No fim do séc. XVIII a França ainda era um país agrário. Depois que introduzida novas técnicas de cultivo e novos produtos, ocorreu a melhoria da alimentação e o aumento da população. A industrialização já foi suficiente para a redução dos preços de alguns produtos, estimulando o consumo. O desenvolvimento econômico fortaleceu a burguesia, que passou a desejar o poder político e discutir os privilégios da nobreza. Os camponeses possuíam terras queriam, por sua vez, libertar-se das obrigações feudais que deviam aos senhores.
A França tinha na época 25 milhões de habitantes, e destes, 20 milhões viviam na zona rural. A população formava uma sociedade de estamentos, mas já se via uma divisão de classes.
O clero era composto por 120 mil religiosos divididos em:
Alto Clero: composto de bispose abades que estavam ao nível da nobreza;
Baixo Clero: composto de padres e vigários de baixa condição social e econômico.
O conjunto do clero constituía o Primeiro Estado. O Segundo Estado era a nobreza, composto de 350 mil pessoas que viviqm de pensões reais, usufruindo dos cargos públicos. A nobreza provincial vivia no campo, em situação de penúria econômica. Outra nobreza era a Nobreza de Toga, constituída por elementos oriundas da burguesia que compravamseus cargos políticose administrativos. O Terceiro Estado representava o restanteda população, cerca de 98%.
A alta burguesia composta de banqueiros, financistas e grandes empresários.
A média burguesia formada pelos profissionais liberais: médicos, professores, advogados, dentistas, etc. A pequena burguesia é composta por artesãos , lojistas e proletários. As classes rurais ainda possuíam servos ainda em condição feudal (4 milhÕes), os camponeses livres e semi-livres.
Era sobre o Terceiro Estado que pesava o ônus dos impostos e das contribuições para o rei, para o clero e a nobreza. O Primeiro e o Segundo Estados tinham isenções tributárias, usufruíam das vantagens concedidas pela monarquia sob a forma de pensões e cargos públicos. O Terceiro Estado reinvindicava principalmente a abolição desses privilégios e a igualdade social.
A Revolução resultou do absolutismo monarquia e das injustiças decorrentes dele: o rei monopolizava a administração, concedia privilégios, esbanjava com o luxo da corte, controlava os tribunais. Ele era considerado um entrave para o desenvolvimento do capitalismo na França.
A arrecadação de impostos era precária e feita por particulares que exploravam o Terceiro Estado. Os gastos eram excessivos, os déficits orçamentários aumentavam até que a dívida externa francesa chegou a somar 5 bilhões de libras, enquanto o que arrecadava mal chegava a 2,5 bilhões.
Os iluministas denunciaram o que estava ocorrendo. E tal era a importância deles que chegavam a formar grupos de leituras para seus livros. A burguesia tomou conhecimentoda situação. O contexto da revolução já estava formado. Só faltava a revolução propriamente dita.
Em 1786, foi feito um tratado comercial com a Inglatera em troca da penetração dos produtos ingleses na França. A indústria francesa não resistiu à concorrência e entrou em crise. Em 1788, uma grande seca diminuiu a produção de alimentos, os preços subiram violentamente e os camponeses começaram a passar fome. A situação piorou depois que a França gastou 2 bilhões de libras para apoiar a Independência dos Estados Unidos.
O rei Luís XVI incumbiu o Ministro Turgot de fazer reformas tributárias, mas em função da oposição dos nobres ser intensa, o ministro se demitiu. O rei então indicou Calonne e ele logo convocou uma reunião dos clérigos e dos nobres, que ficou conhecida como a Assembléia dos Notáveis (1787). O ministro queria que estes dois setores da sociedade abdicassem de seus privilégios tributários, pagando impostos para tirar o Estado da falência. Os nobres recusaram e provocaram revoltas de protesto.
O novo ministro Necker convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais com a intenção que o Terceiro Estado arcasse com os impostos que o clero e a nobreza se recusavam a pagar. Em 9 de julho de 1789, foi proclamada a Assembléia Nacional Constituinte. Com a demissão de Necker, a 12 de julho a tensão aumentou. No dia seguinte formou-se a "milícia de Paris", uma organização militar-popular. Armas foram armazenadas e a 14 de julho, o povo tomou a Bastilha (fortaleza onde o rei encarcerava seus inimigos políticos).
No campoa revolução foi maisviolenta: os camponeses saquearam propriedades de nobres, invadiram cartórios e queimaram títulos de propriedade feudal. Para conter o movimento, os deputados se reuniram de 4 a 26 de agosto e aprovaram a abolição dos direitos feudais, os direitos devidos pelos camponeses ao rei e à igreja foram suprimidos e os devidos aos nobres deveriam ser resgatados. A 26 de agosto houve a publicação da "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" que defendia o direito à liberdade, igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão.
Em 1791, ficou pronta a Constituição: o trono continuaria hereditário e os deputados teriam mandato de 2 anos. Só seriam eleitores os que tivessem o mínimo de riqueza segundo mostrasse o censo. O feudalismo foi abolido. A escravidão foi mantida nas colônias. O rei que conspirava contra a revolução decidiu fugir da França e começar a Contra-Revolução do Exterior. porém foi reconhecido e preso, pois a suspeita de traição foi confirmada com sua fuga.
A composição político-partidária na França era:
Cordeliers: o partido independente
Feuillants: dirigidos por La Fayette
Girondinos: representantes da alta burguesia
Jacobinos: o mais radical dos partidos, liderado por Robespierre que representava a pequena e média burguesia com tendência esquerdista.
Os inimigos da revolução invadiram a França. Eram representados pelo exército da Áustria e Prússia e apoiados pelo rei Luís XVI. Quando isso ocorreu, a massa parisiense atacou os aristocratas nas prisões, movimento que fuicou conhecido como Massacre de Setembro. Medidas excepcionais foram tomadas para conter a invasão, entre elas, a convocação do exército nacional com todos os homens válidos.
A 20 de setembro de 1792, o exército astro-prussiano foi abatido e a República foi proclamada. O rei foi considerado de traidor e julgado. Uma nova assembléia foi formada "Convenção". Nela os girondinos foram superados pelos jacobinos. O julgamento do rei resultou na sua condenação. Saint-Just e Robespierre defenderam a condenação e o rei foi guilhotinado a 21 de janeiro de 1793.
O primeiro ano da República foi chamado de ano I
Os outros países: Inglaterra, Holanda e Santo Império formaram umja coligação contra a França.
A Convenção organizou uma sérir de instituições: Comitê da Salvação Pública, encarregado do exército; o Comitê de Segurança Nacional, assegurando a segurança interna; Tribunal Revolucionário, encarregado do julgamento dos contra-revolucionários. Os comitês foram controlados pelos jacobinos, os girondinos foram acusados de partidários do rei, vários deles foram guilhotinados. O líder jacobino, Marat, foi assassinado por Charlotte Cordal. Esse fato marcou o início do período que ficou conhecido como o Terror, desde julho de 1793 até julho de 1794.
Robespierre liderou o grupo Montanha que controlava a política do Terror. De um lado os indulgentes, liderados por Danton, protestavam contra as mortes e pediam o fim das perseguições aos contra-revolucionários. De outro, os hebertistas, liderados por Hébert, pregavam a ampliação das medidas de violência.
Robespierre tentoumanter-se entre os de extrema esquerda, mas teve de fazer concessões ao povo: tabelas de preços; perseguição aos exploradores; impostos sobre os ricos; pobres, velhos e desamparados foram protegidos por leis; a instrução tornou-se obrigatória e os bens dos nobres foram vendidos para cobrir as despesas do Estado.
Isso provocou ondas revolucionárias em toda a França. Todo o suspeito era condenado, o Tribunal Revolucionário prendeu 300 mil pessoas, 17 mil foram condenadas à morte, e o restante morreu na prisão. O marco do Terror foi em 1794 e alcançou os próprios membros da convenção. Robespieere para continuar no poder tentava eliminar as oposições. Condenou à morte Danton, lider dos indulgentes. Como o radicalismo dos hebertistas também criava problemas, foram liquidados na guilhotina. Por isso, Robespierre perdeu o apoio popular. Em 1794, foi preso com Saint-Just e ambos foram guilhotinados. A burguesia voltava ao poder com os girondinos.
O poder da convenção depois da morte de Robespierre caiu nas mãos do Pântano, movimento da alta burguesia, de duvidosa moralidade pública e grande oportunismo político. Junto aos girondinos, instalaram a fase que foi chamada da Reação Termidoriana. A lei dos suspeitos foi abolida e os clubes jacobinos fechados. Foi feita uma nova constituição, a Constiuição do ano III (1795). Ela estabelecia um executivo composto por cinco diretores eleitos pelo legislativo.
O legislativo seria composto por deputados eleitos pelo modo censitário e formaria 2 câmaras: Conselho dos 500 e Conselho dos Anciãos.
Composição da Assembléia
No centro: girondinos que depuseram Robesopierre, à direita os realistas, que pregavamo retorno dos Bourbons ao poder, à esquerda, os jacobinos e socialistas utópicos, que reclamavam medidas de caráter social.
Os diretores se equilibravam em meio a golpes de esquerda e direita. Quando os realistas tentaram dar um golpe, este foi abafado por um jovem oficial, Napoleão Bonaparte que estava em Paris. Como recompensa ele recebeu o comando do exército na Itália.
Em 1796 estourou a conspiração jacobina do Clube de Atenas. Em 1796, os realistas retomamao poder que perderam para os jacobinos nas eleições de 1798.
A burguesia queria paz que só um governo forte permitiria que ocorresse.Os diretores Sieyes, Roger Ducos prepararam o golpe que a 9 de novembro de 1799 levou Napoleão ao poder, representando a burguesia e evitando a retomada do poder pelos jacobinos.
Fonte: viagenspelabibliotec.tripod.com

Revolução Francesa é o nome dado ao conjunto de acontecimentos que entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799 alteraram o quadro político e social da França. Em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana (1776).A Revolução é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e os direitos feudais na França e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité), frase de autoria de Jean Nicolas Pache.
Há quem vaticine que os revolucionários instituiram à força das armas estas três premissas, que não se completam sem uma quarta: a Morte.
Assim era o grito da revolução:
"Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou a Morte!"
Terminaram os privilégios da nobreza e do clero, um primeiro passo no sentido do igualitarismo. É importante lembrar que a Revolução Francesa semeou novas ideologias na Europa, conduziu a guerras, mas foi até certo ponto derrotada pela tentativa de retornar aos padrões políticos, sociais e institucionais do Antigo Regime através de um movimento denominado de Restauração ou Contra-Revolução. Nesse período, o rei francês Luís XVIII outorgou a seus súditos uma Carta Constitucional.
A Revolução Francesa pode ser subdividida em quatro grandes períodos: a Assembléia Constituinte, a Assembléia Legislativa, a Convenção e o Diretório.
Causas da Revolução
Os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que viviam nos arredores de Paris. Recebiam esse nome porque não usavam os elegantes calções que a nobreza vestia, mas uma calça de algodão grosseira.As causas da revolução são remotas e imediatas. Entre as do primeiro grupo, há que considerar que a França passava por um período de crise econômica após anos de prosperidade. A participação francesa na guerra da independência norte-americana e os elevados custos da Corte de Luís XVI tinham deixado as finanças do país em mau estado.
Sociais
A sociedade francesa da segunda metade do século XVIII era composta por dois grupos muitos privilegiados:
O Clero ou Primeiro Estado
Composto por Alto Clero, que representava 0,5% da população francesa e identificado com a nobreza além de negar reformas, e pelo Baixo Clero, identificado com o povo, e que as reclamava;
A Nobreza, ou Segundo Estado
Composta por uma camada palaciana ou cortesã, que sobrevivia à custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas dos feudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, onde alguns juízes e altos funcionários burgueses adquiriram os seus títulos e cargos, transmissíveis aos seus herdeiros.
Aproximava-se de 1,5% dos habitantes.
Estes dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado, grupo constituído por burgueses, camponeses sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea composta por artesãos, aprendizes e proletários, que tinham este nome graças às calças simples que usavam, diferentes dos tecidos nobres utilizados pelos nobres. Os impostos e contribuições para o Rei, o Clero e a Nobreza, incidiam sobre o Terceiro Estado, uma vez que o Clero e a Nobreza, não só tinham isenção tributária como ainda usufruíam do Tesouro Real através de pensões e cargos públicos.
A reavaliação das bases jurídicas do Antigo Regime foi montada à luz do pensamento Iluminista, representada por Voltaire, Diderot, Montesquieu, John Locke etc. Eles forneceram pensamentos para criticar as estruturas políticas e sociais absolutistas, e sugeriram a idéia de uma ordem liberal burguesa.

Econômicas
O rei francês Luís XVI.Os historiadores colocam o ano de 1789 como o início da Revolução Francesa. Mas essa, por uma das "ironias" da história, começou dois anos antes, com uma reação dos notáveis franceses - clérigos e nobres - contra o absolutismo, que pretendia reformar-se e para isso buscava limitar seus privilégios. Luís XVI convocou a nobreza e o clero para contribuírem no pagamento de impostos, na altamente aristocrática Assembléia dos Notáveis (1787). Em meio ao caos econômico e ao descontentamento geral, Luís XVI de França não conseguiu promover reformas tributárias, impedido pela nobreza e pelo clero, que não queriam dar os anéis para salvar os dedos. Não percebendo que seus privilégios dependiam do absolutismo, os notáveis pediram ajuda à burguesia para lutar contra o poder real - era a Revolta da Aristocracia ou dos Notáveis (1787-1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos Estados Gerais para votar o projeto de reformas.
Jacques Necker.Por sugestão do Ministro Jacques Necker, convocou a Assembléia dos Estados Gerais, instituição que não era reunida desde 1614. Os Estados Gerais se reuniram em Maio de 1789 no Palácio de Versalhes, com o objetivo não declarado de conseguir que o Terceiro Estado pagasse os impostos que o Clero e a Nobreza se recusavam a pagar.
As causas econômicas também eram estruturais. As riquezas eram mal distribuídas; a crise produtiva manufatureira estava ligada ao sistema corporativo, que fixava quantidade e condições de produtividade. Isso descontentou a burguesia.
Outro fator econômico foi a crise agrícola, que ocorreu graças ao aumento populacional. Entre 1715 e 1789, a população francesa cresceu consideravelmente, entre 8 e 9 milhões de habitantes. Como a quantidade de alimentos produzida era insuficiente e as geadas abatiam a produção alimentícia, o fantasma da fome pairou sobre os franceses.
Políticas
Os próprios servidores do Parlamento contestavam o regime e organização absolutistas, onde o poder era Real. O monarca estabelecia leis que podiam ser analisadas, julgadas e, se preciso, vetadas pelo Parlamento. O ministério propôs então a reforma que faria com que o clérigo e a nobreza pagassem impostos e se igualassem ao Terceiro Estado, mas que foi vetada pelo Parlamento. Para justificar esta decisão, afirmaram que só a Assembléia Constituinte poderia decidir sobre a criação de novos impostos.
O processo eleitoral compreendia duas fases, onde na primeira os eleitores votavam nos que, numa segunda fase, escolheriam os deputados. Numa sessão especial, Luís XVI reafirmou seu poder absoluto, obrigando o complexo cerimonial a se rebaixar. Então o Parlamento se exilou. Como o rei não poderia mais efetuar a reforma sem os magistrados, pediu então um empréstimo, que foi também negado e considerado ilegal. Em 1788, o rei reduziu o número de parlamentares; a porção rebelde deles obteve a duplicação dos representantes do Terceiro Estado, apesar de ser insuficiente.

O Juramento da Péla