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Revolução Cubana

A queda de Batista (1953-1959)

Cuba vivia, desde 1952, sob a ditadura de Fulgêncio Batista, que chegara ao poder através de um golpe militar. Batista era um ex-sargento, promovido de uma hora para outra a coronel, depois da chamada “revolução dos sargentos” que depôs o presidente Gerardo Machado, em 1933. Sete anos depois, em 1940, Batista foi eleito presidente. Concluído seu mandato, manteve-se distante do poder durante o governo de seus dois sucessores, para retornar novamente à ativa em 1952, com um golpe.

Contra a ditadura de Batista formou-se uma oposição, na qual se destacou o jovem advogado Fidel Castro, que em 26 de julho de 1953 atacou o quartel de Moncada, com um grupo de companheiros. O ataque fracassou e foram todos encarcerados, mas o ditador anistiou os rebeldes em 195. Fidel, impossibilitado de agir devido à rigorosa vigilância policial, procurou exílio no México, onde reorganizou suas forças. No final de 1956, retornou a Cuba no barco Granma, carregado de armas para iniciar o confronto militar com Batista.

O plano de desembarque, porém, fracassou, e Fidel teve que se refugiar com os companheiros em Sierra Maestra, de onde começaram as operações guerrilheiras. Essas operações tornaram-se cada vez mais organizadas e o movimento guerrilheiro cresceu em força e apoio popular enfrentando o poder do ditador.

A selvagem repressão desencadeada por Batista aumentou sua impopularidade a tal ponto que, em 1958, os Estados Unidos acabaram suspendendo a venda de armas para o ditador. Em 8 de janeiro de 1959, depois de uma bem-sucedida greve geral, Batista foi derrubado e as tropas de Fidel entraram em Havana.

Manuel Urritia Manzano, moderado opositor do regime Batista, ocupou a presidência, e Fidel foi indicado primeiro-ministro. Alguns membros do Movimento 26 de Julho – nome da organização político-guerrilheira chefiada por Fidel – também ocuparam cargos ministeriais.

A organização de Fidel desfrutava de uma simpatia generalizada entre os cubanos e, a princípio, manteve-se eqüidistante do comunismo e do capitalismo. Os cubanos esperavam, por isso, que se instalasse um governo constitucional, um sistema democrático-representativo nos moldes conhecidos das repúblicas burguesas.

A radicalização

O fuzilamento dos inimigos da revolução (o famoso paredón), as reformas urbanas que obrigaram a baixar os preços dos aluguéis e a reforma agrária, de profundidade sem paralelo na América, eram manifestações de radicalismo que começaram a inquietar os moderados e, no plano externo, o governo dos Estados Unidos.

A resistência do presidente Urritia à radicalização levou Fidel a demitir-se em julho de 1959. Essa atitude suscitou a mais viva manifestação a favor de Fidel e levou, por sua vez, à renúncia de Urritia, que foi substituído por Osvaldo Dorticós Torrado. Fidel voltou a assumir o posto de primeiro-ministro.

Os moderados, vendo na manobra política de Fidel o sintoma de uma indesejável combinação de radicalismo e autoritarismo, afastaram-se do poder. Isso significou, para a revolução, a perda de apoio dos quadros qualificados (profissionais especializados), a qual, no entanto foi compensada pela aproximação e colaboração dos comunistas, que desde o início da guerrilha conservaram-se distantes do Movimento 26 de Julho.

A adesão dos comunistas à revolução, embora tardia, fez com que às audaciosas medidas do novo governo fossem interpretadas como de origem e inspiração comunista, o que não era verdade. De qualquer forma, serviu para encaixar o governo castrista no esquema da guerra fria: se o novo regime não era pró-capitalista, então só podia ser comunista. Essa foi a conclusão dos conservadores e moderados.

Etapas da ruptura com a ordem capitalista (1960-1961)

Era verdade, contudo, que a reforma radical implantada pelo novo governo possuía uma profunda orientação anticapitalista. O radicalismo do governo revolucionário era visto com desconfiança pelos Estados Unidos, sobretudo porque a reforma agrária atingira propriedades açucareiras que pertenciam a capitalistas norte-americanos. O presidente Eisenhower, contrariando o desejo dos ultraconservadores, descartou, entretanto a intervenção militar. Em represália, porém, desencadeou uma dura pressão econômica, cortando fornecimentos - por exemplo, de petróleo - e fazendo vistas grossas para ações de sabotagem contra a economia cubana.

Em julho de 1960, Cuba passou a importar petróleo da União Soviética, mas as refinarias, de propriedade norte-americana e britânica, recusaram-se a refinar o produto. Como resposta, o governo cubano encampou as refinarias, e os Estados Unidos reagiram suspendendo a compra do açúcar cubano.

Em 1961, com John Kennedy, a ruptura se completou. Os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com Cuba e Kennedy autorizou a invasão militar do país pelos exilados cubanos treinados por militares norte-americanos. No dia 17 de abril de 1961, com apoio aéreo dos Estados Unidos, os contra-revolucionários desembarcaram na praia de Girón, na baía dos Porcos, mas foram derrotados em 72 horas.

Dois dias antes da invasão, no dia 15 de abril, Fidel havia declarado, pela primeira vez, que a revolução cubana era socialista.

O socialismo cubano

A Revolução Cubana tornou-se socialista no processo, e nisso reside sua originalidade.

Em julho de 1961, o Partido Comunista Cubano ampliou sua participação e influência no governo. No ano seguinte, porém, sua ascensão foi freada, com o afastamento de seu núcleo dirigente do quadro governamental. O controle do poder foi então retomado pelos revolucionários de Sierra Maestra.

Contudo, o ingresso de Cuba na via socialista levou o país a vincular-se cada vez mais ao bloco socialista, enquanto era forçado a se afastar do sistema pan-americano. Em 1962, na Conferência de Punta del Este (Uruguai), Cuba foi excluída da Organização dos Estados Americanos (OEA). Com exceção do México, todos os países romperam relações diplomáticas e comerciais com Cuba, sob o pretexto de que Cuba estava exportando sua revolução para toda a América Latina.

Em meados de 1962, Kennedy denunciou a presença de mísseis soviéticos em Cuba e ordenou seu bloqueio naval, forçando a União Soviética a retirar da ilha seu arsenal nuclear.

O isolamento de Cuba imposto pelos Estados Unidos e sua dependência econômica e militar de uma potência distante (União Soviética) não deixaram a Fidel outra alternativa senão tentar modificar esse quadro opressivo para o país. Por isso, a partir de 1962, passou a defender, incansavelmente, a insurreição armada na América Latina, com a esperança de que, com uma revolução em escala continental, Cuba pudesse finalmente romper o isolamento ao qual estava submetida.

Por volta de 1965, devido ao bloqueio econômico, Cuba vivia graves problemas. Para solucioná-los, os revolucionários viram-se diante de um dilema: ou apelavam para soluções eminentemente técnicas e econômicas ou reacendiam a chama revolucionária. Ernesto Guevara, argentino de nascimento, mas que se tornara um dos principais dirigentes da revolução, era favorável à segunda solução. Entretanto, não havia unanimidade.

De qualquer modo, Cuba não tinha como renunciar a sua liderança continental, visto que exercia uma grande influência sobre as esquerdas na América Latina. E, como as esquerdas latino-americanas eram seu único ponto de apoio no continente, seria um suicídio político abrandar em Cuba a chama revolucionária.

Dentro desse espírito revolucionário, realizou-se em Cuba, no ano de 1966, o Congresso Tricontinental, que reuniu os principais movimentos revolucionários e antiimperialistas da Ásia, África e América Latina. Nesse momento, encontrava-se no auge a agressão norte-americana no Vietnã, e a heróica resistência vietnamita despertava enorme admiração em todo o mundo e motivava os revolucionários.

Em julho-agosto de 1967, fundou-se em Havana a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), cujo lema era: "O dever de todo revolucionário é fazer a revolução". Esse lema, que criticava implicitamente os partidos comunistas e outras correntes de esquerda que se haviam acomodado à ordem capitalista, retratava também o excesso de otimismo voluntarista, típico da época.

Isso veio a se confirmar no mesmo ano de 1967: Guevara, que há muito "desaparecera" do cenário político cubano, reapareceu na Bolívia, onde procurava repetir a experiência cubana. Dessa vez, entretanto, fracassou e foi morto pelo exército de Barrientos.

A partir de 1968, os dirigentes cubanos, admitindo agora outras alternativas revolucionárias, começaram gradualmente a se retrair, muito embora, por essa mesma época, a guerrilha estivesse se desenvolvendo no Brasil, na Argentina e no Uruguai. Porém, o ímpeto guerrilheiro não ultrapassou o ano de 1975, e as lutas armadas urbanas e rurais fracassaram. Com isso, a tradição bolchevique abandonada começou a ser retomada, em sua vertente anti-stalinista.

O "Foquismo"

Singularidade do modelo cubano – A luta armada não constituía um fato excepcional na América Latina, mas em Cuba assumiu uma característica muito particular, na medida em que separou, de modo radical, a luta política da militar.

Segundo a teoria tradicional concebida por Lênin - líder da Revolução Russa de 1917 - e adotada por todos os par-tidos comunistas do mundo, a revolução socialista deveria ser conduzida por uma minoria esclarecida, que se autoproclamava "vanguarda do proletariado". O modelo cubano, teorizado nos anos 60 pelo jovem intelectual francês Régis Debray, substituiu a vanguarda política por uma vanguarda militar.

A ação da vanguarda política do tipo leninista apoiava-se, de início, nas reivindicações econômicas do operariado e, por isso, começava com a infiltração comunista nos sindicatos. Os comunistas procuravam, desse modo, ampliar a luta dos trabalhadores, objetivando dar-lhes uma consciência política que, supostamente, não possuíam, mas que lhes pertencia por natureza. Assim, os comunistas (leninistas) esperavam que os operários passassem da luta meramente econômica para a política, preparando-se enfim para o enfrentamento global com a burguesia, através de uma insurreição armada. Chegava-se, desse modo, à tomada do poder. O modelo leninista subordinava, pois, a ação armada à estratégia política.

Segundo Debray, isso foi invertido pelo castrismo, que se peculiarizava pela prioridade virtualmente absoluta conferida à luta armada. Esta seria iniciada por um pequeno grupo (vanguarda militar), cujas ações deveriam criar as condições objetivas para a tomada do poder. Portanto, o castrismo consistia em começar a revolução com um foco guerrilheiro que, gradualmente, ampliaria seu raio de ação. Por isso, o modelo castrista teorizado por Debray ficou conhecido como "foquismo".

Quem levou mais longe essa concepção, na prática, foi Ernesto Che Guevara - que devido a sua origem argentina ficou conhecido como "Che". Guevara separou completamente a ação militar da militância política e ignorou a realidade econômica e social, apostando tudo, ao que parece, na vontade (subjetiva) heróica de um punhado de guerrilheiros determinados a sacrificar a própria vida pela causa revolucionária. Com essa concepção subjetivista e totalmente irreal, Guevara iniciou a guerrilha de Nancahuazú na Bolívia, onde encontrou a morte em 9 de outubro de 1967. A concepção era irreal, mas muito propicia para a construção de mitos heróicos. E, de fato, Guevara, com sua boina com uma pequena estrela, foi o herói revolucionário mais cultuado nos anos 60.

Os Partidos Comunistas e as Guerrilhas

A Revolução Cubana exerceu, sem dúvida, um enorme fascínio sobre as esquerdas. Sob sua influência, movimentos guerrilheiros surgiram em vários países da América Latina. Além da influência cubana, esses movimentos recebiam ainda estímulo vindo de longe, do sudeste asiático, onde se desenrolava a guerra do Vietnã (1954-1975). O êxito com que os guerrilheiros vietnamitas enfrentavam o exército norte-americano, o mais poderoso do mundo, era um acréscimo adicional de esperança para os partidários da guerrilha latino-americana.

Tudo isso contribuiu para fazer da luta armada o modelo revolucionário por excelência. As figuras de Fidel Castro, Guevara e Ho Chi Min pareciam ofuscar os nomes de Lênin e Stalin no panteão revolucionário.

Lembremos que a crítica a Stalin e ao stalinismo - portanto, aos PCs - ganhou mais intensidade nas esquerdas dos anos 70. Além disso, com exceção dos partidos comunistas do Brasil, Chile, Uruguai e da Argentina, que eram reformistas, na Venezuela, Colômbia e Guatemala os PCs apoiaram explicitamente a luta armada e chegaram a organizá-la.

As lutas armadas que eclodiram nos anos 60, contudo, não podem ser consideradas meros reflexos da Revolução Cubana, embora se tenham inspirado no seu exemplo.

A teoria do foco, tal corno foi formulada por Debray e encarnada por Guevara, como já assinalamos, conferia prioridade absoluta à luta armada. Entretanto, é preciso adicionar mais uma observação: o foquismo era considerado na época uma estratégia alternativa válida para toda a América Latina e, portanto, uma via socialista adequada a sua realidade.

Ora, esse modelo nem sempre foi seguido à risca, e as guerrilhas dos anos 60 apresentaram uma grande variedade.

As experiências guerrilheiras

Na Venezuela, a guerrilha foi organizada pelo Partido Comunista Venezuelano e começou a operar em 1962, tendo como principal dirigente Douglas Bravo. Em 1966, Bravo foi desligado da direção do partido e, em 1970, a esquerda abandonou a luta armada sem ter atingido seus objetivos.

Na Colômbia, as guerrilhas de direta inspiração cubana começaram a atuar em 1964, destacando-se como dirigente, no ano seguinte, o padre Camilo Torres, morto em 25 de fevereiro de 1966. No Peru, o mais conhecido dirigente guerrilheiro foi Hugo Blanco, da Frente de Izquierda Revolucionaria, de tendência trotskista, cujas ações se desenvolveram entre 1961 e 1964.

No Brasil, Carlos Marighela, ex-dirigente comunista, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e fundou, em 1968, a organização guerrilheira Aliança Libertadora Nacional (ALN); em 1969, foi morto pelos órgãos de repressão do regime militar. No mesmo ano, começou a luta armada na Argentina contra o regime militar de Onganía, destacando-se duas organizações guerrilheiras: o Exército Revolucionário do Povo (ERP) e os Montoneros - extrema esquerda peronista. De 1968 a 1973 esteve em atividade a organização guerrilheira uruguaia - os Tupamaros.

Com exceção de Camilo Torres, os dirigentes guerrilheiros eram de filiação comunista ou pertenciam a alguma de suas variantes. Nenhum desses movimentos de luta armada foi rigorosamente foquista, com exceção talvez da ALN e dos Tupamaros, mas ambos configuraram-se como guerrilhas essencialmente urbanas. Por fim, nenhum deles repetiu o êxito cubano.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

REVOLUÇÃO CUBANA

ELIÁN, O FIM DO EMBARGO E A REVOLUÇÃO

"O povo americano está absolutamente horrorizado com essa atitude radical dos grupos (anticastristas) da Flórida, porque eles estão agindo como se estivessem declarando um Estado independente e soberano em Miami".

Essas palavras foram pronunciadas pelo advogado cubano-americano José Pertierra, um especialista em questões de imigração. Ele falava sobre a atitude dos líderes de alguns dos grupos de imigrantes cubanos de tentar impedir que Elián González, o menino cubano resgatado no mar em novembro de 1999, seja entregue a seu pai, Juan Miguel González, que vive em Cuba, e de continuar a usar o garoto de 6 anos como bandeira de sua luta contra o regime do presidente Fidel Castro. A mãe de Elián, que era separada de Juan Miguel, morreu na trágica travessia com outras nove pessoas. O menino foi criado e vivia com o pai em Cuba.

O Serviço de Imigração e Naturalização confiou sua custódia temporária a um tio-avô, Lázaro González, que mora em Miami e que resistiu radicalmente a facilitar o retorno de Elián a seu pai.

Foram sete meses que o mundo acompanhou apreensivo o "caso Elián". Chamado de "o náufrago mais famoso desde Robinson Crusoé", o garoto foi "adotado" como símbolo da resistência ao regime comunista de Havana pelos exilados cubanos de Miami e apareceu em comerciais de TV, jornais e revistas de entidades anticastristas.

A guerra jurídica estendeu-se desde o pedido de repatriação de Elián pelo pai, até o final de junho de 2000, quando por decisão da Corte Suprema foi removido o último obstáculo que impedia o retorno do garoto Elián González a Cuba finalizando uma batalha judicial de sete meses.

O fim do embargo

No último ano do século XX, Cuba também foi notícia em outubro, quando o Senado norte-americano derrubou parte de um grande tabu: o embargo econômico a Cuba. No dia 18 de outubro de 2000 foi aprovada a exportação de alimentos e remédios à ilha de Fidel Castro. Essa medida é um importante indicador político de que o bloqueio econômico dos Estados Unidos tem os dias contados. Desde que se tornou órfã da União Soviética em 1991 com a derrocada do socialismo, Cuba amarga uma incontrolável crise econômica.

As Relações entre EUA e Cuba

O embargo norte-americano precisa ser compreendido desde suas origens no início dos anos 1960 no contexto da Revolução Cubana.

Costuma-se atribuir a decretação do embargo e sua manutenção até os dias atuais à "guerra fria". No entanto o que significa a "guerra fria"?. Durante décadas predominou a crença que dizia ser a guerra entre dois sistemas antagônicos, o capitalismo e o socialismo; o primeiro representado e defendido pelos EUA, e o segundo representado e defendido pela União Soviética. Dessa maneira, as relações internacionais estariam polarizadas, era a bipolarização. Essa visão maniqueísta da história passou a servir como justificativa para a política imperialista norte-americana. Representando a liberdade e a democracia, os EUA seriam os responsáveis por conter o avanço do "perigo vermelho". O velho discurso com uma nova roupagem. Desde o século XIX os norte-americanos desenvolveram uma política expansionista baseada na teoria do "Destino Manifesto", que considerava como dever do país, levar o progresso e o desenvolvimento à outras regiões, dizimaram milhões de indígenas e tomaram metade do território mexicano.

A ameaça soviética, segundo a Doutrina Truman, tornou-se a nova justificativa para o imperialismo norte-americano. Ao estudarmos a história de Cuba percebemos essa postura imperialista antes da Revolução e, nesse sentido, o embargo e todas as demais ações dos EUA contra Cuba foram determinadas pela política anti imperialista adotadas pelo governo revolucionário e não pela "guerra fria".

A HISTÓRIA

Costuma-se atribuir a independência de Cuba aos EUA. Ao derrotar a Espanha, em 1898, os norte-americanos teriam garantido a liberdade à Ilha. Dessa maneira é desprezada a luta do povo cubano pela independência. Esses dois elementos devem ser considerados no processo de independência, inclusive para que possamos compreender as contradições determinantes para a revolução.

Por quatrocentos anos a ilha de Cuba foi uma colônia explorada pela Espanha, sendo que, desde o século XVIII, a produção açucareira tornou-se a base da economia, apoiada no trabalho escravo africano. No século seguinte, os EUA já eram o principal comprador do açúcar cubano e viam com bons olhos os movimentos populares que se desenvolviam contra a dominação metropolitana.

Em Cuba, o primeiro movimento significativo de independência, ocorreu entre 1868 e 1878, e ficou conhecido conhecido como "A Grande Guerra". Esse movimento foi comandado por Carlos Manuel Céspedes, que, apesar de latifundiário, havia sido educado na Europa e defendia os ideais liberais de origem iluminista. Em 10 de outubro de 1868, em seu engenho de açúcar, Céspedes levantou-se em armas contra o governo espanhol, comandando cerca de 200 homens, proclamou a independência de Cuba. Um dos primeiros atos de Céspedes ao instalar o governo independente foi declarar livres todos os escravos que se juntassem ao exército revolucionário. Essa medida fez com que seu exército chegasse a ter 12 mil homens, porém passou a sofrer a oposição dos fazendeiros conservadores, ao mesmo tempo em que a Espanha aumentava seu contingente militar na Ilha. Céspedes foi deposto em 1873, porém a resistência manteve-se até 1878, quando os espanhóis recuperaram o controle político sobre a colônia.

Durante esse mesmo período surgia um novo líder revolucionário: José Marti. Preso aos 16 anos por ter fundado o jornal La Patria Libre, foi condenado a trabalhos forçados e depois deportado para a Espanha. Viveu no México, Venezuela e Estados Unidos, onde passou a preparar a revolução em Cuba. Em 1892 fundou o Partido Revolucionário Cubano. Em 1895, Martí desembarcou em Cuba e deu início a guerra de independência, morrendo em combate ainda no primeiro mês do conflito, que estendeu-se até 1898,quando a independência foi conquistada.

Ao final da guerra de independência contra a Espanha, os EUA entraram no conflito, com o pretexto de que um de seus navios ancorados em Cuba fora atacado. A vitória sobre a Espanha foi rápida, sendo que os EUA mantiveram seu aparato militar na Ilha ao mesmo tempo em que foi elaborada a Constituição do país, a qual, em 1901 foi acrescentada a Emenda Platt, que garantia o direito de intervenção dos EUA em Cuba, sempre que seus interesses estivessem ameaçados. Esse dispositivo mostra explicitamente a política imperialista norte-americana, no sentido de garantir o controle indireto sobre Cuba, no quadro da política do Big Stick, do presidente Theodore Roosevelt. Estava eliminado o intermediário espanhol e os norte-americanos passavam a ter o controle da economia cubana. Nas décadas seguintes, os investimentos norte americanos fomentaram a produção canavieira com a mecanização das fazendas, financiaram as usinas e investiram em atividades de transporte, assim como no setor de serviços. Também o turismo desenvolveu-se segundo os interesses dos EUA.

As primeiras décadas do século XX foram marcadas pela alternância de situações políticas democráticas e ditatoriais no país. Em 1933 um grande movimento popular colocou no poder Ramón Grau San Martí, que deu início a um amplo processo de reformas, apoiadas pelos grupos de esquerda, que procuravam atender as reivindicações das camadas mais pobres. Foi criado o ministério do trabalho e implementadas as primeiras leis trabalhistas, o ensino foi estimulado com a abertura de novas escolas, foi dado o direito de voto às mulheres e foi revogada a Emenda Platt.

O principal movimento de oposição, apoiado pelos EUA, foi encabeçado por Fulgêncio Batista, que tomou o poder em 1944 e novamente em 1952, implantando um governo ditatorial. O período ditatorial foi marcado pela subserviência aos interesses norte americanos, por repressão e injustiça social

A Revolução

O ideal revolucionário passou a ser defendido por membros do Partido Ortodoxo, do qual fazia parte Fidel Castro. Para esse grupo, a redemocratização no país somente seria possível através da luta armada. Essas concepções fizeram com que o grupo liderado por Fidel planejasse o assalto ao Quartel de Moncada, com o intuito de obter armas, para iniciar uma revolução. O fracasso do movimento foi responsável pela prisão e posteriormente, em 1955, pelo exílio daqueles que sobreviveram. No México, os exilados contaram com a adesão de Ernesto "Che" Guevara, comunista argentino, que integrou-se ao grupo para planejar a revolução em Cuba.

Apesar de contar com um pequeno grupo de homens e com poucas armas, o movimento guerrilheiro foi apoiado pela população camponesa e urbana. O grande apoio recebido pode ser explicado tanto pela situação política como econômica do país. A sociedade defendia a normalidade constitucional e a retomada da democracia, ao mesmo tempo em que a crise econômica se ampliava, pois a riqueza gerada pelo país era controlada pelas empresas norte-americanas. Essa situação fez com que se desenvolvesse uma camada urbana marcada pelo nacionalismo, que na prática, manifestava-se como um forte sentimento antiamericano e levou setores da burguesia a apoiar o movimento guerrilheiro, como forma de derrubar a ditadura e promover um projeto de desenvolvimento capitalista para o país. Formou-se a Frente Cívico Revolucionária Democrática e em 1° de janeiro de 1959 os revolucionários tomavam Havana.

O Poder

Com a fuga de Fulgêncio Batista, formou-se um governo provisório, encabeçado por Manuel Urritia, de caráter reformista, e que deu início a mudanças de caráter nacionalista, contrariando interesses norte-americanos, ao mesmo tempo em que realizou reformas no sistema de ensino e saúde e deu início a reforma agrária. A pressão popular fez de Fidel Castro primeiro ministro e suas mais importantes medidas foram: a abolição do latifúndio com a realização da reforma agrária e a nacionalização das empresas norte-americanas. As medidas de caráter popular e anti imperialista foram responsáveis pelo aumento da pressão dos EUA, que passaram a boicotar o açúcar cubano e em abril de 1961 patrocinaram uma tentativa de invasão da Ilha. Esse episódio, a tentativa fracassada de desembarque na "Baía do Porcos" de grupos anti castristas, treinados e armados na Flórida; Essa pressão externa serviu para acentuar a aliança cubana com a política soviética. A URSS comprometeu-se a comprar um milhão de toneladas de açúcar por ano, além de garantir um crédito de cem milhões de dólares ao governo revolucionário

Em 1962 Cuba foi expulsa da OEA e passou a sofrer o boicote econômico não apenas por parte dos EUA, mas dos demais países da América Latina. Nesse mesmo ano a URSS começou a instalar em solo cubano mísseis nucleares de médio alcance. O presidente Kennedy ordenou o bloqueio naval da Ilha, ameaçando invadi-la caso o procedimento soviético fosse mantido. Considera-se que a "crise dos mísseis" foi o ponto alto das tensões entre as superpotências durante a guerra fria. Se a União Soviética recuou em seus propósitos militares, os EUA recuaram na tentativa de invadir a Ilha, no entanto, mantiveram o boicote econômico como forma de desestabilizar o novo regime.

Inicialmente sem um projeto ideológico definido, o movimento revolucionário caminhou em direção ao modelo soviético de economia e organização política. Em 1965 formou-se o Partido Comunista Cubano, controlado por Fidel Castro, que passou a reprimir todos os setores que divergiram de seu comando. Do ponto de vista econômico a propriedade privada foi eliminada e desenvolveu-se a produção canavieira, que indiretamente alimentou indústria de máquinas e de bens de consumo. Destaca-se principalmente os avanços no campo da educação, com a erradicação do analfabetismo, e na saúde, com a implantação de um sistema que passou a atender a toda a população.

Fonte: www.historianet.com.br

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