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Renascimento



Engels, em sua vasta obra, informa que em momentos de grave crise histórica a humanidade produz gênios.

O Renascimento pode ser compreendido a partir deste principio, uma vez tratar-se de momento gravíssimo de crise terminal do Modo de Produção Feudal.

A nova ética, a nova moral da burguesia, enfim, exigia o fim do cavalheirismo medieval. Exigia personagens capazes de simular serem o que não são, de dissimular serem o que são, capazes, enfim, de erigir o blefe, a fraude e a pecúnia como seus tópicos principais de comportamento e adoração.

O Homem do Renascimento, segundo Agnes Heller, era aquele que se comportava de acordo com as frases de Shakespeare ou Leonardo da Vinci, como:

“Posso sorrir, e matar enquanto sorrio,

E proclamar-me feliz com o que me aflige o coração,

Molhar as minhas faces com lágrimas fingidas

E acomodar a minha cara a todas as ocasiões...

Posso acrescentar cores ao camaleão,

Mudar de forma mais depressa que Proteu

E mandar para a escola o sanguinário Maquiavel!”

Ricardo II, Ato 3, Cena 5

“Vede aqueles que podem ser chamados

Simples condutores de comida,

Produtores de estrume, enchedores de latrinas,

Pois deles nada mais se vê no mundo

Nem qualquer virtude se observa no seu trabalho,

Nada deles restando além de latrinas cheias”

Anotações, Leonardo da Vinci

Percebe-se que, além de ser capaz de simular, dissimular, mentir e atraiçoar o homem dos novos tempos burgueses – que seguem até nossos dias de profunda decadência da própria burguesia até por esgotamento – deveria ser capaz de obter fama e fortuna em vida, o que seria impensável durante o feudalismo. A seguir o pensamento do genial Leonardo da Vinci, era preciso deixar a sua marca na história, fosse em que campo da existência fosse. Somente era criticado aquele que nada mais fazia do que trabalhar, comer, dormir e, no máximo, reproduzir-se, coisa que outros animais são capazes de fazer – o que enfatiza o humanismo renascentista.

Origens

Giorgio Vasari (1511 – 1574), italiano nascido na cidade de Arezzo, publicou em 1550 um importante livro sobre os artistas plásticos de sua época, com o longo título Vida dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos italianos, desde Cimabue até a nossa época. Em sua opinião, a partir da queda de Roma (476), a cultura e a arte entraram em decadência, “renascendo” somente por volta de 1250. Vasari identificou três fases no que concebia como Renascimento artístico.

Na primeira fase situava Giotto, pintor nascido em 1267 e morto em 1337. Na segunda fase, considerou como figura mais emblemática o pintor Masaccio (1401 – 1428) e na terceira fase, a mais importante das três, deu merecido destaque a Leonardo da Vinci (1452 – 1519), Rafael d’Anunzio (1483 – 1520) e Michelangelo Buonarotti ( 1475 – 1564). Essas três fases são denominadas pelos italianos Trecento, Quatrocento e Cinquecento, respectivamente.

Vasari foi talvez o primeiro estudioso a empregar o termo Renascimento para descrever o florescimento artístico-cultural da Itália dos séculos XV e XVI. Usado para identificar não apenas as criações artísticas na pintura, como todo o movimento então ocorrido, como a literatura e a ciência, que tomava como modelo e inspiração a cultura da Antiguidade Clássica.

Enquanto o pintor italiano Giotto renovava as artes plásticas com suas obras, o poeta e escritor italiano Francisco Petrarca (1303 – 1374) destacava-se como iniciador do humanismo. Não por coincidência, ambos anunciavam uma importante mudança no campo da cultura, denominada pelos historiadores, seguindo a tradição iniciada por Vasari, Renascimento Cultural.

O Humanismo

“Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma e movimento, tão preciso e admirável, na ação é como um anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo, o exemplo dos animais.”

Hamlet, William Shakespeare

Revolucionária observação, que conclama a um antropocentrismo em contrapartida ao teocentrismo que grassou por cerca de um milênio na Europa Ocidental. O Homem é a peça-chave, o Homem é inclusive comparado ao Todo-Poderoso já no sentido de colocar a nova mundividência em vigor.

Quando propôs uma nova periodização da História européia, Petrarca também tinha em mente a idéia de renascimento.

Ele chamava de Antiguidade ao período que termina com a conversão do imperador Constantino ao Cristianismo (337). O período seguinte constituía uma nova era, que Petrarca chamou de Moderna, e estendia-se até a época em que ele vivia (século XIV). O termo Moderno, contraposto a Antiguidade, tinha então uma conotação negativa... Com o tempo, contudo, Moderno foi se associando ao renascimento da cultura antiga e acabou ganhando um significado “positivo”. Sendo a época Moderna aquela em que os valores antigos estavam renascendo, firmou-se a idéia de que o período compreendido entre aqueles dois extremos constituía a época Média, a que estava no meio de duas épocas brilhantes: a Antiga e a Moderna. Idade Moderna, assim, veio a transformar-se praticamente em sinônimo de Renascença.

Petrarca considerava sua época como o final de um “tempo obscuro”, de uma “Idade das Trevas”, iniciado com a decadência do Império Romano. Em comparação com a época dos antigos gregos e romanos, plena de realizações culturais, a Idade Média lhe parecia bastante pobre... Tal preconceito, contudo, tem sido revisto por autores contemporâneos uma vez ser inegável a enorme produção cultural patrocinada e orientada pela Igreja Católica Romana; havia tabus e heresias, mas o pensamento cristão progrediu bastante no período considerado “Mil Anos de Trevas”...

De todo o modo o Humanismo Renascentista deve ser considerado um movimento intelectual de valorização da Antiguidade Clássica. Não se tratava, contudo, de meramente copiar as realizações do Classicismo greco-romano; tal aspecto retiraria ao movimento sua maior amplitude. O Humanismo, embora não sendo a rigor uma filosofia, representou um movimento de glorificação do Homem, tornado centro de todas as indagações e preocupações. Constituía, em sentido amplo, uma tomada de posição antropocêntrica em reação ao teocentrismo medieval, vale enfatizar.

Os Humanistas não mais aceitavam os valores e maneiras de ser e viver da Idade Média. Por conseguinte, o interesse pela Antiguidade era um meio para atingir um fim: os humanistas viam na Antiguidade aquilo que correspondia aos desejos que sentiam. Pretendiam encontrar nos antigos Homens, considerado como um ser geral, impessoal, universal, que existe equalitariamente por toda a parte.

Em função disso, os humanistas tenderam a valorizar a produção cultural da Antiguidade Greco-Romana, sem que com isso queiramos dizer que pregavam um retorno ao passado, tomado apenas como fonte de inspiração.

Para a eclosão e ampla difusão do Renascimento como um todo há que se considerar ainda:

1) O aperfeiçoamento da imprensa, que possibilitou a difusão dos clássicos greco-romanos, da Bíblia e de outras obras, até então manuseadas apenas pelos “monges copistas” dentro de Mosteiros e Abadias;

2) A decadência e derrocada de Constantinopla, que provocou um verdadeiro êxodo de intelectuais bizantinos para a Europa Ocidental;

3) As Grandes Navegações ou Mecanismos de Conquista Colonial, que alargou os horizontes geográficos e culturais e propiciaram o contato europeu com culturas completamente distintas, contribuindo para derrubar muitas idéias até então tidas como verdades absolutas;

4) O Mecenato praticado por burgueses ricos, Príncipes e até Papas, interessados em projetar suas cortes, daí financiarem as atividades do Renascimento Cultural.

O Humanismo teve suma importância, pois conduziu a modificações inclusive nos métodos de ensino, uma vez que começaram a surgir Academias e Liceus laicos, onde se estudava as línguas clássicas (o latim e o grego) e com a maior preocupação em analisar acurada e cientificamente os fenômenos da natureza. Deixa de valer o magister dixit aristotélico medieval e passa a valer a busca empírica da Verdade.

Aspectos ou características

O Renascimento foi, de certa forma, a expressão de um movimento humanista nas Artes, Letras, Filosofia e Ciência, constituindo-se, segundo R. Mousnier, em um “prodigioso desabrochar da vida sob todas as suas formas, que teve de um modo geral suas maiores manifestações de 1490 a 1560, mas que não está preso dentro destes limites. Então, um afluxo de vitalidade fez vibrar toda a humanidade européia. Toda a civilização da Europa transformou-se em conseqüência. Em sentido estreito, o Renascimento é esse elã vital nos trabalhos do espírito. É menos uma doutrina, um sistema, que um conjunto de aspirações, uma impulsão interior que transformou a vida da inteligência e a dos sentidos, o saber e a arte”.

Vejamos agora as condições vigentes na Europa que facilitaram ou fomentaram o surgimento do Humanismo e do Renascimento.

A burguesia, enriquecida com o comércio, estava ainda presa a um Modo de Produção contraditório em tudo e por tudo a seus interesses. Estava presa a valores da Igreja e da Nobreza medievais; para contestá-los e difundir seus valores, mercadores e banqueiros, burgueses em geral, promoveram um estilo de Artes, Letras, Religião e Ciências mais de acordo com suas concepções racionalistas, antropocêntricas e valorizadoras do acúmulo de riquezas a qualquer custo.

Como contraponto, a nobreza decadente – tal como o faz hoje a burguesia decadente – buscava cooptar os intelectuais e artistas do renascimento patrocinando suas pesquisas e seus trabalhos com vistas a manter o statu quo ante, ou seja, o Absolutismo Monárquico. Esta tensão durará até o período do Iluminismo que finalmente depõe a Nobreza e o Clero, entronizando a burguesia endinheirada – se já detinham o poder econômico e contestavam os dogmas religiosos, o que lhes podia impedir de deter o poder político?

O foco inicial do Renascimento foi a Itália, que já dispunha de prósperas cidades mercantis e para onde chegou a principal leva de intelectuais bizantinos, entre outros fatores – maior contato com outras culturas e civilizações por “projetar-se” no Mar Mediterrâneo e ser na prática o berço da civilização greco-romana.

Não se deve, contudo, separar ou valorizar apenas alguns destes fatores. Devem ser considerados como um todo! O aspecto econômico, em última instância, é fator determinante – aqui se enfatizam os interesses mercantis da burguesia em ascenção.

Os novos valores e os gênios produzidos por aquele período de crise

O Renascimento, com acentuado espírito crítico em todas as suas manifestações (artística, religiosa, literária, política, etc.) teve como principais representantes, no aspecto eminentemente literário: Dante Alighieri – “A Divina Comedia” – Nicolau Maquiavel – “O Príncipe”, “A Mandrágora” – Giovanni Boccacio – “O Decameron” – Ariosto – “Orlando Furioso” – Miguel de Cervantes – “D. Quixote de La Mancha” – Luís de Camões – “Os Lusíadas – William Shakespeare – “Romeu e Julieta”, “Júlio César”, “Hamlet”, “Otelo” e milhares de outras obras poéticas e peças teatrais; tantas que há até hoje uma polêmica se foi um único ser humano a escrever obra tão vasta e de tão grande valor! O Renascimento, sem dúvida precisava de gênios. E os produziu! – Erasmo de Roterdã – “O Elogio da Loucura” – Etienne de La Boetie – “Discurso da Servidão Voluntária” – Thomas Morus – “Utopia”, entre várias outras obras e Autores...

Em sua vertente principalmente Artística, o gênio universal de Leonardo da Vinci é, sem sombra de dúvida a maior estrela desta constelação. Além de pinturas e esculturas de valor inigualável, foi o precursor da balística e o inventor do submarino e até do helicóptero (que só não se viabilizaram em seu tempo por motivos banais!). Michelangelo Buonarotti, o escultor que não gostava de pintura, autor da decoração deslumbrante, sufocante mesmo, da Capela Sixtina, além das esculturas de “Moisés”, “Davi” e “Pietá” entre centenas de outras! Rafael Sânzio, famoso pelas suas pinturas “magníficas de Madonas”, Murilo e El Greco, entre outros tantos.

Em sua vertente Científica há que destacar-se principalmente o fato de surgir um poderoso espírito crítico – comum a todos os renascentistas, sejamos justos! – que rejeitava o “princípio da autoridade”, o magister dixit aristotélico medieval. Agora buscava-se empiricamente os fatos detalhada e acuradamente, com comprovações factíveis de reprodução em laboratório. Não bastava mais estar escrito numa obra genial de Aristóteles para “ser verdade”. Era necessário comprovar essa “verdade”, o que muitas vezes não ocorria, levando a crises com a Igreja, ainda poderosa, e sua “Santa” Inquisição, que supliciou muitos dos pioneiros da ciência em nome da defesa da fé... Destacam-se, nesta vertente, o polonês Nicolau Copérnico, cuja teoria heliocêntrica foi completada no século XVII pelo italiano Galileu Galilei (perseguido pela Inquisição, teve de retratar-se mas deixou uma obra imorredoura.

Só foi perdoado pela Igreja Católica no “ano do Jubileu”, ou seja, em 2000 d.C. quando, finalmente, a Igreja Católica aceitou o fato de que a Terra é redonda, gira em torno do seu próprio eixo e em torno do sol... Giordano Bruno, por sua vez, não se retratou. Sua tese de que “somente um universo infinito seria compatível com a idéia de um Deus infinito” estava em dessintonia com as teses aristotélicas. Por esta “heresia” ele foi amarrado a uma estaca em praça pública onde teve a língua perfurada por uma faca e foi enfim queimado vivo. Como sofriam os cientistas da área das ciências naturais em tempos remotos. Tanto quanto hoje sofrem os verdadeiros e radicais cientistas da área de humanas... Além destes, Johannes Kepler também na Astronomia; na Medicina Nostradamus (poderoso vidente e ocultista também!), William Harvey, Miguel Servet, Ambroise Paré e André Vesálio (considerado o pai da moderna Anatomia). Imagine-se o que passaram estes desbravadores quando “profanar o corpo de um morto” para fazer dissecção era um crime, uma heresia!

Na Religião, a Reforma Protestante com sua pregação contrária àquela da Igreja Católica Romana, muito mais favorável à burguesia, tem em Martinho Lutero e João Calvino seus principais expoentes.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

Renascimento

Como já sabemos anteriomente que a intensificação do comércio e da produção artesanal resultou no desenvolvimento das cidades, no surgimento de uma nova classe social a burguesia e na posterior formação das monarquias nacionais. Estas transformações vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se manifestou na arte e na cultura de maneira de geral.

A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica, como vimos, controlava as manifestações culturais e dava uma interpretação religiosa para os fenômenos da natureza, da sociedade e da economia. A esta cultura deu-se o nome de teocêntrica (Deus no centro). A miséria, as tempestades, as pragas, as enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como castigos de Deus. Assim como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo bom, a fortuna eram bênçãos divinas. A própria posição que o indivíduo ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma explicação religiosa.

A arte medieval, feita normalmente no interior das Igrejas, espelhava esta mentalidade. Pinturas e esculturas não tinham preocupações estéticas e sim pedagógicas: mostrar a miséria do mundo e a grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais e acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de autoria coletiva, o artista medieval é anônimo.

A literatura medieval era composta de textos teológicos, biografias de santos e histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da Igreja e da nobreza sobre a sociedade.

Essa visão de mundo não combinava com a experiência burguesa. Essa nova classe devia a sua posição social e econômica ao seu próprio esforço e não à vontade divina, como o nobre. O sucesso nos negócios dependia da observação, do raciocínio e do cálculo. Características que se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade medieval. Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o resultado de seus esforços. E também claro que o comerciante burguês era essencialmente individualista. Quase sempre, o seu lucro implicava que outros tivessem prejuízo.

A visão de mundo da burguesia estará sintonizada com a renovação cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa renovação denominamos Renascimento.

Características do Renascimento Cultural

O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura.

Nelas estão presentes as seguintes características:

a- antropocentrismo (o homem no centro): valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e pode explicar os fenômenos à sua volta.

b- otimismo: os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas. Por essa razão apreciavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte.

c- racionalismo: tentativa de descobrir pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval.

d- humanismo: o humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes.

e- hedonismo: valorização dos prazeres sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens e prazeres materiais.

f- individualismo: a afirmação do artista como criador individual da obra de arte se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tomando­se famoso.

g- inspiração na antiguidade clássica: os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo re­nascer aquela cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Média).

Itália: o Berço do Renascimento

O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí irradiou-se para outras partes da Europa.

O pioneirismo italiano se explica por diversos fatores:

a- a vida urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre foram mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Como vimos, o Renascimento está ligado à vida urbana e à burguesia. Basta lembrar que Veneza e Gênova foram duas importantes cidades portuárias italianas, ambas com uma pode­rosa classe de ricos mercadores.

b- a Itália foi o centro do Império Romano e por isso tinha mais presente a memória da cultura clássica. Como vimos, o Renascimento inspirou-se na cultura greco-romana.

c- o contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas preservadas por esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte.

d- O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo representava um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual. Muitos pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa poderosa classe. À essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de mecenato. Entre os principais mecenas podermos destacar os papas Alexandre II, Júlio II e Leão X. Também ricos merca­dores e políticos foram importantes mecenas, como, por exemplo, a família Médici.

Já no século XIV (Trecento) surgiram as primeiras figuras do Renascimento, como, por exemplo, Giotto (na pintura), Dante Allighieri, Boccaccio e Francesco Petrarca (na literatura). No século XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande intensidade. Mas foi no século XVI (Cinquecento) que o Renascimento atingiu o auge.

A Decadência do Renascimento Italiano

A decadência do Renascimento italiano pode ser explicada por diversos fatores. As lutas políticas internas entre as diversas cidadés-Estado e a intervenção das potências políticas da época (França, Espanha e Sacro Império Germânico), consumiram as riquezas da Itália.

Ao mesmo tempo, o comércio das cidades italianas entrou em franca decadência depois que a Espanha e Portugal passaram a liderar, através da rota do Atlântico, o comércio com o Oriente.

O Renascimento em outras parte da Europa

O renascimento comercial e urbano ocorreu em várias partes da Europa. Desta forma, criaram-se as condições para a renovação cultural, assim como ocorreu na Itália.

Nos Países Baixos, uma classe de ricos comerciantes e banqueiros estava ligada ao consumo e à produção de obras de arte e literatura. Um dos grandes pinto­res flamengos foi Brueghel, que viveu em Antuérpia. Ele pintou, principalmente, cenas da vida cotidiana, retratando o estilo de vida da classe burguesa em ascensão (A Dança do Casamento, de 1565). Destacaram-se ainda os irmãos pintores Hubert e Jan van Eyck (A Virgem e o Chanceler Rolin).

A crítica à intolerância do pensamento religioso medieval foi feita por Erasmo de Roterdan (1466-1529) com sua obra Elogio da Loucura.

Na França, o Renascimento teve importantes expoentes:

a- na literatura e filosofia, Rabelais (1490-1 553), autor de Gargantua e Pantagruel, obra na qual critica a educação e as táticas militares medievais. Montaigne (1533-1592), autor de estudos filosóficos céticos intitulados Ensaios, nos quais o principal objeto de crítica é o clero.

b- nas ciências, Ambroise Pare (1517-1590) destacou-se com estudos de medicina. Inventou uma nova técnica para sutura das veias.

Na Espanha, a forte influência da Igreja Católica e o clima repressivo da Contra-Reforma, dificultaram as inovações. Desta forma, as realizações culturais marcadamente renascentistas foram reduzidas.

Nas artes plásticas destacou-se El Greco (1575-1614), o grande pintor espanhol do Renascimento (O Enterro do Conde de Orgaz e A Visão Apocalíptica).

Na literatura, a Espanha produziu um dos maiores clássicos da humanidade. Trata-se de D. Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, obra na qual o personagem principal (D.Quixote) é um cavaleiro romântico que imagina estar vi­vendo em plena Idade Média. A metáfora é referente à decadência da cavalaria e ao conflito entre a mentalidade moderna e a medieval.

Na ciência, a Espanha contribuiu com Miguel de Servet, que se destacou pelo seus estudos da circulação do sangue.

Na Inglaterra, um dos principais expoentes do Renascimento foi Tomas Morus (1475-1535), autor de Utopia, obra que descreve as condições de vida da população de uma ilha imaginária, onde não havia classes sociais, pobreza e propriedade privada.

É também inglês o maior dramaturgo de todos os tempos, William Sheakspeare (1564-1616). Foi sob o reinado de Isabel 1 que Sheakspeare produziu a maioria de suas obras, dentre as quais destacam-se Hamlet, Ricardo III, Macbeth, Otelo e Romeu e Julieta.

Destaca-se ainda no Renascimento inglês, o filósofo Francis Bacon (1561-1626), autor de Novun Organun. Esse autor pode ser considerado um dos precurso­es do Iluminismo (ver capítulo 9).

Em Portugal, o grande representante do renascimento literário foi Luís Vaz de Camões (1525-1580), autor de Os Lusíadas, poema épico que narra os grandes feitos da navegação portuguesa.

O teatro português renascentista foi imortalizado por Gil Vicente, autor das obras Trilogia das Barcas e a Farsa de Inês Pereira.

Na Alemanha, a pintura renascentista consagrou os nomes de Hans Holbein (1497-1553) e Albert Durer (1471-1528).

Podemos destacar ainda, como representantes do Renascimento científico, o monge polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que formulou, antes de Galileu, a teoria heliocêntrica (sol no centro do sistema planetário); e Kepler (1571-1630), inventor do telescópio e estudioso das leis da mecânica celeste. Demonstrou que a órbita que os planetas descrevem em torno do sol é elíptica.

A Reforma Religiosa

Podemos definir a Reforma Religiosa como o movimento que rompeu a unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem a novas igrejas cristãs. Com ela a Igreja Católica perdeu o monopólio religioso que mantivera durante a Idade Média.

A Reforma Religiosa foi contemporânea do Renascimento, e também pode ser explicada pelas transformações econômicas e sociais ocorridas na Europa na transição da Idade Média para os tempos modernos.

Todavia, enquanto o Renascimento foi um movimento de elite, a Reforma envolveu todas as camadas sociais européias.

Fatores que Explicam a Reforma

Os fatores que explicam a Reforma Religiosa são de ordem cultural, econômica e política.

a- Cultural

O racionalismo e a valorização do homem, próprios do Renascimento, deram origem a uma mentalidade que se opunha a religiosidade católica medieval. O espírito crítico do Renascimento colocou em xeque os tradicionais ensinamentos da Igreja.

A divulgação e a leitura dos textos bíblicos, dos escritos dos sábios da antiguidade e dos santos da Igreja criaram um clima de debate e questionamento das verdades estabelecidas. Tanto que os primeiros movimentos que questionaram a autoridade da Igreja surgiram no interior das Universidades. O homem renascentista exigia uma religião mais adequada aos novos tempos.

b- Econômico

O renascimento comercial criou uma nova realidade econômica na Europa. A Igreja teve dificuldade em adequar os seus ensinamentos a essa nova realidade. Os dogmas católicos tradicionais combinavam com a economia de subsistência da Idade Média. No entanto, o lucro e a cobrança de juros, estranhos a essa economia, passaram a ser essenciais depois do renas­cimento comercial.

De modo que a burguesia tendia a não aceitar aqueles dogmas religiosos.

c- Político

Como vimos em capítulo anterior, o poder nacional do rei, surgido com a centralização política, se contrapunha ao poder supranacional da Igreja. Os conflitos entre os interesses das monarquias nacionais e os de Roma se manifestavam nos direitos de cobrar impostos, na administração da justiça e na nomeação dos bispos. Os reis não podiam admitir que as rendas obtidas pela Igre­ja em seus domínios fossem enviadas para Roma. Por outro lado, precisavam im­por sua justiça em todo o território nacional, e isto significava a supressão dos tribunais eclesiásticos.

Além disso, os reis disputavam com os papas o direito de nomear os bispos, pois estes tinham um grande poder político.

Portanto, o rompimento dos Estados Nacionais com a Igreja Católica, foi uma decorrência natural desses conflitos de interesses.

Foram ainda fatores importantes para a Reforma a crise e a decadência da Igreja Católica. O luxo do clero, a compra de cargos eclesiásticos, o envolvimento da Igreja nas questões políticas, a má formação teológica dos padres, a venda de indulgências (perdão da Igreja aos pecados) e de falsas relíquias religiosas contribuíam para o desprestígio da instituição diante dos fiéis

.Antecedentes da Reforma - As Heresias

A Igreja Católica considerava como herética toda e qualquer manifestação religiosa (ou não) que não estivesse conforme a sua doutrina e submetida a sua autoridade.

Uma das heresias que floresceram durante a Baixa Idade Média foi a de John Wycliffe (1320-1384), professor de Oxford (Inglaterra). Ele achava que a Igreja deveria ser subordinada ao Estado. Não admitia a veneração de imagens, nem a confissão e o perdão que a Igreja dava aos pecados. A salvação dos homens era uma questão direta entre estes e Deus. Estes ensinamentos foram suficientes para trans­formar Wycliffe em um herético.

Também em Praga, na Boêmia, Jan Huss (1369-1415), reitor da universida­de local, atacou os abusos da Igreja e defendeu princípios semelhantes aos deWycliffe. Sua influência foi tão grande que o papa decidiu pela sua excomunhão. Huss foi queimado por heresia.

Wycliffe e Huss foram precursores do movimento reformista do século XVI.

Muitas revoltas populares tiveram inspiração religiosa. Os ensinamentos de Wycliffe inspiraram propostas radicais, como as do monge John Baíl. Elas acaba­ram desencadeando uma revolta camponesa liderada por Watt Tyler (1381).

Por meio de uma nova interpretação do cristianismo, tentava-se também criar formas alternativas de organização social. Este foi o caso dos cátaros (albigenses) e dos valdenses, movimentos heréticos aniquilados com extrema violência pela Igreja.

A Reforma Luterana

Martinho Lutero (1483-1546), era um monge agostiniano alemão de sagaz inteligência e estudioso da bíblia. Com base nos seus estudos começou a criticar os abusos da Igreja. Depois de uma viagem à Roma voltou abalado com o luxo, a decadência de costumes e a corrupção do alto clero.

O conflito de Lutero com a Igreja começou com suas críticas à venda de indulgências na Alemanha. Lutero criticou não só o fato de serem vendidas, mas o próprio valor espiritual dessas indulgências. Segundo ele, a Igreja não tinha o poder de conceder perdão aos pecados. Isto só caberia a Deus.

A polêmica acabou levando à excomunhão de Lutero. O monge rebelde rasgou a bula da excomunhão e afixou na porta da catedral de Wittemberg as famosas 95 teses. Neste documento já estão presentes as linhas mestras de sua doutrina.

Basicamente, a doutrina luterana divergia do catolicismo nos seguintes pontos:

a- Livre-exame

O crente teria direito de ler a bíblia e tirar suas próprias conclusões. Desta forma, Lutero negava à Igreja o direito de ser a intérprete da palavra divina.

b- Salvação pela fé

Com base em São Paulo, Lutero afirmava que o homem está destinado a pecar. Para São Paulo o homem não é capaz de fazer o bem que quer mas faz o mal que não quer. Assim não se salvará pelas obras, mas sim pelo arrependimento e pela fé.

c- Condenação do celibato

Para Lutero não havia fundamento bíblico para o celibato do clero. Sendo assim, os ministros da Igreja deveriam se casar.

d- Condenação da veneração ou culto aos santos

A veneração e culto deve­riam ser prestados somente a Deus. As imagens que enchiam as Igrejas católicas eram vistas por Lutero como pura idolatria.

e- Negação do dogma da transubstanciação

O vinho e o pão não se trans­formariam no sangue e no corpo de Cristo. A comunhão seria apenas uma reafirmação da fé na ressurreição de Cristo e na sua promessa de resgatar os pecados.

f- Negação da infalibilidade papal

Para Lutero os papas estavam sujeitos ao erro como qualquer ser humano.

Um dos fatores principais da vitória da Reforma Luterana foi o apoio que o ex-monge recebeu dos nobres alemães. Como a Igreja era a maior proprietária de terras na Alemanha, os príncipes viram no conflito religioso uma oportunidade de se apossarem destas terras.

Os camponeses alemães, oprimidos pela miséria, viram na pregação reformista uma esperança para seus males. Eles também queriam as terras eclesiásticas. Todavia, Lutero não endossou as pretensões camponesas, pois estava identificado com os interesses da nobreza.

O reformador que apoiou e liderou as revoltas camponesas foi Tomas Mtinzer, o teólogo da revolução. Segundo Miinzer, o reino de Deus deveria ser implantado neste mundo. O conflito entre nobres e camponeses deu origem a uma guerra civil na Alemanha. Os camponeses foram massacrados pelos nobres, em 1523, com ple­no apoio de Lutero.

Na época, o Sacro Império Germânico era composto por vários estados semi-independentes. A rebeldia e a ambição dos príncipes alemães ameaçava mais ainda a pouca autoridade do imperador. Dessa forma, o imperador condenou a Reforma e apoiou a Igreja. A oposição entre o Imperador (apoiado pela Igreja) e os nobres alemães (apoiados por Lutero), resultou em uma prolongada guerra político-religiosa. Depois dessa guerra, a Alemanha ficou dividida em estados católicos e luteranos.

Uma das características do luteranismo, certamente em virtude da vinculação entre Lutero e os príncipes alemães, é a defesa da união Estado-Igreja. A Igreja Luterana já nasceu vinculada ao Estado.

A Reforma Calvinista

João Calvino (1509-1564), francês e seguidor das idéias luteranas, se estabeleceu em Genebra (Suíça), onde escreveu As Instituições Cristãs. Nessa cidade começou a pregar a sua doutrina, que tinha muitos pontos em comum com o luteranismo. A diferença mais importante se refere à doutrina da salvação. Para Lutero, como vimos, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela pré-destinação. Baseando-se em Santo Agostinho, Calvino diz que nós viemos ao mundo pré-destinados por Deus a sermos salvos ou condenados. Desta forma, a nossa salvação não depende da fé e nem das boas obras, mas sim da escolha divina.

Os sinais da escolha divina se manifestariam na vida dos indivíduos. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres para com a sociedade e a família seriam alguns desses sinais. Esse cidadão teria também a sua vida abençoa­da por Deus, resultando no progresso econômico.

O estudioso alemão Max Weber, na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, mostrou a relação existente entre o calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo. Segundo esse autor, o calvinismo favorece a acumulação capitalista, prescrevendo uma vida dedicada ao trabalho e à poupança.

Coincidência ou não, os países do norte da Europa, onde o capitalismo mais se desenvolveu, localizam-se exatamente nas áreas onde a reforma calvinista mais se implantou.

A Expansão do Calvinismo

A partir da Suíça, os pregadores calvinistas conseguiram difundir sua dou­trina em várias partes da Europa. Na Inglaterra os calvinistas ficaram conhecidos como puritanos. Foram perseguidos e imigraram em grande número para a América. Na Escócia, ficaram conhecidos como presbiterianos, e na França como huguenotes.

A burguesia encontrou no calvinismo a doutrina adequada à seus interesses e ao seu modo de vida. Incompatibilizada com o princípio católico do justo preço e da proibição da usura, a burguesia abraçou a nova doutrina.

A Reforma Anglicana

De todos os movimentos reformistas, a Reforma Anglicana foi a que mais claramente revelou motivos políticos. Ela teve origem no conflito entre o rei Henrique VIII (1509-1547) da Inglaterra e o papa Clemente VII, que não concordou em conceder ao rei o divórcio de sua primeira esposa, Catarina de Aragão.

Esse conflito, aparentemente simples, escondia divergências mais profundas. Vimos que a centralização política opunha os monarcas nacionais à Igreja. Além disso, Henrique VIII pretendia confiscar as terras da Igreja em solo inglês. A questão do divórcio serviu como pretexto para o rompimento definitivo. Por meio do Ato de Supremacia, Henrique VIII tornou-se o chefe da Igreja inglesa. Os membros do clero inglês tiveram que jurar fidelidade ao rei e romper com o papa. Os que se recusaram, foram destituídos e perseguidos. As terras confiscadas da Igreja foram vendidas à nobreza inglesa, que, desta forma, se tornou fiel partidária da Igreja Anglicana.

Como se pode perceber, esta reforma não se deu por motivos doutrinários e sim claramente políticos. Por isso, inicialmente, a religião anglicana pouco diferia da católica. Se diferenciava apenas pelo uso do inglês em lugar do latim e pela obediência ao rei e não ao papa. Mais tarde, sofreu algumas mudanças introduzidas pela rainha Isabel 1, filha de Henrique VIII.

A Contra-Reforma

Podemos definir a Contra-Reforma como o conjunto de medidas tomadas pela Igreja Católica para deter o avanço das igrejas reformadas.

A principal providência tomada foi a convocação do Concílio de Trento (1545-1563). Neste Concílio foram reafirmados os dogmas e os princípios católicos nega­dos pelos reformadores. Foram criados o Index Librorum Prohibitorum (relação de livros proibidos); o Catecismo, para dar educação religiosa, principalmente às crianças, e Seminários, para formar melhor o clero. O Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) foi remodelado e reativado para perseguir os que se desviassem dos princípios católicos. A Contra-Reforma reafirmava ainda que só à Igreja era permitida a interpretação da bíblia.

Nesta época, a ordem religiosa fundada por Inácio de Loiola, Companhia de Jesus, foi reconhecida pela Igreja. Esta ordem teria importante papel da difusão do catolicismo na América. Os jesuítas, submetidos a uma rigorosa disciplina, se dedicavam à educação e à catequese.

A Contra-Reforma conseguiu afastar a ameaça reformista do sul da Europa. Até hoje, Itália, Espanha e Portugal são países essencialmente católicos. Mas, mui­tos estudiosos atribuem o relativo atraso cultural e científico dos países católicos à atuação repressiva da Igreja.

Fonte: www.carlos.hpg.ig.com.br

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