, propiciarão o surgimento do Realismo no Brasil.

    Assim, em 1881 Aluísio Azevedo publica O Mulato (primeiro romance naturalista brasileiro) e Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas (primeiro romance realista do Brasil).

  • Machado de Assis
  • Raul Pompéia
  • Aluízio Azevedo
  • Em Portugal

    Realismo na Literatura surge em Portugal após 1865, devido à Questão Coimbrã e às Conferências do Casino, como resposta à artificialidade, formalidade e aos exageros do Romantismo de uma sentimentalidade mórbida. Eça de Queirós é apontado, junto a Antero de Quental, como o autor que introduz este movimento no país, sendo o romance social, psicológico e de tese a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e torna-se meio de crítica a instituições, à hipocrisia burguesa (avareza, inveja, usura), à vida urbana (tensões sociais, econômicas, políticas) à religião e à sociedade, interessando-se pela análise social, pela representação da realidade circundante, do sofrimento, da corrupção e do vício. A escravatura, o racismo e a sexualidade são retratados com uma linguagem clara e direta.

    A Génese do Realismo em Portugal

    O primeiro aparecimento do Realismo em Portugal deu-se na Questão Coimbrã. Polêmica esta que significou, nas palavras de Teófilo Braga “a dissolução do Romantismo”, nela se manifestaram pela primeira vez as novas idéias e o novo gosto de uma geração que reagia contra o marasmo em que tinha caído o Romantismo.

    O segundo episódio do aparecimento do Realismo em Portugal verificou-se em 1871 nas Conferências do Casino (ou Conferências Democráticas do Casino).

    Nesta nova manifestação da chamada Geração de 70 os contornos do que seria o Realismo apareceram desenhados com maior nitidez. Especialmente através da conferência realizada por Eça de Queiroz intitulada

    realismo como nova expressão da arte.

    Sob a influência do Cenáculo, e da sua figura central Antero de Quental, Eça funde as teorias de Taine, do determinismo social e da hereditariedade com as posições estético-sociais de Proudhon. Atacando o estado das letras nacionais e propondo uma nova arte, uma arte revolucionária, que respondesse ao "espírito dos tempos" (zeitgeist ), uma arte que agisse como regeneradora da consciência social, que pintasse o real sem floreados.

    Para Eça só uma arte que mostrasse efetivamente como era a Realidade, mesmo que isso implicasse entrar em campos sórdidos, poderia fazer um diagnóstico do meio social, com vista à sua cura. Assim reagia contra o espírito da arte pela arte, visando mostrar os problemas morais e assim contribuir para aperfeiçoar a Humanidade.

    Com este cientismo Eça já situava o Realismo na sua posição extrema de Naturalismo.

    Reações

    Pinheiro Chagas atacou Eça. Luciano Cordeiro argumentou que ele próprio já tinha defendido posições parecidas.

    A implantação efetiva do Realismo em Portugal dá-se com a publicação do O Crime do Padre Amaro, seguida dois anos mais tarde pelo Primo Basílio, obras ambas de Eça, que são caracterizadas por métodos de narração e descrição baseados numa minuciosa observação e análise dos tipos sociais, físicos e psicológicos, aparecendo os fatores como o meio, a educação e a hereditariedade a determinarem o caráter moral das personagens. São romances que têm afinidade com os de Émile Zola, com o intuito de crítica de costumes e de reforma social.

    O primeiro destes romances foi acolhido pelos críticos de então com um silêncio generalizado.

    O segundo provocou escândalo aberto. E a polêmica e a oposição entre Realismo e Romantismo estala definitivamente. Pinheiro Chagas ataca Eça considerando-o antipatriota, pelo modo como apresenta a sociedade portuguesa. Chegaram a aparecer panfletos acusando os realistas de desmoralização das famílias (Carlos Alberto Freire de Andrade: A escola realista, opúsculo oferecido às mães).

    Camilo Castelo Branco vai parodiar o Realismo com Eusébio Macário (1879) e voltando a parodiar com A Corja (1880). Mas curiosamente, mesmo através da paródia, Camilo vai absorver a nova escola, como é nítido na novela A Brasileira de Prazins. (1882).

    Entretanto o paladino do Realismo, Eça, vai desorientar os seus seguidores ortodoxos com a publicação de O Mandarim. O que faz com que Silva Pinto (1848-1911) que tinha exposto a teoria da escola realista e elogiado Eça num panfleto intitulado.

    Do Realismo na Arte , vai agora atacar Eça em Realismos , ridicularizando o novo estilo deste. Reis Dâmaso, na Revista de Estudos Livres vai-se insurgir contra a publicação de O Mandarim acusando Eça de ter atraiçoado o movimento.

    Estas acusações não eram infundadas porque de fato Eça já estava a descolar de um realismo ortodoxo para o seu estilo mais pessoal onde o seu humor e a sua fantasia se aliam num estilo único.

    Desde a implantação do Realismo com a conferência de Eça que o movimento logrou um núcleo de apoiantes que se desmultiplicaram em explicar e defender o seu credo estético. esse núcleo resvalou, regra geral, para uma posição mais extremadamente Realista, o Naturalismo, tornando-se ortodoxos e dogmáticos. Os defensores desta posição são José António dos Reis Dâmaso (1850-1895) e Júlio Lourenço Pinto (1842-1907) autor da Estética naturalista que pretendia ser um evangelho do naturalismo. No entanto estes dois autores são fracos do ponto de vista literário e totalmente esquecidos hoje em dia.

    Aqueles que não enveredaram por posições tão rígidas estão menos esquecidos como Luís de Magalhães que nos deixou O Brasileiro Soares (1886) que foi prefaciado por Eça. Outros nomes são Trindade Coelho, Filho de Almeida e Teixeira de Queiroz.

    Por volta de 1890 o Realismo/Naturalismo tinha perdido o seu ímpeto em Portugal.

    Em 1893 o próprio Eça o declarava morto nas Notas Contemporâneas : “o homem experimental, de observação positiva, todo estabelecido sobre documentos, findou (se é que jamais existiu, a não ser em teoria).

    Fonte: www.scribd.com

    Realismo

    Definição

    Embora utilizado em geral para designar formas de representação objetiva da realidade, o realismo como doutrina estética específica se impõe a partir de 1850 na França, triunfando com Gustave Flaubert (1821 - 1880) na literatura e Gustave Courbet (1819 - 1877) na pintura.

    As três telas de Coubert expostas no Salão de 1850, Enterro em Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras, marcam seu compromisso com o programa realista, pensado como forma de superação das tradições clássica e romântica, assim como dos temas históricos, mitológicos e religiosos. O enfrentamento direto e imediato da realidade, com o auxílio das técnicas pictóricas, descarta qualquer tipo de ilusionismo. O pintor é simpatizante das posições anarquistas de Proudhon e tem participação decisiva durante a Comuna de Paris, e seria impossível compreender suas decisões estéticas sem considerar suas escolhas políticas.

    pintura, arte concreta por excelência, se aplica aos objetos reais, às "coisas como elas são".

    A cena do funeral na cidade natal do pintor, Ornans, é criticada por sua feiúra e crueza. As figuras, destituídas de graça, parecem desencontradas nas grandes dimensões da tela. No primeiro plano, o buraco aberto no chão e o semblante algo caricato do padre. Já se observam na obra, nota o historiador norte-americano Meyer Schapiro, a simplicidade e força das imagens ingênuas que povoam a arte popular, com a qual a obra de Courbet mantém muitas afinidades. Os temas banais, distantes dos padrões de beleza clássica e romântica, o trabalho nas aldeias, os ofícios - os Amoladores de Faca, o Paneleiro, os Joeireiros etc. -, a observação direta da natureza, entre outros, afastam Courbet das construções eruditas ou da pintura filosófica que impõe reflexões. Moças à Margem do Sena, 1857, explicita a aderência da forma artística ao real, representa um fragmento da realidade: duas moças da cidade fazendo a sesta à margem do rio, apresentadas sem idealização ou dramatização. Não há nenhuma pretensão do artista em captar os sentimentos das mulheres, assim como a paisagem não almeja ser representação da natureza. Apenas duas figuras, num lugar qualquer. Cenas que Courbet vê e registra. Como ele bem diz a respeito dos seus quebradores de pedras: "Não inventei nada. Todos os dias, ao fazer minhas caminhadas, via as pessoas miseráveis desse quadro". O foco de Courbet na realidade tangível das coisas influencia a pintura de Millet, Daumier e outros pintores de sua época, repercutindo posteriormente nos cubistas. Como aponta Apollinaire em 1913, em Os Pintores Cubistas: "Courbet é o pai dos novos pintores".

    Não é possível esquecer as relações íntimas da fotografia com a tradição realista na pintura, no século XIX e no decorrer do século XX, que mereceriam tratamento à parte.

    Expressões realistas podem ser percebidas em quase todo grupo ou movimento artístico com base em Courbet. Convém lembrar que o construtivista russo Naum Gabo (1890 - 1977) denomina o seu manifesto de realista, em 1920; que as telas monocromáticas de Yves Klein (1928 - 1962) na França dos anos 1960 são apresentadas como um novo realismo e a nova objetividade, de Otto Dix (1891 - 1969) e George Grosz (1893 - 1959), na Alemanha, defende uma atitude realista por excelência. Nesse sentido, acompanhar tendências realistas na arte do século XX obriga a realização de um amplo mapeamento de obras, bastante diferentes umas das outras do ponto de vista estilístico.

    Alguns poucos exemplos parecem suficientes para dar uma visão da disseminação do realismo na arte ocidental e, ao mesmo tempo, de sua variedade. Na Inglaterra do século XIX, os pré-rafaelitas - John Everett Millais (1829 - 1896), William Holman Hunt (1827 - 1910) e Dante Gabriel Rossetti (1828 - 1882) - exercitam uma dicção realista, que, se não tem as preocupações sociais de Courbet, ambiciona a precisão e o detalhamento em trabalhos que tocam motivos históricos e psicológicos, como no célebre Ofélia, 1851/1852, de Millais. Imagens do trabalho e dos trabalhadores, típicas em Millet, aparecem com a década de 1870, em obras de Luke Fildes (1844 - 1927) como Candidatos à Admissão numa Enfermaria Improvisada, 1908, e George Clausen (1852 - 1944) em Trabalho de Inverno, 1883/1884.

    No início do século XX, o grupo de Camden Town associa técnicas pós-impressionistas a temas realistas, por exemplo em trabalhos de Walter Richard Sickert (1860 - 1942) realizados em torno de 1907 e em obras de outros artistas do grupo, como Charles Ginner (1878 - 1952), Harold Gimmer e Spencer Gore (1878 - 1914). Novas feições realistas tingem as obras de gerações posteriores como a de Edward John Burra (1905 - 1976) e William Patrick Roberts (1895 - 1980).

    Na Europa, o período entreguerras conhece o realismo sui generis de Kazimir Malevich (1878 - 1935) - que se opunha ao realismo socialista - e também a obra de Balthus (1908), que tem em Courbet sua referência primeira. Nos Estados Unidos, a produção de Edward Hopper (1882 - 1967), por exemplo, Domingo de Manhã bem Cedo, 1930, é emblemática do estilo realista em sua versão norte-americana.

    No período pós-1945, é possível chamar a atenção para uma retomada do realismo com a arte pop britânica e norte-americana, que convive com outras tendências realistas, como as reveladas nas obras de Lucien Freud (1922).

    O chamado hiper-realismo dos anos 1960 retoma as relações de vizinhança entre tradição realista e fotografia, produzindo, paradoxalmente, efeitos de irrealidade.

    Na produção pictórica brasileira, não se encontram feições realistas como a de Courbet ou Millet.

    realismo, no Brasil, encontra-se traduzido em paisagistas como Georg Grimm (1846 - 1887), Modesto Brocos (1852 - 1936), Benedito Calixto (1853 - 1927), Castagneto (1851 - 1900), Clóvis Graciano (1907 - 1988), José Pancetti (1902 - 1958), entre outros. Os tipos e costumes do interior paulista representados por Almeida Júnior (1850 - 1899) podem ser pensados também com base em uma orientação realista, assim como a pintura social de Candido Portinari (1903 - 1962).

    Podem ser lembradas ainda a exposição de gravadores, Contribuição ao Realismo, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, em 1956, organizada por Mário Gruber (1927), da qual participam o próprio Gruber, além de Vasco Prado (1914 - 1998), Carlos Scliar (1920 - 2001), Glauco Rodrigues (1929 - 2004), Renina Katz (1926) entre outros.

    Referências

    ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti; prefácio Rodrigo Naves. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. xxiv, 709 p., il. color.

    CHALVERS, Ian. Dicionário Oxford de arte. 2.ed. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2001, 584 p.

    MALPAS, James. Realismo. Tradução Cristina Fino. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 80 p., il. color. (Movimentos da arte moderna).

    PERFIL da Coleção Itaú. Texto Stella Teixeira de Barros; curadoria Stella Teixeira de Barros; prefácio Olavo Egydio Setubal. São Paulo: Itaú Cultural, 1998. 256 p., fotos color.

    SCHAPIRO, Meyer. A Arte moderna séculos XIX e XX: ensaios escolhidos. Tradução Luiz Roberto Mendes Gonçalves; prefácio Willibald Sauerlander. São Paulo: Edusp, 1996. 345 p., il. p&b. color. (Clássicos, 3).

    Fonte:  www.itaucultural.org.br

    Realismo

    Um conjunto de traços marca as relações humanas e seu olhar sobre o mundo na segunda metade do século XIX. Esses traços estabelecem um novo panorama na cultura ocidental.

    Também no Brasil aquele período registra profundas mudanças. Alfredo Bosi ensina: “[...] a partir da extinção do tráfico, em 1850, acelerara-se a decadência da economia açucareira; o deslocar-se do eixo de prestígio para o Sul e os anseios das classes médias urbanas compunham um quadro novo para a nação, propício ao fermento de idéias liberais, abolicionistas e republicanas.” [1]

    A literatura da época vincula-se àquelas características.

    Repudiando os mitos do autor romântico, encontra-se, no plano da poesia e da narrativa “um esforço para acercar-se impessoalmente dos objetos, das pessoas” [2]. O escritor realista, afastando-se do ideário romântico, propõe a aceitação da vida como ela é. Assim, distancia-se do subjetivismo e busca no determinismo a explicação para o mundo real. Em substituição à espiritualidade romântica, vê na religião da forma um sentido para sua arte e sua existência.

    Domício Proença Filho lembra que os escritores realistas assumiram as novas concepções e buscavam a verdade “através da observação e na análise da realidade”. Pretendendo desenvolver uma interpretação da vida, o autor realista opta pela narrativa. Os personagens são desenvolvidos como resultado da observação e aparecem “como tipos concretos, vivos”. Enquanto o Romantismo se volta para o passado ou o futuro (idealizados), o Realismo denuncia as desigualdades sociais de sua época. [3]

    “O Realismo se tingirá de naturalismo, no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das ‘leis naturais’ que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito.” [4]

    Referências

    [1] BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3 ed. 10 tir. São Paulo: Cultrix, 1987, p. 181.

    [2] Idem, ibidem, p.186.

    [3] PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura. 15 ed. São Paulo: Ática, 1995, p. 240-243.

    [4] BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3 ed. 10 tir. São Paulo: Cultrix, 1987, p. 187.

    Fonte:  www.cce.ufsc.br

    Realismo

    Entre 1850 e 1880 o movimento cultural, chamado Realismo, predominou na França e se estendeu pela Europa e outros continentes. Os integrantes desse movimento repudiaram a artificialidade do Neoclassicismo e do Romantismo, pois sentiam a necessidade de retratar a vida os problemas e costumes das classes média e baixa não inspirada em modelos do passado. O movimento manifestou-se também naescultura e, principalmente, na arquitetura.

    Os principais representantes no campo da pintura foram Gustave Coubert e Jean François Millet.

    Talvez, o modo mais simples de se definir ou de se entender o que seja Realismo é reproduzir uma frase atribuída Coubert:

    "Não posso pintar um anjo, se nunca vi um". Realismo tem portanto como caracteristica a representação detalhada , da natureza e da vida contemporânea. Sem seguidores eram da sociedade contemporânea. Eles retratavam as desigualdades da condição humana mesmo com o advento da revolução industrial.

    Realismo é um movimento que surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX, influenciado pelas transformações que ali ocorriam no âmbito econômico, político, social e científico. Vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado pelo clima de euforia e progresso material decorrente das inúmeras invenções.

    No entanto os benefícios não eram refletidos nas camadas mais pobres, que ao contrário passam a ter uma condição social cada vez pior.

    Na Revolução de 1948, na França havia tensão entre republicanos e socialistas na França. Por causa do grande desemprego foram criadas turmas de trabalho para a construção de obras públicas em Paris e seus arredores. O Congresso considerava que o pagamento desses funcionários era um pesado fardo para o país. Os empregados foram demitidos. Sem capacidade para sobreviver, organizaram e lutaram sem esperanças contra as forças armadas do governo. As mortes foram elevadas. Os intelectuais e artistas simpatizantes dos movimentos populares, entre eles Millet, foram perseguidos.

    Motivados tanto pelas idéias do socialismo os operários procuram organizar-se politicamente. Fundam então associações trabalhistas e passam a agir melhores condições de trabalho e de vida.

    No âmbito cultural, ocorre uma verdadeira efervescência de idéias. Surgem várias correntes científicas e filosóficas. Entre elas o Positivismo, de Augusto Comte, para o qual o único conhecimento válido é o conhecimento positivo, ou seja, provindo das ciências. Aparece também o Determinismo, de Hippolyte Taine (o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça e o momento histórico)

    No campo da ciência Charles Darwin apresenta a "lei da seleção natual", segunda a qual a natureza ou o meio selecionam entre os seres vivos as variações que estão destinadas a sobreviver e a perpetuar-se, sendo eliminados os mais fracos.

    Os artistas, diante desse quadro de mudança de idéias e da sociedade, sentem a necessidade de criar uma arte sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e realista do que até então vinha fazendo o Romantismo.

    O movimento procura atender às necessidades impostas pelo novo contexto histórico-cultural, através do combate a toda forma romântica e idealizada de ver a realidade, a crítica à sociedade e à falsidade de seus valores e instituições (Estado, Igreja, casamento, família); o embasamento no materialismo, o emprego de idéias científicas.

    Esse era o mundo real de Millet.

    Realismo influenciou muitos artistas. Salvador Dali dizia que a sua obsessão mais forte era Gala, sua esposa, e depois o quadro "Angelus" de Millet.

    Realismo

    Dali era fascinado pelo quadro de Jean François Millet, "Angelus". Isso se tornou uma obsessão, o levando-o a produzir várias interpretações "paranóicas-críticas" das figuras do Angelus. Dali acreditava que havia algo mais no tema do quadro, para ele não era só a reverência da prece vespertina, que se demonstrava, faltava algum elemento fantástico. Dali escreveu em 1938 um livro só sobre este quadro, intitulado: "O trágico Mito do Angelus de Millet". Muitos trabalhos de Dali tinham referência explícita ou escondida ao Angelus.

    Mas por que esse quadro causava tanto fascinio. O que mais ele teria?

    A revelação seria dada pela ciência. Estudos com raios X revelaram algo intrigante e que as suspeitas Salvador Dali tinham fundamento. Foi descoberto que no quadro, Millet havia pintado, originalmente, o filho morto do casal de camponeses. Uma cena forte, expressão porém do real. O pintor, no entanto, achou muito chocante a cena e retocou o quadro para a forma atual, apagando a figura da criança.

    Realismo

    Jean François Millet (1814-1875) era filho de um pequeno fazendeiro da Normandia, norte da França. Millet precocemente mostrou seus dons para a pintura.

    Em 1840 foi convidado para uma exibição no Salon, patrocinado pelo governo francês teve boa aceitação. Após a revolução de 1848 foi perseguido pelas suas tendências socialistas.

    Em 1858 pintou o "Angelus", sua pintura mais famosa, que no século passado foi o quadro mais reproduzido no mundo. No fim de sua vida o seu trabalho tinha alguma afinidade com os impressionistas, apesar de ser diferente nas concepções básicas.

    A marca da obra de Millet são as pinturas retratando a vida no campo. São paisagens bucólicas, com alguma coisa de tristeza, num clima de introspecção.

    Fonte:  www.angelfire.com

    Realismo

    Há uma grande confusão e uma enorme dificuldade na classificação dos artistas e seus trabalhos. Românticos, surrealista, futuristas, modernistas, abstracionistas, cubistas, naturalistas, realistas e um sem número de outros "istas" e "ismos" que confundem, dificultam e eventualmente atrapalham. Às vezes parece fácil uma identificação definitiva: Salvador Dali é um surrealista e pronto! Pronto? Às vezes é complicadíssimo e é claro que o artista pode muito bem executar trabalhos em diversos estilos e abraçar diferentes escolas e movimentos ao mesmo tempo ou ao longo da sua vida. O próprio Dali teve uma fase cubista picassiana - seja lá o que isso signifique - onde já desenhava as costas e nádegas de sua mulher Gala, que ainda não conhecia na época mas já visualizava e imaginava. Aos trabalhos dessa fase, ele, sua irmã e o amigo Frederico Garcia Lorca costumavam chamar de pedaços de imbecilidade.

    Realismo

    Salvador Dali e sua fase cubista picassiana - pedaços de imbecilidade

    Para se entender de tudo isso é preciso ser um estudioso e faz algum tempo que desisti, mas acontece que por conta de CyberArtes as pessoas me perguntam coisas e vou tentando explicar como sei. Não me arvoro de explicações muito elucidativas e espero que vocês aí não fiquem dizendo que eu sou muito metida.

    De São Paulo nos chegaram três e-mails questionando a diferença entre Realismo e naturalismo. Como as três mensagens vieram de Campinas, fico logo interpretando que deve haver algum professor que jogou esse tema para um trabalho escolar e vamos aproveitar para gerar uma matéria para CyberArtes. Olhaí, galera: isso é uma contribuição, mas se vocês pretendem mesmo compreender o assunto a fundo vão ter que pesquisar e estudar.

    Realismo  
    Realismo
    O Ateliê de Coubert e Rembrandt que, com seu jogo de luzes e sombras, influenciou os realistas - história da arte

    Realismo ganhou corpo na metade derradeira do século XIX e os realistas preocupavam-se em apresentar a natureza como ela de fato é.

    Abandonaram a visão romântica ou qualquer outra espécie de emoção ou abordagem para retratar o mundo de uma maneira objetiva. Estavam preocupados, porém, com as questões sociais, com a situação do homem dentro do contexto e exageravam na ênfase a certos aspectos para deixar o mais claro possível o recado social, a denúncia, o protesto.

    Nesse momento, deixavam de ser tão realistas assim. Os realistas negavam a postura do romantismo e apresentavam o mundo nu e cru, como se diz na gíria, enfatizando o recado de protesto. Os naturalistas radicalizaram completamente esse objetivo e negaram a necessidade de enfatizar a denuncia social se isso afastasse o resultado da realidade.

    Nada de enfatizar qualquer aspecto para fortalecer um posicionamento. As coisas devem ser mostradas como de fato são e esse é o único caminho para se compreender e interpretar o mundo. Os naturalistas queriam ser, consequentemente, mais verdadeiros do que os realistas.

    Realismo

    Realismo
    Corot e Russeau - a natureza pintada como ela é, sem a grandiosidade dos antigos paisagistas

    Os realistas tinham como tema principal a dor e o sofrimento inerentes a uma espécie que sobrevive com dificuldade e onde a maior parte dos seres são carentes de melhores condições de vida. Estou falando do bicho homem.

    As cenas escolhidas eram portanto as cenas do cotidiano, da pobreza e da dor. Isso significava um posicionamento político. O grupo que negava a necessidade de posicionamento político e buscava a natureza em sua forma mais natural e verdadeira, denominou-se naturalista.

    Os dois movimentos surgiram, portanto, na mesma época e os nomes se confundem. Como olhar um quadro e classificar se o artista está em uma categoria ou em outra? Se você tiver mesmo que fazer isso está com uma tarefa para especialistas.

    Todo um contexto de vida, todo um posicionamento como artista e como pessoa interferem nessa classificação. Qualquer deslize ou fantasia negaria o naturalismo e cairia no Realismo.

    Realismo, portanto, não é assim tão real. Da mesma maneira como o modernismo não é mais tão moderno, o que hoje se classifica como arte contemporânea continuará com esse nome mesmo quando for coisa do passado.

    Realismo

    Realismo
    Naturalismo e Realismo - cenas simples do cotidiano

    Ao longo da vida, o artista vai modificando o seu pensamento e a sua forma de interpretação. Depois de negar o romantismo, realistas e naturalistas acabaram considerando a necessidade de mostrar a impressão provocada pelo mundo real, como algo mais importante do que a função meramente retratista.

    Ao pintor não caberia competir com a máquina fotográfica e sim expor a impressão provocada. Nascia o impressionismo. O francês Manet (Édouard Manet, 1832-1883) é um nome citado como naturalista,mas é também frequentemente colocado como um dos grandes expoentes do impressionismo.

    É preciso compreender todo um momento histórico e todo um contexto social para pisar firme nesse terreno. Não há espaço em CyberArtes para um debate desse tipo nem para esclarecimentos muito detalhados. E também não há ninguém aqui com qualificações suficientes. É um trabalho de mais intelectualidade e conhecimento do que nos propomos.

    Realismo

    Realismo
    O mundo como ele é - uma maneira de ver as coisas

    Aliás, o terreno das classificações e definições sempre foi muito perigoso e escorregadio. Até hoje ainda não consegui uma definição satisfatória sobre o que é arte, mas apesar disso classifico-me claramente como artista, tenho escrito sobre arte e conversado muito sobre isso tentando manter um bom afastamento da preocupação da intelectualidade.

    Não sou uma intelectual nem desejo ser nada parecido com isso; segundo Ronaldo, para se ser um intelectual o mais importante é parecer intelectual. Um cachimbo é importantíssimo, ele diz. Você deve também decorar uma meia dúzia de palavras tiradas do dicionário e que ninguém conheça.

    É bom decorar uma tese sociológica qualquer sobre a defesa de um grupo minoritário como os catadores de pérolas diante da evolução social como forma de preservação da originalidade humana. Usar barba também é importante, ele esclarece.

    O mais importante de tudo, porém, é manter um certo ar de superioridade e enfado indiferente, mesmo quando você não estiver entendendo nada. Como eu não fumo cachimbo, não tenho chance de usar barba e nem tenho esse ar de superioridade, não posso me passar por intelectual. Tento ser interessada e interessante. Espero nunca ser obsoleta.

    Realismo
    O naturalismo de Stevens e o impressionismo de Claude Monet

    Realismo
    Sucessão de conceitos

    Todos esses movimentos se influenciam mutuamente e aos poucos vão sendo modificados. Dos realistas exagerados surgiu o movimento naturalista e tudo isso acabou por dar origem ao impressionismo. Claro que teria que surgir uma corrente para negar toda a realidade e criar o surRealismo.

    As datas não podem ser exatas e certamente existiram pintores que usavam os princípios impressionistas ou surrealistas muito antes dessas palavras haverem sido empregadas. Nasceram e morreram no anonimato e exerceram - ou não - influência no curso das mudanças provocadas pela arte.

    Outro dia eu estava tentando classificar-me como artista. Cheguei a conclusão de que não sei classificar-me. Usei a palavra inclassificável. Ronaldo usou a palavra desclassificada: não gostei! Ele trocou por doida; Achei melhor.

    Fonte:  www.cyberartes.com.br

    Realismo

    Realismo

    Realismo foi uma escola literária que combatia os ideais românticos. O surgimento ocorreu enquanto o mundo vivenciava o nascimento do socialismo e da segunda Revolução Industrial.

    Realismo em Portugal teve como marco inicial a Questão Coimbrã (1865), quando se defrontam, de um lado, os jovens estudantes de Coimbra, atentos às novas idéias que vinham da França, Inglaterra e Alemanha e, de outro, os velhos românticos de Lisboa.

    Realismo foi inaugurado em 1881 no Brasil. Nesse ano duas obras se destacaram: O mulato, de Aluísio de Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cuba, de Machado de Assis.

    Romance realista

    Narrativa voltada para a análise psicológica e que critica a sociedade e partir do comportamento de determinados personagens, em geral, capitalistas. O romance realista tem caráter documental, sendo o retrato de uma época.

    Romance naturalista

    Marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, em que se valoriza o coletivo. O naturalismo apresenta romances experimentais.

    Autores

    Machado de Assis

    Se destacou como romancista realista. Apesar de ter escrevido obras romancistas, como Ressurreição, A mão e a luva, Helena e Iaiá Garcia.

    Algumas obras realistas de Machado de Assis: Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

    Aluísio de Azevedo

    Escreveu alguns romances românticos, os quais chamou de “comerciais”, pois eram os que mais vendiam. Mas suas maiores obras foram os romances naturalistas, como O mulato, Casa de pensão e O cortiço.

    Fonte:  aprovadonovestibular.com

    Realismo

    "O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; - o Realismo é a anatomia do caráter.

    É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houver de mau na nossa sociedade".

    Eça de Queirós, escritor português

    "Isto não é um romance em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas".

    Machado de Assis, no romance Memórias póstumas de Brás Cubas

    Realismo na Europa

    Realismo é a denominação genérica da reação aos ideais românticos que caracterizou a segunda metade do século XIX. De fato, as profundas transformações vividas pela sociedade européia exigiam uma nova postura diante da realidade; não havia mais espaço para as exageradas idealizações românticas.

    Portanto, o Realismo tem de ser analisado a partir de um novo ponto de referência: a Europa vive a segunda fase da Revolução Industrial, ao mesmo tempo que conhece o desenvolvimento do pensamento científico e das doutrinas filosóficas e sociais. Essas transformações servem de pano de fundo para uma reinterpretação da realidade, que gera teorias de variadas posturas ideológicas.

    Numa sequência cronológica, temos:

    Positivismo de Augusto Comte, preocupado com o real-sensível, com o fato, defendendo o cientificismo no pensamento filosófico e a conciliação entre “ordem e progresso

    Evolucionismo de Charles Darwin, a partir da publicação, em 1859, de “A origem das espécies”, livro em que são expostos os estudos sobre a evolução das espécies pelo processo de seleção natural negando, portanto, a origem divina defendida pelo Cristianismo. Refletindo essa nova ordem, é publicado na França, em 1857, Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerando o primeiro romance realista na literatura universal. Em 1867. Émile Zola lança Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista

    Socialismo Científico de Karl Marx e Friedrich Engels, a partir da publicação do Manifesto comunista, em 1848, que define o materialismo histórico e a luta de classes ("O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, político e intelectual em geral", K. Marx).

    Realismo em Portugal

    Desde o início da década de 1860 os estudantes de Coimbra acompanhavam atentamente o que acontecia de novo nos principais centros culturais da Europa. O acesso a essas informações tornou-os mais críticos em relação à literatura da chamada Escola de Lisboa, cuja visão de mundo romântica consideravam ultrapassada.

    Essas diferentes visões de mundo resultam, em 185, na agitada e polêmica Questão Coimbrã, em que se defrontaram, de um lado, os velhos românticos da Academia de Lisboa e, de outro, os jovens estudantes de Coimbra, seguidores das novas idéias.

    Naquele ano, Antero de Quental afirmava:

    "Todavia, quem pensa e sabe hoje na Europa, não é Portugal, não é Lisboa, cuido eu: é Paris, é Londres, é Berlim. Não é a nossa divertida Academia de Ciências que resolve, decompõe, classifica e explica o mundo dos fatos e das idéias. É o Instituto da França, é a Academia Científica de Berlim, são as escolas de filosofia, de história, de matemática, de física, de biologia, de todas as ciências e de todas as artes, em França, Inglaterra, em Alemanha".

    No trecho transcrito, observa-se que, para o poeta português, o que importava era resolver, decompor, classificar e explicar o mundo dos fatos e das idéias. Em outras palavras, ele defendia o pensamento científico.

    Os últimos anos da década de 1860 registraram grande agitação política, social e cultural, mas os resultados mais importantes só apareceriam na década de 70, após um ciclo de palestras conhecidas como Conferências Democráticas do Casino Lisbonense. Dessas conferências participou, com grande destaque, um jovem que havia mantido alheio à Questão Coimbrã, mas que aderiu ao movimento realista e viria a se tornar um dos mais destacados nomes da literatura portuguesa: Eça de Queirós.

    Das dez conferências previstas inicialmente, apenas cinco foram pronunciadas. O governo fechou o Casino e proibiu as restantes porque, segundo as autoridades, ”atacavam a religião e as instituições políticas do Estado”.

    Realismo no Brasil

    Acompanhando as transformações econômicas, políticas e sociais por que passa a Europa, o Brasil também vive mudanças radicais tanto no plano econômico como no político-social, no período compreendido entre 1850 e 1900, embora com profundas diferenças materiais em relação à Europa.

    A campanha abolicionista intensifica-se a partir de 1850; a Guerra do Paraguai (1864-1870) te como consequência o pensamento republicano – o Partido Republicano foi fundado no ano em que essa guerra acabou; a Monarquia, representada por D. Pedro II, no poder havia 40 anos, sofre uma vertiginosa decadência.

    A Lei Áurea, de 1888, não resolve o problema dos negros, mas cria uma nova realidade. A mão-de-obra escrava é substituída pela mão-de-obra assalariada, representada pelas levas de imigrantes europeus que vinham trabalhar na lavoura cafeeira, tendo início então uma nova economia, voltada para o mercado externo e livre de estrutura colonialista.

    Reflexos dessas mudanças já são sentidos em parte da literatura produzida no final da década de 1860; na década de 70 surge a chamada Escola de Recife, cujas idéias se aproximam do pensamento europeu. O positivismo, o evolucionismo e, principalmente, a filosofia alemã são os inspiradores do Realismo, encontrando ressonância no conturbado momento histórico vivido pelo Brasil, sob o signo do abolicionismo, do ideal republicano e da crise de Monarquia.

    Considera-se 1881 o ano inaugural do Realismo no Brasil, com a publicação de três textos fundamentais, que modificaram o curso de nossas letras: O mulato, de Aluísio Azevedo, considerando o primeiro romance naturalista brasileiro; Memórias póstumas de Brás Cubas e O alienista, de Machado de Assis, primeiras obras realistas de nossa literatura.

    Características do Realismo

    As características do Realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico em que se insere esse movimento literário, refletindo, dessa forma, a postura do positivismo, do socialismo e do evolucionismo, com todas as suas variantes.

    Assim é que o objetivismo aparece como negação do subjetivismo romântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que está diante e fora dele, o não-eu; o personalismo cede terreno ao universalistmo.

    O materialismo leva à negação do sentimentalismo e da metafísica. O nacionalismo e a volta ao passado histórico são deixados de lado; o Realismo só se preocupa com o presente, com o contemporâneo.

    Romance realista

    Cultivado no Brasil por Machado de Assis, é uma narrativa que se volta para a análise psicológica dos personagens e, a partir do comportamento deles, crítica a sociedade. É interessante constatar que os cinco romances da fase realista de Machado apresentam nomes próprios em seus títulos – Brás Cubas; Quincas Borba; D. Casmurro; Esaú e Jacó; Aires -,revelando inequívoca preocupação com o indivíduo.

    O romance machadiano analisa a sociedade através de personagens capitalistas, ou seja, pertencentes à classe dominante: Brás Cubas não produz, vive do capital, o mesmo acontecendo com Bentinho: Já Quincas Borba era louco e mendigo até receber uma herança; o único dos personagens centrais de Machado que trabalhava era Rubião (professor em Minas), mas recebe a herança de Quincas Borba, muda-se para o Rio e não trabalha mais, vivendo do capital. O romance realista é documental, retrato de uma época.

    Romance naturalista

    Foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo e Júlio Ribeiro; o caso de Raul Pompéia é muito particular, pois seu romance O Ateneu ora apresenta características naturalistas, ora realistas, ora impressionistas.

    A narrativa naturalista é marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, em que se valoriza o coletivo; é interessante notar que essa preocupação com o coletivo também está presente nos títulos dos romances naturalistas: O mulato, O cortiço, Casa de pensão, O Ateneu.

    Sobre o romance O cortiço, há uma tese de que o personagem principal não é João Romão, nem Bertoleza, nem Rita Baiana, nem Pombinha, mas o próprio cortiço ou, como afirma Antonio Candido, “o romance é o nascimento, vida, paixão e morte de um cortiço”.

    O naturalismo apresenta também romances experimentais: a influência de Darwin se faz sentir na máxima naturalista que enfatiza a natureza animal do homem: antes de usar a razão, o homem se deixaria levar pelos instintos naturais, não podendo ser reprimido em suas manifestações instintivas – como o sexo – pela moral da classe dominante; a constante repressão levaria às taras patológicas, tão ao gosto naturalista.

    Em consequência, esses romances apresentam descrições minuciosas de atos sexuais e tratam de temas até então proibidos, como o homossexualismo, tanto masculino, como em O Ateneu, quanto feminino, em O cortiço.

    Eça de Queirós

    A obra de Eça de Queirós pode ser vista como um verdadeiro inquérito sobre a sociedade portuguesa de seu tempo e particularmente a lisboeta. Eça critica desde a nobreza decadente, passando pela denúncia de corrupção e corporativismo da igreja católica, pela frouxidão dos costumes e pela improdutividade das classes média e rica, até culminar com a revelação da falta de escrúpulos e excesso de devassidão no seio de famílias privilegiadas.

    Joaquim Maria Machado de Assis

    De origem humilde, frequentou apenas a escola primária. Foi sacristão, tipógrafo, revisor e redator de jornal.

    Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novaes, que influenciou muito sua carreira. Ocupou vários cargos públicos e, juntamente com outros intelectuais, fundou a Academia Brasileira de Letras, sendo eleito seu presidente.

    Iniciou-se como romântico, mas já prenunciava a fase realista, pois jamais teve o pieguismo comum dos românticos. Tendo estruturado uma linguagem sóbria, aplica algum psicologismo nessa sua fase romântica e sobretudo estabelece relações sociais interesseiras entre parte de suas personagens românticas.

    Fonte:  www.revisaovirtual.com

    Realismo

    Realismo
    Gustave Courbet, "Jovem Mulher a Ler".

    Em sentido amplo, realismo é uma atitude de percepção dos fatos como eles são, sem mistificações. Neste sentido, pode se encontrar realismo em qualquer obra de qualquer época. Como estilo literário, surge na França na segunda metade do século XIX com a publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, como oposição ao Romantismo.

    Surgia a necessidade de retratar o homem em sua totalidade, e não de forma idealizada e sonhadora, como faziam os românticos.

    A mulher passa a ser mostrada não mais como pura e angelical, mas de como um ser dotado de defeitos e qualidades. Da mesma forma, a figura do herói íntegro e destemido é substituída pela figura de uma pessoa comum, cheia de fraquezas, problemas e incertezas.

    O CONTEXTO HISTÓRICO

    Na filosofia, o Positivismo, de Augusto Comte, traz a idéia de que apenas o conhecimento oriundo da ciência é válido. Rejeita-se o misticismo na explicação dos fenômenos sociais, que deve ser feita com base na observação e no contato empírico com as leis que os regem mecanicamente.

    Ainda o Determinismo, de Hipólito Taine, parte da idéia de que o comportamento do homem é regido por três forças fatalistas: o meio, a genética e o momento histórico. A influência do meio sobre o homem também é acentuada pelo Drawinismo, de Charles Darwin, em que a natureza seleciona os indivíduos mais fortes, eliminando os mais fracos.

    A política e a sociedade são marcadas pela ascensão das idéias socialistas, surgidas e face das péssimas condições de vida impostas aos trabalhadores como consequência da Revolução Industrial.

    A exploração do homem pelo homem só seria extinta com o fim do Capitalismo e da classe burguesa. A influência destas idéias explica a forte presença, no Realismo, da crítica anti-burguesa e do interesse pela análise das tensões sociais urbanas.

    Destacam-se ainda a crítica à Igreja e seus dogmas e as idéias abolicionistas, trazidas desde o Romantismo com obras de Fagundes Varela e Castro Alves, mas estabelecidas a partir do próprio esclarecimento da sociedade, com o desenvolvimento da imprensa e da literatura.

    CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

    1) Objetivismo (O Não-eu)

    Diferente da oba romântica, centrada na visão particular e subjetiva do autor, a obra realista é centrada no objeto. O autor é como um fotógrafo, que enquadra os fatos como eles são, sem a interferência de suas emoções. O critério adotado é o da isenção e impessoalidade diante da realidade a ser retratada, o que reflete na linguagem utilizada, que é direta e clara, possuindo descrições e adjetivações objetivas.

    2) Senso de observação e análise

    O objeto da obra é submetido à mais criteriosa e minuciosa análise para que se alcance a veracidade na arte. A observação é detalhista e ocorre em dois planos: O externo, que valoriza a descrição das relações sociais e o contato da personagem com o meio e o interno, cuja análise recai sobre o comportamento íntimo e traços e reações psicológicas das personagens. Isso também reflete no tempo da narrativa que é lenta, acompanhando o tempo psicológico.

    3) A arte documental

    Enquanto os românticos se permitem à utilização de truques e exageros narrativos, os realistas são documentais, buscam a veracidade das informações. O enfoque das obras é sobe a sociedade contemporânea, o autor aborda os fatos e as circunstâncias que vivencia. Os fatos e fenômenos abordados são aqueles que podem ser explicados afastando-se a fuga metafísica.

    4) Universalismo

    O Romantismo é marcado pelo interesse sobre os elementos locais, por influência do próprio nacionalismo. No Realismo, a proposta é documentar aquilo que é perene e universal na condição humana.

    AUTORES E OBRAS

    Em Portugal, destacam-se na poesia realista Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro e outros. Eça de Queirós é considerado o Ficcionista mais importante da prosa realista portuguesa e suas principais obras foram “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio”, fortemente influenciado por Madame Bovary, e “Os Maias”, que retrata o tema do incesto, lançando diversas críticas à alta sociedade portuguesa, causando escândalo por sua ousadia.

    No Brasil, o autor de maior destaque foi Machado de Assis, que revela sua genialidade em romances de profunda reflexão e forte crítica social, sendo um dos raros romancistas brasileiros de destaque internacional, tendo diversas obras traduzidas para outros idiomas. Suas principais obras são: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, marco inicial do Realismo no Brasil, “Dom Casmurro”, “Quincas Borba”, “Memorial de Aires”, etc.

    Fonte:  www.portaltosabendo.com.br

    Realismo

    Realismo Realismo Realismo

    Realismo é o movimento artístico que se manifesta na segunda metade do século XIX. Caracteriza-se pela intenção de uma abordagem objetiva da realidade e pelo interesse por temas sociais. O engajamento ideológico faz com que muitas vezes a forma e as situações descritas sejam exageradas para reforçar a denúncia social.

    Realismo representa uma reação ao subjetivismo do Romantismo.

    Sua radicalização rumo à objetividade sem conteúdo ideológico leva ao Naturalismo. Muitas vezes Realismo e Naturalismo se confundem.

    A tendência expressa-se sobretudo na pintura.

    As obras privilegiam cenas cotidianas de grupos sociais menos favorecidos. O tipo de composição e o uso das cores criam telas pesadas e tristes. O grande expoente é o francês Gustave Courbet (1819-1877). Para ele, a beleza está na verdade.

    Suas pinturas chocam o público e a crítica, habituados à fantasia romântica. São marcantes suas telas Os Quebradores de Pedra, que mostra operários, e Enterro em Ornans, que retrata o enterro de uma pessoa do povo.

    Outros dois nomes importantes que seguem a mesma linha são Honoré Daumier (1808-1879) e Jean-François Millet (1814-1875). Também se destaca Édouard Manet (1832-1883), ligado ao Naturalismo e, mais tarde, ao Impressionismo. Sua tela Olympia exibe uma mulher nua que "encara" o espectador.

    Na literatura, o Realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o Parnasianismo e o Simbolismo. O romance - social, psicológico e de tese - é a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e se torna veículo de crítica a instituições, como a Igreja Católica, e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.

    Na passagem do Romantismo para o Realismo, misturam-se aspectos das duas tendências. Um dos representantes dessa transição é o escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac (1799-1850), autor do conjunto de romances Comédia Humana. Outros autores importantes são os franceses Stendhal (1783-1842), que escreve O Vermelho e o Negro, e Prosper Merimée (1803-1870), autor de Carmen, além do russo Nikolay Gogol (1809-1852), autor de Almas Mortas.

    O marco inicial do Realismo na literatura é o romance Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert (1821-1880). Outros autores importantes são o russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), cuja obra-prima é Os Irmãos Karamazov; o português Eça de Queirós (1845-1900), que escreve Os Maias; o russo Leon Tolstói (1828-1910), criador de Anna Karenina e Guerra e Paz; e os ingleses Charles Dickens (1812-1870), autor de Oliver Twist, e Thomas Hardy (1840-1928), de Judas, o Obscuro.

    A tendência desenvolve-se também no conto. Entre os mais importantes autores destacam-se o russo Tchekhov (1860-1904) e o francês Guy de Maupassant (1850-1893).

    No teatro, com o Realismo, problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem torna-se coloquial. O primeiro grande dramaturgo realista é o francês Alexandre Dumas Filho (1824-1895), autor da primeira peça realista, A Dama das Camélias (1852), que trata da prostituição.

    Fora da França, um dos expoentes é o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906). Em Casa de Bonecas, por exemplo, trata da situação social da mulher. São importantes também o dramaturgo e escritor russo Gorki (1868-1936), autor de Ralé e Os Pequenos Burgueses, e o alemão Gerhart Hauptmann (1862-1946), autor de Os Tecelões.

    No Brasil, o Realismo marca mais intensamente a literatura e o teatro.

    Entre os artistas brasileiros, tem maior expressão o Realismo burguês, nascido na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida Júnior (1850-1899), autor de O Descanso do Modelo.

    Mais tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um Realismo mais comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando Fumo.

    Em relação a literatura, o Realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o Parnasianismo e o Simbolismo. O romance é a principal forma de expressão, tornando-se veículo de crítica a instituições e à hipocrisia burguesa.

    Realismo atrai vários escritores, alguns antes ligados ao Romantismo. O marco do movimento é a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época. Ligados ao regionalismo destacam-se Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), autor de Dona Guidinha do Poço, e Domingos Olímpio (1860-1906), de Luzia-Homem.

    No teatro, os problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem passa a ser coloquial. Entre os principais autores estão romancistas realistas, como Machado de Assis, que escreve Quase Ministro, e alguns românticos, como José de Alencar, com O Demônio Familiar, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), com Luxo e Vaidade. Outros nomes de peso são Artur de Azevedo (1855-1908), criador de comédias e operetas como A Capital Federal e O Dote, Quintino Bocaiúva (1836-1912) e França Júnior (1838-1890).

    Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973).

    Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

    Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.

    Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil.

    O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.

    Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas.

    O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).

    Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

    Fonte:  www.spiner.com.br

    Realismo

    1. Conceituação do realismo na literatura

    Oposição ao idealismo e ao romantismo, isto é, à idealização e ao subjetivismo que abordam temas desligados da vida comum, a narrativa realista teve como principais características a localização precisa do ambiente, a descrição de costumes e acontecimentos contemporâneos em seus mínimos detalhes, a reprodução da linguagem coloquial, familiar e regional e a busca da objetividade na descrição e análise dos personagens. O romantismo do final do século XVIII e início do XIX, com sua ênfase no individualismo e na exaltação dos sentimentos, era sua antítese.

    Contudo, a crítica moderna mostrou haver ali certos elementos que prepararam o advento do realismo. Assim, a introdução do concreto na arte, do familiar na linguagem, do documental e do exótico, do método histórico na crítica, foram obra do romantismo. Isso possibilitou que muitos escritores, como Stendhal e Balzac, participassem de ambos os movimentos, com predominância ora da imaginação, ora da observação.

    Honoré de Balzac foi o grande precursor do realismo literário, com a tentativa de criar um detalhado e enciclopédico retrato da sociedade francesa na obra La Comédie humaine (1834-1837; A comédia humana).

    Mas a primeira proposta realista deliberada surgiu apenas na década de 1850, inspirada pela pintura de Courbet. O jornalista francês Jules-François-Félix-Husson Champfleury divulgou o trabalho do pintor e transferiu seus conceitos para a literatura em Le Réalisme (1857).

    No mesmo ano, publicou-se o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Retrato implacável da mentalidade burguesa, com seu exame minucioso das emoções de uma mulher infeliz de classe média, é a obra-prima do realismo e responsável pela sedimentação do movimento na literatura européia.

    Os irmãos Jules e Edmond Goncourt, em Germinie Lacerteux (1864) e outros trabalhos, descrevem grande variedade de ambientes, assim como as relações entre as classes sociais.

    Os princípios do realismo dominaram a literatura européia durante as décadas de 1860 e 1870. Charles Dickens e George Eliot na Inglaterra, Lev Tolstoi e Fiodor Dostoievski na Rússia, e, mais tarde, o jovem Thomas Mann, na Alemanha, todos incorporaram elementos realistas a seus romances.

    Os representantes do movimento adotaram uma concepção filosófica inspirada no positivismo e no determinismo científico de sua época e atitudes liberais, republicanas e anticlericais. Como significativo desdobramento, o naturalismo do final do século XIX e início do XX, que teve como principal expoente Émile Zola, levou às últimas consequências e a detalhes íntimos a proposta de representação fiel do quotidiano comum.

    Na poesia, o realismo encontrou correspondência no parnasianismo, com seu culto da objetividade, da forma impecável, da arte pela arte, tal como foi expressa por Théophile Gautier, Leconte de Lisle e Sully Prudhomme.

    2. Assimilação portuguesa do realismo

    Em Portugal, o movimento realista é da maior importância pela mudança radical que operou na consciência literária e na mentalidade dos intelectuais. Eclodiu com a chamada Questão Coimbrã, polêmica literária que opôs, de um lado, Antero de Quental, Teófilo Braga e a geração de escritores surgida na década de 1860 e, de outro, os representantes da geração anterior.

    Em 1871, Eça de Queirós proferiu uma conferência denominada "Realismo como nova expressão da arte" e, dois anos depois, publicou o conto "Singularidades duma rapariga loira", considerado a primeira narrativa realista escrita em português.

    A arte nova, para seus principais representantes, devia consistir na observação e experiência, na análise psicológica dos tipos, no esclarecimento dos problemas humanos e sociais, no aperfeiçoamento da literatura, isenta da retórica, da fantasia, da arte pura. Era uma arte revolucionária.

    O crime do padre Amaro (1875) e O primo Basílio (1876), de Eça de Queirós, consolidaram o realismo português.

    Em ambos os romances, a descrição minuciosa e a análise psicológica baseada em princípios deterministas, nas idéias da hereditariedade e influência do meio, além da severa crítica de costumes, tomam nítida feição naturalista.

    Apesar da oposição do público e da crítica, o movimento progrediu com José-Francisco de Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Francisco Teixeira de Queirós. Na década de 1890, o realismo, confundido ao naturalismo, perdera muito de sua força. Mais que uma escola literária, o realismo português pode ser considerado um novo sentimento e uma nova atitude, em reação ao idealismo romântico.

    3. Realismo no Brasil

    O forte caráter ideológico que permeou o realismo europeu, tanto na pintura como na literatura, não teve correspondente exato no Brasil. Mais precisamente, foram consideradas realistas as obras brasileiras que, por características anti-românticas, não se enquadravam nas classificações da época e denotavam uma nova estética.

    Nesse sentido mais amplo, pode-se dizer que traços realistas estiveram presentes em obras anteriores ao surgimento da ficção propriamente brasileira, como no teatro de costumes de Martins Pena e na poesia de Gregório de Matos. Contemporaneamente ao movimento europeu, a estética realista manifestou-se no país com a geração de 1870, especialmente em Recife, com o grupo liderado pelos críticos literários Tobias Barreto e Sílvio Romero, em reação ao romantismo decadente.

    Na ficção, a obra de Machado de Assis e Raul Pompéia aprofundou o realismo psicológico, além do ambiental. O ateneu (1888), de Raul Pompéia, foi romance ousado e surpreendente para sua época, enquanto Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1907), de Machado de Assis, apresentam inovações também do ponto de vista da linguagem e da estrutura formal. O naturalismo de Zola inspirou as obras de Aluísio Azevedo, Inglês de Sousa e Adolfo Caminha.

    realismo brasileiro acabou também por provocar uma espécie de tomada de consciência geral em todos os campos do conhecimento, traduzida, inclusive, em participação política ativa de numerosos intelectuais, que desde essa época começaram a interessar-se mais objetivamente pelos problemas nacionais e suas soluções.

    Superado o realismo como escola, permanece a idéia, que lhe é essencial, de aproximar cada vez mais a arte da vida.

    As tendências contemporâneas prosseguem buscando-a, como o provam tendências estéticas inspiradas no socialismo, na psicanálise e no existencialismo, tais como o realismo socialista, o expressionismo e o nouveau roman.

    realismo no teatro orientou, no final do século XIX, os textos e as montagens no sentido da naturalidade e da reprodução do quotidiano. Henrik Ibsen e August Strindberg na Escandinávia, Anton Tchekhov e Maksim Gorki na Rússia, entre outros, rejeitaram a linguagem poética, a declamação e a dicção artificial e usaram ação e diálogos calcados no comportamento e fala diários. Os cenários retratavam o mais fielmente possível os ambientes.

    Fonte:  www.geocities.com

    Realismo

    Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura francesa, uma nova tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades, O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade.

    Esses novos ideais estéticos manifestaram-se em todas as artes:

    Pintura

    Caracteriza-se sobretudo pelo princípio de que o artista deve representar a realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fenômeno da natureza. Ao artista não cabe “melhorar” artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é. Sua função é apenas revelar os aspectos mais característicos e expressivos da realidade.

    Em vista disso, a pintura realista deixou completamente de lado os temas mitológicos, bíblicos, históricos e literários, pois o que importa é a criação a partir de uma realidade imediata e não imaginada.

    A volta do artista para a representação do real teve uma consequência: sua politização. Isso porque, se a industrialização trouxe um grande desenvolvimento tecnológico, ela provocou também o surgimento de uma grande massa de trabalhadores, vivendo nas cidades em condições precárias e trabalhando em situações desumanas. Surge então a chamada “pintura social”, denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia.

    Dentre os representantes da pintura realista podemos apontar Gustave Courbet(1819-1877) "Moças peneirando trigo" e Édouard Manet(1832-1883) "Olympia", que desenvolveram tendências diversas.

    Escultura

    Não se preocupou com a idealização da realidade, ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiram os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras.

    Dentre os escultores do período realista, o que mais se destaca é Auguste Rodin (1840-1917), cuja produção desperta severas polêmicas. Já seu primeiro trabalho importante, A Idade do Bronze (1877), causou uma grande discussão motivada pelo seu intensorealismo.

    Alguns críticos chegaram a acusar o artista de tê-lo feito a partir de moldes tirados do próprio modelo vivo. Mas é com São João Pregando (1879), que Rodin revela sua característica fundamental: a fixação do momento significativo de um gesto humano. Essa mesma tentativa de surpreender o homem em suas ações aparece em O Pensador (foto 25)seguramente sua obra mais conhecida.

    Quanto aos retratos, nem sempre Rodin foi fiel à preocupação naturalista de reproduzir os traços fisionômicos do seu modelo.

    escultura que fez de Balzac (foto 26), por exemplo, chegou a ser recusada pe la Sociedade dos Homens de Letras de Paris que a encomendara, pois não havia semelhança física entre a obra e o retratado. O que o escultor fez foi privilegiar, à suamaneira, o caráter vigoroso que a personalidade do escritor lhe sugeria, o que o envolveu numa grande polêmica.

    Na verdade, até mesmo a classificação da obra de Rodin como realista é controvertida. Alguns críticos a consideram romântica por causa da forte emoção que traduz. Mas outros enfatizam no trabalho desse escultor o acentuado e predominante caráter naturalista. Há ainda os que vêem na escultura de Rodin características do Impressionismo, movimento do qual também foi contemporâneo e que revolucionou, na época, a pintura européia

    Arquitetura

    Ao adaptar-se ao novo contexto social, tende a tornar-se realista ou científica, os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de fábricas, estações ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia.

    As quatro fases da Pintura

    Durante a primeira metade do século XIX, enquanto o Neoclassicismo se debatia com o Romantismo, o Realismo surge como uma nova força, que iria dominar a arte na segunda metade do século.

    Realismo fez sempre parte da arte ocidental. Durante a Renascença, os artistas superaram todas as limitações técnicas para representar com fidelidade a natureza.

    Mas, no Realismo, os artistas modificaram os temas e insistiam na imitação precisa das percepções visuais sem alteração. Os artistas foram buscar no seu mundo cotidiano, moderno, as principais temáticas, deixando de lado deuses, deusas e heróis da antiguidade. Camponeses e a classe trabalhadora urbana passaram a dominar as telas dos realistas.

    O pai do movimento realista foi Gustave Courbet ( 1819 - 77 ). Ele insistiu que "a pintura é essencialmente uma arte concreta e tem de ser aplicada às coisas reais e existentes". Quando lhe pediram que pintasse anjos, respondeu: "Nunca vi anjos. Se me mostrarem um, eu pinto ".

    Nunca antes tinha sido realizado em tamanho épico - reservado somente para obras históricas grandiosas - uma pintura sobre gente comum ( "Enterro em Ornams ). Defendia em altos brados a classe trabalhadora e foi preso por seis meses por danificar um monumento napoleônico. Detestava a teatralidade da arte acadêmica.

    Jean- François Milllet ( 1814 - 75 ) está sempre associado a retratos de trabalhadores rurais arando, semeando e colhendo. Nascido de uma família camponesa, disse uma vez que desejava "fazer com que o trivial servisse para exprimir o sublime". Antes dele, os camponeses eram invariavelmente retratados como estúpidos. Millet lhes deu uma dignidade resoluta.

    CARACTERÍSTICAS

    1. O artista utiliza todo o conhecimento sobre perspectiva para criar a ilusão de espaço, como também a perspectiva aérea, dando uma nova visão da paisagem ou da cena (vista superior aérea).

    2. Os volumes são muito bem representados, devido à gradação de cor, de luz e sombra.

    3. Há preocupação de representar a textura, a aparência real do objeto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)

    4. O desenho e a técnica para representar o corpo humano são perfeitas.

    5. Voltados para o desejo de representar a realidade tal e qual ela se apresenta e voltados para temáticas de ordem social e política, os realistas pintam em geral trabalhadores, cenas do cotidiano e da modernidade.

    INOVAÇÕES DE DAUMIER ( 1808 - 1879 )

    Em Honoré Daumier vamos buscar as inovações relativas à cor e à luz. Já despreocupado em representar exatamente a realidade do objeto, Daumier se preocupa em trazer à pintura uma atmosfera irreal. Há sempre um espaço aéreo luminoso, mas é como uma foto desfocada, sem contornos nítidos. A isto, chamaremos de perspectiva aérea; quanto mais distante do observador, os detalhes dos objetos perdem a nitidez.

    A atmosfera criada pela luz retira a sensação de volume dos corpos. As pinceladas são bem visíveis e Daumier renuncia à ilusão da matéria, isto é, das pessoas A textura do tecido não existe mais. Existe apenas a textura da própria pincelada. A cor deixa de ser a cor real. Ele se utiliza de claro-escuro. Há falta de sensação de espaço, de volume, matéria e cor, mas principalmente falta o desenho. Precisamos aprender a compreender o que o pintor quer demonstrar quando deforma.

    Fonte:  www.bepeli.com.br

    Realismo

    Movimento artístico que surgiu depois da Revolução Francesa, manifestando uma reação contra o idealismo romântico. Os artistas realistas começaram a criar a partir de sua experiência e baseando-se na observação do mundo que os rodeava. Caracteriza-se por abordar a realidade e temas sociais, representando algumas vezes cenas exageradas, para enfatizar problemas sociais da época.

    Não produziu um estilo arquitetônico próprio; sua escultura, de pouca expressão, era crítica e social, mas se destacou na pintura com temas da vida cotidiana, de grupos sociais menos favorecidos.

    Realismo fundou uma Escola artística que surge no século XIX em reação ao Romantismo e se desenvolve baseada na observação da realidade, na razão e na ciência.

    Além de uma oposição a um realismo fotográfico.

    Realismo é um movimento artístico surgido na França, e cuja influência se estendeu a numerosos países europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objecto de ação contra o capitalismo progressivamente mais dominador.

    Das influências intelectuais que mais ajudaram no sucesso do Realismo denota-se a reação contra as excentricidades românticas e contra as suas falsas idealizações da paixão amorosa, bem como um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ciências exatas e experimentais e pelo progresso técnico.

    A passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objetivo.

    O termo realismo, de uma maneira geral, é utilizado na História da Arte para designar representações objetivas, sendo utilizado como sinônimo de naturalismo. Normalmente implica numa não idealização dos objetos representados e numa preferência por temas ligados ao homem comum e à existência cotidiana.

    Entretanto, em meados do século XIX, Gustave Courbert, com a crença na pintura como uma arte concreta, que deveria ser aplicada ao real, acaba por se tornar o líder de um movimento chamado Realista, juntamente com Édouard Manet.

    Realismo
    Gustave Courbert - Cortadores de Pedra

    Esse movimento, especialmente forte na França, reagia contra o Romantismo e pregava o fim dos temas ligados ao passado (como temas mitológicos) ou representações religiosas em nome de uma arte centrada na representação do homem da época, em temas sociais e ligados à experiência concreta.

    Um dos primeiros pintores considerados realistas é Jean-Baptiste Camille Corot (1796 - 1875) que, com sua pintura de paisagens provocou a admiração de artistas posteriores como Cézanne. Foi um dos pioneiros a considerar os desenhos que realizava ao ar livre como obras acabadas, que não necessitavam dos estúdios. "Ilha de São Bartolomeu" é um exemplo de sua obra.

    Realismo
    Camille Corot - A Ponte de Nantes

    Extremamente importante para o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza "com novos olhos", seguindo a inspiração do paisagista inglês John Constable, que exibiu suas obras em Paris na década de 20 do século passado.

    Seu nome deriva-se da reunião de um grupo de pintores na aldeia francesa de Barbizon, floresta de Fontainebleau. Buscava distanciar-se da pintura tradicional, concentrando-se em aspectos da vida cotidiana de homens simples, como os camponeses do local. Jean-François Millet (1814 - 1875) era um de seus principais líderes.

    Millet foi um dos pioneiros a incluir a representação de figuras entre os objetos que deveriam ser representados de forma realista (o realismo de Corot, por exemplo, restringia-se mais às paisagens). Queria pintar cenas da vida real, sem apelos dramáticos, como atesta sua tela "As Respigadeiras" em que três mulheres não idealizadas, com movimentos lentos, pesados e corpos fortes e robustos trabalham na terra.

    Diferentemente do neoclassicismo, quando representava figuras no campo, esse quadro não possui exaltação ou idílio da vida fora da cidade, apesar de valorizar o ato de colheita pelo arranjo e equilíbrio da pintura. Theodore Rousseau (1812 - 1867) e Narcisse-Vergille eram outros nomes de destaque dentro da escola Barbizon, conhecidos por seus trabalhos com as paisagens e estudos de luz e cor que iriam posteriormente influenciar movimentos como os Impressionistas.

    Gustave Courbet, com sua busca da "verdade" nas representações e sinceridade em suas representações, bem como seu objetivo de "chocar" a burguesia com o rompimento dos padrões estéticos acadêmicos foi outra grande influência para os artistas da época, que se baseavam em seu estilo para realizar suas pinturas.

    Honoré Daumier (ver caricatura), com suas estampas satíricas, normalmente visando atacar a política de sua época, é outro expoente importante e diferenciado do Movimento Realista. "Rua Transnonain, 24 de abril de 1874" é um dos trabalhos do artista em que a crítica social é mais enfatizada. Mostra soldados massacrando a população em represália às revoltas da época, ressaltando a desumanidade do ataque governamental.

    Realismo também se espalha fora da França, em especial na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Na Inglaterra é especialmente expresso pela "Irmandade Pré-Rafaelita" (ver primitivismo) que acreditavam que a arte, a partir de Rafael, passou a desvalorizar a verdade em busca de uma beleza idealizada.

    Deveriam, portanto, voltar à época anterior ao mestre Renascentista. A irmandade tinha ainda forte apelo religioso, pretendendo exaltar Deus através de suas pinturas "sinceras". "A Anunciação", de Dante Gabriel Rossetti é uma importante obra dessa escola.

    Na Alemanha, destacam-se Adolph von Menzel (1815 - 1905), Hans Thoma (1839 - 1934) e especialmente Wilhelm Leibl (1844 - 1900), com sua obra mais conhecida "Três Mulheres numa Igreja de Vila". As fiéis são retratadas de maneira simples e forte, com atenção aos detalhes e influências de mestres alemães do passado como Dürer.

    Nos Estados Unidos, destacam-se Winslow Homer (1836 - 1910), com suas cenas da vida e paisagem americana e as da Guerra Civil e Thomas Eakins, que assimilou o Realismo em seu treinamento em Paris. Chegou mesmo a perder seu posto de professor na Academia de Belas Artes da Pensilvânia por insistir na observação de modelos nus em suas aulas de desenho.

    Pintura

    Realismo surgiu na arte francesa, com o declínio dos estilos neoclássico e romântico. Seus primeiros sinais aparecem em pinturasque mostravam a delicadeza da natureza, como as obras de Camille Corot. Entre as décadas de 1830 e 1840, quatro artistas franceses se instalaram na pequena cidade de Barbizon e formaram um grupo, que ficou conhecido como a Escola de Barbizon.

    Realismo
    Jean François Millet - A Fiadeira

    Eram eles: Charles Daubigny, Jules Dupret, Jean François Millet e Théodore Rousseau. Seus quadros eram simples, com pastagens, florestas e cabanas que contrastavam com os estilos anteriores.

    O primeiro grande pintor da pintura realista foi Gustave Coubert, que surgiu em meados do século XIX. Pintava com tanta precisão que muitas de suas obras foram consideradas como protesto social.

    Suas pinturas ajudaram a mudar o mundo das artes. Inspirados nos trabalhos de Rembrandt e outros mestres alemães, os realistas achavam que deveriam retratar o que viam ao seu redor.

    Destacam-se neste estilo

  • Camille Corot
  • Charles Daubigny
  • Jean François Millet
  • Théodore Rousseau
  • Gustave Courbet
  • Escultura

    Na escultura realista, os escultores preferiam temas contemporâneos, envolvidos muitas vezes em motivos políticos. Substituíram os deuses antigos por novos heróis da vida moderna: pessoas comuns do povo, retratando seus momentos e ações, conseguindo mostrar o significativo do gesto humano.

    Arquitetura

    Entre 1850 e 1900 surge uma nova tendência estética chamada Realismo.

    arquitetura beneficiou-se com o avanço da tecnologia contemporânea.

    Abriram-se novas perspectivas para os profissionais da arquitetura e engenharia, facilitadas pelo impulso da industrialização e outra realidade para a urbanização das cidades, com o uso dos novos materiais como o vidro, o ferro, o aço, o cimento e principalmente o concreto armado.

    Surgiu a necessidade das novas construções para a modernização das cidades como fábricas, estações ferroviárias, armazéns, bibliotecas, moradias, escolas, hospitais, enfim, tudo que atendesse ao chamamento da nova realidade de vida tanto dos operários quanto da burguesia.

    Fonte:  www.zaapnet.com

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