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Revolução Francesa

 

Em 1789 teve início, na França, uma revolução política, símbolo da destruição do absolutismo e da consolidação da hegemonia da burguesia no mundo ocidental.

A Revolução Francesa tornou-se tão significativa, que os historiadores a colocam como marco divisor da história, na passagem da Idade Moderna para a Idade Comtemporânea.

Antes da Revolução, a situação econômica francesa não era boa. A França havia perdido colônias e mercados devido às derrotas nas guerras contra a Inglaterra

A participação na Guerra da Independência dos EUA onerou os cofres franceses. A agricultura, maior fonte de renda do Estado, estava em crise devido ao atraso técnico e às más colheitas. Para completar, a indústria francesa era pouco lucrativa.

A sociedade estava dividida em três estados: o primeiro e segundo estados (clero e nobreza) monopolizavam os privilégios e estavam isentos de impostos. O terceiro estado (burguesia, sans cullottes e camponeses), 98% da população, ficava responsável pelas despesas do Estado, mas não tinha direitos políticos.

A divulgação das idéias iluministas e a participação na Guerra da Independência dos EUA contribuíam para a reação contra o absolutismo.

Luís XVI convocou os Estados Gerais para decidir sobre a reorganização das finanças.

O impasse surgiu quando da discussão sobre o critério da votacão: por estado (como queriam o primeiro e segundo estados),ou por deputado (como queria o terceiro estado). ao houve acordo e o terceiro estado se retirou, proclamando-se a Assembléia Nacional para elaborar uma constituição. O rei foi obrigado a ceder e ordenou ao clero e à nobreza que se juntassem ao terceiro estado.

FASES DA REVOLUÇÃO FRANCESA

PRIMEIRA FASE (1789-1792)

Houve a recusa do rei em jurar a Constituição e diante da intransigência do monarca, a população toma a Bastilha em 14 de julho de 1789, transformando o ato num movimento popular nunca antes visto. A Bastilha era símbolo do absolutismo real, e sua invasão pelo povo deixou clara a impotência do rei.

Estava na Constituição de 1791: abolição dos privilégios feudais, elaboração da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, votação da Constituição civil do clero, estabelecimento da monarquia limitada (Jornadas de Agosto).

O rei é obrigado a se instalar em Paris (Jornadas de Outubro) e, é declarada guerra à Áustria e à Prússia, onde a França sofre derrotas e o rei é acusado de traição.

SEGUNDA FASE (1792-1795)

Esta foi a fase da ascensão dos jacobinos. A França vence o exército austro-prussiano. Eleição da Convenção (girondinos, grupo da planície, jacobinos, raivosos).

Execução de Luís XVI. Convenção jacobina: vitória sobre a coligação de países europeus, reformas internas, estabelecimento do Regime do Terror (Marat, Danton, Robespierre).

TERCEIRA FASE (1795-1799)

Em 1795, a Convenção Nacional adotou uma nova constituição que restabeleceu o voto censitário para as eleições do Legislativo. O Poder Executivo foi entregue a uma junto de cinco membros, denominada Diretório.

O novo governo perseguiu todos os movimentos revolucionários radicais. O mais famoso deles foi a Conspiração dos Iguais, de 1796, liderada pelo Graco Babeuf. O movimento pretendia a abolição de toda propriedade privada e a fundação de um governo popular de tendência socialista. Seus seguidores foram presos, executados ou deportados.

Em 1797, a França enfrentou também a reação monárquica. Os membros do Diretório recorreram a um jovem general, Napoleão Bonaparte, que esmagou o movimento. Dois anos depois, após uma série de outros levantes, e com a crise econômica ainda debilitando o país, Napoleão assumiu o poder.

Para alguns historiadores, este fato representou o fim da Revolução Francesa. Para outros, a Era Napoleônica marcou o início da expansão dos movimentos revolucionários para o resto da Europa.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Revolução Francesa

A queda da Bastilha, no dia 14 de julho de 1789, marca o início do movimento revolucionário pelo qual a burguesia francesa, consciente de seu papel preponderante na vida econômica, tirou do poder a aristocracia e a monarquia absolutista. O novo modelo de sociedade e de estado criado pelos revolucionários franceses influenciou grande parte do mundo e, por isso, a revolução francesa constitui um importante marco histórico da transição do mundo para a idade contemporânea e para a sociedade capitalista baseada na economia de mercado.

Sublevação política que teve início em 1789 e se prolongou até 1815, à revolução francesa, baseada em princípios liberais, democráticos e nacionalistas, foi à primeira das revoluções modernas. Por suas conseqüências e pela influência que exerceu na evolução dos países mais adiantados da Europa, é considerada a mais importante do ciclo de revoluções burguesas da história. A independência dos Estados Unidos e a revolução industrial iniciada na Grã-Bretanha são outras duas grandes transformações que marcaram a transição da idade moderna para a idade contemporânea.

Antecedentes

Historiadores divergem quanto às causas da revolução francesa, mas as mais comumente citadas incluem o descontentamento do povo francês, farto de tolerar um regime em que eram inúmeros os privilégios e os abusos. A monarquia absolutista representava um obstáculo à ascensão da burguesia, classe mais rica e instruída da nação. Os camponeses ainda viviam esmagados pelo sistema feudal imperante no campo. A nobreza e o alto clero possuíam as melhores e mais extensas propriedades, enquanto o campesinato vergava sob o peso dos impostos reais, do dízimo eclesiástico e dos direitos senhoriais.

O poder absoluto do rei não podia, pelo menos teoricamente, sofrer limitações. Desde 1614 não eram convocados os Estados Gerais, a assembléia que representava a nação e que se compunha da nobreza, do clero e do chamado terceiro estado, ou seja, todos aqueles que não pertenciam às duas primeiras classes. Não havia liberdade religiosa nem de imprensa. Com uma simples ordem -- a lettre de cachet -- o rei podia mandar efetuar prisões arbitrariamente. A justiça ainda adotava a tortura. O poder real apoiava-se na nobreza e no clero. O Parlamento, principal corte de justiça, freqüentemente entrava em conflito com o soberano e, como tinha o direito de criticar os editos reais podia mesmo recusar-se a reconhecê-los. Nessas disputas, o povo punha-se ao lado do Parlamento.

Uma das instituições do regime monárquico que, por sua impopularidade, muito contribuiu para a queda do regime foi à corte. De seus numerosos membros, cerca de 16.000 estavam a serviço do rei, enquanto os demais eram cortesãos sem função definida. Outra grave falha do regime era a falta de unidade administrativa. Os impostos variavam de província para província e cada uma delas mantinha suas próprias instituições e leis.

Existiam várias organizações judiciais: além dos tribunais reais, havia aqueles que pertenciam aos senhores de terra, às municipalidades e à igreja.

A desorganização fiscal e os gastos supérfluos tinham desastrosas conseqüências para as finanças. O orçamento era constantemente deficitário e o imposto se cobravam de maneira arbitrária.

O princípio da desigualdade imperava também nos meios eclesiásticos: o alto clero, constituído exclusivamente de nobres, possuía cerca de seis por cento das terras do país e reservava para si a maior parte da receita da igreja.

A nobreza gozava de numerosos privilégios

Somente seus membros tinham acesso aos cargos da corte, aos comandos militares e às dignidades eclesiásticas.

Em suas propriedades prevaleciam os direitos feudais: contribuições em gênero ou em trabalho, pagamento pelo uso dos moinhos, fornos etc. Entregue, porém, a uma vida de dissipação e impedida de exercer atividades consideradas menos dignas, a nobreza entrou em decadência. Sentindo-se ameaçada pela burguesia, suscitou um movimento de reação, a fim de conservar seus privilégios. Conseguiram excluir do alto clero, do Parlamento e dos postos mais expressivos da carreira militar aqueles cuja nobreza não fosse superior a quatro gerações.

Ascensão da burguesia

Com o desenvolvimento do comércio, da indústria e das finanças, a burguesia prosperou. Tornou-se considerável o movimento dos principais portos franceses, enriquecidos com o comércio das Antilhas e o tráfico de escravos. A indústria também se desenvolveu. Os produtos franceses tinham fama em toda a Europa.

Era igualmente notável o progresso das indústrias têxtil, metalúrgica e de mineração. Embora a maior parte da produção industrial ainda dependesse do artesanato, já começavam a surgir às primeiras grandes fábricas capitalistas, que empregavam maquinaria moderna. Era natural, portanto, que a burguesia não se conformasse em permanecer relegada a uma posição secundária na vida política do país. Ademais, a má administração das finanças públicas afetava diretamente seus interesses.

Ela ansiava por uma mudança de regime que lhe permitisse participar da administração e era, assim, a principal interessada na revolução.

Com o progresso industrial, a classe operária cresceu e passou a reivindicar maiores salários e melhores condições de trabalho. Mas ainda não era suficientemente numerosa, nem dispunha de organização para aspirar à direção do movimento revolucionário. Mais grave, porém, era o problema agrário.

O campesinato representava nove décimos da população total. Embora a maioria dos camponeses fosse livre, somente uma pequena parcela podia manter-se com a produção da terra e desfrutava de um padrão de vida relativamente elevado. Os pequenos proprietários viviam esmagados pelos impostos e eram obrigados a dedicar-se à produção artesanal para subsistir. Os camponeses sem-terra viam-se forçados a trabalhar nas propriedades dos grandes senhores.

Fermentação revolucionária

A estrutura agrária obsoleta não atendia às novas exigências de uma população que se expandia com o progresso industrial e mercantil. Reclamavam-se medidas capazes de aumentar a produção agrícola, que mal chegava para alimentar a população. Assim, as condições eram propícias à fermentação de idéias revolucionárias.

Era muito grande a influência de Voltaire e, principalmente, de Jean-Jacques Rousseau, autor do livro Du contrat social (1762; Contrato social), lido e aplaudido em praça pública. Inspirados nas idéias de Rousseau, os revolucionários defendiam o princípio da soberania popular e da igualdade de direitos. O exemplo da revolução americana (1776) também muito contribuiu para exaltar a opinião pública francesa.

Dentre os intelectuais avançados da época, além de Jean Le Rond d'Alembert, Anne-Robert-Jacques Turgot e Denis Diderot, sobressaiu-se o abade Mably, considerado o "profeta e conselheiro da revolução", que chegou a preconizar a propriedade coletiva da terra. Foi, entretanto, o marquês de Condorcet quem conseguiu exprimir com fidelidade as aspirações revolucionárias da época.

Defendia a liberdade econômica e chegou a elaborar o princípio dos direitos do homem. Contudo, a elite intelectual revolucionária não pretendia aplicar o princípio igualitário até as últimas conseqüências. Os mais radicais defendiam a "monarquia republicana". Segundo pensavam a massa ignorante não estava preparada para participar do poder. Diante das promessas de igualdade e fraternidade, porém, o povo foi atraído para a causa revolucionária.

Às vésperas da revolução, agravou-se a crise econômica. O único meio de estabelecer o equilíbrio seria suprimir os privilégios e decretar a igualdade de todos diante do fisco, mas para isso era necessário opor-se aos nobres, e o governo não tinha forças para tanto.

Crise econômica

Nomeado ministro das Finanças em 1783, Charles-Alexandre de Calonne tentou solucionar a crise por meio de empréstimos sucessivos.

Quando já não pôde conseguir novos empréstimos, pensou em realizar reformas, a fim de obrigar os privilegiados a pagar impostos. Sabendo que seus projetos seriam rejeitados pelo Parlamento, apelou para a convocação de uma assemblée des notables, composta de grandes senhores, príncipes, magistrados e conselheiros de estado. A assembléia reuniu-se em 1787, mas rejeitou as idéias de Callone, logo destituído por Luís XVI.

O novo ministro das Finanças, Loménie de Brienne, sugeriu aos notáveis as mesmas medidas propostas pelo antecessor e foi igualmente derrotado. Brienne, então, submeteu seus planos ao Parlamento de Paris, que aprovou algumas reformas, mas derrubou as mais importantes, como a que instituía o imposto territorial.

Luís XVI entrou em choque com o Parlamento e este fez publicar, em maio de 1788, uma decisão que valeu como verdadeira declaração de direitos da nação. O povo tomou o partido dos parlamentares e o soberano acabou por decretar o recesso compulsório do Parlamento.

A crise se aprofundou e, premido pela gravidade da situação, Luís XVI cedeu e substituiu Brienne por Jacques Necker, homem muito popular, que já fora ministro das Finanças e que passou a exercer funções de primeiro-ministro. Foram convocados os Estados Gerais.

Depois de acesos debates sobre a proporcionalidade dos representantes das três classes nos Estados Gerais, o rei decidiu atender ao clamor público e concedeu que o terceiro estado contasse com tantos representantes quantos tinham as outras duas classes reunidas e que fossem periodicamente convocados para deliberar sobre despesas e impostos.

No entanto, a crise econômica continuou a agravar-se. A indústria têxtil foi duramente atingida pela concorrência inglesa e o número de desempregados elevou-se a cerca de 200.000. Os camponeses famintos assaltavam os celeiros e se recusavam a pagar os direitos feudais. Em Paris, cuja população era de cerca de 650.000 habitantes, mais de 120.000 indigentes perambulavam pelas ruas.

Queda da Bastilha

Logo na primeira sessão dos Estados Gerais, os representantes do terceiro estado desentenderam-se com os aristocratas.

Depois de negociações infrutíferas, os primeiros resolveram deliberar sozinhos, na qualidade de representantes de 96% da nação, e declararam-se Assembléia Nacional, soberana em matéria de impostos. Essa medida praticamente subtraiu ao rei o poder sobre as finanças e se constituiu no primeiro ato revolucionário.

Luís XVI hostilizou o terceiro estado e tentou anular suas deliberações, mas ante sua resistência foi obrigado a ceder. A partir de então, a Assembléia declarou-se Assembléia Constituinte, destruindo com isso o poder absoluto da monarquia.
Instigado pela rainha e pelos que o cercavam, o soberano preparou-se para agir e reuniu as tropas em torno de Paris e Versalhes.

Circulavam boatos sobre a dissolução da Assembléia

O rei recusou-se a dispersar as tropas a pedido dos constituintes e demitiu Necker. Paris levantou-se em defesa da Assembléia. Camille Desmoulins incitou o povo a reagir e encabeçou uma passeata de protesto. O grupo invadiu o Hôtel de Ville (prefeitura), onde capturou algumas armas. Organizou-se, no dia 13 de julho, um comitê permanente que reuniu 12.000 homens e constituiu uma milícia para a defesa de Paris. Foi o primeiro núcleo da Guarda Nacional.

No dia seguinte, 14 de julho, a agitação cresceu

O povo sublevado saqueou o Hôtel des Invalides (sede do governo militar parisiense), onde recolheu canhões e milhares de fuzis. Em seguida, dirigiu-se à Bastilha, à procura de mais armas e munição. Depois de algumas horas de luta, a massa invadiu a fortaleza e massacrou seus defensores. A queda da Bastilha teve importância decisiva para a revolução, porque era o símbolo das injustiças do antigo regime. O rei capitulou. Em 15 de julho, anunciou aos deputados à dispersão das tropas e, no dia seguinte, chamou Necker para reassumir o Ministério das Finanças. Luís XVI e Maria Antonieta se dirigiram a Paris, numa tentativa de pacificar a cidade. O rei sancionou todas as medidas adotadas pelos revolucionários.

Esses acontecimentos repercutiram por toda a França

Nos departamentos, constituíram-se novas municipalidades e organizaram-se milícias populares.

Marcha contra Versalhes

Após a queda da Bastilha, espalharam-se pelo país boatos alarmantes. Falava-se numa conspiração dos aristocratas para retomar o poder. Os camponeses começaram, então, a rebelar-se. Atacaram os castelos e recusaram-se a pagar os direitos feudais. A insurreição no campo chamou a atenção da Assembléia Constituinte para o problema agrário. Reunida em 4 de agosto, decidiu, finalmente, suprimir os direitos feudais, os privilégios fiscais e a venalidade dos cargos.

Em 26 de agosto, a Assembléia votou a Declaração Universal dos Direitos do Homem -- que proclamava a liberdade, a igualdade, a inviolabilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão -- e começou a discutir a constituição. A situação agravou-se, porém, quando Luís XVI recusou-se a sancionar os decretos de 4 de agosto e chamou as tropas de volta a Versalhes.

A fome contribuía para aumentar o desespero das massas. Em 5 de outubro, uma multidão dirigiu-se a Versalhes, clamando por pão e exigindo do rei a aprovação dos decretos de 4 de agosto. Luís XVI prometeu providenciar alimento e sancionar os decretos. No dia seguinte, porém, as massas invadiram o palácio e pressionaram diretamente o soberano, que prometeu, para acalmá-las, instalar-se em Paris.

A constituição

No início da revolução, distinguiam-se, na Assembléia, duas facções antagônicas: os aristocratas e os patriotas. Com o desenrolar dos acontecimentos, os dois grupos cindiram-se. Os patriotas dividiram-se em monarquistas, que, temendo a ascensão do movimento popular, desejavam fortalecer o poder real; constitucionais, que pretendiam limitar o poder do rei sem aboli-lo; e um pequeno grupo extremado que, desconfiado de Luís XVI, procurava restringir ao máximo suas atribuições.

A luta política não se travava somente na assembléia. Havia também os clubes, em que os diversos grupos se reuniam para discutir. O principal deles era o Clube dos Jacobinos, onde se encontravam os deputados patriotas e a elite da burguesia revolucionária.

Os debates se travavam também pelos jornais: enquanto a aristocracia se manifestava no Petit Gauthier, na extrema esquerda Jean-Paul Marat agitava a opinião pública com o L'Ami du Peuple.

Restava à Assembléia tomar medidas que remediassem a crise financeira e reorganizassem a vida constitucional do país. Como medida extrema, decidiu lançar mão dos bens do clero. Emitiu assinats, reembolsáveis em bens eclesiásticos, e determinou que essas espécies de apólices circulassem como moeda corrente.

Com isso, o custo de vida subiu. O estado foi forçado a emitir cada vez mais.

A constituição foi concluída em 1791 e, seguindo o exemplo dos americanos, os constituintes encabeçaram-na com uma declaração de direitos que valia como uma exposição dos princípios filosóficos da revolução. Os mais importantes eram o princípio da soberania do povo e o da separação dos poderes.

Sendo maioria na Assembléia, a burguesia ditou os princípios que nortearam a constituição, de acordo com seus interesses de classe, e preocupou-se, ao mesmo tempo, em restringir o poder real e conter as reivindicações das massas populares. Escolheu o regime representativo, no qual o povo não poderia influir diretamente no governo e nem todos podiam votar. Os cidadãos foram divididos em duas categorias -- ativos e passivos -- e a constituição outorgou o direito de voto somente aos primeiros. A base para a distinção entre as duas categorias era a propriedade.

Os deputados deviam ser escolhidos entre os proprietários que pagassem contribuição equivalente a cinqüenta dias de salário. Desse modo, os plenos direitos políticos ficavam reservados aos ricos. O poder judiciário foi confiado a juízes eleitos, e o poder executivo a um monarca hereditário.

A Assembléia Legislativa, eleita por dois anos, era indissolúvel e constituía o poder preponderante no novo regime. Ao soberano cabia sancionar as leis, dirigir a política externa e usar o "veto suspensivo" para recusar-se a sancionar uma lei durante duas legislaturas sucessivas.

A constituição estabeleceu a igualdade de impostos, secularizou o matrimônio, o registro civil e a instrução pública. Para conter a agitação operária, decorrente da crise econômica e do desemprego, a Assembléia votou uma lei que proibia as associações profissionais. Na verdade, a queda do antigo regime trouxe pouca vantagem para o operariado. Nem mesmo os camponeses pobres foram beneficiados como esperavam.

Contra-revolução

O novo regime teve de enfrentar grandes dificuldades, como greves operárias, descontentamento de camponeses e desentendimentos entre oficiais nobres e soldados patriotas. Os choques das diversas tendências lançaram os moderados para o lado da aristocracia, contra aqueles que exigiam medidas mais democráticas. Surgiram, então, sociedades que defendiam idéias mais avançadas que as dos jacobinos, como a que ficou conhecida por Clube dos Cordeliers, de que faziam parte George-Jacques Danton, Jean-Baptiste Santerre, Marat, Desmoulins e Jacques-René Hébert. As sociedades populares de Paris agruparam-se em 1791 numa federação e apresentaram à Assembléia a reivindicação do sufrágio universal. Nessas sociedades propagavam-se os ideais republicanos e discutia-se a questão agrária. À medida que as massas se radicalizavam, a grande burguesia, temendo as idéias avançadas, agrupava-se num "partido de conservação social". O governo revolucionário teve de enfrentar também a animosidade dos demais soberanos da Europa.

Estes, a princípio, permaneceram neutros por verem na revolução apenas o enfraquecimento da França, mas, tão logo sentiram a ameaça de propagação dos ideais revolucionários em seus próprios domínios, passaram a auxiliar abertamente as tentativas de contra-revolução.

Enquanto os exilados preparavam a guerra contra-revolucionária, Luís XVI e Maria Antonieta tentavam obter auxílio nas outras cortes da Europa. Entraram em contato com o marquês de Boillé, que concentrara tropas em Metz. Na noite de 20 de junho de 1791, o rei fugiu com sua família das Tulherias em direção à fronteira, mas, durante a viagem, foram descobertos e presos em Varennes.

A Assembléia suspendeu provisoriamente os poderes do soberano

Esse incidente foi de grande importância, pois serviu para estimular as idéias republicanas. O Clube dos Cordeliers solicitou à Assembléia que proclamasse a república, mas ela não acedeu. Também se recusou a levar Luís XVI a julgamento e tentou até inocentá-lo. Os partidários da república promoveram uma manifestação no Campo de Marte e foram dispersados a tiros pela guarda nacional do marquês de Lafayette, que, de volta dos Estados Unidos, havia se incorporado à corrente dos moderados, que dominaram a situação. Submeteram a constituição ao soberano, reforçaram seus poderes e concederam, a seu próprio pedido, a anistia geral.

Absolutismo de Luis XVI

É resultado do descontentamento da maioria da população contra os privilégios da alta burguesia, nobreza e clero. Sob o absolutismo de Luís XVI, dos Bourbon, domina a desigualdade civil e uma profunda crise financeira.

Antecedentes da Revolução

No final do século XVIII a França é ainda um país agrário mas com industrialização incipiente. A burguesia acumula dinheiro e começa a ambicionar também o poder político. A sociedade está dividida em três grupos básicos. O clero é o Primeiro Estado, a nobreza, o Segundo, e os cerca de 95% restantes da população, que inclui desde ricos comerciantes até camponeses, formam o Terceiro Estado. E é este último que, estimulado pelos ideais iluministas de liberdade e igualdade, se revolta contra os privilégios da minoria. Desde o reinado de Luís XIV, o "Rei Sol", a França encontra-se carregada de dívidas decorrentes das guerras de conquista da monarquia e da manutenção de uma corte pomposa, rodeada de uma nobreza parasitária.

Nobreza

Formada por 2,5% de uma população de 23 milhões de habitantes. Não paga impostos e tem acesso aos cargos públicos.

Subdivide-se em: alta nobreza, cujos rendimentos provêm dos tributos senhoriais, pensões reais e dos cargos na corte; nobreza rural, que possui direitos de senhorio e de exploração agrícola; e nobreza burocrática, de origem burguesa, com altos postos administrativos.

Clero

Engloba 2% da população total e também é isento de impostos. Apresenta um grande desnível entre o alto clero, de origem nobre e grandes rendimentos provenientes das rendas eclesiásticas, e o baixo clero, de origem plebéia, reduzido à subsistência.

Terceiro Estado

Formado por 95% da população, engloba a burguesia, os artesãos, o proletariado industrial e o campesinato. A burguesia é composta por fabricantes, banqueiros, comerciantes, advogados, médicos. Os burgueses têm poder econômico, principalmente por meio da indústria e das finanças, mas é igualada ao povo, dentro do Terceiro Estado, sem direito de participação política, liberdade econômica e ascensão social.

Propagação de ideais democráticos

Os cafés, clubes e lojas maçônicas se convertem em centros de discussão das doutrinas iluministas, favoráveis à liberdade individual e à forma democrática de governo. Participam nobres, membros do baixo clero e burgueses liberais, como Lafayette, Mirabeau, Felipe de Orleans, Talleyrand e Sièyes.

Reinado de Luís XVI

Começa em 1774, num quadro de agravamento da crise financeira e das tensões sociais. O rei Luís XVI nomeia o fisiocrata Turgot para ministro da Fazenda com a missão de realizar reformas que detenham a crise financeira. Mas as tentativas são barradas pela ação das classes privilegiadas. Em 1788, diante da bancarrota do Estado, o rei convoca a Assembléia dos Estados Gerais.

Estados Gerais

Constituídos por representantes dos três Estados, são convocados em 1788 depois de 174 anos de inatividade. A convocação resulta do fracasso da Assembléia dos Notáveis, reunida pela monarquia em 1787 para resolver a crise financeira. Formada principalmente por nobres, a Assembléia dos Notáveis recusa qualquer reforma contra seus privilégios. Para a Assembléia dos Estados Gerais são eleitos 291 deputados do clero, 270 da nobreza e 610 do Terceiro Estado, dos quais a maioria é burguesa.

Assembléia Nacional Constituinte

Os Estados Gerais começam seus trabalhos em maio de 1789. A divisão no clero e na nobreza reforça o Terceiro Estado, que pretende ir além das reformas financeiras pretendidas pela monarquia. Para garantir sua maioria, a nobreza quer que a votação seja feita por classe. O Terceiro Estado quer a votação por cabeça e consegue, para esse propósito, o apoio dos representantes do baixo clero e da pequena nobreza. A disposição da burguesia em liquidar o absolutismo e realizar reformas políticas, sociais e econômicas conduz, em junho de 1789, à proclamação em Assembléia Constituinte.

Queda da bastilha

Em julho de 1789 a população se envolve ativamente nas mudanças preconizadas pela Assembléia Constituinte. Revoltas populares em Paris e no interior, causadas inicialmente pelo aumento do preço do pão, culminam no dia 14 com a tomada da Bastilha, prisão que simboliza a tirania absolutista. O governador da prisão e os guardas são massacrados pelo povo e todos os prisioneiros são libertados. Formam-se a Guarda Nacional, com milícia de cidadãos, e as comunas como novas divisões administrativas. Grande parte da nobreza emigra. Em 4 de agosto de 1789 a Constituinte abole o sistema feudal.

Declaração dos Direitos do Cidadão

É aprovada pela Assembléia Constituinte em 26 de agosto de 1789, inspirada na declaração norte-americana, e diz que a propriedade privada é inviolável e sagrada. Também institui a igualdade jurídica e a liberdade pessoal para todos os homens de todas as regiões do mundo.

Constituição Republicana

É aprovada em setembro 1791, após um acordo entre a burguesia e os representantes do clero e da nobreza, instituindo a monarquia parlamentar. Os poderes reais são enfraquecidos, a Justiça é reformada, a tortura é abolida, mas as greves e associações operárias são proibidas. As camadas populares não aceitam a nova Constituição e realizam greves em Paris. Mesmo assim, são eleitos para a Assembléia Legislativa 264 deputados da direita (girondinos), 345 do centro e 136 da esquerda (jacobinos e cordeliers). Os girondinos manipulam a Assembléia, mas a esquerda tem o apoio das camadas populares. Os jacobinos apóiam-se na pequena burguesia e os cordeliers (do francês, franciscanos, porque se reuniam em um convento da ordem) no povo pobre e comum.

Guerra contra a Áustria

A adesão pública do rei à nova Constituição é acompanhada por conspirações em defesa dos direitos monárquicos. O rei tenta fugir, em junho de 1791, para comandar a escalada contra-revolucionária sob a proteção da Áustria. A família real é presa durante a fuga e o povo passa a exigir medidas mais radicais contra a nobreza e o clero. Em abril de 1792 a direita patrocina a declaração de guerra à Áustria, apoiada pela corte, como uma possibilidade de volta ao poder. Austríacos e prussianos aliam-se e invadem a França, mas são derrotados pela participação das massas populares, chamadas de sans-culottes por não usarem, como os nobres, os calções curtos com meias.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Revolução Francesa

A Revolução francesa foi um modelo clássico de uma revolução burguesa, que constituiu na destruição do que restava do regime feudal que freavam a expansão do comércio e da industria. A mão de obra francesa era na sua maioria camponeses ou servos nao recebendo remuneração por seus serviços prestados o que gerava vantagens apenas para os senhores feudais. O objetivo da burquesia era torna-los assalariados gerando para si um enorme mercado interno.

O Terceiro Estado (Burquesia e povo) que arcavam com pesados impostos sustentavam os privilégios do Primeiro e Segundo Estados (Clero e Nobreza) gerando a igualdade civil.

A disparidade entre a Inglaterra e França antes da Revolução Francesa era enorme enquanto na Inglaterra a burguesia tinha o poder político através do parlamento implantado por meio da Revolução Gloriosa a burguesia francesa se encontrava subordinada a uma monarquia que não atendia a seus interesses.

O Rei baseado na teoria do direito divino era totalmente arbitrário.

No século XVIII a França participou de 3 guerras que desgastaram o país. Assumindo o trono da França o Rei Luís XVI acabou com vários encargos que impediam o crescimento industrial e também acabou com vários privilégios da Nobreza e do Clero gerando grandes manifestaçoes nestas classes.

A França assina um tratado comercial com a Inglaterra que consistia na compra de todo o vinho francês compensado pela abertura do mercado da França para os produtos ingleses. A Burguesia francesa não conseguia suportar a concorrência inglesa.

Com isso o objetivo da burquesia se tornou claro, derrubar o antigo regime e os privilégios da classe senhorial e assumir o poder sem excluir as camadas populares pois sem elas engrossando suas fileiras não seria possível cumprir seus objetivos

O primeiro passo ocorreu em 14 de julho de 1789 onde o povo em armas realizava a tomada da prisão política da Bastilha, vista como um símbolo de sustentação do antigo regime, e libertava seus prisioneiros.

E Versalhes, o rei, ao ser informado sobre os acontecimentos exclamou: "Mas isso é uma revolta!" Seu informante o duque de Lacourt, respondeu-lhe "Não, Masjetade, é uma revolução".

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada pela Assembléia Constituinte em 26 de agosto de 1789, tem por base a declaração norte-americana: defende a propriedade privada como inviolável e sagrada, institui a igualdade jurídica e a liberdade pessoal. Em setembro de 1791, fica pronta a Constituição.

Ela institui a monarquia parlamentar com um poder real enfraquecido, proclama a igualdade civil, confisca os bens da Igreja e proíbe greves e associações operárias. A unidade inicial contra os aristocratas dá lugar à complexa composição partidária. Os girondinos representam a alta burguesia; têm maioria e o apoio do rei; combatem a ascensão dos sans-culottes (sem-calções, o povo). Os jacobinos representam a pequena e média burguesia, são mais radicais e, liderados por Robespierre (1758-1794), buscam apoio popular. Os cordeliers, independentes, representantes do povo pobre, oscilam entre um lado e outro.

A República – A adesão de Luís XVI à nova Constituição é acompanhada por conspirações em defesa da monarquia. Ele tenta fugir do país para comandar a escalada contra-revolucionária sob proteção austríaca, mas é preso. Em abril de 1792, os monarquistas patrocinam a declaração de guerra à Áustria, como possibilidade de volta ao poder. Austríacos e prussianos invadem a França com apoio secreto do rei, mas são derrotados pelos populares. Os sans-culottes, armados e liderados por Marat (1743-1793), Robespierre e Danton (1759-1794), assumem o governo. Criam a Comuna de Paris em agosto de 1792 e organizam as guardas nacionais. Radicaliza-se a posição contrária aos nobres, considerados traidores. Em setembro, o povo invade as prisões e promove execuções em massa.

Forma-se nova Assembléia, a Convenção, entre 1792 e 1795, para preparar outra Constituição. Os girondinos perdem força. A maioria vai para os jacobinos, liderados por Robespierre e Saint-Just (1767-1794) e reforçados pelos montanheses, grupo radical que proclama a República em 20 de setembro de 1792. Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Por toda a Europa reúnem-se forças contra-revolucionárias que obrigam a Convenção a se defender, apoiando as medidas propostas pelos jacobinos. Começa o expurgo de adversários, o "período do terror", que se estende de junho de 1793 a julho de 1794.

Burguesia no poder – Sob o comando ditatorial de Robespierre, criam-se o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário, encarregado de prender e julgar os traidores. A Comuna aprisiona e guilhotina 22 líderes girondinos, e até jacobinos como Danton e o jornalista Desmoulins (1760-1794), acusados de conspiração. Milhares de pessoas morrem, entre elas o químico Lavoisier (1743-1794). Poucos meses depois da morte de Danton, em julho de 1794 – dia 9 do novo mês Termidor –, Robespierre e Saint-Just são presos e guilhotinados. Os girondinos, que no período do terror haviam se omitido para salvar as próprias cabeças, reaparecem para instalar no poder a alta burguesia. A Convenção cai em mãos do Pântano, grupo formado por ricos burgueses que tratam de ampliar seu poder.

A execução de Robespierre representa o fim da supremacia jacobina. A reação de 9 Termidor fecha os clubes jacobinos e redige nova Constituição, que institui outro governo, o Diretório, com cinco membros eleitos pelo Legislativo. Proclama mais uma Constituição, em 1795, que segundo o relator consolida as aspirações da burguesia, centrada em "garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do homem industrioso e a segurança de todos". No período do Diretório, de 1795 a 1799, o país mergulha em crise, além de sofrer ameaças externas. Para manter seus privilégios, a burguesia entrega o poder a Napoleão Bonaparte (1769-1821).

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa é a culminância de um movimento revolucionário global, atlântico ou ocidental, que começa nos Estados Unidos em 1776, atinge Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e, em 1789, chega à França com mais violência e ideais mais bem-delineados. Abre caminho para o capitalismo industrial neste país e repercute inclusive no Brasil.

Lavoisier, Antoine Laurent

Químico francês (1743-1794). É considerado o fundador da Química moderna. Nasce em Paris, filho de um rico comerciante, e recebe uma educação enciclopédica: estuda Matemática, Astronomia, Química e Física experimental, Botânica e Geologia. Aos 23 anos, é premiado pela Academia de Ciências da França por seu Relatório Sobre o Melhor Sistema de Iluminação de Paris. Em 1768, ingressa na Academia de Ciências, onde realiza suas experiências químicas.

Trabalha também como coletor de impostos e inspetor geral das pólvoras e salitres. Entre 1785 e 1787, participa da comissão de agricultura governamental e estuda Economia e Química agrícolas.

Apresenta em seu Tratado Elementar de Química (1789) uma das contribuições mais importantes para o estudo da Química moderna: os fundamentos da nova nomenclatura, criada com o químico Berthollet, a partir do conceito de elemento químico. Com a Revolução Francesa, é eleito deputado suplente dos Estados Gerais. Em 1790, participa da comissão de estudos sobre o novo sistema de medidas, o sistema métrico.

Secretário do Tesouro em 1791, publica o tratado Sobre a Riqueza Territorial do Reino da França, com um plano para o recolhimento de impostos. Como vários cientistas e administradores públicos, é preso em 1793, durante o chamado "período do terror" da Revolução Francesa, em que a Convenção persegue os coletores de impostos e fecha as academias de ciências, considerando-as reacionárias. Condenado tanto por sua defesa da pesquisa científica quanto por suas atividades administrativas, morre guilhotinado em maio do ano seguinte.

A Revolução Francesa

A Revolução Francesa sofreu influência da Guerra de Independência dos Estados Unidos (1775). pois esta foi responsável pelo agravamento da crise financeira da França, onde o comércio viu-se em dificuldade e os trabalhadores desempregados começaram a organizar motins em conseqüência da fome.

A condição política da França era o absolutismo, onde o rei possuía poder absoluto. Essa monarquia absoluta empobreceu a França, com despesas de guerras e o luxo da suntuosa corte dos reis Luís XIV, Luís XV e Luís XVI.

Certos filósofos da época da revolução, tais como Hobbes, Voltaire, Descartes, Montesquieu e Rousseau criaram um movimento de idéias que tencionava mudar o pensamento político da época.

A burguesia (clero e os nobres) participava ativamente dos negócios públicos e gozava de muitos privilégios.

O povo francês já não suportava tantos abusos: os camponeses além de impostos reais, pagavam dizimo para o clero e ainda eram pressionados pelo sistema feudal.

Luís XVI, a mando da Rainha, convocou uma sessão real, na qual seriam discutidas as questões mais importantes, entre elas a abolição dos privilégios feudais.

No dia 14 de julho iniciou a revolução, com o povo revoltado cercando a fortaleza da Bastilha (depósito de armas e prisão de Estado) e massacrando seus ocupantes. Os camponeses atacaram castelos e queimaram os registros feudais. A queda da Bastilha significava a queda do antigo regime.

Em decorrência da Revolução Francesa foi convocada uma assembléia em setembro de 1789 para elaborar um documento em que constasse os direitos de todos cidadãos e de terminava que o homem possuía liberdade de religião, direito a trabalho e segurança. Esse documento tem o nome de Declaração dos Direitos do Homem.

Fonte: www.ohistoriador.hpg.ig.com.br

Revolução Francesa

A Revolução Inglesa do século XVII marca o início da Era das Revoluções Burguesas, na medi­da em que cria condições para o desenvolvimento acelerado do capitalismo.

A Revolução Francesa, cabe definir o perfil ideológico desses movimentos, por seu caráter liberal e democrático.

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa faz parte de um movimento revolucionário global, atlântico ou ocidental, que começa nos Estados Unidos em 1776, atinge Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e, em 1789, culmina na França com violência maior. O movimento passa a repercutir em outros países europeus e volta à França em 1830 e 1848. Há traços comuns em todos esses movimentos, mas a Revolução Francesa tem identidade própria, manifestada na tomada do poder pela burguesia, na participação de camponeses e artesãos, na superação das instituições feudais do Antigo Regime e na preparação da França para caminhar rumo ao capitalismo industrial.

Antecedentes

A França era ainda um país agrário em fins do século XVIII. Novas técnicas de cultivo e novos produtos melhoraram a alimentação, e a população aumentou. O início de industrialização j á permitia a redução de preços de alguns produtos, estimulando o consumo.

A burguesia se fortaleceu e passou a pretender o poder político e a discutir os privilégios da nobreza. Os camponeses possuidores de terras queriam libertar-se das obrigações feudais devi­das aos senhores. Dos 25 milhões de franceses, 20 milhões viviam no campo. A população formava uma sociedade de estamentos (formas de estar), resquício da Idade Média. Mas j á se percebia uma divisão de classes. O clero, com 120 000 religiosos, dividia-se em alto clero (bispos e abades com nível de nobreza) e baixo clero (padres e vigários de baixa condição); era o primeiro estado. A nobreza constituía o segundo estado, com 350 000 membros; os palacianos viviam de pensões reais e usufruíam de cargos públicos; os provinciais vi­viam no campo, na penúria. A nobreza de toga, constituída de gente oriunda da burguesia, comprava seus cargos.

O terceiro estado compreendia 98% da população: alta burguesia, composta por banqueiros, financistas e grandes empresários; média burguesia, formada pelos profissionais liberais, os médicos, dentistas, professores, advogados e outros; pequena burguesia, os artesãos, lojistas; e o povo, camada social heterogênea de artesãos, aprendizes e proletários. As classes populares rurais completavam o terceiro estado; destacavam-se os servos ainda em condição feudal (uns 4 milhões); mas havia camponeses livres e semilivres.

O terceiro estado arcava com o peso de impostos e contribuições para o rei, o clero e a nobreza. Os privilegiados tinham isenção tributária. A principal reivindicação do terceiro esta­do era a abolição dos privilégios e a instauração da igualdade civil.

No plano político, a revolução resultou do absolutismo monárquico e suas injustiças. O rei monopolizava a administração; concedia privilégios; esbanjava luxo; controlava tribunais; e condenava à prisão na odiada fortaleza da Bastilha, sem julgamento. Incapaz de bem dirigir a economia, era um entrave ao desenvolvimento do capitalismo.

O Estado não tinha uma máquina capaz dê captar os impostos, cobrados por arrecadadores particulares, quê espoliavam o terceiro estado. O déficit do orçamento sê avolumava. Na época da revolução, a dívida externa chegava a 5 bilhões de libras, enquanto o meio circulante não passava da metade. Os filósofos iluministas denunciaram a situação. Formavam-se clubes para ler seus livros. A burguesia tomava pé dos problemas ê buscava conscientizar a massa, para obter-lhe o apoio.

As condições estavam postas; faltava uma conjuntura favorável para precipitar a revolução.

A revolta aristocrática

A indústria sofreu séria crise a partir dê 1786. Um tratado permitiu quê produtos agrícolas franceses tivessem plena liberdade na Inglaterra em troca da penetração dê produtos ingleses na França. A principiante indústria francesa não agüentou a concorrência.

A seca de 1788 diminuiu a produção dê ali­mentos. Os preços subiram ê os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois quê a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura quê lhe custou 2 bilhões dê libras. O descontenta­mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos. Luís XVI encarregou o ministro Turgot dê realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram ê ele sê demitiu. O rei então indicou Calonne, quê convocou a Assembléia dos Notáveis, dê nobres ê clérigos (1787). O ministro propôs quê esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários ê pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, quê não sê reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembléia realizaram-se em abril dê 1789 ê coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. Em Paris, os panfletos dos candidatos atacavam os erros do Antigo Regime ê agitavam os sans-culottes, isto é, os sem-calções, em alusão à peça de roupa dos nobres, que os homens do povo não usavam. Os nobres eram cerca de 200 000 numa Paris com 600 000 habitantes.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni­ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja a, tinha maioria absoluta. E ainda contava com os votos de 90 deputados da nobreza esclarecida e 200 do baixo clero.

Revolução Burguesa

Reunindo-se em separado em 17 de junho de 1789, o terceiro estado se considerou Assembléia Nacional. Luís XVI, pretextando uma reforma na sala, dissolveu a reunião. Os deputados do terceiro estado foram então para a sala de Jogo da Péla, onde receberam adesão de parte do clero e de nobres influenciados pelo Iluminismo. O rei não teve alternativa senão aceitar a Assembléia Nacional.

Os fatos se desenrolaram com rapidez, como se algumas décadas fossem comprimidas em algumas semanas.

9 de julho - Proclamou-se a Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados juraram só se dispersar depois de dar uma Constituição à França. Luís XVI procurava ganhar tempo, enquanto reunia tropas.
12 de julho -
Necker se demite. Aumenta a tensão.
13 de julho -
Forma-se a milícia de Paris, organização militar-popular. O povo armazena armas e prepara barricadas.
14 de julho -
O povo toma a Bastilha. A explosão revolucionária alastra-se por todo 0 país. No campo, a violência é maior. Procurando destruir o jugo feudal, camponeses saqueiam as posses da nobreza, invadem cartórios e queimam títulos de propriedade.

Correm boatos de que bandidos aliciados pelos senhores vão atacar os camponeses, gerando o grande medo.

4 de agosto - A Assembléia Constituinte inicia reunião em que, para conter o movimento, os deputados aprovam a abolição dos direitos feudais: as obrigações devidas pelos camponeses ao rei e à Igreja a são suprimidas; as obrigações devidas aos nobres devem ser pagas em dinheiro.
26 de agosto -
E aprovada a Declaração dos Diretos do Homem e do Cidadão. De inspiração iluminista, o documento defende o direito à liberdade, à igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão. Na sessão que votou o direito de veto (poder concedido ao rei de vetar decisões da Assembléia), os aristocratas sentam-se à direita do presidente; os democratas, à esquerda. Tal fato deu origem à separação que chega aos dias de hoje, entre direita e esquerda na política.

O rei se recusou a aprovar a Declaração e a massa parisiense revoltou-se novamente.

Foram as jornadas de outubro: o Palácio de Versalhes foi invadido e o rei obrigado a morar no Palácio das Tulherias, em Paris.

Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero. Estabelecia que os bens eclesiásticos seriam confiscados para servir de lastro à emissão dos assignats (bônus do Estado) e os padres passariam a ser funcionários do Estado. Muitos aceitaram e juraram fidelidade à Revolução, desobedecendo ao papa, que já se manifestara contra. Outros, os refratários, emigraram e de­ram início às agitações contra-revolucionárias nas províncias.

A Constituição ficou pronta em 1791. O poder executivo caberia ao rei, e o legislativo, à Assembléia. O trono continuava hereditário e os deputados teriam mandato de dois anos. Só seria eleitor quem tivesse um mínimo de riqueza. Foi abolido o feudalismo. Foram suprimidos os privilégios e as antigas ordens sociais, com a proclamação da igualdade civil. Reorganizou-se e descentralizou-se a administração. Foram confirmadas a nacionalização dos bens eclesiásticos e a Constituição Civil do Clero. Foi mantida a escravidão nas colônias.

Luís XVI, em contato com outros soberanos absolutos, julgou o momento oportuno para escapar e, com apoio estrangeiro e dos emigrados, iniciar a contra-revolução. Fugiu em julho de 1791, mas foi preso em Varennes, recambiado ao Palácio e mantido sob vigilância.

O êxito da Revolução estimulou movimentos na Holanda, Bélgica e Suíça. Na Itália, Inglaterra, Irlanda, Alemanha e Áustria, simpatizantes organizaram demonstrações de apoio. Os déspotas esclarecidos sustaram as reformas e se reaproximaram da aristocracia. Escritores reacionários defendiam a idéia de uma contra-revolução. As potências européias, de início indiferentes, uni­ram-se. A ameaça de invasão da França aumentou, o que tornou inevitável a radicalização inter­na da Revolução.

A unidade inicial entre patriotas contra os aristocratas desapareceu, dando origem a complexa composição político-partidária. Os girondinos, representantes da alta burguesia, defendiam as posições conquistadas e evitavam a ascensão da massa de sans-culottes; os jacobinos, representando a pequena e média burguesia, constituíam o partido mais radical, ainda mais sob a liderança de Robespierre, que buscava o apoio dos sans-culottes; os cordeliers, independentes liderados por La Fayette, procuravam ficar no centro e oscilavam entre os feuillants, à direita, e os jacobinos, à esquerda.

Os girondinos tinham a maioria e o apoio do rei, que neles confiava para conter o avanço revolucionário. Graças a isto, o rei conseguiu vetar o projeto que deportava os refratários e convocava o exército para enfrentar os inimigos da Revolução, cada vez mais ativos fora da França.

Os inimigos, representados pelo exército austro-prussiano e pelo exército de emigrados, comandados pelo duque prussiano Brunswick e apoiados secretamente por Luís XVI, invadiram a França. Radicalizou-se a posição contra os nobres, considerados traidores.

A massa parisiense, mais forte politicamente, apoiando os jacobinos e liderada por Danton e Marat, atacou os aristocratas nas prisões: foi o massacre de setembro.

O exército nacional foi convocado, com apresentação obrigatória de todos os homens válidos. Em 20 de setembro de 1792, os austro-prussianos foram batidos em Valmy. À noite, em Paris, foi proclamada a República. O rei, suspeito de traição, aguardaria julgamento.

Revolução Popular

Uma nova assembléia foi formada, a Convenção, que deveria preparar nova Constituição. Os girondinos perderam a maioria para os jacobinos, reforçados pelos montanheses, grupo mais radical. Robespierre e Saint-Just lideravam os jacobinos. O julgamento de Luís XVI abalou a opinião pública européia. Os girondinos trataram de defendê-lo. Saint-Just e Robespierre pediam a condenação. O rei acabou guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.

O primeiro ano da República, 1793, foi chamado Ano I, no novo calendário. Uma nova representação tomou posse, eleita por sufrágio universal masculino, o que acentuou seu caráter popular; saíram vitoriosos os jacobinos e a Montanha. Pela nova Constituição, os 750 deputados eleitos escolheriam a mesa dirigente, com funções executivas.

Europa afora, coligavam-se forças absolutistas: Inglaterra, Holanda e Santo Império.

A Convenção se defendeu, organizando uma série de instituições: Comitê de Salvação .Pública, encarregado de controlar o exército; Comitê de Segurança Nacional, para garantir a segurança interna; Tribunal Revolucionário, encarregado de julgar os contra-revolucionários. Os jacobinos controlavam a Convenção e os principais Comitês.

Começa então o expurgo de adversários. Os girondinos são acusados de partidários do rei e vários vão para a guilhotina. A jovem Charlotte Corday se vinga assassinando o jacobino Marat. Também é guilhotinada. Entramos no período do Terror, que se estenderia de junho de 1793 a julho de 1794.

A Montanha de Robespierre dirigia essa política. As perseguições se espalharam. Os indulgentes de Danton temiam que a onda os envolves­se. Protestavam e pediam o fim das perseguições. No extremo oposto, os hebertistas, seguidores de Hébert, pregavam mais violência.

Robespierre tentava manter-se entre os extremistas da esquerda.

Como a pressão popular era grande, fazia concessões: os preços foram tabela­dos; os exploradores, perseguidos; os impostos sobre os ricos, aumentados; pobres, velhos e desamparados, protegidos por leis especiais; a instrução tornou-se obrigatória; bens de nobres e emigrados foram vendidos para cobrir as despe­sas do Estado.

As leis sociais provocaram ondas contra-revolucionárias. Sobrevieram medidas drásticas. O Tribunal Revolucionário prendeu mais de 300 000 pessoas e condenou à morte 17 000. Muitos morre­ram nas prisões esperando julgamento.

O Terror chegou ao auge e atingiu a própria Convenção. Para se manter no poder, Robespierre precisava eliminar toda oposição. Condenou Danton à morte. O radicalismo dos hebertistas igualmente criava problemas, levando-os também à guilhotina.

O sucesso militar diminuiu a tensão interna, e a população passou a desejar o afrouxamento da repressão. Os girondinos, que tinham se isolado durante o Terror para salvar suas cabeças, volta­ram à carga. Robespierre não tinha mais a massa parisiense para apoiá-lo, pois havia liquidado seus líderes. Em julho de 1794, ou 9 Termidor pelo novo calendário, Robespierre e Saint-Just foram presos e guilhotinados em seguida. A alta burguesia voltava ao poder através dos girondinos.

Contra - Revolução Burguesa

O poder da Convenção caiu nas mãos do Pântano, movimento formado por elementos da alta burguesia, de duvidosa moralidade pública e grande oportunismo político. Ligados aos girondinos, instalaram a Reação Termidoriana. Os clubes jacobinos foram fechados. Preparou-se nova Constituição, a do ano III (1795), que estabelecia um executivo com cinco diretores eleitos pelo legislativo, o Diretório.

Os deputados com­poriam duas câmaras: o Conselho dos S00 e o Conselho dos Anciãos.

A configuração política da Assembléia mu­dou: no centro, os girondinos, que tinham deposto Robespierre; à direita, os realistas, que pregavam a volta dos Bourbon ao poder; à esquerda, jacobinos e socialistas utópicos, que reclamavam medi­das de caráter social.

Os diretores equilibravam-se em meio a golpes, da esquerda e da direita. Em 1795, os realistas tentaram dar um golpe, abafado por um jovem oficial, Napoleão Bonaparte, presente em Paris por acaso. Como recompensa, ele recebeu dos diretores o comando do exército na Itália.

Em 1796, estourou a conspiração jacobina do Clube de Atenas. No ano seguinte, foi a vez dos realistas, derrotados novamente, pelo general Augereau, enviado por Napoleão, que acabava de assinar uma paz vantajosa com a Áustria. Em 1798, os jacobinos venceram as eleições. A burguesia queria paz. Queria um governo forte que conduzisse a França à normalidade. Alguns diretores, como Sieyès e Ducos, prepararam o golpe que levaria Napoleão ao poder, em 9 de novembro de 1799 ou 8 Brumário. Napoleão evitaria as tentativas jacobinas de tomar o poder, consolidando o poder da burguesia no contexto da Revolução.

Uma revolução cujos ideais não tardariam a repercutir em longínquas terras, inclusive no Brasil.

Fonte: www.colegiosaofrancisco.com.br

Revolução Francesa

Revolução Francesa - 1789 -1799

A CRISE DO REGIME ABSOLUTISTA

Na primeira metade do século XVIII, a França conheceu um período de desenvolvimento econômico. A agricultura e a produção manufatureira aumentaram significativamente. Surgiram as primeiras indústrias de ferro e de carvão. 0 comércio internacional quadruplicou o seu volume. A burguesia cresceu e diversificou suas atividades e seus lucros, mas permaneceu às margens das decisões políticas do Estado absolutista, dominado pela aristocracia (alto clero e alta nobreza).

A expansão econômica foi acompanhada da alta dos preços, afetando principalmente a nobreza, que vivia de rendimentos fixos, e a população rural. Para se defender, a aristocracia aumentou o nível de exploração sobre os camponeses, criando novos tributos e obrigações e passou a ocupar todos os cargos e postos administrativos do Estado, da Igreja e do Exército, impedindo a ascensão social e política até mesmo da alta burguesia financeira.

Em conseqüência da reação aristocrática, cresceram as críticas aos fundamentos do Antigo Regime, levando a burguesia a aderir às idéias de filósofos iluministas como Montesquieu, Diderot e Rousseau que defendiam a igualdade de todos perante a lei, a tolerância religiosa e a livre expressão do pensamento. Contra a sociedade de ordens e de privilégios do Antigo Regime, os iluministas sugeriam um governo (monarquia ou república) constitucional e parlamentar.

Os economistas, como François Quesnay e Adam Smith, propunham o fim do Mercantilismo e a adoção de uma política econômica liberal, sem a intervenção do Estado na produção e na circulação das mercadorias. Influenciada pelo Iluminismo, a burguesia reclamava igualdade jurídica com a aristocracia e liberdade individual de empreendimento e de lucro.

Em 1756, no reinado de Luís XV (1715/1774), a França enfrentou, uma guerra desastrosa contra a Inglaterra - a Guerra dos Sete Anos (1756/1763) - iniciada na América, entre colonos franceses e ingleses, Derrotada, a França perdeu suas colônias americanas (o Canadá, a região do Rio Mississipi, a Luisiana, algumas ilhas das Antilhas), prejudicando a burguesia mercantil e enfraquecendo o Tesouro Real.

A insatisfação da burguesia aumentou porque, mesmo sendo numero sa, instruída e abastada, achava-se impossibilitada de conseguir ascensão social e participação política, devido à reação aristocrática.

O historiador M. Florenzano assim descreve o que se passava: "De 1714 a 1789, todos os ministros, à exceção de três, foram aristocratas; os plebeus foram excluídos dos Parlamentos e das Intendências reais; na Igreja, todos os bispos e arcebispos eram nobres, assim como os diretores de conventos, abadias, etc; no Exército, desde 1760, os oficiais não mais podiam ser plebeus".(FLORENZANO, Modesto. As revoluções burguesas. São Paulo, Brasiliense, 1988, p. 23.).

Ao subir ao trono em 1774, Luís XVI encontrou o Tesouro Real arruinado, o comércio colonial enfraquecido e grande descontentamento entre a burguesia, os "sans-culottes" (1) e os camponeses. Através de seu ministro Turgot, propôs mudanças no sentido de reduzir os gastos da 11 corte, libertar o comércio de taxas e de aduanas internas cobradas pelo Estado e por particulares, aumentar os impostos sobre a terra incluindo a aristocracia e aliviar a carga fiscal dos camponeses.

As tentativas de reforma fracassaram porque iam contra os interesses do alto clero e da nobreza e Turgot foi demitido. Ficou claro que, enquanto a aristocracia mantivesse seus poderes através dos Parlamentos do reino e dos cargos administrativos, nenhuma decisão que contrariasse seus interesses poderia ser tomada.

A situação do Tesouro Real agravou-se após 1778, ano em que a França entrou na guerra de independência norte-americana fornecendo aos colonos substanciais ajuda em navios, armas, munições e soldados. Os sucessivos ministros nomeados por Luis XVI (Necker, Calonne e Brienne) nada conseguiram fazer para solucionar os problemas financeiros do país.

Em março de 1788, as despesas do Estado francês com a Corte, a administração, a justiça, o exército e a diplomacia estavam calculadas em 629 milhões de libras, enquanto que as receitas eram de 503 milhões, configurando um déficit de 126 milhões, ou seja, 20% do orçamento. Em setembro, fracassou a tentativa do ministro Brienne em fazer uma reforma fiscal com a colaboração da monarquia. Em conseqüência o governo' entrou numa crise sem precedentes, envolvendo o rei, a nobreza, a burguesia e as classes populares.

DA ASSEMBLÉIA DOS ESTADOS GERAIS À ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE

A bancarrota do Estado obrigou LUÍS XVI a demitir o ministro Brienne e a nomear novamente Necker.

Para obter sugestões, Necker sugeriu ao rei a convocação dos "Estados Gerais", assembléia dos representantes do 121 22 e 32 Estados, que não se reunia desde 1614. (1) "sans-culottes" (tradução: "sem-calças): população pobre de Paris, formada pela massa de artesãos, aprendizes, lojistas, biscateiros e desempregados; teve importante participação nos acontecimentos revolucionários de 1789 a 1794".

CARTA DE CONVOCAÇÃO DOS ESTADOS GERAIS EM VERSALHES:

1789 Por ordem do Rei

Nosso amado e fiel. Temos necessidade do concurso de nossos fiéis súditos para nos ajudarem a superar todas as dificuldades em que nos achamos, com relação ao estado de nossas finanças e para estabelecer, segundo os nossos desejos, uma ordem constante e invariável em todas as partes do governo que interessam à felicidade dos nossos súditos e à prosperidade de nosso reino.

Esses grandes motivos Nos determinaram a convocar a assembléia dos Estados de todas as províncias sob nossa obediência, tanto para Nos aconselharem e Nos assistirem em todas as coisas que serão colocadas sob as suas vistas, quanto para fazer-Nos conhecer os desejos, e queixas de nossos povos, de maneira que, por mútua confiança e amor recíproco entre o Soberano e seus súditos, seja achado o mais rapidamente possível, um remédio eficaz para os males do Estado e que os abusos de toda espécie sejam reformados e prevenidos. Dado em Versalhes, em 24 de janeiro de 1789. Assinado: Luis. Secretário: Laurent de Villedeuil. Fonte: MATTOSO, Kátia M. de Queiróz. Textos e Documentos para o estudo da História Contemporânea, 1789-1963.(São Paulo, HUCITEC, Ed. da Universidade de São Paulo, 1977,).

Decidiu-se que os Estados Gerais se reuniriam em 12 de maio de 1789, constituídos em "ordens" independentes cada uma com o mesmo número de representantes e votando separadamente, como em 1614. Com isso, a aristocracia calculava contar com os votos do 1o. Estado (o Clero) e do 2o. Estado (a Nobreza), contra um voto do 3o. Estado (a burguesia e o povo em geral), assumindo o controle de todas as decisões e és vaziando o poder do monarca. Seria a vitória da aristocracia sobre o Rei e sobre a burguesia.

A convocação para a eleição dos membros dos Estados Gerais trouxe grandes expectativas ao Terceiro Estado. Panfletos e jornais circulavam pelas praças, esquinas e cafés difundindo as palavras de ordem criadas pelos iluministas como: "cidadão", "nação", "contrato social", "vontade geral", "direito do homem", As discussões e os debates ocorriam nos clubes patrióticos, nas sociedades literárias e nas lojas maçônicas existentes nas cidades francesas, colaborando para a politização de seus membros e para a formação de opiniões.

0 abade Sieyés foi autor de vários opúsculos que contribuíram para criar a consciência revolucionária do Terceiro Estado.

No panfleto "Qu 'est-ce que le Tiers Etat", ele fez progredir o debate sobre a 1 forma de convocação dos Estados Gerais, quando indagava: 0 que é o Terceiro Estado? - Tudo. 0 que ele foi até agora na ordem política? - Nada. - 0 que ele quer? Tornar-se alguma coisa." (CHAUSSINAND GARET, Guy. A queda da Bastilha. Rio de Janeiro, Zahar, 1988, p.35).

Representando cerca de 97% da população do país, o Terceiro Estado conseguiu aumentar sua participação nos Estados Gerais, elegendo 1 610 deputados (a metade da Assembléia), oriundos das fileiras da burguesia (advogados, comerciantes, proprietários rurais, banqueiros), a elas se social que tinha um projeto político para substituir o absolutismo, baseado nos princípios iluministas da igualdade perante a lei e do liberalismo político e econômico.

A massa da população, formada por artesão, diaristas pequenos comerciantes, músicos, aprendizes, etc, não participou das eleições, pois só podiam - votar aqueles que tivessem o ofício ou emprego público, grau universitário ou de mestre de corporação e que pagassem pelos menos seis libras de imposto de capitação.

Para expor seus desejos e suas queixas, os eleitores de cada uma das três "ordens" redigiram seus "Cadernos de Reclamações". De sua leitura depreende-se que o clero, a nobreza e a burguesia eram unânimes em reclamar a liberdade individual e o direito à propriedade, bem como a elaboração de uma constituição que definisse claramente os direitos do rei e os da nação, limitando assim o poder real. A nobreza e a burguesia queriam a liberdade de imprensa; o clero opunha-se à -burguesia e o povo em geral exigiam a abolição dos privilégios e dos direi tos feudais, contra os interesses do clero e da nobreza.

CADERNO DE RECLAMAÇÕES DO TERCEIRO ESTADO DA PARÓQUIA DE LONGEY- ELEIÇÃO DE CHATEAUDUN, GENERALIDADE DE ÓRLEANS, BAILIA DO DE BLOIS

Nós, habitantes da paróquia de Longey abaixo-assinados, tendo nos reunido em virtude das ordens do Rei, na sexta-feira, dia 6 do presente mês de maio de 1789, resolvemos o que segue:

Pedimos que todos os privilégios sejam abolidos.- Declaramos que se alguém merece ter privilégios e gozar de isenções, são estes, sem contradição, os habitantes do campo, pois são os mais Úteis ao Estado, porque por seu trabalho o fazem viver.
Que até hoje foram quase os únicos a pagar os exorbitantes impostos de que esta província está carregada; que os campos estão - arruinados e os cultivadores na impossibilidade de poder manter e criar sua família; que à maior parte falta o pão, visto os impostos que os sobrecarregam e as perdas que experimentam todos os anos, seja pela caça, seja por outros flagelos.

Pedimos também que as talhas com as quais a nossa paróquia esta sobrecarregada sejam abolidas; que este imposto que nos oprime, e que só é pago pelos infelizes, seja convertido num só e único imposto ao qual devem ser submetidos todos os eclesiásticos e nobres sem distinção, e que o produto deste imposto seja levado diretamente ao Tesouro. *Pedimos ainda que não haja mais gabela e que o sal se torne comerciável, o que seria um grande benefício para todo o povo e principalmente para nós, habitantes do campo, que pagamos esta mercadoria muito caro e que dela fazemos o maior consumo um imposto que nos e muito oneroso e prejudicial. (Seguem-se 12 assinaturas.) (Mattoso, Kátia M. de Q., op. cit. p. 4/5.)

A instalação da Assembléia dos Estados Gerais deu-se a 5 de maio de 1789, em Versalhes. Os desentendimentos entre os deputados começaram quando a burguesia propôs o voto por cabeça e as duas ordens privilegiadas não concordaram. Durante um mês e meio, a nobreza e o alto clero recusaram-se obstinadamente a votar por cabeça. Diante do impasse, no dia 17 de junho, os deputados do Terceiro Estado apoiados pelo baixo clero proclamaram-se em Assembléia Nacional, decidindo não se separar antes de dotar a França de uma constituição. Isso significa vã a transferência do poder do rei para os representantes da nação e o fim do absolutismo monárquico.

Frente ao perigo que representava o poder da burguesia na Assembléia Nacional Constituinte, a aristocracia recompôs-se com o rei, pregando a utilização da força para dissolver a Assembléia. Mas a revolução popular impediu que isso acontecesse.

Monarquia Constitucional

A Burguesia no Poder: a Constituição de 1791

0 rei Luis XVI se recusou a assinar os Decretos de 4 e 5 de ago to e a Declaração dos Direitos do Homem, abrindo uma nova crise na Assembléia Nacional. Em outubro, ocorreram novas jornadas populares, quando o povo cercou e invadiu o Palácio de Versalhes, exigindo o ré.-torno do monarca a Paris. Pressionado pela ameaça de violência popular e pelos deputados, Luís XVI foi obrigado a sancionar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e os primeiros artigos já elaborados da Constituição, pelos quais tornou-se rei dos franceses não apenas "pela graça de Deus", mas pela "lei constitucional do Estado". Dentro dos princípios do liberalismo defendidos pela burguesia, a Constituinte eliminou a monarquia absolutista, os Estados Gerais, as ordens, os privilégios, o feudalismo. Em seu lugar instituiu a monarquia contitucional, a soberania da nação encarnada pela Assembléia, igualdade de todos perante a lei, a cidadania e a divisão dos poderes.

Os projetos de leis apresentados na Assembléia Nacional eram discutidos preliminarmente por alguns deputados burgueses e nobres liberais, defensores do novo regime, no "Clube Bretão", surgido em Versalhes, às vésperas da instalação dos Estados Gerais. Entre seus membros, destacavam-se os burgueses Barnave, Brissot e Robespierre. Em outubro de 1789, o Clube transferiu-se para Paris, abrindo-se à participação de não deputados. Estabeleceu-se no Convento dos Jacobinos, a rua Saint Honoré, passando a se chamar "Clube dos Amigos da Constituição" ou '' Clube dos Jacobinos", como se tornou mais conhecido, Chegou a possuir filiais em cerca de 150 cidades francesas, tendo forte atuação política até 17949 quando foi extinto.

No decorrer dos trabalhos constituintes, que se estenderam até setembro de 1791, estabeleceram-se: a liberdade de propriedade; a liberdade de produção suprimindo os monopólios e as corporações; a liberdade do comércio interno abolindo as alfândegas dentro do país; a liberdade individual com o fim da censura, das acusações e prisões arbitrárias e com o direito de livre escolha de culto religioso. Os títulos de nobreza foram suprimidos, a administração do reino foi simplificada e a Igreja foi submetida ao Estado, através da Constituição Civil do Clero, votada em 1790.

Entretanto, a escravidão foi mantida nas colônias (atendendo aos interesses dos grandes plantadores) e os direitos políticos e ficaram reservados aos proprietários: a lei de 22/12/1789 estabeleceu o voto censitário, dividindo os franceses em cidadãos "ativos" (aqueles que eram proprietários de bens e que pagavam impostos) e em cidadãos "passivos" (aqueles que não eram proprietários). Os cidadãos passivos foram excluídos do direito de votar e de participar das guardas nacionais. Pelo sistema representativo adotado, os administradores, os bispos e os deputados passaram a ser eleitos pelo voto censitário.

Entretanto, o rei e a aristocracia não se conformavam com a nova situação em que a França vivia, sob o domínio da burguesia. Em 1791 com a ajuda de nobres franceses emigrados e das monarquias absolutistas da Europa, Luís XVI tentou fugir do país, com o objetivo de reunir um França, dissolver a Assembléia e recuperar o poder do exercito para voltar a der. Descoberto em Varennes, na fronteira (julho de 1791), o rei foi preso e obrigado a retornar a Paris.

A fuga do rei revelava claramente que a aristocracia era contraria a revolução. Ela trouxe embaraços para parte da burguesia que pretendia manter a monarquia constitucional e fez crescer a idéia de ré pública. Provocou também uma cisão no Clube dos Jacobinos, ocasionando a saída dos elementos mais moderados, liderados por Barnave, que eram favoráveis a uma composição com a monarquia. Os que saíram, instalaram se na mesma rua Saint Honoré, no Convento dos Feuillants, fundando um novo clube. Sob sua influência, Luís XVI foi mantido no trono.

Em setembro de 1791 foi promulgada a primeira Constituição francesa, cujas disposições vinham sendo votadas desde fins de 1789. Para a burguesia em geral, o período revolucionário estava encerrado, mas os deputados mais radicais exigiam o julgamento do rei; os "sanas culottes", reclamavam do voto censitário e da alta dos preços que continuava incontrolável; os camponeses se revoltaram porque não lhes tinha sido dada qualquer ajuda para liquidar seus débitos com os antigos senhores,

A Assembléia Legislativa: girondinos e Jacobinos

Após a promulgação da 1o. Constituição foi eleita uma nova Assembléias Legislativa, pelo voto censitário. Nela acendeu-se o debate sobre a conveniência ou não de uma guerra contra as monarquias absolutistas da Europa, que ameaçavam a França de invasão para impedir as medidas liberalizantes. 0 rei e a aristocracia conspiravam e desejavam a guerra, através da qual esperavam, com a ajuda estrangeira, recuperar o poder e restaurar o Antigo Regime.

Os deputados de tendência liberal, que constituíam a maioria da Assembléia, defendiam a guerra com o objetivo de desviar a atenção da população dos graves problemas internos do país, de obter benefícios econômicos e de expandir a revolução contra o absolutismo. Liderados por Brissot, esses deputados passaram a ser conhecidos por brissotinos ou girondinos (porque grande número deles originava-se da província da Gíronda), afastando-se do Clube dos Jacobinos.

Os deputados que permaneceram no Clube dos Jacobinos faziam parte da minoria radical da Assembléia. Liderados por Robespierre eram contrários à guerra, entes que todos os problemas internos da França fossem resolvidos, De tendência democrata, os deputados jacobinos passaram a defender propostas cada vez mais radicais.

DISCURSO DE ROBESPIERRE AOS DEPUTADOS JACOBINOS (JAN/1792):

"A idéia mais extravagante que pode nascer na cabeça de um político é a de acreditar que basta a um povo entrar no território e de outro, de armas na mão, para faze-lo adotar suas leis e sua e constituição. Ninguém ama os missionários armados... Antes que os efeitos de nossa revolução se façam sentir no exterior e preciso consolidá-la (internamente). Querer levar a liberdade aos países estrangeiros antes de havê-la nós mesmos conquistado é assegurar ao mesmo tempo nossa servidão e a do mundo inteiro. Pôr ordem nas finanças, conter as malversações, armar o povo e a Guarda Nacional, fazer tudo o que o governo pretendeu impedir até agora".(Citado por FLORENZANO, Modesto. As Revoluções) Burguesas. São Paulo, Brasiliense, 1988, p. 51)

A mobilização popular e a derrubada da monarquia

Com o apoio da aristocracia e dos girondinos, teve inicio a guerra contra a Áustria e a Prússia, em abril de 1792. Entretanto, a França só conheceu derrotas, sendo o rei e os generais acusados de colaboração com o inimigo. Em julho, com o país invadido e Paris ameaçada de ocupação, reacendeu-se a Revolução. A nação em perigo, a Assembléia Legislativa permitiu que os cidadãos passivos se armassem e participassem da defesa. Em meio a um forte sentimento nacionalista, milhares de "sans-culottes" juntaram-se aos batalhões de guardas-nacionais das províncias que se dirigiam a capital para defendê-la, entoando hinos patrióticos como o "Canto de Guerra para o Exército do Reno", de Rouget de Lisle, mais tarde transformado em hino nacional francês (a Marselhesa).

Acusando o rei Luis XVI, a rainha Maria Antonieta e os comandantes militares de sabotagem e de traição, a população armada insurgiu-se contra a monarquia, derrubando-a a 10 de agosto de 1792; o rei e a família real foram feitos prisioneiros.

Os "sans-culottes" tomaram a Comuna de Paris (isto é, a prefeitura) e ali instalaram uma "Comuna Insurrecional", expulsando as autoridades legais e enfrentando a Assembléia Legislativa. Centenas de "suspeitos" foram aprisionados. A partir de 2 de setembro, grupos de revolucionários "sans-culottes" invadiram as celas e mataram sumariamente os presos. Em quatro dias, 1300 pessoas foram mortas, nos massacres que ficaram conhecidos como o primeiro "terror".

0 golpe de agosto de 1792, que derrubou a monarquia na França, foi o resultado de um movimento organizado e dirigido, a nível nacional, pelos jacobinos, em aliança com a massa de sans-culottes; estes foram às ruas numa nova jornada popular, fazendo manifestações, construindo barricadas e defendendo a pátria.

Proclamação da República da França

Em setembro de 1792, pelo voto universal, foram eleitos 749 deputados para uma nova assembléia constituinte, com funções legislativas e executivas: a CONVENÇÃO NACIONAL. Reunindo-se pela primeira vez em 21 de setembro, a Convenção decretou a criação da "República Francesa, Una e Indivisível". Em seguida, conclamou o povo a resistir aos invasores estrangeiros propôs a elaboração de um novo calendário- e de uma nova Constituição, que ficaram prontos em 1793.

Na Convenção, os deputados dividiram-se em trás grandes grupos: a Gironda, a Montanha e a Planície. A "Gironda" era formada por deputados republicanos liberais, representantes da alta burguesia, de "direita". Seus principais líderes foram Brissot e Vergniaud; esse grupo era contrário a qualquer tipo de aliança com as camadas populares.

A "Montanha" era formada por deputados republicanos democratas, representantes da pequena burguesia, pertencentes ao Clube dos Jacobinos e ao Clube dos Cordeliers(l) e buscava apoio nos "sans-culottes". *Seus deputados ocupavam os assentos mais altos da assembléia, daí o no me "Montanha". Seus adeptos formavam a ala "esquerda" da Convenção e os principais líderes eram Robespierre, Danton, Mara, Saint-Just e Hébert.

CORDELIERS: Clube fundado em abril de 1790, aberto inclusive aos "cidadãos passivos", tornando-se aos poucos uma das principais expressões dos "sans-culottes". Teve um papel importante nas jornadas revolucionárias de agosto/1792 e de maio-junho/1793.

Principais representantes: Marat, Danton, Hébert.

Dirigido por Hébert. a Partir de 17939 defendeu medidas ultra-radicais e terroristas.Em março de 1794, por ordem de Robespierre, todos os responsáveis pelo Clube dos Cordeliers foram presos e guilhotinados.

A "planície" era formada por deputados de "centro", sem contornos políticos precisos. Constituía a maioria da assembléia e ora apoiava os girondinos, ora votava com os montanheses. Seu mais destacado representante era o abade Sieyès.

No início, os girondinos, por terem o apoio da Planície, dirigiram a Convenção, favorecidos pelas primeiras vitórias obtidas sobre os inimigos, através do recrutamento obrigatório para o exército. De setembro a dezembro de 1792, as tropas francesas, com grande ímpeto revolucionário, expulsaram os prussianos e os austríacos de seu território.

Após sucessivas vitórias, os exércitos franceses ocuparam a Bélgica, a Sardenha, o condado de Nice, a Sabóia e planejaram estender o território até o rio Reno e os Alpes. Isso provocou a coligação da Inglaterra com as demais monarquias absolutistas contra a França. Enfrentando praticamente sozinha toda a Europa, os franceses voltaram a sofrer derrotas,

Os girondinos defrontavam-se agora com uma guerra externa adversa e com as reivindicações internas dos sans-culottes que exigiam o ta tabelamento e o controle dos preços e das mercadorias, além da guilhotina para os especuladores e os traidores. Na região da Vendéia (oeste da França), os camponeses iniciaram uma revolta contra o recrutamento obrigatório estabelecido pela República.

Os líderes jacobinos pregavam que a guerra só teria sucesso se todos os inimigos internos da pátria, a começar pelo rei, passando pelo clero, aristocratas, privilegiados e suspeitos de cooperação com o inimigo, fossem. condenados. Contra a vontade da Gironda e com o apoio da Planície, a Montanha julgou e condenou o rei Luis XVI, guilhotinado a 21/01/1793.

Progressivamente, os jacobinos foram dominando a Convenção. Em março, criou-se o Tribunal Revolucionário para julgar os "suspeitos" e em abril, o Comitê de Salvação Pública, que se transformou no verdadeiro poder executivo do governo. Finalmente, com a decisiva ajuda dos sans culottes, os jacobinos conseguiram expulsar os girondinos da Convenção nas jornadas populares de 31 de maio a 2 de junho de 1793.

O "governo revolucionário" dos jacobinos: Terror e Ditadura

Os jacobinos enfrentaram, ao mesmo tempo, a guerra camponesa na Vendéia (que se alastrara nas regiões vizinhas e se estendeu até dezembro); as reivindicações dos sans culottes pelo tabelamento dos preços; os movimentos contra-revolucionários em várias cidades (como em Marselha e em Lyon, dominada pelos monarquistas); e os exércitos estrangeiros que atacavam a França ao norte, a leste e ao sul (no dia 2/9/1793 os ingleses tomaram Toulon).

Liderados por Robespierre no comando do Comitê de Salvação Pública, os jacobinos adotaram as medidas de exceção que consideraram necessárias para controlar a situação (inclusive deixando de lado a nova Constituição aprovada pela Convenção a 26 de junho de 1793), criando um "governo revolucionário" que se estendeu até julho de 1794.

Com o apoio das classes populares, o Comitê de Salvação Pública mobilizou todos os recursos da nação para vencer a forte coligação que lutava contra a França (Inglaterra, Áustria, Prússia, Rússia, Holanda, Espanha, Portugal, estados alemães e estados italianos), estabelecendo racionamento de alimentos e a convocação em massa da população para a guerra.

DO DEPUTADO BARÈRE, SOBRE A CONVOCAÇÃO EM MASSA

Em 9/8/1793: "Desde este momento até aquele em que os inimigos tenham sido expulsos do território da República, todos os franceses ficam em estado de permanente requisição para o serviço do exército. Os jovens irão ao combate; os homens casados forjarão as armas e transportarão os víveres; as mulheres farão tendas, roupas e servirão 1 nos hospitais; as crianças transformarão linho velho em tiras para ferimentos; os velhos se farão transportar às praças públicas para instigar a coragem dos guerreiros, pregar o ódio aos reis e a unidade da República'' (RICHET, Denis. "Comitê de Salvação Pública In: FURET, F. & OZOUF, M. (org.). Dicionário Crítico da Revolução Francesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989, P. 506/7.)

Pressionada pela agitação dos sans-culottes, que numa nova jornada popular cercavam a Convenção exigindo pão e guilhotina para os traidores, o Comitê de Salvação Pública colocou o "Terror" em funcionamento para punir os adversários (5/9/1793), criou um exército revolucionário no interior para acabar com os especuladores de mercadorias (09/09/1793), reorganizou o Tribunal Revolucionário para aumentar sua eficácia (14/9/1793) e estabeleceu o "maximum" geral, legislação que regulamentava a taxação geral dos preços e dos salários (29/9/1793). No campo, os vestígios do feudalismo foram abolidos sem indenização e as proprieda des dos nobres emigrados divididas em parcelas e vendidas aos camponeses. Essas medidas contrariavam as idéias dos líderes da Revolução que em matéria econômica eram liberais, mesmo os montanheses.

Restava apenas legitimar as medidas de exceção tomadas, o que foi feito através de um decreto proposto por Saint Just que dizia "0 governo provisório é revolucionário até a paz" e aprovado pela Convenção no dia 14 Primário (04/12/1793). Por ele instituiu-se uma verdadeira ditadura de guerra, baseada no dirigismo econômico e no "Terror" que sistematizou a repressão e a execução dos adversários, suspendendo os direitos do homem adquiridos em 1789, em nome da razão do Estado.

DISCURSO DE SAINT JUST, EM 10/10/1793, NA CONVENÇÃO:

"As leis são revolucionárias, aqueles que as executam não o são... Nas circunstâncias em que se acha a República, a Constituição não pode ser estabelecida... Ela se tornaria a garantia de atentados contra a liberdade, porque lhe faltaria a violência necessária ia para reprimi-los. É impossível que as leis revolucionárias sejam executadas se o próprio governo não for constituído revolucionariamente". (FRANÇOIS FURET, op. cit. p. 567.)

Sob a direção de Robespierre, o Comitê de Salvação Pública passou a governar pelo medo, fazendo com que a pena de morte pairasse sobre todos os cidadãos; esse Comitê era formado por nove deputados eleitos e reeleitos mensalmente pela Convenção, com amplas atribuições administrativas, financeiras, militares e diplomáticas. Abaixo dele encontrava-se o Comitê de Segurança Geral, composto de doze deputados também eleitos mensalmente pela Convenção e investidos das funções de segurança, de fiscalização e de polícia.

As pessoas consideradas suspeitas pelo Comitê de Segurança Geral eram levadas a julgamentos sumários no Tribunal Revolucionário que nos seus 16 meses de funcionamento (março de 1793 a julho de 1794), realizou 17 mil execuções, a maior parte delas a partir de Dezembro de 1793. Em Paris, e nas províncias foram executados a rainha Maria Antonieta, ex-generais acusados de colaboração com o inimigo, todos os girondinos presos (como Brissot e Vergniaud), o que restara do grupo dos Feuillants (como Bailly e Barnave), aristocratas, membros do clero, camponeses (principalmente da Vendéia), burgueses principalmente de Lyon), enfim, pessoas de todas as classes sociais.

SOBRE A REPRESSÃO DESENCADEADA PELOS GENERAIS REPUBLICANOS CARRIER E TURREAU NA CIDADE ME NANTES E NA VIZINHA REGIÃO DA VENDÉIA, VENCIDAS AO FINAL DA GUERRA CIVIL

"Chegando em Nantes no mês de outubro, Carrier, o delegado da Convenção, fanático como o espírito do tempo e contando com o apoio dos sans-culottes locais, mandou efetuar múltiplas prisões as quais se acrescentaram, para encher as cadeias até um ponto insuportável os soldados da Vendéia capturados.À relativa lentidão do trabalho da guilhotina, acrescentou logo Carrier os fuzilamentos sem juízo prévio e os afogamentos no rio Loire, através de vãs tas barcaças que transportavam os suspeitos e que eram afundadas no meio do rio. Morreram umas 10 mil pessoas, das quais quatro ou cinco mil foram afogadas.

Mas, nesse gênero lúgubre, seriam ainda maiores as proezas das "colunas infernais de Turreau (na Vendéia). Desde fevereiro de 1794 repartiram o território da insurreição para percorrê-lo e incendiá-lo. Foram cortadas as árvores, queimadas as aldeias, exterminado o gado, massacradas indistintamente as populações. Ocorreu um verdadeiro delírio de destruição que assolou o patrimônio agrícola e imobiliário, deixando mais de 100 mil mortos pelos povo-a dos, aldeias e lugares com nomes singulares que a soldadesca encontrava em seu caminho. Só em maio teve fim o medonho empreendimento." (FURET, F. "A Vendéia." In: FURET & OZOUP, op. cit. p. 181.)

No início de 1794, debelada a revolta da Vendéia e afastado o perigo de invasão da França pela coligação das monarquias européias, o Terror voltou-se contra as facções existentes entre os próprios montanheses. Assim, foram conduzidos à guilhotina o moderado Danton e seus seguidores, os radicais chefiados por Hébert, permanecendo o grupo ligado a Robespierre. Apoiado por Saint Just e por Couthon, Robespierre procurou redistribuir as propriedades e criar uma nova religião, o culto ao "Ser Supremo". À frente da Convenção, Robespierre não hesitou em utilizar-se do Terror e da Ditadura para ganhar a guerra externa e vencer os inimigos internos da Revolução.

0 "governo revolucionário" dos jacobinos surgiu de uma aliança com os sans-culottes, que tiveram suas reivindicações atendidas, sem obter, entretanto, a direção do movimento, que permaneceu com a burguesia montanhesa. Porém, o uso indiscriminado da legislação do Terror, a execução de Danton, de Hébert e de milhares de outros fizeram com que Robespierre perdesse o apoio dos sans-culottes e de grande parte dos deputados da Convenção, descontentes com a radicalização de sua política Em 27 de julho de 1794, 9Termidor, os deputados da Planície, numa rápida manobra, derrubaram Robespierre e seus seguidores, executando-os no dia seguinte.

Sobre Robespierre, assim escreveu Hobsbawn: "Para ele, como para a história, a República Jacobina não era um instrumento para ganhar guerras, mas sim , um ideal; o terrível e glorioso reino da justiça e da virtude, quando todos os bons cidadãos fossem iguais perante a nação e o povo tivesse liquidado com os traidores. Jean Jacques Rousseau e a cristalina convicção de justiça deram-lhe sua força. Ele não tinha poderes ditatoriais formais nem mesmo um cargo, sendo simplesmente um membro do Comité de Salvação Pública, que era por sua vez um mero sub-comité da Convenção - o mais poderoso, embora jamais todo-poderoso. Seu poder era o do povo - as massas parisienses; seu terror, o delas. Quando elas o abandonaram, ele caiu." (HOBSBAWN, E. J. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979, p. 88/89.)

O governo da Planície - a Convenção Termidoriana

A Convenção, dominada agora pela Planície, suprimiu o Terror, o Clube dos Jacobinos e a Comuna de Paris; eliminou o tabelamento de preços e a legislação social dos jacobinos. 0 fim o controle dos preços trouxe uma onda de miséria fazendo com que os sans-culottes ensaiassem novas jornadas populares nos meses de março/abril/maio, mas foram facilmente derrotados.

Em setembro de 1795, antes de se dissolver, a Convenção aprovou a terceira constituição da Revolução. A "Constituição do Ano III" manteve a República e o poder legislativo foi repartido entre o Conselho dos 500 (encarregado de elaborar os projetos de lei) e o Conselho dos Anciãos (250 deputados encarregados de aprovar ou rejeitar os projetos de lei). 0 poder executivo foi entregue ao DIRETÓRIO colegiado de 5 membros eleitos por 5 anos pelo Conselho dos Anciãos.

Estabeleceu-se o voto censitário (só os proprietários tinham direito ao voto), garantindo-se os direitos políticos apenas da burguesia. "Um país governado pelos proprietários" era o que desejavam os autores desta Constituição, cujo lema era "liberdade, igualdade e propriedade".

O DIRETÓRIO E 0 GOLPE DO 18 BRUMÁRIO

0 período do Diretório (1795/1799) caracterizou-se por uma extrema instabilidade política, devido às agitações e tentativas de golpe dos realistas (partidários do retorno à monarquia) e dos jacobinos. Em 1796,o jornalista Graco Babeuf organizou a "Conspiração dos Iguais" pretendendo criar uma República igualitária, extinguindo a propriedade individual, mas foi preso e fuzilado.

Do ponto de vista econômico, a França encontrava-se em estado calamitoso: inflação alta, portos e estradas destruídos, serviço público desorganizado e indústrias arruinadas.

No plano externo, formou-se a 2a. Coligação contra a França (Inglaterra, Áustria, Rússia, Sardenha, reino de Nápoles e Turquia). 0 Diretório passou a depender cada vez mais de seu exército, onde se desta cava um jovem e ambicioso general - Napoleão Bonaparte - já testado nas guerras do "governo revolucionário" (retomada de Toulon), na Itá lia (1797) e no Egito (1798). Cercado de prestígio, Bonaparte foi procurado por políticos burgueses que necessitavam de uma espada para "salvar" a França.

Apoiado e estimulado por membros do governo, Napoleão dissolveu o Diretório no dia 9 de novembro de 1799 - o golpe do 18 Brumário - estabeleceu o Consulado e depois o Império, consolidando as instituições burguesas (no plano interno) e propagando seus ideais (no plano externo). Napoleão governou até 1815, quando foi derrotado pelos exércitos ingleses e alemães, na batalha de Waterloo.

Tomada da Bastilha

No período entre 1787/1789, as péssimas colheitas haviam provocado escassez de alimentos e aumento desenfreado dos preços, agravando a situação dos assalariados nos campos e nas cidades. A crise se estendeu à indústria, trazendo desemprego e miséria, principalmente em Paris e nos centros têxteis de Lyon e do norte da França. Em fins de 1788, os gastos com o pão representavam 58% do orçamento popular; em 1789, às vésperas da revolução, esses gastos passaram a 88%.

A eleição dos deputados e a instalação dos Estados Gerais ocorreram em momento de dificuldades para o povo francês devido à carestia e aos boatos de que os fornecedores estocavam alimentos para forçar a sua alta, com a participação das autoridades municipais. Esses boatos espalharam-se e irritaram os "sans culottes", ocorrendo saques em estabelecimentos comerciais, distúrbios nos mercados e pilhagens nos comboios de cereais.

A ameaça de golpe na Assembléia Nacional pela aristocracia, os boatos da iminente invasão de Paris por tropas mercenárias e a demissão do ministro reformista Necker mobilizaram as massas parisienses (arte sãos, lojistas, desocupados, soldados dissidentes), dando início a uma série de manifestações chamadas "jornadas populares" nos dias 13 e 14 de julho, que culminaram com a tomada da Bastilha, prisão símbolo do absolutismo, em 14/07/1789.

0 medo e a revolta da população de Paris espalharam-se pela França, com o campesinato saqueando depósitos, armazéns, mosteiros e castelos de nobres. "No clima de insegurança e de miséria gerais, incidentes locais deram início a correntes de pânico em cadeia: com exceção da Bretanha, da Alsácia e Lorena e do Baixo Languedoc, o "Grande Medo "sacudiu o país de 20 de julho a 6 de agosto de 1789, 0 feudalismo foi definitivamente abalado".(SOBOUL, Albert. A Revolução Francesa. São Paulo, DIFEL, 19741 P. 43.).

Para impor a ordem e conter as massas camponesas e urbanas que ameaçavam as propriedades particulares, a burguesia organizou em Paris e em cada cidade uma guarda nacional, Sob pressão popular, a Assembléia Nacional sancionou, nos dias 4 e 5 de agosto de 1789, os decretos que declaravam extintos o Antigo Regime e os direitos senhoriais no campo.

Ainda sob o impacto dos acontecimentos de julho, a Assembléia Nacional aprovou, em 26/08/1789, a DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO, segundo a qual todos os homens possuem direitos naturais, inalienáveis e sagrados à liberdade, a propriedade, à segurança e a resistência à opressão. A igualdade dos direitos dos indivíduos, garantida pela Constituição escrita, foi a grande conquista de 1789.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO: 26/08/1789

ARTIGO 1. Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções sociais não podem ser fundamentadas senão sobre a utilidade comum.
ARTIGO 2.
A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são: a liberdade, a prosperidade, a segurança e a resistência à opressão.
ARTIGO 3.
Princípio de toda soberania reside essencialmente na nação; nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.(...) ARTIGO 6. A lei é a expressão da vontade geral, Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou pelos seus representantes, na sua formação - Ela tem que ser a mesma para todos, quer seja protegendo, quer seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais aos seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a capacidade deles e sem outra distinção do que a de suas virtudes e talentos.
ARTIGO 11.
A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo pelo abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei. MATTOSO, Kátia M. de Q, op. cit. p. 14/15.)

Fonte: www.hystoria.hpg.ig.com.br

Revolução Francesa

Tomada da Bastilha

Apenas sete prisioneiros eram guardados pela fortaleza parisiense que serviu como prisão do Estado absolutista francês, desde Luís XIII (1610-1643). Mais do que a libertação dos presos, a queda da Bastilha serviu como marco do fim da era do Absolutismo em França, numa Revolução que foi caracterizada pelos ideais iluministas, sendo anunciada e defendida por filósofos como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), Denis Diderot (1713-1784) entre outros. Liberdade, Igualdade e Fraternidade tornou-se o lema que motivava as ações contra o arbítrio e a desigualdade entre as classes sociais, pelo menos até Robespierre inaugurar o período do Terror, durante a reforma do Estado Francês.

Segundo as anotações dos velhos marceneiros da história, as duas vigas verticais dessa máquina vingativa mediam 4,50 metros, e a separação entre uma e outra era de 37 centímetros. A lâmina pesava 7 quilos, era fixada por três esferas, (pesando 1 quilo cada uma) e presa num cabeçalho que por sua vez pesava 30 quilos, constituindo assim, um conjunto de 40 quilos, que percorria uma queda de 2,25 metros antes de cortar o pescoço do condenado. A viga esquerda da máquina pesava 69 quilos, a da direita, por conter o mecanismo de liberação da queda da lâmina, 73 quilos, totalizando, com a máquina já montada uns 580 quilos.

A guilhotina foi uma espécie de homenagem ao médico e deputado Joseph Guillotin (1738-1814), que considerava este método de execução mais humano do que o enforcamento ou a decapitação com um machado. Na realidade, a agonia do enforcado podia ser longa, e certas decapitações a machado não cumpriam seu papel ao primeiro golpe, o que aumentava consideravelmente o sofrimento da vítima. Guillotin estimava que a instantaneidade da punição era a condição necessária e absoluta de uma morte decente.Mas não foi ele o inventor desse aparelho de cortar cabeças, usado muitos séculos antes. Guillotin, na verdade, apenas sugeriu sua volta na Revolução Francesa como eficiente método de execução humana.

A Revolução Francesa de 1789, foi a oportunidade perfeita para Bonaparte alcançar seu objetivo maior. Tornou-se general aos 27 anos, saindo-se vitorioso em várias batalhas na Itália e Áustria.

A sua estratégia era fazer com que seus soldados se considerassem invencíveis. No ano de 1798 ele seguiu em embarcação para o Egipto, com o propósito de tirar os britânicos do percurso às Índias.

Napoleão Bonaparte foi muito bem visto pelos seus soldados e por grande parte do povo francês. O seu poder foi absoluto após ter sido nomeado cônsul.

No ano de 1804, Napoleão finalmente tornou-se imperador. Com total poder nas mãos, ele formulou uma nova forma de governo e também novas leis. Visando atingir e derrotar os ingleses, Bonaparte ordenou um Bloqueio Continental que tinha por objetivo proibir o comércio com a Grã-Bretanha.

No ano de 1812, o general francês atacou a Rússia, porém, ao contrário de seus outros confrontos, este foi um completo fracasso. Após sair de Moscovo, o povo alemão decidiu lutar para reconquistar a sua liberdade. Após ser derrotado, Napoleão foi obrigado a buscar exílio na ilha de Elba; contudo, fugiu desta região, em 1815, retornando à França com seu exército e iniciando o seu Governo de Cem Dias em França. Após ser derrotado novamente pelos ingleses na Batalha de Waterloo é enviado para o exílio na ilha de Santa Helena, local de seu falecimento em 5 de Maio de 1821.

Arco do Triunfo - Os triunfos de Napoleão Bonaparte

O Arco do Triunfo é um monumento da cidade de Paris construído para comemorar as vitórias militares de Napoleão Bonaparte, que ordenou a construção em 1806 ao arquiteto Chalgrin. Foi inaugurado em 1836. Tem gravado os nomes de 128 batalhas e 558 generais. Na sua base situa-se o Túmulo do Soldado Desconhecido, construído em 1920. Situa-se na praça Charles de Gaulle, onde termina a mais famosa avenida de Paris, o Champs Élysées.

As Invasões Francesas

1a. Invasão

Sob o comando do general Junot, as tropas francesas ingressaram na Espanha em 18 de Outubro de 1807, cruzando o seu território em marcha acelerada em pleno Inverno e alcançando a fronteira portuguesa em 20 de Novembro. Sem encontrar resistência, uma coluna de tropas invasoras atingiu Abrantes a 24, em busca de provisões. Faminto e desgastado pela marcha e pelo rigor do Inverno, o exército francês teve dificuldade para ultrapassar o rio Zêzere, entrando em Santarém a 28, de onde partiu no mesmo dia, rumo a Lisboa, onde entrou a 30, à frente de dois regimentos em mau-estado.

No dia anterior, a Família Real e a Corte portuguesa haviam largado ferros da barra do rio Tejo, rumo ao Brasil, levando em 34 navios de guerra portugueses, cerca de 15.000 pessoas, deixando o governo de Portugal nas mãos de uma regência, com instruções para não resistir aos invasores.

No ano seguinte, em Agosto, uma força britânica sob o comando do general Arthur Wellesley (depois duque de Wellington), desembarcava em Portugal, avançando sobre Lisboa. Travaram-se, na sequência, a batalha de Roliça e a batalha do Vimeiro, vencidas pelos ingleses, forçando à Convenção de Sintra.

2a. Invasão

Enquanto a invasão de Portugal sucedia, Napoleão forçou a abdicação do rei Carlos IV de Espanha e de seu herdeiro, D. Fernando (Baionne, 1808), conduzindo ao trono espanhol o seu irmão José Bonaparte. Os espanhóis revoltaram-se contra os usurpadores franceses, obtendo apoio das tropas inglesas estacionadas no norte de Portugal. Sob o comando de John Moore, os ingleses ultrapassam a fronteira no início de 1809, para serem derrotados, na Corunha, pelo marechal Soult. Obrigadas a retirar, deixaram a descoberto a fronteira com Portugal, permitindo a Soult, invadir o país pela fronteira do Minho em Março de 1809, avançando até à cidade do Porto, que ocupam a 24 desse mês, fixando fronteira no rio Douro. Em Maio desse mesmo ano, tropas luso-britânicas sob o comando do general Arthur Wellesley e do comandante-em-chefe marechal William Carr Beresford, vencem a chamada batalha do Douro, reconquistando a cidade do Porto (29 de Maio) e expulsando o invasor, que se retirou para a Galiza. Retornando para o sul, as tropas de Wellesley travaram a batalha de Talavera em território espanhol e regressaram a Portugal.

3a. Invasão

Uma terceira invasão francesa do território português registou-se em 1810, sob o comando do marechal André Massena. Penetrando pela região nordeste de Portugal, conquistou a Praça-forte de Almeida (Agosto), na fronteira, marchando em seguida sobre Lisboa. Interceptado pelas forças luso-inglesas, foi vencido na batalha do Buçaco (27 de Setembro). Reagrupando as suas forças, retomou a marcha, flanqueando as tropas luso-inglesas e forçando-as a recuarem para defenderem a capital. Os franceses atingiram as Linhas de Torres a 14 de Outubro, erguidas na previsão dessa eventualidade e onde as tropas luso-inglesas os aguardavam desde o dia 10, retirando-se, derrotados, no final do dia seguinte.

Fonte: sol.sapo.pt

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