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Revolução Industrial

Século XVIII

Durante o chamado período manufatureiro do capitalismo, o longo processo de divisão capitalista do trabalho, descrito no capítulo anterior, criou as pré-condições técnicas que permitiriam o advento da revolução industrial. Naquele período (cerca de dois séculos - a partir de meados do século XVI), as atividades produtivas ainda eram executadas essencialmente com base nas habilidades manuais de trabalhadores muito qualificados em seus ofícios, verdadeiros artífices ou artesãos. A origem do termo "manufatura" vem exatamente daí (feito à mão).

À medida que a divisão capitalista do trabalho foi sendo introduzida e/ou aprofundada, e que cada vez mais pessoas trabalhavam concentradas no mesmo local, de maneira coordenada ou articulada, os coletivos de trabalhadores em atividade assemelhavam-se a mecanismos produtivos vivos, cujas partes eram constituídas por seres humanos. A necessidade de harmonização das diversas partes desse mecanismo vivo estimulava, por conseguinte, o aumento do controle capitalista, exercido inicialmente por meio de atividades rudimentares com relação ao que hoje chamamos de gerência, buscando garantir a disciplina no ambiente de trabalho. Quantidades crescentes de trabalhadores cada vez mais especializados concentravam-se em edificações produtivas que também cresciam. Passava-se aos poucos da oficina, que abrigava os oficiais artesãos senhores de seu trabalho, específica a cada tipo de produto, para a fábrica, construída por uma complexa teia de tempos e movimentos de trabalhadores especializados na confecção dos componentes, os mais distintos dos produtos.

A maior decomposição das tarefas e a especialização de uma parte também crescente dos trabalhadores diretos, por sua vez, fazia com que os movimentos de intervenção desses trabalhadores no processo produtivo ficassem cada vez mais repetitivos e restritos a manipulações simples, "automatizáveis" à primeira oportunidade. Como conseqüência, dentro de uma tendência geral de desqualificação do trabalho, ampliava-se a demanda por um contingente de trabalhadores cada vez mais especializados, que pouco tinham a ver com a preexistente "base técnica artesanal" : Isso levava a um rebaixamento do valor da força de trabalho empregada, tomada individualmente. Fica claro, uma vez mais, que qualificação e especialização não devem ser tomadas como sinônimos, mas como movimentos tendências essencialmente antagônicos de evolução das características objetivas da força de trabalho no capitalismo produtivo.

A tendência à especialização era reforçada pela utilização também crescente de instrumentos e implementos desenvolvidos para uso exclusivo naquelas funções simplificadas, de modo a aumentar sua produtividade. O período manufatureiro foi pródigo na introdução dos mais diferentes utensílios produtivos. Na verdade, a combinação desses instrumentos "primários" ou iniciais de trabalho mecânico gerou as bases rudimentares para a construção esporádica dos primários mecanismos que se assemelhavam a máquinas, ainda no século XVII. Tais mecanismos, precursores em um século das "verdadeiras" máquinas que surgiram com a revolução industrial, tiveram o mérito de gerar as bases práticas para que os grandes matemáticos da época criassem a ciência da mecânica.

Naquele longo período, o intenso processo de divisão do trabalho chegou a tal ponto que permitiu a Adam Smith contabilizar, já então, 18 tarefas diferentes para a confecção de um alfinete, no famoso exemplo citado no livro A riqueza das nações, de 1776. Pode-se imaginar o nível de simplificação de cada uma dessas tarefas. Com a generalização do quadro, acentuado pela possibilidade de repetição das atividades produtivas individuais, foi então possível construir e desenvolver mecanismos imóveis para os quais fossem transferidas as ferramentas utilizadas pelos trabalhadores, quando atuavam diretamente sobre as peças a serem trabalhadas. Esse fato é de suma importância: do ponto de vista das relações sociais de produção, é ele que caracteriza o surgimento da revolução industrial, como se verá logo adiante.

Máquinas-ferramentas a pleno vapor

Em geral, a revolução industrial é associada à invenção da máquina a vapor, aparentemente porque ela permitiu maior mobilidade de localização e flexibilidade na disposição física do capital produtivo, isto é, no lay-out e das fábricas em si, assim como viabilizou a ampliação das escalas de produção. No entanto, sem se desprezar a importância que a máquina a vapor possa ter tido para a revolução industrial, sob certo ângulo de análise, essa percepção. generalizada, se não é completamente equivocada, deve ser devidamente qualificada.

Em uma carta de Marx a Engels, de 28 de janeiro de 1863, os fundamentos da revolução industrial são enfocados de maneira distinta (Marx e Engels, 1975). Na carta, bem como no capítulo sobre maquinaria e indústria moderna de O capital, Marx enfatiza a importância do surgimento da working machine1, para caracterizar a revolução industrial do ponto de vista das relações sociais de produção. Segundo essa ótica, fundamental não é o desenvolvimento de um mecanismo como a máquina a vapor, que dispensa ou potencializa o exercício da força motriz humana (como para fazer girar uma roda), mas sim de um mecanismo que concretiza a capacidade de transferência do conhecimento sobre o processo de trabalho, que passa da esfera do trabalho para a esfera do capital. A possibilidade real para que isso acontecesse estava materializada nos movimentos repetitivos - e já extremamente simplificados pela divisão do trabalho - que o trabalhador fazia com a ferramenta ao atuar diretamente sobre a peça a ser produzida.

A máquina propriamente dita é assim um mecanismo que, após ser colocado em movimento, desempenha com suas ferramentas as mesmas operações que anteriormente eram executadas pelo trabalhador com ferramentas similares. O fato da força motriz ser derivada do homem ou de algu-ma outra máquina não faz diferença nesse respeito (Marx, O capital, p. 374).

Não é difícil entender. O fato de uma máquina de costura ser movida a eletricidade ou por movimentos regulares do pé da costureira atuando sobre o pedal mecânico por si só não altera a extraordinária importância que esse equipamento tem como amplificador da capacidade de trabalho humano; no ca-so, a capacidade de costurar. Novamente segundo Marx,

a máquina a vapor em si, tal como ela existia na época de sua invenção, durante o período manufatureiro, ao final do século XVII, e tal como continuou a ser até 1780, não fez surgir qualquer revolução industrial. Ao contrário, foi a invenção das máquinas-ferramentas que tornou necessária a revolução da forma das máquinas a vapor necessárias (ibid., p. 375).

Marx acentua que, de fato, Watt aperfeiçoou aquela linhagem de mecanismos anteriores, criando a máquina de autopropulsão. No entanto, ainda naquela forma, ela continuava a ser meramente uma máquina para puxar água e outros líquidos das minas de sal.

Em sintonia com esse argumento, a percepção aqui defendida é de que a revolução industrial foi deflagrada no momento em que, concreta e sistematicamente, começaram a se transferir as ferramentas das mãos dos trabalhadores - e, conseqüentemente, suas habilidades, informações e conhecimentos sobre o processo de trabalho - para mecanismos móveis que cristalizavam tais habilidades, informações e conhecimentos sob a forma social de capital fixo. Ou seja, começava a concretizar-se, aí, de maneira real, um longo e incessante processo de transferência objetiva de conhecimento produtivo, que passava do âmbito do trabalho para a esfera do capital.

Marx associa seu conceito de subsunção real à utilização de máquinas-ferramentas, em particular das máquinas automáticas. Estas, que podem também ser chamadas de máquinas de produção, surgiram e se difundiram durante a revolução industrial justamente porque concretizavam a dependência do trabalhador em relação aos equipamentos de capital, no que diz respeito à determinação do ritmo de suas atividades como produtores de valor e de valor excedente. No fundo, estava em questão a redução da "porosidade" existente nas atividades produtivas dos trabalhadores. Não se tratava mais meramente de uma forma capitalista (o assalariamento), mas de estabelecer de fato um modo de produzir realmente capitalista em sua essência.

Isso não significa que, uma vez estabelecida a subsunção real do trabalho ao capital, ocorreria de uma vez para sempre. Não. Os conflitos entre capital e trabalho pela determinação de novos patamares de produtividade (isto é, dos ritmos de trabalho e respectivos índices de porosidade) estarão sempre sendo recolocados em outros níveis, seja por força da introdução de tecnologias mais produtivas, seja como resultado da implementação de novos e eventualmente complementares métodos gerenciais e/ou sistemas organizacionais. Assim, há subsunção real do trabalho ao capital e, depois, mais subsunção real, e mais, e mais...

Em última instância, o grau de subsunção real em uma época reflete a cristalização da resolução, ainda que parcial e/ou temporária, do conflito (de classes) na esfera da produção em pauta. É como se, a cada momento, "fotograficamente", a subsunção real do trabalho ao capital fosse a expressão concreta do conflito entre trabalhadores e patrões no âmbito da atividade produtiva. Por exemplo, a chamada indústria moderna só é como tal caracterizada quando se utilizam máquinas para fabricar outras máquinas, isto é, quando se começa a estender, ainda que muito lentamente, a subsunção real para o âmbito da produção em pequena escala.

A migração da inteligência fabril

Mas, afinal, o que são as máquinas-ferramentas? São mecanismos móveis que, de um lado, "seguram" uma ou mais ferramentas; de outro lado, "seguram" a peça ou o material a ser trabalhado e, por movimentos coordenados - de impacto, de rotação da peça ou das ferramentas, ou, ainda, de articulação sistemática das ferramentas, das peças e/ou do material entre si -, produzem na peça ou no material as transformações desejadas. Obtém-se uma peça estampada ou torneada, um pano tecido etc.

Há várias maneiras de distinguir tipos de máquinas-ferramentas. De início, interessa-nos ressaltar a diferença entre as chamadas máquinas de produção e as máquinas-ferramentas universais. As máquinas de produção são aquelas que, tendo em vista uma elevada escala do produto a ser confeccionado, executam repetidamente e de maneira automática os mesmos movimentos indefinidamente. Seria o caso de uma máquina para fabricar parafusos de uma única e determinada dimensão. Dado que cada uma das atividades para tal fabricação já era extremamente simplificada pelo intenso processo de divisão do trabalho, passava a ser possível para os engineers da época articular, em um só equipamento mecânico de movimentos repetitivos e automáticos, todos aqueles movimentos e as respectivas ferramentas, agora devidamente modificadas e ajustadas de modo a compor o novo todo: uma máquina. Note-se que aqueles engineers não eram como os engenheiros de hoje; eram também trabalhadores manuais muito qualificados, com grande "herança" da base técnica artesanal, e que construíam, eles próprios, mecanismos e máquinas rudimentares (em inglês, chamadas engines).2

Pode-se perceber então que esses tipos de máquinas - de produção - representam as primeiras formas de automação industrial, nas quais o trabalho necessário à sua operação aparece como uma extensão do próprio mecanismo em funcionamento. Ou seja, automação não é novidade. Ela existe pelo menos desde a revolução industrial. Era, porém, uma automação rígida. A novidade dos dias de hoje é a difusão da automação flexível, tal como se verá no capítulo 6. Para que a automação fosse então economicamente viável, era necessário haver uma escala de produção de um único produto, elevada o suficiente para que valesse a pena contratar o minucioso trabalho daqueles engineers, verdadeiros experts em mecânica, para confeccionar uma máquina (de produção) que fizesse repetidamente - isto é, de maneira automatizada - todo aquele serviço.3

Vale ressaltar neste ponto que, àquela época, apesar de serem utilizadas para produzir bens de forma industrial, as máquinas eram, elas próprias e integralmente, produtos de um trabalho artesanal bastante sofisticado, realizado pelos engineers.4 Isso porque a tecnologia, à época, ainda não permitia um grau de precisão suficiente para que as peças produzidas por máquinas fossem usadas na confecção de outras máquinas. O torno de madeira, que era bastante usado quando ainda não havia se desenvolvido o aço, é um bom exemplo.

O rápido e acentuado desgaste das peças móveis desses equipamentos reduzia drasticamente a confiabilidade de obtenção das dimensões exigidas para peças de maior precisão. O problema era ainda mais evidente no caso das máquinas de produção, pois como elas eram feitas sob encomenda para cada fim específico, não podiam ser produzidas em séries maiores. Eram construídas uma a uma e exigiam - não só naquela época como até muito recentemente - métodos quase artesanais de trabalho. Para sua construção, portanto, era necessário trabalho da mais alta qualificação.

Também cabe ressaltar aqui que, por sua importância estratégica, decorrente do respectivo domínio das técnicas de produção (que implicava destreza, coordenação motora etc.), os trabalhadores altamente qualificados, empregados nas indústrias de bens de capital e nas ferramentarias, permaneceram sendo os mais mobilizados militantes do movimento sindical.5

Voltando ao ponto anterior, se, por um lado, a fabricação de uma máquina de produção exigia trabalhadores altamente qualificados, por outro lado, sua operação não dependia tanto das amplas qualificações mecânicas do trabalhador. A utilização de tais máquinas - que, não custa lembrar, eram automatizadas - implicava o emprego de trabalhadores mais especializados, muitos dos quais poderiam ser caracterizados como meros operadores de equipamentos. Mais uma vez aparece, aqui - e de maneira ainda mais clara e concreta -, a tendência à desqualificação do trabalhador manual, que se manifestava desde os tempos da manufatura.

No que tange às máquinas-ferramentas universais, justamente pela flexibilidade necessária à realização de um sem número de operações diferentes a cada produto diverso fabricado, elas podiam ser equipamentos padronizados e, conseqüentemente, ser produzidas em séries maiores do que as máquinas de produção. Apesar disso, também elas, na verdade como qualquer máquina da época, eram fruto de trabalho manual altamente qualificado - de ajustadores e outros oficiais ferramenteiros. Sua operação, também pela flexibilidade e versatilidade dos equipamentos, ainda exigia trabalhadores com elevado e diversificado grau de qualificação, que dependiam de habilidades manuais, mesmo que agora modificadas, pois eles passavam a intervir não diretamente sobre a ferramenta, mas sobre um mecanismo relativamente sofisticado, que potencializava a produtividade da ferramenta. O grau de subsunção real do trabalho ao capital, nessa área, continuava bastante baixo.

Em suma, por suas características, o advento da revolução industrial potencializou enormemente a capacidade de geração de riqueza (isto é, de produção de excedente econômico) sob a lógica capitalista de produzir. Não era mais meramente a ampla disseminação do trabalho assalariado, mas a maneira como ele executava suas atividades produtivas que se tornava subsumida à lógica capitalista. Cada vez mais era preciso que o indivíduo fosse assalariado e estivesse sob as condições de trabalho que se modernizavam com a revolução industrial, para ser incluído no circuito econômico como consumidor e para atingir sua sociabilidade como cidadão.

O processo da revolução industrial começa e se desenvolve inicialmente na Europa Setentrional, e é mais especificamente centrado na Inglaterra. Foi uma das colônias inglesas, os Estados Unidos, que, a partir dos germes levados pela imigração colonizadora, daria os maiores passos para amadurecer a revolução industrial e consolidá-la como caracterizadora da modernidade.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Revolução Industrial

Século XVIII

A Revolução Industrial designa um processo de profundas transformações econômico-sociais que se iniciou principalmente na Inglaterra. Em meados do século XVIII. Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplica o rendimento do trabalho e aumenta a produção global. A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial. Entre as principais características da sociedade industrial, podemos citar: a organização das mais diversas atividades humanas pelo capital; a predominância da indústria na atividade econômica e o crescimento da urbanização. Vários historiadores têm dividido o processo de criação das sociedades industriais em duas fases, a primeira com duração de 1760 a 1860 e a segunda iniciada por volta de 1860. Com essa revolução surgiram também novas formas de energia, como a eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo. A velha Europa agrária foi se tornando uma região com cidades populosas e industrializadas. Com tempo, a Revolução Industrial influenciou profundamente a vida de milhões de pessoas em todas as regiões do planeta.

Fatores da Primeira Revolução Industrial

Revolução Comercial

A primeira etapa da industrialização foi gerada pela Revolução Comercial, realizada entre os séculos XV e XVIII, principalmente em alguns países da Europa centro-ocidental. Para esses países, a expansão do comércio internacional trouxe um extraordinário aumento da riqueza, permitindo a acumulação de capitais capazes de financiar o progresso técnico e alto custo da instalação de industrias.

A burguesia européia, fortalecida com o desenvolvimento dos seus negócios, passou a se interessar pelo aperfeiçoamento das técnicas de produção e a investir no trabalho de inventores na criação de máquinas e experiências industriais.

Além disso, a Revolução Comercial resultou num aumento incessante de mercados, isto é, do lugar geográfico das trocas.

A ampliação das trocas, que a partir do século XVI os europeus passaram a realizar em escala planetária, levou a radical alteração nas formas de produzir de alguns países da Europa ocidental.

O aumento da divisão do trabalho

Com a expansão do comércio, o trabalho artesanal, realizado com ferramentas, típico das corporações de ofício, foi sendo substituído por um trabalho mais dividido, que exigiu a utilização de máquinas numa escala crescente. A produtividade foi incomparavelmente maior. Na França, por exemplo, os sapatos eram produzidos de forma artesanal: um mesmo artesão cortava, costurava, ou seja, realizava sozinho diversas tarefas que resultavam na fabricação de um sapato. Depois da extinção das corporações e do crescimento do mercado, cada operário no interior das fábricas nascentes foi especializado numa determinada tarefa.

A utilização de máquinas

Muito cedo verificou-se que maior produtividade e maiores lucros para os empresários poderiam ser obtidos acrescentando-se ao trabalho dividido o emprego de máquinas em larga escala.

A sociedade industrial caracterizou-se fundamentalmente pela utilização sistemática de maquinário na produção e no transporte de mercadorias.

Para compreender a importância das máquinas, basta lembrar que elas, ao contrário das ferramentas, realizam trabalho utilizando basicamente forças da natureza, como o vento, a água, o fogo, o vapor, e um mínimo de força humana.

Alguns pensadores afirmam que a humanidade realizou seus maiores progressos criando máquinas para utilizar as energias da natureza. O progresso se realizou nos momentos em que a humanidade conseguiu fazer as forças da natureza trabalharem por ela por meio das máquinas.

A exigência de produzir mais, com o aumento das trocas, praticamente “forçou” o progresso técnico, que passou a constituir um dos traços mais significativos do moderno e contemporâneo.

Revolução Industrial na Inglaterra

A primeira fase da revolução industrial (1760-1860) acontece na Inglaterra. O pioneirismo se deve a vários fatores, como o acúmulo de capitais e grandes reservas de carvão. Com seu poderio naval, abre mercados na África, Índia e nas américas para exportar produtos industrializados e importar matérias-primas. Ao longo dos séculos XVI, XVII E XVIII, houve o acúmulo de capitais em mãos de um pequeno grupo investidor. Esses capitais provinham do comércio colonial, do contrabando, do tráfico de escravos, de transações com outros países. Esses capitais eram igualmente acumulados através de operações no setor da produção agrícola. Esses capitais não eram atingidos por tributos elevados e desde o século XVII dispunham de uma empresa bancária sólida ? o Banco da Inglaterra ?, onde inclusive poderiam ser depositados com amplas garantias, sem se esquecer a possibilidade de obtenção de créditos.

Os setores empresariais dispunham de mão-de-obra numerosa e dependente, pois desvinculada dos meios e instrumentos de produção. Essa mão-de-obra crescia em função do aumento demográfico causado pela diminuição do índice de mortalidade e manutenção de alto índice de natalidade, pelo êxodo rural provocado pelos “enclosures” que criavam numerosos indivíduos sem emprego, e pela falência das corporações de ofício, o que, posteriormente, foi ampliado com o declínio das manufaturas.

Com a mecanização, aumentando a produção e os lucros, as indústrias se expandiram, embora determinados setores da produção industrial conhecessem progressos mais rápidos do que os verificados em outros setores.
No setor dos transportes, duas invenções foram importantíssimas: o navio a vapor, construído por Robert Fulton (1807), e a locomotiva a vapor, idealizada por George Stephenson (1814).

Fatores da Revolução inglesa

Acúmulo de capital

Depois da Revolução Gloriosa a burguesia inglesa se fortalece e permite que o país tenha a mais importante zona livre de comércio da Europa. O sistema financeiro é dos mais avançados. Esses fatores favorecem o acúmulo de capitais e a expansão do comércio em escala mundial.

Controle do campo

Cada vez mais fortalecida, a burguesia passa a investir também no campo e cria os cercamentos (grandes propriedades rurais). Novos métodos agrícolas permitem o aumento da produtividade e racionalização do trabalho. Assim, muitos camponeses deixam de ter trabalho no campo ou são expulsos de suas terras. Vão buscar trabalho nas cidades e são incorporados pela indústria nascente.

Crescimento populacional

Os avanços da medicina preventiva e sanitária e o controle das epidemias favorecem o crescimento demográfico. Aumenta assim a oferta de trabalhadores para a indústria.

Reservas de carvão

Além de possuir grandes reservas de carvão, as jazidas inglesas estão situadas perto de portos importantes, o que facilita o transporte e a instalação de indústrias baseadas em carvão. Nessa época a maioria dos países europeus usa madeira e carvão vegetal como combustíveis. As comunicações e comércio internos são facilitados pela instalação de redes de estradas e de canais navegáveis. Em 1848 a Inglaterra possui 8 mil km de ferrovias.

Situação geográfica

A localização da Inglaterra, na parte ocidental da Europa, facilita o acesso às mais importantes rotas de comércio internacional e permite conquistar mercados ultramarinos. O país possui muitos portos e intenso comércio costeiro.

Expansão Industrial

A segunda fase da revolução (de 1860 a 1900) é caracterizada pela difusão dos princípios de industrialização na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Japão. Cresce a concorrência e a indústria de bens de produção.

Primeiro automóvel a gasolina industrializado Nessa fase as principais mudanças no processo produtivo são a utilização de novas formas de energia (elétrica e derivada de petróleo o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço.

Nesta fase formaram-se empresas gigantescas, algumas das quais deram origem às multinacionais do século XX. Surgiram eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo.

Conseqüências da Revolução Industrial

Empresários e proletários

O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a operação do sistema. Os empresários (capitalistas) são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho. Os operários, proletários ou trabalhadores assalariados, possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

Exploração do trabalho

No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

Movimentos operários

Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários. As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.

Sindicalismo

Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de associação. Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.

Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.
Aumento da produção e da urbanização

Em virtude da Revolução agrícola que diminuiu a necessidade de muita mão-de-obra nos meios rurais

Industrialização e Mundo Colonial

O aumento da produção industrial no início do século XIX fez com que a burguesia inglesa se preocupasse cada vez mais com a abertura constante de novos mercados. Para a Inglaterra tornou-se interessante a derrubada das barreiras mercantilista que criavam obstáculos ao comércio internacional.

Nas primeiras décadas do século XIX, os ingleses contribuíram decisivamente para a derrubada do Pacto Colonial na América ibérica, apoiando os grupos locais que lutavam pela independência. Com o fim da dominação colonial de Portugal e Espanha, iniciou-se nessa parte da América uma fase de dominação do imperialismo inglês.

Revolução nos Transportes

No início do século XIX, a máquina a vapor começou a ser utilizada nos meios de transporte. Data de 1807 o primeiro barco a vapor. Em 1825, na Inglaterra, o engenheiro George Estephenson conseguiu construir a primeira estrada de ferro.

Com o barco a vapor e as estradas de ferro, o tempo das viagens diminuiu, o custo dos transportes baixou e aumentou ainda mais o volume das trocas, isto é, o mercado. Com o aumento das trocas e a conseqüente necessidade de produzir mais, tornaram-se cada vez maiores os avanços da industrialização.

Conclusão

Chegamos a conclusão de que a Revolução Industrial foi para trazer transformações econômicas-sociais que consistia em ampliar os limites de suas relações comerciais e desenvolver mercados em outros continentes. E nesse esforço para expandir a região desenvolvia com maior rapidez seus recursos minerais, fontes de energia e outros.

Fonte: www.monografias.brasilescola.com

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