Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no Distrito de Palmira, em Barbacena, MG. Filho de Henrique Dumont, engenheiro civil de obras públicas e mais tarde cafeicultor em Ribeirão Preto, SP, e de Francisca Santos Dumont, filha de tradicional família portuguesa vinda para o Brasil com D. João em 1808.
O pai Henrique, de ascendência francesa, teve papel fundamental na trajetória do filho Alberto, pois percebendo nele o fascínio pelas máquinas – que existiam em grande quantidade na fazenda Andreúva – direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade, não fazendo questão que ele se formasse em engenharia, como foi o caso dos outros filhos.
Em 1891, Alberto contando 18 anos, emancipado pelo pai, foi para Paris completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar, surgido aos 15 anos com a visão, nos céus de São Paulo, de um balão livre (balões livres são aqueles que fazem sua ascensão sem possuir nenhum tipo de dirigibilidade, ficando ao sabor das correntes aéreas). Ao chegar em Paris, Alberto se admira com os motores de combustão interna a petróleo que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e compra um para si, esquadrinhando todo o seu funcionamento. Logo estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.
Com a morte do pai um ano depois, o jovem Alberto sofre um duro golpe emocional, mas as palavras do velho Henrique não foram esquecidas. Alberto continua os estudos e não se deixa levar pelos encantos perigosos da Cidade-Luz.
Em 1897 Alberto, já conhecido como Santos-Dumont pelos próximos, faz seu primeiro vôo num balão livre alugado. Um ano depois projeta e constrói, com a ajuda de operários e construtores de balões franceses, seu primeiro balão livre, o “Brasil”, homenageando sua pátria. Logo em seguida, associando os leves motores de combustão interna a petróleo a seus leves balões e construindo engenhosos lemes, Santos-Dumont inventa os balões dirigíveis: Balão 1, Balão 2, Balão 3, Balão 4, Balão 5, Balão 6, que se sucedem em prêmios no Aeroclube de França e sucesso na imprensa européia, imprensa norte-americana e no Brasil. O inventor agora é o centro das atenções, despertando o interesse militar para seus balões.
Em 1905, na platéia de uma corrida de lanchas num quente verão em Cote D’Azur, Santos-Dumont avista uma potente lancha com motor Antoinette de 24 HP, e começa aí a planejar o mais-pesado-que-o-ar. Aproveitado o sucesso dos planadores e em especial o planador cubo de Hargraves, o inventor constrói o primeiro avião, o 14 bis, com o motor Antoinette, usando o balão nº 14 para testes de estabilidade. Já em 7 de setembro de 1906 o 14 Bis deu um primeiro salto no ar, mas faltou potência. Em 23 de outubro, com motor Antoinette de 50 HP, o 14 Bis voou, decolando, mantendo-se no ar por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e aterrisou. Era o primeiro vôo homologado do mais-pesado-que-o-ar, para uma multidão de testemunhas eufóricas no campo de Bagatelle. Toda a imprensa francesa no dia seguinte louvou o fato histórico. Era o triunfo de um obstinado brasileiro e a conquista do prêmio Archdeacon oferecido pelo Aeroclube de França. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.
Santos-Dumont recebeu diversas homenagens por toda a Europa, nos EUA e América Latina, em especial no Brasil, onde foi recebido com festas e euforia. Seus projetos foram aperfeiçoados por outros aviadores e projetistas, já que ele não os patenteava e não desejava adquirir bens materiais com suas invenções, mas idealizava dotar a Humanidade com meios de facilitar as comunicações, desgostando-se com o uso agressivo que o avião teve na I Guerra Mundial. Ainda projetando, vemos Santos-Dumont construir o avião n°19 e n°20, conhecido como Demoiselle, com grande sucesso.
Em 1909, cansado e com a saúde já abalada por tantos perigos – afinal era projetista, financiador, construtor e piloto de testes de suas aeronaves – Santos-Dumont resolve deixar de lado os projetos aeronáuticos, recebendo, até a sua morte, em 23 de julho de 1932, muitas e merecidas homenagens no Brasil e no exterior, recebendo o justo epíteto de “o Pai da Aviação”.
Fonte: www.edmundolellisfilho.com
Alberto Santos Dumont (Palmira, 20 de julho de 1873 — Guarujá, 23 de julho de 1932) foi um engenheiro (apesar de não ter tido formação acadêmica nessa área) e pioneiro da aviação. Ele foi o primeiro a decolar a bordo de um avião, impulsionado por um motor aeronáutico, apesar de alguns países considerarem os Irmãos Wright como os inventores do avião, por uma decolagem ocorrida em 17 de dezembro de 1903. Santos Dumont foi o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e da população parisiense. Em 23 de outubro de 1906, voou cerca de 60 metros e a uma altura de 2 a 3 metros com seu 14 Bis, no Campo de Bagatelle em Paris. Menos de um mês depois, repetiu o feito e, diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de 6 metros. O vôo do 14-Bis foi o primeiro verificado pelo Aeroclube da França de um aparelho mais pesado que o ar na Europa, e possivelmente a primeira demonstração pública de um veículo levantando vôo por seus próprios meios, sem ser catapultado. O 14 Bis teve uma decolagem auto-propelida, e por isso Santos Dumont é considerado por parte da comunidade científica e aeronáutica e principalmente em seu país de origem, o Brasil, como o Pai da Aviação.

Alberto Santos Dumont
Herdeiro de uma família de cafeicultores prósperos, pôde se dedicar aos estudos da ciência e da mecânica vivendo em Paris. Ao contrário de outros aeronautas da época, deixava suas pesquisas como domínio público e sem registrar patentes.
A casa onde nasceu Alberto Santos Dumont situa-se no município de Santos Dumont, zona da mata mineira, a 240 km de Belo Horizonte e 220 km do Rio de Janeiro. O local foi transformado no Museu de Cabangu. Também em Petrópolis existe o Museu de Santos Dumont.
Alberto Santos Dumont nasceu na localidade mineira de Palmira (hoje rebatizada em honra a este seu filho mais ilustre), sendo o sexto filho do casal Henrique Dumont e Francisca dos Santos.
Seus avós paternos foram François Dumont e Euphrasie Honoré, franceses. François veio ao Brasil em busca de pedras preciosas para as indústrias de seu sogro, ourives. Teve três filhos no Brasil e faleceu cedo. Henrique, apoiado pelo padrinho, se formou na "École des Arts et Métiers" (Escola de Artes e Ofícios de Paris), tendo se formado engenheiro. Ao retornar ao Brasil, profissionalizou-se trabalhando no serviço de obras públicas da cidade de Ouro Preto. Casou-se em 1856 com Francisca dos Santos. Sua mudança para Palmira deveu-se ao serviço da construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil), ligando Rio de Janeiro a Minas Gerais. Henrique assumiu a construção do trecho na subida da Serra da Mantiqueira, tendo instalado seu canteiro de obras na localidade de Cabangu, próximo à localidade de Palmira, hoje Santos Dumont. Lá, passou a residir no sítio Cabangu, onde nasceria seu filho Santos Dumont.
Francisca dos Santos era filha do comendador Paula Santos e dona Rosalina. Henrique e Francisca casaram-se em 6 de setembro de 1856, na freguesia de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. O casal teve oito filhos:
O nascimento de Alberto Santos Dumont deu-se no dia em que seu pai completava 41 anos. Passados seis anos, após a conclusão do trecho da ferrovia, mudou-se para a localidade de Casal, em Valença (atualmente município de Rio das Flores) com a família, passando a se dedicar ao cultivo de café. Ali, Alberto foi batizado em 20 de fevereiro de 1877 na Paróquia de Santa Teresa.
Henrique Dumont comprou a fazenda Arindeúva,a cerca de 20 quilômetros de Ribeirão Preto. Chegou a ser considerado, na época, o rei do café por ter plantado, nessa propriedade, cerca de cinco milhões de pés. Além disso, a fazenda tinha sete locomotivas e 96 km de ferrovias, para escoamento da safra até a estrada de ferro para Ribeirão Preto, considerada como a mais moderna na América do Sul, na época.
Alberto Santos Dumont foi alfabetizado por sua irmã Virgínia. Estudou ainda em Campinas, no colégio Culto a Ciência, em São Paulo, nos colégios Kopke e Morton e na Escola de Ouro Preto. Na infância, Santos Dumont estudava também com professoras particulares francesas contratadas por seu pai, diretamente de Paris. Observava as nuvens, as aves e fazia pipas. Também se interessava pela leitura dos livros de Júlio Verne e experiências com balões de festas juninas. Em 1888 pôde ver, numa feira em São Paulo, um balão pela primeira vez, numa exposição de equipamentos franceses.
Alberto se interessava pela engenharia e logo adolescente pôde pilotar as locomotivas da fazenda de seu pai, devidamente autorizado. Também ajudava na manutenção das máquinas de café e da máquina de costura de sua mãe. Analisando o funcionamento das máquinas a vapor, das engrenagens e a transmissão das polias, aprendeu a lidar com equipamentos mecânicos.
Sempre buscando informações sobre experiências aéreas, conheceu as experiências com balões de ar quente feitas pelos irmãos Montgolfier em 1783 e a de Jean Pierre Blanchard e John Jeffries, que realizaram a travessia do Canal da Mancha em balão, em 1785.
Em 1890 seu pai sofreu um acidente de charrete, e em consequência do tratamento, vendeu a sua fazenda. Em 1891 foi com seu pai a Paris e lá observa pela primeira vez um motor a gasolina, distinto dos motores a vapor que conhecia. Traz para o Brasil um automóvel Peugeot, a gasolina, o primeiro do gênero no Brasil. No ano seguinte, seu pai lhe dá dinheiro (parte de sua fortuna) e a emancipação, aconselhando-o a estudar engenharia na França, para que Alberto pudesse desenvolver seu potencial já demonstrado, prevendo que estaria na engenharia o futuro da Humanidade.

Seu dirigível número 1
Estabelecido em França, começa a dedicar-se aos balões, pois queria desenvolver mais o instrumento, que não possuía dirigibilidade.Considera, contudo, os vôos muito caros. Dedica-se então ao automóvel, tendo participado inclusivamente em algumas corridas.
Continuando sua busca pela propulsão e dirigibilidade dos balões, prosseguiu seus estudos. Estudou com o professor Garcia, humanista de origem espanhola, com vasto conhecimento em Física, Mecânica e Eletricidade. Também estudou na Universidade de Bristol como aluno ouvinte, e depois retornou a Paris.
Em 1897, constrói um motor a explosão de dois cilindros, adaptando-o a um triciclo.
Em viagem ao Brasil, através de pesquisas em livros encontra um que falava sobre o Sr. Lachambre, construtor de balões, que junto com Machuron, haviam construído o balão l'Œrn, que realizara uma expedição ao Pólo Norte. Em 23 de março de 1898 fez, com Machuron, sua primeira ascensão num balão de 750 m3, saindo do Parque de Vaugirard e voaram duas horas até o parque do castelo de La Ferriere, um percurso de 100 km.
Santos Dumont encomendou então um balão à tradicional Casa Lachambre. Acompanhou todas as etapas da construção, para aprender a técnica e também para implementar inovações. Fez questão de que fosse construído com seda japonesa para reduzir o peso. Tinha um cesto para uma pessoa apenas, tinha corda-pendente mais longa que o costume e era de dimensões reduzidas (103 m3). Dizia-se na época que Santos Dumont havia construído um balão que podia carregar na mala.
Em 4 de julho de 1898, subia ao céu o balão Brasil, que surpreendeu os parisienses pelo seu tamanho reduzido.
Partiu então para solucionar o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou então o seu número 1, com forma alongada, de charuto, com hidrogênio e motor de propulsão a gasolina. Fez o projeto de modo a evitar qualquer risco de explosão do hidrogênio no contato com faíscas do motor da hélice.
Na primeira tentativa, chocou contra árvores, devido ao fato de ter decolado a favor do vento, por sugestão de outras pessoas. No dia 20 de setembro de 1898 realiza então o primeiro voo de um balão com propulsão própria. Partindo do Jardin d'Acclimatation, voou sobre Paris, contra e a favor dos ventos. Teve um pequeno acidente ao descer, que não teve maiores conseqüências porque pediu a alguns meninos para usarem o cabo pendente do balão como se fosse uma pipa (papagaio de papel, em Portugal), correndo contra o vento.

O dirigível número 3
Realizou em 1899 vôos com os dirigíveis número 2 e número 3. Com o sucesso de Dumont, o magnata do petróleo Henry Deutsch de La Muerte, no dia 24 de março de 1900, ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud e, sem auxílio de terra, contornasse a torre Eiffel e regressasse ao ponto de partida em no máximo 30 minutos. Era o chamado prêmio Deutsch.
Santos Dumont fez experiências com seu número 4 (setembro de 1900) e tentou vencer o prêmio com seu número 5. Na primeira tentativa, em 13 de julho de 1901, decolou, contornou a torre, mas uma falha do motor fez seu balão ser carregado pelo vento e chocar-se contra as árvores do parque de Edmond de Rothschild. Em 8 de agosto, houve uma segunda tentativa. Com a presença da Comissão Científica do Aeroclube da França, contornou a Torre Eiffel, e partiu de volta a Saint-Cloud, como mandava o desafio. Mesmo com o balão perdendo hidrogênio decidiu prosseguir. Perdendo gás, as cordas de suspensão foram sendo cortadas pela hélice, o que obrigou Dumont a parar o motor. O balão caiu e chocou contra o telhado do Hotel Trocadéro, causando uma grande explosão. Dumont se salvou porque se amarrou à quilha do dirigível, ficando suspenso, dependurado no hotel, de onde foi resgatado por bombeiros de Paris.
Em 19 de outubro de 1901 convocou os jurados do Aeroclube da França. Devido ao mau tempo, apenas 25 compareceram, entre eles, o próprio instituidor do prêmio, Deutsch de La Muerte. Em 29 minutos e 30 segundos, o número seis cruza a linha de chegada. Mas houve uma polêmica: a prova havia sido alterada e o novo regulamento previa que o pouso também fosse realizado antes de 30 minutos após a decolagem. Dumont havia pousado seu dirigível em 30 minutos e 29 segundos. A polêmica prossegiu até que em 4 de novembro o Aeroclube da França decidiu declará-lo vencedor. O prêmio era então de 129 mil francos, que Dumont distribuiu entre sua equipe e desempregados de Paris.
O presidente do Brasil, Campos Salles enviou outro prêmio no mesmo valor, com uma medalha de ouro com sua efígie e uma alusão a Camões: Por céus nunca dantes navegados.
Em 1902, Alberto I, o entusiasta príncipe de Mônaco, lhe fez o convite irrecusável para que continuasse suas experiências no Principado. Oferecia-lhe um novo hangar na praia de La Condamine, e tudo mais que Alberto julgasse necessário para o seu conforto e segurança.
Dirigível número 9.Fez o número sete para corridas entre dirigíveis. Pulou o número oito, por superstição contra o número e o mês de agosto. Construiu o número 9 que se tornou popular, por ser menor e por Dumont fazer diversas apresentações nele. Diz-se que usava o dirigível para visitar os amigos e descia nas ruas com ele para tomar café. Em 14 de julho de 1903, participou das comemorações da queda da Bastilha, desfilando com o dirigível. Nesse dirigível permitiu que, pela primeira vez, uma outra pessoa conduzisse, a cubana Aida de Acosta.
Em junho de 1904, foi aos Estados Unidos, para participar da corrida de dirigíveis de Saint-Louis, mas sofre ação criminosa de sabotadores, que inutilizam o invólucro do seu dirigível nº 7.
Construiu o número 10, com capacidade para doze passageiros. O número onze foi um bimotor com asas. O número doze era semelhante a um helicóptero. Em 1906, realizou experiências com o número treze, que teve um invólucro com gás de iluminação. Construiu o número quatorze também em 1906. Com ele realizou experiências com seu primeiro avião, o 14-bis que decolava inicialmente acoplado ao dirigível. Nesse ano foi instituída a Taça Archdeacon, para um voo mínimo de 25 metros com aparelho mais pesado que o ar e propulsão própria. Também é instituído o Prêmio Aeroclub de França de 1500 francos para vôo de 100 metros, ambos com aeronave mais pesada que o ar.
Em abril de 1902, viajou aos Estados Unidos, onde visitou os laboratórios de Thomas Edison, em Nova Iorque, e foi recebido na Casa Branca, em Washington, DC, pelo Presidente Theodore Roosevelt.
14-bis, o avião pioneiro de Santos DumontEm 23 de outubro de 1906, em Bagatelle, faz um voo de cerca de 60 metros conquistando a Taça Archdeacon, sendo considerado a primeira vez que uma aeronave desliza e decola utilizando apenas suas próprias forças.
Em 12 de novembro de 1906, foi concorrer com Voisin e Blériot, que construíram uma máquina concorrente. Cedeu a vez aos concorrentes, que não conseguiram decolar. Em sua primeira tentativa, às 10 horas não conseguiu decolar. Mas na quarta tentativa conseguiu e fez um vôo de 220 metros estabelecendo o primeiro recorde de distância, ganhando o Prêmio Aeroclube.
Fez ainda o número quinze, com asa de madeira, o número 16, misto de dirigível e avião, o número 17 e o número 18, um deslizador aquático. Descontente com os resultados dos números 15 a 18, fez uma nova série, de tamanho menor e mais aprimoradas, chamadas Demoiselles, números 19, 20, 21 e 22.
O sucesso do vôo de Santos-Dumont, que não patenteou seus inventos exatamente para motivar as inovações, motivou engenheiros e inventores a desenvolverem novos projetos. Voisin fabricou com Léon Delagrange um biplano que voou em Bagatelle, em março e abril de 1907. Blériot também realizava pequenos vôos com seus modelos. Em 2 de novembro de 1907, Farman, em um aeroplano de Voisin, superou o recorde do 14-Bis ao voar 771 metros em 52 segundos. Em setembro, faz experiências no rio Sena, com o nº 18, um deslizador aquático.
Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, na França, que foi o primeiro encontro aeronáutico do Mundo, durante o qual foram disputadas várias provas, com prêmios que somaram 200 mil francos; e o desafio da travessia do Canal da Mancha, lançado a todos os aviadores. Em janeiro desse ano, obtém o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França.
Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o Canal da Mancha, tornando-se um herói na França. Guilherme II, Imperador da Alemanha, disse então uma frase que apareceu estampada em vários jornais: A Inglaterra não é mais uma ilha. Santos Dumont, em carta, parabenizou Blériot, seu amigo, com as seguintes palavras: Esta transformação da geografia é uma vitória da navegação aérea sobre a navegação marítima. Um dia, talvez, graças a você, o avião atravessará o Atlântico. Blériot, então, respondeu: Eu não fiz mais do que segui-lo e imitá-lo. Seu nome para os aviadores é uma bandeira. Você é o nosso líder.
Santos-Dumont começou a sofrer de esclerose múltipla. Envelheceu na aparência e sentiu-se cansado demais para continuar competindo com novos inventores nas diversas provas. Encerrou as atividades de sua oficina em 1910 e retirou-se do convívio social.
Em reconhecimento às suas conquistas, o Aeroclube da França o homenageou com a construção de dois monumentos: o primeiro, em 1910, erguido no Campo de Bagatelle, onde realizara o voo com o 14-Bis, e o segundo, em 1912, em Saint-Cloud, em comemoração do vôo do dirigível nº 6, ocorrido em 1901.
Em 18 de setembro de 1909, realiza seu último vôo em uma de suas aeronaves, voando sobre uma multidão, sem colocar as mãos nos comandos. Segurava um lenço em cada mão e soltou-os quando passou sobre a multidão

Carro fúnebre que transportou o corpo de Santos Dumont, no Guarujá-SP
Carro fúnebre que transportou o corpo de Santos Dumont, no Guarujá-SP.Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra, primeiro para observação de tropas inimigas e, depois, em combates aéreos. Os combates aéreos ficavam mais violentos, com o uso de metralhadoras e disparo de bombas. Santos Dumont viu, de uma hora para a outra, seu sonho se transformar em pesadelo. Daí começava a guerra de nervos do Pai da Aviação.
Santos Dumont agora se dedicava ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Para isso usava diversos aparelhos de observação, que os vizinhos julgaram ser aparelhos de espionagem, para colaborar com os alemães. Foi preso sob essa acusação. Após o incidente ser esclarecido, o governo francês pediu desculpas formalmente.
Em 1915, sua saúde piorava e decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Pan-Americano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países da América. No entanto, mesmo nas Américas o avião era utilizado para fins militares: nos Estados Unidos eram produzidos 16 aviões militares por dia.
Já com a depressão que ia acompanhá-lo nos seus últimos dias, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde se deve pisar primeiro com o pé direito. A casa atualmente funciona como um museu. Permaneceu lá até 1922, quando visitou a França chamado por amigos. Não estabeleceu mais um local fixo. Pemanecia algum tempo em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.
Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião. Nesse mesmo ano, mandou erguer um túmulo para seus pais e para si mesmo, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. O túmulo é uma réplica do Ícaro de Saint-Cloud.
Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. Chegou a oferecer 10 mil francos para quem escrevesse a melhor obra contra a utilização de aviões na guerra. Nesse mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Foi experimentado pela campeã de esqui da França, Srta. Porgés. Interna-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.
Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, feita por ele próprio, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo em convalescença em Glion, na Suíça e depois retorna à França.
Retornou ao Brasil, de navio Cap. Arcona, em 1928. A cidade do Rio de Janeiro recebê-lo-ia festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes. O avião levava pessoas de projeção — grandes nomes da engenharia. Abatido, suspende as festividades e retorna a Paris.
Em junho de 1930, é condecorado pelo Aeroclube da França com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França.
Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro (então capital do Brasil), havia sido exilado pela revolução de 1930 e fora para a França. Encontrou Santos Dumont em delicado estado de saúde, o que o levou a entrar em contato com sua família e a pedir ao seu sobrinho Jorge Dumont Villares que o fosse buscar a França. De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente instalam-se no Hotel La Plage, no Guarujá, onde se instalou em maio de 1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
Em 1932 ocorreu a revolução constitucionalista, em que o estado de São Paulo se levantou contra o governo revolucionário de Getúlio Vargas. Isso incomodava bastante a Santos Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra entre brasileiros. Mas o conflito aconteceu e aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente, sobrevoaram o Guarujá, e a visão de aviões em combate pode ter causado uma angústia profunda em Santos Dumont, que nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, deu fim à própria vida, aos 59 anos de idade. Não deixou descendência.
Fonte: pt.wikipedia.org