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Rotíferos

 

Posição Sistemática

Reino: Animalia
Sub reino: Metazoa

Filo Rotifera

Classe Seisonidea
Ordem Seisonida
Classe Bdelloidea
Ordem Bdelloida
Classe Monogononta
Ordem Collothecacea
Ordem Flosculariacea
Ordem Ploimida

Número de espécies

No mundo: cerca de 2.000
No Brasil: não disponível
Grego: rota = roda; ferre = portar
Nome vernáculo: rotífero

Os Rotifera, com aproximadamente 2.000 espécies descritas, constituem um grupo eminentemente límnico, com cerca de 50 espécies marinhas apenas. São capazes de suportar condições ambientais extremas, tendo sido observados sobre neve e em águas termais (Schaden, 1985). Além disso, muitas espécies de água doce se aventuram em ambientes salinos e salobros (Schaden, 1985; Sterrer, 1986; Margulis & Schwartz, 1988).

A origem do filo pode ser datada do Eoceno, a partir de cistos fossilizados. Evolutivamente, alguns autores consideram os Rotifera como um grupo próximo aos Acanthocephala (Lee-Wallace et al., 1996).

O filo é dividido em três classes: Bdelloidea, Monogononta e Seisonidea. Esta última, com animais exclusivamente marinhos, possui somente uma família, Seisonidae; um gênero, Seison; e duas espécies (Nogrady, 1982; Nogrady et al., 1993).

A ordem Bdelloida, de sistemática confusa e difícil identificação, compreende quatro famílias, 18 gêneros e cerca de 360 espécies. A ampla classe Monogononta apresenta 24 famílias, 95 gêneros e cerca de 1.600 espécies, abrangendo formas livre-natantes, bentônicas, sésseis e algumas parasitas.

O filo é constituído por alguns dos menores animais que se conhece, medindo entre 0,04 e 2mm de comprimento, pouco maiores do que os protozoários ciliados.

Quando adultos, são formados por um número fixo de células, entre 900 e 1.000, ou de núcleos, uma vez que muitos tecidos são sinciciais.

São pseudocelomados, não segmentados, e bilateralmente simétricos.

O corpo pode ser dividido em três regiões: cabeça, tronco e pé.

O nome do filo é derivado da corona, uma coroa ciliada, que atua na locomoção e na alimentação. O movimento dos cílios conferem à corona a aparência de uma roda girando rapidamente. A superfície externa do corpo é recoberta por uma cutícula que forma uma lórica em forma de taça, cuja extremidade aberta contém a boca e a corona. Na região posterior há um pé, com dois dedos terminais, utilizados para fixação. Estas estruturas podem estar ausentes ou reduzidas nas formas planctônicas.

Os Rotífera podem ser filtradores, parasitas ou predadores de protozoários e de organismos da meiofauna. O sistema digestivo é completo e o orifício retal localiza-se na região posterior do corpo. Em geral o corpo é transparente, mas, de acordo com o material contido no tubo digestivo, pode apresentar cor verde, alaranjada, vermelha ou marrom.

A maioria das espécies marinhas é de vida livre, e pode ser pelágica, meiobentônica, ou viver entre algas. Algumas espécies são epizóicas, como Seison, encontrado exclusivamente nas brânquias de Nebalia (Crustacea, Leptostraca); sobre as quais se arrasta, alimentando-se tanto dos ovos do hospedeiro como do alimento que retira da água. Zelinkiella vive sobre holotúrias, enquanto outras espécies podem ser encontradas sobre poliquetos e nos pés ambulacrais de alguns ofiuróides (Zelinka, 1888; Thane-Fenchel, 1968; Sterrer, 1986). Rotíferos parasitas podem infestar oligoquetos e hidróides (Sterrer, 1986).

Em São Sebastião (SP), Hadel (1997) observou a presença de grande quantidade de rotíferos da Ordem Bdelloida aderidos à holotúria Chiridota rotifera.

A presença dos rotíferos verificou-se não só em holotúrias coletadas no ambiente, mas também naquelas mantidas em laboratório. Mesmo os jovens recém liberados apresentavam os rotíferos, o que levou a autora a suspeitar que sejam infestados na cavidade celomática dos adultos, onde são incubados. Não foram constatados prejuízos no crescimento e reprodução das holotúrias infestadas, sugerindo ser esta associação do tipo comensal. O confronto com a literatura descartou a possibilidade de tratar-se de Zelinkiella, mas não foi possível, até o momento, estabelecer a identidade do rotífero.

As formas pelágicas nadam continuamente, e, em geral, apresentam o corpo globoso. A parede do corpo é mais fina e flexível, o volume do pseudoceloma é maior e podem apresentar gotículas de óleo e espinhos longos para auxiliar na flutuação.

Os representantes da classe Seisonidea são grandes, com 2 a 3mm de comprimento, possuem a corona reduzida e mástax proeminente. Em geral, os machos são menores que as fêmeas e a cópula se dá por impregnação hipodérmica. Poucos ovos são produzidos e, em algumas espécies, ocorre incubação da ninhada. O desenvolvimento é direto e os jovens se parecem com a forma adulta. Os machos são sexualmente maduros ao nascer. O tempo de vida médio destes animais é de apenas algumas semanas (Sterrer, 1986).

Algumas espécies, como Brachionus plicatilis e B. rotundiformis, produzem ovos de resistência (Munuswamy et al., 1996).

Os rotíferos são conhecidos desde o século XVII, através das descrições de Leeuwenhoek (1687) e Harris (1696). Foram intensamente pesquisados na Europa desde as primeiras décadas do século XVIII (Nogrady et al., 1993). Contudo, no Brasil, o estudo deste grupo só tem início ao final do século XIX. Os primeiros trabalhos, da fase que antecedeu e preparou a institucionalização da ciência brasileira foram efetuados por pesquisadores estrangeiros que aqui estiveram ou que analisaram material proveniente de expedições científicas. Zelinka (1891, 1907), Murray (1913) e Spandl (1926) são as publicações mais antigas assinaladas por Neumann-Leitão (1986). Os estudos de Ahlstrom (1938, 1940), realizados em açudes da Paraíba, Pernambuco e Ceará, embora conduzidos na Universidade da Califórnia e em Los Angeles, já resultam de interesses brasileiros.

Ao final da década de 50, tem início o estudo nas instituições brasileiras. As pesquisas concentram-se, ainda hoje, nos ambientes límnicos, exceção feita para Pernambuco, onde os estuários são mais conhecidos.

O conhecimento dos rotíferos do Brasil permanece, em grande parte, dependente de pesquisadores estrangeiros. Estes geralmente se restringem às espécies límnicas das regiões que despertam maior interesse, como o Nordeste e, atualmente, a Amazônia.

Entre os estudos recentes, salientamos os trabalhos de Paranaguá & Neumann-Leitão (1980, 1981, 1982), Neumann-Leitão (1985/86a, b, 1986, 1990), Neumann-Leitão et al. (1992a, b, 1994/95), Odebrecht (1988); Lopes (1994), Arcifa et al. (1994) e Eskinazi-Sant'Anna & Tundisi (1996), realizados em ambientes estuarinos e em lagoas costeiras salinas.

No estado de São Paulo, Schaden (1970) realizou o primeiro levantamento devotado exclusivamente aos rotíferos límnicos paulistas. Seguiram-se diversos outros estudos, também, em águas interiores. Lopes (1994) estudou o zooplâncton de águas estuarinas no sul do estado, incluindo os rotíferos, identificados, em parte, até gênero ou espécie.

Os rotíferos são ainda tratados, como grupo, em outros estudos gerais do plâncton marinho ou estuarino. São geralmente subestimados, já que a abertura das malhas das redes mais utilizadas para amostrar o zooplâncton não retém o microzooplâncton. Ademais, muitos rotíferos têm, por causa das suas características reprodutivas, descontinuidades temporais e espaciais marcadas, necessitando-se, para seu estudo preciso, de amostragens freqüentes. Com relação às formas bentônicas costeiras, são esporadicamente mencionadas em estudos de meiofauna.

Os rotíferos podem ser comuns em muitas comunidades costeiras, contribuindo, em determinadas circunstâncias, com parcela substancial da biomassa (Johansson, 1983; Arcifa et al., 1994). Com altas taxas reprodutivas, podem povoar rapidamente nichos vagos.

O plâncton marinho apresenta poucas espécies de rotíferos, geralmente dominando aquelas do gênero Synchaeta e, algumas vezes, Brachionus plicatilis. Em ambientes estuarinos, a diversidade pode ser alta. Neumann-Leitão et al. (1992b) registram 37 espécies, 9 subespécies e duas formas numa região estuarina lagunar de Pernambuco.

Os rotíferos psâmicos, pouco estudados, ocorrem geralmente nas areias cujos diâmetros de grão possibilitem o hábito intersticial, sendo que a distribuição vertical no sedimento associa-se à boa oxigenação (Tzschaschel, 1983; Turner, 1988).

É difícil delinear um padrão geral da distribuição dos rotíferos. Amplas áreas do globo não foram investigadas, pois os estudos concentram-se sobretudo na Europa. Há deficiências na descrição e identificação de muitas espécies e diversos morfótipos foram descritos como espécies. Para o Brasil, os estudos biogeográficos, baseados sobretudo na distribuição da rotiferofauna límnica, indicam o predomínio de espécies cosmopolitas. Não faltam, contudo, exemplos de endemismo (Koste & José de Paggi, 1982; Dumont, 1983; José de Paggi & Koste, 1995).

A única área estuarina relativamente bem conhecida, em Pernambuco, apresenta, além de espécies de distribuição aparentemente mais limitada, espécies que são cosmopolitas. Muitas das espécies assinaladas nesta área também ocorrem em águas interiores de várias localidades do Brasil. Nada se pode dizer da distribuição de rotíferos na costa do estado de São Paulo.

Os rotíferos desempenham importante papel na regeneração de nutrientes e na transferência de energia nas teias alimentares. Com dieta ampla, afetam potencialmente o crescimento das populações de bactérias e fungos envolvidos na remineralização de nutrientes. Convertem a produção primária (algas e bactérias) numa forma utilizável por outros níveis tróficos. Protozoários, cnidários, os próprios rotíferos, crustáceos, insetos e larvas de peixes, podem incluir, às vezes intensamente, rotíferos na dieta (Hernroth, 1983; Williamson, 1983; Heinbokel et al., 1988; Egloff, 1988; Turner & Tester,1992). Espécies eurióicas, como Brachionus plicatilis, são muito usadas para alimentar larvas de peixes e camarões em cultivos marinhos (Simão, 1982; Lubzens, 1987).

Os rotíferos têm sido amplamente utilizados como indicadores de poluição e das condições ambientais. As diversas abordagens propostas para este fim consideram desde as alterações na estrutura das suas comunidades e populações, até o uso de bioensaios e a verificação, em organismos expostos a poluentes, de síntese de enzimas vinculadas a processos fisiológicos de desintoxicação (Sládecek, 1983; Halbach, 1984; Nogrady et al., 1993; DelValls et al., 1996).

A partenogênese mitótica, levando à produção de clones naturais, é uma característica que faz dos rotíferos modelos experimentais em vários campos, fundamentais ou aplicados: neurobiologia, farmacologia, gerontologia, comportamento, zoologia geral, fisiologia sensorial, citologia, evolução (Clément & Wurdak, 1991).

Fonte: www.biomania.com

Rotíferos

Os rotíferos são invertebrados microscópicos com grande representatividade e importância, principalmente, nas águas continentais, decorrentes de seu grande oportunismo e adaptabilidade a vários locais e condições da água.

Por apresentarem taxas reprodutivas muito rápidas, são fundamentais na conversão da produção primária em biomassa para consumidores maiores (larvas de insetos e peixes jovens) e, não raramente, constituem fonte única de alimento para alevinos de peixes em estádios iniciais.

Possuem, como característica geral, uma região anterior ciliada (corona) muito variada entre as espécies e usada para locomoção e/ou alimentação, além da ocorrência de faringe muscular ("mástax") com complexo conjunto de peças duras que atuam como mandíbula ("trophi").

A maioria das espécies é livre natante e solitária, porém, podem viver associadas às plantas aquáticas ou no sedimento e de modo colonial. A reprodução destes organismos é, principalmente, partenogenética, única conhecida entre os Digononta, podendo, no entanto, ocorrer produção de machos muito pequenos e de vida breve entre os Monogononta.

O estado de São Paulo possui 236 espécies de rotíferos das 457 encontradas no Brasil (aproximadamente metade).

O conhecimento atual dos rotíferos necessita, porém, de intensa revisão na identificação de algumas espécies descritas, assim como expansão das áreas de coletas.

A maioria dos trabalhos considera, em geral, pontos de amostragem na região limnética dos lagos e reservatórios (de onde estão descritas a maior parte das espécies, ou mais comumente, os gêneros de rotíferos), negligenciando importantes microhábitats presentes em regiões litorâneas, em meio às macrófitas, locais rasos e outros (além dos rios que foram insatisfatoriamente amostrados).

Nestes locais, estão normalmente as espécies cujo estudo taxonômico é dificultado e, portanto, pouco conhecidas nas regiões tropicais e subtropicais. O grupo dos Bdelloidea, por exemplo, comum nestas regiões, que compreende 18 gêneros e cerca de 360 espécies conhecidas, necessita de ampla revisão, uma vez que a fixação destes organismos dificulta sua identificação.

O que é Brachionus rotíferos?

Cerca de 2.500 espécies de rotíferos foram conhecidos a partir de água doce global, água salobra e água do mar.

Brachionus é um dos gêneros mais comuns entre as conhecidas 2.500 espécies de rotíferos. O gênero é espécies de zooplâncton importantes como fonte de alimento vivo primário para o início da vida de espécies animais marinhos e de água doce.

O corpo do Brachionus é coberto por uma cutícula distinta, simetria bilateral e dimorfismo sexual.

O corpo é composta por quatro regiões: cabeça com corona, pescoço, corpo e pé.

O pé é um apêndice que se estende desde o corpo ventral. Possui dois dedos do pé.

Rotíferos
Brachionus calyciflorus

Rotíferos
Brachionus calyciflorus

Brachionus calyciflorus: é uma espécies de rotíferos planctônicos que ocorrem em água doce. É comumente usado como um organismo modelo e se reproduz usando partenogênese.

Fonte: www.biota.org.br

Rotíferos

Os Rotifera eram antigamente incluídos como uma classe no filo Asquelminthes, atualmente o mais aceito é que esse filo se desmembrou, sendo assim, Rotifera, um filo a parte.

Os organismos deste filo são muito diversificados em sua forma e estruturas. A maioria é livre natante, mas também há formas sésseis e alguns parasitas. Assim, os rotíferos habitam os mais variados corpos de água, sendo a maioria de água doce.

Na parte anterior do corpo está localizada a coroa ciliada (corona) que atua na alimentação e natação, é ela a principal característica dos rotíferos que os distingue dos outros metazoários e é também essa estrutura, a responsável pelo nome do grupo, pois o movimento dos seus cílios parece com uma roda rodando rapidamente.

Os rotíferos são conhecidos como os menores metazoários, tendo de 40 a 2000 µm. Podem se alimentar de algas, detritos, bactérias, podendo assim ser filtradores, e também predadores (de protozoários entre outros organismos), ou até parasitas.

Possuem grande sucesso ecológico graças às suas adaptações reprodutivas. Assim, como ocorre com os protozoários, eles possuem grande vantagem em relação aos outros grupos do zooplâncton por terem um curto tempo de geração e sua reprodução ser principalmente partenogenética, sendo assim organismos oportunistas.

Assim, os machos em Rotifera ou são ausentes ou podem ser produzidos nos organismos da classe Monogononta quando as condições são desfavoráveis. Estes são menores que as fêmeas e de vida curta, são sexualmente maduros desde o nascimento, não possuindo um período de crescimento e desenvolvimento.

Quando ocorre a reprodução sexuada são formados cistos ou ovos de resistência que se desenvolverão quando as condições do ambiente se tornarem favoráveis.

Os rotíferos possuem grande importância na cadeia trófica como condutores do fluxo de energia, sendo muito importantes na produtividade secundária e ciclagem de nutrientes. Muitas espécies, por sua função detritívora, ajudam na depuração de ambientes com poluição orgânica. São assim também utilizados como indicadores de qualidade da água. Outra utilização destes organismos ocorre na piscicultura, onde são alimento preferencial para filhotes de muitas espécies de peixes.

Rotíferos
Keratella cochlearis

Rotíferos
Brachionus calyciflorus

Fonte: ecologia.ib.usp.br

Rotíferos

Rotíferos são animais microscópicos aquáticos.

O seu nome faz referência à coroa de cílios que rodeia a boca destes animais.

Possuemn uma epiderme ciliada.

Móvem-se rapidamente para captar as partículas de alimento, o que lembra uma roda girando. Atualmente conhecem-se cerca de 2000 espécies de rotíferos de vida livre, vivendo em sua maioria na água doce, incluindo poças de chuva, solo húmido como tembém em musgos e líquenes de troncos e pedras. Até mesmo sobre fungos, larvas aquáticas de insetos crustáceos. Algumas espécies nadam livremente, mas outras são sésseis, agarrando-se a qualquer substrato.

Os membros da classe Bdelloidea, ocasionalmente, encontram-se em água salobra ou marinha. São capazes de sobreviver à dessicação, um processo chamado criptobiose (ou anidrobiose), assim como os seus ovos. Os embriões mais velhos têm mais chance de vingar.

Apesar do seu pequeno tamanho – a maioria dos rotíferos mede entre 200 e 500 micra – estes organismos possuem órgãos especializados e um tubo digestivo completo. O corpo é segmentado externamente, mas não internamente, é dividido em quatro regiões – cabeça, pescoço, tronco e pé e é muito flexível.Têm o corpo coberto por uma cutícula transparente, que sugere que estes animais tenham parentesco com os anelídeos e com os artrópodes. A maioria das espécies possui na cabeça uma coroa de cílios que se movem rápida e sincronicamente, o que produz um vórtex de água com partículas de alimentos na direção da boca.

As partículas são depois mastigadas por um aparelho maxilar específico deste grupo de animais, que recebe o nome de trophi (ou mastax), localizado na faringe.

As cavidades cdorporais são cobertas parcialmente pela mesoderme. É onde se encontram os órgãos reprodutivos. O pé termina com uma glândula adesiva que possibilita a fixação do animal ao substrato.

Os rotíferos são omnívoros ocorrendo casos de espécies são canibais. A dieta consiste principalmente de algas unicelulares e outros fitoplanctontes, bem como matéria em decomposição.

Foram observados vários tipos de reprodução nos rotíferos. Algumas espécies são conhecidas apenas fêmeas que se reproduzem pelo processo da partenogénese. Certas especies produzem dois tipos de “ovos” que se desenvolvem por partenogénese. um dos ovos desenvolve-se em fêmea e o outro forma um macho degenerado que não conseguem sequer alimentar-se mas que conseguem atingir a maturidade sexual, podendo fertilizar ovos.

Com base em certas similaridades morfológicas, os rotíferos e os acantocéfalos (os vermes parasitas que constituem o filo Acanthocephala) foram durante muito tempo considerados como parentes e estudos recentes das sequências do gene rRNA 18S corroboraram este parentesco. Estes dois grupos foram durante algum tempo classificados como pseudocelomados, juntamente com uma série de outros vermes, mas as últimas análises filogenéticas puseram em causa esta hipótese dos Pseudocoelomata serem um grupo natural. De fato, muitos animais pseudocelomados, como os priapulídeos e os nemátodes, parecem ter relações muito mais próximas dos artrópodes num grupo chamado Ecdysozoa, enquanto que outros animais com um pseudoceloma, como os rotíferos e os acantocéfalos, parecem estar mais próximos dos moluscos, anelídeos e braquiópodes, num grupo denominado Lophotrochozoa.

O filo Rotifera é dividido em três classes: Monogononta, Bdelloidea e Seisonidea, entre os quais o maior é o primeiro, com cerca de 1500 espécies, seguido pelos Bdelloidea, com cerca de 350 espécies.

Conhecem-se apenas duas espécies de Seisonidea, que são normalmente consideradas como mais "primitivas".

Rotíferos

Rotíferos

Rotíferos

Fonte: www.geocities.com

Rotíferos

Esses organismos formam uma taxocenose que apresenta grande diversidadede formas de vida, riqueza em espécies e desempenha grande importância ecológica para todo tipo de ecossistema aquático epicontinental.

A maioria de suas espécies possui o hábito planctônico. Elas são caracterizadas por uma ou duas coroas de cílios usados para locomoção e captura de alimento.

Em ambientes tropicais, as elevadas temperaturas impõem um breve cliclo de vida e um elevado metabolismo energético. Dessa forma, os rotíferos, nessas regiões, realizam todo o seu ciclo de vida em cerca de uma semana.

A maioria dos rotíferos são filtradores de partículas orgânicas (bactérias, seston, microalgas, etc).

No entanto, alguns rotíferos possuem o hábito raptorial (predadores) e são capazes de ingerir, com muita eficiência, pequenos organismos como protozoários, outros rotíferos e até mesmo larvas de microcurstáceos.

No entanto, as bactérias algas (presentes no picoplâncton e nanoplâncton, 0,2-2 microns e 2-20 microns respectivamente) são a principal forma de alimento.

Os rotíferos desempenham um papel fundamental nas cadeias alimentares pelágicas, liméticas e mesmo na interface sedimento-coluna de água e nas zonas litorâneas de rios, lagos e brejos.Eles formam parte doelo entre fitoplâncton e os consumidores secundários. Asua importância é muito grande principalmente pela eficiência com a qual eles conseguem explorar recursos alimentares que não estão disponíveis aos organismos de maior porte. Assim, os rotíferos podem ingerir e transferir matéria e energia a partir de bactérias e outras pequenas partículas presentes nos detritosem supensão (seston) ou no sedimentos que podem então ser prontamente utilizados por outros organismos planctônicos em níveis tróficos superiores.

Outra importante característica do grupo é asua grande capacidade de fornecer espécies indicadoras de diferentes tipos de condições de habitat. Dentre os rotíferos existem inúmeras espécies que são, por exemplo, indicadoras de condições eutróficas, hipertróficas ou distróficas. Existem espécies estenotérmicas,outras esteno hialianas e ainda outras que indicam claramente a prevalância de uma cadeia de sabpróbios.

A seguir, fornecemos as principais espéicies de rotíferos encontradas no reservatório da Pampulha no biênio 2010-2011:

Anuraeopsis colata

Rotíferos

Espécie plânctonica sendo geralmente encontrada em lagoas, canais e pântanos e, muito esporadicamente, em lagos.

Brachionus angularis

Rotíferos

Trata-se de uma espécie cosmopolita, planctônica, muitas vezes em lagos, lagoas, canais e águas salobras

Brachionus calyciflorus

Rotíferos

Essa espécie, dentre todos os rotíferos, talvez seja aquela mais abundante na represa. Esse é um organismo conhecido pela sua grande capacidade em suportar condições ambientais extremamente adversas, como a presença (excessiva) de algas (muitas vezes tóxicas para outros organismos) e deficiência de oxigênio (Kutikova, 2002).

Brachionus falcatus

Rotíferos

Essa espécie possui uma grande tolerância ao déficit de oxigênio, sendo muito comum em ambientes eutróficos (Kutikova, 2002).

Na represa da Pampulha é comumente encontrada, em profundidades onde existe défict em oxigênio.

Epiphanes sp.

Rotíferos

Esses rotíferos são semiplanctónicos sendo muito freqüentes em pequenos corpos de água.

Eles vivem preferencialmente em ambientes eutróficos.

Filinia opoliensis

Rotíferos

Esta espécie vive em estreitas faixas de temperatura (estenotérmica), geralmente em águas mais quente.

Ela prefere viver em camadas de água com alta concentração de bactérias, sendo, por isso mesmo, uma boa indicadora de eutrofização

Filinia longiseta

Rotíferos

Habitante típico de águas eutróficas.

Possui setas longas que atuam provavelmente como mecanismo de defesa contra predadores.

Keratella cochlearis

Rotíferos

Essa é uma das espécies mais cosmopolitas de rotíferos (Kutikova, 2002).

Mas que requer maiores estudos ecológicos nos trópicos. Esses organismossão geralmente muito abundantes viendo no plâncton de lagos, lagoas, reservatórios e mesmo no potamoplâncton.

Essa espécie é também resistente a altas concentrações de sal, como pode ser encontrado em águas salobras e salinas.

Keratella americana

Rotíferos

Esse é um rotífero dotado de carapaça ou lórica.

Essa espécie ocorre em abundâncias consideráveis no reservatório da Pampulha.

Ela possui um padrão de ocorrência muito similar ao de K. cochlearis.

Keratella tropica

Rotíferos

É uma espécie plânctonica que vive em lagos e lagoas.

Sua ecologia é pouco conhecida

Trichocerca SP

Rotíferos

É uma espécie plânctonica comumente encontrada em lagos e lagoas eutrofizadas, raramente abundante.

Algumas espécies preferem ambientes oligotróficos.

Conochilus unicornis

Rotíferos

Trata-se de um rotífero colonial envolto em matriz gelatinosa, euplanctônico, de ocorrência euritópica, muito comum em diversos tipos de lagos seja tropicais seja temperados. É uma colônia gelatinosa formada por centenas de indivíduos cuja integridade é raramente mantida durante a coleta e preservação das amostras.

Talvez a sua importância na ecologia dos reservatórios brasileiros seja sub-estimada devido a problemas metodológicos associados a grande preferência que os Limnólogos brasileiros dão a amostragem do zooplâncton com bombas motorizadas. Como toda a espécie gelatinosa, é desaconselhável o uso de bombas de sucção para a coleta bem como redes de grande capacidade de filtragem. As metodologias mais indicadas para o estudo desses organismos são o uso de garrafas amostradoras ou armadilhas. Fixar as amostas usando água gelada, carbonatada que permite uma rápida narcotização dos indivíduos.

Polyarthra vulgaris

Rotíferos

É uma espécie sem lórica. Espécie ocorre em lagos e reservatórios em todo o mundo.

Possui hábito raptorial e, geralmente, as suas abundâncias estão bem correlacionadas com a densidade de fitoflagelados e flagelados heterotróficos (de Paggi, 1995; Devetter & Sed’a, 2003; Keckeis et al., 2003).

Synchaeta sp.

Rotíferos

É um rotífero desprovido de lórica.

Trata-se de uma espécie rara no reservatório da Pampulha, ocorrendo em épocas muito definidas.

Ptygura libera

Rotíferos

Trata-se de uma espécie gelatinosa, bem adaptada à vida planctônica. Por ser muito delicada, requer cuidado na coleta e na preservação das amostras onde ela esteja presente. Geralmente desaconselha-se o uso de bombas coletoras e artefatos que causem grande pressão de filtragem já que podem facilmente causar a ruptura da gelatina que envolve o animal.

Esta espécie écomum em reservatórios podendo em alguns casos ser uma das espécies mais abundantes. Possui hábito raptorial sendo muito bem adaptada a conviver com algas filamentosas.

Fonte: ecologia.icb.ufmg.br

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