O Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, é um verme parasita cujo ciclo de vida se completa em apenas um hospedeiro. Vive no intestino dos porcos e homens, onde se nutre de alimentos já digeridos, e provoca a doença denominada ascaridíase. A lombriga adulta chega a medir 49 com de comprimento. O homem adquire a ascaridíase ao ingerir ovos de lombriga em verduras mal lavadas e água contaminada. Ao atingirem o intestino, esses ovos liberam uma larva, que perfura a parede intestinal e atinge a circulação sanguínea. Através da circulação, as larvas atingem o fígado, o coração e os pulmões.
Nos pulmões, podem perfurar a parede dos alvéolos e subir pelos brônquios até atingir a faringe. São novamente deglutidas e, ao atingirem o intestino, dão origem ao verme adulto. Possuem sexos separados e reproduzem-se por fecundação cruzada, sendo que os numerosos ovos formados são eliminados com as fezes. Caindo em local inadequado, podem contaminar os alimentos e a água que, ingeridos pelo homem, determinarão o início de um novo ciclo de vida do Ascaris lumbricoides, cujo ciclo pode ser melhor compreendido pelo esquema mostrado na . A profilaxia dessa parasitose pode ser feita através do tratamento da água e dos esgotos e pelo cuidado com verduras cruas, que devem ser sempre bem lavadas antes da ingestão. Deve-se também impedir que hortas sejam adubadas com fezes humanas.
No ciclo de vida do Ancylostoma duodenale também não existe um hospedeiro intermediário. O ciclo se completa em apenas um hospedeiro o homem do mesmo modo que o ciclo do Ascaris lumbricoides. O Ancylostoma duodenade e outra espécie semelhante a ele denominada Necator americorifício retal são parasitas do intestino humano, causando a doença chamada ancilostomose, ancilostamíase, necatoríase ou ainda, amarelão; são animais que possuem ao redor da boca lâminas cortantes que provocam lesões na parede do intestino humano. A pessoa infectada perde sangue através dessas lesões, tornando-se anêmica e de aspecto amarelado, de onde vem o nome de amarelão. Além de anemia, essa parasitose provoca diarréia, úlceras intestinais e geofagia (desejo de comer terra).
O Ancylostoma duodenale reproduz-se sexuadamente no intestino, e os ovos formados são liberados juntamente com as fezes. Caindo em local inadequado, podem contaminar o solo, onde dão origem a larvas. A contaminação pode ocorrer através da ingestão dos ovos dos vermes ou se um homem estiver andando descalço por locais contaminados, as larvas penetrarão na sua pele, cairão na circulação sanguínea e serão conduzidas até o intestino, onde se transformarão em vermes adultos, reiniciando o ciclo (Figura 5.16). O animal adulto mede cerca de 15 mm de comprimento. A profilaxia dessa doença pode ser feita através do tratamento de esgotos, evitando que fezes humanas sejam depositadas de modo que possam resultar em contaminação do solo por ovos dos vermes; uso de calçados e evitar a contaminação de alimentos e água.

Ciclo de vida de Ancylostoma duodenale
O Ancylostoma braziliensis é um parasita intestinal de cães e gatos. Os vermes adultos alojam-se no intestino destes animais, reproduzindo-se sexuadamente e os ovos formados são eliminados juntamente com as fezes. No solo, eclodem dos ovos as larvas, que podem penetrar ativamente na pelo de cães e gatos e entrar na corrente sanguínea até atingir o intestino desses animais, onde dão origem aos adultos reiniciando o ciclo. As larvas de Ancylostoma braziliensis, no entanto, podem penetrar ocasionalmente na pelo do homem, dando origem a uma parasitose conhecida como bicho-geográfico. Como o homem não é o hospedeiro normal desse parasita, as larvas ficam se deslocando pela pele irritando-a e deixando sobre ela linhas avermelhadas. No homem, as larvas não se transformam em adultos, ficando restritas a pele. A profilaxia dessa doença pode ser feita tratando-se os cães e gatos parasitados e evitando-se deixá-los sobre tanques de areia ou de terra onde as crianças brincam e os adultos entram em contato.
A Wuchereria bancrofti, também denominada vulgarmente filaria, causa o homem a helefantíase, ou filariose. O nome dado a essa doença é devido ao grande aumento do volume dos membros, principalmente nas pernas da pessoa afetada. No ciclo de vida desse parasita, o hospedeiro intermediário é o mosquito do gênero Culex, que, ao picar uma pessoa, transmite larvas da filaria. Estas dão origem ao verme adulto, que mede cerca de 10 mm de comprimento e que se localiza nos vasos linfáticos, obstruindo a circulação da linfa. Como a circulação linfática tem por função retirar o excesso de líquidos dos tecidos, sua obstrução resulta em inchaço local (Figura 5.17). A profilaxia dessa doença pode ser feita através do combate ao inseto vetor e do isolamento de tratamento das pessoas doentes. Essa parasitose é comum na região amazônica e no Nordeste brasileiro.

Elefantíase, causada por Wuchereria bancrofi
A espécie Enterobius vermicularis, conhecida durante muito tempo com o nome de Oxyurus vermicularis, é um parasita intestinal humano que causa a enterobiose ou oxiurose. Essa parasitose é mais comum em crianças e caracteriza-se por náuseas, vômitos, dores abdominais e um intenso prurido retal. O prurido decorre da migração de fêmeas do parasita repletas de ovos, para a região retal, provocando irritação no local. Quando o indivíduo parasitado coça a região retal e leva os dedos contaminados à boca, ele pode ingerir os ovos que ao chegarem ao duodeno, liberam as larvas. Estas migram para as porções terminais do intestino delgado, sofrem metamorfose, dando origem aos adultos, que copulam, reiniciando o ciclo. Este parasita também completa seu ciclo de vida em um único hospedeiro.
A via de transmissão do Enterobius por auto-infestação é muito comum em crianças e rara nos adultos. Outra via de transmissão é mediante a contaminação de alimentos pelas mãos. Medidas higiênicas são, portanto, fundamentais na profilaxia dessa doença.
O filo Mollusca (moluscos) possui representantes no ambiente marinho, na água doce e no ambiente terrestre. O nome dado ao filo refere-se ao fato de esses animais possuírem o corpo mole (mollis = mole). São exemplos de moluscos as ostras, os caracóis, as lesmas, as lulas e os polvos.
Muitos moluscos secretam uma estrutura calcária denominada concha, que, na maioria dos casos, representa um exoesqueleto calcário abrigando e protegendo o corpo mole do animal. Os caracóis e as ostras são exemplos de moluscos com concha externa. Entretanto, nem todos os moluscos a possuem. A lula, por exemplo, apresenta uma concha interna reduzida, enquanto a lesma e o polvo não têm concha alguma.
Alguns moluscos são muito apreciados como alimento pelo homem. É o caso das ostras (Crassostrea rhyzophorae) e dos mexilhões (Perna perna), ambos intensamente comercializados no litoral brasileiro. Essas espécies são inclusive cultivadas para consumo humano. Além destes, também são consumidos polvos e lulas.
Os exemplos mais conhecidos do filo Annelida (anelídeos) são as minhocas e as sanguessugas, enquanto que, do filo Arthropoda (artrópodes) os representantes mais conhecidos são os insetos em geral, os crustáceos (lagosta, camarão, caranguejo, siri, etc.) e os aracnídeos (aranhas, escorpiões, ácaros, carrapatos, etc.).
Destes, para a área de alimentos, os que despertam algum interesse são os crustáceos, devido a sua ampla utilização na alimentação, principalmente dos ribeirinhos.
O filo Chordata (cordados) reúne animais que possuem em comum as seguintes características exclusivas:
Estrutura de sustentação que corresponde a um bastonete maciço, flexível, situado na linha mediana dorsal do corpo. Ocorre em todos os cordados, pelo menos na fase embrionária. Em muitas espécies a notocorda desaparece durante o desenvolvimento embrionário e não ocorre nos adultos.
Estruturas que ocorrem pelo menos na fase embrionária. Em algumas espécies, as fendas branquiais (ou fendas faringeanas) persistem nos adultos; em outras, desaparecem durante o desenvolvimento embrionário
O sistema nervoso origina-se de invaginação da ectoderme dorsal do embrião. Nos animais não-cordados, o sistema nervoso é ventral ou difuso.
Os cordados podem ser divididos em dois grupos, com base na ausência ou presença de vértebras: Protochordata (protocordados): não possuem vértebras. A única estrutura de sustentação é a notocorda, que pode estar ausente nos adultos. Vertebrata (vertebrados) que possuem vértebras. A notocorda desaparece durante o desenvolvimento embrionário, sendo substituída pela coluna vertebral. No entanto, é importante ressaltar que não é a notocorda que dá origem à coluna vertebral.
Outra possível divisão dos cordados baseia-se na ausência ou presença de crânio:
Acrania: não possui crânio (são todos protocordados) e
Craniota: possuem crânio (são todos vertebrados).
Entre os vertebrados, é possível agrupar os animais com base nas seguintes características:
a) Pisces ( peixes )
Vertebrados aquáticos com respiração por brânquias durante toda a sua vida e possuidores de nadadeiras como estruturas que, embora participem da locomoção, têm por função básica a manutenção do equilíbrio do animal na água. Não possuem patas
b) Tetrapoda ( tetrápodes )
Vertebrados terrestres com quatro patas, respiração por pulmões durante toda a vida, ou apenas na fase adulta. Os anfíbios são tetrápodes, e muitas de suas espécies possuem larvas aquáticas com respiração branquial; os adultos, entretanto, são terrestres e respiram por pulmões
a) Agnatha (agnatos)
Não possuem mandíbula (a = sem, gnato = mandíbula). Os agnatos são também denominados Cyclostomata (ciclostomados), possuem a boca arredondada
b) Gnathostomata (gnatostômitos ou gnatostômatas)
Possuem mandíbula (gnato = mandíbula, stoma = boca);
Anexo embrionário que delimita uma cavidade cheia de líquido (cavidade amniótica) onde o embrião se desenvolve:
a) Anamniota (anamniotas)
Vertebrados que não possuem âmnio. São os peixes e os anfíbios
b) Amniota
Vertebrados que possuem âmnio. Essa estrutura é uma das responsáveis pelo surgimento e sucesso dos vertebrados tipicamente terrestres, que não necessitam da água para a reprodução. Ela começou a surgir a partir dos répteis, ocorrendo nas aves e nos mamíferos.
REFERÊNCIAS
MARCONDES, Ayrton. Biologia. Volume único. São Paulo: Editora
Atual, 1998.
LOPES, Sônia. Bio. Volume 2. 1ª Edição. São Paulo: Editora Saraiva, 1997
Fonte: docentes.anchieta.br