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Terceira Revolução Industrial

 

Hoje, um fantasma ronda a vida dos trabalhadores: o desemprego.

Para muitos estudiosos, trata-se de um desemprego estrutural, isto é, causado pelas transformações que vêm ocorrendo no padrão ou modelo de desenvolvimento produtivo e tecnológico que predomina nos países capitalistas avançados. Essas transformações apresentam diferenças nos países onde ocorrem mas, de qualquer forma, estão alterando a organização do processo produtivo e do trabalho em todos eles e no resto do mundo também. E tais mudanças afetam o conjunto do mundo do trabalho.

À primeira vista, os robôs ou as novas tecnologias de produção parecem ser os únicos e mais cruéis causadores desse desemprego. No entanto, existem outras razões de ordem econômica, social, institucional e geopolítica que, associadas à tecnologia, formam um conjunto que explica melhor aquilo que, para alguns analistas, significaria até mesmo o fim de uma sociedade organizada com base no trabalho.

O sistema capitalista, como todo sistema econômico, sofreu transformações ao longo de sua história. As mudanças podem ser profundas, acumular tensões sociais e graves problemas econômicos, gerar crises, guerras e revoluções políticas, mas o sistema permanece basicamente o mesmo, isto é, trata-se de um sistema produtor de mercadorias cuja venda tem por objetivo o lucro. Por isso o chamamos, indistintamente, de economia de mercado ou economia capitalista.

No entanto, para que as empresas capitalistas produzam mais e mais mercadorias - com maior eficiência e melhores níveis de produtividade, ganhando em competitividade em relação a outras empresas, e sempre que possível obtendo lucros crescentes - elas precisam criar e aplicar novas técnicas e novas formas de organização da produção e do trabalho, dividir funções com outras empresas, negociar salários, estipular taxas de lucros etc.

Mas o capitalismo não se restringe apenas às unidades empresariais e suas dinâmicas internas. Na sociedade como um todo, existem outros componentes extremamente importantes que precisam ser levados em consideração, pois interferem na vida das próprias empresas. Tais componentes podem ser as formas institucionalizadas, como as regras do mercado, a legislação social, a moeda, as redes financeiras, em grande parte estabelecidas pelo Estado, ou ainda, as disputas pelo poder das nações, o comércio internacional, a renda e o consumo de cada família, a qualidade dos recursos humanos, as convenções coletivas, as idéias produzidas etc.

Quando esse conjunto de elementos, e muitos outros, é razoavelmente ajustado e aceito pela sociedade (não se trata de um consenso pleno, pois sempre haverá oposições e tensões), estamos diante de um modelo de desenvolvimento capitalista dominante, com uma organização territorial correspondente. E esse modelo permanece até que uma nova crise ocorra e novos rearranjos sejam feitos na sociedade e no espaço.

Após a crise de 1929, o modelo de desenvolvimento que aos poucos passou a dominar nos países de tecnologia avançada - Estados Unidos, Japão e em boa parte da Europa -, mantidas suas especificidades, levou o nome de fordismo, pois nesse modelo foram incluídas formas de produção e de trabalho postas em prática pioneiramente nos Estados Unidos, nas décadas de 1910 e 1920, nas fábricas de automóveis do empresário norte-americano Henry Ford.

O fordismo teve seu ápice no período posterior à Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 1950 e 1960, que ficou conhecido na história do capitalismo como Os Anos Dourados.

A crise sofrida pelos Estados Unidos na década de 1970 foi considerada uma crise do próprio modelo, que apresentava queda da produtividade e das margens de lucros. A partir da década de 1980, esboçou-se nos países industrializados um novo padrão de desenvolvimento denominado pós-fordismo ou modelo flexível.

Para compreender as tendências do novo modelo flexível, baseado na tecnologia da informação, que vem ameaçando os empregos, é necessário levantar, ainda que de forma simplificada, algumas características do fordismo e algumas razões que levaram ao seu esgotamento:

Período

Nos países de industrialização avançada, o fordismo surgiu a partir da crise de 1929, atingindo o auge de dominação nos anos 50 e 60.

Avanços tecnológicos

O fordismo contou inicialmente com os avanços tecnológicos alcançados no final do século XIX, como a eletricidade e o motor à explosão. Mais tarde incorporou os avanços da alta tecnologia desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial e que posteriormente passou para o uso da sociedade civil, a exemplo dos materiais sintéticos e do motor a jato. E, finalmente, no pós-guerra, começou a usufruir dos avanços científicos alcançados nas áreas da eletrônica e da tecnologia da informação.

Organização da produção

Nas grandes indústrias, longas esteiras rolantes levavam o produto semi- acabado até os operários, formando uma cadeia de montagem. A produção dos diversos componentes era feita em série. O resultado foi uma produção em massa que utilizava maquinaria cara; por isso, o tempo ocioso deveria ser evitado a todo custo. Acumularam-se grandes estoques extras de insumos e mantinha-se alto número de trabalhadores para que o fluxo de produção não fosse desacelerado. Os milhares de produtos padronizados eram feitos para mercados de massa. Os setores industriais mais destacados eram os de bens de consumo duráveis (automóveis e eletroeletrônicos) e os de bens de produção (destacadamente a petroquímica). Entre as décadas de 1940 e 1960 surgiu uma interminável seqüência de novos produtos, a exemplo de rádios portáteis transistorizados, relógios digitais, calculadoras de bolso, equipamentos de foto e vídeo.

Organização do trabalho - O trabalho passou a se organizar com base num método racional,  conhecido como taylorismo, que apresentava as seguintes características:

Separava as funções de concepção (administração, pesquisa e desenvolvimento, desenho etc.) das funções de execução;
Subdividia ao máximo as atividades dos operários, que podiam ser realizadas por trabalhadores com baixos níveis de qualificação, mas especializados em tarefas simples, de gestos repetitivos;
Retinha as decisões nas mãos da gerência. Esse "método americano" de trabalho seguia linhas hierárquicas rígidas, com uma estrutura de comando partindo da alta direção e descendo até a fábrica. Os operários perderam o controle do processo produtivo como um todo, e passaram a ser controlados rigidamente por técnicos e administradores.

Organização dos trabalhadores

Houve crescimento e fortalecimento dos sindicatos. Os contratos de trabalho começaram a ser assinados coletivamente. Os salários eram ascendentes. E foram realizadas importantes conquistas de cunho social, tais como garantias de emprego, salário-desemprego e aposentadoria.

Mercado

Os mercados de massa ficavam garantidos por causa do aumento da capacidade de compra dos próprios trabalhadores. Embora ocorresse uma expansão dos mercados internacionais, eram os mercados internos que garantiam o consumo da maior parte da produção. Surgia a sociedade de consumo. Geladeiras, lavadoras de roupa automáticas, telefone e até automóveis passaram a ser produtos de uso comum. Serviços antes acessíveis a minorias, como no caso do setor de turismo, transformaram-se em serviços de massa.

Papel do Estado

Ocorreu a ampliação e a diversificação da intervenção social e econômica do Estado, inspirada nos princípios da teoria keynesiana e do Estado do bem-estar social. O Estado nacional de caráter keyneisiano passou a interferir mais diretamente na economia, por meio, por exemplo, dos gastos públicos, dos planos de desenvolvimento regional, da criação de um número significativo de empregos no setor público e do atendimento às garantias reivindicadas pelos trabalhadores, a exemplo da garantia de emprego. E o Estado do bem-estar social desenvolveu políticas destinadas a reduzir as desigualdades sociais, como as de transportes urbanos, habitação, saneamento, urbanização, educação e saúde.

Organização do território

A organização da produção e do trabalho reorganizou o espaço geográfico. O processo de urbanização acelerou-se. As unidades produtivas atraíam umas às outras. Cresceram ainda mais as regiões industriais. As cidades se transformaram em grandes manchas urbanas. Surgiram novos bairros residenciais e distritos industriais com o apoio e incentivo estatais. Cresceram a construção civil e a massa construída de casas e prédios, em grande parte incentivadas por programas governamentais de hipotecas e empréstimos.

As metrópoles, com seus centros de negócios e de decisões constituídos pelas sedes sociais das grandes empresas, incorporaram os municípios vizinhos.

Grandes regiões urbanizadas - as megalópoles - se formaram entre duas ou mais metrópoles devido à polarização que tais centros exerciam sobre as pequenas e médias cidades que se encontravam ao seu redor. Intensos fluxos de pessoas e mercadorias integraram o conjunto formado por essas cidades.

Em todas as cidades intensificaram-se o comércio, os transportes, as comunicações e os serviços em geral. As redes urbanas tornaram-se mais densas.

Diversificaram-se as atividades culturais e de lazer. Cresceram as universidades e centros de pesquisa e tecnologia. Mais capitais e trabalhadores foram atraídos pelas cidades. A geografia do fordismo foi a das grandes concentrações urbano-industriais.

O modelo fordista, que floresceu no pós-guerra, dependia da subida constante dos salários para manter o mercado ativo, ou seja, manter os níveis de produção e de consumo crescentes. Porém, os salários não podiam crescer a ponto de ameaçar os lucros empresariais; mantiveram-se os níveis salariais e os lucros aumentando os preços dos produtos, o que gerou uma crise inflacionária.

Nos Estados Unidos, os gastos públicos se agigantaram, tanto interna como externamente - a guerra do Vietnã foi um exemplo. A moeda americana ficou debilitada. Esse país, que durante todo o período de domínio do fordismo assegurava a estabilidade da economia mundial com base em sua moeda - o dólar -, viu esse sistema monetário declinar. A competitividade da Europa e do Japão superavam a dos Estados Unidos. Assistia-se a uma verdadeira guerra comercial, que nunca deixou de crescer.

A partir da década de 1970, a saída foi investir num novo modelo que rompesse com aquilo que era considerado a rigidez do modelo fordista. A ordem era flexibilizar, ou seja, golpear a rigidez nos processos de produção, nas formas de ocupação da força de trabalho, nas garantias trabalhistas e nos mercados de massa, então saturados.

As empresas multinacionais, para restabelecer sua rentabilidade, expandiram espacialmente sua produção por continentes inteiros. Surgiram novos países industrializados. Os mercados externos cresceram mais que os mercados internos. O capitalismo internacional reestruturou-se.

Os países de economia avançada precisaram criar internamente condições de competitividade. A saturação dos mercados acabou gerando uma produção diversificada para atender a consumidores diferenciados. Os contratos de trabalho passaram a ser mais flexíveis. Diminuiu o número de trabalhadores permanentes e cresceu o número de trabalhadores temporários. Flexibilizaram-se os salários - cresceram as desigualdades salariais, segundo a qualificação dos empregados e as especificidades da empresa.

Em muitas empresas, juntou-se o que o taylorismo separou: o trabalhador pensa e executa. Os sindicatos viram reduzidos seu poder de representação e de reivindicação. Ampliou-se o desemprego.

Os compromissos do Estado do bem-estar social foram sendo rompidos pouco a pouco. Eliminaram-se, gradativamente, as regulamentações do Estado.

As políticas keynesianas - que se revelaram inflacionárias, à medida que as despesas públicas aumentavam e a capacidade fiscal estagnava - forçaram o enxugamento do Estado.

A transformação do modelo produtivo começou a se apoiar nas tecnologias que já vinham surgindo nas décadas do pós-guerra (automação e robotização) e nos avanços das novas tecnologias da informação. O método de produção americano foi substituído pelo método japonês de produção enxuta, que combina máquinas cada vez mais sofisticadas com uma nova engenharia gerencial e administrativa de produção - a reengenharia, que elimina a organização hierarquizada.

Agora, engenheiros de projetos, programadores de computadores e operários interagem face a face, compartilhando idéias e tomando decisões conjuntas.

O novo método, rotulado por muitos como toyotismo, numa referência à empresa japonesa Toyota, utiliza menos esforço humano, menos espaço físico, menos investimentos em ferramentas e menos tempo de engenharia para desenvolver um novo produto. A empresa que possui um inventário computadorizado, juntamente com melhores comunicações e transportes mais rápidos, não precisa mais manter enormes estoques. É o just in time.

O novo método permite variar a produção de uma hora para outra, atendendo às constantes exigências de mudança do mercado consumidor e das mudanças aceleradas nas formas e técnicas de produção e de trabalho. A ordem é manter estoques mínimos, produzindo apenas quando os clientes efetivam uma encomenda.

As grandes empresas começaram a repassar para as pequenas e médias empresas subcontratadas um certo número de atividades, tais como concepção de produtos, pesquisa e desenvolvimento, produção de componentes, segurança, alimentação e limpeza. Isso passou a ser conhecido como terceirização. Com ela, as grandes empresas reduziram suas pesadas e onerosas rotinas burocráticas e suas despesas com encargos sociais, concentrando-se naquilo que é estratégico para seu funcionamento.

A produção flexível vem transformando espaços e criando novas geografias, à medida que ocorrem redistribuições dos investimentos de capital produtivo e especulativo e, conseqüentemente, redistribuição espacial do trabalho. Numerosas empresas se transferiram das tradicionais concentrações urbanas e regiões industriais congestionadas, poluídas e sindicalizadas, para novas áreas nas quais a organização e o poder de luta dos trabalhadores é pouco significativa.

Surgiram novos complexos de produção - os complexos científicos-produtivos -, ligados a universidades e centros de pesquisa onde as inovações são constantes.

Um caso exemplar desses complexos é o do Vale do Silício (Silicon Valley), na Califórnia, cujo modelo se difundiu por vários países. Nesse complexo, a Universidade de Stanford, juntamente com empresas do ramo da microeletrônica, criou um parque tecnológico cuja fama cresceu com a produção de semicondutores e o uso do silício como matéria-prima para sua fabricação. O Vale do Silício faz parte de uma área maior em torno da baía de São Francisco onde se estabeleceram numerosas indústrias de alta tecnologia.

Esses tecnopólos também são encontrados no interior das tradicionais regiões industriais que vêm se modernizando, a exemplo da região industrial de Frankfurt, na Alemanha, ou ainda daquelas que procuram sair de uma situação de estagnação, como no caso da região de Turim, na Itália, ou de Lyon, na França.

O sistema just in time exige também uma reorganização do território. As firmas subcontratadas pelas grandes empresas se aglomeram em torno da planta terminal de produção, criando um novo tipo de aglomeração produtiva.

Esse é o caso da fábrica da Volkswagen, instalada em Resende, no Estado do Rio de Janeiro, que vem atraindo outras empresas que produzirão, no próprio terreno da fábrica da Volkswagen, componentes utilizados na montagem de ônibus e caminhões.

Sem nenhuma dúvida, vivemos hoje mudanças profundas que se refletem no mundo do trabalho. Para os mais otimistas, a questão do desemprego tecnológico será resolvida pela própria tecnologia avançada que estimulará o surgimento de novos setores produtivos e de atividades humanas a ela ligados, exigindo, assim, novos trabalhadores. Para outros, o sonho dos empresários de fábricas sem operários está prestes a ser realizado.

Também nos setores agrícolas e de serviços, as máquinas substituem o trabalho humano. Corporações multinacionais fazem notar que estão cada vez mais competitivas, e ao mesmo tempo anunciam demissões em massa.

A questão que se coloca neste final de século é a seguinte: para onde vão os trabalhadores?

A resposta dependerá da posição assumida pelas sociedades como um todo.

Fonte: www.geocities.com

Terceira Revolução Industrial

Na década de 1970, a crise do petróleo fez com que emergisse para o mundo algo que já vinha sendo gerado no decorrer do século XX, a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução tecnocientífica informacional.

Esta por sua vez correspondia aos avanços tecnológicos em especial da informação e dos transportes, representado por invenções como por exemplo Internet, e os aviões supersônicos.

Os avanços nesses setores tornaram o mundo menor, encurtaram as distâncias e em alguns casos aniquilaram o espaço em relação ao tempo, como o que vemos com a telefonia, dentre tantos outros exemplos.

Tudo isso gerou e tem gerado transformações colossais no espaço geográfico mundial, as indústrias buscam a inovação, investem em novas tecnologias, em especial naquelas que poupem mão de obra como a robótica, o desemprego estrutural se expande. Antigas regiões industriais entram em decadência com o processo de desconcentração industrial, surgem novas regiões industriais. Surge a fábrica global, que se constitui na estratégia utilizada pelas grandes empresas internacionais de produzir se utilizando das vantagens comparativas que oferecem os variados países do mundo. A terceirização, também torna-se algo comum, como o que ocorre com empresas de calçados como a Nike, que não tem um único operário em linhas de produção, pois não produz apenas compra de empresas menores.

A Terceira Revolução Industrial, também denominada revolução técnico-científica, encontra-se em andamento desde meados dos anos 1970 e deverá desenvolver-se mais plenamente no transcorrer do século XXI. Ela se iniciou tanto nos Estados Unidos, sobretudo na Califórnia (informática, telecomunicações), como no Japão (robótica, microeletrônica) e na Europa ocidental, em particular na Alemanha (biotecnologia, química fina). É marcada pelo predomínio de indústrias altamente sofisticadas, como as mencionadas, e que exigem muita tecnologia e maior qualificação da força de trabalho.

Na Segunda e, principalmente, na Primeira Revolução Industrial, a procura por mão de obra barata e sem qualificação era imensa, assim como tinham muita importância as matérias- primas em geral.

Agora, com o avanço da revolução técnico-científica, diminui a procura por força de trabalho pouco qualificada, que pode ser substituída por robôs, e também ocorre uma desvalorização das matérias-primas em geral, pelo menos da imensa maioria delas (minérios, produtos agrícolas, etc.).

Isso porque aumenta constantemente a reciclagem de produtos, e as indústrias de novos materiais criam novas matérias-primas (novas ligas metálicas, novos materiais para gravação de som e imagem, para a fuselagem de aviões, para os automóveis, etc.), que utilizam produtos mais abundantes e baratos.

O importante passa a ser a tecnologia e, consequentemente, as pesquisas científicas e tecnológicas. Metais raros são substituídos por outros mais abundantes, produzem-se novas variedades de gêneros agrícolas e desenvolvem-se fontes de energia em laboratórios, entre tantas outras inovações.

Desse modo, em termos relativos diminui a importância da natureza - isto é, o tamanho do território de um país, os seus recursos naturais em geral e aumenta o valor da ciência e da tecnologia com o seu alicerce ou a sua base, que é a educação.

Em outras palavras, aumenta muito o valor dos chamados "recursos humanos" ou, como afirmam alguns autores, do "poder cerebral": novas ideias e técnicas, funcionários qualificados e com maior escolaridade, etc.

A Terceira Revolução Industrial utiliza muito mais a ciência e a tecnologia do que as duas anteriores. É por esse motivo que se fala em "revolução técnico-científica" para designá-Ia.

No decorrer da História, a humanidade sempre criou e utilizou recursos técnicos – basta lembrar o controle do fogo, a invenção da roda, a domesticação de animais e plantas há milhares de anos, etc. Mas a regra geral era que, primeiro, se conhecesse algo na prática e, depois, viesse a teoria, isto é, a ciência.

Nas últimas décadas, isso mudou: os novos setores de ponta em tecnologia e na indústria representam aplicações de conhecimentos científicos - da microfísica, da ecologia, de teorias avançadas da matemática, da genética, etc. -, que, no início, foram considerados "inúteis", ou seja, conhecimento puro e sem aplicação. Além disso, a importância da ciência e da tecnologia avançada mudou radicalmente. Em vez de serem apenas um elemento a mais, até mesmo dispensável, como ocorria anteriormente, elas passaram a ser elementos centrais, aqueles que comandam o ritmo e os rumos das mudanças.

Com a Terceira Revolução Industrial, as atividades se tornam mais criativas e exigem mais qualificação, mas, ao mesmo tempo, o horário já não é tão importante. Mais da metade dos trabalhadores nos Estados Unidos, por exemplo, já tem um horário flexível. Eles devem trabalhar seis ou sete horas por dia. O controle do ponto, do horário, já perdeu importância para a qualidade do trabalho.

Com isso, a influência dos funcionários aumenta, apesar de diminuir a necessidade da força de trabalho. Precisa-se a cada dia de menos trabalhadores, porém mais qualificados e importantíssimos para o funcionamento da produção flexível. A mão de obra criativa substitui aos poucos a força de trabalho técnica. Por esse motivo, esses funcionários qualificados passam a ser essenciais numa empresa moderna, mais importantes que as matérias-primas ou as fontes de energia.

Os tecnopolos

Por causa da importância da ciência e da tecnologia, hoje as novas regiões industriais, aquelas de tecnologia de ponta ou de vanguarda, não se localizam mais nas áreas onde existem matérias-primas (carvão, minérios), como ocorria nas velhas regiões industriais. Elas se encontram principalmente nas proximidades de importantes centros de pesquisa e de ensino universitário.

Algumas vezes, existe uma coincidência entre as velhas e as novas regiões industriais, ou uma continuação delas, tais como os casos de Paris, Londres, Tóquio ou Milão, mas o importante não é mais a existência de recursos naturais nem mesmo o mercado consumidor local, e sim as universidades e institutos de pesquisas que existem nessas áreas.

Há inúmeros exemplos dessas novas regiões industriais de ponta, que reúnem centros produtores de tecnologia e indústrias de informações ou biotecnológicas. Alguns autores chamam essas novas regiões industriais da Terceira Revolução Industrial de tecnopolos. O grande exemplo é o Vale do Silício (Silicon Valley), a 48 km ao sul de São Francisco, no condado de Santa Clara, entre Paio Alto (onde está a Universidade de Stanford, considerada a iniciadora e impulsionadora desse polo tecnológico) e San José, na costa oeste dos Estados Unidos.

Outros exemplos importantes de tecnopolos são: a chamada Route 128, perto de Boston e do Instituto Tecnológico de Massachusetts, no nordeste dos Estados Unidos; a região de Tóquio, no Japão; a região Paris-Sud, no sul de Paris, França; o chamado Corredor M4, ao redor de Londres, Reino Unido; a região de Milão, na Itália; as regiões de Berlim e do Vale do Neckar (onde se encontram a Universidade de Heidelberg e o Instituto Max Plank de biotecnologia), na Alemanha.

A ciência e a tecnologia se desenvolvem principalmente em universidades e institutos de pesquisas, que são muito comuns - e de ótima qualidade - nessas regiões, onde há uma integração entre as indústrias de alta tecnologia e esses institutos e universidades.

A revolução técnico-científica

A ciência, no estágio atual, está estreitamente ligada à atividade industrial e às outras atividades econômicas: agricultura, pecuária, serviços. É um componente fundamental, pois, para as empresas, o desenvolvimento científico e tecnológico é revertido em novos produtos e em redução de custos, permitindo a elas maior capacidade de competição num mercado cada vez mais disputado.

As grandes multinacionais possuem seus próprios centros de pesquisa e o investimento científico, em relação ao conjunto da atividade produtiva, tem sido crescente. Em meados da década de 80, por exemplo, a IBM norte-americana possuía cerca de 400 mil empregados em todo o mundo, entre os quais 40 mil (10%) trabalhavam na área de pesquisa.

O Estado, por meio das universidades e de outras instituições, também estimula o desenvolvimento econômico, preparando pessoas e capacitando-as ao exercício de funções de pesquisa, na área industrial ou agrícola, assim como no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou adaptadas às novas mercadorias de consumo ou aos novos equipamentos de produção. Nesse sentido, a pesquisa científica aplicada ao desenvolvimento de novos produtos tornou-se parte do planejamento estratégico do Estado, visando ao desenvolvimento econômico.

Mesmo no tempo da Guerra Fria, quando o investimento tecnológico estava voltado à corrida armamentista ou espacial, boa parte das conquistas tecnológicas foi adaptada e estendida à criação de uma infinidade de bens de consumo nos países capitalistas.

Com a Revolução Técnico-científica, o tempo entre qualquer inovação e sua difusão, em forma de mercadorias ou de serviços, é cada vez mais imediato. Os produtos industriais classificados genericamente como de bens de consumo duráveis, especialmente aqueles ligados aos setores de ponta como a microeletrônica e informática, tornam-se obsoletos devido à rapidez com que são superados pela introdução de novas tecnologias.

Os impactos mundiais dos avanços técnico-científicos foram marcantes a partir da Segunda Guerra Mundial. Foi possível delimitar, a partir daí (considerando-se também a relatividade dessa demarcação temporal), o início de uma Terceira Revolução Industrial.

A microeletrônica, o microcomputador, o software, a telemática, a robótica, a engenharia genética e os semicondutores são alguns dos símbolos dessa nova etapa. Essa fase tem modificado radicalmente as relações internacionais e os processos de produção característicos do sistema fabril introduzido pela Revolução Industrial, bem como tem possibilitado a criação de novos produtos e a utilização de novas matérias-primas e fontes de energia.

Há algum tempo, a indústria vem utilizando muitas matérias-primas sintéticas, como a borracha, as fibras de poliéster, o náilon e novos tipos de ligas que substituem vários metais. Hoje, por exemplo, pode-se utilizar uma nova cerâmica de alta resistência e durabilidade, feita de areia e silicone.

Os recursos sintéticos permitem a produção das matérias-primas nos próprios países desenvolvidos. Esse fato é, ao mesmo tempo, alentador e preocupante.

Numa perspectiva de preservação da natureza, a exploração de recursos minerais não-renováveis diminuirá. No entanto, haverá uma consequente queda dos investimentos, em países subdesenvolvidos, por parte de empresas multinacionais ligadas à mineração e a outras atividades extrativas. Além disso, os países fornecedores de matérias-primas perderão, gradativamente, importantes itens de suas pautas de exportação.

Esse novo contexto criado pelas novas tecnologias de produção alteram inclusive os antigos critérios de localização industrial. Atualmente a instalação das grandes empresas multinacionais não está necessariamente associada à proximidade de fontes de matérias-primas e de mão de obra barata.

Apenas alguns setores industriais, como calçados, têxteis, brinquedos, montagem de aparelhos de TV e eletroeletrônicos, ainda tiram vantagem quanto à sua instalação em regiões onde prevalecem a baixa qualificação e o custo reduzido da mão de obra. Mas esta não é a tendência da economia industrial da Revolução Técnico-científica, cujo pressuposto é produzir cada vez mais, com cada vez menos trabalhadores.

Tanto na Primeira como na Segunda Revolução Industriai, a margem de lucro das empresas se elevava à proporção que os salários decresciam. Quanto menor o salário, maior era o lucro retido pela empresa.

O processo de expansão das multinacionais intensificou-se a partir da década de 50 em direção aos países periféricos e seguia este mesmo princípio: a elevação das taxas médias de lucro tinha como pressuposto a exploração da mão de obra barata desses países.

A Revolução Técnico-científica, movida pela produtividade, ao mesmo tempo em que pode gerar mais riquezas e ampliar as taxas de lucros, é também responsável pelo desemprego de centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.

Entre os diversos processos de automação industrial, a robotização é o mais avançado. Os países que mais a utilizam são, respectivamente, o Japão e os Estados Unidos. O setor automobilístico apresenta o maior número de robôs da indústria em geral. Nesse setor, no trabalho de solda, atingisse um grau de robotização da ordem de 95% nas fábricas mais modernas do mundo.

A reengenharia da produção

O sistema de produção em massa disseminou-se da indústria automotiva para outras indústrias e se tornou padrão incontestado em todo o mundo como a melhor maneira de conduzir os assuntos empresariais e comerciais. Enquanto o "método americano" desfrutava de um sucesso irrestrito nos mercados mundiais nos anos 50, uma empresa automobilística japonesa, lutando para recuperar-se da Segunda Guerra Mundial, experimentava uma nova abordagem à produção – cujas práticas operacionais eram tão diferentes daquelas da produção em massa, quanto esta era dos primeiros métodos artesanais de produção. A empresa era a Toyota e seu novo processo gerencial era denominado de produção enxuta.

O princípio básico da produção enxuta é combinar novas técnicas gerenciais com máquinas cada vez mais sofisticadas para produzir mais com menos recursos e menos mão de obra. A produção enxuta difere radicalmente tanto da produção artesanal quanto da produção industrial. Na produção artesanal, trabalhadores altamente qualificados, usando ferramentas manuais, fabricam cada produto de acordo com as especificações do comprador. Os produtos são feitos um de cada vez. Na produção em massa, profissionais especializados projetam produtos que são fabricados por trabalhadores não qualificados ou semiqualificados operando equipamentos caros e de finalidades específicas. Estes produzem produtos padronizados em grandes quantidades. Na produção em massa, a maquinaria é tão cara que o tempo ocioso precisa ser evitado a todo custo. Como resultado, a gerência acrescenta uma "reserva" na forma de estoque extra e de trabalhadores para garantir a disponibilidade de insumos ou para que o fluxo de produção não seja desacelerado. Finalmente, o alto custo do investimento em máquinas impede a sua rápida adaptação para a fabricação de novos produtos. O consumidor beneficia-se de preços baixos em prejuízo da variedade.

A produção enxuta, ao contrário, além de combinar a vantagem da produção artesanal e de massa, evita o alto custo da primeira e a inflexibilidade da última.

Para alcançar esses objetivos de produção , a gerência reúne equipes de trabalhadores com várias habilidades em cada nível da organização, para trabalharem ao lado de máquinas automatizadas, produzindo grandes quantidades de bens com variedades de escolha. A produção é enxuta porque usa menos de tudo se comparada com a produção em massa – metade do esforço humano na fábrica, metade do espaço físico, metade do investimento em equipamentos.

Emprestando o modelo da produção enxuta dos japoneses, as empresas americanas e europeias começaram a introduzir suas próprias modificações na estrutura organizacional, para acomodar as novas tecnologias da informática. Sob o título amplo de reengenharia , as empresas estão achatando suas tradicionais pirâmides organizacionais e delegando, cada vez mais, a responsabilidade pela tomada de decisão às equipes de trabalho. O fenômeno da reengenharia está forçando uma revisão fundamental no modo como os negócios são conduzidos e, com um corte profundo na folha de pagamento e no processo, eliminando milhões de empregos e centenas de categorias de trabalho. Enquanto os trabalhos não qualificados e semiqualificados continuam a ser cortados com a introdução de novas tecnologias de informação e de comunicação, outras posições da hierarquia corporativa também estão sendo ameaçadas de extinção. Com a introdução de novas e sofisticadas tecnologias de computador, esse cargos se tornam cada vez mais desnecessários e caros.

As novas tecnologias da informação e da comunicação têm tanto aumentado o volume, quanto acelerado o fluxo de atividade em cada nível da sociedade. A compressão de tempo requer resposta e decisões mais rápidas para continuar competitivo. Na era da informação, "tempo" é uma mercadoria crítica e as corporações, atoladas nos antiquados esquemas gerenciais hierárquicos, não podem esperar tomar decisões com rapidez suficiente para acompanhar o fluxo de informações que requerem resolução.

Hoje, um número crescente de empresas está desfazendo suas hierarquias organizacionais e eliminando cada vez mais a gerência média com a compressão de várias funções em um processo único. Também estão usando o computador para desempenhar as funções de coordenação anteriormente executadas por muitas pessoas que, em geral, trabalham em departamentos e locais separados na empresa. Os departamentos criam divisões e fronteiras que inevitavelmente reduzem o ritmo do processo decisório. As empresas estão eliminando essas fronteiras com a reorganização dos funcionários em redes ou equipes de trabalho. O computador tornou tudo isso possível. Agora, qualquer funcionário, em qualquer ponto dentro da empresa pode acessar todas as informações geradas e dirigidas através da organização.

Acesso instantâneo à informação significa que o controle e a coordenação da atividade podem ser exercidos rapidamente e em níveis mais baixos de comando que estão "mais próximos dos acontecimentos". A introdução das tecnologias baseadas em computador permitem que a informação seja processada horizontalmente ao invés de verticalmente, derrubando a tradicional pirâmide corporativa em favor de redes operando ao longo de um plano comum. Com a eliminação da lenta subida e descida na antiquada pirâmide decisória, a informação pode ser processada a uma velocidade comensurável com as capacidades dos novos equipamentos de informática.

A revolução da reengenharia atingiu alguns de seus sucessos mais marcantes no setor varejista. Sistemas de resposta rápida estão reduzindo tanto o tempo quanto a mão de obra de todo o processo de distribuição. O código de barras permite que os varejistas mantenham um registro atualizado e minucioso de quais itens estão sendo vendidos e em que quantidades. Os dados no ponto de venda eliminaram erros na definição dos preços e no caixa, além de reduzir significativamente o tempo gasto no etiquetamento dos produtos. A gigantesca cadeia varejista Wal-Mart deve boa parte de seu sucesso ao seu papel pioneiro de tirar proveito dessas novas tecnologias da informação. A Wal-Mart utiliza as informações coletadas por scanners no ponto de venda e as transmite pelo intercâmbio eletrônico de dados diretamente aos seus fornecedores, tais como a Procter&Gamble, que por sua vez, decidem quais itens devem embarcar e em que quantidades. Os fornecedores enviam diretamente para as lojas, sem passar pelo depósito. O processo elimina pedidos de compra, conhecimentos de embarque, grandes estoques e reduz custos administrativos com a eliminação da mão de obra necessária em cada etapa do processo tradicional para manusear pedidos, despachos e armazenagem.

Há também, grandes mudanças ocorrendo nos escritórios, transformando as operações de processamento de papel em processamento eletrônico. As mudanças nas operações e nas tecnologias do escritório, têm sido extraordinárias no decorrer da Revolução Industrial. Basta lembrar apenas que o mata-borrão, os lápis com borrachas e as penas de aço foram introduzidos há menos de 150 anos. O papel carbono e a máquina de escrever foram introduzidos nos escritórios na década de 1870. A calculadora de teclado e o tabulador de cartão perfurado seguiram-se ao final da década de 1880. O mimeógrafo foi inventado em 1890.

Juntamente com o telefone, esses avanços na tecnologia de escritório aumentaram muito a produtividade dos negócios e do comércio durante o período de crescimento do capitalismo industrial. Agora, à medida que a economia transforma-se pela Terceira Revolução Industrial, o escritório está evoluindo para melhor coordenar e controlar o fluxo acelerado da atividade econômica. O escritório eletrônico eliminará milhões de trabalhadores administrativos até o final da década.

A cada dia útil nos Estados Unidos, são produzidos 600 milhões de páginas de relatório de computador, 76 milhões de cartas geradas e 45 folhas de papel são arquivadas por funcionário. Os negócios americanos consomem quase um trilhão de folhas de papel anualmente. Um único disco óptico armazena mais de 15 milhões de páginas de papel. Atualmente, 90% da toda a informação ainda é armazenada em papel, enquanto 5% estão em microfichas e outros 5% em mídia eletrônica. Entretanto, com o novo equipamento de processamento por imagem, os negócios estão começando a converter seus escritórios em ambientes de trabalho eletrônicos.

O processo de reengenharia nas corporações está apenas começando e o desemprego já está aumentando; o poder aquisitivo dos consumidores está caindo e as economias domésticas estão cambaleando em consequência do impacto do achatamento das gigantescas burocracias corporativas.

Todas essas inovações são introduzidas no processo produtivo, criando máquinas capazes de realizar não apenas o serviço pesado, mas tarefas sutis e que exigem cálculos complexos e grande precisão. Computadores e robôs, unidos, extraem matéria-prima, manufaturam, distribuem o produto final e realizam serviços gerais.

As empresas passam a substituir a mão de obra humana por máquinas e computadores. Postos de trabalho são eliminados e, em diferentes ramos da economia, o trabalhador tradicional desaparece.

O processo de automação industrial, a cada dia mais acelerado em razão dos avanços da tecnologia, faz com que as empresas consigam produzir mais sem a necessidade de contratar mão de obra na mesma proporção de décadas passadas. Sob o impacto da globalização, as grandes corporações multinacionais ampliaram suas fronteiras, atuando simultaneamente em todo o mundo e impondo forte competição às empresas nacionais. A concorrência estreitou as margens de lucro, e a sobrevivência na economia globalizada passou a exigir produtividade máxima com custo mínimo, metas que afetaram a quantidade de empregos.

O investimento em tecnologia de automação, por exemplo, eliminou milhares de postos de trabalho em todo o mundo, com a substituição de homens por máquinas.

As novas tecnologias eliminam, gradativamente, a necessidade de antigos materiais (como o papel, por exemplo), aceleram a transmissão de informações e estimulam, em graus nunca antes vistos, o fluxo de atividade em cada nível da sociedade. A compressão de tempo passa a exigir respostas e decisões mais rápidas. O tempo e o conhecimento tornam-se mercadorias.

Outra prática associada à globalização e à estratégia de reduzir custos que reflete sobre o emprego é a terceirização. Com ela, proliferam as pequenas empresas sem empregados (nas quais o "dono" é o único trabalhador), dedicadas à prestação de serviços às grandes companhias, sem nenhum vínculo empregatício.

Os problemas do mercado de trabalho nesse início do século XXI não se limitam aos números grandiosos da massa de pessoas sem emprego. Um olhar sobre o contingente de empregados revela outras contradições, como as formas de trabalho informal e, em casos extremos e de ilegalidade flagrante, de trabalho infantil e escravo.

O cenário mundial moldado pelo avanço da globalização, no qual faltam empregos e sobram trabalhadores, é marcado também pela sofisticação das empresas, Elas se modernizam sem cessar, muitas com intenção de competir em escala global. Com isso, aumenta a busca por profissionais muito bem treinados. Ocorre que a maioria dos desempregados não tem preparo.

Nesse novo cenário, a lógica, segundo a qual a retomada do crescimento econômico automaticamente faz cair o desemprego, já não funciona tão bem como antes. Os setores que mais se expandem estão também entre os mais carentes de profissionais qualificados.

Entre os mais dinâmicos estão a indústria do petróleo, o mercado financeiro, a construção civil, a indústria canavieira.

Nas usinas de açúcar e de álcool, a mecanização do corte e a informatização dos processos industriais exigem pessoal especializado. No caso da construção civil, existe carência de engenheiros. Há boa quantidade das pessoas formadas pelas faculdades de engenharia, mas a qualidade de quem disputa uma vaga nas construtoras não atende às necessidades atuais. Além de saber cálculo, um engenheiro precisa saber gerenciar obras, atributo pouco comum entre os profissionais disponíveis.

Para facilitar as contratações pelas empresas, adeptos do neoliberalismo (corrente econômica contemporânea a favor da redução da interferência do Estado na economia) defendem a desregulamentação do mercado de trabalho. Isso significa alterar a legislação de modo a torná-la mais flexível, e assim permitir que empresas contratem funcionários a um custo menor, sem parte dos encargos trabalhistas obrigatórios atualmente.

Do ponto de vista neoliberal, empregar alguém é muito caro por causa da quantidade de despesas adicionais ao salário que incidem sobre a contratação.

Os sindicatos de trabalhadores recusam a desregulamentação, mas estão numa posição defensiva. Com o enorme acúmulo de mão de obra desempregada, a manutenção do emprego e dos direitos - e não tanto a busca por mais direitos - converte-se na principal bandeira do movimento sindical. Daí a dificuldade para organizar as categorias profissionais nos sindicatos, como ocorria no passado.

Fábrica global

A expressão fábrica global indica que a produção e o consumo se mundializaram de tal forma que cada etapa do processo produtivo é desenvolvida em um país diferente, de acordo com as vantagens e as possibilidades de lucro que oferece.

Na atual etapa do capitalismo, a grande empresa transnacional pode conceber um produto nos Estados Unidos, desenvolver seu projeto na França, fabricar os componentes na Coréia do Sul, realizar a montagem no México e comercializá-lo em todos os continentes. O capital aproveita-se das vantagens que a diversidade do espaço mundial pode oferecer.

Com a expansão do comércio e as facilidades da rede mundial de computadores, ocorreu a intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de maior lucratividade levou as empresas a investir cada vez mais no mercado financeiro, que se tomou epicentro da economia globalizada.

A atual mobilidade do mercado mundial permite que grandes empresas façam relocalizações de fábricas - nome que se dá ao fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra região ou país. Esse mecanismo é usado para cortar gastos com mão de obra, encerrando a produção em países nos quais os salários são maiores, para organizar a produção onde haja menos custos. Um exemplo são as maquiladoras, companhias abertas no norte do México, perto dos EUA, que apenas montam os produtos com peças fabricadas no exterior, utilizando trabalhadores que recebem salários mais baixos que os pagos aos norte- americanos.

Grande parte da recente industrialização da China também ocorre com a abertura de fábricas das multinacionais que se beneficiam dos baixos salários locais. Esse fenômeno ajuda o desemprego estrutural, ou seja, uma elevação do número de desempregados que não é causada por fatores passageiros (como uma recessão), mas por fatores estruturais da própria economia.

Contudo, o desemprego estrutural, aquele em que a vaga do trabalhador foi substituída por máquinas ou processos produtivos mais modernos, não se resolve apenas pelo crescimento econômico. Aquele trabalho executado por dezenas de trabalhadores agora só necessita de um operador, ou melhor, dezenas de empregos transformaram-se em apenas um. É claro que se a economia estiver aquecida será mais fácil para estes trabalhadores encontrarem outros postos de trabalho.

Não há dúvida de que a tecnologia participa do processo, mas é um equívoco condená-la como a vilã do desemprego estrutural. A invenção do tear mecânico, da máquina a vapor ou do arado de ferro foram marcos que resultaram em um aumento significativo da produtividade e consequente redução de custos, permitindo a entrada de um enorme contingente de excluídos no mercado consumidor. Da mesma forma que sentimos hoje, o emprego sofreu impacto destes inventos de pelo menos 150 anos. Durante o século XX além de novos inventos, vários sistemas econômicos também foram experimentados.

É comum associar o desemprego estrutural ao setor industrial. Este setor deixa mais evidente a perda de postos de trabalho para máquinas ou novos processos de produção, porém isto ocorre também na agricultura e no setor de prestação de serviços.

Cria-se uma divisão internacional do trabalho na qual os países ricos concentram apenas as empresas de alta tecnologia, de alto faturamento.

Hoje, os investidores internacionais podem, pelo acesso ao computador de um banco, retirar milhões de dólares de países nos quais vislumbram problemas econômicos. Quando os países se tornam vulneráveis a esses movimentos bruscos de capitais, organismos internacionais como o FMI liberam empréstimos para que possam enfrentar a sangria de dólares. Em contrapartida, os governos ficam obrigados a obedecer ao receituário do organismo. Além de muitas vezes penalizar as populações carentes, por causada desativação ou desaceleração dos investimentos sociais, essas políticas tendem a frear o crescimento, por força da maior carga tributária, do congelamento de investimentos públicos e da elevação dos juros.

Assim, a globalização acenou com perspectivas que não se concretizaram. Imaginou-se um mundo plenamente integrado e sem fronteiras. Pelas previsões de seus defensores, novas tecnologias e métodos gerenciais levariam ao bem-estar dos indivíduos e à redução das desigualdades. Não é isso, porém, o que se vê, pois os últimos anos registram aumento das desigualdades no cenário mundial.

Tibério Mendonça

Referências Bibliográficas

HOBSBAWM, ERIC J. A Era do Capital. 5ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.
A Fábrica Global. Disponível em <http://www.urbanocultural.com> Acesso em 08/06/11.
A Hegemonia do Novo Liberalismo. Atualidades Vestibular 2008. São Paulo: Abril. 2008.
BECKOUCHE, PIERRE. Indústria: um só mundo. São Paulo: Ática, 1995

Fonte: www.tiberiogeo.com.br

Terceira Revolução Industrial

A Terceira Revolução Industrial (ou revolução Tecnológica ou Revolução Técnico-Científica- Informacional), assim como a segunda, apresentou diversas inovações tecnológicas e ampliou profundamente a dependência dos países em relação aos investimentos em tecnologia.

Essa Revolução se caracteriza pela intensa penetração da tecnologia informacional (ligada à informática) nas atividades da indústria, bem como em todos os outros setores produtivos e sociais. Essa penetração da microinformática nos setores industriais ampliou enormemente a capacidade de processamento de dados para o desenvolvimento dos setores produtivos.

Além dessa ampliação na indústria, os avanços propiciados pela microinformática foram decisivos para ampliação e modernização dos meios de telecomunicações. As comunicações passaram a ser realizadas através de infovias (vias de informação, como a internet). Para isso, no final do século XX, houve a consolidação da infra-estrutura sofisticada de telecomunicações, assim, tornou-se viável a comunicação em tempo real. Atualmente essa comunicação em “tempo real” é responsável por inúmeros processos relacionados à produção industrial, sobretudo à gestão empresarial.

É importante ressaltar que nessa nova etapa de desenvolvimento industrial, o desenvolvimento tecnológico é fator determinante no sucesso ou no fracasso de investimentos. Para que as empresas não se submetam (ou reduzam) aos riscos oriundos de atrasos tecnológicos, surgiram os chamados tecnopólos (pólos tecnológicos, parques tecnológicos ou incubadoras de tecnologia). Os tecnopólos desenvolvem novas tecnologias e colocam as empresas fora do risco de perda de competitividade em função do atraso tecnológico, garantindo o crescimento da empresa.

No Brasil, existem tecnopolos importantes: em São José dos Campos (com a associação entre a Embraer e o ITA para tecnologia aeronáutica), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (com a associação da Petrobras com a UFRJ para tecnologia petroquímica), entre outros importantes.

Fonte: www.desconversa.com.br

Terceira Revolução Industrial

O sistema de produção em massa disseminou-se da indústria automotiva para outras indústrias e se tornou padrão incontestado em todo o mundo como a melhor maneira de conduzir os assuntos empresariais e comerciais. Enquanto o "método americano" desfrutava de um sucesso irrestrito nos mercados mundiais nos anos 50, uma empresa automobilística japonesa, lutando para recuperar-se da II Guerra Mundial, experimentava uma nova abordagem à produção – cujas práticas operacionais eram tão diferentes daquelas da produção em massa, quanto esta era dos primeiros métodos artesanais de produção. A empresa era a Toyota e seu novo processo gerencial era denominado de produção enxuta.

O princípio básico da produção enxuta é combinar novas técnicas gerenciais com máquinas cada vez mais sofisticadas para produzir mais com menos recursos e menos mão de obra. A produção enxuta difere radicalmente tanto da produção artesanal quanto da produção industrial. Na produção artesanal, trabalhadores altamente qualificados, usando ferramentas manuais, fabricam cada produto de acordo com as especificações do comprador. Os produtos são feitos um de cada vez. Na produção em massa, profissionais especializados projetam produtos que são fabricados por trabalhadores não qualificados ou semiqualificados operando equipamentos caros e de finalidades específicas. Estes produzem produtos padronizados em grandes quantidades. Na produção em massa, a maquinaria é tão cara que o tempo ocioso precisa ser evitado a todo custo. Como resultado, a gerência acrescenta uma "reserva" na forma de estoque extra e de trabalhadores para garantir a disponibilidade de insumos ou para que o fluxo de produção não seja desacelerado. Finalmente, o alto custo do investimento em máquinas impede a sua rápida adaptação para a fabricação de novos produtos. O consumidor beneficia-se de preços baixos em prejuízo da variedade.

A produção enxuta, ao contrário, além de combinar a vantagem da produção artesanal e de massa, evita o alto custo da primeira e a inflexibilidade da última.

Para alcançar esses objetivos de produção , a gerência reúne equipes de trabalhadores com várias habilidades em cada nível da organização, para trabalharem ao lado de máquinas automatizadas, produzindo grandes quantidades de bens com variedades de escolha. A produção é enxuta porque usa menos de tudo se comparada com a produção em massa – metade do esforço humano na fábrica, metade do espaço físico, metade do investimento em equipamentos.

O modo japonês da produção enxuta começa com a eliminação da tradicional hierarquia gerencial, substituindo-a por equipes multiqualificadas que trabalham em conjunto, diretamente no ponto da produção. O modelo clássico de Taylor de administração científica, que defendia a separação do trabalho mental do trabalho físico e a retenção de todo o poder de decisão nas mãos da gerência, é abandonado em favor de uma abordagem de equipe cooperativa, projetada para aproveitar a capacidade mental total e a experiência prática de todos envolvidos no processo da fabricação do automóvel.

O conceito de aperfeiçoamento contínuo (chamado de kaizen) é considerado a chave do sucesso dos métodos japoneses de produção. Que, ao contrário do antigo modelo americano, no qual as inovações eram feitas raramente e, em geral, de uma só vez, o sistema de produção japonês é constituído para encorajar mudanças e aperfeiçoamentos constantes, como parte das operações diárias. Para alcançar o kaizen, a gerência aproveita a experiência coletiva de todos os seus trabalhadores e valoriza a solução de problemas em conjunto.

Emprestando o modelo da produção enxuta dos japoneses, as empresas americanas e européias começaram a introduzir suas próprias modificações na estrutura organizacional, para acomodar as novas tecnologias da informática. Sob o título amplo de reengenharia , as empresas estão achatando suas tradicionais pirâmides organizacionais e delegando, cada vez mais, a responsabilidade pela tomada de decisão às equipes de trabalho. O fenômeno da reengenharia está forçando uma revisão fundamental no modo como os negócios são conduzidos e, com um corte profundo na folha de pagamento e no processo, eliminando milhões de empregos e centenas de categorias de trabalho. Enquanto os trabalhos não qualificados e semiqualificados continuam a ser cortados com a introdução de novas tecnologias de informação e de comunicação, outras posições da hierarquia corporativa também estão sendo ameaçadas de extinção. Nenhum grupo está sendo mais duramente atingido do que a gerência média. Tradicionalmente, os gerentes médios tem sido responsáveis pela coordenação do fluxo acima e abaixo na escada organizacional. Com a introdução de novas e sofisticadas tecnologias de computador, esse cargos se tornam cada vez mais desnecessários e caros.

As novas tecnologias da informação e da comunicação têm tanto aumentado o volume, quanto acelerado o fluxo de atividade em cada nível da sociedade. A compressão de tempo requer resposta e decisões mais rápidas para continuar competitivo. Na era da informação , "tempo" é uma mercadoria crítica e as corporações, atoladas nos antiquados esquemas gerenciais hierárquicos, não podem esperar tomar decisões com rapidez suficiente para acompanhar o fluxo de informações que requerem resolução.

Hoje, um número crescente de empresas está desfazendo suas hierarquias organizacionais e eliminando cada vez mais a gerência média com a compressão de várias funções em um processo único. Também estão usando o computador para desempenhar as funções de coordenação anteriormente executadas por muitas pessoas que , em geral, trabalham em departamentos e locais separados na empresa. Os departamentos criam divisões e fronteiras que inevitavelmente reduzem o ritmo do processo decisório. As empresas estão eliminando essas fronteiras com a reorganização dos funcionários em redes ou equipes de trabalho. O computador tornou tudo isso possível. Agora, qualquer funcionário, em qualquer ponto dentro da empresa pode acessar todas as informações geradas e dirigidas através da organização.

Acesso instantâneo à informação significa que o controle e a coordenação da atividade podem ser exercidos rapidamente e em níveis mais baixos de comando que estão "mais próximos dos acontecimentos". A introdução das tecnologias baseadas em computador permitem que a informação seja processada horizontalmente ao invés de verticalmente, derrubando a tradicional pirâmide corporativa em favor de redes operando ao longo de um plano comum. Com a eliminação da lenta subida e descida na antiquada pirâmide decisória, a informação pode ser processada a uma velocidade comensurável com as capacidades dos novos equipamentos de informática.

Para explicar como a reengenharia funciona na prática, utilizaremos alguns exemplos:

A IBM Credit financia o computador comprado pelos clientes da IBM. Antes da reengenharia, os pedidos de financiamento dos clientes precisavam passar por vários departamentos e níveis de decisão e seu processamento costumava demorar vários dias até a aprovação. Um vendedor da IBM ligava para passar um pedido de financiamento. Um dos 14 funcionários anotava o pedido em uma folha de papel. Esse papel era então entregue ao departamento de crédito, um andar acima, onde um segundo funcionário registrava a informação em um computador e fazia uma verificação no cadastro de crédito do cliente. O relatório do cadastro de crédito era anexado ao formulário original do departamento de vendas e então entregue ao departamento comercial. Usando seu próprio computador, o departamento modificava os termos do contrato para se adaptar ao pedido do cliente e , a seguir, anexava os termos especiais ao formulário de solicitação de crédito. O formulário ia para outro funcionário que, por sua vez, usava seu próprio computador para determinar a taxa de juros a ser cobrada do cliente. A informação era denotada no formulário e este, enviado a um grupo de auxiliares de escritório. Naquele departamento, toda a informação que havia sido coletada ao longo do caminho era reprocessada e anotada em uma carta de cotação de preço que era enviada ao representante de vendas da IBM pelo Federal Express.

Os representantes de vendas ficavam frustrados com a lentidão do processamento das solicitações de financiamento dos clientes e reclamavam sobre o cancelamento de pedidos porque os clientes encontravam outras alternativas de financiamento em outras empresas. Preocupados com os atrasos, dois gerentes seniores da IBM acompanharam pessoalmente o pedido de um cliente, passando pelos cinco departamentos, pedindo a cada um que processasse a informação sem o atraso usual, porque o documento ficava esquecido nas mesas durante vários dias. Eles descobriram que o tempo real para o processamento do pedido demorava menos de 90 minutos. O resto dos sete dias eram usados na "passagem do documento de um departamento para outro". A gerência da IBM eliminou os cinco departamentos e entregou a tarefa a um único funcionário equipado com um computador.

Em 1982, a Bridgestone, produtora de borracha japonesa, comprou as instalações da Firestone e imediatamente aplicou a reengenharia às operações de acordo com seus próprios padrões rígidos de produção enxuta. Introduziu equipes de trabalho, achatou a hierarquia organizacional de oito para cinco níveis, reduziu as classificações de cargo, criou programas de retreinamento profissional para melhorar o controle de qualidade e investiu US$70 milhões em novos equipamentos projetados para automatizar o processo de produção. Em menos de 5 anos, a produção aumentou de 16.400 para 82.175 pneus por mês. Nesse mesmo período, a produção de pneus com defeitos caiu em 86%.

A Goodyer, uma empresa tradicionalmente associada a pneus de alta qualidade nos Estado Unidos, tem uma história de sucesso parecida. Ela teve lucro recorde de US$ 352 milhões sobre faturamento de US$11,8 bilhões em 1992. A empresa está produzindo 30% mais pneus do que em 1988, com 24 mil funcionários a menos.

A General Eletric, líder mundial na fabricação de produtos eletrônicos, reduziu seu número de funcionários em todo o mundo de 400 mil em 1981 para menos de 230 mil em 1993, triplicando suas vendas ao mesmo tempo. A GE achatou sua hierarquia gerencial nos anos 80 e começou a introduzir novos equipamentos de automação na fábrica. Na GE em Charlottesville, Virgínia, novos equipamentos de alta tecnologia montam componentes eletrônicos nas placas de circuitos, na metade do tempo da tecnologia anterior.

Na Victor Company, no Japão, veículos automatizados entregam componentes de filmadoras e outros materiais a 64 robôs que, por sua vez, executam 150 tarefas diferentes de montagem e inspeção. Apenas dois seres humanos estão presentes no ambiente de fabricação. Antes da introdução das máquinas inteligentes e robôs, eram necessários 150 empregados para fabricar as filmadoras na Victor.

A revolução da reengenharia atingiu alguns de seus sucessos mais marcantes no setor varejista. Sistemas de resposta rápida estão reduzindo tanto o tempo quanto a mão-de-obra de todo o processo de distribuição. O código de barras permite que os varejistas mantenham um registro atualizado e minucioso de quais itens estão sendo vendidos e em que quantidades. Os dados no ponto de venda eliminaram erros na definição dos preços e no caixa, além de reduzir significativamente o tempo gasto no etiquetamento dos produtos. A gigantesca cadeia de descontos Wall-Mart deve boa parte de seu sucesso ao seu papel pioneiro de tirar proveito dessas novas tecnologias da informação. A Wall-Mart utiliza as informações coletadas por scanners no ponto de venda e as transmite pelo intercâmbio eletrônico de dados diretamente aos seus fornecedores, tais como a Procter&Gamble, que por sua vez, decidem quais itens devem embarcar e em que quantidades. Os fornecedores enviam diretamente para as lojas, sem passar pelo depósito. O processo elimina pedidos de compra, conhecimentos de embarque, grandes estoques e reduz custos administrativos com a eliminação da mão-de-obra necessária em cada etapa do processo tradicional para manusear pedidos, despachos e armazenagem.

Há também, grandes mudanças ocorrendo nos escritórios, transformando as operações de processamento de papel em processamento eletrônico. As mudanças nas operações e nas tecnologias do escritório, têm sido extraordinárias no decorrer da Revolução Industrial. Basta lembrar apenas que o mata-borrão, os lápis com borrachas e as penas de aço foram introduzidos há menos de 150 anos. O papel carbono e a máquina de escrever foram introduzidos nos escritórios na década de 1870. A calculadora de teclado e o tabulador de cartão perfurado seguiram-se ao final da década de 1880. O mimeógrafo foi inventado em 1890.

Juntamente com o telefone, esses avanços na tecnologia de escritório aumentaram muito a produtividade dos negócios e do comércio durante o período de crescimento do capitalismo industrial. Agora, à medida que a economia transforma-se pela Terceira Revolução Industrial, o escritório está evoluindo para melhor coordenar e controlar o fluxo acelerado da atividade econômica. O escritório eletrônico eliminará milhões de trabalhadores administrativos até o final da década.

A cada dia útil nos Estados Unidos, são produzidos 600 milhões de páginas de relatório de computador, 76 milhões de cartas geradas e 45 folhas de papel são arquivadas por funcionário. Os negócios americanos consomem quase um trilhão de folhas de papel anualmente. Um único disco óptico armazena mais de 15 milhões de páginas de papel. Atualmente, 90% da toda a informação ainda é armazenada em papel, enquanto 5% estão em microfichas e outros 5% em mídia eletrônica. Entretanto, com o novo equipamento de processamento por imagem, os negócios estão começando a converter seus escritórios em ambientes de trabalho eletrônicos.

A Aetna Life and Casualty Co., gigantesca companhia de seguros, descobriu que tinha 435 manuais diferentes que precisavam ser atualizados constantemente. A direção da empresa decidiu eliminar a página impressa, em benefício da informação armazenada eletronicamente. Agora, quando um manual precisa ser atualizado, a atualização pode ser feita eletronicamente e estar acessível a todos os 4200 funcionários de campo – sem a necessidade de composição tipográfica, revisão, impressão, conferência de paginação, encadernação despacho e arquivamento. A Aetna economizou mais de US$ 6 milhões anuais, com a transição para o manual eletrônico. Mais de cem milhões de páginas de adendos a atualizações, ao custo de 4,5 centavos por página, deixaram de ser enviados. Menos trabalho com papel significa menos funcionários. A Aetna fechou seus escritórios onde os funcionários não faziam mais do que atualizar manuais.

O processo de reengenharia nas corporações está apenas começando e o desemprego já está aumentando; o poder aquisitivo dos consumidores está caindo e as economias domésticas estão cambaleando em conseqüência do impacto do achatamento das gigantescas burocracias corporativas.

Fonte: www.ime.usp.br

Terceira Revolução Industrial

A Terceira Revolução Industrial tem início na década de 1970, tendo por base a alta tecnologia, a tecnologia de ponta (HIGH-TECH). As atividades tornam-se mais criativas, exigem elevada qualificação da mão-de-obra e têm horário flexível. E uma revolução técnico-científica, tendo a flexibilidade do toyotismo. As características do toyotismo foram desenvolvidas pelos engenheiros da Toyota, indústria automobilística japonesa, cujo método foi abolir a função de trabalhadores profissionais especializados para torná-los especialistas multifuncionais, lidando com as emergências locais anonimamente.

A tecnologia característica desse período técnico, que tem início no Japão, é a microeletrônica, a informática, a máquina CNC (Controle Numérico Computadorizado), o robô, o sistema integrado à telemática (telecomunicações informatizadas), a biotecnologia. Sua base mistura, à Física e à Química, a Engenharia Genética e a Biologia Molecular. O computador é a máquina da terceira revolução industrial.

É uma máquina flexível, composto por duas partes: o hardware (a máquina propriamente dita) e o software (o programa). O circuito e o programa integram-se sob o comando do chip, o que faz do computador, ao contrário da máquina comum, uma máquina reprogramável e mesmo autoprogramável. Basta para isso que se troque o programa ou se monte uma programação adequadamente intercambiável. A organização do trabalho sofre uma profunda reestruturação. Resulta um sistema de trabalho polivalente, flexível, integrado em equipe, menos hierárquico. Computadorizada, a programação do conjunto é passada a cada setor da fábrica para discussão e adaptação em equipe (CCQ), na qual se converte num sistema de rodízio de tarefa que restabelece a possibilidade de uma ação criativa dos trabalhadores no setor.

Para efetivar esta flexibilização do trabalho de execução, distribui-se pelo espaço da fábrica um sistema de sinalização semelhante ao do tráfego.

Elimina-se pela reengenharia grande parte da rede de chefias.

Toda essa flexibilização técnica e do trabalho toma-se mais adaptável ao sistema econômico. Sobretudo a relação entre produção e consumo, por meio do Just-In-Time.

A verticalização do tempo fordista cede lugar à horizontalização. Com a horizontalização terceirizada e subcontratada, o problema dos altíssimos investimentos que a nova tecnologia pede é contornado e o controle da economia agora transnacionalizada fica nas mãos de um punhado ainda menor de empresas. Sob a condução delas, a velha divisão imperial do planeta cede lugar à globalização.

As novas regiões industriais de alta tecnologia, de ponta, unem centros produtores de tecnologia com indústrias de informações, associados a grandes centros de pesquisa (universidades): são os tecnopólos.

O principal tecnopólo é o Vale do Silício, localizado na Califórnia (EUA) ao sul de São Francisco, próximo da Universidade de Stanford.

Outros exemplos importantes são: a chamada Route 128, perto de Boston e do MIT (EUA), a região de Tóquio-Yokohama (Japão), a região Paris-Sud (França), o corredor M4, ao redor de Londres Reino Unido), a região de Milão (Itália), as regiões de Berlim e Munique (Alemanha), Moscou, Zelenogrado e São Petersburgo (Rússia), São Paulo-Campinas-São Carlos (Brasil).

Fonte: www.portalmodulo.com.br

Terceira Revolução Industrial

A Terceira revolução Industrial e o paradigma toyotismo

O século XX termina com a crise do paradigma taylorista-fordista. No lugar do seu sistema rígido de regulação técnica e do trabalho, vai surgindo o flexível da terceira revolução industrial baseada no TQC, CCQ, JTT, Kanban, reengenharia. Expressões paradigma em formação.

Os ramos básicos da terceira revolução industrial são os ligados à microeletrônica. Mas assim como no caso da segunda revolução, é a industria automobilística o ramo que fornece o paradigma técnico e do trabalho. Denomina-se toyotismo, nome tirado da fabrica Toyota.

Na base do toyotismo, esta a crise do taylorismo. Crise que vem de dentro das suas próprias características. Na medida em que retira do trabalhador aquilo que é mais próprio do ser humano, a capacidade de criação, o taylorismo torna-se um sistema de trabalho rígido, cujos efeitos cedo vêm à tona. Qualquer pequeno problema de programação, por exemplo, se converte na execução em defeito do produto. E por mais que se tente, mostra-se um problema sem problema, uma vez que no fundo o que está vindo à tona é o efeito da iniciativa tirada do trabalhador de execução. Mesmo que este trabalhador perceba o problema com antecipação, nada pode fazer na linha de montagem diante de um sistema que já vem programado de cima para ser processado como movimento monolítico por baixo dentro da fabrica. A conseqüência é o acúmulo crescente de peças fabricadas com defeito, o que eleva os custos e rebaixa a produtividade do sistema industrial. Problema de performance econômica que se agrava com a rotatividade do trabalhador, a baixa à enfermaria, a falta ao trabalho provocado pelo cansaço, desgaste físico, exaustão nervosa, a rotina.

Todo este problema cedo fica claro em todos os países de economia industrial. Mas, é no Japão que a possibilidade de enfrentá-la por primeiro aparece. Destruídos pelos bombardeios da segunda grande guerra, o sistema industrial japonês teve de ser completamente recriado. O novo sistema industrial que se ergue aparece mesclando características do período técnico e do trabalhão da segunda revolução industrial e as que prenunciam o novo período técnico e do trabalho da terceira revolução industrial. A solução vem dessas últimas.

A tecnologia característica desse período que se inicia é a microeletrônica, a informática, a máquina CNC (controle numérico computadorizado), o robô, o sistema integrado, a telemática (telecomunicações informatizadas), a biotecnologia. Sua base mistura a física, a química, a Engenharia e a Biologia Molecular. Mas dessa tecnologia faz parte também um conjunto de novos materiais em particular os semicondutores, importante na montagem do próprio sistema tecnológico.

O computador ocupa o lugar central. O computador é uma máquina, mas de um novo tipo. A máquina paradigmática das duas revoluções industriais anteriores é uma maquina de movimentos rígidos e incapaz da mínima reciclagem que, no decurso da produção, se faça necessário. O computador, ao contrário, é uma máquina flexível. Composto de duas partes, o hardware (a máquina propriamente dita) e o software (o programa), o computador é uma máquina inteligente. O hardware e o software se integram sob o comando do chip, o que faz do computador, ao contrário da máquina comum, uma máquina reprogramável e mesmo autoprogramável, bastando para isso que se troque o programa ou se monte uma programação adequadamente intercambiável.

O fato é que, com o computador a cadeia do processamento produtivo pode ser reprogramada em pleno andamento da produção, reciclada de acordo com a necessidade da reorientação. Possuidor dessas características, o computador vai se tornando no correr dos anos 60-70 a máquina por excelência da organização das empresas no Japão.

A organização do trabalho sofre profunda reestruturação. Uma conseqüência imediata do emprego do computador é a reaproximação entre o trabalho de concepção e o trabalho de execução. E que vai ser uma característica central do novo paradigma.

Disso resulta um sistema de trabalho polivalente, flexível, integrado em equipe, menos hierárquico. Computadorizada, a programação de conjunto é passada a cada setor da fabrica para discussão e adaptação em equipe (CCQ), convertendo-se num sistema de rodízio de tarefas que restabelece a possibilidade da ação criativa dos trabalhadores ao nível de setor.

Para efetivar a flexibilização do trabalho de execução, distribui-se pelo espaço da fabrica um sistema de sinalização semelhante ao do tráfego. Uma luz verde indica fluxo aberto á produção; outra, amarela indica que os trabalhadores devem atuar em permanente atenção aos movimentos de conjunto da fábrica; a luz vermelha dá o sinal de interrupção quando aparecem problemas, como o de reorientação do processamento que contorne possíveis defeitos de peça ou de montagem. Comando pelo computador, o processamento é interrompido e retorna seu fio do mesmo automático. Com isso, reaparece em alguns níveis o trabalhador qualificado. Os trabalhadores são reintroduzidos parcialmente no gerencialmente da empresa. Elimina-se pela engenharia grande parte de rede de chefias.

Todavia, os problemas de esgotamento e extenuação do trabalhador ainda mais se ampliam em relação ao sistema fordista. Com o sistema de trabalho toyotismo se dá em rodízio dentro do setor para o fim de alternagem das tarefas, cada trabalhador passa a operar com duas ou três máquinas de uma só vez, resultando um grau ainda maior de estresse.

A flexibilização técnica e do trabalho, entretanto, flexibiliza no todo o sistema econômico, sobretudo a relação entre produção e consumo por meio do JIT (Just-in-Time) e do Kanban. No sistema JIT (Produção-a-Tempo), a produção é regulada pela demanda do consumo. Produz-se na medida do que a demanda pede, evitando-se a superprodução e conseqüentemente formação de estoques. O JIT  se apóia no Kanban, um sistema de controle da reposição de mercadorias adotado nos supermercados, que é levado para a fábrica toyotista.

Cada mercadoria vendida é reposta pelo setor de estoque a partir da etiqueta destacada no ato da venda e a ele remetida. A venda orienta o movimento de compras e de restabelecimento de estoque. Adaptado, este mecanismo é introduzido na fábrica em relação á compra e estoque de peças e também á venda dos produtos fabricados. O estoque é reposto na medida da quantidade que sai para o uso na linha de montagem. Do mesmo modo, o do automóvel produzido. O resultado é uma radical redução do volume dos estoques, seja de peças, seja de automóveis produzidos dentro da fábrica.

Uma vez que isto pede uma relação de controle, tanto interna quanto externa pela indústria, este sistema de administração se generaliza por todo o sistema empresarial. Nasce, assim, o sistema da terceirização e da subcontratação. Da montadora às fornecedoras de autopeças e aos vendedores autorizados, todo o conjunto das empresas envolvidas se integra num funcionamento de JIT. Isto abre para a administração da produção a partir do consumo, nascendo do TQC (Controle de Qualidade Total), um sistema em que o movimento do balcão determina o movimento do sistema até a produção.

Resolve-se, assim, o problema de custo e produtividade e, ao mesmo tempo, o velho problema do equilíbrio entre produção e consumo.

A crise de superprodução e de subconsumo é uma característica do sistema fordista. É a conseqüência da produção padronizada, em serie e massa. Daí a inevitabilidade do estoque, pratica que repercute nas taxas de custo, produtividade e lucro mais este estoque aumenta. Aplicada como uma estratégia de domínio de mercado, este sistema acaba gerado o seu contrário.

A flexibilidade da produção muda esta estratégia: produz-se uma diversidade de produtos cada qual em quantidades pequenas, controlando-se o mercado pela regra do JIT.

É assim que a introdução do paradigma flexível retoma e leva para muito além de antes a taxa da expansão de capitalismo. E acelera a sua globalização. O monopolismo fica ainda maior. E muda de forma. A verticalização do tempo fordista cede lugar á horizontalização. Os veículos são a terceirização e a subcontratação. Com a horizontalização terceirizada e subcontratada o problema dos altíssimos investimentos que a nova tecnologia pede é contornado e o controle da economia transnacionalizada fica nas mãos de um punhado ainda menor de empresas. Sob a condução delas, a velha divisão imperial do planeta cede lugar a uma geopolítica globalizada.

Um primeiro efeito dessa estratégia globalizada se refere aos Estados Nacionais, que, sujeitos ao poder da empresa globalizada, perdem a expressão de antes e tornam-se o alvo da ação do neoliberalismo. Um conjunto de reformas baseadas na privatização das empresas estatais criadas sob inspiração keynesiana.

Flexibilização pelo período técnico e neoliberalizado pela reestruturação do Estado, o capitalismo se refaz e impacta profundamente o mundo da classe trabalhadora. De imediato, vem a retração das conquistas sociais, o desemprego, o trabalho parcial, precário, informal, e a desintegração sindical.

No centro desse efeito, está o abalo sindical. A pulverização trazida pela flexibilização do trabalho dentro da empresa e pela terceirização e subcontratação atinge o sindicalismo de massa em cheio. Um sindicalismo fragmentário e pulverizado por empresa toma conta, fragilizando a classe trabalhadora. Fragilizada e dessindicalizada, a massa trabalhadora passa a um quadro de perplexidade, numa curiosa semelhança com o advento do paradigma fordista.

Fonte: www.escolanet.com.br

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