Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Revolução Mexicana, Página 3  Voltar

Revolução Mexicana

A . despotismo ; intenso desenvolvimento capitalista no México (setores da agricultura e da mineração voltados para a exportação, intensificou-se o comércio externo, e a indústria, controlada sobretudo pelos capitais estrangeiros); construção de estradas e conheceu uma etapa de grande crescimento. Entretanto,não visava à melhoria das condições de vida das massas populares e tampouco alterou a estrutura agrária baseada no latifúndio(camponeses continuaram vinculados às grandes propriedades territoriais e os salários permaneceram baixos).

b. a ditadura de Díaz contava com importantes aliados: os políticos(Científicos, homens educados na Europa e que foram responsáveis pela direção positivista imposta à economia e ao governo. Muitos deles enriqueceram com os contratos que concederam às empresas estrangeiras) , o Exército(de policia do Estado , com gratificações à alta oficialidade e soldados recrutados à força), a Igreja( a quem concedeu algumas vantagens , como liberdade de ação , apesar de ter-lhes confiscado a terra) o capital estrangeiro ( exploravam as estradas de ferro, a produção mineira (ouro, prata, cobre), a exploração petrolífera , os serviços de eletricidade e os bancos ) e os grandes proprietários de terras(uma minoria de latifundiários possuía a maior parte das melhores terras agricultáveis e campos de criação no México , sendo que um terço das terras do México era controlado por empresas estrangeiras, em 1910, enquanto que milhares de comunidades indígenas perderam suas terras comunais (ejidos), o que aumentou o número de camponeses sem terras). Assim, não é de estranhar que a Revolução de 1910 tenha sido uma rebelião contra o modelo de desenvolvimento capitalista baseado na aliança latifúndio-imperialismo.

A AGITAÇÃO POLÍTICA

O que teria provocado a derrubada da ditadura de Díaz, tão solidamente implantada e contando com aliados externos e internos tão poderosos?

A. Movimentos da oposição como :

.Em 1908, surgiu A Sucessão Presidencial em 1910, obra escrita por Francisco Madero, originário de uma família de latifundiários do Norte e que seria conduzido posteriormente ao poder (1911) pela Revolução vitoriosa.

.Criação o Centro Anti-reeleicionista de México. Aos poucos, a opinião pública se dividiu entre os partidários de Díaz e aqueles que apoiavam Madero.

. Uma fracassada entrevista entre o ditador e Madero, em 1910, na qual Díaz, intransigentemente, recusou o nome deste para a Vice-Presidência, foi a gota d’ água para a radicalização. Acusado de incitar o povo à rebelião, Madero foi preso,mas fugiu para o Texas.

. o Plano de São Luís Potosí( Publicado por Madero ), exigindo a renúncia de Díaz, eleições livres e prpopndo a restituição das terras confiscadas à população indígena .

A AGITAÇÃO SOCIAL

As massas populares, sobretudo o campesinato, participaram intensamente da Revolução Mexicana.

Os camponeses do Sul, onde se concentrava a maior parte da população indígena, chefiados pelo líder agrarista Emiliano Zapata, incendiavam as fazendas e as refinarias de açúcar, justiçavam os proprietários e os capatazes, e aparelhavam, com os cavalos e fuzis capturados, um exército camponês. No Norte do México, o movimento camponês foi dirigido por Pancho Villa, também sob a bandeira da reforma agrária.

A participação da classe operaria na Revolução Mexicana, embora menos importante do que a ação revolucionária do campesinato, nem por isso deixou de ter significação histórica. Entre 1906 e 1920, o incipiente proletariado mexicano adquiriu consciência de classe. Sucederam-se as greves e o movimento sindical tomou grande impulso, apesar da repressão do Estado.

A ETAPA MADERISTA

A. A crise de transição

Em maio de 1911, as massas populares irromperam nas ruas da capital mexicana. A Revolução,que começara no interior do país, chegava, finalmente, à capital. Porfírio Díaz renunciou e partiu para o exílio na Europa. Em junho, Madero entrou na Cidade do México sendo aclamado como o Redentor.

Poco trabajo, mucho dinero, pulque barato, Viva Madero!

(Canção popular)

Uma vez no poder, o grupo maderista viu-se pressionado por forças sociais diversas: revolucionárias e contra-revolucionárias. Em um extremo, os camponeses, liderados pelos reformadores Emiliano Zapata e Pascual Orozco, que exigiam uma reforma agrária radical, objetivo pelo qual o campesinato formara fileiras para lutar na Revolução vitoriosa. Do outro lado, as forças Reacionárias, constituídas pela oligarquia latifundiária, pela burguesia

Na verdade, o movimento revolucionário mal começara e tomava proporções alarmantes para as classes dominantes. Os verdadeiros problemas econômicos, políticos e sociais herdados do Porfirismo continuavam não resolvidos: o caciquismo, isto é, controle do poder político local pêlos chefes políticos (caciques), que estavam em contato com a massa camponesa; o latifúndio, ou a competição vantajosa da grande propriedade rural sobre a pequena propriedade, com os decorrentes privilégios econômicos e políticos da oligarquia agrária; a peonagem, que mantinha o camponês sem terras submetido a uma semi-servidão; a situação de superexploração do operário das cidades; o gigantismo das grandes empresas monopolistas, sufocando as pequenas e médias empresas mexicanas, em virtude da proteção oficial e da influência política dos Científicos; e, finalmente, o imperialismo, que concorria vantajosamente em todos os setores das atividades econômicas (indústria, comércio, bancos, serviços públicos) em razão da situação de dependência da economia mexicana aos interesses das economias capitalistas avançadas, que detinham conjuntamente quase 80% do capital das principais empresas mexicanas, sendo que, desse total, somente os Estados Unidos participavam com mais de 40%.

Assim, problemas de natureza econômica e social manifestavam-se ao nível político. Instalada a crise política, a contra-revolução levou a trágico desfecho o governo de Madero.

B. As classes populares e a Revolução

Os camponeses permaneciam armados. No Sul do país, os guerrilheiros de Emiliano Zapata contavam com amplo apoio da população camponesa, na qual recrutavam os seus quadros. Durante quase dez anos de lutas, as forças zapatistas resistiram às diversas ofensivas do exército mexicano, superior em quantidade de efetivos e armamentos, infligindo-lhe sérias derrotas, graças à tática de guerrilhas e à efetiva colaboração da população camponesa.

Em novembro de 1911, os zapatistas firmaram o Plano de Ayala. pelo qual o chefe da Revolução era chamado de "traidor da pátria", apelando-se ao povo mexicano para que pegasse em armas para derrubar o governo. Do ponto de vista econômico-social, o Plano de Ayala acrescentava algumas contribuições ao Plano de São Luís Potosí, de 1910: a devolução das terras usurpadas aos seus legítimos proprietários (as comunidades indígenas e camponesas); a expropriação, mediante indenização, da terça parte dos latifúndios; e a nacionalização dos bens dos inimigos da Revolução.

O governo de Madero enviou poderoso exército para combater as forças de Zapata. As tropas federais, entretanto, não conseguiram derrotar o movimento revolucionário.

No Norte do país, os camponeses também se levantaram em armas, sob o comando do General Pascual Orozco, enquanto Pancho Villa se manteve fiel ao governo. Os chefes revolucionários publicaram também um documento — o chamado Plano de Orozco —, cujas idéias de reformas econômicas e sociais eram mais avançadas do que as do Plano de Ayala; além disso, criticavam duramente Madero e os Estados Unidos. As tropas enviadas pelo governo maderista reprimiram o movimento com extrema violência, aniquilando os revoltosos.

Enquanto no campo os exércitos camponeses enfrentavam a repressão oficial, nas cidades as massas populares organizavam-se em associações diversas, das quais a mais importante foi a Casa do Operário Mundial, que teve grande influência na direção do movimento operário durante os anos iniciais da Revolução. As idéias anarquistas, defendidas por Ricardo Flores Magón, exerceram razoável influência sobre setores populares urbanos.

Sem dúvida, havia uma Revolução dentro da Revolução. Enquanto os diversos partidos burgueses lutavam pela hegemonia e o grupo maderista procurava esforçar-se, sem sucesso, para conseguir a tão desejada estabilidade interna, os setores populares, sobretudo os camponeses, avançavam nas suas lutas foiçando soluções econômicas e sociais mais radicais. A presença de um movimento camponês independente ameaçava não só a burguesia mexicana como também os interesses do imperialismo norte-americano.

C. Os Estados Unidos e a Revolução

Entretanto, a Revolução social, que se alastrava pelo interior do país, com os exércitos camponeses de Zapata e Orozco, punha em perigo os interesses norte-americanos. Para os grandes capitalistas e o governo dos Estados Unidos, na época sob a presidência do republicano William Taft, a mudança no governo mexicano deveria limitar-se a uma troca de homens, na medida em que a ditadura porfirista não mais atendia ao crescente predomínio dos interesses norte-americanos, por não conseguir controlar a situação interna, bem como pela política do governo Díaz de contrabalançar a influência econômica dos Estados Unidos incentivando os investimentos europeus (sobretudo ingleses) no México.

Mas o alcance popular da Revolução surpreendera não só os Estados Unidos, como também o próprio governo Madero. Este, na medida em que se indispôs com as forças populares — que haviam sido o sustentáculo da sua vitória - não conseguiu, ao mesmo tempo, o apoio dos setores reacionários — grandes proprietários de terras. Igreja, burocracia e exército (o mesmo da época porfirista) e, sobretudo, das forças externas — o grande capital e o governo norte-americano. Este último seria importante para a sustentação de um governo burguês no México, como era o de Madero.

A questão do petróleo teve influência para que o governo dos Estados Unidos apoiasse a contra-revolução interna. Justamente nos anos do governo Madero, a nascente indústria petrolífera mexicana tomou-se fundamental para os Estados Unidos, que então desenvolviam a sua indústria automobilística. “As terras petrolíferas do México para os mexicanos era a palavra de ordem que, ditada por círculos nacionalistas, ameaçavam os grandes interesses norte-americanos nessa área em que pretendiam expandir-se. No governo Díaz, havia praticamente isenção fiscal para as companhias norte-americanas que operavam no México. A criação, em 1912, de um imposto de vinte centavos por tonelada de petróleo extraído, para aliviar a difícil situação econômica do México, tendo em vista a crescente prosperidade do setor petrolífero, acirrou os ânimos dos capitalistas norte-americanos. (...)”.

Na própria Embaixada dos Estados Unidos se tramou a derrocada de Madero, mediante o chamado Pacto da Embaixada, em fevereiro de 1913. O golpe de Estado, perpetrado pêlos grandes industriais, banqueiros e comerciantes, com a intervenção direta do Embaixador norte-americano, utilizou-se do antigo exército porfirista. O Presidente Madero e o Vice-Presidente Pino Suárez, feitos prisioneiros, depois de renunciarem, foram mortos à traição.

As forças reacionárias conduziram ao poder o General Huerta, para a satisfação do grande capital norte-americano.

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

O golpe de estado que derrubou o Presidente Madero, com apoio dos Estados Unidos, conduziu ao poder o General Victoriano Huerta, representante dos setores reacionários.

Entretanto, a subida ao poder, em Washington, do democrata Woodrow Wilson, sucedendo ao republicano William Taft, tomou precária a sustentação política do governo Huerta. A nova política norte-americana com relação à América Latina tinha como objetivo formar "nações democráticas" no continente, segundo concepções norte-americanas. Na prática, a "nova liberdade" preconizada por Wilson tinha evidentes contradições, pois vários países latino-americanos, inclusive o México, continuaram a ser objeto de intervenções ou ocupação por parte das tropas norte-americanas.

A mudança da política externa dos Estados Unidos, influenciada pela situação internacional (tornava-se cada vez mais iminente um conflito entre os países imperialistas europeus), no caso do México traduziu-se pelo não-reconhecimento do governo de Victoriano Huerta. A atitude norte-americana repercutiu intensamente na economia mexicana, com o retraimento das inversões de capitais norte-americanos e a exigência de pagamento das dívidas contraídas pêlos governos anteriores.

O governo de Huerta procurou contrabalançar a hostilidade norte-americana buscando o apoio da Inglaterra, interessada no petróleo mexicano. Outros países europeus seguiram o exemplo inglês e, aos olhos dos Estados Unidos, o México ameaçava converter-se em um apêndice da Europa. A idéia da intervenção militar norte-americana no México, para derrubar a ditadura de Huerta, começou a tomar corpo entre os estrategistas do Departamento de Estado.

No plano interno, crescia a oposição ao regime huertista por parte das forças democráticas — camponeses, operários, mineiros, pequenos agricultores e intelectuais da "classe média". Na Cidade do México os trabalhadores da Casa do Operário Mundial colocaram-se desde o início contra qualquer colaboração com o governo de Huerta.

No interior do país os conflitos eram bem mais agudos. No Norte e Nordeste, as forças camponesas de Pancho Villa incendiavam fazendas e aldeias enquanto o exército de Venustiano Carranza — este nomeado Primeiro Chefe do Exército Constitucionalista — declarava-se em rebelião contra Huerta.No Sul, Emiliano Zapata e seus guerrilheiros camponeses continuavam" a lutar contra os donos de terras, saqueando as extensas fazendas de açúcar, milho e trigo, enquanto Álvaro Obregón, liderava, no Noroeste, as forças hostis ao governo huertista. Dir-se-ia que somente em 1913 começava a verdadeira Revolução Mexicana: A luta revolucionária entrava em uma etapa verdadeiramente violenta.

Nos começos de 1914, as forças constitucionalistas controlavam praticamente todo o México, com exceção da região central e Vera Cruz, no litoral. Sob o pretexto de que pretendia o restabelecimento da ordem constitucional e a derrubada do General Huerta, o governo norte-americano resolveu intervir no México, o que "refletia a continuação da política de intromissão nos assuntos internos do país, em função da salvaguarda dos interesses monopolistas, no caso as companhias petrolíferas". Com efeito, em abril de 1914, marines norte-americanos desembarcaram na zona petroleira de Tampico e, depois, em Vera Cruz, tornando esta última e a ocupando por cerca de seis meses. As forças constitucionalistas vitoriosas derrubaram o grupo huertista e formaram um novo governo, assumido, em julho de 1914, pelo chefe revolucionário Venustiano Carranza. Somente em fins desse ano, as tropas norte-americanas desocuparam o porto de Vera Cruz, devido, sobretudo, ao início da Primeira Guerra Mundial. Somente em 1915, após muita chantagem diplomática, os dirigentes norte-americanos reconheceram o novo governo mexicano, obrigando-o a proteger os interesses norte-americanos, assim como a indenizar os proprietários estrangeiros pêlos danos causados pela guerra civil.

Sem dúvida, o não-reconhecimento dos Estados Unidos ao governo de Huerta, o bloqueio do comércio e o fornecimento de armas aos elementos anti-huertistas favoreceram a derrubada do ditador.

O PERÍODO CARRANCISTA

A. A luta de facções

Apoiado pelas forças constitucionalistas de Obregón, Venustiano Carranza foi elevado ao poder, enquanto os camponeses de Villa, no Norte, e de Zapata, no Sul, continuavam a luta armada, em defesa de suas reivindicações e da reforma agrária.

Nas cidades, a classe operária encontrava-se dividida. Um setor bastante expressivo do operariado colocou-se ao lado do governo de Carranza, cujos representantes prometiam legislar a favor dos assalariados e dar facilidades para que estes se organizassem. Assim, foi firmado um acordo (1915) entre dirigentes da Casa do Operário Mundial e o grupo carrancista, pelo qual os operários comprometiam-se a lutar contra os exércitos camponeses rebeldes em apoio à causa constitucionalista. Durante quase todo o ano de 1915, os Batalhões Vermelhos, formados pelos operários, combateram, junto com as forças carrancistas comandadas por Obregón, os exércitos de Villa, obtendo vitórias decisivas. Entretanto, à medida que as vitórias contra os camponeses iam-se consolidando, o governo burguês de Carranza dissolvia os Batalhões Vermelhos e sem cumprir suas promessas. O descontentamento da classe operária, agravado pelo desemprego e pela alta taxa de inflação, manifestou-se na greve geral de 1916, que o governo reprimiu violentamente, impondo a pena de morte, suspendendo as atividades da Casa do Operário Mundial e expulsando do país os líderes operários de origem espanhola.

A Revolução popular obrigou o governo a expedir uma série de decretos, que regularam a distribuição das terras improdutivas, aboliram os chefes políticos locais, proscreveram a peonagem e melhoraram as condições de trabalho dos operários nas industrias e protegeram a causa do sindicalismo.

Procurando não perder de todo o apoio dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, formar uma base social e política mais ampla, o governo de Carranza, a partir de 1914, tomou várias medidas de cunho nacionalista, enquanto assegurava aos trustes norte-americanos concessões consideradas "justas".

A questão nacional foi, por excelência, a do petróleo. Foram postas em prática várias medidas destinadas a aumentar a participação do Estado nos benefícios da exploração dos combustíveis minerais (impostos, permissões de perfuração, restrição à compra e venda dos terrenos petrolíferos etc.), e que levaram à nacionalização do petróleo mexicano.

Em 1916, tropas norte-americanas invadiram as fronteiras mexicanas, reagindo à incursão do exército de Pancho Villa sobre território dos Estados Unidos. Até 1917, os soldados norte-americanos moveram uma incansável e infrutífera caçada aos grupos guerrilheiros.

B. A Constituição de 1917

Inspirada em parte nos modelos norte-americano e francês, a Constituição mexicana de 1917 reafirmava : os princípios do governo representativo, a divisão de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), decretava a integração local dos governos estaduais e municipais e garantia a segurança do indivíduo e da propriedade, porém estabelecia que o bem comum era superior aos direitos do indivíduo. Um dos seus artigos mais avançados e polêmicos era o que regulava o direito de propriedade do Estado sobre as terras e águas e as riquezas do subsolo, que estavam sob controle dos monopólios estrangeiros, sobretudo norte-americanos ; também estabelecia uma nova doutrina trabalhista( jornada de oito horas, controle dos salários, pagamento igual por trabalho igual, abolição do trabalho de crianças, fixação das responsabilidades do empregador sobre os acidentes do trabalho, livre organização dos trabalhadores em associações, negociações coletivas, direito de greve etc) como confirmava as leis da Reforma de 1850, que nacionalizaram os bens da Igreja, e restringia as atividades dos sacerdotes às estritamente religiosas.

Em 1919, depois do assassinato do líder agrarista Emiliano Zapata, aumentou a insatisfação camponesa, ao mesmo tempo em que os trabalhadores urbanos tomavam-se cada vez mais exigentes, em defesa de suas reivindicações. Perdendo o apoio das forças ligadas a Obregón, e forçado a pagar as dívidas externas, o governo Carranza chegou ao fim, derrotado pelo movimento militar de Água Prieta. O Presidente deposto foi assassinado, quando deixava o país. Alguns autores consideram, com a queda de Carranza e a eleição do General Obregón à Presidência, em 1920, terminada a primeira fase da Revolução Mexicana.

O MÉXICO NA ENCRUZILHADA

Uma das primeiras medidas do governo de Álvaro Obregón (1920-1924) foi regulamentar o pagamento da dívida externa, a maior parte da qual provinha de empréstimos contraídos por governos anteriores à Revolução. A situação econômica do país nesse período era particularmente difícil. O México pouco se beneficiou da grande demanda de matérias-primas originada pela Primeira. Guerra Mundial. Devido às lutas internas da década revolucionária, importantes setores da economia estavam destemidos ou paralisados, a inflação era galopante e cresciam as despesas com a aplicação da reforma agrária. Não havia um só setor da economia que não estivesse dominado pelo capital estrangeiro.

Para realizar a sua política econômica, o governo de Obregón contava com três grandes aliados: o exército, o sindicalismo organizado e os reformadores agrários. Aumentando o número de generais e diminuindo o de soldados, e prodigalizando benefícios à alta oficialidade, o governo manteve o exército sob controle. O movimento operário, que começava a desempenhar um papel político importante, foi organizado sob a poderosa CROM (Confederação Regional Operária Mexicana) além de outras centrais sindicais.

Em troca do reconhecimento do governo de Obregón por parte dos Estados Unidos, o que só seria feito em 1923, o México obrigou-se a reconhecer uma vultosa divida externa (inclusive a dívida ferroviária) e se comprometeu a pagá-la a peso de ouro .

Ao se aproximarem as eleições de 1924, acentuaram-se as divisões entre as forças políticas. De um lado, as correntes reformadoras burguesas, sustentadas pêlos líderes reformistas da CROM e pelos agraristas, que apoiavam Obregón e seu candidato, Plutarco Elias Calles. De outro, os generais influentes, o clero e as diversas facções anticallistas, que escolheram o Ministro das Finanças, Adolfo de La Huerta, como candidato independente, provocando, assim, uma cisão no próprio grupo dirigente. A luta eleitoral logo tomou a forma de uma rebelião armada (1923), que o governo conseguiu debelar com auxílio dos Estados Unidos, onde a influente AFL (Federação Americana do Trabalho) dava todo apoio à CROM.

A despeito do "restabelecimento da amizade com o governo dos Estados Unidos", o governo de Obregón foi obrigado a suspender temporariamente o pagamento da dívida, devido aos gastos militares com a rebelião de 1923, à crise fazendária e à intransigência da comissão de banqueiros e das companhias petrolíferas em conceder o empréstimo necessário para equilibrar a economia mexicana.

AMIGOS, AMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE

Vitorioso nas eleições, e dizendo-se "herdeiro de Zapata", Plutarco Elias Calles aplicou em seu quadriênio (1924-1928) uma política que a princípio contrariou os interesses dos grandes proprietários de terras, dos industriais, da Igreja e das companhias petrolíferas.

Foram expropriadas algumas parcelas de terras das grandes fazendas, as quais, distribuídas às aldeias como propriedade comunal, logo se desmembraram em pequenos lotes familiares. A classe operária, apesar de estar atrelada ao Estado através da CROM, pôde beneficiar-se da proteção governamental, conquistando direitos de organização e de greve, melhores salários e maior segurança contra os acidentes de trabalho. A situação interna do México serviu mais uma vez de pretexto para os ataques das companhias petrolíferas, e renovaram-se as ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos, que se viam atingidos pela política agrária e de nacionalizações do governo Calles. Habilmente, a diplomacia norte-americana empreendeu nova orientação, conseguindo a gradual diminuição do programa agrário e a garantia de que não seriam nacionalizadas as companhias petrolíferas que aluassem no México desde antes de 1917.

Uma emenda constitucional, que passava a permitir a reeleição e estabelecia o mandato presidencial em seis anos, criou condições para a volta de Álvaro Obregón ao poder, em 1928. O assassinato do Presidente eleito, entretanto, levou o Congresso mexicano a nomear um Presidente provisório — Emilio Portes Gil — tutelado por Calles. O novo governo acelerou a reforma agrária, melhorou as relações entre a Igreja e o Estado e fundou o Partido Nacional Revolucionário, em uma tentativa de institucionalizar a Revolução. Em 1929, em eleição manipulada pelo todo-poderoso Calles, Pascual Ortiz Rubio foi escolhido (1930) para completar o período presidencial. Com o inicio da Crise de 1929, seguiu-se a Grande Depressão nos Estados Unidos, que repercutiu em todo o mundo capitalista. A crise econômica atingiu o México, endividado com os Estados Unidos, a França e a Inglaterra, e envolvido com os problemas petrolíferos e agrários, e nas questões com a Igreja.

Com a renúncia de Ortiz Rubio e a nomeação de Abelardo Rodríguez para a Presidência, em 1932, a situação do petróleo sofreu alguma modificação, pois a Grande Depressão e a crise do mercado mundial

do petróleo levaram à conveniência de expandir as atividades petroleiras estatais. A Crise de 1929 obrigara as companhias petrolíferas a não aumentar a produção, contrariando as expectativas do governo mexicano. Assim, foi criada a Petromex, uma empresa de economia mista, a fim de sustentar uma indústria petrolífera genuinamente nacional. Entretanto, a falta de capitais mexicanos impediu que essa solução do problema do petróleo obtivesse resultados satisfatórios.

Ao terminar a chamada Era de Calles (1924-1934), marcada, em linhas gerais, pelo conservadorismo, a insatisfação dos camponeses e dos operários era evidente: praticamente paralisara-se o programa de reformas. O povo mexicano aguardava com grande expectativa a subida ao poder do novo candidato do Partido Nacional Revolucionário: o General Lázaro Cárdenas.

DEMOCRACIA E NACIONALISMO NO MÉXICO

O novo dirigente procurou libertar-se da tutela que o grupo de Calles conservara sobre os Presidentes anteriores. Com esse objetivo, buscou o apoio do exército, da classe operária e dos camponeses, através do afastamento dos partidários de Calles das Forças Armadas e dos órgãos públicos, e da aliança com a CTM (Confederação dos Trabalhadores Mexicanos) e com a CNC (Confederação Nacional Camponesa).

Em 1935, o governo de Lázaro Cárdenas (1934—1940) contava um poder próprio. Principais realizações :

1.A nacionalização das ferrovias, em 1937, transferiu para o governo os 49% das ações da principal rede ferroviária do país, que estavam em mãos de capitalistas estrangeiros, seguindo-se a nacionalização dos demais sistemas ferroviários.

2.A estatização do petróleo foi a etapa mais crucial da política de nacionalizações efetuada pelo governo Cárdenas.

3. O Estado passou a intervir na economia e nas relações entre o capital e o trabalho, tomando-se uma espécie de "árbitro" das questões trabalhistas. A nova central sindical — a CFM — inspirava-se no CIO (Comitê para a Organização Industrial), a segunda grande entidade sindical dos Estados Unidos, e possuía idéias socializantes.

4. O partido oficial foi reestruturado, alijando-se os partidários de Calles, tomando a denominação de Partido da Revolução Mexicana (PRM), e se transformando em 1946 em Partido Revolucionário Institucional (PRI).

5. Aos camponeses foram distribuídas duas vezes mais terras do que o total repartido até 1934, embora cerca de metade da população ainda continuasse trabalhando nos latifúndios.

Fonte: www.csa.com.br

REVOLUÇÃO MEXICANA

1910

Independente desde 1821, o México só consegue consolidar-se como Estado nacional entre 1876 e 1910 com a ditadura de Porfirio Díaz, o primeiro a ter controle sobre o conjunto do território. Exportador de produtos agrícolas e minerais, o país é dominado por uma aristocracia latifundiária. Os camponeses reivindicam terras e as classes médias urbanas, marginalizadas do poder, se opõem ao regime.

Em 1910 o liberal e também latifundiário Francisco Madero capitaliza o descontentamento popular e se lança candidato à sucessão de Díaz. As eleições são fraudadas e Díaz vence. O episódio desencadeia uma guerra civil e o país entra num período de instabilidade política que permanece até 1934, quando Lázaro Cárdenas assume o poder.

Rebelião de 1910

A reeleição de Díaz provoca um levante popular no norte e no sul do país. No norte, os rebeldes liderados por Pancho Villa incorporam-se às tropas do general dissidente Victoriano Huerta. No sul, um exército de camponeses organiza-se sob o comando de Emiliano Zapata e exige uma reforma agrária no país. Díaz é deposto em 1911 e Madero assume o poder.

Enfrenta dissidências dentro da própria elite mexicana e também dos camponeses: Zapata recusa-se a depor as armas enquanto o governo não realizar a reforma agrária. Em 1913 Huerta depõe e assassina Madero e tenta reprimir os camponeses. Villa e Zapata retomam as armas apoiados por um movimento constitucionalista liderado por Venustiano Carranza. Huerta é deposto em 1914, Carranza assume o poder e dá início a um processo de reformas sociais, mas a reforma agrária é novamente adiada. Em 1915, Villa e Zapata retomam novamente as armas mas Carranza já domina o país. Em 1917 promulga uma Constituição e consolida sua liderança. Zapata é assassinado em 1919. Villa retira-se da luta em 1920 e é assassinado em 1923.

Pancho Villa (1877-1923)

Como fica conhecido o político revolucionário mexicano Doroteo Arango. Aos 16 anos teria matado um rico fazendeiro e logo depois se alistado no Exército para fugir às perseguições da Justiça. Em 1910, como chefe de guarnição, toma o partido de Francisco Madero no combate à ditadura da Porfirio Díaz. Em maio de 1911 é exilado. Madero assume o governo no mesmo ano. Em 1912 o general Victoriano Huerta, que mais tarde deporia e substituiria Madero, condena Villa à morte por insubordinação. Auxiliado por Madero, Villa consegue se refugiar nos Estados Unidos. Depois da morte de Madero e da instauração da ditadura de Huerta, Villa volta ao México e integra as forças de Venustiano Carranza, que se opunha ao novo ditador. Contra Huerta combatiam, espalhados por todo país, Pancho Villa, Venustiano Carranza, Álvaro Obregón e Emiliano Zapata. Na guerra civil que se instala, a cavalaria, com mais de 40 mil homens, comandada por Villa tem papel fundamental.

Depois da queda de Huerta, Carranza assume o poder mas se desentende com Villa, que acaba voltando à luta e domina o norte do país. Em 1916 uma força expedicionária norte-americana é chamada pelo governo para capturar Villa, mas ele consegue escapar. Quando Carranza é deposto, Villa se instala no interior como fazendeiro. Casa-se várias vezes e tem filhos com pelo menos oito mulheres diferentes. É assassinado numa emboscada.

Emiliano Zapata (1879-1919)

Revolucionário mexicano e um dois principais líderes da Revolução Mexicana. Filho de índios, logo cedo toma a liderança de camponeses índios pela reforma agrária no país. Forma um exército e conquista todo sul do México, rebelando-se contra Porfirio Díaz e os grandes proprietários de terra. Une-se a Pancho Villa e posteriormente volta-se contra os presidentes Madero, Huerta e Carranza, os quais tomam o poder com a ajuda de Zapata, mas fracassam na execução da reforma agrária. É assassinado por um adepto de Carranza.

Fonte: br.share.geocities.com

voltar 1234avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal