Na França o Rococó mostrou seu rosto mais característico, num tratamento leve, galante e sensual das suas temáticas privilegiadas, a pastoral, seguida das cenas alegóricas e dos retratos. Suas figuras se apresentam ricamente vestidas, colocadas contra panos de fundo campestres, jardins ou parques, um modelo tipificado na Fête galante (festa elegante), ilustrada tão bem na obra de Watteau, onde os aristocratas passam seu tempo em entretenimentos sofisticados numa atmosfera sonhadora e não desprovida de conotações eróticas, reminiscente do mundo idílico suposto existir na Antiguidade clássica. A pintura rococó é antes de tudo intimista, não se destina ao grande público, mas ao consumo da nobreza ilustrada e ociosa e da burguesia mais abastada, e tinha um caráter eminentemente decorativo, retirando muita inspiração da literatura clássica. A técnica é ágil e tende ao virtuosismo, com pinceladas livres que de certa forma prefiguram o Impressionismo e uma paleta de cores rica, mas com predomínio de tons claros, buscando efeitos sutis e evocativos de atmosfera.
O decorativismo da pintura rococó extrai sua substância da rica ornamentação comum em muitas obras, da profusão de detalhes representados com minúcia, do cromatismo sofisticado, da riqueza dos figurinos e cenários, a ponto de se tornar um valor por si mesmo, em composições que chegam a perder seu foco narrativo em meio à volúpia da pura plasticidade, do apelo sensorial imediato.
Falando de uma importante obra de Watteau, Peregrinação à ilha de Cythera, considerada um paradigma da estética do prazer típica do Rococó, sendo a ilha o local de nascimento de Vênus, Norman Bryson diz que o estilo do pintor fornece um conteúdo narrativo em quantidade suficiente apenas para sugerir determinada leitura da obra, mas não para esgotá-la, estabelecendo um "vácuo semântico" que inicia uma prática de dissociação entre texto de referência e a pintura que o ilustra que prefigura a modernidade, minimizando a dependência da fonte literária para a criação artística em outros campos, e, segundo Catherine Cusset, substituindo o conteúdo psicológico ou metafísico por uma "pletora de idéias".
Nessa estética do prazer a sensualidade tinha especial apelo, mas não como componente narrativo de erotismo puro; antes, fornecia um pretexto para os artistas explorarem os limites da representação, almejando uma tangibilidade que suscitasse uma resposta sensorial global mais imediata e intensa, o que era um dos parâmetros para a qualificação de uma obra de arte naquele tempo, e se inscrevendo numa concepção de vida mais ampla onde o despreocupado prazer de viver era a tônica. Mais sugerindo que explicitando, mais convidando à fantasia complementar do público do que apresentando-o por inteiro, o que seria considerado ofensivo, o erotismo na pintura rococó é mais penetrante e eficiente do que em composições onde o significado fica exaurido desde o início pela obviedade das referências diretas.
Mesmo com essa aura dominante mais de sugestão e insinuação, exemplos de erotismo mais cru são também encontrados, em especial na obra de François Boucher, um dos grandes mestres do Rococó, que segundo Arnold Hauser fez fama e fortuna "pintando seios e nádegas" e assim se aproximava de um universo mais popular, embora fosse igualmente capaz de se manter em outros momentos dentro dos limites do pudor público e criar peças de grande dignidade e encanto delicado.
A outra grande figura francesa é Jean-Honoré Fragonard, aluno de Boucher e exímio colorista, que continuou a tradição de alegorias poéticas e sensuais de seus antecessores, mas também foi apreciado pelos seus contemporâneos pela enorme versatilidade que mostrava, adaptando-se às necessidades de uma grande variedade de temas e gêneros, acumulando enorme fortuna com a venda de suas obras mas enfrentando a pobreza depois da Revolução.
Na reabilitação do Rococó no século XIX foi chamado de "o Cherubino da pintura erótica", e elogiado em altos termos por sua capacidade de criar efeitos de suspensão emocional e tensão sensual sem cair no indecoroso.
Por fim, merecem atenção diversos outros nomes no Rococó francês: Jean-Marc Nattier, os três Van Loo (Jean-Baptiste, Louis-Michel e Charles-André), Maurice-Quentin de la Tour, Jean-Baptiste Perronneau, François Lemoyne, Elisabeth Vigée-Le Brun, Jean-Baptiste Pater, Alexander Roslin e Nicolas Lancret entre muitos mais.
O sistema social inglês diferia em vários pontos do modelo continental. A aristocracia formada pelos nobres e os ricos comerciantes também ali dominava o poder, mas se esforçava por implantar um sistema plenamente capitalista que solicitava - e obtinha - o concurso da burguesia, sabedores de que seus objetivos eram comuns e se identificavam com os do Estado, para benefício próprio e da nação. Não existia uma aura mítica em torno do nascimento nobre, a estratificação social era mais elástica, associando frequentemente plebeus à nobreza através de casamentos, e seus estratos inferiores mostravam um grupo bastante homogêneo que na prática pouco se distinguia da classe média.
Outro traço distintivo era que na Inglaterra eram os nobres quem pagavam a maior parte dos impostos, mas na França eram isentos de todas as taxas. Além disso na Inglaterra vinha se formando considerável público leitor entre a plebe, bem mais informado sobre fatos gerais, política e mesmo arte do que em outras regiões, através da crescente divulgação de livros e da circulação de vários periódicos populares. Esses fatores propiciaram à sociedade inglesa uma liberdade de expressão desconhecida em outros países da Europa, e tornaram o país a liderança mundial no século seguinte.

Thomas Gainsborough: O casal Andrews, 1749

Thomas Lawrence: Elizabeth Farren, c. 1791
O Rococó inglês foi um produto importado da França, e desde sua introdução se tornou uma moda, mas a recepção do estilo na Inglaterra não ficou isenta de contradições, uma vez que historicamente as relações entre os dois países foram marcadas pelo conflito. As elites, porém, aproveitando um período de paz, souberam separar questões políticas e as da estética, visitando a França como turistas, incentivando a migração de artífices franceses e importando grande quantidade de objetos decorativos e peças de arte rococó, enquanto o restante da população tendia a encarar tudo que era francês com desdém.
Sobre esta base popular aparecem escritores satíricos como Jonathan Swift, e artistas como William Hogarth, com séries de telas e gravuras de forte crítica social como A carreira do libertino e Casamento à la moda, expondo cruamente em uma pintura robusta e francamente narrativa os vícios da elite francófila. Em termos temáticos ele foi um caso isolado, e a reação aos seus trabalhos pela elite foi, previsivelmente, negativa, mas como um sintoma dos tempos, formalmente seu estilo pessoal deve muito à França.
O mercado de arte estava completamente curvado à moda estrangeira, e os artistas locais tiveram de aceitar a situação, adotando amplamente os princípios do Rococó francês. Os gêneros mais populares na Inglaterra foram o retrato e as "pinturas de conversação", cenas onde se mostram grupos de amigos ou familiares engajados em conversas, uma tipologia que aliava o retratismo com o paisagismo, introduzida pelo imigrante Philip Mercier e possivelmente inspirada nas Fêtes galantes de Watteau. O gênero foi cultivado também por Francis Hayman, Arthur Devis e Thomas Gainsborough, talvez o mais típico e brilhante pintor do Rococó inglês.
Gainsborough praticou também o puro paisagismo, onde desenvolveu um estilo de simplificação do cenário, de descrição inespecífica e teatralizada, e de alteração de suas cores básicas e do senso de perspectiva, artificialismos típicos do Rococó, além de ter deixado paralelamente obra importante no campo do retrato.
Cite-se ainda o alemão imigrado Johann Zoffany, dono de um estilo original, criando cenários complexos de interiores abarrotados de obras de arte e retratos de grupo, e Thomas Lawrence, representante tardio do Rococó e retratista celebrado, cuja carreira se estende até o Romantismo, mas que no início deixou obras de extraordinário encanto e graça jovial.
Embora muito do Rococó germânico deva diretamente à França, sua principal fonte é o desenvolvimento do Barroco italiano, e nesses países a distinção entre Rococó e Barroco é mais difícil e subjetiva.
Na Itália, pátria do Barroco, este estilo continuava atendendo às necessidades da sensibilidade local, e o modelo do Rococó francês não foi seguido em sua essência, mas alterou seu escopo temático e suas ênfases significantes, se expressando principalmente na decoração monumental. No campo da pintura a maior floração rococó aconteceu em Veneza, em torno da figura dominante de Giovanni Battista Tiepolo, célebre muralista que deixou obras importantes também ao norte dos Alpes e na Espanha.
Seu estilo pessoal era uma continuação do Barroco nativo, mas adotou uma paleta de cores leve e luminosa, e construiu formas vivazes, ágeis e cheias de graça e movimento, que o inserem perfeitamente na órbita do Rococó, apesar de seu tom ser sempre elevado, quando não apoteótico, e sua temática sempre ou sagrada ou glorificatória.
Outros nomes italianos dignos de lembrança são Sebastiano Ricci, Francesco Guardi, Francesco Zugno, Giovanni Antonio Pellegrini, Giovanni Domenico Tiepolo, Michele Rocca e Pietro Longhi, com uma temática variada que ia da cena doméstica à paisagem urbana, passando pelas alegorias mitológicas e obras sacras.

Giovanni Battista Tiepolo: Alegoria dos Planetas e dos Continentes,
1752
Uma das principais figuras germânicas é Franz Anton Maulbertsch, ativo em uma vasta região da Europa central e oriental decorando inúmeras igrejas, considerado um dos grandes mestres do afresco do século XVIII. Talento original, de técnica brilhante e grande colorista, rompeu os cânones acadêmicos e desenvolveu um estilo fortemente personalista de difícil categorização, às vezes comparado a Tiepolo pela elevada qualidade de sua obra.
Mais para o fim do século se desenvolveu na Alemanha uma repulsa pelo alegado excesso de artificialismo do modelo rococó francês, da mesma forma que se verificou em alguns setores do mundo artístico da Inglaterra - e mesmo da própria França -, e os nacionalistas alemães recomendavam a adoção dos modos sóbrios, naturais e industriosos ingleses como um antídoto contra as "afetações teatrais" e a "suavidade das falsas graças" francesas.
Também devem ser incluídos como mestres importantes do Rococó germânico monumental Johann Baptist Zimmermann, Antoine Pesne, Joseph Ignaz Appiani, Franz Anton Zeiller, Paul Troger, Franz Joseph Spiegler, Johann Georg Bergmüller, Carlo Carlone, entre muitos outros, que deixaram uma marca em tantas igrejas e palácios.

Franz Anton Maulbertsch: Cristo e Deus Pai, 1758

Paul Troger: Apoteose de Carlos VI, 1739