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Revolução Pernambucana

 

( 1817 )

Rebelião inspirada nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, ocorrida no Recife às vésperas da Independência do Brasil.

O comércio era dominado pelos portugueses e ingleses; as exportações de açúcar enfrentavam dificuldades e a economia da província estava de mal a pior.

Insatisfeitos com o domínio português, proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis, militares descontentes passaram a se reunir no Recife e iniciaram a conspiração.

O golpe foi planejado para abril de 1817, mas o complô foi descoberto pelo governo e iniciou-se a caça e prisão dos líderes do movimento. No dia 06 de março, o comandante do Regimento de Artilharia do Recife (Manuel Joaquim Barbosa) deu voz de prisão ao capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado), este reagiu, sacou da espada e matou o comandante.

Explodia, assim, a revolta que estava marcada para dali a um mês. Em seguida, os revoltosos derrotaram as forças portuguesas e o governador da capitania (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) fugiu.

Foi, então, instalado um governo provisório, formado por cinco representantes de categorias da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (representando os militares), Padre João Ribeiro (Igreja), Domingos José Martins (comerciantes), José Luís Mendonça (Judiciário) e Manuel Correia de Araújo (representando os proprietários de terras). Foi instalada uma República, criada sua bandeira, etc.

Os revoltosos pretendiam estender o movimento e enviaram representantes para a Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas.

Mas a pretendida expansão não aconteceu: os enviados a Bahia (General Abreu e Lima e o Padre Roma) e ao Ceará (o seminarista José Martiniano de Alencar) foram presos logo ao desembarcar.

E só aderiram ao movimento, ainda assim timidamente, as capitanias da Paraíba e Alagoas.

A República duraria apenas 75 dias, não resistiu à reação da Coroa: tropas enviadas do Rio de Janeiro ocuparam o Recife no dia 18 de maio e sufocaram o movimento. Os líderes foram presos e executados.

Grupos sociais envolvidos nesta revolta?

Influenciados por princípios liberais burgueses, grupos de proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis e militares derrubam o governador da capitania de Pernambuco e instalam um governo republicano provisório. A revolução dura pouco tempo, já que tropas portuguesas ocupam Recife cerca de dois meses depois, prendendo e executando os líderes do movimento.

Causas

Insatisfação popular com a chegada e funcionamento da corte portuguesa no Brasil, desde o ano de 1808. O questionamento maior era com relação a grande quantidade de portugueses nos cargos públicos;
Insatisfação com impostos e tributos criados no Brasil por D. João VI a partir da chegada da corte portuguesa ao Brasil;
Influência dos ideais iluministas, principalmente os que criticavam duramente as estruturas políticas da monarquia absolutista. Os ideais da Revolução Francesa, “liberdade, igualdade e fraternidade”, ecoavam em solo pernambucano, principalmente entre os maçons;
Significativa crise econômica que abatia a região, atingindo, principalmente, as camadas mais pobres da população pernambucana. A crise era provocada, principalmente, pela queda nas exportações de açúcar, principal produto da região;
Fome e miséria, que foram intensificadas com a seca que atingiu a região em 1816.

Objetivo

O movimento social pernambucano tinha como objetivo principal a conquista da independência do Brasil em relação a Portugal. Queriam implantar um regime republicano no Brasil e elaborar uma Constituição.

Fonte: www.pe-az.com.br

Revolução Pernambucana

( 1817 )

A Revolução de 1817 ocorreu na província de Pernambuco.

Dentre as suas causas destacam-se o declínio da cultura da cana-de-açúcar e a influência da Maçonaria.

A permanência da família real no Brasil, de interesse dos proprietários de escravos e de terras, comerciantes e burocratas da região centro - sul, não satisfez aos habitantes das demais regiões do país, fossem eles proprietários rurais, governadores ou funcionários.

O primeiro grupo tinha consciência de que os favores e privilégios concedidos pelo monarca eram os responsáveis pelo seu enriquecimento; o segundo vivia, desde a instalação da Corte no Rio de Janeiro, situação paradoxal: afastado do poder, mas com o ônus de sustentá-lo.

Outro grupo extremamente descontente com a política de favorecimento de D. João era composto pelos militares de origem brasileira. Para guarnecer as cidades e, também, ajudá-lo em suas ações contra Caiena e a região do Prata, D. João trouxe tropas de Portugal e com elas organizou as forças militares, reservando os melhores postos para a nobreza portuguesa. Com isso, o peso dos impostos aumentou ainda mais, pois agora a Colônia tinha que manter as despesas da Corte e os gastos das campanhas militares.

Como analisa a historiadora Maria Odila Silva Dias "a fim de custear as despesas de instalação de obras públicas e do funcionalismo, aumentaram os impostos sobre a exportação do açúcar, tabaco e couros, criando-se ainda uma série de outras tributações que afetavam diretamente as capitanias do Norte, que a Corte não hesitava em sobrecarregar com a violência dos recrutamentos e com as contribuições para cobrir as despesas da guerra no reino, na Guiana e no Prata. Para governadores e funcionários das várias capitanias parecia a mesma coisa dirigirem-se para Lisboa ou para o Rio."

O sentimento de insatisfação era particularmente forte na região nordestina, a mais antiga área de colonização do Brasil, afetada pela crise da produção açucareira e algodoeira e pela grande seca de 1816 que prejudicou a agricultura de toda a região. Aí, o desejo de independência definitiva de Portugal era profundo. Em Recife, capital da província de Pernambuco e um dos principais portos da região, o descontentamento era enorme. O sentimento generalizado era de que os "portugueses da nova Lisboa" exploravam e oprimiam os "patriotas pernambucanos". Esses homens, descendentes da "nobreza da terra" do período colonial, formada pela elite canavieira de Olinda, que tinha participado da Guerra dos Mascates, consideravam justificado o crescente anti-lusitanismo na Província.

Francisco Muniz Tavares, destacada figura da sociedade pernambucana, assim se referia a D. João:

"(...) Porquanto, que culpa tiveram estes (habitantes de Pernambuco) de que o Príncipe de Portugal sacudido de sua capital pelos ventos impetuosos de uma invasão inimiga, saindo faminto de entre os seus lusitanos, viesse achar abrigo no franco e generoso continente do Brasil, e matar a fome e a sede na altura de Pernambuco?"

As idéias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e, também, por meio de livros e de outras publicações que chegavam, incentivavam o sentimento de revolta entre os pernambucanos. Também já haviam chegado, desde o fim do século XVIII, as sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco existiam muitas delas, como Patriotismo, Restauração, e Pernambuco do Oriente, que serviam como locais de discussão e difusão das "infames idéias francesas". Nas sociedades secretas, reuniam-se intelectuais padres e militares, para elaborar um plano para a revolução.

À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente no lugar do vinho e a hóstia feita de trigo, como forma de marcar sua identidade.

Pelas ruas de Recife se ouvia, aqui e ali, o seguinte verso:

"Quando a voz da pátria chama
tudo deve obedecer;
Por ela a morte é suave
Por ela cumpre morrer "

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e do Frei Caneca, chegando a proclamar a República, entretanto sem adotar medidas como a abolição da escravidão.

Conseguiram conquistar Pernambuco, instalaram um governo provisório que tinha como propostas básicas: Proclamar a republica, abolir alguns impostos e elaborar uma constituição que estabelecesse a liberdade religiosa e de imprensa, bem como a igualdade de todos perante a lei. Ao saber da revolução Pernambucana, D. João VI apressou-se em enviar tropas para combater os rebeldes. Após dois meses, as tropas sufocaram o movimento e todos os líderes foram condenados a morte. O governo português queria manter, a todo custo, seu poder.

Motivos da revolucao pernambucana de 1817?

Com a vinda de Dom João em 1808, o Brasil passou por profundas modificações. Por isso, na época da Revolução Pernambucana a situação do Brasil era bem diferente da que vivia o país, quando eclodiram os movimentos revolucionários anteriores a esse.

Os principais fatores da Revolução de 1817 em Pernambuco foram:

A independência das colônias espanholas da América do Sul;
A independência dos Estados Unidos;
As idéias de liberdade que vinham se propagando desde o século anterior em todo o Brasil;
A ação das sociedades secretas, que pretendiam a libertação da colônia;
O desenvolvimento da cultura em Pernambuco, por influência do Seminário de Olinda.

O governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ficou sabendo dos planos dos revolucionários e mandou prender os principais implicados na conspiração. Estes, então, anteciparam a eclosão do movimento, que teve início quando o capitão José de Barros lima (apelidado "Leão Coroado") matou o oficial português encarregado de prendê-lo.

A revolta estendeu-se rapidamente e os patriotas tornaram-se senhores da situação, estabelecendo novo governo assim que Caetano Montenegro partiu para o Rio de Janeiro.

Os principais implicados na Revolução Pernambucana em 1817 foram: Domingos José Martins, Domingos Teotônio Jorge Martins Pessoa, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, padre João Ribeiro Pessoa, Antônio Golçalves da Cruz, José de Barros Lima, padre Miguel de Almeida Castro, José Inácio Ribeiro de Abreu Lima e outros.

Assim que conseguiram dominar a situação, os revoltosos organizaram um governo provisório. O novo governo procurou logo estender o movimento às outras capitanias e obter o reconhecimento no exterior.

A revolta estendeu-se ao Ceará, à Paraíba e ao Rio Grande do Norte.

O governo revolucionário pernambucano durou pouco mais de dois meses. Recife foi cercada por mar e tropas enviadas da Bahia avançaram por terra, colocando os revoltosos em situação desesperadora, desmantelando-lhes a resistência.

Quais as principais causas da revolução pernambucana ?

Em Pernambuco, muitos moradores estavam revoltados com o crescente aumento dos impostos, que serviam para sustentar o luxo da Corte portuguesa instalada no Rio de Janeiro.

Além disso, outros problemas afetavam os habitantes da região: a grande seca de 1816 causou graves prejuízos à agricultura e provocou fome no nordeste. Os preços do açúcar e do algodão (principais produtos cultivados em Pernambuco) estavam caindo no mercado internacional, devido à concorrência do açúcar antilhano e do algodão norte-americano. Tudo isso serviu para dar início a uma revolta contra o governo de D. João VI, que ficou conhecida como Revolução Pernambucana.

Quais seus principais lideres?

Domingos José Martins, José de Barros Martins (tinha o apelido de “Leão Coroado”), João Ribeiro e Miguelinho (esses dois últimos eram padres).

Quais os principais objetivos?

Independência do Brasil; proclamação da república; expulsão dos portugueses que monopolizavam o comércio da região.

Quais foram os locais que apoiaram a revolução?

Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e Bahia.

Sendo que Rio de Janeiro e Bahia desistiram.

Porque ela não conseguiu a Independência em relação ao brasil?

No começo do século XIX, Olinda e Recife, as duas maiores cidades pernambucanas, tinham juntas cerca de 40 000 habitantes (comparados com 60 000 habitantes do Rio de Janeiro, capital da colônia). O porto do Recife escoava a produção de açúcar, das centenas de engenhos da Zona da Mata, e de algodão.

Além de sua importância econômica e política, os pernambucanos tinham participado de diversas lutas libertárias. A primeira e mais importante tinha sido a Insurreição Pernambucana, em 1645. Depois, na Guerra dos Mascates, foi aventada a possibilidade de proclamar a independência de Olinda.

Fonte: www.geocities.com

Revolução Pernambucana

( 1817 )

O movimento revolucionário em Pernambuco irrompeu a 6 de março, quando as tropas luso-brasileiras já haviam ocupado Montevidéu (20 de janeiro), com a expulsão dos guerrilheiros de Artigas, enquistados na capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, nas operações de limpeza em São Borja, Ibicoraí e Carumbé, e subseqüente invasão da Banda Oriental, levando os adversários de vencida em Índia Muerta e Catalán, embora tudo isso significasse o prelúdio de uma guerra que se vai arrastar sem solução definitiva, mesmo depois da criação da Província Cisplatina (31 de julho de 1821).

As causas da revolução pernambucana podem ser definidas como um protesto do Norte contra a hegemonia do Sul. Pernambuco não se acomodará facilmente à condição de "colônia do Estado irmão mais moço", nas palavras de Handelmann, em sua História do Brasil, remetendo obrigatoriamente para a manutenção da corte uma boa parte de suas rendas, o que aliás acontecia com todas as demais capitanias. Os habitantes do Recife - para citar um só exemplo - pagavam um imposto mensal destinado à iluminação pública do Rio de Janeiro. Daí o ciúme de Pernambuco, diante da soma enorme de benefícios que tornariam a região fluminense a mais favorecida de todas, no período joanino, em detrimento das mais distantes, no conjunto inorgânico que era o Brasil daquele tempo.

Em Pernambuco, as aspirações de autonomia reaparecem num período de retração econômica ocasionada pela baixa do preço do açúcar e pela brusca supressão das exportações de algodão, era conseqüência dos acordos com a Grã-Bretanha. As operações no Rio da Prata impunham, além do mais, a cobrança de novos tributos sobre as receitas alfandegárias, a fim de custear as despesas com o corpo expedicionário. A Pernambuco pouco se lhe dava que fosse ou não incorporado o território da Banda Oriental ao império luso-brasileiro. Daí a conspiração que encontrou campo favorável nas antigas diferenças entre reinóis e mazombos.

Sob orientação clerical, o movimento deveria ter início no domingo da Páscoa (coincidente em 1817 com o mês de abril), comemorando-se a ressurreição de Cristo com a da pátria. No entanto, uma rixa de quartel, que culminou com o assassino de dois oficiais superiores, ambos portugueses, antecipou a deflagração.

A república pernambucana não teria duração maior do que 75 dias. O conde dos Arcos enviou duas expedições militares a Pernambuco, uma naval e outra terrestre, "com uma presteza que não era de esperar na índole portuguesa", segundo o relatório do cônsul Maler ao governo francês. Pelos seus cálculos, concentraram-se em Pernambuco cerca de 8 mil homens para debelar a revolução, que teve no padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro o seu grande herói.

Com uma espingarda e um saco contendo o arquivo da república aos ombros, o padre João Ribeiro acompanhou, descalço, a retirada do exército rebelde até o engenho Paulista, onde foi decidida a debandada. Dirigiu-se em seguida à igreja e ali queimou os papéis que poderiam comprometer os seus companheiros, suicidando-se junto ao altar-mor. Remetidos para a Bahia, foram executados Domingos José Martins, José Luís de Mendonça e o padre Miguelinho.

No Recife, tiveram o mesmo fim: Antônio Henriques, Domingos Teotônio Jorge, José de Barros Lima (o Leão Coroado) e o padre Pedro de Sousa Tenório.

E os da Paraíba: José Peregrino de Carvalho, Amaro Gomes da Silva Coutinho, Francisco José da Silveira, Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão e o padre Antônio Pereira de Albuquerque. A cabeça do padre João Ribeiro, decepada, foi exposta no pelourinho da cidade irredenta.

CONSPASSO DE ESPERA

A corte festejou com foguetes, repiques de sino e luminárias a notícia da derrocada da revolução pernambucana. Vitorioso no Sul e Norte, consolidadas as posições militares no Rio da Prata e extinto o movimento sedicioso em Pernambuco, D. João protelou mais uma vez a cerimônia da sua aclamação. A morte da rainha, aos 81 anos (20 de março de 1816), ocorrera num dos instantes mais agudos da crise platina. D. João parecia não ter pressa. Antes de ser aclamado rei de Portugal, Brasil e Algarves, reclamava sua atenção e vigilância assunto mais sério do que festas, o problema de conter a pressão inglesa, agora de parceria com a Espanha, no sentido do regresso imediato da família real e de uma composição amigável com Fernando VII, de novo reposto no trono da Espanha, aliado também da Rússia, que se dispunha a fornecer-lhe todos os recursos, em armas e soldados, para uma expedição vingadora na América do Sul.

Estavam de cima os janeiristas, isto é, aqueles que, com o conde da Barca à frente, eram pela continuação da corte no Rio de Janeiro. D. João procurava compor-se com Fernando VII, estabelecendo uma dupla aliança com os Bourbons da Espanha, através do casamento simultâneo das princesas Maria Isabel e Maria Francisca, a primeira com o próprio rei e a segunda com o herdeiro presuntivo, príncipe D. Carlos Maria Isidro, que seguiriam para Madrid ao mesmo tempo em que chegavam ao Rio de Janeiro as primeiras levas de soldados portugueses, veteranos da guerra peninsular, que haviam sido requisitados para o policiamento da fronteira sulina.

A aliança entre a casa de Bragança e a dos Habsburgos seria outro golpe estratégico de D. João, em meio aos fogos cruzados das potências européias, não só da Grã-Bretanha, Espanha e Rússia, como também da França , contra a sua política de anexação da Banda Oriental. Já o ensaiara em 1814, mas sem êxito, nas sondagens sobre a possibilidade do casamento da infanta D. Isabel Maria com o príncipe imperial da Áustria, Ferdinando, herdeiro do trono.

Em 1816, voltará a insistir, e de modo espetacular, renovando não apenas a sugestão anterior, como propondo os consórcios do príncipe herdeiro de Portugal e do Brasil com uma das filhas de Francisco I e da princesa D. Maria Teresa, e da viúva do infante espanhol D. Pedro Carlos, com o grão-duque da Toscana, irmão do imperador da Áustria.

Com respeito a D. Pedro, que contava apenas 18 anos, o pai havia recusado duas propostas: do duque da Calábria e da rainha da Etrúria. Falou-se ainda nas vantagens de casar o príncipe herdeiro com a princesa Ana, irmã do czar da Rússia, Alexandre I, neutralizando-o assim na sua propalada ajuda ao governo espanhol.

A ALIANÇA COM A ÁUSTRIA

O que D.João pretendia de fato era a aliança com a Áustria e o apoio de Metternich, idealizador da Santa Aliança, às reivindicações portuguesas no Prata, que bastariam para justificar a necessidade de o rei continuar no Brasil, acabando de uma vez por todas com as pressões pelo seu regresso imediato a Lisboa.

Tudo isso ficou bem claro nas instruções "secretíssimas" remetidas pelo marquês de Aguiar a Marialva, negociador dos casamentos, sobretudo no parágrafo adiante transcrito:

Não escapou à perspicácia de S.A.R. ( D. João ) um embaraço que pode ocorrer nessa negociação e é o de desejar S.M.I. (Francisco I), antes de decidir-se, saber com certeza se S.A.R. conta regressar ou não a Portugal; e para remover este embaraço, manda-me o mesmo Senhor participar confidencialmente a Vm.ce (para fazer uso discreto, segundo as ocorrências) que o seu real intento é regressar à Europa, logo que haja conseguido preservar este Reino do Brasil do contagioso espírito revolucionário que conflagra pelas colônias espanholas; e que outrossim tenha inteiramente estabelecido e consolidado a pôr em prática, para o fim de estreitar os enlaces entre Portugal e o Brasil, e as demais possessões da Coroa Portuguesa, e de conseguintemente haver entre todas aquela união e identidade que há de ser o mais sólido fundamento da progressiva prosperidade de sua monarquia; e acrescendo que, no entretanto que S.A.R. completa com a possível brevidade esta grande obra (que pode mesmo talvez utilizar ao sistema político da Europa pelos tratados de Paris e Viena); e por conseguinte o mesmo Senhor poderá então sem susto de futuras subversões restituir-se á sua Corte em Lisboa. Tais são as graves e atendíveis razões que Vm.ce alegará (se preciso for) para dissolver qualquer hesitação de S.M.I. a esse respeito.

D. João nada tinha de açodado. Era lento, deixava que as coisas amadurecessem com o tempo. Como ficou assinalado, ao assumir o poder (fevereiro de 1792), pelo impedimento da mãe, não se intitulou regente de pronto, e sim depois de sete anos (junho de 1799). Esperou a morte da rainha (20 de março de 1816) e ao completar 51 anos (13 de maio de 1816), decorridos 24 anos de governo, ratificou a carta de lei de 16 de dezembro de 1815, criando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Os representantes do monarca que compareceram ao Congresso de Viena já seriam, portanto, ministros plenipotenciários que falavam em defesa da monarquia dual luso-brasileira, com sede no Rio de Janeiro desde 1808.

O REI ACLAMADO

Revestida de grande pompa, acarretando enormes despesas ao erário, e mesmo ás economias particulares de D. João, que tinha fama de avaro, a missão de Marialva atingiu em cheio pelo menos um, e o mais importante, do seu tríplice objetivo: o casamento de D. Pedro com D.Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, segunda filha de Francisco I. Metternich apoiaria, enfim, contra a Grã-Bretanha e a Espanha, a ocupação portuguesa de Montevidéu.

Efetuou-se o contrato matrimonial, no dia em que D. João completava 50 anos (13 de maio de 1817), e D. Leopoldina partiu para a ltália, a caminho do Brasil.

A comitiva foi contudo retida em Livorno, não só pela demora da esquadra portuguesa que a devia transportar para o Rio de Janeiro, como pelas notícias do movimento revolucionário em Pernambuco e, depois, da conspiração de Gomes Freire de Andrade em Portugal. A diplomacia britânica pôs-se em campo, sugerindo ao governo austríaco que a princesa deveria retornar a Viena ou seguir para Lisboa, onde aguardaria a volta iminente da família real portuguesa.

No mesmo sentido, manobrou D. Carlota Joaquina, pedindo ao irmão Fernando VII sua interferência junto a Francisco I, tomando o pretexto para abreviar o regresso a Lisboa. Metternich mostrou-se impressionado com essas gestões. Foi pessoalmente a Livorno, mas teve de se render diante da firme decisão da princesa, ansiosa de reunir-se à sua nova família luso-brasileira e correr com ela todos os riscos do momento revolucionário.

D. Leopoldina chegaria ao Brasil em 5 de novembro de 1817. Só então o rei concordaria em que se cuidasse dos preparativos para a sua aclamação. Sentia-se D. João na plenitude dos seus poderes, prestigiado pela casa da Áustria, sustentáculo da Santa Aliança, anteparo valioso á sua política de resistência contra as pretensões espanholas, libertando-se afinal da opressiva predominância britânica. O casamento do príncipe herdeiro fortalecia, por igual, o desejo de continuar em seus domínios americanos, que ampliara com a conquista da Banda Oriental, mantida a unidade territorial do colosso brasileiro com a repressão do foco separatista em Pernambuco.

No ato da aclamação (6 de fevereiro de 1818), que marca o apogeu do seu reinado, D. João manda suspender as devassas, conservando, contudo, nas prisões mais de uma centena de brasileiros. No Sul, prosseguia a encarniçada resistência de Artigas. Ficariam abertas as feridas de um lado e de outro lado. Sem esquecer, ainda, a mágoa dos seus súditos que reclamavam a reintegração européia do rei americano.

O monarca passaria a viver, depois de aclamado, mais um capítulo do seu drama político, entrevisto aliás por um observador estrangeiro, L.F. de Tollenare, nas suas Notas dominicais (1816, 1817, 1818; trad. bras. 1905) no instante em que se preparava o movimento revolucionário em Pernambuco: As duas partes da monarquia acham-se mais em situação de inimizade do que de fraternidade, e na verdade é bem difícil administrar dois países que quase não experimentaram a necessidade mútua de uma aliança e que, pelo contrário, possuem interesses opostos.

E, noutro passo, como que profetizando a inevitabilidade da separação, acrescenta Tollenare: Certo é difícil ser ao mesmo tempo rei de Portugal e do Brasil, e agir paternalmente para com dois povos que têm interesses tão opostos. Um não pode viver sem o monopólio; o progresso do outro exige a sua supressão.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Revolução Pernambucana

A Revolução Pernambucana de 1817, como bem realçou o historiador Oliveira Lima, foi talvez a mais destacada revolução do Brasil pré-república.

Deflagrada em 06 de março por líderes republicanos, a maioria formada por membros das comunidades insurrecionais maçônicas, a Revolução de 1817 proclamou a independência de Portugal e instalou por 74 dias um governo republicano.

Fez reformas modernizadoras nos tributos, na administração pública, e introduziu a liberdade religiosa e a liberdade de imprensa.

Sinalizou a abolição da escravidão, ao garantir a liberdade a todos os escravos que se inscrevessem nos batalhões revolucionários.

Contou com forte apoio popular, não só pelo espírito libertário de seu ideário iluminista, como pelo zelo para com o patrimônio público e o espírito de tolerância democrática.

Vitorioso o movimento, não foram promovidas execuções das lideranças realistas, nem confiscos de seus bens. O que, aliás, foi a marca da conduta dos realistas quando derrotaram o movimento e vitimizaram mais de 1.600 mortos e feridos, alguns fuzilados ou enforcados em praça pública e, depois, esquartejados.

A Revolução de 1817 teve constituição republicana e legou a Pernambuco a bandeira que, desde as comemorações do seu centenário, é a oficial do estado.

Entre os seus principais líderes despontaram Domingos Martins, o Padre João Ribeiro, o Vigário Tenório, o primeiro embaixador brasileiro Cruz Cabugá (nos EUA), o Padre Roma, Domingos Teotônio, Frei Miguelinho, Antônio Carlos de Andrada e Silva, Barros Lima (O Leão Coroado), Gervásio Pires e Frei Caneca, este último depois fuzilado em 1825 por ter chefiado a Confederação do Equador.

Mas reconhecidamente foi o comerciante capixaba Domingos Martins o seu mais destacado líder. Maçon de sólidos ideais iluministas e republicanos, Domingos foi o principal esteio do Governo Revolucionário que antecipou a Independência, a República, o Constitucionalismo e a Abolição da Escravidão.

Encarna com toda legitimidade o espírito libertário que tem marcado a alma pernambucana de um irredentismo presente em episódios como o primeiro grito de República de Bernardo Vieira de Mello em 1710, a própria Revolução de 1817 por ele liderada, a Confederação do Equador de 1824 e a Revolução Praieira de 1848.

Neste momento o 06 de março, data da Revolução de 1817, foi escolhido pelo povo pernambucano como a data magna do Estado.

Nada mais justo de que inscrever na galeria dos heróis nacionais aquele que foi o principal líder de um movimento que chegou a instaurar tão precocemente um estado republicano independente de Portugal, fundado nos mais profundos valores democráticos e patrióticos.

Um líder que ousou enfrentar as forças da monarquia e que tornou-se mártir e precursor da nacionalidade brasileira.

Fonte: www.camara.gov.br

Revolução Pernambucana

Revolução Pernambucana (1817)

As invasões napoleônicas em Portugal fizeram com que a Família Real migrasse para o Brasil em 1808, estabelecendo umregime político focado na região centro-sul brasileira. Como mandatários, os portugueses forneciam os melhores cargos e, consequentemente, melhores condições de vida aos seus patrícios que mudaram para o Brasil, causando insatisfação aos habitantes de nacionalidade brasileira.

Pernambuco foi o estado que respondeu com maior indignação às negligências lusitanas, pois sofria uma grave crise econômica desde a expulsão dos holandeses, com a queda na produção e mercantilização do açúcar e do algodão. A região também teve grandes danos com a grande seca de 1816, aumentando a miséria de sua população com a devastação dos solos e a falta de comida.

A Independência nos Estados Unidos e a concentração popular que marcaram a Revolução Francesa foram os movimentos políticos que motivaram a organização de um movimento emancipacionista, que ficou conhecido como Revolução Pernambucana.

Valendo-se dos ideais iluministas, em 1817 os líderes maçons Domingos José Martins e Antônio Cruz e os padres João Ribeiro e Miguelinho foram os principais líderes dessa insurgência. Eles organizaram um governo provisório que durou 75 dias, com representantes do clero, do comércio, do exército, da justiça e dos engenhos para ocupar os cargos depois de um grande confronto com o então governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.

Os pernambucanos revoltosos eram a favor do regime republicano e resolveram, a priori, diminuir os altos impostos e tributos cobrados pelos lusitanos, abolir os títulos de nobreza e ceder o direito à liberdade de imprensa, assim como o fez os Estados Unidos.

O governo provisório buscou apoio dos estados mais próximos da região Norte e Nordeste, mas foram impedidos pelas forças militares portugueses e pela falta de apoio popular.

Sabendo do perigo que podia representar à Coroa o alastramento da revolta, D. João VI enviou tropas militares para cercar o porto de Recife por terra e por mar. O elevado número de combatentes garantiu a vitória aos lusitanos, que fizeram questão de prender aqueles que não foram mortos em batalha.

Alguns líderes, como Teotônio Jorge, padre Souza Tenório, Antônio Henriques e José de Barros Lima, foram capturados e condenados à morte, culminando no fim da Revolução Pernambucana, que se caracterizou pela revolta popular em busca do poder e por ser o último movimento revolucionário antes da Independência do Brasil, em 1822.

Fonte: plataformabrioli.xpg.uol.com.br

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