A regra básica da concordância verbal manda que o verbo concorde com o sujeito gramaticalmente. O verbo, porém, pode concordar, por atração. Pode, ainda, deixar de concordar com o sujeito, para concordar com o predicativo.
A) Quando os substantivos são sinônimos ou têm sentidos aproximados, o sujeito, embora composto, pode deixar o verbo no singular:
a) O medo e a covardia destrói a auto-estima.
b) A pureza e a inocência ainda comove.
B) Quando o sujeito composto está posposto (após o verbo), o verbo pode concordar apenas com o mais próximo, por atração:
a) Morava ali o fazendeiro e as filhas.
b) Morreu o jumento e todas as ovelhas, por causa da seca.
C) Se o sujeito composto contiver pronomes pessoais, a Norma aconselha que o verbo concorde, no plural, com o núcleo pronominal que for mais predominante. A 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª:
a) Ele e teu pai são sócios. (3ª pessoa com 3ª pessoa)
b) Sereis amaldiçoados vós e vossa geração. (2ª pessoa e 3ª pessoa)
c) Tu e ela decidireis tudo juntos. (2ª pessoa e 3ª pessoa).
d) Seremos felizes tu e eu. (2ªº pessoa e 1ª pessoa)
D) No caso de o sujeito composto possuir núcleos unidos pela conjunção ou, o verbo concordará com o núcleo mais próximo, se essa conjunção indicar retificação ou exclusão:
a) O culpado ou os culpados serão punidos.
b) O pai ou a mãe ficará com a criança, após o divórcio.
Obs. Se a idéia expressa no verbo puder se referir a qualquer dos núcleos, indiferentemente, o verbo irá para o plural:
a) Uma maçã ou uma pêra me satisfariam neste momento.
E) Quando o sujeito composto tem núcleos unidos pela conjunção com, o verbo pode ficar no singular, por atração com o núcleo singular, que queremos enfatizar:
a) Abandonou a fazenda o sertanejo com todos os filhos.
b) Leonardo, com seus colegas, pichou a parede da sala.
F) Se o sujeito composto tiver os núcleos unidos pela conjunção nem, o verbo ficará no singular, se a idéia expressa pelo verbo se refere apenas a um dos núcleos e não pode se referir aos dois:
a) Depois do divórcio, nem o pai nem a mãe ficará com a criança.
b) Nem Conde nem Cabral será eleito prefeito.
Obs. Se a idéia puder se referir a qualquer um dos núcleos, o verbo ficará no singular ou no plural:
a) Nem o Valle nem o Bittar será eleito deputado (= nem o Valle será nem o Bittar será...)
b) Nem o Valle nem o Bittar serão eleitos deputados.
G) Sujeito composto com núcleos correlacionadas pode levar o verbo ao singular ou ao plural. Se quiser enfatizar o núcleo mais próximo, deixe o verbo no singular:
a) Não só o professor, mas também o médico merecem as atenções do Governo.
b) Não só o professor, mas também o médico merece as atenções do Governo.
H) O verbo ficará no singular se o sujeito é um substantivo coletivo no singular:
a) O pelotão descansou após a batalha.
b) O enxame penetrou na sala.
Obs. Caso o sujeito coletivo tenha substantivo no plural, o verbo ficará gramaticalmente no singular, mas poderá ficar no singular, se a intenção for enfatizar a ação individual dos elementos da expressão coletiva:
a) Um enxame de abelhas invadiu a casa.
b) O enxame de abelhas invadiram a casa, por todos os lados.
Obs. Há uma diferença se sentido no verbo invadir. Em a você imagina o enxame entrando em massa. Em b, imaginamos o enxame disperso, as abelhas não são vistas como um enxame. Podem ser vistas, individualmente, em todos os lugares da casa.
I) As expressões a maior parte, grande número etc deixam o verbo gramaticalmente no singular, mas pode levar o verbo a concordar, por atração, no plural, com o substantivo, se houver substantivos nessas expressões coletivas:
a) A maior parte faltou à aula.
b) A maior dos alunos faltou à aula.
c) Grande número de peixes morreram com a poluição.
d) Grande número de peixes morreu com a poluição.
J) Com as expressões um e outro, nem um nem outro, o verbo pode ficar no singular ou no plural, indiferentemente.
a) Um e outro merece / merecem o presente.
b) Nem um nem outro compareceu / compareceram à reunião.
L) A expressão um ou outro deixa o verbo no singular:
a) Um ou outro remédio lhe fará bem.
b) Uma ou outra jovem aceitará sua companhia.
M) Com a expressão um dos que, o verbo deve ficar no plural. Essa expressão indica que algo ou alguém se destaca de um grupo de coisas ou pessoas.
Atualmente há uma tendência em deixar o verbo no singular, por atração com a palavra um:
a) Geraldo é um dos que mais trabalham por essa escola.
b) O Colégio Carmela Dutra é um dos que mais se esforçam para educar o aluno.
A concordância feita gramaticalmente se baseia, por exemplo, na letra a, no fato de que várias pessoas trabalham muito pela escola, e que Geraldo é uma dessas pessoas.
N) A expressão mais de um deveria deixar o verbo gramaticalmente no plural, mas, como no item anterior, há uma tendência em se deixar o verbo no singular, por atração com a palavra um:
a) Mais de um aluno ficou em recuperação.
b) Mais de um aluno ficaram em recuperação.
Às vezes, a idéia de plural dessa expressão fica mais evidente quando há reciprocidade.
Neste caso, a concordância por atração seria inadmissível: o verbo tem de ficar no plural:
a) Mais de um deputado se agrediram na Câmara.
b) Mais de uma candidata se abraçaram após a divulgação do resultado.
O) Embora a Norma Culta aconselhe que, no casos de expressões com pronomes pessoais, a concordância se faça com a pessoa gramatical que prevalecer, ela aceita a concordância por atração.
Nas expressões quais de vós e alguns de nós, por exemplo, há pessoas gramaticais diferentes dentro de cada uma delas: quais (3ª pessoa do plural) e vós (2ª pessoa do plural); alguns (3ª pessoa do plural) e nós (1ª pessoa do plural):
a) Quais de vós aceitareis essa verdade ?
b) Quais de vós aceitarão essa verdade ?
c) Alguns de nós faremos tudo para aprender.
d) Alguns de nós farão tudo para aprender.
e) Quantos de nós não teremos amado em vão ?
f) Quantos de nós não terão amado em vão ?
Em a, c e e, a concordância se faz, gramaticalmente, com aquela pessoa gramatical que, de conformidade com a Norma Culta, deve prevalecer. Nos demais exemplos, a concordância se faz por atração com o pronome indefinido interrogativo.
P) Na situação de sujeitos, o pronome quem leva o verbo, gramaticalmente, à 3ª pessoa, e que deixa o verbo na mesma pessoa em que estiver o nome antecedente:
a) Eras tu quem sonhava com esta viagem.
b) Somos nós quem se encarregará disso tudo.
c) És tu que mereces o prêmio.
d) Fui o primeiro que terminou a prova.
Essa regra não é rígida:
a) Sou eu quem paga isso. (concordância gramatical)
b) Sou eu quem falo agora. (concordância por atração com o sujeito da oração anterior).
Q) Alguns nomes próprios locativos, embora estejam no plural, se referem a um local único ou unificado. Estados Unidos, Países Baixos, Campinas, Minas Gerais, Campos Elísios, Laranjeiras, Ramos, Umbuzeiros etc. Alguns desses nomes ainda guardam o sentido de unificação de unidades distintas. Nesse caso, até hoje aceitam o artigo plural.
São exemplos em que o sujeito leva o verbo ao plural:
a) Os Estados Unidos não aceitam mais imigração de mexicanos.
b) Os Países Baixos não exportam mais tais produtos.
Os demais nomes citados não têm artigo pluralizados e isso deixa claro que não se trata de um conjunto de coisas, embora tenham forma de plural. Sabemos que, enquanto Estados Unidos é um locativo que lembra a união de diversos estados confederados, os demais nomes são simples denominações de locais considerados unidades indecomponíveis.
Deixam, portanto, o verbo no singular:
a) Campinas não fica tão distante. (nome de cidade)
b) A Umbuzeiros ficou alagada. (nome de rua)
c) Laranjeiras foi prejudicado pelas obras. (nome de bairro)
A concordância não se faz com a palavra, mas com a idéia de localidade: A cidade (Campinas)...; A Rua (Umbuzeiros)...; O bairro (Laranjeiras)...
No caso de título de obras (livro, jornal, filme, peça teatral, novela, programa de rádio ou TV) esses títulos, ainda que tenham forma de plural , deixam o verbo no singular. O fato de terem artigo plural não muda essa regra: o verbo estará concordando com a idéia singular de romance, jornal, filme etc):
a) Os Lusíadas emociona os portugueses até hoje.
b) Bonés é acentuado graficamente.
c) Paulo Afonso foi considerada um monumento nacional.
d) Os Trapalhões hoje começará às oito horas.
e) Dois-pontos não será empregado nessas frases.
f) Quatro-olhos não larga os livros nunca.
Essa concordância que se faz, não com apalavra presente na frase mas com uma idéia, é chamada de concordância ideológica. Os nomes destacados em negrito são formas resumidas: obra Os Lusíadas, palavra bonés, cachoeira Paulo Afonso, programa Os Trapalhões, sinal dois-pontos, menino quatro-olhos (= de óculos).
Quando exemplos como esses aparecem com o verbo concordando, no plural, não se trata então de título de coisas ou pessoas, mas sim da pessoa ou coisa em si.
Aí a concordância se faz gramaticalmente:
a) Bonés possuem abas.
b) Os lusíadas inspiravam Camões. (= os portugueses).
c) Os trapalhões desembarcam hoje no Galeão.
d) Os dois pontos darão a vitória ao Flamengo.
e) Do quarto dos gêmeos, quatro olhos olhavam fixamente para mim.
R) Você já aprendeu que, se um verbo é impessoal, ele não tem sujeito, e se não tem sujeito, não ficará no plural como se tivesse concordando com um sujeito.
Então vamos apenas acrescentar o seguinte: o auxiliar de um verbo impessoal fica também impessoal, no singular:
a) Devia haver nesse cofre dois mil reais.
b) Deve fazer dois anos que ele se formou.
S) A expressão de realce é que não interfere na concordância entre o sujeito e o verbo:
a) Nós é que sabemos a verdade.
b) As crianças é que falam com sinceridade.
T) Com as expressões comparativas bem como, assim como, como, há sujeito composto. O verbo concordará com o primeiro núcleo, pois a intenção é destacar esse núcleo:
a) O saci, bem como a mula-sem-cabeça, não existe.
b) Paulo César, como seu pai, se formou em Biologia.
Se, contudo, a intenção não é comparar, mas englobar os dois núcleos, o verbo irá para o plural:
a) Tanto Paulo quanto Francisco conseguiram aprovação.
b) A matemática bem como a Filosofia devem ser estudadas.
U) Verbos que indicam marcação de horas, como bater, soar, dar, concordam com o número de horas indicado no sujeito:
a) Iam dar duas horas.
b) Naquele momento, começaram a bater as seis horas.
c) Soavam as dez horas, quando cheguei.
d) Bateram nove horas na torre da igreja.
Se o sujeito for expressões como relógio, sino, o verbo concordará com elas:
O sino da igreja bateu nove horas.
Fonte: www.geocities.com
O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
Ex: Bancários iniciam campanha eleitoral.
Quando o sujeito composto vier anteposto ao verbo, o verbo irá para o plural.
Ex: O milho e a soja subiram de preço.
Obs.: Quando os núcleos do sujeito forem sinônimos, o verbo poderá ficar no singular ou no plural.
Ex: Medo e terror nos acompanha (acompanham) sempre.
Quando os núcleos do sujeito vierem resumidos por tudo, nada, alguém ou ninguém, o verbo ficará no singular.
Ex: Dinheiro, mulheres, bebida, nada o atraía.
Quando o sujeito for formado por núcleos dispostos em gradação (ascendente ou descendente) o verbo ficará no singular ou no plural.
Ex: Uma briga, um vento, o maior furacão não os inquietava (inquietavam).
Quando o sujeito composto vier posposto ao verbo, o verbo irá para o plural ou concordará apenas com o núcleo do sujeito que estiver mais próximo.
Ex: Chegou o pai e a filha. Chegaram o pai e a filha.
Quando o sujeito composto for formado por pessoas gramaticais diferentes, o verbo irá para o plural na pessoa que tiver prevalência. 1º , 2º , 3º. 2º , 3º.
Ex: Eu, tu e ele fizemos o exercício.Tu e ele fizeste / fizeram.
Quando os núcleos do sujeito vierem ligados pela conjunção "ou" , o verbo ficará no singular se houver idéia de exclusão. Se houver idéia de inclusão o verbo irá para o plural.
Ex: Pedro ou Antônio será o presidente do clube. (Exclusão) Laranja ou mamão fazem bem a saúde. (Inclusão)
Com a expressão "um dos que" o verbo ficará no singular e no plural. O plural é construção dominante.
Ex: Você é um dos que mais estudam (estuda).
Quando o sujeito for constituído das expressões "mais de", "menos de", "cerca de" o verbo concordará com o numeral que segue as expressões.
Ex: Mais de uma pessoa protestou contra a lei.Mais de vinte pessoas protestaram contra a decisão.
Obs.: Com a expressão "mais de um"pode ocorrer o plural:- Quando o verbo dá idéia de ação recíproca (troca de ações).
Ex: Mais de uma pessoa se abraçaram.- Quando a expressão "mais de um" vem repetida.Ex: Mais de um amigo, mais de um parente estavam presentes.
Se o pronome interrogativo ou indefinido estiver no singular o verbo só concordará com ele. Se esses pronomes estiverem no plural o verbo concordará com ele ou com o pronome pessoal.
Ex: Qual de nós?Alguns de nós.Qual de nós viajará? Quais de nós viajarão (viajaremos)?
Quando o sujeito for um coletivo o verbo ficará no singular.
Ex: A multidão gritava desesperadamente.
Obs.:- Quando o coletivo vier seguido de um adjunto no plural, o verbo ficará no singular ou poderá ir para o plural.
Ex: A multidão de torcedores gritava (gritavam) desesperadamente.
Quando o sujeito de um verbo for pronome relativo "que", o verbo concordará com o antecedente deste pronome.
Ex: Sou eu que pago.
Quando o sujeito de um verbo for um pronome relativo "quem", o verbo concordará com o antecedente ou ficará na 3º pessoa do singular concordando com o sujeito quem.
Ex: Sou eu quem paga (pago).
Quando o sujeito for formado por nome próprio que só tem plural, não antecipado de artigo, o verbo ficará no singular; se o nome próprio vier antecipado de artigo o verbo irá para o plural.
Ex: Minas Gerais possui grandes fazendas.Os Estados Unidos são uma nação poderosa.
Os verbos impessoais ficam sempre na 3º pessoa do singular.
Ex: Faz 5 anos...Havia crianças na fila.
Obs.:- Também fica na 3º pessoa de singular o verbo auxiliar que se põe junto a um verbo impessoal formando uma locução verbal.
Ex: Deve haver crianças na fila.- O verbo existir não é impessoal.
Ex: Existiam crianças na fila.Devem existir crianças na fila. (O verbo auxiliar de um verbo pessoal concordará com o sujeito).
Com os verbos "dar", "bater", "soar" se aparecer o sujeito"relógio"a concordância se fará com ele; se não aparecer com o sujeito "relógio" a concordância se fará com o número de horas.
Ex: O relógio deu cinco horas.Deram cinco horas no relógio da matriz. ... relógio da matriz: Adjunto adverbial de lugar.
Quando o sujeito for formado por um pronome de tratamento o verbo irá sempre para 3º pessoa.Vossa Excelência leu meus relatórios?
Quando "se" funcionar como partícula apassivadora o verbo concordará normalmente com o sujeito da oração.
Ex: Pintou-se o carro.Alugam-se casas.
Quando o "se" funcionar como Índice de Indeterminação do Sujeito o verbo ficará sempre na 3º pessoa do singular.
Ex: Precisa-se de secretária.Vive-se bem aqui.
O verbo parecer, seguido de infinitivo admite duas construções:
Flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo.
Flexiona-se o infinitivo e não flexiona-se o verbo parecer.
Ex: Os prédios parecem cair.Os prédios parece caírem.
a- Quando, em predicados nominais, o sujeito for representado por um dos pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO: o verbo ser ou parecer concordarão com o predicativo.
Ex.: Tudo são flores./Aquilo parecem ilusões.
Poderá ser feita a concordância com o sujeito quando se quer enfatizá-lo.
Ex.: Aquilo é sonhos vãos.
b- O verbo ser concordará com o predicativo quando o sujeito for os pronomes interrogativos QUE ou QUEM.
Ex.: Que são gametas?/ Quem foram os escolhidos?
c- Em indicações de horas, datas, tempo, distância: a concordância será com a expressão numérica
Ex.: São nove horas./ É uma hora.
Em indicações de datas, são aceitas as duas concordâncias pois subentende-se a palavra dia.
Ex.: Hoje são 24 de outubro./ Hoje é (dia) 24 de outubro.
d- Quando o sujeito ou predicativo da oração for pronome pessoal, a concordância se dará com o pronome.
Ex.: Aqui o presidente sou eu.
Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem pronomes, a concordância será com o que aparece primeiro, considerando o sujeito da oração.
Ex.: Eu não sou tu
e- Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se fará com o predicativo.
Ex.: O menino era as esperanças da família.
f- Nas locuções é pouco, é muito, é mais de, é menos de junto a especificações de preço, peso, quantidade, distância e etc, o verbo fica sempre no singular.
Ex.: Cento e cinqüenta é pouco./ Cem metros é muito.
g- Nas expressões do tipo ser preciso, ser necessário, ser bom o verbo e o adjetivo podem ficar invariáveis, (verbo na 3ª pessoa do singular e adjetivo no masculino singular) ou concordar com o sujeito posposto.
Ex.: É necessário aqueles materiais./ São necessários aqueles materiais.
h- Na expressão é que, usada como expletivo, se o sujeito da oração não aparecer entre o verbo ser e o que, ficará invariável.Se aparecer, o verbo concordará com o sujeito.
Ex.: Eles é que sempre chegam atrasados./ São eles que sempre chegam atrasados.
Autora: Adriana Cristina Mercuri Pinto