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Revolução de 32

 

Revolução de 32
Canhão Krupp 75 mm, semelhante aos canhões utilizados pelas forças paulistas.

Quando Getúlio Vargas subiu ao poder, após o golpe de 1930, não respeitou a autonomia de São Paulo, nomeando um Interventor de fora, não conservando seu Presidente (nessa época os governadores eram denominados Presidentes).

Isso desgostou todos paulistas, sobretudo os dirigente do Partido Republicano Paulista (PRP) que não se conformavam com o fato de São Paulo estar sendo comandado por um estranho".

Foi desencadeada uma grande propaganda contra o governo federal, com os lemas:

"São Paulo dominado por gente estranha!"

"São Paulo conquistado"

"Tudo pela Constituição" ou "Convocação imediata da Constituinte".

O Interventor João Alberto pediu demissão. Getúlio nomeou então um paulista, o diplomata Pedro de Toledo, mas era tarde, os ânimos estavam exaltados. São Paulo tinha um Interventor paulista e civil, mas a situação não se acalmou.

No dia 25 de janeiro de 1932, aniversário da cidade de São Paulo, houve um imenso comício na Praça da Sé, colorido com bandeiras de São Paulo. Partidos políticos que eram rivais estavam unidos. O descontentamento foi aumentando e o povo se revoltou.

Em 22 e 23 de maio, estudantes e populares queimaram e empastelaram as redações dos jornais ditatoriais e, nesse conflito, foram mortos quatro estudantes de Direito: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo.

O nome dos quatro serviu para no futuro designar o movimento paulista: MMDC. O primeiro a morrer foi Camargo, justamente o estudante que era casado e pai de três filhos.

A idéia de revolução tomou conta de todos, sem distinção de classe social.

Ninguém podia ficar neutro: ou era a favor ou contra São Paulo! Não se admitia a neutralidade. Enfim, todos eram a favor.

São Paulo estava confiante da vitória, pois contava com o apoio dos militares de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Mas somente Mato Grosso manteve-se leal a SP. O comandante da Revolução era o general Isidoro Dias Lopes, apoiado fortemente pelo contingente de Mato Grosso, comandado pelo general Bertoldo Klinger.

Médicos, engenheiros, químicos, estudantes, operários, padres, freiras, colégios, comerciantes, empresas, associações, indústrias, donas-de-casa, formaram a solidariedade pública. Todos acorreram em massa ao chamado da Revolução.

Era a mobilização de todos os recursos humanos e materiais.

Foram realizados verdadeiros prodígios de técnica, produzindo munição de infantaria, morteiros pesados e leves, granadas de mão e de fuzil, máscaras anti-gases, lança-chamas, etc. Foram blindados trens, automóveis, e montados canhões pesados sobre vias férreas.

No dia 9 de julho de 1932, o Interventor Pedro de Toledo telegrafava ao ditador Getúlio Vargas: "Esgotados os meios que ao meu alcance estiveram para evitar o movimento que acaba de se verificar na guarnição desta Região ao qual aderiu o povo paulista, não me foi possível caminhar ao revés dos sentimentos do meu povo". Começava a Revolução Constitucionalista.

A revolução teve apoio de amplos setores da sociedade paulista.

Pegaram em armas intelectuais, industriais, estudantes e outros segmentos das camadas médias, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático. O que os movia era principalmente a luta antiditatorial.

Fonte: www.geocities.com

Revolução de 32

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior confronto militar no Brasil do século XX.

Ocorrido em São Paulo, tinha como objetivo a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas além da instituição de um governo constitucional.

No total foram 85 dias de conflito (de 9 de julho a 2 de outubro de 1932) com um saldo oficial de 934 mortos.

O conflito tem origem no golpe de 1930 através do qual Getúlio Vargas se tornou presidente provisório, mas com plenos poderes.

O congresso Nacional e as Câmaras Municipais foram fechados e os presidentes dos estados (naquela época os governadores eram chamados assim) foram substituídos por interventores. As oligarquias regionais de Minas Gerais e, principalmente a de São Paulo, se sentiram prejudicadas pela política centralizadora de Vargas. Além disso, Getúlio reconheceu oficialmente os sindicatos e legalizou o Partido Comunista, o que irritou ainda mais os latifundiários. Assim, a elite política de São Paulo, o estado economicamente mais importante do país, passou a exigir a convocação de eleições e o fim do governo provisório.

Em 1932, uma greve mobilizou cerca de 200 mil trabalhadores em São Paulo. Assustados, empresários e latifundiários paulistas iniciaram uma aliança contra Vargas.

Em maio, durante um comício onde era reivindicada uma nova Constituição para o Brasil, quatro estudantes são mortos no confronto com a polícia, são eles: Martins, Miraguaia, Drauzio e Camargo. As iniciais de seus nomes (MMDC) se transformaram no grande símbolo da revolução que começaria dois meses mais tarde. Com o apoio da população e da imprensa local, os paulistas se lançaram no confronto com as tropas federais. Uma intensa campanha foi realizada para arrecadar recursos e alistar novos voluntários. Contingentes foram enviados para diversos fronts em todo o estado.

Entretanto, as tropas federais eram mais numerosas, chegando ao número de 100 mil homens, enquanto as paulistas, tinham cerca de 35 mil. São Paulo contava com o apoio de outros estados, o que não aconteceu efetivamente. Em outubro de 1932 as tropas paulistas se renderam e iniciam-se as prisões e cassações dos líderes do levante.

Apesar da derrota em 1932, dois anos depois, em 1934, foi promulgada uma nova Constituição para o Brasil. Uma das reivindicações dos revoltosos e prova de que o levante não foi em vão.

Fonte: www.igeduca.com.br

Revolução de 32

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

O FIM DO PODER DISCRICIONÁRIO

Costuma-se dizer que, em uma guerra, a primeira vítima é a verdade.

Uma das mais poderosas armas de combate é a contra-informação, isto é, a propagação de informações distorcidas ou inverídicas, que lancem dúvidas ou falseiem a verdade, criando clima psicológico para justificar a ação.

Esse recurso é muito usado em qualquer embate, seja no terreno das idéias, na atuação política, ou na operação armada. Conquistar a opinião pública para seus objetivos, causando a confusão mental, é meio caminho andado para a vitória. Não por acaso que os governos e as forças militares ou revolucionárias de todo o mundo tem setores especializados nos serviços inteligência, buscando a informação e divulgando a contra-informação, manipulando dados com a mesma eficiência com que manejam as armas.

Ao estourar o movimento constitucionalista de 1932, o Governo Provisório fez espalhar a versão oficial de que o verdadeiro objetivo de luta no Estado de São Paulo era o de separar-se do Brasil. Paralelamente, boatos davam conta de que o ex-presidente do Estado, Altino Arantes, reunia forças para dar um golpe de Estado, derrubando o Governo Provisório e transferindo a capital da República para São Paulo.

O ano de 1932 já vai longe. Documentos que antes eram secretos ou pertenciam a arquivos particulares, inclusive os do Sr. Getúlio Vargas, vieram à tona e foram analisados minuciosamente pelos estudiosos da História do Brasil. Nada, nada mesmo, foi encontrado nestes setenta anos de pesquisa, que possa levantar a mínima suspeita quanto a pretensões separatistas, menos ainda, que, em algum momento, se tenha pretendido transformar São Paulo na capital da federação.

Mas a mentira, repetida várias vezes, adquire sabor de verdade. Tal foi, por exemplo, o boato propalado em 1989, de que Deodoro estava preso e que tropas seriam removidas do Rio de Janeiro para pontos distantes do país. Descoberta a mentira, o imperador Pedro II já havia sido derrubado e exilado. Tal foi o episódio das cartas apócrifas de Artur Bernardes, pretexto para a subversão dos quartéis em 1922. E, percorrendo a História, encontraremos, a todo o momento episódios em que a contra-informação cria justificativa para uma ação, nem sempre bem intencionada, de quem a divulga.

Antes de se fazer juízo sobre os pontos positivos e negativos da Revolução de 1932, vale à pena dar uma vista aos acontecimentos, à luz da documentação existente sobre o assunto. Até porque, numa guerra, não existem santos. Ela é a negativa da lógica, ou a lógica do absurdo, que pretende substituir a força da verdade pela verdade da força.

As facções em confronto

O Governo Provisório, instalado em 3 de novembro de 1930, era um mar de contradições. Seu chefe supremo, Getúlio Vargas, positivista dos velhos tempos de República, sonhava com um governo forte e, se possível, permanente. Sereno e equilibrado, movimentava, uma a uma, pacientemente, as pedras desse complicado tabuleiro de xadrez, que é a vida pública. Não descartava a violência, mas preferia o caminho da paz para atingir seus objetivos. Se possível, cedia, senão investia usando todos os recursos à sua disposição.

Paralelamente, para o bem ou para o mal, os "tenentes" de 1922 assumiram o poder com Getúlio, e até antes dele, já que os interventores militares iam sendo nomeados assim que cada Governador era deposto, criando uma rede poderosa a se contrapor com o governo central. Os "tenentes" passaram oito anos no exílio ou no anonimato, expulsos do Exército, afastados da família, banidos da sociedade, comendo o pão que o diabo amassou e se esqueceu de assar, e não pretendiam entregar o poder a revolucionários de última hora nem era sua intenção a redemocratização do país para entregá-lo às mesmas forças que haviam combatido. Para eles, melhor do que movimentar as peças no xadrez, seria virar de uma vez o tabuleiro.

Por outro lado, no Brasil inteiro, as oligarquias reinantes foram derrubadas e alijadas do governo. O impacto era sentido especialmente em São Paulo, onde os ruralistas, reunidos em torno do Partido Republicano (PRP) perderam a chance de desenvolver a política de sustentação do café à custa do dinheiro público.

Em São Paulo, havia, também, desde alguns anos, o Partido Democrático (PD), que participara da Revolução de 1930 ao lado dos revoltosos, ora no governo, e esperava receber sua fatia de bolo na distribuição do poder.

Por fim, em São Paulo, como no restante do país, os "tenentes" tratavam de instalar suas bases permanentes valendo-se de João Alberto e do major Miguel Costa. Assim é que, seguindo a orientação do "vice-rei do Norte", Juarez Távora, promoveram a fundação da Legião Revolucionária, de tendências totalitárias, como o eram o Clube dos Tenentes e outras associações paramilitares.

Outra força emergente e de peso era também a da classe operária. A Abolição da Escravatura, em 1888, arrasou com a economia dos Estados brasileiros, menos com a de São Paulo, que já vinha se utilizando do braço imigrante e adaptou-se facilmente à nova situação. As novas imigrações ocorridas na virada de século, puseram no Estado uma mão-de-obra diversificada, da qual, parte seguia para a lavoura, outra se fixava nas cidades, especialmente na capital, incrementando a indústria e formando um operariado lutador, consciente de seus direitos. Muitos desses trabalhadores, como os italianos, traziam de sua terra natal uma experiência de lutas, criando base para formação de movimentos reivindicatórios, trabalhistas e/ou políticos.

Todos esses blocos compactos atuavam na condição franco atiradores, cada um defendendo seus interesses específicos, mas reunindo ocasionalmente suas forças, quando o objetivo era impossível de se conquistar com a luta individualizada.

Uma no cravo, a outra na ferradura

O centro do poder legal era o Governo Provisório, cuja política Getúlio administrava com rara habilidade. Não pretendia abandoná-lo tão cedo, mas também não comprava problemas além daqueles que tinha condições de administrar.

Getúlio não via com bons olhos o poder paralelo dos "tenentes", menos ainda a concentração destes em associações, como o Clube 3 de Outubro (data de início da Revolução de 1930), ou as Legiões Revolucionárias, estas inspiradas por Juarez Távora. De bom grado, Getúlio substituiria os militares incrustados nas interventorias. Legalmente, podia fazê-lo mas, para evitar as repercussões de tal ato, contemporizava, usando em seu favor a força dos "tenentes".

Do Clube 3 de Outubro, conhecido como Clube dos Tenentes, fazia parte até o tenente-coronel Góis Monteiro, chefe militar da Revolução e homem forte do poder. Como escreveu Alzira Vargas, "ser tenente era mais importante que ser general." Getúlio reconhecia esse poder paralelo e várias vezes visitou o clube, fazendo discursos transmitindo as mensagens que eles queriam ouvir. Dentre elas a de que não era conveniente reconstitucionalizar o país enquanto não se eliminasse as "ervas daninhas" do regime anterior.

Incomodavam ao Chefe do Governo Provisório os movimentos pela nova Constituição, mas tinha em sua sacola um jogo de ferramentas de que faria uso, cada uma a seu momento próprio. Assim, no dia 24 de fevereiro de 1932, quando estavam programados comícios pró-constituinte em São Paulo e Rio de Janeiro, não tibubeou em usar uma delas, assinando um Decreto, já prontinho, que estabelecia o novo Código Eleitoral, com regras para uma futura e incerta convocação de Assembléia Constituinte. Em conseqüência, os comícios foram parcialmente neutralizados em seu conteúdo.

Todavia, no dia seguinte, com a mesma rapidez e eficiência, forças paramilitares atacavam as oficinas do "Diário Carioca", que, entre outras coisas, vinha cobrando do Governo a convocação da Constituinte. O jornal foi "empastelado" e vários funcionários ficaram feridos, dois em estado grave. O incidente nunca chegou a ser apurado convenientemente, mas ficou patente que homens-chave do governo, senão o próprio Chefe, tinham envolvimento no atentado.

O novo código eleitoral

O novo código eleitoral não foi um trabalho de improvisação. Guardado para uso no momento apropriado, que ora chegou, era um estudo muito bem feito, que modernizava o sistema eleitoral vigente na Primeira República, dando-lhe maior representatividade e expurgando os vícios que vinham transformando as eleições em uma farsa para referendar os candidatos previamente escolhidos pelos donos do poder.

Uma das modificações introduzidas foi o voto secreto. Com o sistema vigente, de voto a descoberto, ou a "bico-de-pena", o eleitor era policiado e estava mais sujeito às pressões dos candidatos, não podendo manifestar livremente sua opinião.

O limite de idade, anteriormente de 21 anos, baixou para 18 anos, ampliando apreciavelmente o contingente eleitoral. O jovem, por natureza, é mais interessado na renovação política e, se o deixam, comparece mais facilmente às urnas, sempre motivado em reformar o mundo. Sem conhecer os meandros do poder, calcula as distâncias em linha reta, ignorando que os volteios tornam o caminho mais longo e demorado. Mas comparece, e a ampliação da faixa etária foi, pois, um elemento altamente positivo para a autenticidade da consulta popular.

Dava-se, também, o direito de voto à mulher. Com a Proclamação da República, o voto censitário (segundo a renda) foi transformado em voto universal (cada eleitor, um voto). Depois disso, em quatro décadas de República, nenhuma outra alteração significativa aconteceu, até porque faltava povo, ou seja, uma pressão da opinião pública para que as coisas acontecessem. A conquista do voto, pela mulher, veio corrigir e não sem tempo, essa injustiça.

Por fim, como medida mais eficaz, foi criada a Justiça Eleitoral, para organizar o processo, fixando as juntas, fornecendo os títulos, organizando as votações, etc.

Por incrível que pareça, a maioria dessas providências era tomada pelos próprios partidos políticos, que faziam a inscrição dos eleitores e participavam da criação das seções eleitorais. Com isso, os partidos controlavam o processo. Getúlio Vargas, quando candidato à Presidência, em 1930, estando no Rio de Janeiro, passou o dia à procura de uma seção aberta, onde pudesse votar, e só ao fim do dia pôde fazê-lo. Umas seções abriam, outras não e, nas que estavam abertas, imagine-se as pressões a que o eleitor comum era submetido.

Quase tudo estava organizado para trazer o país de volta à normalidade. Uma das primeiras providências do Governo Provisório foi revogar a Constituição de 1891 e, depois disso, e nenhuma outra foi colocada em sua substituição para delimitar os poderes da Republica. Era, pois, de extrema urgência, a eleição de uma Assembléia Constituinte para fazer a nova Carta Magna e recolocar o Brasil entre os países civilizados do mundo.

Mas as providências do Governo Provisório pararam por aí. Nem por um momento se pensou em assinar outro Decreto, marcando data para a realização da Assembléia Nacional Constituinte. Assim, o Código Eleitoral não passou de um código de boas (ou más) intenções. Neutralizou a campanha pró-constituinte, mas não deu a menor garantia de que, em tempo razoável, as eleições seriam realizadas.

Voltando ao caso de São Paulo

Dentre 20 Estados brasileiros, nenhum apresentou tantos problemas como São Paulo, na criação da interventoria.

A Revolução, descendo do norte ou subindo do Sul, foi deixando em seus lugares os interventores nomeados, geralmente militares comprometidos com o movimento, mas sempre enraizados no Estado em que assumiam. No Rio Grande do Sul, assumiu o gaúcho Flores da Cunha; em Santa Catarina, o tenente-coronel Arnoldo Mancebo, ali radicado; no Paraná, o general da reserva Mário Alves Monteiro Tourinho, que era o pai do chefe da Revolução naquele Estado, major Plínio Tourinho. Nos Estados do norte e nordeste, seguiu-se a mesma regra e, em Minas Gerais, permaneceu Olegário Maciel, com a prerrogativa de usar o título de Governador.

Assumindo, provisoriamente, o poder, a Junta Militar Governativa ordenou ao comandante da 2ª Região Militar que ocupasse o Governo de São Paulo até a nomeação de um interventor. O poder cabia ao Partido Democrático, que já tinha indicado para o cargo o nome de Francisco Morato. Este só não foi nomeado imediatamente porque preferia esperar pela chegada de Getúlio a São Paulo. Foi o seu erro, pois deu tempo a toda sorte de manobras, envolvendo os nomes dos "tenentes" João Alberto e Miguel Costa, ambos com forte apadrinhamento junto ao Governo Provisório que se formava. Miguel Costa era um argentino radicado em São Paulo e já habituado aos usos e costumes locais. João Alberto, porém, caiu de paraquedas e nenhuma afinidade tinha com o Estado, seu povo e sua política. Era, pois, um estranho no ninho.

Surpreendendo os democráticos, Getúlio, em 25 de novembro de 1930, optou por nomear João Alberto. Sem lastro político, não conseguiu governar e renunciou, entregando o poder a Laudo de Camargo, probo Juiz de Direito, bom administrador mas de pouca maleabilidade política. Laudo não aceitou interferências na nomeação de seu secretariado, depois, extinguiu a Secretaria da Segurança Pública, cujo titular era o major Miguel Costa, um dos pilares da Revolução.

Este foi convidado para assumir o comando da Força Pública, porém, com a condição de se desligar imediatamente da Legião Revolucionária, a outra força que almejava controlar o poder.

A polêmica teve seus desdobramentos, com o envolvimento de outras forças estranhas a São Paulo: o tenente-coronel Góis Monteiro, homem forte do Governo Provisório; o interventor do Rio Grande do Sul, Osvaldo Aranha, gaúcho mas cuja descendência materna era paulista; e o ex-Interventor João Alberto que, mesmo afastado do governo, exercia suas pressões através da Legião Revolucionária. Sem condições de governar, Laudo de Camargo renunciou, transferindo suas atribuições, em caráter provisório, ao novo comandante da 2ª Região Militar, general Manuel Rabelo.

O problema ficou, aparentemente, solucionado com a posse de Pedro de Toledo, em 25 de fevereiro de 1932. A essa altura, já havia um clamor nas ruas pela convocação da Assembléia Nacional Constituinte, atingindo sobretudo as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, fortemente politizadas. No dia anterior ocorreram os comícios pró-constituinte a que nos referimos há pouco e o dia da posse coincidiu com o "empastelamento" de jornal no Rio de Janeiro, também narrado linhas atrás. Esse era o ambiente político-militar em que se dava a posse.

Pela Constituição

Já no mês de janeiro, a pretexto de se comemorar o 378º aniversário da fundação da cidade, tinha havido uma grande concentração, na praça da Sé, usando como mote a reconstitucionalização do país. Depois, a multidão se dispersou em várias passeatas dirigidas a pontos diferentes da cidade, mobilizando a população.

Os comícios passaram a ser freqüentes, promovidos sobretudo por jovens acadêmicos, da classe média e mais politizados, que procuravam passar a mensagem da Constituinte ao cidadão comum. Esse clima de efervescência nas ruas, se juntava à agitação tumultuosa dos gabinetes, em busca da autonomia do Estado, dentro do princípio federativo. E aos dois fatores, se acrescentava outro, igualmente preocupante, a insatisfação nos quartéis da polícia estadual.

A decretação do Código Eleitoral, em 24 de fevereiro, não diminuiu a ansiedade, já que, como não se marcou a data efetiva para as eleições, ele se tornou apenas uma peça de retórica, sem maiores resultados práticos. A convocação da Assembléia Constituinte era o objetivo central dos manifestantes em São Paulo e em outros Estados e, pela inércia do poder central, começou a surgir movimento de articulação pela volta às armas, liderado por São Paulo, mas com ramificações em Minas Gerais e, principalmente, no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, o Partido Democrático, no poder, aliou-se ao Partido Republicano, seu adversário, passando a conspirar juntos.

A conspiração

Na articulação revolucionária, fazia falta e muito, a experiência dos "tenentes" que ajudaram a preparar o movimento de 1930. Mas, como bem observa Alzira Vargas, agora, "os rebeldes de 1930 combatiam os rebeldes de 1932." Os primeiros transformaram-se em heróis, os segundos eram subversivos. A total falta de experiência levou, algumas vezes à imprecaução, outras à confiança ingênua em juras de políticos matreiros.

Feitos contatos com o governador mineiro, Olegário Maciel, este garantiu que, havendo revolução, não usaria as tropas de Minas no combate aos revolucionários. Talvez, até ajudasse o movimento. Não se levou em conta que Olegário Maciel, o único governador entre 19 interventores, conservara esse título pela fidelidade à revolução que colocou Getúlio no poder e jamais assumiria, seriamente, um compromisso dessa natureza. Mais adiante, estabeleceu-se uma ligação com o coronel Eurico Gaspar Dutra, comandante do 4º Regimento de Cavalaria no Sul de Minas, que, honestamente, recusou aderir, justificando sua atitude legalista por formação.

No Rio Grande do Sul, foi estabelecido um contato com o comandante da 3ª Região Militar, general Eurico de Andrade Neves, convidando-o a participar do levante. O resultado não só foi uma recusa, como também deixou-o alertado para o movimento que se preparava. O interventor Flores da Cunha, aceitou participar, sendo demovido pelo ministro da Justiça, Osvaldo Aranha, que o aconselhou a "não fazer burrada."

Mais curioso ainda era o caso de São Paulo, cujo interventor, Pedro de Toledo, foi o último a saber. Até foi ele que indicou o nome do general Pereira de Vasconcelos para o comando da 2ª Região Militar, em substituição ao general Manuel Rabelo. Getúlio concordou e procedeu a nomeação, No dia 9 de julho, data marcada para o levante, Pedro de Toledo acompanhou o ministro Salgado Filho até a estação da Central, para embarcá-lo de volta ao Rio, depois de uma visita à capital bandeirante. Pediu a este que levasse a Getúlio a certeza de que manteria a ordem em São Paulo, eliminando os focos de intr anqüilidade. Estava sendo sincero em tudo o que dizia.

Ao chegar ao Palácio dos Campos Elíseos, encontrou o secretariado reunido e, ao perguntar do que se tratava, foi informado de que a revolução se iniciara.

A luta verbal que se seguiu foi imensa, como conta Hélio Silva: "Pedro de Toledo não queria ouvir. E, para não ouvir, afastou-se. Penetrou em uma das salas, onde se fechou a chave, enquanto outros prosseguiam o apelo, agora ouvido através da porta. A cena demorou bastante. A insistência do secretariado foi mais duradoura do que a resistência do interventor sexagenário. A porta abriu-se. Horas depois, Pedro de Toledo enviava um telegrama demitindo-se da Interventoria para ser o governador de Estado insurreto."

Como tudo começou

O comandante honorário da revolução é, uma vez mais, o velho general Isidoro Dias Lopes. O comando efetivo está entregue ao General Bertoldo Klinger, ora servindo em Mato Grosso. A divisão paulista fica a cargo do coronel Euclides Figueiredo. O comandante da Força Pública, Júlio Marcondes Salgado Filho, permanece no cargo.

Em 28 de junho de 1930, o ministro da Guerra, general José Fernandes Leite de Castro, por razões outras, demite-se, e é substituído pelo general Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso, simpático ao "tenentismo", o que poderia trazer a leitura significativa de que o Governo Provisório estava congelando a idéia propalada de se convocar uma Assembléia Constituinte para a redemocratização do País.

No dia 8 de julho, em Mato Grosso, o general Bertold Klinger (comandante da revolução planejada) deu o sinal para a deflagração do movimento, ao enviar um ofício ao ministério da Guerra, recusando subordinação ao novo Ministro, com o que recebeu ordem para passar o comando, imediatamente ao seu substituto legal. O que se dá a seguir é de causar estranheza, em se tratando do chefe de um levante. Klinger cumpre docilmente a ordem, transmitindo o comando e despedindo-se de seus comandados, recomendando-lhes disciplina e união. Em seguida, retira-se para casa.

Em São Paulo, o coronel Euclides Figueiredo já tinha tudo sob controle. "Senti-me senhor da situação. São Paulo inteiro estava em nossas mãos. Estradas de ferro, entroncamentos rodoviários, estações de rádio e estações telegráficas e telefônicas, a Guarda Cívica Paulista, a Inspetoria de Veículos, toda a Força Pública, com seu comandante à frente, coronel Marcondes Salgado, grande parte das unidades do Exército (...)."

No dia 9 de julho de 1932, dando início à revolução, o coronel Euclides toma o Quartel General do Exército, na rua Conselheiro Crispiniano (o local, hoje é uma praça fechada) e passa expedir telegramas aos demais quartéis, comunicando o início do movimento.

O apoio esperado não vem

Figueiredo estava certo: ao sinal enviado pelo telégrafo, o Estado de São Paulo inteiro mobilizou-se, com adesão maciça, como também não lhe faltou apoio da população. Desde a capital, até os pontos mais distantes do Estado, os homens válidos abandonavam suas ocupações habituais para alistar-se como soldados constitucionalistas. Se havia um bom contingente, por outro lado, faltavam as armas, o que inutilizava a boa vontade desses cidadãos.

De Mato Grosso, chega o general Klinger, comandante da Revolução, com as mãos vazias, sem os soldados prometidos, nem as armas de que tanto se necessitava. Era um comandante sem comandados.

Como conta Hernani Donato: "Ao deixar Campo Grande, o general Bertoldo Klinger traria claramente descortinado o quadro da situação. Nem mesmo as guarnições todas de sua circunscrição dispõe-se a acompanhá-lo. Terá por si algumas unidades federais, outras policiais e o entusiasmo civil dos sul-matogrossenses, que esperam alcançar, por prêmio da vitória, a realização do projeto secularmente acarinhado: a criação do Estado do Mato Grosso do Sul."

O mesmo não aconteceu com os outros Estados comprometidos. Em Minas, Olegário Maciel permaneceu fiel ao governo central e, vencidas as resistências, ofereceu forças estaduais para o combate aos rebeldes. No Rio Grande do Sul, Flores da Cunha desapareceu no dia do levante, para voltar uma semana após como legalista, passando a combater os velhos companheiros da revolução anterior, entre eles João Batista Lusardo e o já septuagenário Borges de Medeiros, líder incontestável dos gaúchos, que governou o Rio Grande por 28 anos.

Por outro lado, a reação se fez sentir imediatamente. Getúlio Vargas, com a coordenação do coronel Góis Monteiro, mobilizou tropas de outros Estados, que se juntaram aos contingentes do sudeste, para debelar, o mais rápido possível, o movimento.

Esperava-se a vinda de armas do Exterior, o que não aconteceu, pois não tendo sido reconhecido o estado de beligerância, o armamento não poderia ser comprado legalmente, tornando-se quase impossível fazê-lo pelo mercado paralelo. O parque manufatureiro paulistano transformou-se, pois, repentinamente, em produtor de armamentos, indústria com a qual não tinha nenhuma afinidade, e os projetos de engenharia, feitos à última hora, nem sempre funcionaram a contento.

Num dos testes realizados com lançamento de bombas, uma delas explodiu dentro do canhão, matando, quase que instantaneamente, o comandante da Força Pública, Salgado Filho.

A concentração de tropas se fez, sobretudo, do vale do Paraíba até a divisa com o Rio de Janeiro. Havia tropas, também, ao norte de São Paulo, invadindo o sul de Minas Gerais, até Passa Quatro, onde o comando legalista estava nas mãos do coronel Dutra. Dava-se cobertura também ao litoral norte de São Paulo, do alto da serra do mar, seguindo pela borda da praia até Parati, já no Estado do Rio de Janeiro.

"Frente Única" negou fogo

Com o recuo do governador mineiro, Olegário Maciel, e do interventor gaúcho, Flores da Cunha, os poucos revolucionários que se dispuseram ir a campo, entraram em uma guerra perdida, apenas para atender um compromisso de honra junto à frente única que se formara entre São Paulo e os dois Estados.

Cabe destaque ao ex-presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, homem de gabinete, que nunca participara de uma guerrilha, mas agora, pela primeira vez em setenta anos, experimentava a rispidez do campo de combate. E mais, se achava junto de seu maior inimigo, João Batista Lusardo, a quem jurara de morte há tempos. Um "blanco" e um "colorado", lutando ambos pelo ideal comum.

Após atravessarem de barco o rio Guaiba, escondidos sob uma tarimba, em cima da qual havia latões de leite, fardos de alfafa e sortimentos diversos, Borges chegou ao abrigo passando muito mal. Como reanimante, lhe ofereceram um "rabo de galo", coquetel à base de cachaça, incrementado com outros recursos mais explosivos da adega da fazenda onde se achavam.

De início, o velho caudilho resistiu em tomar aquela mistura. Depois de muita insistência, arriscou um trago. Fez uma pausa para sentir os efeitos, analisou e foi para a segunda e a terceira talagadas, até esvaziar o copo, que foi enchido novamente e, desta vez, Borges o virou de uma vez só.

Refeitas as forças e já a caminho, em busca das tropas que lhes foram prometidas, Borges de Medeiros parecia preocupado com alguma coisa, e não tardou em desabafar com Luzardo: "Ó homem, tu não esquecestes de trazer aquele ‘lambe-sola’ que eu tomei lá na fazenda?"

O fim da luta armada

Foge aos limites deste trabalho descrever as minúcias da revolução, nos seus quase três meses, já que o nosso objetivo é fixá-la dentro do panorama nacional naquele ano de 1932.

Por parte do comando e dos comandados houve entusiasmo, dedicação, um sentimento de dever e honra, a certeza de que a causa era justa, quase tudo o que se precisa para dar sucesso ao levante. Faltava porém experiência para organizar e levar adiante uma empreitada dessa monta.

Comparando com os jovens "tenentes" de 1922, quando se rebelaram, aqueles também careciam dessa experiência e foram facilmente derrotados, nos primeiros momentos de luta. Passaram-se oito anos de tentativas e de frustrações, até que eles chegassem à Revolução de 1930, quando, finalmente, conseguiram seu objetivo.

A Revolução Constitucionalista, no Estado de São Paulo, terminou em 2 de outubro de 1932, com derrota total no campo de batalha, e tremendos prejuízos àqueles que foram atingidos pela força da lei, após a deposição das armas.

Todavia, os objetivos da Revolução foram plenamente atingidos. Não dava mais para o Governo Provisório ignorar os anseios da população brasileira de retornar ao Estado de Direito. Era impossível esconder mais lixo embaixo do tapete.

E, finalmente, foi organizado o calendário para a redemocratização do país: em maio de 1933, realizavam-se as eleições; em 16 de julho de 1934, era promulgada a nova Constituição do Brasil.

Outra vitória da Revolução, esta não esperada, mas que aconteceu, foi o declínio do poder dos "tenentes" que, até então, vinham atuando como um quarto poder dentro da República brasileira. Os que continuaram atuando politicamente ou participando do governo, passaram a fazê-lo de forma menos acintosa. Os "tenentes" voltaram a ser simplesmente tenentes, sem aspas. Ou capitães, majores, coronéis, restabelecendo-se a disciplina hierárquica, tão importante na vida militar.

Será que valeu a Revolução de 1932, auto-intitulada de Constitucionalista ? Que cada um responda por si.

Precisava haver revolução?

Getúlio Vargas, como bom xadrezista político, não era homem de desperdiçar pedras. Tudo era feito calculadamente, estudando o conjunto do tabuleiro, antes de dar um lance.

No primeiro momento, agiu duro com os líderes da Revolução.

Foi poupado apenas o velho caudilho Borges de Medeiros, no Rio Grande do Sul, por interferência do interventor Flores da Cunha. Conversando com Getúlio, Flores argumentou que o ex-governador, com mais de setenta anos e saúde precária não resistiria o exílio e o afastamento da família. Além do mais, mesmo havendo governado o Estado por 28 anos, não fez fortuna e ainda perdeu o que tinha, sendo um homem sem recursos para se sustentar no exterior.

Também não foi embarcado o general Ataliba Leonel, que se achava adoentado. Embora listado para o exílio, acabou sendo riscado e ficou no Rio de Janeiro.

Os demais não tiveram perdão. Assim que detidos, foram aprisionados no navio-presídio "Pedro 1º" e transferidos, em seguida, para o navio "Siqueira Campos" que, em 18 de novembro de 1932, chegava a Portugal, desembarcando, entre outros, os generais Bertoldo Klinger, Isidoro Dias Lopes (nos seus quase setenta anos), coronel Euclides Figueiredo, major Mena Barreto, o tenente Agildo Barata Ribeiro; os civis Álvaro de Carvalho, Altino Arantes, Austragésilo de Ataíde, Carlos de Souza Nazaré, Francisco de Mesquita, Guilherme de Almeida, Ibrahim Nobre, Júlio de Mesquita Filho, Luís de Toledo Pisa Sobrinho, Oswaldo Chateaubriand, Prudente de Morais Neto e Paulo Duarte, entre dezenas de outros mais. Eram ao todo 73 brasileiros banidos de sua pátria, que iam se juntar aos exilados de 1930.

"O Siqueira Campos entrou na barra, de manhãzinha, na esteira de um imponente transatlântico inglês. Quando o barco atracou à muralha de Alcântara, encontravam-se no cais, esperando os exilados, entre outras, as seguintes personalidades: Dr. Júlio Prestes, presidente eleito da República do Brasil; general Sezefredo Passos e Dr. Victor Konder, respectivamente ministro da Guerra e da Viação do governo do Sr. Dr. Washington Luís; antigo deputado federal Machado Coelho; Sr. Batista Lusardo [que viajara antes como clandestino no navio "Atlantic"]; coronel Pedro Campos, jornalista Casper Líbero..."

Na contrapartida, em 16 de agosto de 1933, o mesmo Getúlio nomeava, como interventor em São Paulo, Armando de Sales Oliveira, "civil e paulista", como queriam os democráticos ao início desta aventura.

E o fez transmitindo ao novo governante a seguinte mensagem: "Quero que compreenda, em toda a sua amplitude o significado de meu ato: com este decreto, entrego o governo de São Paulo aos revolucionários de 1932."

Só ficou no ar uma pergunta, que jamais será respondida: se tivesse feito isso já no princípio, com a nomeação de Francisco Morato, como queriam os democráticos, teria havido revolução?

Fonte: www.pitoresco.com.br

Revolução de 32

Os políticos paulistas, sobretudo os dirigentes do P.R.P. (Partido Republicano Paulista), não se conformaram com a vitória da Revolução de 30.

A nomeação de João Alberto como interventor de São Paulo, propiciou-lhes motivos para o desencadeamento de uma grande propaganda contra o governo federal, na qual se destacavam lemas bem elucidativos: "São Paulo conquistado!!", "São Paulo dominado por gente estranha!", "Convocação imediata da Constituinte!", "Tudo pela Constituição!"

Embora João Alberto, sentindo dificuldades para administrar o Estado, pedisse demissão, e seguidamente ocupassem a interventoria de São Paulo o magistrado Laudo de Camargo, o general Manuel Rabelo e o antigo diplomata Pedro de Toledo, a onda de agitação e descontentamento prosseguiu. Particularmente entre os estudantes das escolas superiores paulistas repercutiria a campanha. Esquecendo suas velhas rivalidades, uniram-se o "perrepistas", ou membros do PRP, aos "democráticos", componentes do antigo Partido Democrático, formando-se então uma nova "Frente Única".

Mesmo diante da promessa de eleições, de nova Constituição e a nomeação de interventor paulista para São Paulo, o Estado do café se levanta contra a Revolução de 30.

Rebentou a revolução paulista a 9 de julho de 1932.

São Paulo já possuía um governante civil e paulista, de modo que a grande reivindicação foi a constitucionalização do país. Mas o Estado paulista ficou só, não houve adesão das outras oligarquias dos demais Estados.

A direção do levante coube ao general Isidoro Dias Lopes, apoiado pelo general Bertoldo Klinger, que veio de Mato Grosso com um forte contingente. Conquanto realizassem os paulistas, prodígios de técnica, produzissem munição de infantaria, construíssem morteiros, encouraçassem trens e automóveis e mobilizassem todos os seus recursos materiais e humanos, o governo federal reuniu as forças disponíveis e, contando também com milícias estaduais, dominou a grande rebelião.

Getúlio vence a Revolução, mas mesmo assim o governo percebeu que era difícil governar sem as oligarquias paulistas. Ademais, os militares legalistas não viam com simpatia as reivindicações dos tenentes "mais à esquerda". Para não perder o poder, Vargas convoca uma Constituinte visando a conciliar as diversas tendências.

Clara Morgan

Fonte: elogica.br.inter.net

Revolução de 32

Julho de 1932. Explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais são enviadas para conter a rebelião.

Começava aí a Revolução , que se estenderia até outubro do mesmo ano.

Em 1930, uma revolução derrubava o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo. Getúlio Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições legislativas foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as Câmaras Municipais. Os governadores dos Estados foram depostos. Para suas funções , Vargas nomeou interventores.

A política centralizadora de Vargas desagrada as oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo. As elites políticas, do Estado economicamente mais importante, sentem-se prejudicadas. E os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório.

O governo Vargas reconhece oficialmente os sindicatos dos operários, legaliza o Partido Comunista e apóia um aumento no salário dos trabalhadores. Estas medidas irritam ainda mais as elites paulistas. Em 1932, uma greve mobiliza 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários de São Paulo se unem contra Vargas.

No dia 23 de maio é realizado um comício reivindicando uma nova constituição para o Brasil. O comício termina em conflitos armados.

Quatro estudantes morrem: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. As iniciais de seus nomes formam a sigla MMDC, que se transforma no grande símbolo da revolução. E em julho, explode a revolta. As tropas rebeldes se espalham pela cidade de São Paulo e ocupam as ruas. A imprensa paulista defende a causa dos revoltosos. No rádio, o entusiasmo de Cesar Ladeira faz dele o locutor oficial da Revolução . Uma intensa campanha de mobilização é acionada. A população adere à rebelião. Um grande número de pessoas se alista para a luta.

Quando se inicia o levante, uma muldidão sai às ruas em seu apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. 35 mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de 100 mil soldados. Os revoltosos esperavam a adesão de outros Estados, o que não aconteceu.

População civil de S.P. apóia a revolução

Em 02 de outubro de 32, após três meses de luta, os paulistas se rendem. Prisões, cassações e deportações se seguem à capitação. Estatísticas oficiais apontam 830 mortos. Estima-se que centenas a mais de pessoas morreram sem constar dos registros oficiais.

A Revolução de 1932, foi o maior confronto militar no Brasil no século XX. Apesar da derrota paulista em sua luta por uma constituição, dois anos depois da revolução, em 1934, uma assembéia eleita pelo povo promulga a nova Carta Magna

Fonte: www.unificado.com.br

Revolução de 32

Desde 1997, o dia em que ocorreu o maior confronto militar no Brasil do século XX é relembrado anualmente por todos os paulistas. Considerada a data magna do estado de São Paulo, 9 de julho remete ao momento em que eclodiu o movimento armado conhecido como Revolução Constitucionalista de 1932.

O fato teve como objetivo a derrubada do presidente Getúlio Vargas e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

No poder desde o golpe de estado em 1930, Vargas tinha amplos poderes mesmo com um governo provisório: fechou o Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados), aboliu a Constituição de 1891 e depôs todos os governadores. Instaurou-se a censura, com perseguições, torturas, prisões e mortes.

Durante um confronto na noite de 23 de maio de 1932, os manifestantes foram recebidos à bala e o incidente deixou mortos os estudantes Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo. Das iniciais destes nomes surgiu o M.M.D.C., entidade que teve papel decisivo na organização da guerra civil, iniciada no dia 9 de Julho daquele ano.

O levante se estendeu até o dia 2 de outubro, quando os revolucionários perderam para as tropas do governo. Mais de 35 mil paulistas lutaram durante 85 dias de combate, contra 100 mil soldados de Getúlio Vargas. Dados oficiais estimam que cerca de 900 pessoas morreram nos confrontos – destes, aproximadamente 630 paulistas e 200 homens das tropas federais. Vargas permaneceu no poder até 1945, mas, já em 1934, foi promulgada uma nova Constituição, o que deu início a um processo de democratização.

O caminho para criação deste feriado surgiu com uma lei federal que dispõe sobre feriados estaduais. A Lei Federal n.º 9.093, de 12 de setembro de 1995, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, definiu que a data magna de cada Estado da nação fosse transformada em feriado civil. Assim, foi promulgada em março de 1997 a Lei Estadual n.º 9.497, instituindo 9 de julho como feriado civil do Estado, diante da importância dos fatos ocorridos neste dia.

Fonte: www.ftd.com.br

Revolução de 32

"O fato histórico é um acontecimento com impacto coletivo na vida do presente e que deve ser explicado e interpretado pelos historiadores."

O que outubro de 1930 representou para o Brasil?

Nessa data, terminou a República oligárquica, a Primeira República, que os revolucionários de 30 logo chamaram de República Velha. Getúlio Vargas, em uniforme militar, foi levado ao Catete e lá começou o governo Vargas, enquanto o presidente deposto, Washington Luís, ia para o exílio. Iniciou-se um período de muitas transformações na história brasileira. De modo geral, a mudança foi determinada pelo quadro econômico e financeiro mundial, com a grande crise de 1929 – que em alguns casos se prolongou até a Segunda Guerra Mundial. Muitas das decisões do governo Getúlio têm a ver com a crise mundial e suas restrições.

Por exemplo, as exportações de café caíram, pois havia excesso de produção e queda de consumo; ao mesmo tempo, o Brasil não podia importar mercadorias como no passado, porque não dispunha de recursos em dólares ou em libras inglesas. A própria figura de Getúlio Vargas como personagem político mudou a partir de 1930. Antes, ele era um político gaúcho, formado nos quadros da oligarquia do Rio Grande do Sul, com uma carreira tradicional. Quando assumiu o poder, se transformou num personagem centralizador e ao mesmo tempo modernizador do país, com fortes traços autoritários.

Como ficou a situação dos estados?

Houve uma profunda alteração na vida política brasileira e naquilo que chamamos de sistema político. Antes de 1930, o país era controlado por um sistema oligárquico, no qual mandavam apenas uns poucos – as elites políticas, especialmente as dos grandes estados. Com a centralização política efetivada por Getúlio Vargas, as oligarquias estaduais perderam muito de seu peso.

Quais foram as principais mudanças?

O café continuou a ter uma importância muito grande nas exportações brasileiras, mas sem o mesmo peso do passado. Como a escala de produção pelo Brasil era superior à possibilidade de absorção do mercado mundial em crise, implementou-se uma política em que o governo comprava o café dos cafeicultores e o queimava, para regular a oferta no mercado internacional. Por outro lado, a produção de algodão estava em expansão. O algodão veio em socorro das exportações brasileiras e contribuiu para o fortalecimento da Alemanha, infelizmente sob o controle de Hitler – foi a Alemanha nazista que começou a comprar em grande escala o algodão brasileiro, para a produção de tecidos.

Outro dado importante é o avanço da industrialização. Mas a indústria brasileira não começou em 1930. Sobretudo em São Paulo e no Rio já havia indústrias antes, inclusive proporções consideráveis em alguns setores, como o têxtil. Mas após 1930 ocorre um salto, proporcionado pelas condições da crise mundial.

Com as dificuldades de exportação, não havia receita suficiente em moeda estrangeira para importar produtos industriais. Por isso foi incentivada a produção interna de bens industriais, para substituir as importações.

Qual foi a política de Getúlio com os trabalhadores?

Houve uma mudança significativa nas relações entre o Estado e as massas trabalhadoras, mas não é certo pensar que os direitos trabalhistas só começaram a existir em 1930. É preciso relacionar esse quadro com o fenômeno demográfico e social representado pelas migrações internas. Nessa época, o fluxo de mão-de-obra estrangeira, com exceção da japonesa, havia diminuído muito. A construção civil e a atividade industrial de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro passaram a depender principalmente da mão-de-obra vinda de pequenas cidades mineiras e do Nordeste.

Getúlio se dirigiu a essas massas desvalidas, mas não só a elas, esboçou uma legislação trabalhista e foi concedendo direitos: oito horas de trabalho diário, regulamentação do trabalho noturno, regulamentação do trabalho das mulheres, dos menores, direito de férias etc. Foram avanços importantes, mas não devemos esquecer que a política getulista liquidou as condições de existência de um sindicalismo autônomo, isto é, de uma organização própria dos trabalhadores. Tudo foi feito de cima para baixo, autoritariamente.

E quanto ao trabalhador do campo?

Getúlio deu bem pouca importância aos trabalhadores que continuaram no campo. Nunca realizou e, ao que tudo indica, nunca pretendeu realizar uma reforma agrária, e tampouco estendeu aos trabalhadores rurais a legislação instituída no meio urbano. Ele pôde agir assim, em primeiro lugar, porque os trabalhadores rurais não tinham condições de pressão; segundo, porque sabia que os trabalhadores urbanos podiam representar um importante apoio político; e, por último, porque havia o interesse de incentivar a migração de mão-de-obra do campo para a cidade, para alimentar o processo de industrialização.

Qual era o papel da Igreja Católica?

Os homens que fizeram a República não tinham afinidade com a Igreja. Nos anos 20, a partir sobretudo da presidência de Artur Bernardes, houve uma certa aproximação entre ela e o Estado. Getúlio, com seu faro político, percebeu que a Igreja seria um trunfo importante de apoio social, e agiu rapidamente nesse sentido. Não chegou a oficializar a religião católica, mas na prática houve uma opção por ela. Uma das cerimônias mais expressivas desse encontro foi a inauguração da estátua do Corcovado, com a presença do maior representante do Vaticano no Brasil, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Sebastião Leme.

Que rumo tomou a educação no Brasil?

No passado, as reformas no ensino haviam ocorrido princ ipalmente nos grandes estados, como Rio Grande do Sul e São Paulo, e no Ceará. Getúlio promoveu reformas no nível federal, como a implantação de um ensino técnico, que demonstrava a preocupação com a industrialização e com a qualificação da mão-de-obra. Também melhoraram a qualidade e a padronização do ensino, mas nesse campo sempre houve divergência com a Igreja, que pretendia tornar obrigatório o ensino da religião. Embora permitisse o ensino facultativo, o governo evitou que a religião se tornasse disciplina oficial no ensino público.

Getúlio não encontrava oposição?

Após assumir o poder, ele não se transformou imediatamente num líder poderoso e autoritário; enfrentou problemas, nascidos tanto das forças que o apoiavam, quanto da oposição, ou dos que passaram para a oposição. Nos estados, as elites regionais não se conformavam com a política centralizadora e o caso mais grave envolveu a elite de São Paulo. Getúlio maltratou a elite paulista, não teve com ela o jogo de cintura que quase sempre foi sua marca. Talvez ele tenha julgado necessário dominar de uma vez por todas essa elite, que era muito forte. Mas a resistência foi grande, gerando a Revolução de 1932.

Com base em sua poderosa Força Pública, o estado de São Paulo lutou por vários meses, praticamente sozinho, até ser derrotado, na prática, pelas forças do Exército Nacional.

Por que a Revolução de 32 é chamada ?

Os revolucionários queriam interromper a ditadura criada por Getúlio, com o nome de “governo provisório”, e convocar uma assembléia constituinte para implantar um regime democrático.

A Revolução de 32 tinha um olho voltado para o passado e outro para o futuro. No passado estava sua base de sustentação, que era em larga medida a velha oligarquia – embora tivesse grande ressonância popular, sobretudo na classe média paulista. E para o futuro porque defendia o regime democrático, vital para o país.

Como foi o relacionamento com as Forças Armadas?

Nos setores que o apoiavam, o maior problema enfrentado por Getúlio talvez tenha sido o do tenentismo.

Os tenentes, que haviam apoiado a Revolução de 30, tinham suas próprias idéias a respeito do rumo a tomar e, além de tudo, pretendiam alcançar um grau de autonomia incompatível com a hierarquia militar. O governo saiu vitorioso da disputa e a maioria dos tenentes se enquadrou. Nesse processo, foi importante o papel do general Góis Monteiro, uma das figuras centrais da era Vargas, que sabia do papel político do Exército. Os tenentes que recusaram o acordo deixaram as Forças Armadas ou se integraram em movimentos radicais, de direita e de esquerda. Getúlio tinha consciência de sua necessidade de contar com o Exército, por isso tratou de reforçá-lo e restringiu o poder das Forças Públicas estaduais.

Como surgiu a Constituição de 1934?

Depois da derrota da Revolução paulista iniciou-se o processo de constitucionalização do país.

Nesse sentido, a Revolução foi vitoriosa porque, derrotada pelas armas, colocou na ordem do dia a questão do regime político. Em maio de 1933, foram realizadas eleições para a Assembléia Constituinte, que aprovou a Constituição de 1934, em substituição à de 1891.

O que houve de novo na Constituição de 1934?

As diferenças entre a Constituição de 1891 e a de 1934 têm a ver com as mudanças sociais e políticas ocorridas no Brasil, nesse espaço de tempo relativamente longo. Uma delas diz respeito à representação dos cidadãos na vida política. A nova Constituição criou a chamada representação profissional, pela qual os sindicatos (patronais, operários, de comerciários etc.) indicavam novos membros para o Congresso Nacional. Houve também a instituição do voto feminino obrigatório, mas só para as mulheres funcionárias públicas. Foram instituídas normas em relação a temas que não eram abordados em 1891, pelo menos na cabeça dos legisladores, como leis sociais e organização dos sindicatos. Mas talvez, do ponto de vista político, o mais importante da Constituição de 34 tenha sido a instituição do voto secreto.

Fonte: www.educacao.gov.br

Revolução de 32

Na história oficial, a Revolução ficou como uma tentativa frustrada de fazer voltar a roda do tempo, para os idos da República Oligárquica, da política dos governadores, das atas falsas e da política do café com leite.

A oligarquia do café, nesta versão, resistia como podia ao Brasil moderno, organizado, centralizado e industrializado que tinha sido o grande objetivo da Revolução de 30, e que Vargas trataria de realizar nos anos vindouros.

A versão paulista, é claro, era totalmente distinta, Para muitos de seus entusiastas, a Revolução de 32 foi, como seu próprio nome indicava, um movimento pela constituição, pela democracia, pela liberdade, ameaçada pelas tendências totalitárias que se prenunciavam.

Para os paulistas tratava-se, acima de tudo, de garantir sua autonomia e independência em relação ao poder central, não para deter o progresso, mas para, exatamente, impulsioná-lo. Monteiro Lobato, extremado como sempre, levava aos limites este ponto de vista, em manifesto escrito para a população paulista em agosto daquele ano. "Criador de riquezas que é", dizia ele, referindo-se a seu Estado, "não pode deixar a riqueza que já criou, e que está habilitado a ir criando, à mercê da pilhagem sistemática, e crescente, que por meio do governo central todo o resto da federação vem procedendo". Ele investe contra a "perturbação militarista que assumiu a forma da ditadura-Getúlio", e sugere que os paulistas se armem pessoalmente, como na Suiça.

E proclama seu objetivo: "Hegemonia ou Separação. Ou São Paulo assume a hegemonia política que lhe dá a hegemonia de fato que já conquistou pelo seu trabalho no campo econômico e cultural, ou separa-se".

E radicaliza: Aceitemos Hobbes. Sejamos lobos contra lobos. Lobos gordos contra lobos famintos. Organizemos nossa defesa. Tenhamos ate nossa Tcheka interna, nos moldes russos...." (transcrito em Hélio Silva, 1932 - A Guerra Paulista, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967).

A cisão entre São Paulo e o governo central não se explica por um simples confronto entre progressistas e conservadores. O governo mineiro de Olegário Maciel não estava mais à esquerda que o Partido Republicano Paulista; e o Partido Democrático, paulista, era certamente mais liberal do que o Clube 3 de Outubro, formado pelos Tenentes, aos quais não faltavam personalidades fortemente populistas, como Pedro Ernesto. A diferença básica era a das experiências vividas e das concepções de cada um dos lados sobre o presente e o futuro do país, tão diferentes que não se comunicavam, e que terminaram se confrontando pela força das armas, para mais tarde se acomodarem sob a força das circunstancias. Eram dois Brasís em formação que se a força chocavam num confronto que, em certo sentido, ainda persiste.

O Brasil de Vargas que se plasmava, na visão de seus mais lúcidos ideólogos, era o de um Estado forte, centralizado, interventor e racional, que se organizava e se sobrepunha a uma sociedade primitiva, débil e dominada por oligarquias parasitarias e incompetentes... E claro que a realidade política era mais complicada do que isto, e em 1932 o Governo Provisório era ainda um amalgama pouco claro de oligarquias regionais, velhos militares, tenentes do Clube 3 de Outubro e alguns setores urbanos mais mobilizados e esperançosos, sob a liderança hesitante de Getúlio Vargas.

A Revolução de 32, embora derrotada, provoca uma contenção dos mais impacientes, e conduz à Constituinte de 1934. Só mais tarde, em 1937, é que o grande projeto do Estado Novo tem sua chance de ser testado. Inspirado nos modelos autoritários da Europa, o novo regime fortalece a maquina administrativa interventora, trata de desenvolver a industria e modernizar as forças armadas, e se livra dos que, tanto à esquerda quanto à direita, buscavam criar formas independentes e autônomas de organização e mobilização social. Haviam, no entanto, limites ao poder tecnocrático, e a necessidade de uma politica de alianças que acabou se exercendo com os representantes mais passivos e aquiescentes das velhas oligarquias regionais... Isto explica, em boa parte, porque os grandes projetos nacionais se diluíam em sua implementação quotidiana. Isto explica, também, o conservadorismo do grande partido Varguista do após guerra, o PSD. Ao final da guerra, com a retórica autoritária em recesso e os ideais da democracia liberal em ascensão, surge um componente até então contido e reprimido do varguismo, o apelo direto "ao povo , principalmente das grandes cidades. Era o populismo que surgia. Uma das conseqüências significativas de 32, no entanto, foi que os grandes partidos varguistas, o PSD e o PTB, jamais conseguiram expressão em São Paulo, e o populismo paulista, criado à sombra do Estado Novo por Ademar de Barros, jamais se acomodou ao sistema político-partidário do pós-guerra.

Como teria sido se São Paulo tivesse vencido? Houve quem comparasse aquele período com a Guerra da Secessão nos Estados Unidos, com a diferença que, enquanto lá a vitoria foi do norte moderno e capitalista contra o sul tradicional e escravocrata, aqui teria ocorrido exatamente o inverso. São Paulo representava em boa parte, como bem o percebia Monteiro Lobato, a linha de frente do desenvolvimento capitalista no Brasil... No pior dos cenários, a vitória paulista poderia ter significado a vitoria dos "lobos gordos" contra os "lobos famintos", e uma concentração maior ainda dc) que a de hoje da riqueza nacional na região paulistana.

Existem, no entanto, vários cenários mais favoráveis.

O crescimento do capitalismo paulista vinha associado a uma população cada vez mais educada, a um proletariado cada vez maior e mais organizado, e a um grande fluxo de imigração europeia, que trazia de seus países novas mentalidades. Um sistema político centrado em São Paulo, em que predominassem estes elementos, poderia quem sabe ter resultado em algo mais ao estilo das democracias ocidentais da Europa, com mais pluralismo, menos autoritarismo, e mais competência na gestão da coisa pública. Estes eram, sem dúvida, os ideais do Partido Democrático, que propunha um regime federativo muito mais definido para o país, com estrito controle do Presidente (eleito por via indireta) pelo Congresso. Poderíamos ter tido partidos políticos de cunho mais claramente capitalista e burguês, que defendessem de forma pública e clara os interesses de sua classe; e partidos operários e socialistas apoiados em um sindicalismo forte e independente, é não na maquina sindical controlada pelo Mínistério do Trabalho; poderíamos ter tido uma universidade mais dinâmica, baseada na inspiração original da USP, e um sistema educacional mais abrangente e de melhor qualidade, no lugar da camisa de força imposta a todos pelo Ministério da Educação...

Mas, teria sido possível este cenário? Provavelmente não. Primeiro, porque haviam muito mais "lobos famintos" do que "lobos gordos" e atrás dos famintos um exército de ovelhas apostando nos despojos. Segundo, porque o São Paulo que se sublevava não era somente o do Brasil moderno, mas também o do velho PRP e das plantations da café, preocupados acima de tudo em recuperar suas posições de mando e o fluxo de sua renda, tão abalado pela crise mundial de 1929. A derrota paulista de 1932 contribuiu para cristalizar uma tendência que já vinha desde antes, que era a de um pacto de dependência dos grupos econômicos mais fortes, ligados principalmente à agricultura de exportação, em relação ao Estado nacional. Era um pacto que foi sendo gradualmente estendido a outros setores da sociedade à industria, aos sindicato a, às organizações profissionais, aos partidos e movimentos políticos pelo qual uma fatia mais ou menos significativa dos benefícios do desenvolvimento e da ordem social lhes são assegurados, em troca do abandono definitivo de projetos políticos próprios. O resultado e uma sociedade politicamente débil e irresponsável, ao lado de um Estado hipertrofiado, sem limites a sua ação, mas, paradoxalmente, cada vez mais incapaz de governar

Lembrar 32 significa, acima de tudo, tomar consciência de que as coisas devem e, quem sabe, podem vir a ser diferentes.

Fonte: www.schwartzman.org.br

Revolução de 32

É considerada por muitos como um marco de nossa história republicana – embora, seja um dos episódios menos conhecidos da história recente do Brasil. Tanto as causas que levaram à guerra, como o entendimento de suas conseqüências na sociedade, ainda são discutíveis

A Revolução de 32 não foi um movimento de elite, embora a elite tenha liderado, o movimento de maior mobilização de massa em nossa história foi predominantemente popular.

As controvérsias sobre a revolução de 32 permanecem como um dos episódios menos conhecidos sobre o Brasil. Não existe outro movimento revolucionário na história do Brasil comemorado por vencidos, é considerada como uma guerra civil e não uma revolução pois o País estava sem um governo legítimo estabelecido.

O movimento armado de 1932 reivindicava o cumprimento dos ideais da Aliança Liberal que havia tomado o poder por meio de um golpe militar em 1930 .Uma facção militar garante o poder a Getúlio Vargas, depondo Washington Luiz, um presidente institucional em fim de mandato que seria posteriormente substituído por Júlio Prestes. Prestes havia vencido as eleições. Vargas destitui pela força das armas um governante eleito com a promessa de "salvar" a nação e terminar com os vícios da "República Velha".

O golpe militar de 1930 instaura a ditadura ou "Governo Provisório". Assim que se instala no poder Vargas fecha o Congresso Nacional (Senado Federal e Câmara dos Deputados), destitui as Assembléias Estaduais e Câmaras Municipais, anula a Constituição vigente de 1891 e substitui vereadores, prefeitos, governadores e deputados por delegados de polícia e interventores militares. Instaura-se a censura, perseguições, torturas, prisões e mortes.

A Revolução de 1932 foi principalmente gerada dentro da própria Aliança Liberal que solicitava a convocação de urna Assembléia Constituinte Nacional para a instituição de nova Constituição e retomo do Brasil ao Estado de direito. O governo provisório do ditador preferiu ignorar. "O mesmo grupo político e militar que colocou Vargas no poder se revolta contra a "provisoriedade", provocando uma cisão dentro da Aliança Liberal e a guerra civil".

Civis voluntários dos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Norte, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Amazonas e uma cisão militar no interior das Forças Armadas uniram-se ao fundamental mecanismo de sustentação financeira da Revolução de 32: a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por intermédio de seus setores produtivos - industriais e operariado - e junto ao comércio de São Paulo converteram-se em eficientes indústrias bélicas.

"Até mesmo as pessoas mais simples doavam seus objetos de valor e principalmente ouro para financiar a guerra, recebendo em troca um anel de ferro simbolizando a participação na Revolução de 32"..

Teve a duração de oitenta e cinco dias (de 09 de julho a 02 de outubro de 1932).

Esta Revolução de 1932 assumiu em muitas ocasiões o aspecto de uma luta encarniçada e selvagem. Ódios, paixões e ideais levavam os dois lados a usarem de quaisquer recursos para abater o adversário. O número de mortos em combate, somente do lado paulista, somou cerca de oitocentos e trinta soldados, quase o dobro dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que perderam a vida nos campos da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Acredito ter sido esta Revolução o único movimento que teve como bandeira uma luta armada a favor de um poder constituinte, ao contrário de todos os outros que, apesar de também terem como objetivo maior a "redenção" do Brasil, foram dirigidos contra um poder constituído.

As características deste movimento são sui generis . Pois não encontramos registros em nossa história de algum outro movimento revolucionário em que a preservação da memória, a comemoração do evento e o culto aos heróis, sejam tradicionalmente realizados pelos vencidos e não pelos vencedores da guerra.

Outros aspectos importantes referem-se aos seus dois extremos: visto por muitos como o maior movimento armado que já se registrou em território brasileiro, bem como, a maior mobilização popular já ocorrida na história do país.

As pistas e vestígios encontrados nas fotografias, sugerem perguntas e formulam conjecturas, levando a uma (re) exploração de outras fontes historiográficas. Essa característica fotográfica, facilitou a construção de novas leituras, traçadas por outros estudos. Foi possível propor algumas hipóteses interpretativas, com os argumentos sugeridos pelas versões do evento.

Apesar da Revolução de 1932 ser caracterizada como reacionária à de 30, a sua documentação sugere o oposto: demonstra que os revoltosos visavam aos mesmos objetivos que haviam levado a Aliança Liberal ao poder. Por essa razão, as opiniões dos especialistas se dividem. Quem venceu a guerra chama-a de contra-revolução paulista. Quem a perdeu, de revolução .

Fonte: www.maricibros.com

Revolução de 32

Em 9 de julho de 1932, rebentou a Revolução Paulista. São Paulo já possuía um governante civil e paulista, de modo que a grande reivindicação era a constitucionalização do país.

Revolução de 32
Revolução de 32

O Estado do café se levantou contra a Revolução de 30 e os políticos paulistas, sobretudo os dirigentes do PRP (Partido Republicano Paulista), não se conformaram com a vitória da Revolução.

A nomeação de um interventor em São Paulo, propiciou-lhes motivos para o desencadeamento de uma grande propaganda contra o governo federal, na qual se destacavam lemas bem elucidativos: "São Paulo conquistado!", "São Paulo dominado por gente estranha!", "Convocação imediata da Constituinte!", "Tudo pela Constituição!"

Embora o interventor, sentindo dificuldades para administrar o Estado, tivesse pedido demissão, a onda de descontentamento e agitação prosseguiu. Na noite de 23 de maio de 1932, um grupo de populares tentou invadir a sede do partido favorável a Getúlio Vargas, na Praça da República.

Houve resistência e o resultado foi desastroso, com cinco vítimas fatais: Martins, Miragaia, Drauzio, Camargo e Alvarenga, que veio a falecer meses depois.

Foi assim que, em 9 de julho de 1932, rebentou a Revolução Paulista.

São Paulo já possuía um governante civil e paulista, de modo que a grande reivindicação era a constitucionalização do país. Mas o Estado paulista ficou só, não houve adesão das outras oligarquias dos demais Estados.

Em 1932, dos 7 milhões de habitantes de São Paulo, mais da metade era de origem italiana. Para eles, a luta era em defesa da unidade nacional. Com argumento desse tipo, os interventores conseguiram grande número de voluntários para lutar contra os paulistas.

Isso, contudo, não bastou. De todos os lados, as forças paulistas eram assediadas pelas tropas do governo federal. Para completar o cerco, a esquadra bloqueou o litoral. E para não reconhecer a derrota antes do tempo, a ordem do comando revolucionário era "durar", isto é, resistir a qualquer preço. A esperança de adesão dos outros Estados se dissipou, totalmente, com a prisão dos líderes gaúcho e mineiro, ambos partidários do levante paulista.

A capitulação se deu a 1º de outubro 1932. Cerca de 135 mil paulistas lutaram, incansavelmente, por três meses. No dia 2 de outubro daquele ano, sem armas, sem munição e sem o apoio de outros Estados, São Paulo foi obrigado a se render às forças de Vargas.

Os principais chefes da revolução foram detidos e obrigados a se exilar na Europa, assim, não poderiam concorrer as eleições nem votar. Getúlio vence a Revolução, mas, mesmo assim, o governo percebe que era difícil governar sem as oligarquias paulistas. Para não perder o poder, Vargas decide nomear a comissão de constitucionalização. Em 25 de julho, ordenou o alistamento eleitoral e, depois, convocou a assembléia constituinte.

Em 1997, o governador de São Paulo, decretou o dia 9 de julho, feriado estadual para homenagear o "Dia do Soldado Constitucionalista". O obelisco do Ibirapuera é uma homenagem a Martins, Miragaia, Drauzio e Camargo, mortos no dia 23 de maio. O obelisco simboliza uma espada fincada, ferindo o coração (simbolizado pela praça) do Estado de São Paulo.

Por isso, 23 de Maio é o "Dia da Juventude Constitucionalista", para lembrar a memória desses estudantes vítimas da repressão, simbolizados pela sigla: MMDC (iniciais dos quatro nomes). Se você consultar essa data comemorativa vai obter mais informações sobre este assunto.

Fonte: www.miniweb.com.br

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