Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  São Tomé e Príncipe - Página 3  Voltar

São Tomé e Príncipe

Nome completo: A República Democrática de São Tomé e Príncipe

População: 169.000 (ONU, 2011)

Capital: São Tomé

Área: 1.001 km ² (386 milhas quadradas)

Grande língua: Português

Principal religião: Cristianismo

Expectativa de vida: 64 anos (homens), 66 anos (mulheres) (ONU)

Unidade monetária: 1 dobra = 100 centimos

Principais exportações: Cacau

RNB per capita: EUA $ 1360 (World Bank, 2011)

Domínio da Internet:. ª

Código de discagem internacional: 239

Perfil

São Tomé e Príncipe, uma vez que um produtor de cacau líder, está pronta para lucrar com a exploração comercial de grandes reservas offshore de petróleo.

Mas os argumentos têm surgido sobre como gastar o inesperado esperado, levando a tensão política.

Um dos menores países da África, São Tomé e Príncipe é constituído por duas ilhas de origem vulcânica e um número de ilhéus.

Desde o final de 1400 Portugal começaram a se estabelecer condenados em São Tomé e estabelecer plantações de açúcar com a ajuda de escravos do continente. A ilha também foi importante para o transbordo de escravos.

Aspirações da colônia para a independência foi reconhecida após o golpe de 1974, em Portugal e no Movimento da primeira para a Libertação de São Tomé e Príncipe é o país do único partido político. No entanto, a Constituição de 1990 criou uma democracia multi-partidária. A ilha de autonomia assumiu Príncipe em 1995.

São Tomé e Príncipe está a tentar livrar-se de sua dependência da cultura do cacau. Quebras de produção e os preços deixaram o estado ilha fortemente dependente da ajuda externa. O governo vem incentivando a diversificação econômica e está definido para explorar os bilhões de barris de petróleo que são pensados para mentir na costa do país.

Perfuração está em andamento e produção comercial está prevista para começar dentro de alguns anos.

Promotores de turismo dizem que as ilhas têm muito para os visitantes para ver. Mas obstáculos incluem a ignorância sobre o país, as dificuldades de chegar lá, e que alguns dizem que é um medo exagerado de malária.

São Tomé e Príncipe
São Tomé busca pela independência foi realizado após o golpe de 1974 em Portugal

Uma cronologia dos principais eventos:

Do século 16 - São Tomé colonizada pelo Português, que trazem em escravos para trabalhar plantações de açúcar. Torna-se marco importante para o comércio de escravos.

1800 - cacau introduzida. São Tomé desenvolve em um dos principais produtores mundiais de cacau.

1951 - Torna-se província ultramarina de Portugal.

1960 - Formação de grupo nacionalista que mais tarde torna-se o movimento socialista orientada para a Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP).

1974 - Golpe militar em Portugal. Governo português reconhece o direito de ilhas à independência, reconhece MLSTP como único representante nas negociações. Agitação seguido de êxodo de Português.

Independência

1975 12 de Julho - Independência, com Manuel Pinto da Costa (MLSTP), como presidente, e Miguel Trovoada como primeiro-ministro. Plantações nacionalizadas, fortes laços construídos com países comunistas.

1978 - Governo anuncia supressão de tentativa de golpe, traz tropas angolanas de apoio.

1979 - Patrice Trovoada preso, acusado de cumplicidade na tentativa de golpe. Ele é liberado e vai para o exílio em 1981.

1980 - Governo escalas abaixo links com o mundo comunista como a economia se deteriora. Declara-se não-alinhado, procura apoio ocidental para os planos de recuperação.

1988 - tentativa de golpe.

1990 - A nova Constituição permite que os partidos da oposição, prevê eleições multi-partidárias e restringe presidente para cinco anos-dois termos. Trovoada retorna do exílio.

Eleições multipartidárias

1991 - Primeiras eleições multipartidárias. Rebatizado MLSTP-PSD perde maioria. Governo de transição instalado, até as eleições presidenciais, posteriormente vencidas por Patrice Trovoada candidato independente.

1992 - agitação popular provocada por medidas de austeridade.

1994 - MLSTP-PSD recupera energia. Parlamento concede autonomia local Príncipe.

1995 - Patrice Trovoada derrubado e preso em golpe sem derramamento de sangue por soldados, mas é restabelecido em poucos dias após a pressão dos países doadores.

1996 - Patrice Trovoada presidente re-eleito. Protestos populares sobre dificuldades econômicas.

1997 - Agitação sobre as condições econômicas.

São Tomé estabelece relações diplomáticas com Taiwan a mando de Patrice Trovoada. O movimento é condenado pelo governo. China retalia suspensão laços.

1998 - MLSTP-PSD ganha eleições gerais, Guilherme Posser da Costa nomeado primeiro-ministro.

2000 - Os funcionários públicos greve para pressionar por maiores salários. Autoridades dizem que a dívida externa do país em 1998 foi de EUA $ 270 milhões, mais de cinco vezes do país produto interno bruto anual de cerca de EUA $ 50 milhões.

Menezes empossado

2001 - Empresário Fradique de Menezes é declarado vencedor na eleição presidencial em julho e é empossado no início de setembro.

Março de 2002 - MLSTP estreita vence eleições parlamentares. De Menezes nomeia Gabriel Costa como primeiro-ministro e os dois principais partidos políticos concordam em formar governo de base ampla.

Agosto de 2002 - Presidente De Menezes anuncia planos para uma base naval dos EUA no país, que teria como objetivo proteger os interesses são-tomense de petróleo.

São Tomé e Príncipe
São Tomé é um grande produtor de cacau

2003 16 de julho - Golpe militar derruba o governo. Presidente De Menezes, na Nigéria, no momento, retorna a São Tomé, uma semana depois, após um acordo é atingido com a junta. Uma anistia geral é dada aos líderes do golpe.

Tentativa de golpe

Outubro de 2003 - oferta de petróleo empresas para blocos de petróleo offshore controladas por São Tomé e Nigéria. Licitações são esperados para gerar centenas de milhões de dólares em dinheiro de licença para São Tomé e Príncipe.

Março de 2004 - Linha entre o presidente, o primeiro-ministro sobre o controle de acordos de petróleo ameaça derrubar o governo. Quatro ministros são substituídos.

Setembro de 2004 - Presidente sacos de Menezes do primeiro-ministro e do governo após uma série de escândalos de corrupção. Um novo primeiro-ministro é empossado dentro

De dezembro de 2004 - O Parlamento aprova lei do petróleo projetado para proteger as receitas da corrupção.

2005 Fevereiro - São Tomé - em conjunto com a Nigéria - Sinais sua exploração de petróleo no mar e de partilha de produção acordo com as empresas internacionais de petróleo.

Junho de 2005 - O primeiro-ministro e do governo se demitir. Chefe do banco central Maria do Carmo Silveira torna-se o novo primeiro-ministro.

Março de 2006 - Protestos contra más condições de vida perturbar eleições parlamentares em alguns círculos eleitorais, atrasando anúncio dos resultados.

Movimento Democrático do presidente de Forças para a Mudança (MDFM) é declarado vencedor, tendo 23 dos 55 assentos no parlamento.

Dívida dispensada

Março de 2007 - Banco Mundial, FMI perdoa $ 360 milhões em dívida de São Tomé. Isso representa cerca de 90% da dívida externa do país.

Nigéria e São Tomé concordam em estabelecer uma comissão militar conjunta para proteger seus interesses petrolíferos comuns no Golfo da Guiné.

Fevereiro de 2008 - O líder da oposição Patrice Trovoada torna-se primeiro-ministro, mas é demitido em maio, após um voto de confiança.

Junho de 2008 - Rafael Branco, chefe do segundo maior partido são-tomense, empossado como primeiro-ministro para a cabeça de uma nova coalizão de governo.

De dezembro de 2008 - Vários altos ex-funcionários governamentais, incluindo a ex-primeiros-ministros, comparecer em juízo no escândalo de São Tomé a maior corrupção.

De fevereiro de 2009 - Governo diz frustrado tentativa de golpe.

2009 Dezembro - Nigéria e São Tomé concorda em criar uma comissão marítima militar conjunta para proteger os campos marítimos de petróleo.

De janeiro de 2010 - O líder da oposição Arlecio Costa, preso por tentativa de golpe fevereiro 2009, é perdoado.

2010 Março - São Tomé abre concursos para exploração de petróleo.

2010 Agosto - Oposição Democrática Independente Ação partido (ADI) vence as eleições legislativas. Patrice Trovoada torna-se primeiro-ministro.

2011 Agosto - Independência da era líder Manuel Pinto da Costa ganha a eleição presidencial.

2012 Dezembro - Presidente Pinto da Costa demite o primeiro-ministro Patrice Trovoada na sequência de um voto de não-confiança na assembléia nacional.

Fonte: news.bbc.co.uk

São Tomé e Príncipe

As Ilhas de São Tomé e Príncipe fazem parte de um conjunto de aflorantes vulcânicos, que além daquelas ilhas, inclui também as ilhas de Ano Bom e Fernão do Pó.

Encontram-se no prolongamento da Cordilheira dos Camarões, no Continente, Africano, formando assim um alinhamento de mais de 2,000 km de extensão, desde a ilha de Ano Bom até a margem sul do Lago Tchad. A este conjunto de ilhas chamou-se por muito tempo arquipélago da Guiné.

Encontram-se encravadas no Golfo da Guine, distando S. Tome do ponto mais próximo da Costa apenas 180 milhas, 0 Príncipe 160 milhas e sendo a distância entre as duas ilhas de 82 milhas. São muito montanhosas e de grande vegetação.

Não se sabe ao certo que navegadores portugueses teriam primeiro aportado as ilhas, e os dois cronistas portugueses da época, Gomes Eanes de Zurara e Rui de Pina, não fazem referências a esse fato nas suas crônicas.

Aceita-se geralmente e com alguma probabilidade, que foram os navegadores João de Santarém e Pêro Escobar, ambos cavaleiros da casa do Rei D. Afonso V de Portugal que no ano de 1470 foram mandados prosseguir na exploração da Costa Ocidental da Africa. Teriam provavelmente arribado a Costa Norte de S. Tomé a 21 de Dezembro e tocado a ilha de St.º Antão, mais tarde do Príncipe a 17 de Janeiro de 1471.

Porém uma incógnita se nos põe.

Seria S. Tome desabitada na altura da chegada dos portugueses?

Estou convencido que não, e que seriam seus primeiros habitantes os Angolares.

IDADE COLONIAL - PERÍODO DA RESISTÊNCIA (Ciclo do Açúcar) de 1470 a 1822

Este período, como facilmente se presume, começa com a chegada dos portugueses altura em que se inicia a cultura intensiva da cana-de-açúcar e termina no alvorecer do sec. XIX (1822) com a introdução da cultura do cacau em S. Tomé.

Esta nova fase da nossa história, é a que contém documentos escritos e por isso a que sempre os colonialistas portugueses nos apresentaram como única.

Após a sua chegada em 1470, só a partir de 1485, com a doação da Ilha de S. Tome a João de Paiva, fidalgo da casa de D. João II, após a sua organização em Capitania, por carta regia de 24 de Setembro daquele ano, começaram propriamente a colonização.

Ou desconhecendo os portugueses a existência de habitantes na Ilha, ou não tendo com eles podido entabular contatos,tiveram logo necessidade de introduzir mão-de-obra saída Costas da Africa, para incremento da cultura da cana-de-açúcar, por eles trazida provavelmente da Ilha da Madeira, impondo desse modo nas duas ilhas um sistema de trabalho escravo.

ECONOMIA E REGIME SOCIAL

Logo após a fixação dos portugueses em S. Tome e Príncipe, foi introduzida a cultura da cana do açúcar. Tempos depois, dada a prosperidade do solo já existiam mais de 60 engenhos de açúcar, este que era depois exportado para os port os da Europa.

S. Tomé desde logo tomou-se 0 grande entreposto do comércio de escravos, apanhados em toda a região do Golfo da Guiné e exportados para 0 Brasil.

Comercializava-se também a pimenta. 0 fabrico do açúcar, 0 comercio de escravos e da pimenta, eram 0 principal rendimento da economia de S. Tome e Príncipe no sec. XVI, além da exportação de madeiras.

Para aumento das forças de produção, 0 Rei de Portugal D. João II, por carta de 16 de Dezembro de 1485 concedeu muitos privilégios as Ilhas, e aos indivíduos que as quisessem vir povoar. Não obstante tais ofertas o número de colonos que para cá se deslocou foi reduzido 0 que levou 0 mesmo Rei a fazer nova. oferta de capitania da mesma Ilha a Álvaro de Caminha sendo o número de privilégios agora concedidos muito superior aos precedentes.

Desta vez a táctica surtiu maior efeito, e os colonos chegados a Ilha desembarcaram em Agua Ambó, junto a Ponta Figo e ali se fixaram por algum tempo. Pouco depois, descobrindo que a atual região da Baía de Ana de Chaves oferecia melhores condições, para aí se deslocaram, fundaram uma povoação e continuaram a exploração da cultura da cana-de-açúcar.

No intuito de aumentar a produção e aproveitar-se da mão-de-obra barata existente em Portugal, o soberano enviou para a colônia "muitos degredados, e os filhos dos judeus arrancados a seus pais".

Aos colonos foi permitido "resgatar em toda a terra firme ate o rio Real e ilha de Fernão de Póo, e em toda a costa do Manicongo, pimenta e escravos, etc. e também usar cada um e se dela servir, uma escrava", com o fim de aumentar o número de trabalhadores escravos.

AS CLASSES SOCIAIS

Pouco depois do início da colonização, começam a desenhar-se os seguintes estratos sociais:

Uma classe de ricos proprietários, verdadeiros senhores feudais, que se apropriaram dos meios de produção, e que detêm nas suas mãos os destinos da colônia.

Esta classe detentora das riquezas dispõe da vida dos escravos a seu belo prazer, etc.

Equiparada a esta classe, temos 0 Clero. Padres católicos que se deslocavam acompanhando as expedições militares ao longo das suas incursões aos territórios Africanos, com 0 fim de lançarem 0 ópio que por longos anos adormeceria 0 instinto emancipalista dos povos. Estes senhores ao longo da colonização das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, tiveram uma posição bem distinta da doutrina que pregavam. Classe abastada, cedo entrou em rivalidades com os proprietários de terras e com governadores na luta pelo poder.

Segue-se a estas duas classes, uma classe média, constituída por colonos brancos não proprietários e também por alguns mestiços, pois 0 Rei D. João III a 10 de Agosto de 1520 recomendou por um Alvará "0 bom tratamento dos filhos dos Judeus e seus descendentes e permitiu que os mulatos pudessem servir quaisquer ofícios como os brancos".

No ínfimo escalão social havia a classe dos escravos, cujos elementos se achavam despidos dos mais elementares direitos humanos.

Esta classe era bastante heterogénea na sua composição, pois as características físicas, culturais, de língua etc., dos seus elementos era muito diversa.

Contudo entre eles havia um elo de ligação: "a mais desumana exploração que sobre eles se abatia."

Nos princípios do séc. XVI, vislumbram-se já pequenas confrontações sociais, tendo como causa o choque de interesses entre as diferentes classes.

Em 1512, um incêndio cuja razão se desconhece, destruiu por completa a única povoação conhecida da ilha e em função das rigorosas calamidades a que ficaram expostos os seus habitantes e da forte repressão exercida pelos colonos sobre os escravos, originou-se uma revolta do escravos pertencentes a uma família Lobato, seguidos de outros escravos (mestiços e pretos) a 20 de Janeiro de 1517.

Esta revolta teria tido como consequência a libertação de muitos escravos que pela luta conquistaram os seus direitos humanos.

São estes homens, agora livres que se vão constituir em nova classe. Esta classe medianeira entre a citada classe media e a dos escravos é a dos Homens Livres.

Ao longo dos séculos viu-se esta classe acrescida de novos elementos que se foram sucessivamente misturando, dando origem aos forros de hoje.

SITUAÇÃO POLÍTICA

Qualquer das estruturas, porque dividamos a história de S. Tomé e Príncipe para sua melhor compreensão encontram-se intimamente ligadas e interdependentes uma da outra. A situação política, reveste-se de um carácter peculiar, dado que a colônia, era um "Estado" nem sempre dependente do Estado colonizador. As normas de carácter geral eram emanadas do soberano de Portugal, depois de ouvido um concelho colonial, porém os representantes locais do Governo, dispunham de amplos poderes, de tal modo que as diretrizes traçadas em Portugal raras vezes eram seguidas na prática. Por outro lado havia forte incompatibilidade entre o Capitão Governador que se arrogava detentor de todos os poderes, e as restantes instituições do estado, como o Senado da Câmara (representante dos ricos proprietários) e 0 Clero. Essas forças políticas nem sempre se equilibravam. Entre outras prepotências verificadas e bem explícita, a rejeição de um Governador, por parte das classes privilegiadas, que lhe entregaram antecipadamente todos os soldos e demais emolumentos que poderia fazer no decurso do seu Governo e 0 despediram "com 0 verdadeiro desprezo, alegando ser o Governador muito moço para governar homens tão bárbaros como os moradores de S. Tomé."

As dissenções existentes entre os mais poderosos, provocavam um verdadeiro caos até mesmo nos órgãos judiciais, onde os próprios oficiais e juízes cometiam os maiores atropelos.

O Capitão (Governador) era o comandante das tropas e tinha a seu cargo a organização da defesa das ilhas.

RELIGIÃO

As manifestações religiosas são imensamente complexas. Elas têm origem nos mais variados credos, pois se atendermos a gama de indivíduos de varias origens, vindos para S. Tomé e Príncipe, facilmente se encontra a explicação deste fato.

Distinguem-se contudo, duas tendências religiosas acentuadas: a Animista e a Católica.

A primeira se funda num culto verdadeiramente fetichista. Nesta tendência não existe a concepção de Um só Deus. Deus segundo ela tanto pode ser Jehovah, como Zambi, como qualquer outro ser.

A segunda tendência, uma interpretação Cristã do mundo (catolicismo), não fez sentir tanto a sua influência nos primeiros séculos da colonização. É certo que grande parte da população não se furtava a este credo, não por o ter aceite em consciência, mas apenas por nele ver mais uma forma de evasão espiritual que bem se ajustava a sua noção de universo.

Como para todos os povos do mundo, a religião era para estes homens uma tentativa para a explicação dos fenômenos, que para eles tinha sempre algo de misterioso e de sobrenatural. Eis a razão porque facilmente aceitam qualquer credo sem oferecer obstáculos. O Catolicismo não os satisfazia, embora o respeitassem, daí que tivessem a necessidade de consultar os Manes e os espíritos dos mortos.

O mal e o bem são atribuídos ao feitiço. Segundo eles o corpo é feito de barro e se desfaz, e a alma é invisível e aspira a bem aventurança eterna. Têm por isso um sacro respeito pelos mortos.

Embora constituídos por uma amálgama de crenças, são bem característicos os ritos funerários que constituem um verdadeiro culto dos mortos.

Na altura do falecimento os indivíduos que estão de vigília, saem do quarto em grande gritaria para não interromperem a saída da alma do defunto. Diziam eles que sempre que alguém morresse era bom queimar-lhe a cama para que não voltasse a esse mundo. Algum tempo depois começam a entrar no quarto, feito em câmara ardente, pessoas que enquanto vão comer do cola e bebendo genebra põem-se a fazer o elogio fúnebre, que consiste em ressaltar as boas qualidades do morto.

O cadáver é lavado e vestido, e na parede é colocado um pano preto sob um crucifixo, ante o qual todos se ajoelham e rezam. Na altura de se transportar o morto, que é metido num caixão, a sua família despede-se beijando-lhe o pé. Após a retirada do caixão do quarto para o quintal, toda a gente rapidamente e em gritos dirige-se a igreja. Voltam em seguida e formam um grupo à retaguarda do caixão, que é levado e sepultado, agora em grande silêncio por vezes cortado por espremidos soluços. Nessa mesma noite começa o nojo que se prolonga por trinta dias. Após o regresso as pessoas que forem entrando no quarto mortuário, não pronunciam uma única palavra às que aí estão, senão depois de ajoelharem diante do crucifixo e rezarem por alma do defunto. 0 sétimo dia do falecimento e conhecido pelo de "funeral", porque nesse dia se celebra uma missa por alma do falecido. 0 nojo nesse dia assemelha-se a uma grande festa.

Essa mística religiosa manifesta-se em muitos atos da vida; assim temos que quando nasce uma criança empregam-se todos os meios para a livrar do feiticeiro, que a noite costuma ir à cama chupar-lhe o sangue.

Nos três primeiros dias do nascimento, é uma vizinha quem amamenta a criança, porque o primeiro leite da mãe teria efeitos malignos no filho.

São amarrados ao pescoço da criança pedacinhos de paus e folhas que afugentam os feiticeiros. A criança e passada de colo em colo toda a noite. porque se estivesse na cama um momento entraria logo o feitiço nela. Debaixo do leito é colocada uma panela de barro cheia de azeite de palma, para que as bruxas em vez de sangue de criança chupem o azeite.

A MEDICINA PELA MAGIA

Quando doentes, as pessoas dirigem-se comummente ao feiticeiro, que inspirado pelos deuses há-de salvá-las a todo o custo.

0 doente tem invariavelmente o corpo cheio de bichos, que o Méssè se propõe tirar-lhe através de ritos mágicos muito bem ensaiados. Em caso de doenças graves o Méssè recorre espelho, enquanto reza estranhas orações que só ele percebe. Aos doentes são ministradas raízes e cascas de árvores e acontece algumas vezes que aqueles conseguem livrar-se da necrópole. Há ainda o "especialista" em análises de urina que por meio de orações e outras práticas detecta o mal de que o doente está afetado e por vezes diagnostica a evolução da doença. É apreciável o espírito profundamente místico de que estão impregnados todos esses atos.

A tradição Católica é sobejamente conhecida por todos.

A AGITAÇÃO SOCIAL

Durante os primeiros sécs. da colonização, esta caracterizou-se por uma série de convulsões sociais, algumas das quais já citei, tendo como causa fatores de ordem interna e também razões de ordem externa. Constatamos que poucos anos após a colonização já se haviam formado classes sociais distintas, algumas das quais com interesses contraditórios entre si. É pois partindo dessas premissas, e tendo também em atenção as incompatibilidades entre elementos da mesma classe que se explicam as grandes agitações sociais.

Vimos que em 1517 deu-se a primeira revolta de escravos, que uniu pretos e mulatos. As desavenças entre brancos e mulatos deviam-se ao fato de estes últimos serem em grande número, de modo que se fossem considerados homens livres, com direito a participação na administração da Colônia, em breve absorveriam os brancos que não queriam perder as suas posições privilegiadas. Em razão disso houve por parte das autoridades tentativas violentas para a completa escravização dos mulatos, mas estes fizeram-se representar em Lisboa e D. Manuel I determinou a 9 de Janeiro de 1515, que "a descendência das escravas dadas aos colonos, bemcomo as mães, eram livres, e não podiam ser demandadas, elas,seus filhos e filhas, como cativos de El-Rei, nem de pessoa alguma ". Este soberano estendeu ainda aos escravos dos primeiros povoadores, em 1517, o beneficio que tinha concedido as escravas e seus descendentes.

Como já havia dito, são estes escravos e escravas pretos e mulatos libertos, e outros que se foram revoltando que estão na ascendência dos forros, uma nova classe social.

Conta-se que Yon Gato se tornou celebre ao chefiar uma revolta de escravos.

Por outro lado os grandes senhores, apoiados na enorme quantidade dos seus servos, rebelavam-se contra a autoridade dos governadores, estes por seu lado verdadeiros déspotas, e praticavam os crimes mais atrozes, incêndios, raptos etc. e acusavam-se reciprocamente junto ao soberano. Eram tais os desmandos que os próprios oficiais públicos falcatruavam os processos em benefício dos seus amigos.

Em 1522, foi incorporada a Ilha de S. Tome nos bens da Coroa, e na tentativa de restabelecer a ordem, por sentença de confisco ao então donatário João de Melo que por vários excessos e violências, foi "julgado a revelia e degredado por toda a vida para a Ilha do Príncipe, não lhe tendo sido imposta pena mais grave por ter o hábito de Cristo ".

Dá-se enfim em 1574 a primeira aparição dos Angolares, que junta mente com outros negros armados de flechas, destruíram muitos engenhos de açúcar e atacaram a própria cidade.

Desconhece-se a causa da destruição completa da cidade em 1585.

A 9 de Julho de 15950 celebre Amador a frente dos Angolares, levanta 0 estandarte da revolta, mas é preso e morto em. 1596. Contudo 0 valoroso gesto de Amador e seus companheiros, (aquele pretendia fazer-se aclamar Rei da Ilha), deixou de tal modo atemorizados os colonos que quase todos se decidiram a partir para 0 Brasil. Esta situação prolongou-se por longo tempo e sempre mais acentuada, em razão dos desmandos praticados pelos Clérigos.

A partir de 1567 começam os ataques dos corsários, Receando a vinda de piratas franceses constrói-se a fortaleza de S. Sebastião em 1566, Com efeito no ano seguinte estes invadiram a Ilha de S. Tome, roubaram os templos, e os defensores em represália envenenaram as águas e o vinho da palma.

Trinta e três anos mais tarde dá-se o saque da esquadra holandesa comandada pelo almirante Pedro Van Der Dons. Esta Ilha voltou a ser atacada pelos holandeses em 1642. Estas disputas contínuas entre as potências colonial-imperialistas, tinham em vista a repartição entre si dos territórios coloniais.

Em 1753, foi a capital transferida para a Ilha do Príncipe, cuja povoação foi erigida em cidade de S. António, e 801 se manteve até 1852.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Ao longo desse período de ocupação, processaram-se os mais complexos fenômenos de aculturação. Uma miscelânea de raças, culturas, línguas etc., fundia-se sucessivamente para formar um povo distinto.

A resultante dessa profunda mescegenação chamou-se fôrro, por lhe ter sido concedida a carta de Alforria e passou a ser o nativo das Ilhas de S. Tome e Príncipe.

Este homem livre, criou uma maneira de ser distinta dos seus ascendentes, formou a sua língua, adquiriu tradições próprias e passou a resistir aos opressores colonialistas. A medida que estes homens livres se foram constituindo em nova classe social, e forjando sua nação, sobre eles 0 sistema colonial passou a incidir mais acentuadamente os seus instintos repressivos.

Não obstante os grandes obstáculos que se lhes depararam 800 longo dos três primeiros séculos, quando se começa a cultura do cacau no Príncipe em 1822 e pouco mais tarde em S. Tomé, pode-se afirmar que já se havia constituído um povo distinto, que habitava as duas Ilhas, cujas características rácicas, de língua e de cultura estavam bem distantes das que lhes haviam dado origem.

São poucos os vestígios de artes plásticas, pois o seu tipo de cultura e mais propenso a música e a dança.

É através dessas artes que os naturais de S. Tome e Príncipe manifestam os seus mais íntimos sentimentos e a sua profunda sensibilidade harmonia dos sons.

Dedicam-se também a representações teatrais e o seu género preferido e uma espécie de tragicomédia adulterada.

A língua falada nas duas ilhas é muito semelhante, pois sua formação é contemporânea e obedeceu aos mesmos princípios, embora se notem algumas adaptações regionais.

CICLO DO CACAU

Durante três séculos, tinham sido lançadas as bases da colonização portuguesa em S. Tomé e Príncipe. Ao raiar o séc. XIX, porém grandes modificações iriam dar-se na vida dessas Ilhas.

Na última metade do séc. XVIII, devido 80013 ataques constantes dos Angolares as desavenças entre as autoridades, o Clero e o Senado da Câmara, um grande número de colonos havia abandonado as ilhas, rumo ao Brasil. Essa saída de colonos e o caos administrativo que grassava no Arquipélago, conduziu o mesmo a uma situação econômica péssima. As plantações de açúcar, tão prósperas no séc. XVI, em meados do século seguinte tinham-se reduzido ao um número diminuto. A anarquia gerada pela luta pelo poder entre os elementos das classes abastadas, não permitia a execução de medidas que restabelecessem a crise econômica.

Surge o sec. XIX, e nas suas primeiras décadas a situação mantém-se. É então que em Portugal se decide reformar a administração, de modo a melhorar a situação da colônia, pois a proclamação da Independência do Brasil, colocava-o numa situação de pobreza. Sanam-se os conflitos entre o Governador, os Clérigos, os Capitães e os ricos proprietários, através de um novo sistema de governo. São criados serviços públicos distintos, e definidas as suas atribuições.

Cansados de longos anos de discórdia, por contradições no seio do seu próprio sistema, os colonizadores acalmam os seus ânimos.

Os forros tinham plena consciência da sua. situação de homens livres, e recusavam-se a trabalhar nas plantações dos colonos, levando uma vida. pacifica, nos seus terrenos, onde cultivavam a bananeira e alguns outros produtos, com os quais se alimentavam.

Era nesta altura reduzido o número de escravos, pois muitos tinham-se aos poucos eximido a tão servil condição, pela revolta.

Uma parte dos habitantes, formando uma população distinta, vivia, pensa-se nas praias do sul de S. Tome; são eles os Angolares. Conhece-se mal a vida que faziam, dedicando-se provavelmente a uma agricultura rudimentar e a pesca.

É esta a situação da colônia de S. Tomé e Príncipe a traços largos, na primeira metade do sec. XIX:

ALTERAÇÕES DA ESTRUTURA ECONÔMICA E SOCIAL

Tinha-se visto que a economia da colônia assentou durante vários anos na exportação do açúcar, do qual no sec. XVI S. Tome era o 1.° exportador Africano, no comercio da pimenta, na venda de madeiras e sobretudo no tráfego de escravos.

Vai-se dar não obstante, a partir dos finais do sec. XVIII, a introdução de novas culturas agrícolas, que ao fim de poucos anos provocam uma profunda alteração em todas as estruturas do sistema. Começa-se por se fazer a introdução da cultura do café, que nesta época e imensamente cobiçada nos mercados europeus.

Na segunda década do sec. XIX, e trazida para estas ilhas a cultura do cacau. É esta difundida por um rico proprietário de S. Tome, João Maria de Sousa. e Almeida, I Barão de Água Izé.

A introdução destas culturas, conduz a profundas consequências em todas as esferas, pois elas exigem para a sua produção um grande número de braços.

Lembremo-nos, que e precisamente neste séc., (1867) que são abolidas por lei as relações de escravatura e impostas sanções pelas potências europeias as suas irmãs que continuassem a praticar "tal desumanidade". Este fato, levou a que os poucos escravos que ainda restavam nas plantações dos colonos fossem libertos, na altura em que aqui se achava o Governador Gregório José Ribeiro (1875), razão porque foram baptizados de "gregorianos".

A partir dai ou se forçariam os forros a trabalhar para os colonos nas suas plantações de cacau ou ter-se-ia novamente de importar mão-de-obra a baixo preço.

Desse modo são celebrados contratos, por deferência das autoridades coloniais, entre os proprietários de terras e os mercadores de serviçais nas outras colônias portuguesas.

Este sistema de trabalho escravo e a forma privada da apropriação dos meios de produção, vem desde o início da colonização, porém, vão agora definir-se novas linhas mestras para a exploração da força de trabalho das classes oprimidas.

Os antigos donos das plantações que tinham ficado nestas Ilhas, tentam por meio de burlas e outras artimanhas, aumentar os seus terrenos de cultivo. A estes juntam-se outros colonos vindos da Europa.

Poucos anos depois ficam as duas Ilhas divididas em vastas propriedades de um reduzido número de senhores, e a posse das mesmas efetiva-se por força da lei que os protege. A divisão da terra em grandes latifúndios chama-se Roça, e são muito poucos os naturais que a possuem, convindo essas grandes áreas as culturas do cacau e do café, que em pequenas extensões tem fraca rentabilidade.

As raras roças dos nativos viriam a desagregar-se com o decorrer dos anos por sucessivas partilhas entre herdeiros, por vendas, e em virtude dos roubos dos colonos.

A economia a partir de então começa a evoluir ao ritmo da exportação do cacau e do café, este em menor escala, assim como da copra e do coconote. Para o cultivo das mesmas vem serviçais de Angola, Moçambique e Cabo Verde, que segundo as autoridades coloniais, vinham de sua inteira vontade mediante contratos livremente celebrados. Mesmo que assim se passassem os fatos, as relações de produção iriam demonstrar o contrario.

A febre do cacau fez relegar para segundo plano as culturas de subsistência, pelo que quase tudo quanto se consome é importado. Este fato, deve-se também a que as potencias coloniais, nunca. desenvolviam nas colônias, aquilo que elas produziam e procuravam exportar. Assim as colônias seriam o seu mercado de venda.

Do sec. XIX a 1974, em função do sistema de exploração, verifica-se a existência das seguintes classes sociais:

ALTA BURGUESIA (Latifundiária) - Esta e a classe detentora dos meios de produção, é a alta burguesia colonial.

Os seus elementos, a partir de determinada altura abandonam as ilhas e deixam na gerência das suas propriedades administradores europeus da sua confiança. Levam uma vida faustosa nos seus ricos palacetes e nas suas casas de campo em Portugal e noutros pontos do Globo, a custa de uma exploração desenfreada do povo de S. Tomé e Príncipe.

Incluem-se nesta classe os grandes comerciantes:

MÉDIA BURGUESIA - Este degrau social e constituído pelos administradores das roças. Tem procuração do regime colonial para dispor da vida dos seus servos a seu belo prazer. Pertencem também a esta classe muitos outros empregados brancos, e a maioria dos funcionários europeus (a Media burguesia burocrática), e os médios comerciantes.

Esta classe e a que em colaboração com os grandes comerciantes governava a colônia, subordinando os mais responsáveis. Os que se dedicavam ao comercio, enriqueciam-se cada vez, mais, sugando as massas trabalhadoras o seu salário de miséria. Os que ocupavam cargos públicos estavam sempre nos lugares superiores.

PEQUENA BURGUESIA - Era constituída nos finais do sec. XIX e princípios do sec. XX, por pequenos proprietários nativos. Com 0 evoluir dos acontecimentos, foram-se vendo sucessivamente arruinados, porque não conseguiam superar as crises econômicas e por outras diversas razoes, o certo e que foram gradativamente ingressando em cargos públicos, onde não passavam de funcionários subalternos (a Pequena burguesia burocrática). A estes juntam-se os pequenos comerciantes.

PROLETARIADO NÃO ASSALARIADOS - Constituído por grande parte da população nativa, que em virtude de possuir o mínimo para a sua subsistência, sempre se recusou a trabalhar nas plantações dos colonos. Levam, todavia, uma existência difícil.

PROLETARIADO ASSALARIADOS - Formado por artífices e trabalhadores nativos em geral. (Só a partir dos finais do ciclo do cacau os naturais de S. Tomé e Príncipe se sujeitam a trabalhar nas roças), que por não possuírem qualquer meio de subsistência viam-se obrigados a trabalhar para os colonos, mediante um salário de fome.

OS SERVIÇAIS - São estes, naturais de Angola, Moçambique e Cabo Verde, que cada um a seu tempo, começaram a ser importados para as Ilhas de S. Tome e Príncipe, para trabalharem nas roças. Esta importação deve-se ao fato dos forros se recusarem a trabalhar nas roças, dadas as condições em que tal trabalho era feito. Os elementos deste grupo estavam desprovidos de quase todos os direitos. Eram recrutados pelos serviços de emigração, a CURADORIA, que depois os distribuía pelas roças, conforme o pedido das mesmas.

Os serviçais eram obrigados a levantar-se muito antes do alvorecer e voltavam as suas sanzalas, já tarde do dia, depois de um trabalho revoltante. Os maus-tratos sofridos por estes indivíduos, são algo tão vasto e complexo, que descrevê-los não caberia nestas páginas.

Muitos deles fundiram-se com os nativos entre si, dando origem aos TONGAS.

RELAÇÕES SOCIAIS

Constatamos a existência de classes sociais distintas. Importa saber quais as relações entre as mesmas.

A primeira e segunda classes são constituídas por europeus. As restantes, excepto o grupo dos serviçais, formam-se dos naturais das duas ilhas.

As duas primeiras detêm nas suas mãos o poder econômico, daí que todas as diretrizes sócio-políticas delas partam. O laço de união entre elas é fundamentalmente a cor da pele.

As duas seguintes, constituídas por elementos de mesma origem étnica e de idênticos costumes, fazem depender as suas relações através de laços consanguíneos, unindo-os também a cor da pele.

Temos assim, que existem dois grandes grupos diferentes. O primeiro formado pela Alta e Media Burguesia, e o segundo agregando a Pequena Burguesia e 0 Proletariado.

Nos princípios do sec. XX, surgem mais acentuadamente fricções entre estes dois grandes grupos. Passou-se a rotular de racismo ao que era uma luta pela melhoria das condições econômicas das classes desfavorecidas. Até 1953 dão diversas confrontações de somenos importância. Neste ano, sucedem porém, acontecimentos que ficarão para sempre, marcados em sangue, nos anais da nossa História.

Com o pretexto de restabelecerem a ordem (diziam as autoridades, que os naturais eram vadios e ladrões), começaram a proceder a rusgas e a armar todos os colonos. A finalidade era, contudo, coagir os forros a trabalharem sob contrato, nas plantações de cacau.

Na inesquecível manhã de 4 de Fevereiro, sob a invocação de uma revolta concebida e posta em prática pelos naturais, dirigiu-se a Trindade, acompanhado de um pelotão o alferes colonial Jorge Amaral Lopes, onde cobardemente se pôs a disparar sobre um grupo de homens que conversavam. A reação destes foi pronta, e a machinada fizeram o alferes pagar com a vida, o seu ignóbil ato.

Foi esta a causa do horrendo Massacre do Batepá. Em menos de uma semana, foram dizimadas mais de um milhar de vidas.

Ao entrarmos na década de sessenta a repressão assume proporções extremas, pois surgem nesta altura os Movimentos de Libertação da Africa colonial portuguesa. Cada um deles adopta diferentes formas de luta, consoante as realidades de cada colônia. O C. L. S. T. P. formou-se em 1960 e sediou-se no Gana até 1967, altura em que seguiu para Brazaville, tendo-se deslocado depois para Sta. Isabel e mais tarde para Libreville. Em 1972, feito um congresso transformou-se em M. L. S. T. P.

Portugal decide reforçar os seus efetivos militares nos territórios ocupados e a então P. I. D. E. passa a, exercer um controle muito mais rigoroso sobre a população. Tudo lhes serve de pretexto para espancarem e matarem.

Embora não tendo conhecido a luta armada o povo de S. Tomé e Príncipe, lutou com a táctica da resistência passiva, e entre os torcionários da P. I. D. E. e da Policia Militar, difícil se torna saber qual melhor serviu a repressão e a exploração.

A partir de 1973 a luta dos povos da Guine e Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, e também a luta do povo português, conduzem o sistema colonial-fascista a uma. situação insustentável. É grande o descontentamento nas fileiras do exército português, onde as baixas são enormes.

A 26 de Março de 1974 gora-se a tentativa de um golpe de estado militar em Portugal (Movimento das Caldas da Rainha). A P. I. D. E. - D. G. S. E. prende e tortura centenas de pessoas.

Decorridos menos de dois meses na madrugada de 25 de Abril, o povo português unido as Forças Armadas, liberta-se da ditadura.

Um golpe de Estado abrira novas perspectivas na luta de Libertação das Colônias.

ESTRUTURA POLÍTICA

Durante estes dois séculos do Ciclo do Cacau, criaram-se estruturas administrativas complexas.

Elas compunham-se de vários serviços públicos, tendo a sua frente um. chefe de serviço. As decisões tomadas por este, tinham de ser sancionadas pelo Governador da Colônia. Este para legislar, auxiliava-se de um Conselho de Governo e de uma Assembleia Legislativa.

Durante muito tempo o Governador foi o comandante-chefe das forças armadas, ate que com a luta armada nos outros territórios sob a sua dominação, se criou um Comando Independente. Fora da sua alçada encontrava-se a D. G. S.

O Governador deslocava-se periodicamente à Lisboa, para informar o governo colonial e de 180 trazer instruções.

Na Ilha do Príncipe, em representação do governo havia o Administrador do Concelho com largas atribuições. A colônia achava-se dividida em. dois Concelhos, o de S. Tomé e do Príncipe, e em varias freguesias.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Vimos atrás a economia, a estrutura social e o esquema político.

Vejamos resumidamente a evolução das ideias religiosas e de alguns aspectos culturais.

Na fase da cana do açúcar havia a preponderância de formas animistas na religião sobre o Catolicismo. A partir do sec. XIX, porem, essas posições invertem-se até meados do sec. XX, altura em. que o Catolicismo começa a perder influência, dadas as atitudes políticas assumidas pelos padres, e também porque os protestantes têm vindo sucessivamente ganhando adesão. Nos últimos vinte anos, tem-se dado, não obstante, a desmistificação das ideias. A medida que as massas vão ganhando consciência da sua situação de explorados, esvai-se o seu fanatismo religioso.

Com o aumento da escolarização, a medicina feiticeira foi perdendo o seu vigor, embora se verifique ainda muitos casos de profunda crença nessas práticas.

Regra geral tudo quanto possuímos de cultura é fruto de complexos hibridismos.

Quer na música quer na dança encontram-se vestígios da sua origem noutras partes do mundo.

Tanto a Tragédia do Marques de Mârtua como o Auto da Floripes, foram aqui introduzidos há séculos, têm sido recriados mas subsistem vigorosamente nos nossos dias.

O Socopé crê-se ser a única dança criada em S. Tomé. O Danço Congo ou a Dança do Capitão do Congo, é a única de tradição gentílica, trazida provavelmente por escravos vindos do Congo.

Não possuímos pintura. onde os naturais revelam bem o seu espírito criador, é na confecção de objetos de placa de tartaruga, de grande valor artístico.

Restam-nos um considerável número de contos (soyás) e fábulas, estas tendo como personagem principal, a tartaruga.

A poesia é oral e está intimamente ligada à música.

OS ANGOLARES E A SUA PROBLEMÁTICA

Analisemos agora o problema da descoberta ou conquista das ilhas de S. Tome e Príncipe. A maioria dos historiadores portugueses interessados até a pouco em apagar todos os vestígios da ocupação efetuada pelos colonizadores do seu país, para destruir no espírito dos povos colonizados, o seu nacionalismo, sempre nos tentaram dar uma visão deturpada dos fatos. Assim temos entre nós a grande problemática dos Angolares.

Afirmam certos estudiosos portugueses que: "não se sabe ao certo em que ano deu à costa o navio que nos fez presente dos Angolares. É de presumir que foi pelos anos de 1540 ate 1550, visto que os filhos dos primeiros vindos, acompanhavam os pais no ataque e roubo de muitos engenhos de açúcar, no ano de 1574".

Pretendem eles com o fato de jovens com menos de trinta anos terem tomado parte em assaltos a engenhos de açúcar em 1574, demonstrar que os Angolares teriam naufragado entre 1540 e 1550. Tal conclusão, não pode constituir argumento positivo, pois quer os Angolares tivessem vindo muito antes ou muito depois das datas indicadas para seu provável naufrágio, haveria sempre entre eles jovens com. menos de trinta anos capazes de participar nos assaltos, assim como em. 1940,1950, 1960, etc., houve sempre jovens com essa idade em S. Tomé e Príncipe e noutras partes do mundo.

Quanto a mim. as datas propostas, pelos argumentos apresentados, são infundadas.
Asseveram. ainda que os Angolares, "teriam naufragado na costa SE. da Ilha de S. Tomé, junto as Sete Pedras, e que estariam sendo transportados num navio negreiro, rumo ao Brasil."

Admitindo como certa esta hipótese, teríamos necessariamente que concluir que a grande maioria dos escravos náufragos, quer homens quer mulheres, teriam. que ser indivíduos habituados ao mar ou a grandes rios, pois para se salvarem, era indispensável que soubessem nadar, dada a distância a que as Sete Pedras se encontram do. Costa, e atendendo ao que afirma um estudioso português, que os Angolares seriam cerca de duzentos na altura do. sua primeira aparição em 1574.

Quanto aos negreiros, estes teriam logicamente sido mortos, na altura do naufrágio, O que exclui possíveis testemunhas. Note-se que os Angolares nas suas lendas não fazem referências a nenhum naufrágio dos seus antepassados.

Seriam os Angolares escravos apanhados ou comprados numa mesma tribo de Angola?

Deveríamos consequentemente concluir que sim, pois segundo se sabe, aquando da sua aparição em 1574, falavam. a mesma língua, apresentavam características raciais uniformes e tinham uma estrutura militar que lhes permitia assaltos organizados do tipo de guerrilhas. Se pertencessem a tribos diferentes, não se conceberia que no curto espaço de 30 anos, já se tivessem miscigenado a tal ponto de se compreenderem num mesmo idioma.

Raciocinando nestes termos, a hipótese de terem. saído de tribos diferentes é de se afastar, visto que nos seus primeiros contatos com os portugueses, revelaram um modo de vida singular, uma impenetrabilidade ao seu estilo cultural, reforçado por um único idioma e uma perfeita organização.

Resta-nos encontrar em Angola, ou na região de grandes rios ou no litoral, alguma tribo donde teriam partido dos Angolares.

Um estudioso português a respeito das características rácicas e da língua dos Angolares afirma:

"Os dados antropométricos que observei, dão a impressão geral de que os Angolares proviam de Negros do Tipo dos Mussorongos, tribo do Noroeste de Angola, mestiçados com outros Bantos. Se não é possível afirmar com segurança qual ou quais seriam os dialetos falados pelos náufragos, contudo, nos últimos lustros do sec. XIX, ainda os Angolares se entendiam num mesmo idioma, idêntico ou muito semelhante ao Quimbundo, a língua franca dos povos das regiões interiores de Luanda."

Do que foi transcrito não se percebe ao certo donde teriam saído os Angolares, se dos Mussorongos ou se dos Quimbundos.

Uma conclusão, porém parece-me correta: as semelhanças apresentadas quer de raça quer da linguagem, não são suficientes para nos levar a concluir da ascendência dos Angolares, como saídos da região de Angola, reforçando esta argumentação o fato de os Angolares apresentarem semelhanças com duas tribos distintas de diferentes regiões de Angola.

Sabemos que vários povos do mundo apresentam entre si relações de semelhança, desde que tenham saído de um mesmo tronco. Ora tanto os Angolares, como os Mussorongos e os Quimbundos pertencem a grande família dos Bantos, o que por si só pode bem explicar certas afinidades.

Na minha opinião, os Angolares são uma ramificação dos Bantos, que provavelmente se teria fixado nas regiões do Gabão e do Rio Muni e que posteriormente se tivesse deslocado para algumas das Ilhas do Golfo da Guine.

Não se sabe ao certo se compunham de uma só tribo, porém, chegou até nós o conhecimento de que tinham um rei, provável herança da sua organização no Continente Africano, a quem todos deviam obediência, e que se fazia rodear de uma Corte e de um Estado Maior.

Segundo os Portugueses, os Angolares, viviam numa fase de recoleção, o que não me convence, visto que no séc. XIX, estes eram já pescadores exímios. Não se compreende como no curto espaço de dois séculos um povo refratário ao contato com outros habitantes da Ilha, e numa fase de civilização correspondente ao período de recoleção, se teriam tornado tão bons pescadores.

Pela explicação obscura e pelos argumentos controversos apresentados pelos historiadores portugueses, que a respeito do naufrágio e da sua data, se baseiam apenas em presunções, inclino-me a aceitar que esse povo conhecido por Angolar ou N'Golá, habitava a Ilha de S. Tomé antes da chegada dos portugueses.

A designação de N'Golá, que os Angolares a si próprios atribuíam, deve estar na origem do termo aportuguesado Angolar. O inverso, como alguns pretendem, seria pouco provável, dado que este povo sempre se mostrou hostil a cultura do povo colonizador.

Tenho a reforçar as minhas conclusões o seguinte: foi descoberto na região de Porto Alegre, um instrumento em rocha basaltóide, perfeitamente comprovável a alguns de Pedra Polida.

A respeito desta descoberta um historiador português expõe o seguinte: "Sem qualquer indicação de jazida, sem a coexistência de outros restos mais definidos, sem uma patina mais forte do que a pequena e parcial alteração da superfície da rocha constituinte, é impossível aceitar para aquela peça uma antiguidade mais recuada do que a data do descobrimento (1470), admitindo-se, embora, revelar um trabalho intencional.

A existência da Idade da Pedra na Africa Continental, como no Congo, em Angola, etc., não é argumento suficientemente demonstrativo da antiguidade Pré-Histórica do objeto.

Admitimos para certos povos como os Egípcios, os Micénicos etc., que numa fase ainda remota da sua existência, se deslocassem já em pequenas embarcações, para regiões afastadas da costa.

Aceitemos também que os povos que habitavam. a região do Golfo da Guiné, a certa altura da sua evolução se tivessem deslocado, auxiliados pelos ventos, do litoral do Continente para as ilhas do referido Golfo.

S. Tome, Príncipe, Ano Bom e Fernão do Pó, são ilhas de origem vulcânica surgidas na mesma época geológica; como se explica que Fernão do Pó já fosse habitada quando ai chegaram os portugueses no séc. XV. Note-se que os primitivos habitantes de Fernão do Pó, os Bubís, pertencem a grande família dos Bantos, como os Angolares.

Excluindo-se a hipótese da criação Divina, a explicação para o fato de Fernão do Pó já estar habitada, parece-me ser a de que povos vivendo na costa Ocidental Africana, se terem de algum modo para ai deslocado.

Admitindo que tenham navegado até Fernão do Pó, porque não teriam avançado um pouco mais, até S. Tomé?

O fato de não terem ainda sido encontradas jazidas pré-históricas (como afirmou o historiador português), nada demonstra, pois nunca foram feitas investigações que possam. negar a sua existência. Além disso, seria fato muito natural que os primeiros portugueses chegados a S. Tomé, tendo aportado em Agua Ambó na parte norte da Ilha, e indo fixar-se na atual região da Baía de Ana Chaves anos mais tarde, desconhecessem a existência dos N'Golá, e estes daqueles, dado que os Angolares habitavam a região de S. João dos Angolares, ao sul da ilha, e a densa vegetação que então separava as duas regiões.

Área

Arquipelago constituído por duas ilhas de origem vulcânica: S. Tome (859 km2) e Príncipe (142 km2), situadas entre 1 grau 44' de latitude Norte e 0 graus 1' de latitude Sui, e 7 graus 28' de longitude Este e 6 graus 28' de longitude Este, a cerca de 300 quilómetros da costa do Gabão, no Golfo da Guiné. A distância entre as duas ilhas é de, aproximadamente, 140 quilómetros.

População: 120 mil habitantes.

Capital: São Tomé.

Moeda: Dobra (câmbio médio, em 08/2002: 1 Euro = 8,938.5 Dobra, 1 USA Dólar = 9,019.7 Dobra), Euro e USA Dólar.

Idiomas: Português e dialetos locais.

Fonte: mega.ist.utl.pt

voltar 123456avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal