

O súber é um tecido secundário, muito leve e elástico, formado pelo câmbio suberofelogénico e apenas presente em caules lenhosos.
As células do súber são mortas devido á deposição na parede secundária de suberina. A suberina é uma substância lipídica, tornando estas células impermeáveis aos gases e à água.
Ao contrário da epiderme, o súber é um tecido com diversas camadas de células, podendo atingir espessuras importantes, como no caso dos carvalhos ou dos sobreiros, onde forma a cortiça.
Quando se forma, o súber substitui a epiderme nas suas funções de protecção, impedindo a perda de água e protegendo o frágil floema.
Dado que se trata de um tecido impermeável, é necessário que estas camadas de células sejam interrompidas a espaços regulares, possibilitando as trocas gasosas com o meio. Essas zonas de interrupção designam-se lentículas
Fonte: curlygirl.naturlink.pt

Para além das importantes propriedades que possibilitam a exploração industrial da cortiça, a regeneração deste tecido vegetal garante que a sua exploração decorra, de nove em nove anos, de forma sustentada.
O Homem habilidosamente transformou a antiga floresta impenetrável em sistemas agro-silvo-pastoris, como é o caso do montado de sobro. Abriu as florestas, limpou o mato apetecível para o fogo, podou os sobreiros para regularizar a produção de bolotas, arroteou os campos sob coberto, e a brenha hostil deu lugar a searas e pastos arborizados, com uma elevada diversidade biológica.
No montado de sobro, a pecuária e a agricultura estão associadas à prática dominante, que é a subericultura. Com desbastes sistemáticos suprimiu-se as árvores produtoras de má cortiça, de forma que ainda hoje nos orgulhamos de produzir a melhor cortiça do mundo.
Desde os tempos mais remotos que a técnica de descortiçamento atingiu um equilíbrio raro na exploração de recursos naturais. O equilíbrio entre a superfície de descortiçamento e a estatura dos sobreiros é perfeita e requintada e ciclicamente, de nove em nove anos, procede-se à extracção deste valioso tecido vegetal, que os sobreiros se encarregam de regenerar.
Mas, afinal, o que é que os sobreiros têm de diferente para que se possa explorar de nove em nove anos as espessas pranchas de cortiça, ou seja, a “casca” dos seus troncos?
A cortiça que se extrai dos sobreiros, é um tecido vegetal denominado em histologia botânica por felema ou por súber.
O súber é formado pelo tecido de divisão celular (um meristema secundário) mais externo ao tronco dos sobreiros, e é denominado por felogene ou câmbio subero-felodérmico. Este meristema divide-se para o exterior para formar o súber, e para o interior para formar a feloderme. O conjunto felema-felogene-feloderme corresponde à periderme da árvore (o correspondente à nossa pele).

Todos os anos, os sobreiros formam uma nova periderme, ficando as velhas no seu exterior, constituindo o ritidoma ou casca do sobreiro. Como a felogene origina poucas fiadas de células para o interior (i.e. origina uma feloderme muito estreita), e produz faixas largas de felema para o exterior, a periderme de um sobreiro é quase na sua totalidade constituída por súber ou felema.
A periderme forma-se como tecido de protecção dos troncos, ramos e raízes, substituindo as funções da epiderme. Todas as plantas têm epiderme, mas com o início do chamado crescimento secundário, a epiderme é substituída pela periderme.
Os sobreiros têm uma felogene especial, em parte devido à sua longevidade. A primeira felogene forma-se no inicio do crescimento secundário, na periferia do tronco, e mantém-se activa nos períodos de crescimento vegetativo dos anos seguintes, cessando a sua actividade apenas pela sua morte ou lesões do exterior.

Mas além da longevidade, a felogene do sobreiro tem outras vantagens, que a tornam única, e possibilitam a exploração contínua e sustentada da cortiça. A felogene é contínua ao longo do perímetro, formando cilindros de cortiça relativamente uniformes, tem a capacidade de se regenerar e produz grandes quantidades de tecido suberoso.

O primeiro súber do sobreiro é a cortiça virgem. Quando se retira a cortiça virgem do sobreiro, a vida da primeira felogene é interrompida. A separação da cortiça faz-se ao nível da primeira felogene, levando à regeneração de uma nova felogene que mantém as mesmas características de longevidade da primeira e que vai originar uma nova periderme.
A cortiça segundeira apresenta vantagens relativamente à cortiça virgem, como sejam o menor número de sulcos longitudinais que apresenta. A cortiça virgem apresenta muitos sulcos devido às tensões provocadas pelo aumento do diâmetro do tronco.
A partir da terceira cortiça tirada, a chamada cortiça amadia
já não apresenta os sulcos, e é esta que serve de base
à exploração industrial. Por outro lado, a felogene das
cortiças amadias produzem grandes quantidades de súber
em cada período de crescimento activo anual, só assim atingindo
espessuras suficientes para o fabrico de peças maciças, como
as rolhas.
A cortiça virgem só pode ser retirada quando os troncos têm
perímetros superiores a 70 cm, podendo-se realizar os cortes de cortiça
seguintes de nove em nove anos, pelo que quando se extrai a primeira cortiça
amadia os sobreiros têm já cerca de 40 anos.
A prática cíclica ao fim de cada nove crescimentos anuais após o primeiro corte da cortiça virgem é permitida, como vimos, pela felogene especial dos sobreiros e pode-se assim concluir que a exploração da cortiça é uma exploração sustentada, de alto valor económico e que mantém sistemas únicos de elevada biodiversidade, que são os montados de sobro.
Bibliografia
Graça, J. e Pereira, H. (1997). Formação e desenvolvimento da primeira periderme no sobreiro. Relações com as características da cortiça amadia. Departamento de Engenharia Florestal, Instituto Superior de Agronomia.
Moreira, I. (1980). Histologia Vegetal. Didática Editora,
Lisboa.
Nuno Leitão
Fonte: www.naturlink.pt