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Consequências da Industrialização

A Revolução Industrial foi um fenômeno internacional, tendo acontecido de maneira gradativa, a partir de meados do século XVIII. A Revolução Industrial provocou mudanças profundas nos meios de produção humanos até então conhecidos, afetando diretamente nos modelos econômicos e sociais de sobrevivência humana.

O modelo feudal, essencialmente agrário - e que caracterizou o período medieval - começa a entrar em decadência, cedendo lugar, paulatinamente, ao modelo industrial - primeiramente em nível local, regional, para, logo em seguida, dar início à Revolução Industrial: em nível internacional de larga escala.

A grande Revolução Industrial começou a acontecer a partir de 1760, na Inglaterra, no setor da indústria têxtil, a princípio, por uma razão relativamente fácil de se entender: o rápido crescimento da população e a constante migração do homem do campo para as grandes cidades acabaram por provocar um excesso de mão-de-obra nas mesmas. Isto gerou um excesso de mão-de-obra disponível e barata - que permitiria a exploração e a expansão dos negócios que proporcionarão a acumulação de capital (Capitalismo) pela então burguesia emergente. Isto tudo, aliado ao avanço do desenvolvimento científico - principalmente com a invenção da máquina à vapor e de inúmeras outras inovações tecnológicas - proporcionou o início do fenômeno da industrialização mundial – ocorrido, como já foi comentado, primeiramente, na Inglaterra.

No século XVII, no ano de 1600, a população da Inglaterra passou de 4 milhões de habitantes para cerca de 6 milhões; no século seguinte, no ano de 1700, a população já beirava os 9 milhões de habitantes!

Na Europa Continental, esse crescimento foi ainda mais rápido: na França, por exemplo, a população passou de 17 milhões, em 1700, para 26 milhões em 1800.

O crescimento demográfico em tal escala proporcionou uma forte expansão dos mercados consumidores para bens manufaturados, especialmente vestuários.

Um outro fator importante no acontecimento revolucionário industrial, foi que, na Inglaterra, o consumo de tecidos de lã era muito maior que os de algodão. Os tecidos de algodão eram importados da índia, de modo que para proteger a indústria local de lã, o Parlamento inglês criou tarifas pesadas sobre as importações dos tecidos de algodão estrangeiros e, dessa forma, acabou por incentivar a industrialização dos tecidos de algodão na própria Inglaterra – que, com a medida, ficavam sem concorrentes.

Até meados do século XVIII (1760), a fiação tanto de lã como de algodão era feita manualmente em equipamentos toscos chamados rocas, rocadoras, de baixíssimo rendimento. A partir de 1764, James Hargreaves inventou e introduziu no mercado a sua famosa máquina “Spinning Jenny”, que consistia numa máquina de fiar que multiplicou a produção em 24 vezes em relação ao rendimento das antigas rocas.

Logo em seguida, o mesmo inventor colocava à disposição do mercado tinha uma nova invenção: a lançadeira volante “Fly-Schepel”.

A combinação desse processo de tecelagem com a fiação das “Spinning Jenny” produziu uma verdadeira revolução, que seria completada com a invenção do Bastidor Hidráulico de Richard Arkwright, que tornou possível a produção intensiva das tramas longitudinais e latitudinais – invento que foi otimizado com a chamada Mula Fiadora (Spinning Mule) inventada por Samuel Cropton, em 1789, uma combinação da Spinning Jenny de James Hargreaves com o bastidor de Richard Arkwright.

Com esses novos processos mecânicos, a produção aumentou de 200 a 300 vezes em comparação com o que era produzido antes, no mesmo tempo. Por outro lado, melhorou substancialmente a qualidade do fio. Ainda no século XVIII, em 1792 um outro invento de Eli Whitney conseguiu separar mecanicamente as sementes da fibra do algodão, de modo a reduzir substancialmente o seu preço.

As primeiras máquinas eram suficientemente baratas para que os fiandeiros pudessem continuar a trabalhar em suas casas. No entanto, na medida em que aumentavam de tamanho, deixaram de ser instaladas nas habitações para serem instaladas nas oficinas ou fábricas perto dos cursos d'água que podiam ser utilizados como fontes de força motriz. É importante lembrar, que, até então, toda força motriz utilizada na indústria incipiente era de fonte hidráulica. A transição da indústria doméstica para o sistema fabril não se fez do dia para a noite, de modo que, durante muito tempo, a fiação de algodão continuou sendo feita em casa, assim como nas primeiras fábricas.

Entretanto, em 1851, já três quartos das pessoas ocupadas na manufatura trabalhavam em fábricas de médio e grande porte. Porém, a tecelagem continuou sendo uma industria doméstica, até que surgiu a invenção de um tear mecânico, que era barato e prático. Com essas invenções, os tecelões manuais foram deslocados para as fábricas e, praticamente, com o passar do tempo, acabaram por desaparecer.

As inovações introduzidas na indústria têxtil deram à Inglaterra uma extraordinária vantagem no comércio mundial dos tecidos de algodão, a partir de 1780. O tecido era barato e podia ser comprado por milhões de pessoas que jamais haviam desfrutado o conforto de usar roupas leves e de qualidade. Em 1760, a Inglaterra exportava 250 mil libras esterlinas de tecidos de algodão e, em 1860, já estava exportando mais de 5 milhões. Em 1760, a Inglaterra importava 2,5 milhões de libras-peso de algodão cru, e já em 1787 importava 366 milhões.

Ao lado das grandes invenções e inovações no campo da indústria têxtil, surgiu uma outra grande invenção: a máquina a vapor, de James Watts, em 1763.

Segundo alguns historiadores, foi essa combinação das invenções no campo da indústria têxtil e a máquina a vapor, principalmente na indústria de mineração, dos transportes ferroviários e marítimos, que, num período de 100 anos (1770 a 1870), caracterizaram e promoveram a grande Revolução Industrial.

O rápido crescimento da população no continente europeu e nas colônias, principalmente entre 1800 e 1850, fizeram com que, também, em outros países da Europa, se construísse um clima favorável à proliferação industrial.

Um elemento importante no contexto da Revolução Industrial foi a melhoria generalizada dos sistemas transportes, nas mais variadas partes da Europa: Na Áustria, foram construídos mais de 48 mil Km de estradas, entre 1830 e 1847; a Bélgica quase dobrou sua rede de estradas no mesmo período; e a França construiu, além de estradas, 3.200 km de canais. Nos Estados Unidos, onde a industrialização se processou num ritmo cada vez mais veloz, depois de 1830, o total das estradas saltou de 34.000 Km, em 1800, para 272.000 Km, em 1856.

Por volta de 1840, os países da Europa Continental e também os Estados Unidos, seguiam mais ou menos lentamente o rumo da industrialização inglesa. Nos 10 anos seguintes, porém, o advento das estradas de ferro alterou inteiramente essa situação. A explosão das ferrovias provocou um surto de expansão em todas as áreas industriais.

Não só aumentou em enormes proporções a demanda de carvão e matérias-primas, como também de grande variedade de bens pesados, como: trilhos, locomotivas, vagões, sinais, chaves de desvio, como também possibilitou um transporte mais rápido das mercadorias da fábrica para o ponto de venda, reduzindo o tempo de distribuição e o custo das mercadorias.

Entre 1850 e 1570, a Grã-Bretanha continuou a ser o gigante industrial do Ocidente. Entretanto, pouco a pouco, a França, a Alemanha, a Bélgica e os Estados Unidos viriam a assumir posições cada vez mais importantes.

A sustentação de uma posição privilegiada no campo industrial levou os países europeus a uma política agressiva na área comércio internacional, procurando impedir que outros países, principalmente fora da Europa, desenvolvessem satisfatoriamente as suas indústrias. A Europa usava seu poderio econômico e, quando necessário, sua força militar, para garantir que o mundo permanecesse dividido entre os produtores de manufaturas e os fornecedores das matérias primas, localizadas principalmente nos países colonizados. Este foi um aspecto da divisão do trabalho que, em nível mundial, mais caracterizou a Revolução Industrial.

Enfim, o conseqüente processo de urbanização e a formação da consciência de classe – a nova classe dos trabalhadores, que passarão a se organizar em sindicatos – podem ser considerados os aspectos mais importantes e relevantes no tocante às conseqüências dos processos que levaram à Revolução Industrial.

PRINCIPAIS CONSEQUENCIAS DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Antes de examinarmos as conseqüências da Revolução Industrial, é importante registrar que, nos séculos XVI e XVII, a Europa vivia um enorme contraste entre o luxo dos palácios, a riqueza dos nobres aristocratas; e a pobreza, a miséria em que vivia a maior parte do povo. Já nessa época existia uma ascendente classe de burgueses que enriqueceram, principalmente, com o comércio nas novas colônias. Não havia trabalho para todos e, mesmo os que trabalhavam, ganhavam salários mínimos, muitas vezes insuficientes para sua subsistência.

Ao lado desses pobres trabalhadores, convivia uma multidão de mendigos, que representava o resultado dos custos das prolongadas guerras e da inflação que assolou a Europa a partir da entrada de ouro e prata vindos da América. Impressionante o registro desses fatos: em meados do século XVII, a quarta parte da população de Paris era constituída de mendigos.

Essa situação agravou-se ainda mais na segunda metade do século XVIII, quando foi registrada uma verdadeira explosão demográfica. Até 1750, a população da Europa, incluindo a Rússia, era de pouco mais de 100 milhões de pessoas, possuindo uma taxa de crescimento lenta que não chegava a mais de um por cento ao ano. A partir de 1750, no entanto, a taxa de crescimento da população chegou a 4% ao ano e, seguindo em crescimento, atinge mais de 10% na década de 1780. Em 1790, a cidade de Paris já contava com 700 mil habitantes e Londres, 900 mil.

O excesso de população - seguida pelo êxodo rurual - é que respondia pela grande massa dos desempregados concentrados nas maiores cidades, o que proporcionava ao empresário capitalista burguês um grande contingente de mão-de-obra por um preço irrisório. A conseqüência disto, como todos sabemos, é o começo da fase do "Capitalismo Selvagem", onde existe uma intensificação generalizada da exploração humana por parte dos detentores emergentes dos novos meios de produção - fato que, por sua vez, gerará inúmeras reações violentas em todo continente europeu por parte dos trabalhadores explorados e desempregados (miseráveis).

E O QUE MAIS PRECISAMENTE ACONTECERÁ A PARTIR DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?

Com a Revolução Industrial, ocorreu um enorme aumento da produtividade, em função da utilização dos equipamentos mecânicos, da energia a vapor e, posteriormente, da eletricidade, que passaram a substituir a força animal e, ainda mais agravante, dispensava o trabalho humano. Esse aumento de produtividade aliado ao excesso de mão-de-obra geram, inevitavelmente, desemprego. E novas levas de milhares e milhares de trabalhadores desempregados vão se incorporar à grande massa dos mendigos.

Essa situação foi muito mais dramática na Europa Continental do que na Inglaterra por uma questão de emigração dos ingleses que deixaram as ilhas britânicas em direção a outras partes do mundo, principalmente Estadas Unidos, Austrália, Nova Zelândia e algumas regiões da África. Essa emigração foi acentuada a partir de 1850, em cuja década alcançou mais de 2,5 milhões de pessoas contra apenas 200 mil ingleses que emigraram na década de 1820.

A situação só não foi mais catastrófica por que ao lado da Revolução Industrial ocorreu também uma Revolução Agrícola. A utilização de novos métodos agrícolas, rotação de safras, sementes selecionadas e o surgimento de novos equipamentos agrícolas, produziram um extraordinário aumento na produção de alimentos. Isso tornou o preço da alimentação mais barato e ajudou enormemente a sobrevivência dos trabalhadores.

É bem verdade que, aí também, há um aspecto perverso: na medida em que melhoraram os preços e as condições de alimentação, o número de filhos por família aumentava assustadoramente.

Como vimos anteriormente, ocorreu com a Revolução Industrial um extraordinário desenvolvimento da indústria têxtil, que veio acompanhada de forte expansão na produção agrícola de algodão - principalmente nas colônias - e da pecuária de carneiros para a produção de lã.

Na Inglaterra, essa alteração na estrutura da produção agrícola representou uma transferência profunda da agricultura de alimentação para subsistência por uma nova atividade: a criação de carneiros, que ocupava enormes extensões de terra.

Essa mudança na estrutura da produção representou simplesmente a expulsão de milhares e milhares de camponeses de suas terras, para que os grandes proprietários expandissem a produção da lã. Esses camponeses expulsos de suas terras foram parar nas cidades, onde muitos encontravam empregos na indústria, mas a maioria perambulava desempregada.

O excesso de mão-de-obra nas cidades industriais fez com que baixassem tremendamente os salários dos trabalhadores. É verdade que alguns trabalhadores especializados, nas novas fábricas, melhoravam seus padrões de vida. Mas a maioria ganhava o suficiente apenas para se alimentar e sobreviver. Segundo a "História da Civilização Ocidental", de Edward Burns e outros, na cidade industrial de Bolton, na Inglaterra, no ano de 1842, um tecelão manual não conseguia ganhar mais do que cerca de três xelins, enquanto, nessa época, estimava-se necessário pelo menos 20 xelins semanais para manter uma família de cinco pessoas um pouco acima do limite da miséria.

Na área da habitação, a situação era igualmente constrangedora. Em muitas das grandes cidades, homens e velhos viviam em casa de cômodos, separados de suas famílias que haviam deixado no campo. Os trabalhadores mais pobres, em quase todas as cidades européias, moravam em horríveis quartos de porão, muitas vezes destituídos de luz, de água e de esgotos.

Daí a ocorrência intensa e freqüente da cólera, do tifo e da tuberculose, que produziam uma enorme mortalidade infantil. Os historiadores diziam e dizem ainda hoje que podiam se considerar felizes os trabalhadores que não morressem de fome.

Igualmente penosas eram as condições de trabalho nas fábricas: antes de 1850, a jornada fabril era longa, em geral de 12 a 14 horas diárias. O ambiente das fábricas era sujo e peri-goso. As máquinas eram desprotegidas e ocasionavam freqüentes acidentes de trabalho, muitas vezes mutilando os trabalhadores. Por outro lado, havia um tremendo rigor em relação ao horário de trabalho e à permanência dos trabalhadores junto às máquinas. Ao lado disso, havia, na maior parte das fábricas, a preferência na contratação de mulheres e crianças, pois, além de protestarem menos quanto às condições de trabalho, pareciam conformadas em aceitar salários menores.

É no contexto da Revolução Industrial, da deterioração das condições de vida dos trabalhadores, do desemprego e da miséria, que a Europa vai se aproximando da Revolução France-sa de 1789. Agravou a situação uma sucessão de más colheitas, resultando na escassez de alimentos e na elevação de seus preços. A fome e a miséria são os principais ingredientes da revolta do povo que levou à Revolução Francesa. As últimas décadas do século XVIII registraram esse quadro doloroso na Europa, onde desemprego e fome multiplicavam incrivelmente o número dos mendigos e vagabundos.

No inverno, viviam todos recolhidos às suas pobres casas e cabanas procurando algum aquecimento em seus abrigos, mas, na primavera, surgiam os bandos de salteadores, criando insegurança nos campos e nas estradas.

No entanto, chegou um momento, no final da década de 1780, em que os camponeses se armaram e iniciaram uma grande revolta conhecida com o nome de "O Grande Medo", invadindo os castelos e queimando os títulos de propriedade. Nas regiões de Macon e Beaujolais, 72 castelos foram incendiados. O medo de perder suas terras levou os burgueses a se unirem aos nobres e a organizarem tropas armadas para repelir as invasões gerando uma luta de classes violenta e sangrenta.

A crise econômica que veio na esteira da Revolução Industrial e da Revolução Francesa provocou enormes agitações políticas em toda a Europa. Contra o chamado “capitalismo selvagem”, idéias socialistas foram gradativamente ganhando corpo, minando as estruturas do Estado e da burocracia. Os trabalhadores começaram a se organizarem em Sindicatos e ganharam enorme poder de luta na defesa de seus interesses. Na Inglaterra, realizou-se um movimento político reformista de grande significação, o então chamado "Cartismo", entre 1833 e 1848, cujo programa (Carta do Povo) consegue a primeira lei de proteção ao traba-lho da criança (1833) e das mulheres (1842), assim como a limitação da jornada de trabalho a 10 horas (1847).

No campo político, uma onda revolucionária varreu a Europa, na França, Itália, Alemanha, Suíça, após a derrubada do Rei Carlos X, na Revolução Popular de 1830 que escolheu Luiz Felipe como monarca. Na grande Revolução de 1848, Luiz Felipe é destronado e Luiz Bonaparte, sobrinho de Napoleão, é eleito presidente da República da França.

A Revolução Industrial na sua seqüência, tomou, no plano das idéias, dois rumos diferentes: em uma vertente, desenvolveram-se as idéias do liberalismo econômico, segundo os postulados dos grandes economistas do final do século XVIII, principalmente Adam Smith, David Ricardo, Jean Batista Say e John Stuart Mill. De outro lado surgiram, mais tarde, as reações de cunho socialista, que atingem um ponto máximo com o Manifesto Comunista de 1848, de Karl Marx e Friedrich Engels.

No ponto de vista sócio-econômico, a Revolução Industrial proporcionou o comércio em escala mundial. O modelo Feudal, essencialmente agrário - caracterísco da Idade Média - entrou, gradativamente, em decadência, cedendo lugar ao comércio internacional em larga escala. Os grandes latifundiários, os senhores feudais, bem como a estrutura agrária feudal, entraram em franco declínio, cedendo lugar para o capitalismo da burguesia industrial emergente.

Fonte: maxpages.com

Consequências da Industrialização

Revolução Industrial

A Revolução Industrial teve conseqüências de curto à longo prazo, sendo que uma das mais visíveis e uma das primeiras foi a explosão demográfica devido ao êxodo rural que culminou com o crescimento desordenado das cidades e a exploração dos seres humanos, pois a procura de emprego passou a ser maior que a oferta.

[...] a “explosão demografica”, parece habilitar-se, na imprensa popular, para a metáfora da mudança ruidosa. Em vista da cacofonia das cidades, sem falar da violência incidental das ruas, o conceito de “explosão” ou “revolução” seria, pelo menos, igualmente adequado. (MOORE, 1968, p 94)

O desemprego concentrou-se nas maiores cidades, o que proporcionava ao empresário capitalista burguês um grande contingente de mão-de-obra que poderia ser explorado por um preço irrisório. A conseqüência disso foi o avançao do capitalismo, no qual existe uma intensificação generalizada da exploração humana por parte dos emergentes detentores dos novos meios de produção - fato que, por sua vez, gerará inúmeras reações violentas em todo continente europeu por parte dos trabalhadores explorados e desempregados miseráveis. Outra conseqüência foi o isolamento do ser humano, como um fator psicológico a ser estudado.

[...] a Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo... Pois a nova cidade não era um lar onde o homem pudesse achar beleza, felicidade, lazer, conhecimento, religião e as influências que civilizam a visão e o hábito, mas um lugar deserto e desolado, sem cor, ar ou riso, onde o homem, a mulher e a criança trabalhavam, comiam e dormiam... as novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as pirâmedes, mostrando mais a escravização do homem do que seu poder, lançando sua longa sombra sobre a sociedade que tinha tanto orgulho de tais coisas. (HAMMOND apud DEANE, 1969, p 271)

Percebemos que as cidades metropolitanas se transformaram em locais nos quais as pessoas apenas dormiam, o que demonstra que o relacionamento com a família se tornou ínfimo, pela falta de tempo.

Estudando a evolução dos sistemas sociais, Moore (1968) mostra que todas as mudanças interferiram não somente na sociedade como um todo, mas também trouxeram conseqüências para cada indivíduo, sendo, uma delas, a solidão, objeto de estudo deste trabalho, sobre a qual ele afirma que:

“A principal quebra das grandes organizações de parentesco é a ampla mobilidade exigida pela industrialização. Estas mobilidades geográficas, implicando uma separação simultânea de parentes, é também social, supondo assim a separação de parentes em status e estilo de vida”. (MOORE, 1968, p 110- 111)

Das idéias desse autor pode-se depreender que a mobilidade geográfica, ou seja, a saída das pessoas dos campos rurais para as grandes metrópoles contribuiu para a separação da família e os indivíduos começaram a ficar mais solitários dentro de sua própria família, ou seja, dentro da instituição que traz a base para sua socialização.

No ambiente rural as famílias e os vizinhos não moravam tão perto, mas os encontros eram constantes, seja nas reuniões familiares ou nos encontros religiosos.

Essas situações eram criadas com freqüência. Nas cidades o espaço físico para esses encontros ficou reduzido, como no caso dos cortiços. As pessoas viviam em casas muito próximas umas às outras, mas não tinham tempo para conhecer melhor o seu vizinho, pois tinham uma carga de pelo menos 14 horas de trabalho fabril, segundo Hobsbawn (1983). Esse fato mostra a grande contradição em que viviam, porque tantas pessoas juntas poderiam ter uma vida social mais intensa, mas, ao contrário disso, esses indivíduos viviam mais isolados.

As famílias também se separaram nesse espaço geográfico. Tios e primos em diversos graus, em busca de status social, necessitavam morar em localidades que convinham ao seu crescimento. Os parentes já não tinham mais tempo para se relacionar, pois a nova sociedade girava em torno da produtividade e do lucro, que dependia da mão de obra de homens, mulheres e até mesmo crianças.

Com o surgimento da indústria, o ser humano foi remodelado. Sua carga horária aumentou e ele passou a ter menos tempo para a interação familiar, com isso desenvolvem-se formas de convívio condizentes com o novo modo de vida nas quais a presença física foi se tornando cada vez menos importante em um relacionamento social.

A especificação e a automatização criada e introduzida pela indústria avançam seus tentáculos para muito além do território de trabalho. A praticidade das máquinas que garantiam o sustento enquanto embalavam pessoas em seu conforto, produziam, ao mesmo tempo, um crescente desconforto quando a pauta era a interação física com o outro.

O individualismo e a importância da satisfação do ‘eu’, servem muito bem ao propósito capitalista. As necessidades desse meio possuem uma carga pesada, pois atendem muito mais a interesses e intenções mercadológicas e publicitárias do que humanistas.

“A sociedade pós-industrial, ao estabelecer as bases para a cultura de massas, propiciou ao capitalismo disseminar quase universalmente sua ideologia individualista e pragmática: cada um por si.”

A máquina tinha, inicialmente, a função de facilitar o trabalho. Ela parecia ser a solução de tantos problemas, na medida em que era capaz de produzir o dobro na metade do tempo e, com isso, permitiria viver em condições mais humanas. Acreditava-se que enquanto a máquina produzia as pessoas poderiam conviver mais.

Foi um sonho ingênuo, uma vez que o homem está muito mais apto a conhecer o funcionamento de uma máquina e a sua previsibilidade do que alguém de sua própria espécie ou a si mesmo.

“Uma das formas de disseminar o estado profundo da solidão foi o equipamento televisivo. A mídia sempre foi o braço vitalício do domínio sobre o aparelho social e a televisão foi mero catalisador de um padrão previamente consumado.”

Seguindo as afirmações de Branco, pode-se concluir que no processo de materialização o outro passou a SER estranho. A televisão conseguia reunir toda a família ao seu redor, mas apesar de as pessoas estarem juntas em um mesmo ambiente, suas atenções se dividiam com o aparelho.

As pessoas que viviam em pequenas cidades rurais tinham uma interação pessoal com mais afinidades entre os moradores, pois a maioria se conhecia pelo nome e quase todos sabiam onde moravam e o que faziam. Moore (1968) descreve que nas cidades industriais existe um congestionamento anônimo.

Ele explica que:

[...] existem multidões sem verdadeira interação social, abundando as interações segmentarias ou mesmo transitórias. As chamadas relações secundárias são nominalmente características das relações de emprego e, na realidade, de muitas outras entre o professor e o pai, funcionário público e cidadão, senhorio e locatário e, num grau extremo comprador e vendedor (MOORE 1968, p.115 e 116).

O automóvel, avião, assim como os telefones reduziam distâncias, nos colocando mais próximos aos indivíduos, assim como as diferenças sociais nos colocavam mais longe do nosso semelhante.

Com a individualização veio esse aspecto da indiferença pelo outro.

Há a idéia do homem contemporâneo fechado em sua casa e rodeado de equipamentos eletrônicos (pc, secretária eletrônica, fax, impressora, cd rom, tv, vídeo, som, celular) que procuram aliviar esse mal estar, anestesiá-lo desse estranhamento, encapsulando-o em uma vida onde o contato com o mundo externo é cada vez mais feito através de caminhos eletrônicos.

A ideologia capitalista também apresenta aspectos antagônicos porque embora tenha criado o indivíduo (ao invés do semelhante) em sua insatisfação, apresenta um apelo maciço da indústria para nos fazer entrar na massa, para agir como os outros e participar do que é coletivo. Forjando em nós a idéia de que o que é da maioria é necessariamente o melhor, de que estamos integrados em uma sociedade. Isso nos põe em contato direto com essas duas forças (individual/coletivo) que nos fragmenta ainda mais. Ao sair de casa queremos nos certificar de que estamos engajados no melhor de nosso social, as marcas de produtos que nos revestem não facilitam o encontro com o semelhante, apenas os desencontros entre os indivíduos.

Somos por assim dizer um produto deste meio, capazes de amar a humanidade ao mesmo tempo em que não suportamos o próximo, o estranho.

O homem é um ser que não coincide consigo mesmo e traz dentro de si uma negatividade. A busca inquieta da totalidade e satisfação deverá se regular sobre as coisas, sobre o mundo, levando a vontade na procura da posse, do domínio e da Glória. O homem se aliena naquilo que lhe oferece uma imagem de sua unidade desejada: a coisa. (RICOUER, 1996 apud LEVY p. 17)

Ao estabelecer as bases para a cultura de massas, a sociedade pós-industrial, forneceu ferramentas ao capitalismo para espalhar pelo globo terrestre a ideologia individualista do “cada um por si.” A competição que antes era entre povos, nações, e sociedades passou a ser entre indivíduos.

Estamos todos caminhando para um isolamento, sem nos darmos conta desse fato que a cada dia traz péssimas conseqüências para a pessoa como ser humano.

Franchi Foglia

Fonte: www.agapo.com.br

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