Com cerca de 400 milhões de habitantes, a China do final do século XIX era um país submetido aos interesses das principais potências imperialistas. Essa sujeição era tão intensa que, nas praças públicas das cidades chinesas, os ocidentais davam-se direito de fincar cartazes onde se lia: “É proibida a entrada de cães e de chineses no jardim”.
Para exercer sua dominação, as nações imperialistas contavam com o apoio de uma propaganda massiva e a conivência dos imperadores chineses da dinastia Manchu, que dominavam o país desde o século XVII.
Esse contexto marcado por privilégios e humilhações levou inúmeros chineses a organizaram atos de rebeldia. Em 1900, por exemplo, os Boxers, membros de uma sociedade secreta que praticava o boxe sagrado, iniciaram uma revolta nacional contra os estrangeiros, mas acabaram massacrados pelos exércitos das potências ocidentais que haviam se unido contra eles. Os Boxers foram vencidos. A semente, porém, estava lançada.
Aos poucos, as camadas populares foram se engajando na luta pela democracia. Finalmente, em 1911, o antigo império chinês desabou. A revolta que pôs fim à monarquia chinesa foi liderada por Sun Yat-sen , nomeado então presidente da República recém-proclamada. Sun Yat-sen, junto com seus seguidores, fundou o Kuomintag , Partido Nacional do Povo.
A República chinesa, no entanto, não conseguiu fazer frente às potências estrangeiras e nem aos chefes militares locais, chamados “os senhores da guerra”. Eles possuíam enorme poder nas províncias e controlavam, juntamente com outros grandes proprietários de terra, cerca de 88% das áreas produtivas.
Em 1921, coma disposição de organizar os operários, os artesãos e os 30 milhões de collies existentes no país, foi criado o Partido Comunista Chinês (PCC). Seus principais fundadores foram o intelectual Chen-Tu-xiu, o educador Peng-Pai e o ativista político Mao Tse-tung. A princípio, esse partido aliou-se ao Partido Nacional do Povo. Essa aliança, porém, durou pouco.
Em 1927, o general Chiang Kai-shec assumiu o comando das tropas do Partido Nacional do Povo, disposto a submter os chefes militares locais e impor-se ao páis todo. Durante as lutas que então se travaram, Chiang Kai-shec voltou-se também contra os comunistas, ordenando que os massacrassem. A partir daí, a união entre os nacionalistas e os comunistas cedeu lugar a uma guerra entre eles.
Um dos episódios marcantes dessa guerra foi a Longa Marcha , uma caminhada de 10 mil quilômetros que o principal líder comunista, Mao Tse-tung, empreendeu com mais de 100 mil pessoas em direção ao noroeste do país com o objetivo de escapar ao cerco inimigo. Durante a caminhada, muitas pessoas morreram, outras ficaram pelo caminho organizando os camponeses, que haviam se transformado na principal base de apoio dos comunistas. Apenas 9 mil chegaram ao destino final, a província de Shensi, onde se ergueu o quartel-general das tropas maoístas.
A prolongada guerra entre nacionalistas e comunistas foi interrompida apenas duas vezes. A primeira, em 1937, quando se uniram para lutar contra o Japão que havia invadido a Manchúria, no norte do país. A segunda, durante a Segunda Guerra Mundial, para enfrentar as forças nazi-fascistas.
Com o final da Segunda Guerra, os japoneses foram expulsos do território chinês e as tropas de Chiang Kai-shec, com o apoio bélico dos Estados Unidos, lançaram uma ofensiva contra os “vermelhos” de Mao Tse-tung, reiniciando, então, o conflito armado.
Mesmo sem a ajuda da maior potência comunista, a União Soviética, dirigida na época por Stálin, as forças de Mao conseguiram a vitória. Em 1º de outubro de 1949, conquistaram o poder e proclamaram a República Popular da China. Chiang Kai-shec e o que restava de seu governo refugiaram-se na ilha de Formosa (Taiwan), onde instalaram a China Nacionalista.
Fonte: www.brasilescola.com.br
Enraíza-se numa luta de caráter nacionalista, na primeira metade
do século XX, e numa vitória socialista que, ao contrário
do que afirmava a teoria marxista, não se baseia num operariado urbano
desenvolvido, como acontece na Rússia, e sim no campesinato.
Primeira fase
Desde 1905, o Partido Nacionalista (Kuomintang) de Sun Yat-sen tenta depor a dinastia mandchu. Mas o movimento está dividido. Em Nanquim, Sun é eleito presidente de uma assembléia revolucionária. Em Pequim, Yuan Chegai é nomeado primeiro-ministro pela Assembléia Nacional. Quando o imperador abdica, Sun concorda que Yuan se torne presidente provisório em março de 1912. Mas este proclama-se imperador em 12 de dezembro de 1915. Sua morte no ano seguinte lança o país na anarquia. No sul, com a ajuda russa, Sun reorganiza o Kuomintang e instala um governo republicano em Cantão. No norte, Pequim é disputado pelo governador mandchu Jiang Tsolin e pelo republicano general Fong Huxiang. Em Xangai, começam a surgir focos de resistência do PC, fundado em 1o de julho de 1921 e que se alia ao Kuomintang em 1923.
Depois da morte de Sun, em 1925, seu cunhado, Chiang Kai-shek , comanda o Exército nacionalista e conquista Hankow em janeiro de 1927, Xangai em 21 de março e Nanquim, em 24 de março. Nesta última instala seu governo. O massacre e a expulsão dos comunistas de Xangai dá início à luta entre o Kuomintang e o PC, em 1927. No ano seguinte as campanhas no norte resultam na unificação. Chiang passa a presidir um Conselho de Estado, que concentra todos os poderes e Nanquim substitui Pequim como capital. Nos anos seguintes, Chiang pacifica o vale do Yang-Tsé, na guerra civil contra o Exército Vermelho, criado em 1928. Tenta expulsar os comunistas de Kiangsi, forçando-os a iniciar, sob o comando de Mao Tse-tung e Chou Enlai, a Grande Marcha até Shensi (1934).
Durante a 2a Guerra Mundial, a China fica dividida em três regiões: uma ocupada pelos comunistas, uma sob controle nacionalista e uma invadida pelo Japão, desde 1931. A reduzida atividade militar do país favorece a reorganização das forças comunistas no norte e leste. Paralelamente, o Kuomintang deteriora-se, desmoralizado pela corrupção de seus dirigentes.
A guerra civil se alastra e, entre 1945 e 1947, os comunistas instalam um governo provisório, decretam a reforma agrária, denominam suas tropas de Exército Popular de Libertação (EPL) e, apesar do ajuda americana ao Kuomintang, ampliam o domínio das áreas rurais e das pequenas e médias cidades. Em 1949 conquistam grandes cidades, como Nanquim e Pequim. Proclamam a nova República Popular em 1o de outubro e forçam a retirada do governo e do exército do Kuomintang para Taiwan (Formosa ). A conquista do restante do território chinês é completada em 1950.
Fundador do Partido Comunista Chinês, do Exército Popular de Libertação e da República Popular da China, nasce numa família de pequenos proprietários de Changcha. É enviado a Pequim para cursar a escola secundária e a universidade e se envolve no movimento democrático de 4 de maio de 1919. Ao voltar a Iennan, organiza círculos de estudo da teoria marxista. Participa do congresso de fundação do Partido Comunista, em 1921, em Xangai, mas é considerado herético por sugerir que a revolução chinesa deve ser camponesa, e não liderada por operários industriais. Passa a advogar construção de bases revolucionárias no campo, contra a opinião da maioria dos dirigentes. Essas bases acabam sendo decisivas para a sobrevivência das forças comunistas, que se salvam do golpe militar de Chiang Kai-shek em 1927. Mesmo assim, as opiniões estratégicas de Mao continuam em minoria até a derrota do Exército Popular de Libertação frente à quinta ofensiva das forças do Kuomintang, em 1935, que resulta na Longa Marcha. Durante essa retirada de 100 mil homens através de 12 mil km para Iennan, Mao é eleito o principal dirigente do PC e comandante do EPL. Estabelece seu quartel-general na província de Shensi, região que permanece sob o controle do Exército Popular.
Em 1939 casa-se com Chiang Ching, uma artista de Xangai, apesar da oposição de outros dirigentes, como Chou Enlai. Durante a 2a Guerra, faz uma aliança com o Kuomintang para defender o território chinês e amplia as bases sob seu domínio. Em 1948 lança uma ofensiva final sobre o governo e estende o domínio do governo popular socialista sobre toda a China. Acumula os cargos de secretário-geral do PC e presidente da República e dirige as transformações radicais no país. Em 1966 lança a Revolução Cultural e usa o movimento para libertar-se de seus opositores e inimigos dentro do próprio PC. No início dos anos 70, sob influência de Chou Enlai, começa a conter as tendências mais esquerdistas, inclusive as lideradas por sua mulher, Chiang Ching, e promove uma abertura do país ao mundo ocidental. Em 1971 reata relações diplomáticas com os Estados Unidos e ingressa na ONU. As disputas pelo poder acirram-se no país. Com a morte de Chou Enlai no início de 1976, Mao vê crescer o poder de seu vice-primeiro-ministro, Deng Xiaoping, mais tarde seu sucessor.
Em 1958 Mao adota um plano de comunização radical, com a coletivização forçada da terra, um grande esforço industrial e forte repressão contra os oposicionistas. A experiência fracassa e faz crescer os atritos ideológicos com a URSS, que resultam, em 1960, na retirada da assistência tecnológica soviética. A postura chinesa mais agressiva leva a uma guerra de fronteira com a Índia em 1961.
Movimento popular liderado por Mao entre 1966 e 1969 contra seus opositores no aparelho do Estado e no Partido Comunista, acusados de tentar restaurar o capitalismo. Todos os hábitos, costumes e tradições passados são considerados burgueses e reacionários. Os intelectuais são perseguidos e enviados para o campo, a fim de “reeducar-se” por meio de trabalhos forçados. Surge a Guarda Vermelha, formada por estudantes que se guiam pelo livro de citações de Mao . A partir de 1967, com a instauração da Comuna de Xangai, a luta pelo poder se transforma em conflito entre diferentes facções que se proclamam intérpretes fiéis de Mao. A Revolução Cultural termina em 1969 com a destituição do presidente Liu Xiaoqi.
Choques entre comandos rivais do EPL ameaçam envolver o país numa guerra civil. Mao envelhece. O primeiro-ministro Chou Enlai, no cargo desde 1949, melhora as relações entre a China e o Ocidente e leva o país a entrar na ONU em 1971. O grupo do ministro da Defesa, Lin Piao, tenta um golpe de Estado em 1973. A disputa se agrava em 1976, quando morrem Chou Enlai e Mao. São presos Chiang Ching, viúva de Mao, e seus aliados da chamada Gangue dos Quatro, que haviam desempenhado papéis importantes na Revolução Cultural. A transição se completa em 1978, com o afastamento do secretário-geral do PC, Hua Guofeng, e a ascensão ao poder do vice-presidente do partido, Deng Xiaoping.
Atriz na juventude, é quarta esposa do dirigente comunista chinês Mao Tse-tung, com quem se casa em 1939. Fica mundialmente conhecida a partir de 1965, como a principal dirigente da Revolução Cultural chinesa e uma das organizadoras da Guarda Vermelha, organização paramilitar da juventude maoísta. Com a morte de Mao em 1976, é afastada do poder e presa. É condenada à morte em 1981, durante o processo contra a chamada Gangue dos Quatro – os dirigentes da Revolução Cultural –, acusada de mandar matar milhares de oposicionistas. Em sua defesa, afirma que limitava-se a cumprir ordens de Mao: “Eu era apenas o seu cachorrinho”. Sua pena é comutada para prisão perpétua em 1983. Doente a partir de 1988, suicida-se em 1991.
Sucessor de Mao Tse-tung no comando da China. Com 16 anos integra um programa de estudo e trabalho na França, onde adere ao Partido Comunista. De volta ao país passa a organizar forças a favor de Mao Tse-tung. Participa da Longa Marcha com Mao mas depois passa a ser acusado de ser pouco ortodoxo em relação aos princípios maoístas. Em 1966 é demitido do cargo de secretário-geral do partido e submetido à humilhação pública pela Guarda Vermelha. Depois de algumas tentativas frustradas, volta à política depois da prisão da Gangue dos Quatro e da mulher de Mao. Recupera a liderança no final da década de 70 e internacionalmente passa a ser considerado o responsável pela modernização do país. Começa a perder popularidade na década de 80 ao defender posições da ala mais radical do partido. Em 1989 manda reprimir com violência as manifestações pacíficas de estudantes na Praça da Paz Celestial em Pequim.
Fonte: br.geocities.com
Depois da vitória de Mao Tsé-tung, Chiang Kai-chek se refugiou na ilha de Formosa (Taiwan), pois os EUA conseguiram que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhecesse Formosa (China Nacionalista) como a única representante do povo Chinês! A gigantesca China Popular, "socialista", ficou de fora. Um absurdo não? Somente em 1971 com a aproximação diplomática entre a China e os EUA, a China foi admitida na ONU.
No começo do século XX, a China era só uma sombra do seu glorioso passado. Retalhada e humilhada pelo imperialismo, havia se tornado um país atrasado, com centenas de milhões de famintos. Suas riquezas pertenciam à elite e aos exploradores estrangeiros. O povo cultivava arroz e contava os grãos que podia comer.
Em 1911, os nacionalistas chineses, liderados por Sun Yat-sen, chefiaram uma revolta que proclamou a república. Este homem fundou o Kuomintang (KMT), partido nacionalista que propunha criar um Estado moderno, dinamizador do capitalismo.
Acontece que o país não encontrou estabilidade política: estava mergulhada nas disputas dos senhores da guerra. Eles eram latifundiários que reuniam um bando de capangas armados pra dominar uma região. É óbvio que, enquanto suas disputas dividissem o país, a China continuaria frágil diante do imperialismo.
O Partido Comunista Chinês (PPC) foi fundado em 1921. Seguindo o Kormintern (Internacional Comunista, sediada em Moscou. Orientava os Partidos Comunistas no mundo inteiro), o P.C. da China não lutava diretamente pelo socialismo. A idéia era apoiar a burguesia nacionalista para vencer os senhores da guerra, fortalecer o governo central e desenvolver a economia, tirando o país do atraso e da submissão. Assim, o P.C. da China aliou-se ao Kuomintang na luta por reformas democráticas.
Após a morte de Sun Yat-sen (1925), o KMT passou a ser liderado pelo traiçoeiro e inescrupuloso Chiang Kai-chek. Este homem ambicioso e sem escrúpulos, que não hesitou em vender-se ao imperialismo, ordenou o Massacre de Xangai (1927), no qual milhares de comunistas foram trucidados pelos soldados do KMT. A partir daí, começava a gerra civil entre o PCC e o KMT.
Chefiado por Chiang Kai-chek, por volta de 1927, o KMT já tinha conseguido um razoável controle do país, mas não tinha destruído totalmente os comunistas. Derrotados no Sul, os comunistas tiveram de fugir em direção às montanhas de Kiangsi. Lá, controlando uma pequena área, fundaram a República Soviética da China (1931). No mesmo ano, os japoneses invadiram a região da Manchúria. Chiang Kai-chek declarou: "Os japoneses são uma enfermidade da pele, e os comunistas são uma doença do coração". Então enviou meio milhão de soldados, apoiado por 500 aviões para expulsar os vermelhos de Kiangsi. Os revolucionários tiveram de fugir. Foi a Longa Marcha (1934), liderada por Mao Tsé-tung, uma verdadeira epopéia de 6000km de caminhada, desafiando rios, pântanos, deserto, neve, montanhas, em mais de 200 combates contra tropas do KMT. Finalmente os sobreviventes chegaram a uma região distante, a noroeste da China, praticamente inacessível ao inimigo.
A Segunda Guerra chegou mais cedo à China: em 1937 o Japão
declarou guerra total, com o objetivo de dominá-la completamente.
Para enfrentar os invasores japoneses, o PCC e o KMT estabeleceram uma trégua.
Entretanto, enquanto o KMT, dominado pela corrupção, pouco fazia
contra os violentos ocupantes estrangeiros, o PCC mostrava ao povo que era
o mais dedicado, vigoroso e leal combatente do imperialismo. Na luta contra
os japoneses foi criado o Exército Vermelho, e, em pouco tempo, ser
patriota era sinônimo de ser comunista.
Os japoneses agiram com selvageria, matando e desruindo o que viam pelo caminho. Os latifundiários, para não perderem suas riquezas, colaboravam com os invasores e exploravam mais ainda os camponeses. Os soldados do KMT, embriagados pela corrupção, roubavam descaradamente seus compatriotas. Diferente mesmo era o Exército Vermelho. Em cada região libertada por ele, os camponeses eram tratados como irmãos. Os revolucionários confiscavam as terras dos poderosos e distribuíam-nas para os trabalhadores. Montavam escolas e hospitais. E, na época da colheita, ajudavam a pegar o arroz. Afinal, era um exército de camponeses, trabalhadores, do povo chinês. Quando o Exército Vermelho seguia adiante, levava junto milhares de novos integrantes voluntários.
Quando os japoneses foram vencido em 1945, a luta entre o PC e o KMT recomeçou. Mas agora, a esmagadora maioria da população estava com os comunistas. Nem a ajuda dos EUA pôde manter o KMT no poder. Chiang Kai-chek raspou os cofres e partiu para a ilha de Formosa onde criou um novo Estado, protegido pelos EUA. No ano de 1945, Mao Tsé-tung entrava vitorioso em Pequim. Os comunistas acabavam de tomar o poder no país mais populoso da terra.
Hong Kong é um território inglês tomado da China na Guerra do Ópio (1942). Um cordo diplomático previu a devolução de Hong Kong à China em 1997. Entretanto, foi acertado que o governo comunista chinês respeitará o capitalismo do território por mais 50 anos.
Hong Kong é um dos Tigres Asiáticos. Os japoneses fizeram investimentos pesados e hoje o território é um dos grandes exportadores mundiais de produtos eletrônicos.
Stálin, dogmático como sempre, não acreditava na possibilidade dos comunistas tomarem o poder na China. Achava que o melhor a fazer era o PCC se aliar ao KMT para empreender uma revolução democrático burguesa. O velho esquema etapista, ou seja, como se os países fossem obrigados a cumprir as mesmas etapas na evolução histórica. Mao Tse-tung não deu ouvidos a Stálin e liderou a revolução socialista.
Logo depois da tomada do poder, o governo comunista fez importantes reformas: distribuiu terra aos camponeses, acabou com a poligamia (um sujeito que tem várias esposas oficiais) e com o casamento forçado pelos pais, controlou a inflação, reconstruiu o país e ampliou os direitos sindicais. Entretanto, desde 1940 permanecia a Nova Democracia, isto é, a China continuava a ter empresários capitalistas. A idéia era uma Revolução Ininterrupta, ou seja, avançar em direção ao socialismo. É óbvio que esses empresários fizeram de tudo para boicotar o governo. Assim, a partir de 1952, começaram as grandes transformações. Com enormes manifestações operárias de apoio ao governo comunista, as grandes empresas foram encampadas pelo Estado e, pouco depois, não havia mais burgueses na China.
Desde o começo da revolução, a China recebeu bastante ajuda soviética: dinheiro, armas, tecnologia, médicos, engenheiros e pesquisadores. Os chineses tentavam construir o socialismo de acordo com as receitas da URSS. Distribuíram terras para os camponeses, criaram cooperativas rurais e fazendas do Estado, alfabetizaram milhões de adultos e deram prioridade para a indústria pesada. No primeiro Plano Quinquenal (1953-1957) os pequenos proprietários camponeses uniram-se em cooperativas rurais e a indústria teve um razoável crescimento.
Entretando os Chineses sempre foram originais e conscientes de que deviam seguir seus próprios caminhos.
No ano de 1957 o PCC lançou a campanha Cem Flores, concedendo grande liberdade para debates públicos. Mao Tsé-tung disse: "Deixai que as flores desabroxem e que floresçam as discuções". As críticas foram maiores do que se esperava. Os camponeses reclamavam que recebiam pouca atenção, operários diziam que tinham aumentos menores que a ampliação da produtividade. Alertava-se contra o crescimento do poder do Partido e sua burocratização. Preocupado com a estabilidade, o PCC censurou as críticas. A liberdade não seria total.
Em 1958, Mao Tsé-tung lançou o projeto Grande Salto Para a Frente. Toda a China foi mobilizada para que em poucos anos o país se tornasse uma potência econômica. Foi dada prioridade para o campo, estimulando as Comunas Rurais. O que é uma comuna chinesa? Uma grande fazenda com autonomia financeira, grande igualdade de salários, espécie de minimundo comunista, com escolas e hospitais gratuitos e até oficinas e pequenas fábricas. Para desenvolver a indústria, trabalhava-se sem parar. Inclusive nas aldeias camponesas construíram-se pequenas fornalhas onde se jogava no fogo todos os pedaços de metal encontrados. O ensino procurou levar milhares de estudantes a trabalhar na agricultura, ao mesmo tempo em que o aprendizado técnico era ligado à educação ideológica ("A política do Comando").
O Grande Salto foi um fracasso, a indústria cresceu muito pouco e as tais fornalhas no campo só serviram para desprediçar matéria prima. Muitos hospitais e escolas rurais não puderam se sustentar por falta de recursos. Pra piorar, houve terríveis enchentes. Como se isso não bastasse, a China perdeu a ajuda da URSS.
A China passou a acusar a URSS de social-imperialismo. A partir daí valia tudo contra os soviéticos. Assim, em 1971 a China aproximou-se diplomaticamente do EUA e em 1973 apoiou a ditadura militar do general Pinochet no Chile. Quando a URSS ocupou o Afeganistão em 1979, a China aliou-se aos EUA para fornecer armas para os guerrilheiros muçulmanos afegãos que combatiam os ocupantes soviéticos.
Fonte: www.comunismo.com.br