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Roberto Landell Moura

Roberto Landell de Moura

No dia 30 de junho de 1998 transcorreu o septuagésimo aniversário da morte do Padre-cientista ROBERTO LANDELL DE MOURA, gaúcho, nascido em Porto Alegre, numa casa de esquina da rua Bragança, hoje Marechal Floriano Peixoto, com a antiga Praça do Mercado, aos 21 de janeiro de 1861, tendo sido batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de l863, na igreja do Rosário, que anos mais tarde viria a ser seu vigário. Landell de Moura era o quarto de quatorze irmãos, sendo seus pais o Sr. Inácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes de tradicionais famílias rio-grandenses, com ascendência inglesa.

Roberto Landell de Moura estudou com o pai as primeiras letras. Freqüentou a Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha, a seguir entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes. Com 11 anos, em 1872, estudou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo-RS, onde concluiu o curso de Humanidades. Após seguiu para o Rio de Janeiro, onde foi cursar a Escola Politécnica. Em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se ambos a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano, após cursou a Universidade Gregoriana onde, em 28 de outubro de 1886, foi ordenado Padre.

Retornou ao Rio de Janeiro em 1886, residindo no Seminário São José e, neste mesmo ano, reza sua primeira missa na Igreja do Outeiro da Glória para Dom Pedro II e toda sua côrte. Em função disso, expôs suas idéias sobre transmissão do som e da imagem ao Imperador. Substituiu o coadjutor do capelão do Paço Imperial, mantendo, ainda, palestras de caráter científico com Dom Pedro II.

No dia 28 de fevereiro de 1887 foi nomeado capelão da Igreja do Bomfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre. A 25 de março de 1891 foi conduzido a vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana-RS. Em 1892 é transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário em Santos, Campinas e Santana e capelão do Colégio Santana. Em julho de 1901 partiu para os Estados Unidos da América do Norte. Retornou a São Paulo em 1905, dirigindo as Paróquias de Botucatu e Mogi das Cruzes. Em 1908 voltou ao Rio Grande do Sul onde dirigiu a Paróquia do Menino Deus e, em 1916, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.

Padre Landell foi um dos pioneiros na descoberta do telefone sem fio, ou rádio, como é hoje conhecido, o precursor da radiotelefonia, o bandeirante da própria televisão,o descobridor das Ondas Landeleanas. Em 1893? muito antes da primeira experiência realizada por Guglielmo Marconi? o gaúcho padre Landell de Moura realizava, em São Paulo, do alto da Av

Paulista para o alto de Sant’Ana, as primeiras transmissões de telegrafia e telefonia sem fio, com aparelhos de sua invenção, numa distância aproximada de uns oito quilômetros em linha reta, entre aparelhos transmissor e receptor, presenciada pelo Cônsul Britânico em São Paulo, Sr. C. P. Lupton, autoridades brasileiras, povo e vários capitalistas paulistanos. Tratava-se da primeira radiotransmissão da qual se tem notícias. Só um ano depois foi que Marconi iniciou as experiências com seu telégrafo sem fio.

Em virtude de brilhante êxito de suas experiências inéditas, em nível mundial, Landell obteve uma patente brasileira para um “aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso”, patente nº. 3.279. Era o dia 09 de março de 1901. O mérito do Padre Landell é ainda maior se considerarmos que desenvolveu tudo sozinho. Era dessas pessoas que além do seu lado místico, integrava em sua personalidade o gênio teórico e o lado prático para a construção de seus aparelhos.

Ele era o cientista, o engenheiro e o operário ao mesmo tempo. Consciente de que suas invenções tinham real valor, o padre Landell partiu com destino aos Estados Unidos da América, quatro meses depois, com o intuito de patentear os seus aparelhos.

Obtém três patentes em Washington, Estados Unidos: “Transmissor de Ondas” - precursor do rádio, em 11 de outubro de 1904, patente de nº. 771.917; “Telefone sem fio” e “Telégrafo sem fio”, em 22 de novembro de 1904, patentes de nºs. 775.337 e 775.846. Nas patentes agrega vários avanços técnicos como transmissão por ondas contínuas, por meio da luz, princípio da fibra óptica e por ondas curtas; e a válvula de três eletrodos, peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão e para enviar mensagens.

Também em 1904 o Padre Landell começa a projetar, de forma precursora, a transmissão da imagem, ou seja televisão e de textos, teletipo, à distância. As Ondas Landeleanas, denominadas assim por um jornal de São Paulo, que em 1900 se ocupou das teorias científicas do Padre inventor, conquanto sejam, aparentemente, do mesmo número das Ondas Hertzianas, todavia diferem muito destas últimas, porque estas são ondas mais ou menos amortecíveis e produzidas por movimentos vibratórios elétricos sem Constância nem Uniformidade, que vão pouco a pouco, decrescendo, ao passo de que as Ondas Landeleanas não estão sujeitas a tais transformações e são produzidas por movimentos vibratórios elétricos, cujos valores ondulatórios são CONTÍNUOS e permanecem sempre iguais.

Como bem se verifica, as Ondas Landeleanas desempenham, em seu sistema de telegrafia e telefonia-sem-fio, o papel de um condutor metálico. A idéia da criação desse campo ondulatório através do espaço, além de ser genial, é de grande alcance prático e científico, pois já tem sido aproveitado para vários fins. Nela baseava-se o Padre Landell na possibilidade de transmitir, também sem fio, a IMAGEM a grandes distâncias, ou seja, a TELEVISÃO que agora se pratica.

Como conseqüência das suas descobertas, a Marinha de Guerra do Brasil, logo no retorno de Landell de Moura dos Estados Unidos, em 1º de março de 1905 realizava experiências com a telegrafia por centelhamento, no encouraçado Aquidabã. Foram usados os aparelhos patenteados em 1901, no Brasil e 1904, nos Estados Unidos. A Marinha de Guerra é a pioneira no Brasil, da radiotelegrafia permanente.

Por seu pioneirismo nas telecomunicações, o Padre Roberto Landell de Moura é considerado o “Patrono dos Radioamadores Brasileiros”. Na verdade foi o 1º radioamador brasileiro em telegrafia e fonia.

Em 1984 a Fundação de Ciência e Tecnologia - CIENTEC, em Porto Alegre, construiu uma réplica daquele que pode ser considerado o primeiro aparelho de rádio do mundo: o Transmissor de Ondas (Wave Transmitter, patente nº. 771.917, de 11 de outubro de 1.904). Esta réplica encontra-se em exposição no saguão da Fundação Educacional e Cultural Padre Landell de Moura, na Av. Ipiranga, 3.501, em Porto Alegre - RS.

Além das ciências físicas, Roberto Landell de Moura se interessou pela química, biologia, psicologia, parapsicologia e medicina, sendo o primeiro cientista brasileiro com registro internacional de invenção pioneira. Suas descobertas estão servindo à humanidade até hoje.

Roberto Landell de Moura foi Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. Em 17 de setembro de 1927 foi elevado, pelo Vaticano, a Monsenhor, e seis meses antes de falecer nomeado Arcediago. Aos 67 anos, no dia 30 de junho de 1928, sábado, às 17:45 horas, morreu anonimamente, abatido pela tuberculose, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e meia dúzia de amigos fiéis e devotados.

O Monsenhor João Emílio Berwanger, pró-vigário geral, celebrou, no domingo, dia 1º de julho, pela manhã, na Capela da Beneficência, missa de corpo presente.

Em caráter solene, na Catedral Metropolitana, às 15:00 horas, foi celebrada a encomendação, tendo presidido as cerimônias o arcebispo Dom João Becker, secundadas pelos monsenhores João Emílio Berwanger, João Maria Balém, José Barea e Nicolau Marx, e assistidas por todos os cônegos do Cabido Metropolitano. O “Libera-me Domine” foi cantado com o acompanhamento de todo o clero secular e regular da arquidiocese. O templo estava repleto de fiéis e lá fora, uma chuva torrencial.

Fonte: www.radioantigo.com.br

Roberto Landell de Moura

 

Roberto Landell de Moura

Um padre incrível, que conhecia eletricidade, que fazia em 1893 experiências extraordinárias tão avançadas quanto aquelas que Marconi apenas iniciava dois anos depois, merece que a história das telecomunicações lhe faça justiça. Seu trabalho, sua genialidade e, particularmente, seu sofrimento ante à incompreensão que cercou seus inventos estão narrados num livro do teatrólogo Ernani Fornari:

"O Incrível Padre Landell de Moura".

Roberto Landell de Moura nasceu em Porto Alegre a 21 de janeiro de 1861. Estudou no Colégio dos Jesuítas. Sempre gostou tanto da Ciência quanto da Religião. Ordenou-se sacerdote em 1886, na capital do Rio Grande do Sul, depois de ter estudado por alguns anos na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde aprendeu Física e desenvolveu seus primeiros estudos sobre a "Unidade das forças físicas e a harmonia do Universo". Transferido de Porto Alegre para São Paulo em 1892, o padre Landell de Moura foi pároco em Campinas e em Mogi das Cruzes.

Na capital paulista, fez suas experiências extraordinárias, conseguindo, em 1893, transmitir sinais e sons musicais a uma distância de oito quilômetros, entre a Avenida Paulista e o Alto de Santana, num sistema de telefonia sem fios. E, na realidade, como provam seus desenhos e esquemas, foi ele o verdadeiro inventor da válvula de três pólos, ou tríodo, com a qual era possível modular uma corrente elétrica e transmiti-la, sem fios, a longas distâncias.

O mais triste em toda a história de Landell de Moura é que a incompreensão de seus contemporâneos, em lugar da glória, lhe trouxe o ridículo e a perseguição.

Chamavam-no "lunático, louco, bruxo e diabólico". Nem os seus superiores religiosos foram capazes de apoiá-lo e chegaram a proibi-lo de continuar com suas "estranhas manias de inventar aparelhos elétricos e de tentar transmitir a voz a distância".

Os professores Nilo Ruschel e Homero Simon, do Departamento de Engenharia da PUC, referiram-se às descobertas do padre Landell de Moura de forma incisiva e entusiástica: "É impressionante como esse homem vivia adiante de sua época. Há afirmações em suas patentes relacionadas com o moderno sistema de microondas. É uma combinação exata da rede de telefonia - que já era bem desenvolvida no final do século passado - com as ondas hertzianas, o que é completamente original".

Algumas obras especializadas estrangeiras, embora sem citá-lo nominalmente, falam da importância dos trabalhos de um padre brasileiro, "precursor de Marconi na TSF" (telefonia sem fio) e na descoberta da válvula de três pólos (patenteada por Lee De Forest em 1906, nos Estados Unidos). Na realidade, há poucos documentos sobre os trabalhos científicos do padre Landell de Moura. Mas esses papéis, reunidos no livro de Ernani Fornari, são largamente suficientes para comprovar que suas idéias chegaram a ser efetivamente mais avançadas do que as de qualquer outro inventor ou cientista de sua época.

Landell de Moura, fugindo à incompreensão, viajou para os Estados Unidos em 1901, onde passou a enfrentar numerosas outras dificuldades (inclusive econômicas). No entanto, arquivou no Serviço de Patentes dos Estados Unidos (U.S. Patent Office) três inventos originais para "um transmissor de ondas", um tipo especial de "telégrafo sem fios" e outro de um modelo pioneiro de "telefone sem fios" - os quais ganharam as patentes de números 771.917, 775.337 e 775.846. Voltando ao Brasil, não encontrou apoio entre seus conterrâneos. Tentou fazer a demonstração de seus equipamentos em navios da Marinha de Guerra, no Rio de Janeiro, mas não foi levado a sério.

Conta-se que, quando um auxiliar do Presidente Rodrigues Alves lhe perguntou a que distância queria que os navios ficassem da costa, para a realização das experiências, o padre lhe respondeu: "A quantas milhas quiser, pois meus aparelhos podem funcionar a qualquer distância e poderão servir, no futuro, para comunicações interplanetárias".

O pedido foi arquivado, sob a alegação de que a "Marinha tinha coisas mais importantes a fazer" do que se submeter a experiências de padres malucos.

Era muita ciência para a época.

Fonte: www.fundacaotelefonica.org.br

Roberto Landelll de Moura

Roberto Landell de Moura

Religioso e inventor brasileiro nascido em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, considerado o patrono brasileiro das telecomunicações e do radioamadorismo do Brasil e um dos mais injustiçados inventores da história científica brasileira. Filho de Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos de tradicionais famílias rio-grandenses, sendo o pai descendente de portugueses e a mãe de escoceses.

Foi educado na Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha e, a seguir, entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes.

Com 11 anos (1872) entrou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, onde concluiu o curso de Humanidades e seguiu para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Destinado a seguir a carreira eclesiástica, em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma para estudar direito canônico e matriculou-se (1878) no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia e ordenado sacerdote (1886).

Ele também aproveitou seu período de estudos em Roma para estudar física e aprofundar-se nas pesquisas sobre a possibilidade de enviar e receber sons e sinais pelo ar, a grandes distâncias e sem a ajuda de fios. Voltou ao Brasil (1886) e foi nomeado capelão da Igreja do Bonfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre (1887). Foi vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana (1891) e no ano seguinte foi transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário e serviu em uma série de cidades do interior paulista. Paralelamente, como autodidata, continuava pesquisando e logo desenvolveu um aparelho formado por uma válvula e três eletrodos. Começou a executar estudos e experiências em Mogi das Cruzes (1892) e em Campinas (1893).

Em seu primeiro teste na capital do Estado (1894) quando transmitiu um sinal da Avenida Paulista que foi captado no Colégio Santana, a 8 quilômetros de distância, onde era capelão. O padre brasileiro transmitia, assim, pioneiramente, voz que até então só era possível por telegrafia e sua experiência é tida como o marco inicial da radiotransmissão. Efetuou uma demonstração pública de seu invento (1900) através de ondas eletromagnéticas moduladas, testemunhada por um repórter do Jornal do Comércio e um representante do governo britânico. Já existiam na época o telégrafo, inventado por Samuel Morse (1807), o telefone de Graham Bell (1876) e a radiotelegrafia do italiano Guglielmo Marconi (1895), mas todos utilizando fios. Censurado pela Igreja e considerado louco por seus contemporâneos, foi acusado de pacto com o demônio. Foi acusado de bruxaria, por falar e ouvir vozes do além, e seu laboratório foi destruído por moradores de Campinas, incentivados pela desconfiança da diocese paulista. Com muita luta, obteve uma patente brasileira (1901) e foi para os Estados Unidos tentar uma patente internacional.

Depois de três anos morando nos EUA, obteve (1904) três cartas patente: Transmissor de ondas, Telefone sem fio e Telégrafo sem fio. Enquanto seu rival italiano ficava famoso, ele era perseguido no Brasil, sendo inclusive negado-lhe o apoio oficial. Para fazer uma demonstração pública de seu aparelho foi pedir ajuda oficial a presidência da República. Foi recebido (1905) por um assessor do presidente Rodrigues Alves, que o considerou um maluco e, assim, cassou a grande chance de mudar sua sorte e a da tecnologia de ponta do país. Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre, foi elevado pelo Vaticano a Monsenhor (1927) e nomeado Arcediago (1928), morreu seis meses depois, aos 67 anos, atacado pela tuberculose, em um modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e poucos amigos fiéis.

Enquanto o padre brasileiro não teve o devido reconhecimento por seus compatriotas, pela imprensa e autoridades brasileiras da época, Marconi contou com a ajuda do governo italiano para divulgar seu intento e levou o crédito da invenção porque contou com aquele fundamental apoio e sua experiência ficou tida como o marco inicial da radiotransmissão: a radiotelegrafia de Guillermo Marconi (1895).

O Exército Brasileiro, em homenagem ao cientista gaúcho, concedeu a denominação histórica de Centro de Telemática Landell de Moura ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre (2005).

Fonte: www.dec.ufcg.edu.br

 

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