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Revolução Industrial

Revolução Industrial - Século XVIII

A Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, integra o conjunto das Revoluções Burguesas do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na passagem do capitalismo comercial para o industrial.

INTRODUÇÃO

A Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, integra o conjunto das Revoluções Burguesas do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na passagem do capitalismo comercial para o industrial. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, que sob influência dos princípios iluministas, assinalam a transição da Idade Moderna para Contemporânea.

Em seu sentido mais pragmático, a Revolução Industrial significou a substituição da ferramenta pela máquina, e contribuiu para consolidar o capitalismo como modo de produção dominante. Esse momento revolucionário, de passagem da energia humana para motriz, é o ponto culminante de uma evolução tecnológica, social, e econômica, que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média.

O PROCESSO DE PRODUÇÃO

Nessa evolução, a produção manual que antecede a industrial conheceu duas etapas bem definidas, dentro do processo de desenvolvimento do capitalismo

O artesanato, foi a forma de produção característica da Baixa Idade Média, durante o renascimento urbano e comercial, sendo representado por uma produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão), possuía os meios de produção ( era o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalhava com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja não havia divisão do trabalho ou especialização. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante, porém não assalariado, pois realizava o mesmo trabalho pagando uma taxa pelo utilização das ferramentas.

É importante lembrarmos que nesse período a produção artesanal estava sob controle das corporações de ofício, assim como o comércio também encontrava-se sob controle de associações, limitando o desenvolvimento da produção.

A manufatura, predominou ao longo da Idade Moderna, resultando da ampliação do mercado consumidor com o desenvolvimento do comércio monetário.

Nesse momento, já ocorre um aumento na produtividade do trabalho, devido a divisão social da produção, onde cada trabalhador realizava uma etapa na confecção de um produto. A ampliação do mercado consumidor relaciona-se diretamente ao alargamento do comércio, tanto em direção ao oriente como em direção à América, permanecendo o lucro nas mãos dos grandes mercadores. Outra característica desse período foi a interferência do capitalista no processo produtivo, passando a comprar a matéria prima e a determinar o ritmo de produção, uma vez que controlava os principais mercados consumidores.

A partir da máquina, fala-se numa primeira, numa segunda e até numa terceira e quarta Revolução Industrial. Porém, se concebermos a industrialização, como um processo , seria mais coerente falar-se num primeiro momento (energia a vapor no século XVIII), num segundo momento (energia elétrica no século XIX) e num terceiro e quarto momentos, representados respectivamente pela energia nuclear e pelo avanço da informática, da robótica e do setor de comunicações ao longo dos século XX e XXI, porém aspectos ainda discutíveis.

O PIONEIRISMO DA INGLATERRA

A Inglaterra industrializou-se cerca de um século antes de outras nações, por possuir uma série de condições históricas favoráveis dentre as quais, destacaram-se: a grande quantidade de capital acumulado durante a fase do mercantilismo; o vasto império colonial consumidor e fornecedor de matérias-primas, especialmente o algodão; a mudança na organização fundiária, com a aprovação dos cercamentos (enclousures) responsável por um grande êxodo no campo, e conseqüentemente pela disponibilidade de mão-de-obra abundante e barata nas cidades.

Outro fator determinante, foi a existência de um Estado liberal na Inglaterra, que desde 1688 com a Revolução Gloriosa. Essa revolução que se seguiu à Revolução Puritana (1649), transformou a Monarquia Absolutista inglesa em Monarquia Parlamentar, libertando a burguesia de um Estado centralizado e intervencionista, que dará lugar a um Estado Liberal Burguês na Inglaterra um século antes da Revolução Francesa.

DESDOBRAMENTOS SOCIAIS

A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador braçal, provocando inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades, com enormes concentrações urbanas. A produção em larga escala e dividida em etapas irá distanciar cada vez mais o trabalhador do produto final, já que cada grupo de trabalhadores irá dominar apenas uma etapa da produção.Na esfera social, o principal desdobramento da revolução foi o surgimento do proletariado urbano (classe operária), como classe social definida. Vivendo em condições deploráveis, tendo o cortiço como moradia e submetido a salários irrisórios com longas jornadas de trabalho, a operariado nascente era facilmente explorado, devido também, à inexistência de leis trabalhistas.

O desenvolvimento das ferrovias irá absorver grande parte da mão-de-obra masculina adulta, provocando em escala crescente a utilização de mulheres a e crianças como trabalhadores nas fábricas têxteis e nas minas. O agravamento dos problemas sócio-econômicos com o desemprego e a fome, foram acompanhados de outros problemas, como a prostituição e o alcoolismo.

Os trabalhadores reagiam das mais diferentes formas, destacando-se o movimento ludista (o nome vem de Ned Ludlan), caracterizado pela destruição das máquinas por operários, e o movimento cartista, organizado pela Associação dos Operários, que exigia melhores condições de trabalho e o fim do voto censitário. Destaca-se ainda a formação de associações denominadas trade-unions, que evoluíram lentamente em suas reivindicações, originando os primeiros sindicatos modernos.

O divórcio entre capital e trabalho resultante da Revolução Industrial, é representado socialmente pela polarização entre burguesia e proletariado. Esse antagonismo define a luta de classes típica do capitalismo, consolidando esse sistema no contexto da crise do Antigo Regime

Por Pós-modernidade se entende o conjunto de características que demarcam uma nova "Era Histórica", o fim da modernidade do mundo contemporâneo e uma nova maneira de ver e se ver no mundo. Mas não seria, como a maioria dos pesquisadores acredita, apenas uma ruptura com o paradigma da modernidade, surgido com a Revolução Francesa. Ainda mais porque, como demonstrado, se existe uma ruptura paradigmática, ela tem uma causa, uma origem, mediata ou imediata, em fatos que produziram o efeito da mudança.

Ou seja, a Pós-modernidade foi gerada na Modernidade, assim como a Revolução Francesa o foi no Absolutismo e no Protestantismo ; e a Revolução Russa, por sua vez, na Francesa. A mudança de um "paradigma", para ocorrer, necessita de um processo lento de transformação de valores e costumes.

Desta forma, a Pós-modernidade representa, por um lado, uma ruptura com a modernidade; mas, por outro, uma simples continuação de um processo transformador que começou antes mesmo dessa Modernidade.

Uma Nova Revolução

Essa nova "Era Histórica" pode ser entendida como uma nova Revolução. Não uma Revolução como o foram a Francesa ou mesmo a Comunista, pois esta atual não afirma que seu ideal (se se pode falar em ideal) é melhor do que os outros, mas que tudo é uma ilusão, não existe nem verdade e nem erro.

Em outras palavras, enquanto a Revolução Comunista afirmava ser o bem o Comunismo e o mal o Capitalismo, a Pós-modernidade vai dizer que tudo é falso, que não existe bem ou mal e que, portanto, tudo não tem razão de ser e pode ser destruído sem fazer falta ao homem.

Por outro lado, pode-se afirmar que o principal alvo desta Revolução é, primeiramente, o próprio homem e não a sociedade, que só será transformada depois que o homem já tiver sido. O projeto igualitário comunista teria "fracassado" por querer mudar a sociedade sem ainda ter mudado o homem, a Pós-modernidade, ao contrário, primeiro muda o homem e só depois - e como conseqüência - muda a sociedade. Uma revolução de dentro para fora, como afirmou Marilyn Ferguson.

Desta forma, o primeiro passo para a Pós-modernidade não seria propriamente uma "tomada de poder", mas sim uma enorme Revolução Cultural, que possibilitaria a "tomada de poder".

A Concepção Psicológica

Mais do que dizer que a sociedade atual não tem razão de ser, porque se baseia em verdades que são ilusórias, a Pós-modernidade acredita que essas "verdades" aprisionariam o homem, que deve ser totalmente livre, e o impede de realizar todos os seus desejos e vontades, coibidos pelas regras morais, pelos valores sociais, éticos e religiosos.

Em se entendendo o homem com três potências básicas: inteligência, vontade e sensibilidade, consecutivamente em sua ordem natural (por natureza o homem é racional), ou seja, a inteligência governa a vontade que comanda a sensibilidade; a mudança no homem chega a ser mais profunda. A Pós-modernidade não só afirma que a sociedade aprisiona o homem, mas também que ele deve dar mais importância à sua sensibilidade do que à sua inteligência.

Podemos encontrar a teoria do que foi dito acima totalmente embasada na doutrina de Freud. Resumidamente, Freud afirmava que o "Superego" aprisionaria o "id", local inconsciente onde se encontra a verdadeira personalidade do homem, com seus instintos e vontades livres e que é coibido pelos valores e normas do "superego" . Cabe, pois, liberar o "id" aprisionado e deixar de sublimar o instinto sexual pela Religião ou pelo trabalho intelectual ( a sublimação seria um processo psíquico pelo qual a energia instintiva sexual é desviada para outros objetos, tais como a cultura e a religião ).

Percebe-se, claramente, que o homem Pós-moderno vive em procura das sensações, da emoção sem limites, etc. Seria como se a "inteligência' servisse para justificar a "vontade". Esta, por sua vez, despertada pela busca de sentir algo que traga o máximo de emoções e o mínimo de dor.

Para exemplificar, peguemos o estilo das danças mais antigas e comparemos com as mais modernas (Rock). Antigamente, o dançarino seguia várias normas que regulamentavam as posições, a maneira de andar, a empostação da coluna, etc. Atualmente, o que importa é se soltar, deixar-se levar pelo momento e pela música e vibrar junto com ela, sem regras ou limites (que seriam o superego).

A Concepção Religiosa

No campo psicológico, a Pós-modernidade é um espelho da teoria de Freud. Já no campo religioso, percebe-se uma forte tendência à gnose e à idéia de "pan", onde partículas divinas (de um Deus impessoal, inconsciente e "escangalhado") estariam por toda parte, exalando energias cósmicas que produzem um bem ao homem, um prazer (sempre a sensibilidade e não a razão). Essas partículas divinas são a fonte do prazer e da sensação. A essência das Religiões passa a ser a busca de harmonia com a natureza e, de forma geral, com o "Pan"

Como conseqüência da ausência de uma verdade objetiva e de um Deus pessoal, surge a visão ecumênica das Religiões, pois todas chegam a esse "Pan" inicial, na medida que cada um consiga "evoluir" em sua crença. No fim, existiria uma união de todas as Religiões em um ecumenismo gnóstico em que tudo é tolerado, menos a verdade objetiva e a visão de um Deus transcendente. Em outras palavras, o mundo medieval deve ser combatido em nome de uma metafísica antropocêntrica, onde o homem, "igual e livre", reconhece-se como senhor de si mesmo.

As religiões deixam a doutrina (racional - teológica) de lado e se dirigem às emoções do homem. O objetivo deixa de ser a busca da "Cruz" e da "salvação eterna", como era antigamente; e passa a ser a busca do prazer e da cura de alguma doença corporal. Movimentos pentecostalistas, espiritismo, carismáticos, protestantes de diversas linhas, etc.

Essas tendências ao panteísmo pode ser vista claramente nesses chamados grupos "alternativos", como os nudistas, que explicitamente afirmam que as roupas atrapalham a sensibilidade deles com a natureza . Ou mesmo em diversas práticas religiosas atuais, como já mencionado na parte anterior deste trabalho.

Deus deixa de ser pessoal e exterior ao homem, para se tornar imanente. Para "encontrar Deus", devo buscá-lo no meu interior através da meditação (transpessoal, transcendental, etc...) onde está a minha divindade. Em última análise, todos os homens fazem parte de "Deus", todos fazem parte do "todo", do "absoluto" (monismo e panteísmo).

O Igualitarismo

A conseqüência metafísica do igualitarismo é a gnose e, por sua vez, a conseqüência prática da gnose é o igualitarismo. Se todos os homens têm um partícula divina igual dentro de si, apenas se manifestando ilusoriamente de uma forma diferente , o resultado é que todos são iguais e devem gozar dos mesmos direitos.

Dependendo da corrente gnóstica, não apenas os homens possuem a partícula divina que os torna iguais, mas também todos os objetos.

A Concepção de "Verdade"

O igualitarismo gerou, principalmente na Pós-modernidade, a falta de um referencial hierárquico valorativo e, por ausência deste, a convicção de que a verdade e o erro são a mesma coisa. Não existe mais um fundo ontológico nos valores, pois a realidade é uma ilusão, ou como dizem, é o "Maya" (ilusão).

Quanto mais igualitário é o ideal, mais relativa é a verdade, porque se todos são iguais, porque devo acreditar no que diz o sujeito "A", ou o sujeito "B", porque devo acreditar em um Deus, que é um ser superior e estabelece regras e valores que devem ser seguidos (superego oprimindo o id)?

O Comunismo, por mais que negasse a existência de uma verdade absoluta (eterna e imutável), afirmava a existência de uma verdade nascida da dialética social e, na sua incoerência, o fato de que o homem não foi feito para ser "explorado" por outro homem.

Para o Pós-moderno, a única verdade seria a ausência de verdade, o único bem a ausência de bem, e assim por diante. Poder-se-ia dizer que, enquanto houvesse um bem ou uma verdade que fosse outra da exposta acima, o homem teria que sujeitar-se a esse bem ou a essa verdade e, portanto, não teria o grau de "liberdade" e de "igualdade" desejado. E como conseqüência, alguém se diferenciaria e passaria a ser o responsável por dizer qual é a verdade, coagindo os demais a reprimirem seus instintos em função dela, voltando a ditadura do "superego" sobre o "id" (que não deixa de ser uma reprodução da "luta de classes" aplicada, por Freud, à leitura psicológica do homem).

Não sendo mais transcendente a verdade, ela deixa de ser exterior ao homem, e passa a ser imanente. Cada um tem a capacidade de decidir sobre como viver, o que fazer, e assim por diante. Do mesmo modo como a concepção de Deus se transformou com o advento do Renascimento, a concepção de verdade também mudou. Quando chega a Pós-modernidade, com o seu lado gnóstico, a verdade passa a ser interna a cada homem, não mais exterior e transcendente, pois cada homem possui a verdade dentro de si (panteísmo) e faz parte de um todo (Holos) que se percebe necessariamente no imanente.

A Mentalidade Imediatista

Sendo tudo relativo e ilusório, sem ideologia e ideais verdadeiros, onde o que se deve fazer é libertar os instintos reprimidos e deixar-se levar pela sensibilidade, a Pós-modernidade forma uma mentalidade imediatista no homem. Aproveita-se ao máximo o presente e não se preocupa com o que vem depois, que pode ser a morte.

O fato do homem Pós-moderno buscar aproveitar a vida (sobretudo o "momento") ao máximo, também é explicável pela teoria de Freud. Segundo este, não existe um fim objetivo para a vida, como pretende a Religião.

Existe apenas um propósito subjetivo: acima de tudo experimentar fortes sentimentos de prazer, e secundariamente evitar o desprazer.

Enquanto a modernidade se baseia no ideal de trabalho (surgido principalmente após a "Revolução Industrial"), que garantiria o futuro, e na racionalidade científica, a Pós-modernidade nega o interesse pelo futuro e procura a sensibilidade ao invés da racionalidade.

A perspectiva de uma guerra atômica, doenças incuráveis, cataclismas de toda a natureza, etc, tudo isso somado às características doutrinárias antropocêntricas da Pós-modernidade, forma uma "moral da morte" . Essa moral faz que cada um busque viver ao máximo o presente, como se não houvesse amanhã.

A Visão Holística

A Pós-modernidade é uma tendência universal, mas, mais do que isso, ela é fruto de uma visão que se proclama universal ou total (Holos = todo). Segundo Pierre Weil, um dos maiores expoentes da gnose e do pacifismo Pós-moderno, a "abordagem Holística deve .... reagrupar os elementos dispersos ou isolados da totalidade, ou corrigir os efeitos desastrosos das fronteiras criadas por e no espírito dos 'seres humanos'" .

Em outras palavras, as fronteiras (desigualdades, diferenças, valores, crenças, países, etc) teriam sido criadas tendo por base uma falsa cosmo-visão, onde os homens são diferentes uns dos outros. Para a Holística, todos formam uma só realidade, o "Holos", que é uma energia cósmica (Panteísmo e Monismo).

Segundo preceitua a gnose, dever-se-ia resgatar a idéia de comunidade, onde todos sejam iguais (para não haver restrições à liberdade, tanto física quanto moral) e exista uma consciência comunitária (fraterna) que perceba o "absoluto" (energia cósmica primeira e fonte de tudo) e não o particular e o ilusório. Todos fazem parte de uma energia, de um "todo" (Holos) único, de uma grande massa de seres em evolução, rumo ao auto-conhecimento . Onde não exista uma divisão de trabalhos, especialização, pois tudo é um e um é tudo. Deve haver um mundo de interação, do agir comunitário e não disperso em ilusões de uma "pseudo" civilização que impõe uma moral e um Deus superior. Um mundo sem sectarismo, de qualquer natureza, pois todos fazem parte de uma mesma realidade (Monismo).

Ora, basta pegar a música "imagine" de John Lennon (que sem dúvida é um dos mitos Pós-modernos). Nessa música, fala-se de um mundo "sem Religiões, sem países, em um mundo onde não exista nada acima ou abaixo de nós, apenas o homem (nada superior ou inferior), nada pelo que matar ou morrer (ideais, lutas, guerras), vivendo a vida em paz (sem ninguém perturbar com moral, ordens, hierarquia, etc). Imagine todas as pessoas vivendo hoje, espero que um dia você se junte a nós e o mundo será apenas um" (holismo).

É bom lembrar que os Beatles, em 1967, fizeram um curso de "Meditação Transcendental" com o "guru" Maharishi Mahesh Yogi, inventor desta técnica.

Inclusive é sensível a mudança que sofreram após o curso: abandono do terno, cabelos crescidos, uso de drogas, etc...

Fonte: www.vestibular1.com.br

Revolução Industrial

Revolução Industrial - SÉCULO XVIII

A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a Revolução Industrial; revolução, em função do enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica.

A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da revolução burguesa iniciada na Inglaterra no século XVII.

Etapas da industrialização

Podem-se distinguir três períodos no processo de industrialização em escala mundial:

1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a "oficina do mundo". Preponderam a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor.

1850 a 1900 – A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Ale­manha, Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O trans­porte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.

1900 até hoje – Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica.

Artesanato, manufatura e maquinofatura

O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o arte­são trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.

Na maquinofatura, o trabalhador estava sub­metido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.

O pioneirismo inglês

Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.

Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os merca­dos mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes dava o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.

Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Uni­dos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra.

As colônias contribuíam com matéria-prima, capitais e consumo.

Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.

Depois de capital, recursos naturais e merca­do, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários.

As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transforma­ram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.

Duas conseqüências se destacam:

1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo

2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.

A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.

Mecanização da Produção

As invenções não resultam de atos individuais ou do acaso, mas de problemas concretos coloca­dos para homens práticos. O invento atende à necessidade social de um momento; do contrário, nasce morto. Da Vinci imaginou a máquina a vapor no século XVI, mas ela só teve aplicação no ,século XVIII.

Para alguns historiadores, a Revolução Industrial começa em 1733 com a invenção da lançadeira volante, por John Kay. O instrumento, adaptado aos teares manuais, aumentou a capacidade de tecer; até ali, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa­ram a faltar fios, produzidos na roca. Em 1767, James Hargreaves inventou a spinning jenny, que permitia ao artesão fiar de uma só vez até oitenta fios, mas eram finos e quebradiços. A water frame de Richard Arkwright, movida a água, era econômica mas produzia fios grossos. Em 1779, S Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, a mule, conseguindo fios finos e resistentes. Mas agora sobravam fios, desequilíbrio corrigido em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico.

Cada problema surgido exigia nova invenção. Para mover o tear mecânico, era necessária uma energia motriz mais constante que a hidráulica, à base de rodas d’água. James Watt, aperfeiçoando a máquina a vapor, chegou à máquina de movi­mento duplo, com biela e manivela, que transformava o movimento linear do pistão em movimento circular, adaptando-se ao tear.

Para aumentar a resistência das máquinas, a madeira das peças foi substituída por metal, o que estimulou o avanço da siderurgia. Nos Esta­dos Unidos, Eli Whitney inventou o descaroça­dor de algodão.

Revolução Social

A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas. O aspecto mais importante, que trouxe radical transformação no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado, capital e meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima); de outro, o trabalho. Os operários passaram a assalariados dos capitalistas (donos do capital).

Uma das primeiras manifestações da Revolução foi o desenvolvimento urbano. Londres chegou ao milhão de habitantes em 1800. O progresso deslocou-se para o norte; centros como Manchester abrigavam massas de trabalhadores, em condições miseráveis. Os artesãos, acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora tinham de submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças. Na indústria têxtil do algodão, as mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças começavam a trabalhar aos 6 anos de idade. Não havia garantia contra acidente nem indenização ou pagamento de dias para­dos neste caso.

A mecanização desqualificava o trabalho, o que tendia a reduzir o salário. Havia freqüentes paradas da produção, provocando desemprego. Nas novas condições, caíam os rendimentos, contribuindo para reduzir a média de vida. Uns se entregavam ao alcoolismo. Outros se rebelavam contra as máquinas e as fábricas, destruídas em Lancaster (1769) e em Lancashire (1779). Proprietários e governo organizaram uma defesa militar para proteger as empresas.

A situação difícil dos camponeses e artesãos, ainda por cima estimulados por idéias vindas da Revolução Francesa, levou as classes dominantes a criar a Lei Speenhamland, que garantia subsistência mínima ao homem incapaz de se sustentar por não ter trabalho. Um imposto pago por toda a comunidade custeava tais despesas.

Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, como os penteadores de lã. Inicialmente, eles se cotizavam para pagar o enterro de associados; a associação passou a ter caráter reivindicatório. Assim surgiram as tradeunions, os sindicatos. Gradativamente, conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

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