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Retrovírus

 

 

O que é um retrovírus?

Um retrovírus é um vírus cujos genes são codificados em RNA em vez de DNA.

Embora, como outros vírus, retrovírus precisa usar a maquinaria celular dos organismos que infectam para fazer cópias de si mesmos.

A infecção por um retrovírus requer uma etapa adicional. O genoma do retrovírus precisa ser reversamente transcrito em DNA por uma enzima chamada transcriptase reversa para que possa ser copiado da maneira usual.

Retrovírus usam transcriptase reversa para transformar o seu RNA de cadeia simples em DNA de cadeia dupla, de modo que ele pode ser integrado no genoma das células que eles infectadas. Uma vez que a versão do DNA dos genes retrovirais foram incorporadas no genoma da célula, as cópias desses genes celulares como parte do seu processo de replicação normal. Assim, a célula faz o trabalho do vírus para ele.

Também conhecido como: vírus RNA

Exemplos:

O retrovírus mais bem conhecido que infecta humanos é o HIV.

No entanto, existem vários outros retrovírus humanos, incluindo o das células T do vírus linfotrópico humano 1 (HTLV-1), que está associada com certos tipos de leucemias-células T e linfomas.

Existem muitos retrovírus, os quais foram identificados em outras espécies.

Fonte: std.about.com

Retrovírus

O QUE SÃO RETROVÍRUS?

São vírus cujo genoma é constituído de RNA e possuem um DNA intermediário que participa do seu ciclo reprodutivo. (Brock,biologia de los microorganismos,10 edicíon).

São virús de RNA que possuem a enzima "transcriptase reversa". Que converte DNA da célula infectada em RNA, o que viabilizará a multiplicação do vírus. Um exemplo muito conhecido é o HIV causador da Aids.

O RETROVÍRUS

Os retrovírus constituem o mais estudado grupo de vírus em biologia molecular. Estes são vírus de RNA de cadeia simples de sentido positivo, com invólucro, mas que possuem morfologias e características de replicação próprias. Em 1970, Baltimore e Temin, demonstraram que estes vírus produziam uma DNA polimerase que era dependente do RNA, denominada Transcriptase Reversa, e que por isso se replicavam através de uma intermediário de DNA. Esta cópia de DNA do genoma viral é integrada no genoma da célula e passa a constituir um gene celular.

Após esta descoberta já foram identificados alguns retrovírus associados ao cancro em animas, denominados oncornavírus, o seu mecanismo baseia-se na estimulação do crescimento celular, o que é conseguido pela expressão de genes idênticos aos que controlam o crescimento celular – oncogenes.

Mais tarde, Montagnier e os seus colaboradores, identificaram outro vírus pertencente a esta família nos doentes com SIDA, o Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV-1. Recentemente foi identificada uma variedade deste vírus prevalente na África Ocidental, o HIV-2.

Assim sendo foram definidas três subfamílias dos retrovírus:

Oncoviridae, sendo constituída por HTLV-1, HTLV-2 e HTLV-5;
Lentivirinae, incluindo o HIV-1 e HIV-2;
Spumavirinae, não estando nenhum associado a doença humana.

Existem ainda os retrovírus endógenos, sendo como que parasitas que se integraram no nosso genoma e são transmitidos verticalmente. Estima-se que podem chegar constituir cerca de 1% do cromossomo humano, apesar não lhes ser possível produzirem viriões, as suas seqüências são detectadas em muitas espécies humanas e animais. (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Mestrado Integrado em Medicina).

REPLICAÇÃO DO RETROVÍRUS

A replicação dos retrovírus humanos inicia-se com a ligação das espículas da glicoproteína viral ao receptor protéico de superfície. O vírus penetra na célula através da fusão do invólucro com a membrana plasmática, mas outros retrovírus podem penetrar por endocitose mediada por receptores.

Já com a transcriptase reversa, o modelo de RNA e o tRNA do virão no citoplasma, inicia-se a síntese de um fragmento de DNA complementar de sentido negativo. Durante este processo ocorre a duplicação da sequência de cada extremidade do genoma, que irá fixar as LTR em ambas as extremidades. Este processo cria sequências necessárias para a integração, e ainda sequências intensificadoras e promotoras dentro da LTR para a regulação da transcrição.

A associação de duas cópias de genoma e moléculas de tRNA da célula promove a gemulação do virião. Já com o invólucro e depois de abandonar a célula, a protease viral cliva as poliproteínas gag e gag-pol. Esta clivagem permite que seja produzida a transcriptase reversa e se forme o cerne do vírus, este passo é necessário para que o virão seja infeccioso, o que torna a protease um alvo importante dos agentes anti-virais. A aquisição do invólucro e a libertação do retrovírus ocorrem na superfície celular, mas é possível que o vírus se dissemine célula a célula através da formação de sincícios celulares. Devido à sua fragilidade, os sincícios aumentam a atividade citolítica do vírus. (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Mestrado Integrado em Medicina).

O processo geral de replicação do retrovírus pode se resumir nas seguintes etapas:

1 ENTRADA:Na célula mediante fusão com a membrana celular cria sítios com receptores específicos.
2 DECAPSIDAÇÃO DO VÍRÃO:
A cápsula protéica é rompida ,mas o material genético e as enzimas permanecem no interior do vírus.
3 TRANSCRIÇÃO REVERSA:
Ocorre a polimerização da fita simples do RNA em fita dupla de DNA.
4 INTEGRAÇÃO :
O DNA do vírus penetra no núcleo do hospedeiro.
5 TRANSCRIÇÃO:
Ocorre a transcrição do DNA virótico, que origina os mRNA vírais e a prole de RNA virótico.
6 ENCAPSIDAÇÃO:
Encapsidação do RNA virótico em nucleocapsidas no citoplasma da célula hospedeira.
7 GEMULAÇÃO:
Ocorre a gemulação dos virião envoltos através da membrana plasmática e a liberação da célula.

ESQUEMA DE REPLICAÇÃO DO RETROVÍRUS

Retrovírus
Replicação do retrovírus

Fonte: www.ebah.com.br

Retrovírus

O Que é um Retrovírus?

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus, um tipo de vírus que armazena informação genética como RNA e não como DNA.

Quando ele invade uma célula alvo do hospedeiro, o vírus libera o seu RNA e uma enzima (transcriptase reversa) e, em seguida, sintetiza o DNA usando o RNA viral como padrão.

A seguir, o DNA viral é incorporado ao DNA da célula hospedeira.

Cada vez que a célula hospedeira se divide, ela também produz uma nova cópia do DNA viral integrado juntamente com seus próprios genes.

O DNA viral pode assumir as funções da célula (torna-se ativado), fazendo com que a célula produza novas partículas virais.

Esses novos vírus são liberados da célula infectada e invadem outras células.

Fonte: mmspf.msdonline.com.br

Retrovírus

Os retrovírus pertecem à família Retroviridae e infectam principalmente animais vertebrados, podendo causar várias doenças como tumores malignos, imunodeficiência e doenças neurológicas. Pode ainda ocorrer infecção assintomática, isto é, o vírus pode estar presente sem causar nenhum problema de saúde no hospedeiro.

São exemplos de retrovírus: os vírus da imunodeficiência humana (HIV-1 e HIV-2), o vírus da leucemia de bovinos (BLV), o vírus da imunodeficiência de felinos (FIV), o vírus linfotrópico humano tipo I e II (HTLV-I/II - Human T Lymphotropic Virus Type I/II).

O HTLV I pertence à subfamília Oncoviridae e foi o primeiro retrovírus a ser isolado em seres humanos.

Algumas doenças são associadas a esse vírus: a leucemia de células T do adulto (ATL); a paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-I (TSP/HAM), que é uma doença neurológica e a uveíte, que é uma inflamação dos olhos.

O HTLV-I ocorre freqüentemente nas populações de ilhas situadas no sudeste do arquipélago do Japão, em diversas ilhas do Caribe (Jamaica, Martinica, Haiti e outras), em partes do continente africano e na América do Sul. No Brasil, estudos realizados principalmente em doadores de sangue detectaram a presença do vírus em todos os locais pesquisados, ocorrendo em maior ou menor escala, dependendo da cidade e do estado.

Após a descoberta do HTLV-I, um segundo retrovírus foi isolado e denominado HTLV-II - vírus linfotrópico humano tipo II. Esse vírus ainda não foi conclusivamente associado com qualquer condição patológica.

Embora o HTLV-I e o HTLV-II tenham antígenos específicos, podendo ser diferenciados com testes especiais, seus produtos protéicos apresentam grande semelhança e, portanto, dão reações cruzadas em testes sorológicos.

Por este motivo, os vírus têm sido referidos em conjunto, HTLV-I/II.

Os HTLV-I/II podem ser transmitidos através de linfócitos infectados presentes no leite materno, durante relações sexuais, através de transfusões de sangue ou de hemocomponentes ou ainda através de agulhas e seringas compartilhadas por usuários de drogas injetáveis.

Devido ao risco de transmissão parenteral pelo sangue e seus derivados, os testes para HTLV-I/II no sangue doado foram introduzidos no Japão em 1986, nos Estados Unidos em 1988 e em 1993 no Brasil.

Qual a estrutura dos vírus HTLV-I/II?

Veja, na Figura abaixo, uma representação esquemática da partícula viral:

Retrovírus
Representação esquemática da partícula do HTLV - I/II

A estrutura da partícula viral é comum à dos demais retrovírus, possuindo genoma de RNA de fita simples, com duas cópias.

Genoma - conjunto de genes de um organismo.

O genoma está associado às enzimas transcriptase reversa, integrase e protease. O RNA e essas enzimas ficam dentro do capsídeo viral e de uma matriz protéica, constituídos pelas proteínas p24 e p19, respectivamente. Cada partícula possui uma camada externa, o envelope viral, onde se encontram as proteínas gp21 e gp46.

Os HTLV-I/II são retrovírus que infectam linfócitos T maduros, CD4+.

Retrovírus - vírus que usam uma enzima (transcriptase reversa) para copiar seu genoma, de ácido ribonucléico (RNA), para a forma de ácido desoxirribonucléico (DNA).

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Retrovírus

O HIV é um retrovírus.

Quando entra em alguém, esse tipo de vírus introduz informações que estão guardadas em seu material genético - RNA ou Ácido Ribonucléico.

CICLO REPRODUTIVO DE UM RETROVÍRUS

O material hereditário dos retrovírus é o RNA. A principal característica desse tipo de vírus é a presença da enzima transcriptase reversa, capaz de produzir moléculas de DNA a partir de RNA, isto é, de executar uma "transcrição ao contrário". A membrana do retrovírus se funde com a membrana da célula hospedeira, e o capsídio viral penetra no citoplasma. Urna vez liberado do capsídio protéico, o RNA produz, sob a ação da transcriptase reversa, uma molécula de DNA. Esta penetra no núcleo da célula, introduz-se em um dos crornossomos do hospedeiro e recombina-se com o DNA celular.

Provírus

O DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado provírus. Ele é reconhecido e transcrito pelas enzimas da célula hospedeira, de modo que logo começam a surgir moléculas de RNA com informações para a síntese de transcriptase reversa e das proteínas do capsídio. Algumas dessas moléculas de RNA são empacotadas juntamente com moléculas de transcriptase reversa, originando centenas de vírions completos. Uma vez com os genes do provírus integrados aos seus, a célula infectada produz partícuIas virais durante toda a sua vida. A infecção por retrovírus geralmente não leva à morte a célula hospedeira, e esta pode se reproduzir e transmitir o provírus integrado a suas filhas.

Retrovírus, Câncer e Aids

Muitos retrovírus possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada, com a formação de tumores cancerosos.

Recentemente descobriram-se alguns retrovírus que infectam células humanas. Entre eles destaca-se o HIV, sigla em inglês de Human Immunodeficiency Virus, que ataca os linfócitos T do sangue e é o agente causador da síndrorne da imunodeficiência adquirida, a Aids (do inglês, Acquired immunodeficiency syndrome).

Retrovírus
Figura 2. Estrutura do HIV, o retrovírus causador da Aids

Embora a maioria dos retrovírus não cause doenças graves, a Aids é mortal e vem se disseminando rapidament e pelo mundo, desde 1981. Segundo alguns cientistas, isso ocorre porque o HIV era originalmente um vírus presente em macacos e, apenas recentemente, teria sido transmitido à espécie humana, que ainda não teve tempo suficiente para se adaptar a ele.

Qual a origem da epidemia de HIV/AIDS ? A Sindrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de São Francisco ou Nova York, que apresentavam sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune.

Todos estes fatos convergiram para a inferência de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.

Em 1983 o agente etimológico foi identificado: tratava-se de um retrovírus humano, atualmente denominado vírus da Imunodeficiência humana, HIV-1, que anteriormente foi denominado LAV e HTLV-III.

Em 1986 foi identificado um segundo agente etimológico, também retrovírus, estreitamente relacionado ao HIV-1, denominado HIV-2.

Embora não se saiba ao certo qual a origem dos HIV-1 e 2 sabe-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos na África sub-Sahariana. Todos os membros desta família de retrovírus possuem estrutura genômica semelhante, apresentando homologia em torno de 50%.

Além disso todos têm a capacidade de infectar linfócitos através do receptor CD4. Aparentemente o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há várias décadas. O HIV-1 tem se mostrado mais virulento do que o HIV-2. numerosos retrovírus de primatas não-humanos encontrados na África têm mostrado grande similaridade com o HIV-1 e com o HIV-2.

O vírus da Imunodeficiência símia (SIV) presente com muita freqüência nos macacos verdes africanos é muito próximo ao HIV-2, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum. Por estes fatos supõe-se que o HIV tenha origem geográfica africana e que sua disseminação se deve às características da sociedade contemporânea.

Fonte: www.geocities.com

Retrovírus

Doença humana devido a priões

Relativamente aos Retrovírus, a sua designação deriva do fato de possuírem uma transcriptase inversa ou reversa responsável pela transcrição de RNA em DNA.

Todos têm uma cadeia de RNA positiva e revestimento, o que faz com que grande parte destes vírus seja sensível e fácil de eliminar.

Retrovírus

Nos Retrovírus, salientam-se dois grupos com repercussões patológicas nos humanos: os Lentivírus (lentos, com grande período de incubação, estando na base de doenças neurológicas e infecciosas e imunodeficiências; ex: HIV-1 e 2) e os Oncovírus (com predisposição para indução de neoplasias; ex: HTLV-1, 2 e 5).

O HIV possui uma cápside ovalada ou em forma de cone que engloba 2 cadeias de RNA e um core onde se encontra uma protease e a transcriptase inversa.

Estas duas enzimas localizam-se entre as cadeias de RNA, sendo alvo de muitos fármacos anti-HIV. O revestimento é rico em glicoproteínas que, conjuntamente com alguns antigénios, desempenham a função de adesão às células. A gp41 e a gp120 dão origem à gp160 que possibilita a ligação do receptor CD4 presente nas células Th e em células apresentadoras de antigénios (APCs) como macrófagos e células dendríticas. A proteína p24 da cápside corresponde a um antigénio específico da infecção por HIV, uma vez que a sua presença nos dá um diagnóstico clínico antes de haver produção de anticorpos. Por sua vez, a interação com o receptor CD4 leva a que o vírus seja englobado e, uma vez no citoplasma da célulaalvo, é ativada a transcriptase inversa que transcreve o RNA genómico do vírus em DNA, o qual entra no núcleo da célula-alvo e se incorpora no seu genoma, iniciando-se a transcrição deste.

O RNA mensageiro da célula hospedeira e do vírus abandona progressivamente o núcleo, fornecendo o material necessário para o vírus se replicar.

Numa primeira fase, o vírus é inativo, sofrendo um processo de maturação levado a cabo pela protease.

Tem-se verificado que uma pequena proporção de indivíduos é resistente à infecção por HIV, sendo portadores assintomáticos e objeto de estudo, uma vez que ainda não se conhece uma vacina eficaz contra este vírus: conseguiu-se compreender que estes indivíduos possuem defeitos no receptor CD4, embora sejam saudáveis, já que o HIV é incapaz de penetrar na célula-alvo e promover a sua lise, sobretudo dos linfócitos CD4 (daí serem estes que vão diminuindo com a evolução da doença).

Outras células com capacidade fagocítica (macrófagos) conseguem imortalizar-se e induzem sincícios, havendo promoção e disfunção imonológica e, por conseguinte, neoplasias.

Distinguem-se, portanto, duas fases da doença: lise de algumas células e imortalização de outras. O HIV e outros Retrovírus possuem uma capacidade oncogénica, na medida em que alteram os genes que regulam o crescimento celular (promoção de mitoses anormal). Isto tudo ocorre a nível do citoplasma e somente numa fase posterior é que há integração no núcleo do DNA oncogénico do próprio vírus.

A prevalência da infecção HIV é muito elevada, sendo os valores estimados pela OMS em 2005 de 47 milhões de pessoas infectadas a nível mundial (90% nos países mais pobres).

Em África, 1/4 a 1/3 dos indivíduos se encontram infectados.

A proporção entre os sexos varia consoante os países: nos subdesenvolvidos, é relativamente semelhante ou favorece ligeiramente o sexo feminino, o que leva ao elevado número de crianças nascidas com infecção HIV; nos países mais desenvolvidos, esta infecção é marcadamente mais prevalente nos homens, para isto contribuindo práticas bi e homossexuais.

Isto significa que os fatores de risco para a infecção HIV são diferentes conforme os países: nos países desenvolvidos, o risco prende-se com fatores homo e bissexuais, enquanto que nos países subdesenvolvidos possui um cariz mais heterossexual. Acredita-se que, sobretudo nos países europeus, esta tendência esteja a mudar e, nos últimos meses, tem-se registado um maior número de casos em heterossexuais.

Assim, relativamente à transmissão, os fatores de risco são:

Atividade sexual (homo/bi e heterossexual), havendo um risco aumentado de aquisição da infecção HIV nas mulheres (20 vezes superior), já que para todas as DSTs a eficácia de infecção é superior para uma transmissão homemmulher do que na transmissão mulherhomem. Também os portadores de DSTs têm um risco aumentado de infecção HIV, bastando uma inflamação genital e consequente chamada de linfócitos e macrófagos, uma vez que o tropismo do HIV está dependente destas células

Produtos sanguíneos (nos anos 70/80, existiram muitos casos de infectados HIV em hemofílicos, já que só a partir de 1985 o rastreio sistemático de HIV em produtos sanguíneos começou a ser realizado em dadores de sangue e transplantados)

Drogas endovenosas por partilha de seringas

Transmissão transplacentária (30%): periparto, leite materno

Profissionais de saúde: para uma picada com sangue contaminado, o risco equivale a 0,3%, contrastando com 30% para a hepatite B e 3% para a hepatite C; no entanto, uma picada com sangue de doente com infecção HIV ou no qual esta seja desconhecida implica sempre uma abordagem profiláctica.

A infecção por HIV era conhecida entre os americanos como a doença dos 4 Hs que representam os fatores de risco: homossexual, hemofílico, heroin-addicts e hospitais. Por outro lado, não há evidência de transmissão por vetores ou contato casual, como urina, lágrimas, suor ou saliva, ainda que o vírus esteja presente nesta última.

Quanto à patogenicidade, refere-se novamente a importância da ligação da gp160 ao receptor CD4 presente em grandes quantidades nos linfócitos T helper e em concentrações mais baixas em macrófagos, monócitos e células dendríticas. No entanto, os macrófagos e as células dendríticas cutâneas e das mucosas são importantes para o início da doença, já que estes tecidos constituem o principal ponto de entrada para o vírus. Por sua vez, as células-alvo produzem co-fatores (fusina e CKR5) que auxiliam a ligação da gp160 às células, sendo resistentes e portadores assintomáticos os indivíduos que não produzem estes co-fatores.

A diferença entre o HIV-1 e o HIV-2 é mínima, possuindo 40% de homologia estrutural.

O último é muito semelhante ao vírus do macaco africano e tem sido registado apenas em África, possuindo uma evolução clínica muito mais lenta e suave e menos agressiva que o HIV.

Os pontos de entrada do vírus incluem o sangue, a pele e as mucosas do cólon, reto e órgao genital feminino.

De seguida, penetra no macrófago que constitui um grande reservatório de transporte, passando para as células T CD4 com posterior reação dos gânglios à presença do vírus e atingimento de células microgliais do cérebro, células macrofágicas pulmonares e células dendríticas cutâneas. A função imunológica fica desregulada, havendo libertação de vírus e citocinas por parte dos macrófagos. Há uma fase da doença em que há lise das células Th (com redução do número total destas células) e adenopatia generalizada que pode persistir durante meses ou anos. A partir desta fase, o vírus aumenta as suas concentrações no sangue e atinge o cérebro (quadros de demência), enquanto que a redução do número de células Th leva a uma imunodeficiência secundária que se caracteriza por infecções, perda de controlo das células B, hipergamaglobulinemia, perda das defesas contra infecções cutâneas e intracelulares, perda da função da célula T que está na base de infecções oportunísticas sistémicas graves, Sarcoma de Kaposi e linfomas como resposta a esta desregulação imunológica.

A incorporação do genoma da infecção HIV pode ficar latente durante muitos anos (período de latência): para o HIV-1, até 8 e, para o HIV-2, até 20 anos, ou pode iniciar-se uma replicação imediata, consoante os receptores e a genética de cada indivíduo. Quando se reproduz, mata a célula-alvo, predominando CD8 em vez dos CD4 devido ao tropismo já referido, e esta inversão da razão CD4/CD8 prende-se, por isso, com uma diminuição no numerador.

Frequentemente, a infecção HIV desenvolve-se em 3 fases:

Doença vírica aguda, inespecífica

Fase de latência clínica, sem qualquer sinal ou sintoma, podendo apenas persistir uma linfadenopatia generalizada

SIDA, quadro de imunodeficiência adquirida.

Em relação ao estadiamento, a doença vírica aguda que ocorre algumas semanas (cerca de 1 mês) após contato com o vírus manifesta-se em 80% dos doentes por febre, malestar geral, faringite, rash cutâneo inespecífico (semelhante ao encontrado para outros vírus), enquanto que os restantes 20% permanecem assintomáticos e a infecção passa despercebida.

Nesta fase, apenas uma minoria de doentes consegue ter como diagnóstico a infecção por HIV, na medida em que esta fase é muito inespecífica e muitas vezes são omitidos dados importantes por parte do doente que possibilitam um diagnóstico precoce para o qual já existem técnicas laboratoriais extremamente sensíveis e específicas (estas não se baseiam no nível de anticorpos pois nesta fase o organismo ainda não os desenvolveu, mas em antigénios específicos). Entra-se numa fase de latência clínica (média de 8 anos para o HIV-1 e até 20 para o HIV-2) caracterizada por linfadenopatia generalizada e sem sintomas apesar de existir uma replicação contínua com redução progressiva dos CD4. Somente quando os valores destes são inferiores a 200/µl (considerado o limite para as nossas defesas), se verifica o aparecimento de doenças (sobretudo oportunistas), estabelecendo-se um quadro de SIDA.

Todavia, mesmo entre os 400/µl e os 200/µl estão presentes algumas predisposições para infecções, designadamente um maior risco de tuberculose, infecções por Staphylococcus aureus e epidermidis, S. pneumoniae, Salmonella, H. influenzae e Herpes zoster, candidíase oral e esofágica e pé de atleta. Estas infecções por si só não indicam que o paciente está infectado com HIV e a suspeita de infecção surge por exemplo quando nos deparamos com uma pneumonia por Pneumocystis carinii, já que este agente geralmente não provoca sintomatologia, ou seja, as doenças oportunistas são indicadoras de potenciais imunodeficiências.

Doentes infectados por HIV apresentam sobretudo doenças causadas por agentes cujo mecanismo de defesa é da responsabilidade das células CD4, sendo que algumas destas patologias são partilhadas com transplantados e pacientes com imunodeficiências adquiridas devido a fármacos (embora estes afetem também células CD4, células B e outras).

Portanto, num quadro de SIDA, temos:

< 200 CD4 por µL de sangue
Efeitos diretos do vírus:
caquexia, emagrecimento com lipoatrofia sobretudo a nível da região subcutânea, febre, fraqueza e lesões neurológicas, uma vez que as células gliais são células-alvo que possuem receptores para células CD4 em número suficiente para causar demência a longo prazo
Imunodepressão, que se traduz por infecções múltiplas, infecções oportunistas e neoplasias, por expressão dos oncogenes que o próprio vírus tem, como por exemplo o Sarcoma de Kaposi (por desenvolvimento do HSV-8), o linfoma de Burkitt, o linfoma de Hodgkin e outras neoplasias mais frequentes nos doentes infectados por HIV
Morte.

Dentro das doenças malignas, os linfomas (não-Hodgkin, Hodgkin e linfoma relacionado com EBV) e o Sarcoma de Kaposi (neoplasia de células endoteliais por HSV-8) são aquelas que estão melhor referenciadas na literatura, assumindo particular importância as resultantes da reativação dos vírus da família Herpesviridae, já que estes estabelecem uma infecção crónica e latente. Como os linfócitos T não são suficientes para contrariar a reativação dos vírus HSV-8 e EBV, a replicação destes é eficaz.

Nas infecções oportunistas, destacam-se:

Infecções bacterianas: S. aureus, S. epidermidis (faz muitas vezes parte da população microbiana normal da pele), H. influenzae, S. pneumoniae, M. tuberculosis e M. avium
Infecções fúngicas:
C. albicans (mais comum), C. neoformans, H. capsulatum, C. imitis
Infecções parasitárias:
P. carinii, T. gondii, Cryptosporidium, Microsporidium e Isospora
Infecções víricas, sobretudo do grupo herpes:
Herpes zoster e simplex (com clínica exuberante, persistindo anormalmente durante longos períodos e consistindo muitas vezes em lesões extensas e ulceradas com quantidades substanciais de vírus), Epstein-Barr e CMV.

O diagnóstico laboratorial baseia-se em:

Pesquisa de anticorpos anti-HIV:

Método de ELISA: utilizado para pesquisa de anticorpos anti-HIV com fins de rastreio (alta sensibilidade; baixa especificidade; grande número de falsos positivos)
Western blotting:
serve para confirmação dos resultados positivos obtidos com o teste anterior, baseando-se na pesquisa de antigénios específicos do vírus (p24, gp41, gp120)

O antigénio p24 pode também ser detectado por PCR como marcador recente e é importante em quadros de virose aguda em doentes com risco de adquirir o HIV

Quando a infecção por HIV é positiva, a determinação da carga vírica (PCR) permite quantificar a quantidade de RNA, enquanto que a contagem de CD4 possibilita aferir o estadiamento da infecção por HIV

Pela análise da figura abaixo, vemos que inicialmente a produção do vírus é controlada por mecanismos imunológicos. No entanto, estes são insuficientes para impedir que na última fase os marcadores das células-alvo quase desapareçam.

O tratamento da infecção HIV é dirigido, a nível farmacológico, contra as proteases e as transcriptases. Os anti-retrovíricos são importantes na medida que permitem uma maior sobrevida dos doentes, por prolongamento do período de latência e, deste modo, oferecem aos doentes um período assintomático maior, evitando a evolução precoce para SIDA. De fato, estes antivíricos não eliminam o vírus e, quando a adesão é baixa e existe descontinuação do tratamento, o vírus tem uma grande capacidade de mutação e aquisição de resistências que, por sua vez, podem ser transmitidas, fato que se revela muito importante a nível epidemiológico, já que pacientes cuja adesão ao tratamento é satisfatória podem não conseguir ter a sua infecção controlada. Portanto, a escolha do fármaco por parte do médico assume particular importância e, por outro lado, existem centros que obrigam os pacientes a levantar a medicação todas as semanas, de modo a garantir a adesão à terapêutica.

Outro problema epidemiológico diz respeito a indivíduos infectados por HIV que são cuidadosos com a doença e medicação e se sentem perfeitamente saudáveis: nestes pacientes, o médico recorre ao doseamento da carga vírica, verficando que o vírus se encontra indoseável, isto é, os anti-retrovíricos permitiram eliminar grande parte do vírus circulante; todavia, perante isto, muitos destes indivíduos readquirem comportamentos de risco, pois julgam erradamente que, não sendo possível dosear o vírus, não existe risco de contágio (este fato foi particularmente relevante na segunda vaga de infecções HIV que ocorreu a partir de 2000 em núcleos restritos de comportamentos de risco). Do mesmo modo, outros indivíduos que adquiriram o vírus e têm conhecimento disso não fazem qualquer tipo de esforço para evitar a propagação.

Ao nível da prevenção, existem muitas instituições empenhadas na obtenção de uma vacina, mas não se acredita que surja uma vacina eficaz nos próximos anos, tendo em conta a relativa ineficiência das vacinas já obtidas. Por fim, o controlo da infecção relaciona-se com os fatores de risco e, por isso, não possui caráter universal.

HTLV

Dentro dos Retrovírus, os vírus HTL possuem uma capacidade oncogénica muito grande e um grande período de latência (cerca de 30 anos), sendo não citolíticos, (a célulaalvo é infectada mas não morre). Epidemiologicamente, o HTLV é endémico no Japão, nas Caraíbas e na África Central; em Portugal, existem ocasionalmente doentes infectados por HTLV que não estiveram nas zonas citadas.

O HTLV-1 é responsável pela paraparesia espástica tropical, ou seja, possui uma afinidade para as células neurológicas, além de ser agente etiológico da leucemia de células T aguda do adulto. O HTLV-2 é responsável por leucemia das células em cabeleira e o HTLV-5 pelo linfoma cutâneo de células T, o que significa que, à semelhança do HIV, as células T constituem também um alvo preferencial.

O diagnóstico laboratorial depende de:

Pesquisa de anticorpos pelo método de ELISA
Pesquisa de antigénios pelo método de ELISA
Pesquisa de RNA vírico por PCR-RT.

Priões

Os priões são considerados Lentivírus não convencionais. Graças aos priões, foi introduzido um novo conceito de fator infectante sem ser um agente. É uma partícula infecciosa, proteinácea e capaz de infectar e transmitir doença. É um agente filtrável (extremamente pequeno) sem genoma nem estrutura do tipo virião que não induz resposta imunológica e é resistente ao calor, aos desinfectantes e à radiação, associando-se a doenças neurodegenerativas, sobretudo a encefalopatia espongiforme. Uma das hipóteses mais aceites estipula que o prião tem capacidade de alterar a relação tridimensional das células quando entra nestas, levando à formação de vacúolos intracelulares e à alteração funcional e passando a célula-alvo a ter capacidade infectante (de outras células) cujo mecanismo se encontra ainda por esclarecer.

Quanto às características patogénicas dos priões:

Não têm efeito citopático in vitro, ou seja, não matam as células
Possuem um período de incubação muito longo (30 anos), à semelhança do HTLV
Causam vacuolização dos neurónios (daí o termo “espongiforme”), placas do tipo amilóide, gliose
Provocam sintomas, sobretudo do foro neurológico:
perda do controlo da força muscular, tremuras, demência
Sem antigenicidade, inflamação, resposta imunológica e produção de interferões; deste modo, o diagnóstico laboratorial não incluirá a pesquisa de anticorpos.

A astenia, as tremuras e a perda de força muscular são características dos pródromos que apenas têm lugar após um longo período de incubação.

As doenças causadas pelos priões em humanos e outros animais são muito semelhantes:

1. Doenças no Homem:

a. Kuru: esta doença era comum numa tribo canibalista cujos membros adquiriam a doença após ingestão de carne humana. No entanto, o kuru é já conhecido há muitos anos pelas suas manifestações neurológicas sem estar associado a este tipo de rituais
b. Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD):
corresponde à BSE nos animais
c.
Gerstmann-Straussler-Scheinker (GSS syndrome)
d. Insónia fatal familiar (FFI):
tal como a anterior, é uma doença genética

2. Doenças no animal:

a. Scrapie (gado ovino e caprino)
b.
Transmissible mink encephalopathy
c. Encefalopatia espongiforme bovina (BSE; doença das vacas loucas):
o termo “louco” refere-se também à perda da força muscular e tremuras; d. Chronic wasting disease (mulas, veados e alces)

A transmissão no Homem ocorre por tecido infectado, transplantes, material médico contaminado e comida (sobretudo carne de vaca e em particular a mioleira), sendo que nas doenças genéticas a transmissão depende da hereditariedade.

As populações de risco incluem não só a Tribo Fore da Nova Guiné (kuru - canibalismo), mas também cirurgiões (sobretudo neurocirurgiões), transplantados, doentes submetidos a cirurgia cerebral e familiares de pacientes com as doenças genéticas.

Quanto à prevenção, não existe tratamento, mas o kuru desapareceu por proibição do canibalismo e tentou-se eliminar os produtos biológicos nas rações animais para evitar a transmissão de CJD, incluindo material queimado, visto que o calor e a radiação não são suficientes para destruir os priões. Para as síndromes genéticas (GSS syndrome e CJD), os eléctrodos e aparelhos neurológicos devem ser desinfectados com soluções de hipoclorito ou hidróxido de sódio ou submetidos a autoclavagem, de forma a evitar a transmissão devido à utilização de material cirúrgico infectado.

O diagnóstico laboratorial está dependente da detecção de uma proteinase K aparentemente específica deste prião por Western blot.

Por fim, a autópsia revela-se importante para a visualização das placas amilóides características, dos vacúolos espongiformes e da imunohistoquímica para priões, possibilitando um controlo epidemiológico desta doença que ainda preocupa a comunidade científica, não obstante a recente despreocupação por parte dos meios de comunicação social.

Manuel Tiago Borges

Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

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