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Revolução Mexicana

 

A Revolução Mexicana é o movimento armado iniciado em 1910 para acabar com a ditadura de Porfirio Díaz e terminou oficialmente com a promulgação de uma nova constituição em 1917, apesar de surtos de violência continuar até vinte e tantos anos.

O movimento teve grande impacto sobre os trabalhadores, agrícolas e círculos anarquistas internacionalmente como a Constituição dos Estados Unidos Mexicanos, 1917 foi o primeiro no mundo a reconhecer as garantias sociais e grupos de direitos trabalhistas. Estima-se que durante a luta de mil pessoas, civis e militares matou mais de novecentos.

O movimento teve grande impacto sobre os trabalhadores, agrícolas e círculos anarquistas internacionalmente como a Constituição dos Estados Unidos Mexicanos, 1917 foi o primeiro no mundo a reconhecer as garantias sociais e grupos de direitos trabalhistas.

Estima-se que durante a luta de mil pessoas, civis e militares matou mais de novecentos.

Pancho Villa e os camponeses na Revolução Mexicana

A Revolução Mexicana abre a era das Revoluções do século XX e atravessa toda a década de 1910, contando com a atuação dos mais diferentes grupos sociais – dos ricos proprietários aos camponeses pobres.

No entanto, o processo revolucionário destaca-se pelo papel decisivo desempenhado por exércitos de camponeses, que detinham certa autonomia. Na vertente camponesa da revolução é apreciável a participação da Divisão do Norte, comandada pelo enigmático “Pancho” Villa.

Francisco “Pancho” Villa, filho de uma família camponesa, nasceu no norte do México e tornou-se um dos principais nomes da Revolução Mexicana, após aliar-se a Francisco Madero, latifundiário que resolveu unir forças para acabar com a longa ditadura imposta por Porfírio Diaz.

Villa foi o líder de um exército camponês que chegou a contar com milhares de homens e desempenhou um importante papel durante o processo revolucionário. Ele estabelecia com seus soldados uma relação de igualdade, alimenta-se com eles; fazia uso de roupas simples e participava diretamente nas batalhas. Era um líder presente.

Desde 1910, Villa tinha assegurado um acordo com Madero, o principal articulador dos diversos grupos insatisfeitos com governo de Porfírio Diaz. Para Villa e os camponeses, era fundamental nessa aliança a garantia de medidas de desapropriação de terras e reforma agrária que atendessem às demandas dos trabalhadores rurais. No entanto, a queda de Porfírio e a chegada ao poder de Madero não estabilizaram a sociedade mexicana. Este líder não consegue permanecer no poder, é assassinado e, a partir de então, a Divisão do Norte – e os camponeses – passam a atuar com decisiva autonomia. Até 1915, o exército camponês trava grandes batalhas no norte, conseguindo conquistar importantes cidades dessa região do país. Frente à instável situação política e econômica do México, Villa consegue tornar-se governador de uma importante cidade do norte – Chihuahua – durante os anos de 1913 e 1915, tornando-se o único estado totalmente livre do domínio federal.

Em Chihuahua, Villa viveu a experiência de administrador. Na economia, criou uma moeda própria que, de início, encontrou resistência entre os comerciantes locais, mas acabou por ser aceita.

Além disso, fixou o preço de gêneros considerados essenciais à alimentação, tais como: carne, leite e pão. Principalmente, deu início na cidade a um processo de expropriação de grandes latifúndios, fundamental no fortalecimento de uma bandeira agrária camponesa.

Carranza e Villa: dois projetos incompatíveis.

Carranza era um latifundiário com extensa carreira política – foi governador do estado de Coahuila. Apesar de nunca ter feito oposição ao regime ditatorial de Diaz, apoiou Madero na campanha anti-reeleição que derrubou Diaz.

Demonstrou forte oposição ao sucessor de Madero na luta pelo governo federal, o general Victoriano Huerta (principal articulador do assassinato de Madero) e, por ser o único governador a não aceitar Huerta no poder, reivindicou para si a liderança do movimento revolucionário.

Em repúdio ao governo representado por Huerta, divulgou o Programa de Guadalupe, onde Carranza conclamava a população a resistir ao governo e nomeava-se primeiro-chefe da revolução.

È importante destacar que o Programa de Guadalupe não incorporou demandas sociais. Por exemplo, a reforma agrária, tão cara aos camponeses, nem sequer foi mencionada no corpo do texto. Deve-se a isso o desejo de Carranza de se indispor o mínimo possível com os grandes proprietários de terras. Como é possível perceber, desde o início, existia uma forte incompatibilidade entre os interesses de Villa e Carranza. O descaso de Carranza em relação à situação agrária do país serve para ilustrar esta diferença de projetos.

Em setembro de 1914, a situação tornou-se insustentável e os villistas divulgaram um manifesto formalizando o rompimento com Carranza. De fato, este era o momento de maior atuação dos exércitos camponeses. Após a realização de uma Convenção que contava com os principais grupos atuantes na revolução, Carranza se enfraquecera, enquanto Villa e Zapata – o líder dos exércitos camponeses no Sul – se fortaleceram. Villa consegue até entrar na Cidade do México – capital do país – embora tivesse preferido retornar ao norte. Foi nesse momento que a não concretização de uma aliança maior entre os camponeses mexicanos, bem com a ausência de uma perspectiva nacional, de uma “visão de Estado”, deram tempo e espaço para que Carranza reunisse a força necessária para derrotar os camponeses e assegurar a ascensão ao poder.

Em dezembro de 1914, Carrranza reformulou o Programa de Guadalupe, incluindo algumas demandas sociais e, em janeiro de 1915, promulgou uma lei agrária. Esta lei nunca foi posta em prática, mas serviu para fazer frente à proposta agrarista dos villistas.

Em 1916 Carranza passou ao ataque às forças de Villa, conseguindo que seu exército derrotasse a Divisão do Norte. Esta se converteu em um agrupamento guerrilheiro com base nas montanhas, onde conseguiu resistir por mais quatro anos, apesar de não mais desempenhar um papel decisivo.

Apesar de se ter tornado presidente, Carranza não conseguiu conter as insatisfações de diversos grupos sociais saturados por vários anos de guerra. Já no ano de 1919, seu governo mostra-se insustentável, perdendo apoio de empresários, operários e até de seu próprio exército para o general Obregón, que, após o assassinato de Carranza, elege-se presidente. Villa, que já havia se rendido e desarticulado suas forças é assassinado em 1923, o que marca o fim definitivo à revolução.

No contexto desses conturbados acontecimentos, a figura de Villa destaca-se, provocando as mais diversas interpretações: um simples “bandido” ou “mocinho”, um simples camponês ou um revolucionário proeminente. Para E. Hobsbawn, Villa possuía uma mentalidade voltada para a restauração de um passado camponês, não possuindo um projeto político a longo prazo. Já para o autor Marco Villa, Pancho e os camponeses foram capazes de construir um projeto político sólido, de acordo com as demandas próprias, específicas do norte. A administração de Chihuahua seria prova disto. De certo, há diferentes explicações acerca de Villa e dos camponeses do norte. Inegável, contudo, é sua participação neste processo histórico, reivindicando direitos e mudanças políticas que fossem capazes de atender social e economicamente os interesses dos camponeses pobres.

“Não sou homem educado. Mas sei muito bem que lutar é o último recurso a que deve apelar qualquer pessoa. Só quando as coisas chegam a um ponto de já não se agüentarem, não é? (...) Vimos roubar os nossos, ao pobre, simples povo, durante trinta e cinco anos. Vimos os rurales e os soldados de Porfírio Diaz matar nossos pais e irmãos, assim como negar-lhes justiça. Vimos com nos tiraram nossas pequenas terras e nos venderam a todos como escravos. Sonhávamos com lugares e escolas para instruir-nos e zombaram de nossas aspirações. Tudo o que ambicionávamos era que nos deixassem viver e trabalhar para fazer progredir o país, mas já estávamos cansados e fartos de ser enganados”. (Depoimento de Toríbio Ortega, um dos “generais camponeses” da Divisão do Norte, explicando os motivos de sua participação na revolução. In: VILLA, Marco Antonio. Francisco “Pancho” Villa: uma liderança da vertente camponesa na Revolução Mexicana. São Paulo: Ícone, 1992.)

Cronologia:

1910: É lançada a candidatura de Madero à presidência. Diaz manda prender Madero e se reelege presidente. Madero consegue sair da prisão e refugia-se nos Estados Unidos, onde redige o Programa de São Luis de Potosí.
1911:
Início do movimento revolucionário: derrubada de Diaz e eleição de Madero.
1913:
A Divisão do Norte investe em vários estados do norte. Villa torna-se governador de Chihuahua.
1914:
Assassinato de Madero pelas forças aliadas ao general Huerta, que assume a presidência. Carranza se declara chefe maior do movimento revolucionário e lança o Programa de Guadalupe. Os villistas, por sua vez, lançam manifesto declarando o rompimento com Carranza. Em 6 de dezembro, Villa e Zapata entram na Cidade do México.
1915:
O general Obregón derrota os villistas em Celaya. No mesmo ano, os EUA reconhecem oficialmente a liderança de Carranza.
1916:
Fim da Divisão do Norte. Retorno de Villa à luta de guerrilha.
1917:
Nova Constituição. Carranza torna-se presidente.
1920:
Carranza é assassinado e deposto. Obregón assume a presidência. Ano também da rendição de Villa.
1923:
Assassinato de Villa em uma emboscada.

REVOLUÇÃO MEXICANA

A revolução iniciada em 1910 foi o palco de uma série de reivindicações que buscavam, acima de tudo, garantir direitos usurpados da população.

Tal afirmação torna-se clara na fala de um de seus principais e mais destacados líderes: Emiliano Zapata.

Zapata reivindicava o direito de posse dos indígenas e camponeses das terras que lhes foram expropriadas. O que estava em pauta era a necessidade de regenerar a condição humana através do retorno ao seu passado.

Nas palavras de Octavio Paz: “A Revolução Mexicana é um movimento de reconquistar o nosso passado, assimilá-lo e torná-lo vivo no presente.”

Desde a independência, em 1821, a questão da terra estava presente nos conflitos sociais no México. Na segunda metade do século XIX a maior parte dos indígenas já haviam sido expropriados de suas terras, além disso, estes não foram incorporados como cidadãos. Em 1876 com a derrubada do governo liberal de Sebastião Tejada, pelo levante militar de Porfírio Díaz, a grande propriedade agrária foi reforçada e os camponeses despojados de suas terras. A pequena propriedade foi praticamente eliminada.

A partir de 1900, contudo, críticas ao governo de Díaz tornam-se cada vez mais latentes, bem como, reivindicações acerca das terras comunais expropriadas – os ejidos.

Díaz convoca eleições presidenciais em 1910 e prende o latifundiário liberal Francisco Madero, líder do movimento que se opunha à sua reeleição. Como candidato único Díaz é considerado eleito.

Madero foge da prisão e vai para os EUA. Do exílio, lança uma conclamação à rebelião com armas para derrubar Díaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses. Lá redige o Programa de São Luis de Potosí que anunciava a possibilidade de uma reforma agrária.

Recebe apoio popular e de líderes revolucionários do Sul, Emiliano Zapata, e do Norte, Pancho Villa e Pascual Orozco.

O crescimento da movimentação camponesa leva Díaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.

Madero é eleito presidente e, no poder, mantém o aparelho de Estado, em particular o Exército, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Além disso, resolve dissolver o exercito revolucionário.

Zapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agrária, prometida no Programa de São Luis de Potosí e negada pelo novo presidente.

Nas palavras do próprio Zapata:

“A fatal ruptura do Programa de São Luis de Potosí motivou e justificou nossa rebeldia contra aquele que invalidou todos os compromissos e defraudou todas as esperanças (...) combatemos Francisco Madero, combateremos outros cuja administração não tenha por base os princípios pelos quais temos lutado.”

A reação do líder camponês é, portanto, a de proclamar-se em rebelião contra Madero. Em novembro de 1911 anuncia o Programa de Ayala no qual propunha a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob o controle das comunidades camponesas. O plano defendia, ainda, a reorganização do ejido e a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. Para Zapata, neste plano estão contidas

“(...) as mais justas aspirações do povo, plantadas as mais imperiosas necessidades sociais, e propostas as mais importantes reformas econômicas e políticas, sem cuja implantação o país passaria inevitavelmente ao abismo, deprimiria-se no caos da ignorância, da miséria e da escravidão.”

Zapata convocara o povo às armas e o avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócio-econômicas permaneciam sem alterações.

Villa e Zapata lideraram um movimento com vistas a obter autonomia política local como forma de garantir o direito à terra.

Em fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Victoriano Huerta assassina Madero. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposição, com participação de Zapata e Villa e chefiada pelo liberal Venustiano Carranza.

O governo de Huerta acabou por tornar-se, para a maior parte dos revolucionários, uma restauração do porfirismo. O Governador nortista Carranza, não reconheceu o novo governo e deu início à mobilização contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte e Zapata no Sul. Forma-se, então, um exército constitucional, sob a égide do chamado Pacto de Torreón.

Simultaneamente, o México sofre a ocupação do porto de Vera Cruz por forças dos EUA. Sem condições de resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.

Carranza assume a presidência e o confronto anteriormente vivenciado por Zapata e Madero, com relação à reforma agrária, volta à vida, uma vez que Carranza hesita em aceitar as propostas camponesas.

Em fevereiro de 1917 é promulgada a Constituição reformada, com algumas transformações propostas pelo Programa de Ayala, como a nacionalização do solo e do subsolo e devolução das terras comunais aos indígenas – os ejidos. A Igreja Católica é separada do Estado e tem seus poderes diminuídos. Os trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibição do trabalho infantil e indenização por tempo de serviço aos empregados dispensados. As medidas previstas na Constituição, no entanto, são amplamente ignoradas pelo governo.

Em 1919 Zapata é assassinado a mando de Carranza e o país continua em guerra civil.

Carranza é deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general Álvaro Obregón, que consolida a revolução.

Villa abandona a luta em 1920 e é assassinado três anos depois. Ao mesmo tempo, vários revolucionários no governo procuram enriquecer, traindo a confiança que as amplas massas populares depositam em sua atuação.

Os partidários da nova Constituição, contudo, compreendem perfeitamente que não poderiam desconhecer a questão agrária que estava no fundo da luta revolucionária. Assim, os latifúndios foram limitados e a terra começou a ser entregue às comunidades camponesas.

Ao analisarmos este primeiro momento da Revolução Mexicana, algo nos salta aos olhos a todo o momento: a constante presença da reivindicação por uma reforma agrária e, como resposta, uma série de atitudes que se distanciavam da sua realização. Madero a propôs no Programa de São Luis de Potosí, mas não cumpriu. Zapata lutou o tempo todo por sua implantação, e isto é evidente em seus discursos e no Programa de Ayala, que também não alcançou o resultado esperado. A constituição de 1917 trata desta questão, mas, na prática, passou muito tempo até que resultasse em benefícios reais para a população camponesa.

Algo, porém, não pode deixar de ser considerado: grandes foram os esforços para que os camponeses pudessem recuperar as suas terras, bem como relevantes foram os acontecimentos e transformações nascidas do seio desta luta.

Observa-se, nesta revolução, o reconhecimento do mexicano não apenas como indivíduo, mas também, e primordialmente, enquanto povo. Buscava-se um ideal de pertencimento comum, buscava-se o retorno a seus direitos. Estava presente a luta por um ideal de igualdade.

Fonte: www.historia.uff.br

Revolução Mexicana

A . despotismo: intenso desenvolvimento capitalista no México (setores da agricultura e da mineração voltados para a exportação, intensificou-se o comércio externo, e a indústria, controlada sobretudo pelos capitais estrangeiros); construção de estradas e conheceu uma etapa de grande crescimento. Entretanto,não visava à melhoria das condições de vida das massas populares e tampouco alterou a estrutura agrária baseada no latifúndio(camponeses continuaram vinculados às grandes propriedades territoriais e os salários permaneceram baixos).

b. a ditadura de Díaz contava com importantes aliados: os políticos(Científicos, homens educados na Europa e que foram responsáveis pela direção positivista imposta à economia e ao governo. Muitos deles enriqueceram com os contratos que concederam às empresas estrangeiras) , o Exército(de policia do Estado , com gratificações à alta oficialidade e soldados recrutados à força), a Igreja( a quem concedeu algumas vantagens , como liberdade de ação , apesar de ter-lhes confiscado a terra) o capital estrangeiro ( exploravam as estradas de ferro, a produção mineira (ouro, prata, cobre), a exploração petrolífera , os serviços de eletricidade e os bancos ) e os grandes proprietários de terras(uma minoria de latifundiários possuía a maior parte das melhores terras agricultáveis e campos de criação no México , sendo que um terço das terras do México era controlado por empresas estrangeiras, em 1910, enquanto que milhares de comunidades indígenas perderam suas terras comunais (ejidos), o que aumentou o número de camponeses sem terras). Assim, não é de estranhar que a Revolução de 1910 tenha sido uma rebelião contra o modelo de desenvolvimento capitalista baseado na aliança latifúndio-imperialismo.

A AGITAÇÃO POLÍTICA

O que teria provocado a derrubada da ditadura de Díaz, tão solidamente implantada e contando com aliados externos e internos tão poderosos?

A. Movimentos da oposição como:

.Em 1908, surgiu A Sucessão Presidencial em 1910, obra escrita por Francisco Madero, originário de uma família de latifundiários do Norte e que seria conduzido posteriormente ao poder (1911) pela Revolução vitoriosa.

.Criação o Centro Anti-reeleicionista de México. Aos poucos, a opinião pública se dividiu entre os partidários de Díaz e aqueles que apoiavam Madero.

. Uma fracassada entrevista entre o ditador e Madero, em 1910, na qual Díaz, intransigentemente, recusou o nome deste para a Vice-Presidência, foi a gota d’ água para a radicalização. Acusado de incitar o povo à rebelião, Madero foi preso,mas fugiu para o Texas.

. o Plano de São Luís Potosí( Publicado por Madero ), exigindo a renúncia de Díaz, eleições livres e prpopndo a restituição das terras confiscadas à população indígena .

A AGITAÇÃO SOCIAL

As massas populares, sobretudo o campesinato, participaram intensamente da Revolução Mexicana.

Os camponeses do Sul, onde se concentrava a maior parte da população indígena, chefiados pelo líder agrarista Emiliano Zapata, incendiavam as fazendas e as refinarias de açúcar, justiçavam os proprietários e os capatazes, e aparelhavam, com os cavalos e fuzis capturados, um exército camponês. No Norte do México, o movimento camponês foi dirigido por Pancho Villa, também sob a bandeira da reforma agrária.

A participação da classe operaria na Revolução Mexicana, embora menos importante do que a ação revolucionária do campesinato, nem por isso deixou de ter significação histórica. Entre 1906 e 1920, o incipiente proletariado mexicano adquiriu consciência de classe. Sucederam-se as greves e o movimento sindical tomou grande impulso, apesar da repressão do Estado.

A ETAPA MADERISTA

A. A crise de transição

Em maio de 1911, as massas populares irromperam nas ruas da capital mexicana. A Revolução,que começara no interior do país, chegava, finalmente, à capital. Porfírio Díaz renunciou e partiu para o exílio na Europa. Em junho, Madero entrou na Cidade do México sendo aclamado como o Redentor.

Poco trabajo, mucho dinero, pulque barato, Viva Madero!

(Canção popular)

Uma vez no poder, o grupo maderista viu-se pressionado por forças sociais diversas: revolucionárias e contra-revolucionárias. Em um extremo, os camponeses, liderados pelos reformadores Emiliano Zapata e Pascual Orozco, que exigiam uma reforma agrária radical, objetivo pelo qual o campesinato formara fileiras para lutar na Revolução vitoriosa. Do outro lado, as forças Reacionárias, constituídas pela oligarquia latifundiária, pela burguesia

Na verdade, o movimento revolucionário mal começara e tomava proporções alarmantes para as classes dominantes.

Os verdadeiros problemas econômicos, políticos e sociais herdados do Porfirismo continuavam não resolvidos: o caciquismo, isto é, controle do poder político local pêlos chefes políticos (caciques), que estavam em contato com a massa camponesa; o latifúndio, ou a competição vantajosa da grande propriedade rural sobre a pequena propriedade, com os decorrentes privilégios econômicos e políticos da oligarquia agrária; a peonagem, que mantinha o camponês sem terras submetido a uma semi-servidão; a situação de superexploração do operário das cidades; o gigantismo das grandes empresas monopolistas, sufocando as pequenas e médias empresas mexicanas, em virtude da proteção oficial e da influência política dos Científicos; e, finalmente, o imperialismo, que concorria vantajosamente em todos os setores das atividades econômicas (indústria, comércio, bancos, serviços públicos) em razão da situação de dependência da economia mexicana aos interesses das economias capitalistas avançadas, que detinham conjuntamente quase 80% do capital das principais empresas mexicanas, sendo que, desse total, somente os Estados Unidos participavam com mais de 40%.

Assim, problemas de natureza econômica e social manifestavam-se ao nível político. Instalada a crise política, a contra-revolução levou a trágico desfecho o governo de Madero.

B. As classes populares e a Revolução

Os camponeses permaneciam armados. No Sul do país, os guerrilheiros de Emiliano Zapata contavam com amplo apoio da população camponesa, na qual recrutavam os seus quadros. Durante quase dez anos de lutas, as forças zapatistas resistiram às diversas ofensivas do exército mexicano, superior em quantidade de efetivos e armamentos, infligindo-lhe sérias derrotas, graças à tática de guerrilhas e à efetiva colaboração da população camponesa.

Em novembro de 1911, os zapatistas firmaram o Plano de Ayala. pelo qual o chefe da Revolução era chamado de "traidor da pátria", apelando-se ao povo mexicano para que pegasse em armas para derrubar o governo.

Do ponto de vista econômico-social, o Plano de Ayala acrescentava algumas contribuições ao Plano de São Luís Potosí, de 1910: a devolução das terras usurpadas aos seus legítimos proprietários (as comunidades indígenas e camponesas); a expropriação, mediante indenização, da terça parte dos latifúndios; e a nacionalização dos bens dos inimigos da Revolução.

O governo de Madero enviou poderoso exército para combater as forças de Zapata. As tropas federais, entretanto, não conseguiram derrotar o movimento revolucionário.

No Norte do país, os camponeses também se levantaram em armas, sob o comando do General Pascual Orozco, enquanto Pancho Villa se manteve fiel ao governo. Os chefes revolucionários publicaram também um documento — o chamado Plano de Orozco —, cujas idéias de reformas econômicas e sociais eram mais avançadas do que as do Plano de Ayala; além disso, criticavam duramente Madero e os Estados Unidos. As tropas enviadas pelo governo maderista reprimiram o movimento com extrema violência, aniquilando os revoltosos.

Enquanto no campo os exércitos camponeses enfrentavam a repressão oficial, nas cidades as massas populares organizavam-se em associações diversas, das quais a mais importante foi a Casa do Operário Mundial, que teve grande influência na direção do movimento operário durante os anos iniciais da Revolução. As idéias anarquistas, defendidas por Ricardo Flores Magón, exerceram razoável influência sobre setores populares urbanos.

Sem dúvida, havia uma Revolução dentro da Revolução. Enquanto os diversos partidos burgueses lutavam pela hegemonia e o grupo maderista procurava esforçar-se, sem sucesso, para conseguir a tão desejada estabilidade interna, os setores populares, sobretudo os camponeses, avançavam nas suas lutas foiçando soluções econômicas e sociais mais radicais. A presença de um movimento camponês independente ameaçava não só a burguesia mexicana como também os interesses do imperialismo norte-americano.

C. Os Estados Unidos e a Revolução

Entretanto, a Revolução social, que se alastrava pelo interior do país, com os exércitos camponeses de Zapata e Orozco, punha em perigo os interesses norte-americanos. Para os grandes capitalistas e o governo dos Estados Unidos, na época sob a presidência do republicano William Taft, a mudança no governo mexicano deveria limitar-se a uma troca de homens, na medida em que a ditadura porfirista não mais atendia ao crescente predomínio dos interesses norte-americanos, por não conseguir controlar a situação interna, bem como pela política do governo Díaz de contrabalançar a influência econômica dos Estados Unidos incentivando os investimentos europeus (sobretudo ingleses) no México.

Mas o alcance popular da Revolução surpreendera não só os Estados Unidos, como também o próprio governo Madero. Este, na medida em que se indispôs com as forças populares — que haviam sido o sustentáculo da sua vitória - não conseguiu, ao mesmo tempo, o apoio dos setores reacionários — grandes proprietários de terras. Igreja, burocracia e exército (o mesmo da época porfirista) e, sobretudo, das forças externas — o grande capital e o governo norte-americano. Este último seria importante para a sustentação de um governo burguês no México, como era o de Madero.

A questão do petróleo teve influência para que o governo dos Estados Unidos apoiasse a contra-revolução interna. Justamente nos anos do governo Madero, a nascente indústria petrolífera mexicana tomou-se fundamental para os Estados Unidos, que então desenvolviam a sua indústria automobilística. “As terras petrolíferas do México para os mexicanos era a palavra de ordem que, ditada por círculos nacionalistas, ameaçavam os grandes interesses norte-americanos nessa área em que pretendiam expandir-se. No governo Díaz, havia praticamente isenção fiscal para as companhias norte-americanas que operavam no México. A criação, em 1912, de um imposto de vinte centavos por tonelada de petróleo extraído, para aliviar a difícil situação econômica do México, tendo em vista a crescente prosperidade do setor petrolífero, acirrou os ânimos dos capitalistas norte-americanos. (...)”.

Na própria Embaixada dos Estados Unidos se tramou a derrocada de Madero, mediante o chamado Pacto da Embaixada, em fevereiro de 1913. O golpe de Estado, perpetrado pêlos grandes industriais, banqueiros e comerciantes, com a intervenção direta do Embaixador norte-americano, utilizou-se do antigo exército porfirista. O Presidente Madero e o Vice-Presidente Pino Suárez, feitos prisioneiros, depois de renunciarem, foram mortos à traição.

As forças reacionárias conduziram ao poder o General Huerta, para a satisfação do grande capital norte-americano.

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA

O golpe de estado que derrubou o Presidente Madero, com apoio dos Estados Unidos, conduziu ao poder o General Victoriano Huerta, representante dos setores reacionários.

Entretanto, a subida ao poder, em Washington, do democrata Woodrow Wilson, sucedendo ao republicano William Taft, tomou precária a sustentação política do governo Huerta. A nova política norte-americana com relação à América Latina tinha como objetivo formar "nações democráticas" no continente, segundo concepções norte-americanas. Na prática, a "nova liberdade" preconizada por Wilson tinha evidentes contradições, pois vários países latino-americanos, inclusive o México, continuaram a ser objeto de intervenções ou ocupação por parte das tropas norte-americanas.

A mudança da política externa dos Estados Unidos, influenciada pela situação internacional (tornava-se cada vez mais iminente um conflito entre os países imperialistas europeus), no caso do México traduziu-se pelo não-reconhecimento do governo de Victoriano Huerta. A atitude norte-americana repercutiu intensamente na economia mexicana, com o retraimento das inversões de capitais norte-americanos e a exigência de pagamento das dívidas contraídas pêlos governos anteriores.

O governo de Huerta procurou contrabalançar a hostilidade norte-americana buscando o apoio da Inglaterra, interessada no petróleo mexicano. Outros países europeus seguiram o exemplo inglês e, aos olhos dos Estados Unidos, o México ameaçava converter-se em um apêndice da Europa. A idéia da intervenção militar norte-americana no México, para derrubar a ditadura de Huerta, começou a tomar corpo entre os estrategistas do Departamento de Estado.

No plano interno, crescia a oposição ao regime huertista por parte das forças democráticas — camponeses, operários, mineiros, pequenos agricultores e intelectuais da "classe média". Na Cidade do México os trabalhadores da Casa do Operário Mundial colocaram-se desde o início contra qualquer colaboração com o governo de Huerta.

No interior do país os conflitos eram bem mais agudos. No Norte e Nordeste, as forças camponesas de Pancho Villa incendiavam fazendas e aldeias enquanto o exército de Venustiano Carranza — este nomeado Primeiro Chefe do Exército Constitucionalista — declarava-se em rebelião contra Huerta.No Sul, Emiliano Zapata e seus guerrilheiros camponeses continuavam" a lutar contra os donos de terras, saqueando as extensas fazendas de açúcar, milho e trigo, enquanto Álvaro Obregón, liderava, no Noroeste, as forças hostis ao governo huertista.

Dir-se-ia que somente em 1913 começava a verdadeira Revolução Mexicana: A luta revolucionária entrava em uma etapa verdadeiramente violenta.

Nos começos de 1914, as forças constitucionalistas controlavam praticamente todo o México, com exceção da região central e Vera Cruz, no litoral. Sob o pretexto de que pretendia o restabelecimento da ordem constitucional e a derrubada do General Huerta, o governo norte-americano resolveu intervir no México, o que "refletia a continuação da política de intromissão nos assuntos internos do país, em função da salvaguarda dos interesses monopolistas, no caso as companhias petrolíferas". Com efeito, em abril de 1914, marines norte-americanos desembarcaram na zona petroleira de Tampico e, depois, em Vera Cruz, tornando esta última e a ocupando por cerca de seis meses. As forças constitucionalistas vitoriosas derrubaram o grupo huertista e formaram um novo governo, assumido, em julho de 1914, pelo chefe revolucionário Venustiano Carranza. Somente em fins desse ano, as tropas norte-americanas desocuparam o porto de Vera Cruz, devido, sobretudo, ao início da Primeira Guerra Mundial. Somente em 1915, após muita chantagem diplomática, os dirigentes norte-americanos reconheceram o novo governo mexicano, obrigando-o a proteger os interesses norte-americanos, assim como a indenizar os proprietários estrangeiros pêlos danos causados pela guerra civil.

Sem dúvida, o não-reconhecimento dos Estados Unidos ao governo de Huerta, o bloqueio do comércio e o fornecimento de armas aos elementos anti-huertistas favoreceram a derrubada do ditador.

O PERÍODO CARRANCISTA

A. A luta de facções

Apoiado pelas forças constitucionalistas de Obregón, Venustiano Carranza foi elevado ao poder, enquanto os camponeses de Villa, no Norte, e de Zapata, no Sul, continuavam a luta armada, em defesa de suas reivindicações e da reforma agrária.

Nas cidades, a classe operária encontrava-se dividida. Um setor bastante expressivo do operariado colocou-se ao lado do governo de Carranza, cujos representantes prometiam legislar a favor dos assalariados e dar facilidades para que estes se organizassem. Assim, foi firmado um acordo (1915) entre dirigentes da Casa do Operário Mundial e o grupo carrancista, pelo qual os operários comprometiam-se a lutar contra os exércitos camponeses rebeldes em apoio à causa constitucionalista. Durante quase todo o ano de 1915, os Batalhões Vermelhos, formados pelos operários, combateram, junto com as forças carrancistas comandadas por Obregón, os exércitos de Villa, obtendo vitórias decisivas. Entretanto, à medida que as vitórias contra os camponeses iam-se consolidando, o governo burguês de Carranza dissolvia os Batalhões Vermelhos e sem cumprir suas promessas. O descontentamento da classe operária, agravado pelo desemprego e pela alta taxa de inflação, manifestou-se na greve geral de 1916, que o governo reprimiu violentamente, impondo a pena de morte, suspendendo as atividades da Casa do Operário Mundial e expulsando do país os líderes operários de origem espanhola.

A Revolução popular obrigou o governo a expedir uma série de decretos, que regularam a distribuição das terras improdutivas, aboliram os chefes políticos locais, proscreveram a peonagem e melhoraram as condições de trabalho dos operários nas industrias e protegeram a causa do sindicalismo.

Procurando não perder de todo o apoio dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, formar uma base social e política mais ampla, o governo de Carranza, a partir de 1914, tomou várias medidas de cunho nacionalista, enquanto assegurava aos trustes norte-americanos concessões consideradas "justas".

A questão nacional foi, por excelência, a do petróleo. Foram postas em prática várias medidas destinadas a aumentar a participação do Estado nos benefícios da exploração dos combustíveis minerais (impostos, permissões de perfuração, restrição à compra e venda dos terrenos petrolíferos etc.), e que levaram à nacionalização do petróleo mexicano.

Em 1916, tropas norte-americanas invadiram as fronteiras mexicanas, reagindo à incursão do exército de Pancho Villa sobre território dos Estados Unidos. Até 1917, os soldados norte-americanos moveram uma incansável e infrutífera caçada aos grupos guerrilheiros.

B. A Constituição de 1917

Inspirada em parte nos modelos norte-americano e francês, a Constituição mexicana de 1917 reafirmava: os princípios do governo representativo, a divisão de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), decretava a integração local dos governos estaduais e municipais e garantia a segurança do indivíduo e da propriedade, porém estabelecia que o bem comum era superior aos direitos do indivíduo. Um dos seus artigos mais avançados e polêmicos era o que regulava o direito de propriedade do Estado sobre as terras e águas e as riquezas do subsolo, que estavam sob controle dos monopólios estrangeiros, sobretudo norte-americanos ; também estabelecia uma nova doutrina trabalhista( jornada de oito horas, controle dos salários, pagamento igual por trabalho igual, abolição do trabalho de crianças, fixação das responsabilidades do empregador sobre os acidentes do trabalho, livre organização dos trabalhadores em associações, negociações coletivas, direito de greve etc) como confirmava as leis da Reforma de 1850, que nacionalizaram os bens da Igreja, e restringia as atividades dos sacerdotes às estritamente religiosas.

Em 1919, depois do assassinato do líder agrarista Emiliano Zapata, aumentou a insatisfação camponesa, ao mesmo tempo em que os trabalhadores urbanos tomavam-se cada vez mais exigentes, em defesa de suas reivindicações. Perdendo o apoio das forças ligadas a Obregón, e forçado a pagar as dívidas externas, o governo Carranza chegou ao fim, derrotado pelo movimento militar de Água Prieta. O Presidente deposto foi assassinado, quando deixava o país. Alguns autores consideram, com a queda de Carranza e a eleição do General Obregón à Presidência, em 1920, terminada a primeira fase da Revolução Mexicana.

O MÉXICO NA ENCRUZILHADA

Uma das primeiras medidas do governo de Álvaro Obregón (1920-1924) foi regulamentar o pagamento da dívida externa, a maior parte da qual provinha de empréstimos contraídos por governos anteriores à Revolução. A situação econômica do país nesse período era particularmente difícil. O México pouco se beneficiou da grande demanda de matérias-primas originada pela Primeira. Guerra Mundial. Devido às lutas internas da década revolucionária, importantes setores da economia estavam destemidos ou paralisados, a inflação era galopante e cresciam as despesas com a aplicação da reforma agrária. Não havia um só setor da economia que não estivesse dominado pelo capital estrangeiro.

Para realizar a sua política econômica, o governo de Obregón contava com três grandes aliados: o exército, o sindicalismo organizado e os reformadores agrários.

Aumentando o número de generais e diminuindo o de soldados, e prodigalizando benefícios à alta oficialidade, o governo manteve o exército sob controle. O movimento operário, que começava a desempenhar um papel político importante, foi organizado sob a poderosa CROM (Confederação Regional Operária Mexicana) além de outras centrais sindicais.

Em troca do reconhecimento do governo de Obregón por parte dos Estados Unidos, o que só seria feito em 1923, o México obrigou-se a reconhecer uma vultosa divida externa (inclusive a dívida ferroviária) e se comprometeu a pagá-la a peso de ouro .

Ao se aproximarem as eleições de 1924, acentuaram-se as divisões entre as forças políticas. De um lado, as correntes reformadoras burguesas, sustentadas pêlos líderes reformistas da CROM e pelos agraristas, que apoiavam Obregón e seu candidato, Plutarco Elias Calles. De outro, os generais influentes, o clero e as diversas facções anticallistas, que escolheram o Ministro das Finanças, Adolfo de La Huerta, como candidato independente, provocando, assim, uma cisão no próprio grupo dirigente. A luta eleitoral logo tomou a forma de uma rebelião armada (1923), que o governo conseguiu debelar com auxílio dos Estados Unidos, onde a influente AFL (Federação Americana do Trabalho) dava todo apoio à CROM.

A despeito do "restabelecimento da amizade com o governo dos Estados Unidos", o governo de Obregón foi obrigado a suspender temporariamente o pagamento da dívida, devido aos gastos militares com a rebelião de 1923, à crise fazendária e à intransigência da comissão de banqueiros e das companhias petrolíferas em conceder o empréstimo necessário para equilibrar a economia mexicana.

AMIGOS, AMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE

Vitorioso nas eleições, e dizendo-se "herdeiro de Zapata", Plutarco Elias Calles aplicou em seu quadriênio (1924-1928) uma política que a princípio contrariou os interesses dos grandes proprietários de terras, dos industriais, da Igreja e das companhias petrolíferas.

Foram expropriadas algumas parcelas de terras das grandes fazendas, as quais, distribuídas às aldeias como propriedade comunal, logo se desmembraram em pequenos lotes familiares. A classe operária, apesar de estar atrelada ao Estado através da CROM, pôde beneficiar-se da proteção governamental, conquistando direitos de organização e de greve, melhores salários e maior segurança contra os acidentes de trabalho. A situação interna do México serviu mais uma vez de pretexto para os ataques das companhias petrolíferas, e renovaram-se as ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos, que se viam atingidos pela política agrária e de nacionalizações do governo Calles. Habilmente, a diplomacia norte-americana empreendeu nova orientação, conseguindo a gradual diminuição do programa agrário e a garantia de que não seriam nacionalizadas as companhias petrolíferas que aluassem no México desde antes de 1917.

Uma emenda constitucional, que passava a permitir a reeleição e estabelecia o mandato presidencial em seis anos, criou condições para a volta de Álvaro Obregón ao poder, em 1928. O assassinato do Presidente eleito, entretanto, levou o Congresso mexicano a nomear um Presidente provisório — Emilio Portes Gil — tutelado por Calles. O novo governo acelerou a reforma agrária, melhorou as relações entre a Igreja e o Estado e fundou o Partido Nacional Revolucionário, em uma tentativa de institucionalizar a Revolução. Em 1929, em eleição manipulada pelo todo-poderoso Calles, Pascual Ortiz Rubio foi escolhido (1930) para completar o período presidencial. Com o inicio da Crise de 1929, seguiu-se a Grande Depressão nos Estados Unidos, que repercutiu em todo o mundo capitalista. A crise econômica atingiu o México, endividado com os Estados Unidos, a França e a Inglaterra, e envolvido com os problemas petrolíferos e agrários, e nas questões com a Igreja.

Com a renúncia de Ortiz Rubio e a nomeação de Abelardo Rodríguez para a Presidência, em 1932, a situação do petróleo sofreu alguma modificação, pois a Grande Depressão e a crise do mercado mundial do petróleo levaram à conveniência de expandir as atividades petroleiras estatais. A Crise de 1929 obrigara as companhias petrolíferas a não aumentar a produção, contrariando as expectativas do governo mexicano. Assim, foi criada a Petromex, uma empresa de economia mista, a fim de sustentar uma indústria petrolífera genuinamente nacional. Entretanto, a falta de capitais mexicanos impediu que essa solução do problema do petróleo obtivesse resultados satisfatórios.

Ao terminar a chamada Era de Calles (1924-1934), marcada, em linhas gerais, pelo conservadorismo, a insatisfação dos camponeses e dos operários era evidente: praticamente paralisara-se o programa de reformas.

O povo mexicano aguardava com grande expectativa a subida ao poder do novo candidato do Partido Nacional Revolucionário: o General Lázaro Cárdenas.

DEMOCRACIA E NACIONALISMO NO MÉXICO

O novo dirigente procurou libertar-se da tutela que o grupo de Calles conservara sobre os Presidentes anteriores. Com esse objetivo, buscou o apoio do exército, da classe operária e dos camponeses, através do afastamento dos partidários de Calles das Forças Armadas e dos órgãos públicos, e da aliança com a CTM (Confederação dos Trabalhadores Mexicanos) e com a CNC (Confederação Nacional Camponesa).

Em 1935, o governo de Lázaro Cárdenas (1934—1940) contava um poder próprio.

Principais realizações:

1. A nacionalização das ferrovias, em 1937, transferiu para o governo os 49% das ações da principal rede ferroviária do país, que estavam em mãos de capitalistas estrangeiros, seguindo-se a nacionalização dos demais sistemas ferroviários.
2.
A estatização do petróleo foi a etapa mais crucial da política de nacionalizações efetuada pelo governo Cárdenas.
3.
O Estado passou a intervir na economia e nas relações entre o capital e o trabalho, tomando-se uma espécie de "árbitro" das questões trabalhistas. A nova central sindical — a CFM — inspirava-se no CIO (Comitê para a Organização Industrial), a segunda grande entidade sindical dos Estados Unidos, e possuía idéias socializantes.
4.
O partido oficial foi reestruturado, alijando-se os partidários de Calles, tomando a denominação de Partido da Revolução Mexicana (PRM), e se transformando em 1946 em Partido Revolucionário Institucional (PRI).
5.
Aos camponeses foram distribuídas duas vezes mais terras do que o total repartido até 1934, embora cerca de metade da população ainda continuasse trabalhando nos latifúndios.

Fonte: www.csa.com.br

Revolução Mexicana

1910

Independente desde 1821, o México só consegue consolidar-se como Estado nacional entre 1876 e 1910 com a ditadura de Porfirio Díaz, o primeiro a ter controle sobre o conjunto do território. Exportador de produtos agrícolas e minerais, o país é dominado por uma aristocracia latifundiária. Os camponeses reivindicam terras e as classes médias urbanas, marginalizadas do poder, se opõem ao regime.

Em 1910 o liberal e também latifundiário Francisco Madero capitaliza o descontentamento popular e se lança candidato à sucessão de Díaz. As eleições são fraudadas e Díaz vence. O episódio desencadeia uma guerra civil e o país entra num período de instabilidade política que permanece até 1934, quando Lázaro Cárdenas assume o poder.

Rebelião de 1910

A reeleição de Díaz provoca um levante popular no norte e no sul do país. No norte, os rebeldes liderados por Pancho Villa incorporam-se às tropas do general dissidente Victoriano Huerta. No sul, um exército de camponeses organiza-se sob o comando de Emiliano Zapata e exige uma reforma agrária no país. Díaz é deposto em 1911 e Madero assume o poder.

Enfrenta dissidências dentro da própria elite mexicana e também dos camponeses: Zapata recusa-se a depor as armas enquanto o governo não realizar a reforma agrária. Em 1913 Huerta depõe e assassina Madero e tenta reprimir os camponeses. Villa e Zapata retomam as armas apoiados por um movimento constitucionalista liderado por Venustiano Carranza. Huerta é deposto em 1914, Carranza assume o poder e dá início a um processo de reformas sociais, mas a reforma agrária é novamente adiada. Em 1915, Villa e Zapata retomam novamente as armas mas Carranza já domina o país. Em 1917 promulga uma Constituição e consolida sua liderança. Zapata é assassinado em 1919. Villa retira-se da luta em 1920 e é assassinado em 1923.

Pancho Villa (1877-1923)

Como fica conhecido o político revolucionário mexicano Doroteo Arango. Aos 16 anos teria matado um rico fazendeiro e logo depois se alistado no Exército para fugir às perseguições da Justiça. Em 1910, como chefe de guarnição, toma o partido de Francisco Madero no combate à ditadura da Porfirio Díaz. Em maio de 1911 é exilado. Madero assume o governo no mesmo ano. Em 1912 o general Victoriano Huerta, que mais tarde deporia e substituiria Madero, condena Villa à morte por insubordinação. Auxiliado por Madero, Villa consegue se refugiar nos Estados Unidos. Depois da morte de Madero e da instauração da ditadura de Huerta, Villa volta ao México e integra as forças de Venustiano Carranza, que se opunha ao novo ditador. Contra Huerta combatiam, espalhados por todo país, Pancho Villa, Venustiano Carranza, Álvaro Obregón e Emiliano Zapata. Na guerra civil que se instala, a cavalaria, com mais de 40 mil homens, comandada por Villa tem papel fundamental.

Depois da queda de Huerta, Carranza assume o poder mas se desentende com Villa, que acaba voltando à luta e domina o norte do país. Em 1916 uma força expedicionária norte-americana é chamada pelo governo para capturar Villa, mas ele consegue escapar. Quando Carranza é deposto, Villa se instala no interior como fazendeiro. Casa-se várias vezes e tem filhos com pelo menos oito mulheres diferentes. É assassinado numa emboscada.

Emiliano Zapata (1879-1919)

Revolucionário mexicano e um dois principais líderes da Revolução Mexicana. Filho de índios, logo cedo toma a liderança de camponeses índios pela reforma agrária no país. Forma um exército e conquista todo sul do México, rebelando-se contra Porfirio Díaz e os grandes proprietários de terra. Une-se a Pancho Villa e posteriormente volta-se contra os presidentes Madero, Huerta e Carranza, os quais tomam o poder com a ajuda de Zapata, mas fracassam na execução da reforma agrária. É assassinado por um adepto de Carranza.

A Revolução Mexicana

Há diversas versões diferentes que tentam explicar o que ocorreu no México no início do século XX, que se desencadeou naquilo que ficou conhecido como “Revolução Mexicana”, em 1910. Nesta breve síntese tentaremos mostrar duas visões de dois autores diferentes para este processo, que são Octavio Paz, mais especificamente sua obra “O labirinto da solidão e post scriptum” e Arnaldo Córdova, em seu livro “La Revolución y el Estado en México”.

Para analisar o caso específico do México, Octavio Paz faz primeiro uma análise do processo de independência da América Espanhola como um todo, considerando-a como um processo que ao mesmo tempo separa a América da Espanha e permite a criação de uma série de países nas terras recentemente independentes. O que diferencia a situação mexicana neste momento é a incapacidade dos revolucionários de criar uma sociedade moderna, ao contrário do que aconteceu com os novos países latino-americanos, que, mesmo não promovendo alterações profundas na sociedade, fizeram um empreendimento de caráter modernizador.

A independência não levou o México a uma república liberal, mas sim a uma sociedade agrária dominada por uma nova casta latifundiária, e é este país que Porfírio Díaz vai governar por mais de trinta anos. Este período, conhecido por “Porfiriato” e como “Pax Porfiriana”, é marcado por perseguições políticas, mas também por um projeto industrial que não conseguiu alterar a face semicolonial do México, uma vez que, nas palavras do próprio Octávio Paz, o governo de Porfírio Díaz “(…) prolonga um feudalismo anacrônico e ímpio, que nada suaviza (as Leis das Índias continham preceitos que protegiam os índios).” (pag. 117)

Em suma, pode-se dizer que o governo porfiriano não trouxe para o México o progresso, mas sim a continuidade das estruturas coloniais, sendo mais uma volta ao passado que um passo adiante.

Para melhor entender a verdadeira face deste período, Paz vai se valer da análise de Leopoldo Zea, para quem “a adoção do positivismo como filosofia oficiosa do Estado corresponde a certas necessidades intelectuais e morais da ditadura de Diaz.” (pag. 118). Na verdade é uma forma de evitar o afloramento dos “princípios explosivos” que uma política liberal poderia trazer, como a anarquia. Com isso, o porfirismo pôde se sustentar no poder, escondendo sua própria “nudez moral”, sem oferecer grandes mudanças na sociedade, mas sem trazer soluções para a questão social. O resultado de todo este processo, em fins do século XIX, é uma realidade de poucas perspectivas, pois o que se vê neste momento é um México que rompeu seus laços com a Espanha, mas não foi capaz de criar outros laços que os substituíssem, já que não houve entendimentos com os Estados Unidos, nem com os outros países americanos de língua espanhola.

É neste quadro que se instalará a Revolução Mexicana, tida por Octávio Paz como uma revolução carente de percursores, sendo resultado da demanda de todo este processo histórico, preparada desde o século XVIII, mas no fundo, é um movimento sem um programa prévio. Os grandes líderes da Revolução não eram intelectuais, o que, para Paz, lhe dava uma certa singularidade.

“A ausência de percursores ideológicos e a escassez de vínculos com uma ideologia universal constituem traços característicos da Revolução e raiz de muitos conflitos e confusões posteriores.” ( pag. 124)

Desta forma, a Revolução não foi mais que uma resposta à situação mexicana do início do século XX: crise política e social, inquietações na classe média e na nascente classe operária e crise nas relações internacionais. A união destes fatores mostra a fragilidade do governo de Porfírio Díaz, principalmente quando se começou a fazer críticas veladas à sua política positivista. Como se pode observar, a Revolução Mexicana é mais um movimento social que o resultado de uma série de discussões ideológicas.

“Nosso movimento se distingue pela carência de um sistema ideológico prévio e pela fome de terras. Os camponeses mexicanos fazem a revolução não somente para obter melhores condições de vida, mas também para recuperar as terras que, no decorrer da Colônia e do século XIX, os colonos e os latifundiários lhes tinham arrebatado.” (pag. 128)

Para Octavio Paz, a falta de uma corrente ideológica clara impossibilitou o atendimento às diferentes aspirações populares.

Isto acabou tendo um preço alto: a adoção de um programa liberal, pela simples falta de qualquer outra proposta compatível com a Revolução.

Em síntese, Octavio Paz vê a Revolução como um resgate de um passado que o México conheceu antes da Reforma e de Porfírio Diaz, um movimento espontâneo, quase “natural”, sem preparação prévia e sem planos futuros, como se pode observar na passagem abaixo:

“A Revolução mal tem idéias. É um estouro de realidade: uma revolta e uma comunhão, um remexer de velhas substâncias adormecidas, um vir à tona de muitas ferocidades, muitas ternuras e muitas delicadezas ocultas pelo medo de ser. E com quem comunga o México nesta festa sangrenta? Consigo mesmo, e com seu próprio ser. O México se atreve a ser. A explosão revolucionária é uma festa portentosa em que o mexicano, bêbado de si mesmo, conhece o fim, no abraço mortal, com outro mexicano.” (pag. 134)

É justamente esta idéia de uma Revolução espontânea, sem planos e objetivos concretos que Arnaldo Córdova vai criticar em sua obra “La revolucion y el Estado en Mexico.” Outra idéia criticada por Córdova é a de que a Revolução Mexicana é fato isolado do mundo, não tendo inspiradores nem par em nenhuma outra revolução. Para este autor, a Revolução Mexicana “(…) fue um gran debate ideológico en el que no sólo se puso en discusión nuestro ser nacional, el sentido de nuestra historia, la organización y la composición de nuestra sociedad, la idea del gobierno de la misma, las injusticias que prevalecian en la organización social, el tipo de desarrollo económico, político y cultural que debía promoverse, las classes sociales e los componentes etnicos de la sociedad mexicana, el sistema nacional de relaciones de propriedad y de produción, los valores a los cuales se debían los mexicanos y aquellos que debían sobresalir para consumar nuestra formación nacional.” (pag. 56)

A linha ideológica da Revolução Mexicana começou a ser traçada com a crítica ao Estado criado por Porfírio Díaz, uma vez que, e nisso Córdova concorda com Octavio Paz, o México não teve sequer um dia de paz durante a “Pax Porfiriana”. Este movimento ideológico começou com os jornalistas, que cada vez mais passaram a criticar o regime porfiriano. Este processo cresceu tanto que passou a assustar simpatizantes de Porfírio Díaz, pois o crescimento ideológico da oposição poderia enfraquecer a política dominadora de Díaz.

A Revolução Mexicana foi pontuada pelas idéias de grandes ideólogos como Molina Henriquéz, que pensou a relação do Estado com o desenvolvimento da economia camponesa, Ricardo Flores Magón, que defendia a liberdade, o fim do autoritarismo e a democracia, e Madero, que em sua obra “La sucesión presidencial em 1910? fez uma série de observações sobre o governo porfiriano e obteve grande impacto na sociedade. Foi uma obra de tamanha importância que para Córdova ela converte Madero no homem que faltava para que a Revolução se desencadeasse. Para Madero, o povo deveria tomar as rédeas de se destino, lutar pela divisão dos latifúndios, democratizar a posse da terra, não defendendo uma solução autoritária para a crise social, mesmo se tratando de um autoritarismo de esquerda.

Neste ponto ele discorda de Molina, que defendia uma ação violenta do Estado no sentido de destruir os grandes latifúndios e distribuir as propriedades. Molina acreditava que um governo democrático se transformaria em um simples dispensador de justiça, sem, contudo, ser capaz de unir todas as tribos, povos e grupos que compõem o povo mexicano em torno do interesse central da revolução, que seria a distribuição justa das terras agrícolas mexicanas.

Como se pode perceber, o que Córdova deixa claro é que de modo algum podemos considerar a Revolução Mexicana como um movimento sem uma base ideológica que fosse capaz de sustentá-la. Mesmo que seus líderes não fossem grandes intelectuais, como afirmou Octavio Paz, aquela foi uma época de tamanha efervescência de idéias que a Revolução criou não só uma, mas várias ideologias revolucionárias. Teorias estas que chegaram a criar o que Córdova chamou de “a luta ideológica da Revolução Mexicana”, capitaneada por pensadores como Molina e Madero, diferentes em algumas idéias, mas seguramente dois sustentáculos daquilo que ficou conhecido como “A Revolução Mexicana.

Fonte: br.share.geocities.com

Revolução Mexicana

Chama-se Revolução Mexicana o movimento armado, social e cultural iniciado no México em 1910 por causa da ditadura do general Porfírio Díaz e que culminaria oficialmente com a promulgação de uma nova constituição sete anos depois. Ainda que os surtos de violência continuariam até finais da década de 20. A luta armada começou depois da fraude eleitoral perpetrada em 1910 pelo general Porfírio Díaz Mori, que se tinha mantido de maneira que se ininterrupta na presidência do México desde 1876.

O movimento teve grande impacto nos círculos operários, agrários e anarquistas a nível internacional pois a constituição de 1917 foi a primeira no mundo a reconhecer as garantias sociais e os direitos coletivos dos trabalhadores.

A Revolução

Em 1876, o general Porfírio Díaz, através de um golpe militar, assumiu o poder do país, implantando um governo pessoal que se estendeu até 1911. Durante esse período deu-se a consolidação do capitalismo agrário – exportador no México, onde as imensas propriedades rurais pertenciam a empresas estrangeiras, ou seja, os norte-americanos, tornando-se portanto dependente deste capital.

A presidência de Díaz se caracterizou por impulsionar a industrialização e pacificação do país a custa da exploração das classes camponesa e operária. Os pequenos proprietários e os índios, por causa das grandes propriedades, tiveram suas terras tomadas, e viviam sendo atemorizados pelos índios, por causa das grandes propriedades, tiveram suas terras tomadas, e viviam sendo atemorizados pelos Rurales (força militar).

Além dos Rurales o governo de Díaz tinha o apoio da igreja, dos norte-americanos, do exército mexicano e de um grupo conhecido como científicos. É interessante que, a ideologia deste grupo estava pautada no Positivismo (defendia a concepção de que somente um governo autoritário poderia assegurar o ordem necessária ao progresso) que além de apoiar o autoritarismo era favorável aos investimentos estrangeiros.

Durante o governo Díaz, o México se integrou cada vez mais ao capital norte-americano, que terá a sua penetração no país, controlando, a exploração dos recursos minerais, das ferrovias e das atividades financeiras.

A concentração da propriedade rural, a miséria dos camponeses, a expropriação das antigas terras de uso comum por parte das comunidades indígenas, a insatisfação da burguesia industrial e dos grupos médios levaram a um movimento revolucionário, em 1910, contra o porfiriato.

Nas eleições de 1910, Díaz teve como adversário Francisco Madero, um rico empresário, educado no estrangeiro que simpatizava com as reformas sociais que, fazia vários anos, eram promovidas por intelectuais como Antônio Horcasitas ou os irmãos Jesus e Ricardo Flores Magón.

Apesar de originário de uma família de latifundiários, Madero passou a liderar a pequena burguesia urbana, nacionalista, que organizou o movimento “Anti-Reeleicionista”. Perseguido, foi forçado a exilar-se e tornou-se o símbolo da luta contra a ditadura para as camadas urbanas, inclusive o proletariado.

Com Madero exilado, Díaz pode reeleger-se novamente a Presidência da República em 1910.

Exilado em San Antonio, no Texas, Madero redigiu o Plano de São Luís no qual convocava um levantamento armado que deveria ter inicio a 20 de novembro de 1910 às 18:00 horas. Adicionalmente, o plano declarava nulas as eleições de 1910, não reconhecia o governo de Díaz, nomeava Madero presidente provisório, restituía aos indígenas as terras que se lhes tinha apreendido mediante a lei de baldios e estabelecia o principio de não reeleição para os postos políticos no país.

Diversos rebeldes e caudilhos populares responderam ao chamamento mas nunca formaram um movimento homogêneo nem compartilharam os mesmos ideais. É dentro desse contexto que se insere o movimento revolucionário liberado no sul, por Emiliano Zapata, e ao norte, por Pancho Villa. Nas cidades o movimento popular era constituído pelos operários das fábricas, pelos trabalhadores das ferrovias e pelos portuários. A agitação incluía a criação de sindicatos, a organização de greves a luta por direitos trabalhistas, passeatas de protesto, conflitos com forças da Polícia e do Exército.

A 20 de novembro de 1910 se levaram a cabo treze de confrontos em Durango, São Luís Potosí, Veracruz e Chihuahua. A luta contra o exército federal se estendeu por todo o país mas durou pouco, pois o presidente Díaz renunciaria cinco meses depois.

Depois da renúncia de Díaz, em 1911, a presidência foi entregue à Madero.

O período governamental de Francisco Madero foi marcado por crescente instabilidade em conseqüência:

Da pressão norte-americana;
Da pressão de forças contra-revolucionárias internas ligadas ao deposto governo porfirista;
Da pressão dos setores populares, sobretudo camponeses, exigindo a imediata aprovação de uma legislação trabalhista.

O efêmero governo maderista tinha sido incapaz de pacificar o país e os caudilhos enforcaram a luta contra o novo governo.

Em novembro de 1911, Zapata define o Plano de Ayala, propondo a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob controle das comunidades camponesas. O plano defendia a reorganização do ejido, a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. A existência de um exército popular organizado e armado era visto como um ameaça pelo novo governo, pela velha elite e pelos EUA. O avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócias econômicas permaneciam sem alterações.

Em 1913 Madero foi desposto e assassinado, assumindo o poder Vitoriano Huerta. Ele foi apoiado pela aristocracia latifundiária que via em Huerta uma oportunidade de restabelecer o sistema de Díaz.

Apoiado pelos porfiristas, somente fez crescer as lutas camponesas onde os líderes locais redigiram esforços para a luta contra o governo.

A pressão dos Estados Unidos, que culminaria na ocupação de Veracruz após o incidente de Tampico, em combinação com as ações dos rebeldes, acabariam por levar à queda de Huerta.

Apoiado pelos revolucionários, Venustiano Carranza chega ao poder com proposta de elaborar uma nova Constituição, de conteúdo liberal e reformista.

O governo Carranza adotou uma série de medidas para consolidar as estruturas políticas: promoveu intenso combate às forças populares tanto no sul como no norte do país, adotou medidas nacionalistas que levaram a nacionalização do petróleo ao mesmo tempo em que fez concessões às grandes empresas norte americanas e organizou uma Assembléia Constituinte (excluindo a participação camponesa).

Com a redução da pressão norte-americana, devido o seu envolvimento na Primeira Guerra Mundial, o governo Carranza pode aprovar a nova constituição em 1917, que apresentava os seguintes pontos:

O ensino laico;
A expropriação de terras;
Fixava as relações entre capital e trabalho, como por exemplo, a jornada de 8 horas;
Restringiu o poder da Igreja;
Secularização do clero.

A constituição de 1917, em parte, serviu para desmobilizar os camponeses, fato que contribuiu para o assassinato do líder agravista Zapata. Seu desejo de pacificar o país provou ser mais forte do que sua habilidade para solucionar os problemas que tinham dada origem à violência, assim que, um a um, foi assassinando os rebeldes do movimento.

Apesar de se ter tornado presidente Carranza não conseguiu conter as insatisfações de diversos grupos sociais saturados por vários anos de guerra. Já no ano de 1919, seu governo mostra-se insustentável, perdendo apoio de empresários, operários e até de seu próprio exército para o general Obregón, que após o assasinato de Carranza, elege-se presidente.

O governo de Carranza durou pouco e após sua morte em 1920, Álvaro Obregón assumiu o poder e demonstrou não só ser um hábil militar, pois terminou de pacificar a maior parte do país, senão um hábil político que fomentou a criação e ao mesmo tempo se fez o apoio de múltiplos sindicatos e centrais operárias. Foi sucedido pelo também general Plutarco Elias Calles, que promoveria algumas leis anticlericias que provocariam a Guerra Cristera e fundaria o partido revolucionário Institucional (PRI), que se manteria na presidência da República por mais de setenta anos. Ainda que a reeleição estivesse expressamente proibida pela constituição de 1917, Obregón conseguiu fazê-lo em 1928 mas foi assassinado por um extremista católico antes de tomar posse do cargo.

Com a eleição de Lázaro Cárdenas (1934 – 1940), em meio à crise econômica mundial, responsável pelo enfraquecimento dos Estados Unidos e pelo agravamento das causas que levaram à Segunda Guerra Mundial, a sociedade pode acelerar sua Revolução. Foi um momento histórico de acelerada modernização do país. Contudo, a burguesia mexicana acabou renunciando a muitas das suas conquistas.

Fonte: www.cefetsp.br

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