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Sapoti

Nome científico: Manikara zapota L.

Árvore que pode atingir até 15 metros de altura, copa densa.

Folhas verde brilhantes, duras.

Flores pequenas brancas ou rosa.

Sapoti

O fruto é arredondado, com uma casca fina acastanhada. Tem polpa mole, acastanhada, suculenta, perfumada, rica em vitaminas e sais minerais, principalmente ferro. Sementes pretas.

Fructificação durante todo o ano.

Fonte: www.arara.fr

Sapoti

Invariavelmente quem come um sapoti remete os pensamentos para a infância. São retratos de brincadeiras nos quintais, da hora do lanche na escola ou do vendedor de frutas que circulava pelos bairros mais antigos com um velho balaio de cipó sobre uma rodilha de pano na cabeça: “olha a fruta fresquinha na hora!”, gritava o ambulante, “tem manga, tem cajá, tem sapoti e mangaba, ande logo dona santa porque o que é bom, acaba”. E realmente não sobrava nada.

Para o mestre de Apipucos “o Recife cheira a fruta madura”. O sociólogo Gilberto Freyre relata em seus escritos que “Muito chão de quintal e de sítio fica espapaçado de goiaba madura, de sapoti, de jaca-mole.”

Sapoti

O sabor do sapoti se consagrou no gosto do brasileiro. Contam os historiadores que se transformou na fruta preferida do Imperador Dom João. Por conta disso virou enredo de escola de samba. No carnaval de 1987 a escola Estácio de Sá desfilou com o tema “O ti ti ti do Sapoti”, dos compositores Darcy Do Nascimento, Djalma Branco e Dominguinhos Do Estácio, cuja música diz assim:

Que ti ti ti é esse

que vem da sapucaí

Ta que ta danado

Ta cheirando a sapoti

E escracha a história da corte brasileira criando uma imagem de desordem informal:

D. João achou bom

Depois que o sapoti saboreou

Deu pra dona Leopoldina

A corte toda se empapuçou

No imaginário popular, sapoti também virou sinônimo de mulher “boa”, aquela de curvas perfeitas e de cor sedutora. A pesquisadora, gourmet e colunista do Nordeste Rural, Maria Lecticia Cavalcanti conta que sapoti “chama-se assim mulher que tem cor moreno-dourado.” Ela lembra da história do encontro de uma cantora famosa com o presidente Getúlio Vargas. Maria Lecticia pesquisou que Ângela Maria, recebeu esse apelido de Getúlio Vargas. O Presidente, charuto na boca, sentado no jardim da casa de um amigo no Rio, olhou para ela e disse "menina você tem a voz doce e a cor de sapoti". Ganhou o apelido de “sapoti” e virou sucesso nacional.

O relato de Maria Lecticia sobre a fruta é empolgado: Sapotizeiro é árvore nativa das Antilhas e da América Central. Cresce muito, até 20 metros. Vive muito, também, mais de 100 anos. Tronco curto e grosso, copa feita de ramos, folhas verde-escuras, algumas flores, sombra sempre ampla e generosa.

A fruta era muito apreciada por maias e astecas, que a conheciam por "tzapotl". Com os espanhóis passou a "zapote" - nome que se conserva, até hoje, em todos os países de língua espanhola.

Chegou ao Brasil em meados do séc. XVIII. Primeiro no Amazonas, depois invadindo a região nordeste. Os nativos a chamavam "zapotl", depois "zapóte" e finalmente sapoti (Achras sapota Linneu).

Daqui foi levado para a Europa. O nome não mudou muito. É "sapote" em inglês e "sapotille" em francês. Casca marrom, seca, fina e áspera. E fruto carnudo, suculento, com polpa mole e amarelada, puxada para marrom. Tem sabor exótico e adocicado, sem acidez.

Pode, e deve, ser consumido ao natural. Para isso recomenda-se cortar com faca ao meio, no sentido vertical, retirando a polpa com colher. São entre 4 e 12 sementes por fruto, e cada planta pode produzir até 3000 frutos por ano.

Do sapoti se faz refresco, suco, sorvete, creme, pudim, mousse, doce, geléia. Muito sensível, o fruto perde qualidade mais rapidamente que a maioria das outras frutas. Por isso deve ser colhido ainda verde, com a mão, através de torção, lavado em água morna e colocado em lugar fresco para amadurecer.

São muitas as espécies de sapoti. No Brasil, essas variedades acabaram definidas pela própria forma dos frutos. Os ovais, mais comuns, são "sapoti"; os arredondados, "sapotas"; e uns bem grandes, com casca grossa, marrom-esverdeada, são "sapota-do-solimões", mais comuns na região Amazonas. Na Ásia e EUA encontram-se outras variedades, sobretudo Prolific, Russel, Betanvi, Proolon, Apel bener.

Falta só dizer que o melhor do sapotizeiro, para quem foi criança, é o seu látex, do que se faz chiclete. O método já era conhecido de Astecas e Maias, que tiravam esse látex do mesmo jeito que o tiramos hoje, bem parecido com a extração da borracha.

As crianças cortam o tronco em talhos, esperam escorrer aquele líquido branco, misturam com açúcar e está pronto um chiclete que é muito melhor que qualquer um desses, americanos, que se compra nas portas dos cinemas. Por uma razão simples: Porque tem gosto de passado e está sempre presente.

Cultivo do Sapotizeiro

Apesar de plenamente adaptado ao clima em várias regiões do Brasil, o sapoti, como qualquer outra cultivar, exige estudo e manejo adequados para um perfeito desenvolvimento. A produtividade e os resultados, hoje, dependem, principalmente, das boas técnicas de plantio, conservação e cuidados com a colheita. Para desenhar todo esse caminho, a fruticultura conta com uma bem preparada equipe de pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical. Foram eles que pesquisaram todo o esquema sobre o cultivo e detalharam as orientações.

CLIMA

O sapotizeiro adapta-se a uma ampla faixa de latitude, podendo ser plantado desde São Paulo até o extremo norte do país, sendo favorecido por altas temperatura e umidade, comportando-se melhor em temperaturas em torno de 28°C, desenvolvendo-se com relativa facilidade em temperaturas mais baixas.

Desenvolve-se relativamente bem em altitudes acima de 1000 metros. No entanto, comporta-se melhor em altitudes abaixo de 400 metros. Pelo fato de ter seus ramos muito flexíveis, adapta-se bem aos fortes ventos.

SOLOS

As sapotáceas, de modo geral, adaptam-se a uma ampla variedade de solos. Embora se desenvolvam e cresçam em solos muito pobres, têm preferência por solos profundos, ricos em matéria orgânica, levemente argilosos e bem aerados. Uma boa drenagem é essencial para o perfeito desenvolvimento de suas raízes. Não produzem bem em solos encharcados e são levemente tolerantes à seca, possuindo relativa tolerância a solos salinos.

ÉPOCA DE PLANTIO

Recomenda-se, nos Estados do Nordeste, fazer o plantio com irrigação, por possibilitar ser feito em qualquer época do ano. Não sendo possível irrigar, fazer o plantio sempre no início das chuvas, para ter um bom desenvolvimento das mudas. Em locais com chuvas regulares pode-se plantar sem irrigar.

CONSORCIAÇÃO

Os espaços livres entre as plantas, associados ao longo período de tempo decorrido da implantação até a estabilização da produção, possibilitam o consórcio do sapotizeiro com outras culturas, reduzindo os elevados custos de implantação, além de favorecer a manutenção da área livre de plantas daninhas e, ainda, o aproveitamento de resíduos de fertilizantes.

A escolha da cultura a ser consorciada depende de fatores relacionados com as condições de clima, solo e mercado. Deve-se optar por culturas de ciclo curto tais como: feijão, mandioca, soja, amendoim e milho. Além dessas, podem ser utilizadas cultivares precoces de algodão herbáceo, gergelim e forrageiras como sorgo, mucuna preta e feijão de porco.

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Como qualquer cultura econômica, o sapotizeiro está sujeito à concorrência de plantas daninhas, que além de abrigarem pragas, competem por água e nutrientes podendo, nos pomares em formação, concorrer por luz quando atingirem altura superior a dos sapotizeiros. Portanto, o controle eficiente das plantas daninhas é fundamental no ano de implantação do pomar, para o rápido desenvolvimento do sistema radicular e o normal crescimento da parte aérea.

ADUBAÇÃO

A cultura do sapotizeiro demanda uma razoável quantidade de fertilizantes minerais para se obter uma produtividade satisfatória, em razão da elevada quantidade de nutrientes extraída pelas plantas e a baixa fertilidade natural. Normalmente, na maioria das áreas da Região Nordeste, os solos apresentam alumínio trocável em níveis tóxicos, elevada acidez, sendo raro o emprego das práticas de adubação e calagem.

Sendo assim, é importante a presença de macronutrientes na adubação, a exemplo de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, e também de micronutrientes, como manganês, boro, zinco, ferro e cobre.

COBERTURA MORTA

A cobertura morta é uma técnica que consiste em distribuir sobre a superfície do solo uma camada de palhas ou outros resíduos vegetais entre as linhas das culturas ou apenas até a projeção da copa das plantas. No Nordeste do Brasil, onde ocorre um período chuvoso e outro seco durante o ano, a cobertura morta apresenta uma série de benefícios: melhora a qualidade do produto; incrementa a produtividade das culturas; prolonga o tempo de disponibilidade de água no solo; reduz as variações de temperaturas do solo; aumenta a estabilidade dos agregados do solo; reduz a concorrência com plantas daninhas; aumenta a fertilidade do solo; reduz a erosão pela redução do impacto da chuva.

As principais coberturas de superfície do solo utilizadas para a cultura do sapotizeiro são as gramíneas, restos culturais diversos (palhadas), bagana de carnaubeira, leguminosas arbustivas, restolho da cultura de arroz, palhada de café e bagana de cana. Quando não houver material disponível, a prática de roçagem permanente da área cultivada é suficiente para formar uma excelente cobertura do solo, como por exemplo o milheto, o capim Napier, entre outros. Pode se, também, utilizar esterco de curral ou composto orgânico na projeção da copa.

As gramíneas têm sido indicadas como mais eficazes na formação dos agregados do solo, pela ação direta das raízes, cujo volume é maior que o da parte aérea. A agregação do solo, geralmente aumenta o volume de macroporos, mas reduz o de microporos, aumenta a porosidade do solo, diminuindo a densidade e aumentando a aeração do solo. Em solos pesados ocorre a melhoria da estrutura e aeração do solo, favorecendo o desenvolvimento da planta.

As leguminosas constituem-se como uma opção interessante por apresentarem uma série de benefícios, como fixação biológica do nitrogênio atmosférico, controle de plantas invasoras, armazenamento do teor de matéria orgânica do solo, redução das perdas de água, controle de nematóides e incorporação de nutrientes, resultando em uma maior produtividade da cultura do sapotizeiro.

Apesar dos benefícios que pode proporcionar, a cobertura morta apresenta algumas restrições: é limitante em regiões com pouca mão-de-obra, por exigir espalhamento manual; é uma prática onerosa, em razão da quantidade de material requerida; apresenta o risco de incêndio onde ela é executada e a palhada esparramada em toda área. Sugere-se a sua colocação somente sobre a projeção da copa da fruteira.

VARIEDADES

O sapotizeiro é uma planta da Família Sapotaceae, Gênero Manilkara e Espécie Manilkara zapota (Linnaeus) Van Royen. Como as características das plantas e dos frutos de sapoti não foram perpetuadas por meio da reprodução sexuada, essas diferenças não podem ser caracterizadas como variedades botânicas. Existe, no entanto, uma classificação aceita para classificar os frutos como sapota e sapoti. As sapotas são frutos geralmente arredondados e de tamanho maior que os sapotis que têm formatos ovalados e, geralmente, mais leves.

ESPAÇAMENTO E PLANTIO

A escolha do espaçamento mais adequado para o sapotizeiro é assunto ainda muito controvertido, em razão da inexistência de resultados consistentes de pesquisa relacionados, principalmente, com as exigências fisiológicas da planta. O espaçamento depende de vários fatores, tais como a variedade a ser plantada, condições edafoclimáticas do local, natureza dos tratos culturais a serem aplicados, como por exemplo, a poda, controle das plantas daninhas e tipo de consórcio.

Em plantios tradicionais, com plantas obtidas a partir de sementes, são encontrados espaçamentos de 8 x 8 m, 10 x 10 m e até 12 x 10 m. Novas técnicas de plantio em estudo, envolvendo a utilização de plantas enxertadas, poda para o controle de crescimento e a irrigação, têm indicado o espaçamento de 6 x 6 m, com 277 plantas por hectare.

O plantio deve ser feito com mudas de boa qualidade em covas com dimensões de 40 x 40 x 40 cm, que devem ser preenchidas utilizando-se uma mistura de quantidades equivalentes de esterco curtido e solo superficial. Em cada cova deve ser adicionada uma quantidade equivalente a 670 g de superfosfato simples por ocasião do plantio, quando deve ser também efetuada uma rega com aproximadamente 20 litros de água. O tutoramento das mudas é uma providência necessária, para proteção das plantas contra a ação dos ventos.

PROPAGAÇÃO

Atualmente, o método de propagação mais usado é a enxertia que consiste na introdução de uma parte viva de uma planta, denominada enxerto, em outra denominada de porta-enxerto, para que, por meio da regeneração de tecidos, unam-se e formem um único indivíduo. Ao final do processo, o enxerto formará a copa da nova planta e o porta-enxerto o sistema radicular. A técnica baseia-se na capacidade das partes secionadas, quando em contato, formarem “calo” por entrelaçamento das células e, em seguida, essas células se diferenciarem formando um novo câmbio que reconstituirá o xilema e o floema da região, restabelecendo, assim, a conexão entre as partes.

Nesses casos, embora os caracteres sejam transferidos integralmente para os descendentes, eles sofrem interferências dos porta-enxertos, em função de seu metabolismo, intensificando ou diminuindo a expressão do caráter.

As principais vantagens da enxertia são: assegurar a precocidade na frutificação, garantir as características da planta matriz, restaurar plantas improdutivas e modificar o porte. São desvantagens: diminuição da longevidade da planta e pode transmitir agentes patogênicos.

No sapotizeiro, atualmente, a enxertia mais recomendada é a de topo. O porta-enxerto deve ter no mínimo seis meses de idade. Após a enxertia, aguardar dois meses para o plantio definitivo.

O substrato para semeadura das sementes para a formação dos porta-enxertos varia com a disponibilidade nas propriedades. Em geral, a mistura pode ser feita usando-se partes de barro preto, misturado com areia grossa na proporção de 2:1. A cada metro cúbico da mistura deve ser acrescido 2,5 kg de superfosfato triplo, ou o dobro de superfosfato simples e 1,5 kg de cloreto de potássio.

IRRIGAÇÃO

No Nordeste brasileiro, o sapoti sempre foi cultivado em chácaras e quintais, mostrando uma produção sazonal concentrada em dois a três meses do ano. Resultados de pesquisa conduzida no campo experimental do Vale do Curu (CE) da Embrapa Agroindústria Tropical revelam que o uso da irrigação, associado à prática da fertirrigação e à poda, podem alterar substancialmente o comportamento da cultura, possibilitando produções sensivelmente maiores ao longo do ano e picos de produção que caracterizam uma completa modificação na sazonalidade da produção do sapotizeiro.

Observa-se claramente que, tanto em relação ao sapoti como à sapota, os tratamentos que receberam maiores níveis de irrigação mostraram uma curva de produção sensivelmente diferente da testemunha, que recebeu uma lâmina de água mínima para a sobrevivência e para permitir a fertirrigação.

Dentre os métodos de irrigação atualmente em uso, a microirrigação (irrigação localizada) é a mais recomendável para o sapotizeiro em razão das seguintes vantagens: economia de água (maior eficiência de irrigação e redução de perdas de água por evaporação), economia de energia (trabalha com vazões e pressões menores), possibilidade de aplicação de fertilizantes via água de irrigação (fertirrigação), redução da ocorrência de plantas daninhas e doenças foliares, não interferência nas pulverizações, capinas e colheitas. Como desvantagens são relacionadas: a necessidade de filtragem da água para evitar o entupimento dos emissores e o custo inicial elevado.

A uniformidade da aplicação de água do sistema de irrigação, influenciando na distribuição dos fertilizantes, afeta diretamente o desenvolvimento das plantas, a produção e a qualidade dos frutos. Por isso, é recomendável que, logo após a instalação do sistema de irrigação e anualmente se faça uma avaliação da uniformidade de aplicação de água do sistema de irrigação.

O manejo da irrigação na cultura do sapotizeiro está relacionado à quantidade e à freqüência de aplicação de água, baseado no tipo de solo, na idade da planta, na eficiência do sistema de irrigação e nas condições climáticas.

Estudos da evapotranspiração de cultivo, da evapotranspiração potencial de referência e do coeficiente de cultivo são importantes para determinar a quantidade de água necessária à cultura, para um correto planejamento, dimensionamento e manejo de sistemas de irrigação e, ainda, uma eficiente avaliação das fontes hídricas e da disponibilidade de energia elétrica.

PODA

Apesar de ser classificada como planta que não necessita de poda pela uniformidade da copa e crescimento lento, o sapotizeiro requer algum tipo de controle de seu crescimento, através da poda, principalmente para eliminação de partes velhas, doentes e praguejadas. Não se fazem podas de formação e de produção, porém, como a finalidade da poda é estabelecer um balanço entre o crescimento vegetativo e a frutificação, um mínimo de área foliar tem que ser deixada para cada fruto.

A correta aplicação dessa operação depende, então, de fatores como o hábito de crescimento e porte da planta, o sistema de plantio empregado e a forma de colheita, de modo que um máximo de rendimento econômico seja atingido com a menor interferência possível no comportamento da planta.

A poda de manutenção tem por objetivo a preservação da copa com maior número possível de ramos produtivos e em condições favoráveis para a colheita e os tratos culturais. Para tanto, devem ser eliminados, em quaisquer circunstâncias, os ramos ladrões e aqueles que crescem para o centro da copa. Também devem ser podados os ramos de crescimento, que se caracterizam por um crescimento intermitente sem a emissão de flores.

Por ocasião da eliminação dos ramos vegetativos, recomenda-se quebrar a dominância apical, para que a planta tenha o crescimento vertical contido e que cresça mais para as laterais. Durante a eliminação dos ramos que determinam o crescimento, eliminam-se os mais centrais para que a luz e o vento passe por entre os ramos da copa, formando uma taça. Essa operação é recomendada pelo menos uma vez por ano, de preferência antes do início das chuvas.

TRATOS CULTURAIS

Deve-se fazer um manejo racional do pomar para se evitar uma competição exagerada das plantas indesejáveis por água e nutrientes com o sapotizeiro. Para atingir esse objetivo, o produtor deve, dentro de suas disponibilidades, optar por meios químicos e/ou mecânicos para efetivação dos trabalhos.

Várias práticas podem ser utilizadas, entre as quais o coroamento, que deve ser feito em todo o ciclo produtivo da cultura. O coroamento consta da limpeza de uma área circular, próxima ao pé do sapotizeiro, para eliminar ervas daninhas e, principalmente, evitar concorrência entre estas e o sapotizeiro, quer por luz, circulação de ar ou nutrientes.

Em áreas de sequeiro pode ser feito a cada três ou quatro meses. Para áreas irrigadas, deve-se proceder com maior freqüência, a cada dois meses, tendo-se o cuidado na época das chuvas de não deixar o material capinado no local para evitar sua rebrota.

PRAGAS DO SAPOTIZEIRO

As principais pragas relatadas em Pernambuco são as brocas-do-caule e dos ramos e a mosca-das-frutas.

Outras pragas menos importantes como pulgões e diversas espécies de cochonilhas são freqüentes em folhas, ramos e frutos do sapotizeiro.

As modalidades de controle mais eficientes e altamente recomendáveis são os controles cultural e biológico. Constam da limpeza geral do pomar, coletando frutos caídos, danificados e fazendo podas de limpeza e formação. Os frutos caídos devem ser enterrados a profundidade superior a meio metro, a fim de evitar a emergência de adultos.

Para o controle biológico, os parasitóides da família Braconidade são os mais eficientes.

Os mais utilizados são os da espécie Diachasmimorpha longicaudata. Eles parasitam ovos, larvas e pupas de moscas-das-frutas. Essa espécie destaca-se pela sua relativa facilidade de criação e rápida adaptação aos meios naturais onde é liberada e, ainda, por sua condição de parasitóide generalista entre os tefritídeos.

COLHEITA

Plantas enxertadas de uma variedade produtiva iniciam a produção, geralmente entre o quarto e quinto ano de plantio. Os primeiros frutos, porém, podem aparecer já no primeiro ano do plantio. Os frutos de plantas não fertirrigadas, em geral, amadurecem entre setembro e dezembro, ocorrendo o pico de produção no mês de novembro, dependendo das chuvas do período anterior

A maior dificuldade é determinar o ponto de colheita do fruto. Uma maneira prática é observar quando o fruto se destaca facilmente do ramo e exsuda pouco látex . Este é, no entanto, um método não muito apropriado, pois há necessidade de colher para verificar se o fruto está no

ponto certo de maturação. A experiência com a cultura, no entanto, permite alguns indicativos de fácil visualização, como o fato do fruto se tornar mais escuro e aparecerem pequenas “escamas” na sua casca.

Para transportar para longas distâncias, é recomendável colher-se o fruto ainda imaturo. Nos plantios irrigados torna-se mais difícil a identificação do ponto de colheita, uma vez que as

plantas produzem frutos durante todo o ano. Tem-se, assim, na mesma planta, flor, frutos imaturos e frutos maduros.

NOVAS CULTIVARES

A Embrapa Agroindústria Tropical desenvolveu duas cultivares que já estão disponíveis para os produtores: Sapoti Ipacuru e Sapota Tropical, resultado de 10 anos de pesquisas em melhoramento genético. Apesar de as novas cultivares serem da mesma espécie (Manilkara sapota L.), existem diferenças com relação a tamanho e formato. Enquanto o sapoti é menor e possui uma forma ovalada, a sapota apresenta formato redondo e um tamanho maior.

A cultivar de sapoti foi selecionada pelos pesquisadores da Embrapa a partir de materiais obtidos junto à Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) e os experimentos foram realizados no Campo Experimental do Curu, em Paraipaba (CE), o que originou o nome Ipacuru.

A sapota também foi selecionada a partir de materiais cedidos pelo IPA e testada no Campo Experimental da Embrapa. A escolha do nome (Sapota Tropical) reuniu a origem tropical do fruto e a Unidade da Embrapa a desenvolver a nova cultivar, Embrapa Agroindústria Tropical.

Um dos diferenciais em relação às cultivares já existentes é o tamanho maior dos frutos. O novo sapoti possui um peso médio de 134g, contra 101g em média das outras cultivares. No caso da sapota, o peso médio é de 194g, sendo que nas cultivares já existentes esse peso fica em torno de 187g. O teor de sólidos solúveis também é maior (25º Brix), o que lhes confere um sabor mais doce.

Outra característica muito importante está na alta produtividade das duas cultivares. Durante os experimentos realizados no Campo Experimental do Curu, utilizando o espaçamento 6 x 6m, chegou-se a uma produção de 6.000 kg/ha/ano, no quarto ano de produção, ultrapassando os 7.000kg no oitavo ano.

Obs. Aprenda a fazer uma deliciosa sorvete de sapoti. Veja como na seção RECEITAS DO CAMPO.

Fonte: www.nordesterural.com.br

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