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Ruminantes

 

 

Ruminantes
Ruminantes

Os ruminantes são mamíferos herbívoros que possuem vários compartimentos gástricos, por isso também denominados de poligástricos, que ao contrário dos monogástricos que possuem um só compartimento gástrico, o estômago, os ruminantes possuem quatro, o rúmen, retículo, omaso e abomaso.

O termo ruminantes advém do fato de estes animais ruminarem, isto é, depois de ingerirem rapidamente o alimento, entre os períodos de alimentação eles tornam a regurgitar o alimento para a boca, onde é de novo mastigado (ruminado) e deglutido.

Os ruminantes são mamíferos que são capazes de adquirir os nutrientes dos alimentos à base de plantas através da fermentação em um estômago especializado antes da digestão, principalmente através de ações bacterianas.

O processo geralmente requer regurgitação de ingesta (todos os alimentos introduzidos e trabalhados no tubo digestivo) fermentado (conhecido como ruminação), e mastigá-lo novamente.

O processo de ruminando dividir mais a matéria vegetal e estimulam a digestão é chamado de "ruminação".

A palavra "ruminante" vem do ruminare latim, que significa "para mastigar de novo".

Existem cerca de 150 espécies de ruminantes, que incluem ambas as espécies domésticas e selvagens.

Mamíferos ruminando incluem gado, cabras, ovelhas, girafas, iaques, veados, camelos, lhamas e antílopes.

Fonte: www.geocities.com

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Sistema Digestivo dos Ruminantes

O que difere os ruminantes dos demais animais é o fato de serem poligástricos, ou seja, possuem quatro estômagos, chamados rúmen, retículo, omaso e abomaso. O tamanho de cada um varia no decorrer da vida do animal.

Na primeira mastigação ocorre a trituração dos alimentos e a ensalivação.

Em média, o bovino libera de 50 a 60 quilos de saliva por dia.

Quando os alimentos fornecidos são fluidos, a salivação torna-se fraca, o conteúdo do rúmen, então, torna-se viscoso e o gás resultante a digestão causa a aparição de espumas, surgindo a indigestão gasosa ou espumosa, característicos da meteorização.

Esses animais são altamente adaptados para a digestão de celulose, tornando-se completamente herbívoros quando adultos.

Os alimentos mastigados e engolidos são armazenados no retículo , onde ocorre sua maceração e trituração , para voltarem à boca e serem mastigados novamente, processo chamado de ruminação.

No rúmen há milhares de microorganismos, responsáveis pela digestão da celulose contida nos vegetais ingeridos e pela formação de ácidos voláteis. Percebe-se, que o aparelho digestivo dos ruminantes possui adaptações para tornar viável a sobrevivência desses microorganismos.

Portanto, qualquer variação na alimentação pode modificar a colônia de bactérias, alterando a digestão do animal e podendo leva-lo a ter alguma doença.

No folhoso a água do bolo alimentar é absorvida para que no coagulador ocorra o ataque do suco gástrico e a digestão propriamente dita. O suco gástrico é constituído principalmente por água, sais minerais, ácido clorídrico e pepsina ( uma proteína com ação enzimática).

A partir daí, a digestão ocorre como em qualquer outro animal, com a absorção das substâncias pelo intestino delgado e absorção de água pelo intestino grosso, com a produção das fezes ( resíduos alimentares não aproveitados).

Como os microorganismos residentes no estômago bovino estão constantemente reproduzindo-se e morrendo, eles também são digeridos. Na passagem de uma cavidade digestiva para outra há barreiras que impedem a passagem de bactérias vivas, o que poderia causar alguma patologia grave no animal.

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Sistema digestivo de uma vaca

Fonte: www.criareplantar.com.br

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Sistema Digestivo dos Ruminantes (exemplos: boi, cabra, carneiro, veado, girafa)

O sistema digestivo tem adaptações para o bom aproveitamento dos alimentos vegetais.

Além de um complexo estômago, com 4 câmaras, há um longo intestino, para garantir uma boa absorção dos alimentos, pois a digestão é demorada.

Enquanto que o intestino delgado do boi pode ter mais de 30 metros, nos carnívoros ele tem apenas umas cinco ou seis vezes o comprimento corporal.

É no abômaso que atua o suco gástrico, digerindo os alimentos e ainda uma boa quantidade das bactérias simbiônticas.

Além de garantirem a digestão da celulose pela enzima celulase que produzem, essas bactérias, quando digeridas, fornecem ainda substâncias que sintetizaram, especialmente aminoácidos, proteínas e vitamina B12.

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Estômago de ruminantes

As três primeiras câmaras do estômago são dilatações do esôfago e apenas a quarta é o verdadeiro estômago, secretor de enzima.

O percurso do alimento no tubo digestivo dos ruminantes

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1. -
Rumen (panÁa)
2. - RetÌculo (barrete)
3. - Ômaso (folhoso)
4. - Abômaso (coagulador)

Fonte: www2.uol.com.br

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Estrutura dos quatro estômagos dos ruminantes

Os ruminantes possuem um sistema digestivo peculiar, com características próprias bem definidas, o que lhes permite aproveitar os nutrientes contidos em alimentos fibrosos e grosseiros. Isto ocorre graças à ação de microrganismos (bactérias e protozoários) que habitam o trato digestivo, além da ação mecânica executada através do processo de ruminação.

O sistema digestivo, que tem como função, triturar, reduzir em pequenas partículas e digerir os alimentos começa na boca (lábios, língua, dentes e glândulas salivares). O esôfago é um tubo cilíndrico que se dilata facilmente e que conduz os alimentos da boca até o rúmen, com o qual se comunica por um orifício chamado cárdia.

Pré-estômagos

Os pré-estômagos dos ruminantes são amplamente utilizados na culinária, para fazer a famosa “dobradinha” ou “buchada”. Compreendem três compartimentos, rúmen, retículo e omaso, os quais representam os “estômagos falsos”, onde ocorre a digestão microbiana e a ação mecânica sobre os alimentos fibrosos e grosseiros.

O rúmen, pança ou bucho é o maior dos compartimentos, comportando 80% do volume total do estômago, e ocupa quase todo o lado esquerdo da cavidade abdominal. Em bovinos adultos pode conter até 200 litros, enquanto que em ovinos e caprinos sua capacidade é de aproximadamente 20 a 30 litros.

A parede do rúmen é revestida por uma mucosa coberta de papilas ligeiramente chatas, que lhe conferem o aspecto de “toalha felpuda”.

O rúmen comunica-se com o retículo através da goteira esofágica. Normalmente, as bordas da goteira esofágica estão separadas, deixando passar certos tipos de alimento (forragens sólidas, água, etc.), para o rúmen e o retículo. Entretanto, nos filhotes, a ingestão de leite provoca um reflexo que faz com que as bordas da goteira se unam, fazendo com que o leite passe diretamente ao abomaso.

O retículo ou barrete é o menor dos pré-estômagos, que atua como um "marca-passo” dos movimentos da ruminação. Seu interior é revestido por uma mucosa, cujos relevos dão um aspecto semelhante ao favo de abelha, e apresenta pequenas papilas.Comunica-se com o rúmen através de uma ampla abertura, com o omaso através de um estreito orifício e ainda com o esôfago através da goteira esofágica.

O omaso ou folhoso, cujas paredes são musculosas, tem seu interior revestido por mucosa curiosamente disposta em folhas ou lâminas, lembrando um livro, cobertas por numerosas papilas rugosas.

Estômago verdadeiro

O Abomaso, conhecido também por coalheira é o único estômago verdadeiro, ou seja, onde ocorre a secreção de suco gástrico, e onde se processa a digestão propriamente dita. De forma alongada, está situado à direita do rúmen e repousa sobre o abdômen, logo atrás do retículo.

Um amplo orifício permite a passagem do alimento proveniente do omaso. Internamente, o abomaso é revestido por uma mucosa lisa, que contém numerosas glândulas que secretam o suco gástrico. O coalho, utilizado na fabricação de queijos, nada mais é que o suco gástrico de cabritos, cordeiros ou bezerros em aleitamento.

Outro orifício, o piloro, controlado por um esfíncter (músculo circular, forte), permite a passagem dos alimentos para o intestino delgado (ou “tripa”), que é um tubo estreito e longo, que pode alcançar de 20,0 a 25,0 metros, nos caprinos e ovinos, e compreende três porções: duodeno, jejuno e íleo.

O intestino grosso é muito mais curto (4.0 a 8.0 metros) cuja porção terminal se enrola formando um “caracol”, denominado cólon, sendo que nesta parte ocorre a absorção de água, e formação das fezes pelos músculos da parede do cólon. Finalmente o cólon se comunica com o reto, onde as fezes se acumulam, e são eliminadas através do orifício da saída retal.

O sistema digestivo compreende ainda as glândulas anexas (fígado e pâncreas), e é mantido por uma fina membrana, firme e transparente, recoberta de gordura, denominada peritôneo.

A digestão

Para serem utilizados pelo organismo, os alimentos devem ser previamente transformados. O sistema digestivo pode ser comparado a uma fábrica, onde são feitas diversas transformações da “matéria prima” que são triturados, misturados e transformados, através de mecanismos de natureza mecânica, microbiana e química.

Durante o pastejo, o objetivo maior dos ruminantes é o de encher o rúmen (daí a expressão “encher o bucho”!), ingerindo o alimento de forma rápida.

Inicialmente, o alimento é apreendido com a boca, através dos dentes incisivos (é bom lembrar que os ruminantes possuem somente os dentes incisivos inferiores), e sofre apenas uma ligeira mastigação com auxílio dos dentes traseiros (molares superiores e inferiores). Ao mesmo tempo, os alimentos são umedecidos pela saliva, que é secretada em grande quantidade, com o objetivo de amolecer o alimento.

Este amolecimento continuará no rúmen, onde chega também a água ingerida pelo animal. Através dos movimentos das paredes do rúmen, com auxílio dos músculos pilares, os alimentos continuam a ser triturados mecanicamente. Ao auscultarmos ou colocarmos a mão, com o punho cerrado, sobre o flanco esquerdo do animal, podemos perceber os movimentos do rúmen, na freqüência de uma a duas contrações por minuto.

O conteúdo do rúmen segue então seu caminho em sentido contrário, em direção à boca, constituindo o processo de ruminação, ou seja, o retorno do bolo alimentar do rúmen para a boca, onde é submetido a uma nova mastigação e ensalivação, agora mais demoradas e completas. A calma e tranqüilidade ambiental são favoráveis a uma ruminação correta, com regurgitações espaçadas de um minuto. A parada da ruminação é um sinal de indisposição alimentar ou de doença.

Após bem triturado, o bolo alimentar é novamente deglutido, voltando ao rúmen, que continua em movimento. O alimento passará para o retículo, quando se apresentar com partículas suficientemente pequenas e fluidas podendo, para isto, ocorrer várias ruminações.

Todos os alimentos, durante sua permanência no rúmen, são decompostos pela ação da flora ruminal (bactérias e protozoários). Estes microrganismos se encontram aos milhares por mililitro de líquido, e estão especializados e adaptados a estes alimentos.

Comparemos o rúmen a uma pequena cidade, onde todos os habitantes são carpinteiros, que possuem conhecimentos e equipamentos especializados para trabalhar com madeiras de pinho. Se, de repente, o fornecedor passasse a entregar somente madeira de lei, estes carpinteiros iriam ter dificuldades, inicialmente, até que se adaptassem ao novo tipo de madeira.

Analogamente, mudanças bruscas de alimentação (troca de feno por silagem, introdução de ração, etc.), podem causar distúrbios digestivos graves, pela falta de adaptação da flora rumenal ao novo alimento. Desta forma, toda alteração na alimentação deve ser gradativa, para adaptação da flora rumenal.

As bactérias da flora rumenal dividem-se em dois grupos principais:

As bactérias celulolíticas, que digerem os volumosos (capim, feno, silagem),
As amilolíticas, que digerem os concentrados (ração, milho, farelos, etc.).

Estes dois grupos devem estar em equilíbrio, ou seja, a flora amilolítica deve ser sempre menor que a celulolítica. Um aumento exagerado da flora amilolítica, causado pelo excesso de concentrados, causa sérios danos à digestão. Assim, somente os volumosos devem, ser dados à vontade, sendo, no caso do confinamento, fornecidos no mínimo três vezes ao dia, para que haja um funcionamento adequado da flora rumenal.

Existe uma verdadeira associação ou simbiose entre os microrganismos do rúmen e o próprio animal ruminante. Os microrganismos absorvem parte dos nutrientes dos alimentos, para sua própria manutenção. Em contrapartida, estes seres vivos microscópicos, ao morrerem, restituem seu conteúdo celular ao organismo, principalmente de substâncias nitrogenadas, que retornam ao circuito da digestão.

Entre os produtos resultantes das fermentações do rúmen, são produzidos também gases, como o metano e o carbônico, que são eliminados pela boca, através da eructação, graças aos movimentos rumenais.

O alimento, se adequadamente liquidificado, passa ao omaso onde é “prensado” pelas lâminas existentes na sua mucosa, perdendo assim boa parte do excesso de água passando, a seguir, ao abomaso.

No abomaso ou estômago verdadeiro, o alimento sofre ação química do suco gástrico (de forma semelhante ao que ocorre no estômago humano), secretado pelas glândulas presentes em sua mucosa.

O suco gástrico contém: quimosina ou coalho, que provoca a coagulação da caseína do leite, além de pepsina, lípase, ácido clorídrico, etc., todos envolvidos no processo de digestão química.

Na forma semifluida, o bolo alimentar passa ao intestino, onde continua o processo químico, iniciado no abomaso, sofrendo ação de outras secreções do sistema digestivo (suco pancreático, bile e suco intestinal)

O estômago dos filhotes

Os ruminantes são mamíferos, necessitando no início da vida, do leite materno. O leite para ser digerido precisa sofrer a ação de enzimas contidas no suco gástrico produzido pelo abomaso que, ao nascimento, é o compartimento mais desenvolvido. Quando o filhote succiona a teta da mãe ou o bico da mamadeira, a goteira esofágica funciona como uma calha que desvia o leite, levando-o diretamente ao abomaso.

Na idade de 2-3 semanas o abomaso é ainda o compartimento mais desenvolvido (500 a 1.000 ml), já que o leite, nesta idade, ainda é o principal alimento. O rúmen, por sua vez, já apresenta uma capacidade significativa (250 a 500 mL), segundo a quantidade de alimentos sólidos que os filhotes estejam recebendo. Assim, é recomendável que, a partir da segunda semana de vida, os filhotes tenham disponíveis alimentos sólidos (feno, capim amarrado em pequenos feixes, ração concentrada), para estimular o desenvolvimento dos pré-estômagos, bem como o mecanismo da ruminação.

Aurora M. G. Gouveia

Fonte: www.caprileite.com.br

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Processo Digestivo na Vaca de Leite

Vacas e outros animais como ovelhas, búfalos, camelos, e girafas são classificados como herbívos pois sua dieta é composta principalmente de material vegetal.

Muitos herbívoros são ruminantes.

Animais ruminantes podem ser reconhecidos facilmente devido aos frequêntes movimentos de mastigação mesmo quando não estão comendo. Esta atividade de mastigação é chamada de ruminação, e faz parte de um processo digestivo que permite com que estes animais consigam obter energia contida nas paredes celulares das plantas na forma de fibras.

ADAPTAÇÃO PARA UTILIZAR FIBRAS E NITROGÊNIO NÃO PROTÉICO

A fibra é uma estrutura que dá resistência e rigidez as plantas e é o principal constituinte do caule das plantas. Açúcares complexos (celulose, hemicelulose) estão localizados dentro da parede cellular das plantas e permanecem inacessíveis para os animais que não são ruminantes. Contudo, a população de micróbios que vivem no retículo e no rúmen (Figura 1) permitêm com que os ruminantes possam utilizar a energia contida nas fibras.

O nitrogênio necessário na dietas das vacas têm origem nos aminoácidos que são encontrados em proteínas e outras fontes de nitrogênio não proteicos (NNP).

Compostos com nitrogênio não proteico não podem ser utilizados por não ruminantes, mas podem ser utilizados pelas bactérias ruminais para a síntese proteica. A maioria dos aminoácidos disponíveis para os bovinos são produzidos pelas bactérias no rúmen.

OS QUATRO ESTÔMAGOS

Retículo e rúmen

O retículo e o rúmen são os dois primeiros estômagos dos ruminantes.

O conteúdo alimentar no retículo se mistura com o conteúdo do rúmen quase continuamente (cerca de uma vez por minuto).

Ambos estômagos, frequentêmente chamados de retículo-rúmen, contém uma densa população de microorganismos (bactérias, protozoários, e fungos).

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Figura 1: O sistêma digestivo da vaca é composto de quarto estômagos. O rumen é o maior dos estômagos e esta representado com setas que indicam o movimento do alimento no seu interior.

Tabela 1: Utilização de varias fontes de energia e nitrogênio em ruminantes e em não ruminantes.

Exemplo de alimento Não-rumante Ruminante
Energia    
Açúcar Melaço + +
Amido Tubérculo + +
Celulose Fibras 0 +/-
Nitrogênio    
NNP1 Uréia 0 +
Proteína Soja + +

1 NNP = nitrogênio não proteico.
+ completamente disponível, ± parcialmente disponível, 0 não disponível.

O rúmen é um saco que contém cerca de 100 a 120 kg de material vegetal sob processo digestivo. As partículas fibrosas permanecem no rúmen de 20 a 48 horas pois a fermentação das fibras pelas bactérias é um processo relativamente demorado. Contúdo, algumas partículas são digeridas mais rapidamente tendem a ficar no rúmen por um período mais curto de têmpo.

O retículo é uma “estrada de passagem” onde as partículas que entram e saem do rúmen são selecionadas. Somente partículas de menor tamanho (<1–2 mm) e com alta densidade (> 1.2 g/ml) vão para o terceiro estômago.

Omaso

O terceiro estômago ou omaso (Figura 1) têm cerca de 10 litros de volume. O omaso é um orgão relativamente pequeno com uma alta capacidade de absorção.

Ele também permite a recliclagem da água e minerais como o sódio e o fósforo que retornam ao rúmen pela saliva. O processo digestivo que acontece no retículo é diferente do processo digestivo que acontece no rúmen; e o omaso funciona como um orgão de transição entre estes dois orgãos. Contudo, o omaso não é um orgão essencial, pois camelos, lhamas e alpacas não possuem o omaso (pseudoruminantes).

Abomaso

O abomaso é o quarto estômago do ruminante. Este estômago é parecido com o estômago de não ruminantes. O abomaso secreta um ácido forte (HCL) e também outras enzimas digestivas. Em não ruminantes, os alimentos ingeridos são digeridos inicialmente no abomaso. Contudo, o material que entra no estômago de ruminantes é feito principalmente de partículas alimentares não fermentadas, subprodutos da fermentação microbiana e micróbios que crescem no rúmen.

AS BACTÉRIAS DO RÚMEN

O rúmen fornece o ambiênte propício e fonte alimentar para o crescimento e reprodução dos micróbios. A ausência de ar (oxigênio) no rúmen favorece o crescimento de algumas bactérias em particular, e algumas delas conseguem degradar a parede celular das plantas (celulose) em simples açúcares (glicose). Os micróbios fermentam a glucose para obter energia para crescer e durante o processo de fermentação eles produzem ácidos graxos voláteis (AGV). Os AGV atravessam a parede ruminal os quais são a principal fonte de energia da vaca.

OS ORGÃOS DO TRATO DIGESTIVO E SUAS FUNÇÕES

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1 - Ruminação (quebra de partículas) e produção de saliva (regulador de pH)

A ruminação reduz o tamanho das fibras e expõe seus açúcares à fermentação microbiana.
Quando a vaca rumina de 6 a 8 horas por dia ela produz cerca de 170 litros de saliva; contudo, se a ruminação não for estimulada (ex: muito concentrado na dieta) ela produz somente cerca de 40 litros de saliva.
Os tampões da saliva (bicarbonatos e fosfatos) neutralizam os ácidos produzidos pela fermentação microbiana e mantém o pH ruminal levemente ácido o que favorece a digestão das fibras e o crescimento microbioano no rúmen.

2 - Retículo-rúmen (fermentação)

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A retenção de partículas longas na forragem estimulam a ruminação.
A fermentação microbiana produz: 1) ácidos graxos voláteis (AGV) como produtos finais da fermentação da celulose e outros açúcares e 2) uma massa microbiana rica em proteínas de alta qualidade.
A absorção dos AGV ocorre através da parede ruminal. Os AGV são utilizados como fonte de energia para a vaca e também para a síntese da gordura do leite (triglicerídeos) e do açúcar do leite (lactose).
Produção e expulsão de aproximadamente 1.000 litros de gases por dia.

3 - Omaso (recicla alguns nutrientes)

Absorção de água, sódio, fósforo ácidos graxos voláteis residuais.

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4 - Abomaso (digestão ácida)

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Secreção de enzimas digestivas e ácidos fortes.
Digestão de alimentos não fermentados no rúmen (algumas proteínas e lipídeos).
Digestão de proteína bacteriana produzida no rúmen (de 0.5 a 2.5 kg por dia).

5 - Intestino delgado (digestão e absorção)

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Secreção de enzimas digestivas produzidas pelo pelo intestino delgado, fígado e pâncreas.
Digestão enzimática de carboidratos, proteínas e lipídeos.
Absorçaõ de água, minerais e produtos da digestão: glicose, amino ácidos e ácidos graxos.

6 - Ceco (fermentação) e intestino grosso

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Uma pequena população microbiana fermenta os produtos da digestão que não foram absorvidos.
Absorção de água e formação das fezes.

Durante o crescimento dos micróbios no rúmen, eles sintetizam aminoácidos, as unidades formadoras das proteínas. As bactérias podem utilizar amônia ou uréia como fonte de nitrogênio para a produção de aminoácidos. Se isso não ocorresse, a amônia e a uréia não poderiam ser utilizadas por ruminantes. Contudo, as proteínas bacterianas sintetizadas no rúmen são digeridas no intestino delgado e constituem a fonte principal de aminoácidos para a vaca.

ALGUMAS DEFINIÇÕES

A Absorção é a passagem de produtos de digestão e outros compostos simples do intestino delgado para o sangue.

Os Tampões são compostos secretados pela saliva ou adicionados na dieta que ajudam a manter a estabilidade ruminal, e promovem a digestão de alimentos e crescimento bacteriano.

A Digestão é o primeiro passo de uma série de processos que quebram partículas complexas (alimento e micróbios) em substâncias simples que podem ser utilizadas pelo corpo. Um ácido forte e muitas enzimas digestivas são secretadas no trato digestivo para digerir o alimento.

O Metabolismo se refere às mudanças que os produtos absorvidos na digestão sofrem durante sua utilização pelo corpo. Os nutrientes podem ser pelos tecidos do corpo para a obtenção de energia para a manutenção dos tecidos vitais, e para outras tarefas (comer, andar, ruminar, etc.). Os nutrientes também podem ser utilizados como precursors para a síntese de tecidos (músculo, gordura) e no caso das vacas de leite, para a síntese do leite.

RECADOS FINAIS

Os animais ruminantes podem utilizar uma variedade maior de fontes alimentares que os animais não ruminates. Os micróbios do retículo-rúmen permitem com que os ruminantes transformem fibras em alimento (forragens, resíduos de plantio e sub-produtos industriais) e nitrogênio não proteico (amônia, uréia) em alimentos altamente nutritivos e palatáveis para humanos (leite, carne).

Os alimentos fibrosos são necessários para a saúde da vaca poise les mantém a ruminação e a produção de saliva que são necessários para o correto funcionamento do rúmen e para a obtenção de uma população bacteriana adequada no rúmen.

Uma vaca pode comer forragens (alimentos de pouca energia) e concentrados (alimentos de alta energia). Contudo, a adição de grandes quantidades de concentrados na dieta deve ser gradual (maior que um período de 4 a 5 dias) para permitir que a população bacteriana no rúmen se adapte à nova dieta.

As fezes de ruminantes são ricas em material orgânica e inorgânica, e podem servir como excelentes fertilizantes.

Processo Digestivo na Cabra

A função do sistema digestório é ingerir, triturar, reduzir o alimento a finas partículas, digerir e absorvê-la. Começa na boca, com os lábios, a língua, os dentes e as glândulas salivares. Em seguida vem o esôfago, que é um tubo que se dilata facilmente e conduz os alimentos da boca ao estômago, com o qual se comunica por um orifício denominado cárdia.

O estômago da cabra é volumoso, com 20 a 30 litros, e ocupa quase toda a parte esquerda da cavidade abdominal. Por isso é esse o lado que "incha" quando está repleto ou quando ocorre meteorismo.

Como nos outros ruminantes (ovinos e bovinos), é constituído por quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso.

O rúmen, ou pança, é o maior compartimento, ocupando mais de 8096 do volume total no animal adulto. Tem poderosos músculos denominados pilares que. ao se contraírem. contribuem para a mistura dos alimentos Os pilares determinam, também, uma separação parcial do rúmen em dois sacos, dorsal e ventral A superfície exterior da cabra apresenta depressões que correspondem aos pilares O rúmen é revestido internamente com uma mucosa coberta de papilas. mais ou menos desenvolvidas. que absorvem alguns gases resultantes da digestão

O reticulo. ou barrete. é o menor compartimento. com capacidade de 0.5 a 2 litros Está situado à frente do rúmen e se apóia sobre a parede ventral do abdome

Seu interior é revestido por uma mucosa que forma um desenho semelhante a favos de mel e que apresenta pequenas papilas: comunica-se com o rúmen por uma ampla abertura. e com o omaso. por um estreito orifício unido igualmente ao esôfago pelo sulco reticular (goteira esofágica).

O sulco reticular pode ser comparado a um tubo de borracha que se forma em sentido longitudinal.

Os lábios do sulco estão normalmente separados e deixam cair no rúmen ou no retículo alguns alimentos (forragens grosseiras, água. etc ): outros. como o leite. provocam um reflexo que faz as bordas da goteira unirem-se para passar diretamente ao omaso e ao abomaso. O fato de o cabrito mamar com a cabeça levantada favorece a sua formação

O omaso tem dimensões comparáveis às do retículo. ao redor de 1 litro. e recebe os alimentos diretamente da boca. se o sulco for estimulado. ou do retículo. As paredes são muito musculosas e a superfície interior é revestida por uma mucosa disposta em folhas ou lâminas, motivo pelo qual é também denominado de folhoso. Essas lâminas são recobertas por numerosas papilas rugosas.

O abomaso, ou coagulador, tem forma alongada, com 40 a 50 centímetros de comprimento e com um volume de 2 a 3 litros. Está situado à direita do rúmen e repousa sobre o abdome, atrás do retículo. Um amplo orifício permite receber o conteúdo do retículo; outro, o piloro, cuja abertura é controlada por um esfíncter e um toro, controla a passagem da digesta para o intestino. O abomaso é revestido por uma mucosa com numerosas glândulas que secretam o suco gástrico (e o coalho, nos cabritos).

O intestino delgado é um tubo estreito (não passa da grossura de um dedo) que pode alcançar de 20 a 25 metros de comprimento e que compreende três partes: o duodeno, que se estende ao longo da parede abdominal, o jejuno e o ílio, que formam circunvoluções sustentadas e protegidas pelo mesentério. A mucosa do intestino segrega o suco intestinal.

O intestino grosso é bem mais curto, com 4 a 8 metros.

É composto exclusivamente pelo cólon, dividido em três porções: ascendente, de forma espiral, com alças centrípetas onde se formam as sílabas. As outras duas porções, transversa e descendente, completam a absorção de água. Ocupa uma grande parte dacavidade abdominal direita. Na união do intestino delgado e do cólon se encontra um fundo de saco denominado ceco, de 25 a 35 centímetros de comprimento, com um volume que pode superar 1 litro. O cólon descendente acaba no reto, que se comunica com o exterior pelo orifício retal, orifício fechado por um anel muscular denominado esfíncter anal.

O fígado é um órgão volumoso (500 a 700 g), situado na parte anterior direita do abdome. É constituído por uma série de pequenos lóbulos de forma hexagonal que podem ser vistos a olho nu. O fígado segrega um suco digestivo, a bílis, que é conduzida pelo canal cístico à vesícula biliar e, desta, até o intestino delgado, desembocando a uns 20 centímetros do piloro, no duodeno.

O pâncreas é outra glândula alongada, que repousa em uma asa do duodeno. O suco pancreático é encaminhado para o intestino pelo canal pancreático, no mesmo local que a bílis.

Todo o sistema digestório é envolvido, mantido e sustentado em uma fina membrana transparente, sólida e carregada de gordura, denominada mesa, que é uma das modificações do peritônio.

DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA DIGESTÓRIO

Quando o cabrito nasce. seu estômago é muito pequeno e o abomaso é o compartimento mais desenvolvido (0.2v a 0.50 litros) Trabalha inicialmente sozinho. recebendo o leite diretamente graças ao sulco reticular. que se fecha no momento da deglutirão É onde começa a digestão. através da coagulação e do ataque às proteínas O rúmen ainda é muito reduzido; o reticulo e o omaso são quase vestígios Porém. esses compartimentos comecam a se desenvolver de forma mais ou menos rápida. segundo a alimentação que o animal recebe

Com três ou quatro serranas de vida. o abomaso. de forma alongada. com cerca de 20 centimetros. é ainda o compartimento mais desenvolvido (0.5 a 1.0 li:ro). pois o leite ainda é o principal alimento nessa idade O omaso ainda é muito pequeno. sua dilatacão está apenas marcada. mas as làminas em forma de folhas iá são visíveis O reticulo está mais diferenciado. com uma mucosa em forma de favos de mel. embora seu volume ainda será muito reduzido

Porção digestiva do sistema digestório de um caprino jovem e de um caprino adulto:

Ruminantes
Animal jovem

Ruminantes
Animal adulto

A - Rúmen
B - Sulco reticular ( goteira esofagiana)
C - Barrete
D- Omasco
E - Abomaso
F - Piloro
E - Esôfago

Fonte: babcock.cals.wisc.edu

Ruminantes

Características Gerais dos Ovinos

Ruminantes
Ovinos

TAMANHO CORPORAL

O tamanho dos ovinos é extremamente variável. Animais adultos podem pesar em torno de 30 Kg, como no caso de algumas raças tropicais, até 182 Kg, peso que machos da raça Suffolk e de outras raças de lã longa podem atingir.

TEMPERATURA CORPORAL

A temperatura corporal pode variar em função da temperatura ambiental, umidade, cobertura de lã, estágio de terminação dos cordeiros, ventilação, irradiação do sol e infecções. A temperatura corporal normal pode variar de 38 º a 40 º C.

A temperatura ambiental ótima para os ovinos varia de 10 º a 26,5 º C. Acima de 26,5 º C, a maioria dos ovinos necessita controlar o calor corporal.

Os mecanismos utilizados para isso são:

Respiração
Ingestão de água e eliminação através da urina
Transpiração
Busca por lugares frescos e com sombra

Os cordeiros recém nascidos, nas primeiras 72 horas de vida, não têm desenvolvido a capacidade de se adaptar às temperaturas ambientais, por isso necessitam de proteção, principalmente contra o frio. A temperatura ideal para eles é de 24 a 26,5 º C.

FREQÜÊNCIA RESPIRATÓRIA E CARDÍACA

Os batimentos cardíacos e a respiração são mais acelerados nos animais jovens e diminuem gradativamente com a maturidade.

Freqüência respiratória em ovinos adultos – 12 a 20 / minuto
Freqüência cardíaca em ovinos adultos – 70 a 80 / minuto

CARACTERÍSTICAS DIGESTIVAS

Os ovinos são animais ruminantes e o aparelho digestivo é composto de boca, esôfago, rúmen, retículo, omaso, abomaso, intestino delgado, intestino grosso e orifício da saída retal. São animais com capacidade de consumir grandes quantidades de forrageiras.

A relação volumoso: concentrado deve ser bem equilibrada para evitar distúrbios metabólicos como a acidose, causada por excesso de concentrados.

Uma relação segura é de 50 de volumoso: 50 de concentrado. Pode ser utilizada uma quantidade maior de concentrado, mas é preciso adaptar o animal a nova relação ou mudança na dieta.

A capacidade de cada parte do aparelho digestivo de um ovino adulto de porte médio pode ser visualizada na tabela a seguir:

PARTE DO AP. DIGESTIVO CAPACIDADE (LITROS)
Rúmen 23,65
Retículo 1,89
Omaso 0,95
Abomaso 2,81
Intestino Delgado 9,0 (26 a 27 m de comprimento)
Intestino Grosso 2,37 (6,7 m de comprimento)

As fezes dos ovinos, com formato de síbalas, são normalmente mais secas do que as fezes dos bovinos, a menos que a dieta seja rica em alimentos com altos teores de água. A urina é usualmente mais concentrada do que a dos outros animais, principalmente sob condições de pouca disponibilidade de água. Portanto, os ovinos apresentam uma ótima capacidade de retenção e aproveitamento de água.

CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS

A maioria dos ovinos é poliéstrica estacional, isto é, eles apresentam uma estação reprodutiva definida durante o ano, quando ocorrem os ciclos reprodutivos e as fêmeas mostram os sinais do cio. A estação reprodutiva natural dos ovinos ocorre no outono e no inverno, entretanto, a época e duração da estação de monta não seguem um padrão e variam com as diferentes raças. Por exemplo, a raça Merino apresenta uma estação reprodutiva mais longa do que raças de lã grossa como a Romney Marsh. A raça Dorset e as raças que se originaram de regiões próximas da linha do equador, são pouco estacionais, apresentando cios praticamente ao longo de todo o ano. A altitude, latitude, comprimento dos dias, temperatura, umidade e nutrição afetam os ciclos reprodutivos das ovelhas. Os carneiros também sofrem influência dos fatores ambientais, mas são menos sensíveis do que as ovelhas.

PUBERDADE – puberdade é o estágio sexual no qual a reprodução já pode ocorrer. As fêmeas apresentam os primeiros cios férteis e os machos as primeiras coberturas com espermatozóides viáveis. A puberdade indica que já é possível a reprodução, mas não quer dizer que os animais estejam aptos para manter uma gestação ou então serem utilizados como reprodutores em uma estação de monta. Em média a puberdade é atingida com 5-6 meses de idade. A idade ideal para a primeira cobertura está relacionada com o estado nutricional e o peso dos animais.

ESTRO (CIO) – é o período dentro do ciclo estral em que a fêmea se torna receptiva ao macho. O estro tem uma duração média de 29 a 30 horas e a ovulação ocorre no final deste período. A duração do ciclo estral é de 14 a 19 dias, em média 17 dias. Portanto, dentro da estação reprodutiva, a fêmea ovina apresentará cio a intervalos de 17 dias (se não for fecundada).

GESTAÇÃO – o período de desenvolvimento do feto no útero da ovelha é chamado de gestação e dura em média 147 a 150 dias.

PESO AO NASCER DOS CORDEIROS

O peso ao nascer dos cordeiros pode variar de 1,36 a 11,4 Kg, com uma média de 3,6 a 4,5 Kg.

Os fatores que afetam o peso ao nascer são os seguintes:

Tamanho dos pais

Número de cordeiros por parto – cordeiros de parto gemelar nascem mais leves do que cordeiros de parto simples.
Idade da ovelha –
ovelhas mais velhas tem cordeiros mais pesados.
Sexo do cordeiro –
machos nascem normalmente mais pesados do que fêmeas.
Nutrição –
níveis inadequados de nutrientes, principalmente no terço final de gestação, diminuem o peso ao nascer dos cordeiros.

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

Há variação entre as raças e tipos de ovinos com relação à idade a maturidade. Raças de menor porte atingem o peso adulto mais rapidamente do que as raças de maior estatura. No geral, os ovinos atingem 80% do peso adulto com um ano e 100% com dois anos de idade.

Os ovinos podem viver até 16 -18 anos, mas nos sistemas de produção não permanecem nos rebanhos por mais de 7 – 8 anos.

Fonte: www.crisa.vet.br

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