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Renascimento

Trecento

Ambrogio Lorenzetti
Ambrogio Lorenzetti: Alegoria do Bom Governo, c. 1328. Palazzo Pubblico, Siena

Simone Martini
Simone Martini: Guidoriccio da Fogliano no assédio de Montemassi, 1328. Palazzo Pubblico, Siena

O Trecento representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da cidade de Florença, pólo político, econômico e cultural da região, embora outros centros também tenham participado do processo, como Pisa e Siena, tornando-os a vanguarda da Europa em termos de economia, cultura e organização social, conduzindo a transfomação do modelo medieval para o moderno.

A economia era dinamizada pela fundação de grandes casas bancárias, pela noção de livre concorrência e pela forte ênfase no comércio, e cada vez mais se estruturava em moldes capitalistas e bastante materialistas, onde a tradição foi sacrificada diante do racionalismo, da especulação financeira e do utilitarismo.

O sistema de produção desenvolvia novos métodos, com uma nova divisão de trabalho organizada pelas guildas e uma progressiva mecanização, mas levando a uma despersonalização da atividade artesanal. A Itália nesta época era um mosaico de pequenos países e cidades independentes. O regime republicano com base no racionalismo fora adotado por vários daqueles Estados, e a sociedade via crescer uma classe média emancipada intelectual e financeiramente que se tornaria um dos principais pilares do poder e um dos sustentáculos de um novo mercado de arte e cultura [11].

O início do século vive intensas lutas de classes, com prejuízo para os trabalhadores não vinculados às guildas, e como conseqüência instala-se grave crise econômica, que tem um ponto culminante na bancarrota das famílias Bardi e Peruzzi em torno de 1328-38, gerando uma fase de estagnação que não obstante levaria a pequena burguesia pela primeira vez ao poder. Esta situação é comentada depreciativamente pelos poetas célebres da época - Boccaccio e Villani - mas constitui a primeira experiência democrática em Florença, durando um intervalo de cerca de quarenta anos.

Tumultos políticos e militares, além de duas devastadoras epidemias de peste bubônica, provocam períodos de fome e desalento, com revoltas populares que tentam modificar o equilíbrio político e social, mas só conseguem assegurar a permanência dos burgueses à testa do governo. Os Médici, banqueiros plebeus, assumem a liderança da classe mas logo se revestem da dignidade da nobreza e um sistema oligárquico volta a dominar a cena política, muitas vezes se valendo da corrupção para atingir seus fins, mas também iniciando um costume de mecenato das artes que seria fundamental para a evolução do classicismo no século seguinte [12].

Na religião a mudança foi assinalada pela busca, amparada pela ciência, de explicações racionais para os fenômenos da natureza; por uma nova forma de ver as relações entre Deus e o homem, e pela idéia de que o mundo não deveria ser renegado, mas vivenciado plenamente, e que a salvação poderia ser conquistada também através do serviço público e do embelezamento das cidades e igrejas com obras de arte, além da prática de outras ações virtuosas. Deve-se frisar que mesmo com a crescente influência clássica, que era toda pagã na origem, o Cristianismo jamais foi posto em xeque e permaneceu como um pano de fundo ao longo de todo o período, criando-se a síntese original que conhecemos hoje. [13]

Quattrocento

Luca Pacioli
Luca Pacioli

Jorge de Trebizonda
Jorge de Trebizonda: página do seu Comentário sobre o Almagesto

O chamado Quattrocento (século XV) vê o Renascimento atingir sua era dourada. O Humanismo amadurece e se espalha pela Europa através de Ficino, Rodolphus Agricola, Erasmo, Mirandola e Thomas More. Leonardo Bruni inaugura a historiografia moderna e a ciência e a filosofia progridem com Luca Pacioli, János Vitéz, Nicolas Chuquet, Regiomontanus, Nicolau de Cusa e Georg von Peuerbach.

Ao mesmo tempo, um novo interesse pela história antiga levou humanistas como Niccolò de' Niccoli e Poggio Bracciolini a vasculharem as bibliotecas da Europa em busca de livros perdidos de autores como Platão, Cícero, Plínio, o Velho, e Vitrúvio.

A reconquista da Península Ibérica aos mouros também disponibilizou para os eruditos europeus um grande acervo de textos de Aristóteles, Euclides, Ptolomeu e Plotino, preservados em traduções árabes e desconhecidos na Europa, e de obras muçulmanas de Avicena, Geber e Averróis, contribuindo de modo marcante para um novo florescimento na filosofia, matemática, medicina e outras especialidades científicas. Para acrescentar, o aperfeiçoamento da imprensa por Johannes Gutenberg em meados do século facilitou e barateou imenso a divulgação do conhecimento.

Página da Bíblia de Gutenberg
Página da Bíblia de Gutenberg, 1455

Um novo vigor nessa busca foi injetado após o fim do Império Bizantino e sua tomada pelos turcos, quando muitos intelectuais gregos, como Jorge de Trebizonda, Johannes Argyropoulos, Theodorus Gaza e Barlaam de Seminara, emigraram para a península Itálica e outras partes trazendo consigo e divulgando muitos textos clássicos e ensinando a ciência e língua gregas e a arte da exegese. Grande proporção do que hoje se conhece de literatura e legislação greco-romanas nos foi preservado por Bizâncio [14][15].

Esse afluxo de novas informações e conhecimentos e o concomitante progresso em todas as áreas da sociedade levaram os intelectuais a perceberem que se achavam em meio a uma fase de renovação da cultura comparável às fases brilhantes das civilizações antigas, em oposição à Idade Média anterior, que passou a ser considerada uma era de obscuridade e ignorância [16][17].

A progressiva aristocratização dos principais burgueses dá à arte um caráter palaciano e profano, e esta é uma tendência geral, que nasce a partir de um período de grande prosperidade econômica de Florença que, apesar de ameaçada por Milão e Nápoles, reconquista sua primazia regional. A opulência da oligarquia, que adquire grande cultura e se entrega à "bela vida", gera na classe média uma resistência retrógrada que busca no gótico idealista um ponto de apoio contra o que vê como indolência da classe dominante.

Estas duas tendências opostas dão o tom para a primeira metade deste século, até que a pequena burguesia enfim abandona o idealismo antigo e passa a entrar na corrente geral racionalista. É o século de Lorenzo de' Medici, o grande mecenas, e o interesse pela arte se difunde para círculos cada vez maiores.

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