
Detalhe do cilindro vascular de Ranunculus sp. As setas indicam as células
de passagem.
Na região de absorção da raiz primária, as paredes das células da endoderme apresentam um espessamento de suberina, em forma de fita, completamente impermeável, que se estende ao redor das paredes radiais e transversais dessas células, denominada estria ou faixa de Caspary . Esta faixa suberimizada é formada durante a diferenciação da célula endodérmica e faz parte da parede primária das células. A deposição da suberina, nestas estrias, é contínua desde a lamela média, e nesta região a membrana plasmática também encontra-se fortemente ligada a essas estrias, formando assim, uma região de forte adesão entre o protoplasma das células endodérmicas e suas paredes, bem como, entre as paredes de células endodérmicas vizinhas.
Como as células da endoderme estão perfeitamente justapostas, se deixar espaços espaços entre si, e ainda se encontram fortemente ligadas umas às outras, pelas estrias de Caspary, fica assegurado que somente as substâncias que passam pela seletividade da membrana plasmática, cheguem ao xilema, e daí sejam conduzidas para o restante do corpo da planta.
Nas espécies, que apresentam crescimento secundário (dicotiledôneas e gimnospermas lenhosas), as células endodérmicas não desenvolvem nenhum outro tipo de espessamento além das estrias de Caspary e, eventualmente, são eliminadas junto com o córtex durante o crescimento secundário.
No entanto, nas raízes que não apresentam crescimento secundário, especialmente entre as monocotiledôneas, a endoderme permanece e apresenta modificações de parede. Nas regiões mais velhas destas raízes, acima da região de absorção, as paredes das células endodérmicas vão sendo recobertas por uma lamela de suberina ou endodermina e num terceiro estágio, são recobertas uma espessa camada de celulose lignificada. Esse espessamento secundário pode se dar de modo uniforme em todas as paredes da célula ou ser irregular, mais fino, ou mesmo ausente, nas paredes tangenciais externas, o que leva as células endodérmicas a adquirirem o aspecto de U, quando vistas em cortes tranversal.
Nestas raízes, as células da endoderme em frente aos elementos do protoxilema, não desenvolvem esses espessamentos secundários, continuando apenas com as estrias de Caspary, e são denominadas "células de passagem" . Estas células continuam a permitir a passagem de água e sais através da membrana plasmática, mesmo nestas reriões mais velhas das raízes, o que já não acontece mais, nas células endodérmicas que sofreram os espessamentos adicionais de parede.
As raízes das plantas parasitas, geralmente, não apresentam endoderme, uma vez que a seleção do material a ser transportado nestas plantas, já foi feita pela endoderme da planta hospedeira.
Fonte: www.anatomiavegetal.ib.ufu.br

Camada celular uniserial da raiz vegetal primária que separa o córtex do cilindro central das plantas vasculares. Pode estar presente também no caule, onde, contudo, é muito pouco visível.
As células da endoderme possuem, em suas paredes radiais, incrustações de suberina e lignina, que formam a chamada estria de Caspary. Esta envolve radialmente todo o perímetro celular e caracteriza-se pela ausência de plasmodesmos. A conseqüente diminuição de permeabilidade das paredes celulares radiais suprime o transporte apoplasmático de substâncias entre córtex e cilindro central. As substâncias têm então de passar, necessariamente, através das células endodérmicas.
Durante o desenvolvimento primário da raiz, a endoderme possui grande capacidade de crescimento. Esta característica torna-se particularmente importante por ocasião da formação endógena das raízes secundárias a partir do periciclo, acompanhada pela divisão e alongamento das células endodérmicas vizinhas. Além disso, as células endodérmicas de certas raízes continuam a dividir-se anticlinalmente durante os estágios iniciais do espessamento secundário
O espessamento secundário das células endodérmicas consiste na acrustação de suberina sobre a superfície interna da parede celular endodérmica. Forma-se assim a chamada endoderme secundária. A produção das lamelas de suberina resulta da polimerização de compostos graxos insaturados, realizada por oxidases e peroxidases. Estas são trazidas à endoderme através do floema, o que explica a localização das células de passagem (vide adiante) próximas ao xilema (raramente próximas ao floema).
Quando ainda há o acúmulo de camadas de celulose, principalmente sobre a parede tangencial interna, forma-se a chamada endoderme terciária. Às vezes, ocorre também a lignificação das paredes celulares da endoderme. Algumas células, contudo, localizadas antes dos vasos, não sofrem deposição secundária de suberina, celulose ou lignina e permanecem como células de passagem de substâncias. Fica assim garantido o transporte radial de água e sais na raiz.
Fonte: www.estudeonline.net