Você gosta de comida japonesa? Então, já deve ter presenciado alguém tomando missoshiru (sopa de soja) com colher, gesticulando com o hashi na mão, arrastando a molheira com o hashi, ou espetando o hashi no arroz. Esses pequenos deslizes podem passar despercebidos em um almoço ou jantar informal. Mas, de acordo com a etiqueta social japonesa, são gafes imperdoáveis.
É claro que no Brasil, essas regras se tornaram mais flexíveis, uma vez que foram adaptadas aos modos da nossa sociedade. Um exemplo: os japoneses têm o costume de fazer barulho enquanto tomam sopas como misoshiro, lâmen e sômen. Para nós, esse costume parece falta de educação.
Abaixo, separamos algumas dicas para não passar vergonha em uma reunião informal em um restaurante japonês:
Seja bem-vindo
Quando se entra em um restaurante japonês, é um costume alguém recepcioná-lo
com um sonoro irashaimase (seja bem-vindo). Basta o cliente responder com
um aceno com a cabeça.
A toalhinha

Aquela toalha que o garçom traz logo que os clientes chegam é para limpar as mãos, assim que se sentam à mesa. Depois de limpar as mãos, é só coloca-la sobre a mesa novamente, sem dobra-la. No Japão é hábito limpar a testa, o rosto inteiro. Se você for fazer isso, explique ao seu acompanhante que no Japão é um hábito comum.
Ordem dos pratos
No caso de uma refeição simples, com missoshiru, arroz, misturas e tsukemono, há uma ordem exata para degustar os alimentos? Não. Geralmente os japoneses começam pelo sashimi, mas não há uma ordem exata.
Enquanto se espera pelo prato é bom pedir uma entrada leve. Também não há nada de errado em pedir uma entrada quente antes de comer sashimi. Antes e durante a refeição é bom pedir chá verde para preparar o paladar para o próximo prato.
Bebendo saquê

O massú é aquele recipiente quadrado usado para o saquê frio e o tyoko é o recipiente para o saquê quente. Eles devem ser segurados com as duas mãos. Se o massú vier acompanhado por um pires, o que geralmente acontece, a pessoa deve pegar apenas o massú e leva-lo à boca. Nunca se inclinar à mesa.
Briga de palitinhos

A maneira correta de pegar o hashi é sempre do meio para cima, nunca na parte inferior, pois dificulta o movimento. Nunca se deve espetar o hashi na vertical, pois isso se refere a morte, missa e rituais religiosos. Chupar a ponta do hashi também é falta de educação. Evite apontar para as pessoas ou gesticular com o hashi na mão.
O hashi sempre deve ser apoiado no suporte próprio para isso, de preferência, paralelo ao corpo, pois é mais fácil de pegá-lo depois. O ideal é que fique o mais escondido possível e que não aponte para as outras pessoas. No caso de não haver apoiador, faça um dobrando a própria embalagem do hashi.
Utilização dos molhos

Os molhos só devem ser utilizados com peixe cru. Nos sushis com alga e recheio de legumes não se deve colocar shoyu. No caso do sushi, devemos mergulhar a parte do peixe no shoyu e não o arroz, pois pode desmanchar. Além disso, o arroz já é temperado e o peixe não. Tanto o sushi quanto os espetinhos devem ser segurados com a mão e não com o hashi.
O sushi deve ser degustado numa única bocada. Os bons restaurantes fazem os sushis no tamanho certo para isso. Quando há opção de molhos, o anfitrião deve oferecer mas não colocar o molho no prato dos convidados, pois cada um se serve se quiser. O harumaki pode ser cortado com garfo e faca.

No caso do missoshiro, deve se levar o tchawan próximo à boca. Para tomar o caldo, pode continuar segurando o hashi ou descansa-lo. Nunca tome o caldo manipulando o hashi no tchawan.
No caso do lamen e do udon, o barulho acontece por causa do comprimento dos fios do macarrão. Para não cortá-los a pessoa acaba fazendo aquele barulho, mas não é falta de educação não fazer o barulho.
O caldo do lamen pode ser tomado com uma colher própria, que já vem junto com o prato. No final, a pessoa pode levar o tchawan do lamen à boca.
Qual a maneira exata de pegar os tchawan?
Sempre com a mão direita e nunca colocar o dedo polegar para dentro do tchawan. No caso das mulheres, o certo é pegá-lo com as duas mãos.
Garfo e faca?
Não é falta de educação. Mas se o anfitrião convidou o cliente para almoçar em um restaurante japonês, é aconselhável que ele saiba manipular o hashi. No caso do convidado se encontrar numa situação como essas, não é falta de educação pedir talheres, pois a nossa cultura é ocidental. Mas é preciso tentar com o garfo e a faca ter a mesma conduta do hashi.
Antes de pedir os talheres, é aconselhável pedir aquele hashi que é preso pelas pontas superiores, se assemelhando a uma pinça. A maioria dos restaurantes japoneses tem esses hashis para as pessoas que não sabem manipular os hashis.
Comer peixe

Geralmente esses peixes têm a posta bem solta. É só escava-la com o hashi. Nunca segure um hashi em cada mão, é desnecessário.
Fonte: madeinjapan.uol.com.br
A cozinha japonesa prima pela harmonia de todos os seus elementos, pois o seu povo cultua muito a natureza nos mínimos detalhes. Todos os pratos são servidos e apresentados com extrema sensibilidade.
Na etiqueta, a regra não poderia ser diferente. Foram os samurais que estabeleceram a ética de conduta por volta do século XVI. Com o passar do tempo estas regras se popularizaram. Um dos exemplos clássicos está na maneira de servir as pessoas: a mão direita significa que se trata de um aliado, e a esquerda um inimigo.
Não se deve cravar um hashi em um restaurante ou casa japonesa em nenhum alimento. Esta atitude só é permitida nos oratórios, templos budistas ou shintoístas para as pessoas que já morreram.
Existe um ritual especial à mesa para tomar o saquê. Levante o seu copinho para receber a bebida, servida sempre por seu vizinho de mesa, apoiando-o com a mão esquerda e segurando-o com a direita. É imprescindível que você sirva o seu vizinho de mesa porque não é de bom tom servir a si próprio.
O copo de saquê deve sempre ficar cheio até o final da refeição. A tradição manda fazer um brinde, Campai, esvaziando o copinho num só gole. É sinal de hospitalidade e atenção.
Faz parte da etiqueta produzir barulhinhos ao comer macarrão ou tomar sopas. Mas atenção: arrotar é considerado extrema falta de educação!
Fonte: culinaria.terra.com.br