Prelúdio da Guerra
A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.
Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler
ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão de
que tinham sido brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu
uma larga audiência. Falava de grandeza nacional e da superioridade racial
nórdica, denunciava judeus e comunistas como aqueles que haviam apunhalado
a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota, e por meio de um programa
intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista, que em 1932 tinha
230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos. Depois
da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto.
No verão de 1934, eliminou implacavalmente os rivais e, desprezando a regra
de lei, estabeleceu um regime totalitário.
Em seguida deu inicio a um programa de rearmamento, em contravenção ao Tratado
de Versalhes, mas sem ser impedido pelos demais signatários, e no começo de
1936 já estava confiante o bastante para enviar tropas alemães para reocupar
a região do Reno. Mais uma vez os Aliados não fizeram nenhuma tentativa para
detê-lo, e a operação foi bem sucedida. Mais tarde, no mesmo ano, ele e seu
aliado italiano fascista Benito Mussolini enviaram auxílio a Franco na Guerra
Civil Espanhola e assinaram um pacto unindo-os no Eixo Berlim-Roma.
A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade
alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação
de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço
para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento
e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas
para energia e indústria.
Começou olhando na direção da Áustria, que já possuía um forte movimento nazista,
mas cujo chanceler estava ansioso por conservá-la como nação independente.
Os exércitos de Hitler avançaram assim mesmo e, em 1938, entraram em Viena,
sem encontrar oposição. Hitler tivera êxito pela combinação de uma diplomacia
de força e um hábil desenvolvimento de sua máquina de propaganda.
A Checoslováquia seria a próxima vítima. A região fronteiriça, conhecida como
Sudetos, tinha uma população alemã que se sentia excessivamente discriminada
tanto pelos tchecos quanto pelos eslovacos. A região era rica em recursos
minerais, tinha um grande exército, e ostentava fábricas de equipamento bélico
Skoda. Incitando o descontentamento da população germânica, Hitler foi capaz
de fomentar a agitação na Checoslováquia, que levou a um confronto armado
na fronteira. Nessa altura, o primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain,
representando os defensores da Checoslováquia - Inglaterra, França e Rússia
-, foi à Alemanha acalmar Hitler. O resultado de uma série de reuniões foi
que, a menos que os Sudetos fossem anexados à Alemanha, Hitler começaria uma
guerra; mas se suas reivindicações territoriais na Checoslováquia fossem atendidas,
não faria reivindicações posteriores no resto da Europa. A França e a Inglaterra
concordaram - apesar de suas promessas de proteger a Checoslováquia -, e Hitler,
quebrando também a sua promessa, mais tarde invadiu a Checoslováquia inteira.
Considerou que a Inglaterra não estaria preparada para lutar por aquele país,
e que a França não ia querer lutar sozinha - e estava certo; mas na vez seguinte,
quando invadiu a Polônia, elas declararam guerra.
Como a história provaria mais tarde, a declaração veio com excesso de atraso.
As vacilações das potências ocidentais haviam permitido que Hitler alcançasse
uma força armada e uma posição na Europa, cujo desalojamento levaria seis
anos de carnificina.
Começa a Luta
Nas circunstâncias, as exigências de Hitler na Polônia até que foram
modestas: tudo o que reclamava, dizia, era a devolução do porto alemão
de Dantzig e livre acesso a ele e à Prússia Oriental através da Polônia, o
Corredor Polonês. A Polônia não estava inclinada a ceder, e vendo que a Inglaterra
reagira violentamente à ocupação da Checoslováquia, Hitler não fez muita pressão
no inicio. Afinal de contas, a Inglaterra havia duplicado seu efetivo bélico
e dera à Polônia uma garantia absoluta de proteção. Mas percebeu que a garantia
não valia nada sem o apoio russo de leste, e, percebendo que os ingleses iam
se apressar a solicitar esse apoio, tratou de trazer a Rússia para o seu lado.
Os russos tinham sido evitados pelos ingleses quando ofereceram, anteriormente,
uma aliança, e não estavam relutantes, depois de superada a desconfiança inicial,
em fazer um acordo com Hitler, particularmente quando este lhes prometia uma
oportunidade de recuperar o território polonês que havia perdido em 1918.
Assinado o pacto Molotov-Ribbentrop, o caminho de Hitler estava livre, e em
1° de setembro de 1939 forças alemães cruzavam a fronteira polonesa. Seguiu-se
a primeira demonstração da eficácia da tática móvel combinando forças blindadas
e aéreas. Os poloneses concentraram seus exércitos bem à frente, perto da
fronteira, e suas reservas ficaram escassamente espalhadas. Assim, quando
as colunas blindadas de Hitler, apoiadas pela Luftwaffe, atravessaram as fortificações
da Polônia, as tropas polonesas, marchando a pé, foram incapazes de retroceder
com rapidez suficiente para se reagruparem. Num hábil movimento de pinças,
Bock e Von Rundstedt, do norte e do sul respectivamente, lançaram seus homens
em direção a Varsóvia. Em 17 de setembro tropas russas cruzaram a fronteira
oriental e, apesar da valente resistência, Varsóvia caiu a 28 de setembro.
A oeste, ingleses e franceses haviam conseguido pouca coisa, parte por causa
da lentidão da mobilização, parte por causa de idéias táticas ultrapassadas.
A leste a Polônia caiu porque seu Exército, ainda confiando em maciças cargas
de cavalaria, era um anacronismo, posto em total desorientação pela implacável
investida das forças compactas e altamente móveis de Hitler.
A Alemanha e a Rússia dividiram a Polônia entre si, e a Rússia foi além, fazendo
consideráveis exigências territoriais à Finlândia, contra o que os finlandeses
se opuseram. Seguiu-se uma guerra onde os finlandeses lutaram dura e amargamente,
mas que em março de 1940 já era uma questão decidida.
O colapso da Polônia foi seguido pelo que se tornou conhecido como guerra
disfarçada que durou até a primavera de 1940. Durante esses meses, os
líderes aliados consideraram plano ofensivo após plano ofensivo - sem chegar
a conclusão alguma -, enquanto Hitler, depois de ter a sua oferta de paz aos
Aliados rejeitada em outubro, desenvolveu seus planos para uma ofensiva impetuosa
e decisiva contra a França. Quanto mais cedo desencadeasse sua ofensiva, menos
preparados estariam os franceses para lhe fazer frente, e depois de derrotada
a França, ele tinha certeza de que a Inglaterra negociaria a paz. Entretanto,
o tempo, seus generais e as condições climáticas estavam contra ele, e mesmo
quando finalmente fixou a data de 17 de janeiro para início da ofensiva, um
extraordinário incidente liquidou seus planos. Um oficial alemão, voando de
Munster para Bonn, perdeu a rota e aterrissou na Bélgica. Foi preso, e com
ele seus captores encontraram o plano operacional completo da Alemanha para
o ataque ao oeste. Quando o novo plano, o Plano Manstein foi posto em prática,
trouxe poucas surpresas desastrosas para os Aliados.
Nesse meio tempo, e para consternação de seus adversários, Hitler investiu
ao norte, repentinamente, atacando a Noruega e a Dinamarca. A 9 de abril de
1940, forças alemães desembarcaram em vários portos ao longo da costa norueguesa
e também invadiram a Dinamarca. No fim do mesmo dia, haviam tomado Oslo e
os portos principais de Trondheim, Bergen e Narvik, enquanto a Dinamarca agüentou
apenas 24 horas. Como é que esses dois países se encaixavam no esquema de
Hitler? A maior parte do minério de ferro para o esforço alemão de produção
de guerra vinha do norte da Suécia, através de Narvik e Hitler quis salvaguardar
a passagem marítima da Noruega, temendo que a Inglaterra ocupasse esse país,
usando a Dinamarca como valioso fornecedor de provisões.
Quando Hitler atacou, a Inglaterra foi em auxílio da Noruega, desembarcando
tropas perto de Narvik e Trondheim. Mas chegaram tarde demais, pois os alemães,
nessa altura, já haviam estabelecido uma posição forte o bastante para serem
capazes de derrotar seus atacantes, auxiliados por uma esmagadora superioridade
aérea. Para os ingleses, o afundamento de uma flotilha de destróieres alemães
em duas manobras no fiorde de Narvik - uma das quais envolvendo o navio de
guerra Warspite - não foi mais que pequeno consolo para a completa derrota
na campanha norueguesa. Para Hitler isso significou a certeza de fornecimento
de minério de ferro e uma base para ataques aéreos à Inglaterra e, mais tarde,
aos comboios com destino à Rússia. Mais uma vez as forças alemães se haviam
movido rápido demais para seus oponentes.
A Batalha da França
Chegando a termo a campanha dos Aliados na Noruega, Hitler lançou sua ofensiva
para oeste, que deveria culminar com a evacuação da Força Expedicionária Britânica
(BEF) de Dunquerque e com a queda da França.
O ofensiva foi iniciada com assaltos bem-sucedidos na Holanda e na Bélgica.
Desembarques de tropas aéreas em Haia e Roterdã foram cronometrados para coincidir
com ataques na fronteira oriental da Holanda, e essa combinação revelou-se
altamente eficaz ao criar a confusão de que os alemães precisavam. As forças
blindadas alemães abriram uma brecha ao sul e atravessaram rapidamente o país
para se juntar às forças lançadas do ar em Roterdã, enquanto a Luftwaffe mantinha
uma pressão implacável. Cinco dias depois do assalto inicial, os holandeses
capitularam
A Bélgica seria a próxima a sentir os efeitos do tratamento da Blitzkrieg
de Hitler. Aqui, novamente, o ataque alemão veio de terra e ar.
Dois objetivos essenciais tinham que ser assegurados antes que a invasão principal pudesse ser desencadeada: a captura intactas, de duas pontes-chaves sobre o canal Albert e o silenciamento do poderoso forte belga em Eben Emael. Um ataque terrestre seria movido com lentidão suficiente para impedir os belgas de dinamitar as pontes e de fazer o melhor uso possível dos canhões de Eben Emael.
Assim, pequenos destacamentos aéreos foram silenciosamente lançados
do céu: as pontes foram garantidas e o forte, silenciado. As tropas
alemães atravessaram o canal, penetrando a linha de defesa belga do outro
lado. Duas divisões Panzer moveram-se rapidamente através da brecha criada
desse modo, e logo as forças belgas estavam em retirada geral. As tropas britânicas
e francesas estavam subindo para apoiá-las, quando, seguindo o brilhante Plano
Manstein, o exército de Von Rundstedt, depois de efetuar a travessia das Ardenas,
emergiu nas ribanceiras do Meuse. Essa manobra de surpresa pegou os Aliados
desprevenidos. Não haviam imaginado que os alemães tentassem uma ofensiva
de porte através das montanhas cobertas de mato das Ardenas, região difícil
para tanques e veículos motorizados. Investindo contra os alemães, que atacavam
ao norte, e mantendo uma forte concentração defensiva na Linha Maginot, ao
sul, haviam deixado uma passagem fracamente defendida no extremo ocidental,
incompleto da Linha Maginot - exatamente onde os alemães apareceram. Liderada
pelo audacioso comandante General Veloz Heinz Guderian, a infantaria
Panzer e os tanques, com apoio aéreo da Luftwaffe, logo se encontraram do
outro lado do Meuse. Uma vez cruzado o rio, seu rápido avanço teria prosseguido
sem reveses não fosse a repentina falta de nervos do Alto Comando alemão.
Temendo um contragolpe aliado, deteve a marcha de Guderian até que a infantaria
tivesse uma oportunidade de alcançá-lo, e só então lhe deu sinal verde. Suas
divisões Panzer se estenderam para a frente, rumo á costa norte da França.
Essa manobra, os ingleses não demoraram a perceber, encurralaria suas forças
entre alemães avançando de leste através da Bélgica, o exército de Rundstedt
vindo do sul, os destacamentos Panzer de Guderian a oeste, e o Canal da Mancha
ao norte. Guderian logo atingiu a costa norte, separando a BEF de Boulogne
e Calais.
Tornava-se claro, agora, que as tropas britânicas teriam que ser evacuadas
por mar, e quando o Exército belga se rendeu, a disputa estava decidida. O
único porto de embarque ainda desimpedido era Dunquerque, e, ainda assim,
ameaçado pelas divisões Panzer que se encontravam a apenas 16 km.
Se Hitler tivesse resolvido dar ordens nesse sentido, a BEF poderia ter sido
aniquilada ou forçada a capitular nessa altura, mas por motivos que nunca
ficaram claramente identificados, ele manteve distância e teve inicio a agora
legendária evacuação de Dunquerque. Fustigada pelos constantes ataques da
Luftwaffe, a frota de navios e barcos que zarpou da Inglaterra para participar
da evacuação levou de volta 338.000 homens
A relutância de Hitler em acabar com a BEF enquanto isso estava a seu alcance
pode ter tido muitas causas, entre as quais, talvez, uma expectativa de que
os ingleses quisessem fazer um acordo de paz com ele. Entretanto, a única
conseqüência da evacuação foi deixar partir 338.000 homens das forças aliadas,
prontas para lutar contra ele novamente num outro dia. Os ingleses foram capazes,
assim, de repelir a subseqüente ameaça de invasão, o que, no final das contas,
contribuiu para a derrota da Alemanha.
Contudo, a Batalha da França ainda não estava acabada. As forças francesas
tinham sido severamente diminuídas, enquanto os alemães, por seu lado, haviam
trazido reforços e reposições. Sem mais que uma pausa para retomar fôlego,
desencadearam uma ofensiva contra a frente francesa, ao longo do Somme e do
Aisne. A resistência inicial foi feroz, mas após dois dias as divisões Panzer
de Hoth atravessaram a linha de fogo perto de Rouen, e a defesa ruiu por terra.
A 14 de junho de 1940, apenas 10 dias depois que a última remessa de soldados
havia deixado Dunquerque, e apenas 9 dias depois de ter começado a nova ofensiva,
as tropas alemães entravam em Paris. O governo francês havia partido para
Tours a 9 de junho, forças alemães estavam aprofundando-se cada vez mais em
território da França, fragmentando o Exército francês em pequenas unidades,
e a situação parecia sem esperanças. A 25 de junho, o Marechal Pétain assinava
um armistício com Hitler no mesmo vagão ferroviário que testemunhara a assinatura
do armistício de 1918 pela Alemanha.
Os fatos até aqui, culminando no repentino colapso da resistência francesa,
haviam provado conclusivamente a eficácia da tática Blitzkrieg. Com forças
móveis relativamente pequenas, e com apenas tanques leves e médios, Hitler
havia, num espaço de tempo muito curto, tomado posse, ou colocado sob controle,
a maior parte da Europa ocidental. Cada vez que se movia, fazia-o rapidamente
demais para seus oponentes - na Noruega, Dinamarca, Holanda e Bélgica -, enquanto
um brilhante desempenho pôs a França e a Inglaterra de joelhos com uma velocidade
que nem ele próprio havia esperado. Para a Inglaterra, que agora devia lutar
sozinha, as perspectivas eram negras.
A Batalha da Grã-Bretanha
A queda da França e a evacuação de Dunquerque teriam deixado a Inglaterra, com seu Exército em desordem e sua Força Aérea ainda longe da potência adequada, exposta a um assalto devastador por parte da Alemanha, se esse assalto tivesse sido desencadeado imediatamente. Mas Hitler se deteve, primeiro porque os arranjos e preparativos para a invasão da Inglaterra por mar, conhecida como Operação Leão-Marinho, estavam longe de estar completos, e segundo porque esperava que Churchill, reexaminando a situação perigosamente fraca da Inglaterra, tentasse fazer negociações de paz.
Os termos dessa paz, achava Hitler, seriam altamente favoráveis a ambas as partes: a Inglaterra se retiraria do conflito e permitiria a Hitler prosseguir sem ser molestado rumo à dominação da Europa; e a Alemanha, por sua vez, se comprometeria a deixar a Inglaterra e seu império ultramarino tranqüilos.
Churchill, porém, não tomou qualquer iniciativa para entrar em tais negociações, e, com a Leão-Marinho adiada para setembro, Goering foi instruído para lançar um vigoroso ataque aéreo contra Inglaterra, a fim de enfraquecer a possível resistência à invasão quando esta ocorresse. Os chefes do Exército e da Marinha de Hitler soltaram um suspiro de alívio. Tinham sido sempre cépticos quanto às chances de sucesso da invasão, visto que seria uma operação de extraordinária complexidade logística e tática, e estimularam animadamente, portanto, o desejo de Goering de agradar o Fuhrer demonstrando a supremacia do poder aéreo da Luftwaffe.
Em 5 de agosto Goering recebeu a ordem de ir em frente, e a Batalha da Inglaterra começou. Goering tinha à sua disposição cerca de 2.700 aviões - número consideravelmente maior do que o que os ingleses podiam reunir. Entretanto, ambos os lados possuíam uma quantidade quase igual de aviões de combate, e a Inglaterra tinha três pontos a seu favor. Dispunha de um sistema de radar auxiliado por membros do Corpo de Observadores; estava em condições de construir aviões mais depressa (para substituir as perdas); e seus Spitfires e Hurricanes, tendo de voar uma distância menor até a área do conflito, dispunham de combustível para permanecer mais tempo em combate. Em contrapartida, o Hurricane era mais lento do que o Me 109 alemão (embora o Spitfire fosse ligeiramente mais veloz), e a RAF estava com escassez de pilotos treinados, fato que veio à tona quando a batalha terminou.
Os alemães chamaram o 13 de agosto como Adletag, ou seja, Dia da Águia. Assinalava o lançamento de um esquadrão de 1.400 aviões alemães, com ordens para destruir as bases da RAF e as instalações de radar a sudeste de Londres. Entretanto, os primeiros movimentos não corresponderam às expectativas de Goering. O radar inglês e o sistema de observação davam à RAF condições de ter seus aviões no ar imediatamente, prontos para enfrentar a Luftwaffe, e por uma perda de 45 aviões alemães Goering pôde apenas relatar danos sérios em duas bases inglesas e a destruição de 13 aviões da RAF. O tempo nublado restringiu as atividades da Luftwaffe no dia seguinte, 14 de agosto, mas a 15 de agosto ocorreu o ataque mais violento da batalha inteira. Mais de 1.500 aviões alemães, mais de um terço dos quais composto de bombardeiros, atravessaram a costa britânica. Era a tentativa de Goering para esmagar de uma vez a resistência aérea dos adversários.
Houve dois ataques a campos de pouso no norte da Inglaterra: uma feroz resistência obrigou uma esquadrilha de bombardeio, escoltada por aviões Me 110 que não puderam fornecer muita proteção, a voltar atrás sem causar prejuízos sérios; a outra, embora sem escolta, infligiu pesados danos à base da RAF de Duffield, em Yorkshire, apesar de sofrer graves perdas também.
No sul da Inglaterra, as bases de Hawkinge e Lympne foram atacadas, sendo que a última ficou temporariamente fora de ação. Por todo o dia, numa desconcertante variedade de ataques, os alemães tiveram os aviões de combate ingleses à sua cola. Felizmente para os ingleses, os ataques alemães não foram bem coordenados e puderam, portanto, ser rechaçados, mas quando duas investidas maciças foram desfechadas no sul da Inglaterra em rápida sucessão, à noite, os ingleses foram forçados a revidar com uma resposta maciça. Para enfrentar o primeiro ataque, nada menos do que 170 aviões de combate decolaram - um tributo à coordenação e ao controle do Comando de Combate. Ambos os ataques foram repelidos, sem que provocassem grandes danos.
As perdas da Luftwaffe nesse dia totalizaram 76 aviões, enquanto os ingleses perderam apenas 34. Estava ficando claro que o domínio do ar sobre a Inglaterra era um objetivo mais difícil do que se supusera. A 16 e 18 de agosto, foram desferidos ataques em escala bem maior, mas ambos conseguiram pouca coisa, e as perdas alemães foram graves. Goering havia superestimado as perdas inglesas e, acreditando que a RAF estaria tão enfraquecida em números que o uso do radar não seria mais um fator crucial, concentrara seus esforços sobre as bases da RAF mais do que sobre as instalações de radar. Mas estava errado em ambas as considerações e pagou pelo erro com a perda de mais de 450 aviões nas primeiras três semanas de agosto.
A 24 de agosto, depois de uma breve bonança, Goering desferiu uma segunda ofensiva contra uma Inglaterra sitiada.
A superioridade que a RAF conservava até então dessa vez não foi mantida sem sacrifício: houve pesadas perdas, que não estavam sendo compensadas pela velocidade de produção de novos aviões; fábricas e campos de pouso sofreram danos consideráveis; os pilotos estavam tensos e exaustos; não havia novos pilotos saindo dos centros de treinamento com rapidez suficiente para substituir os que tinham sido perdidos. Além disso, a tática de Goering melhorou, e o final de agosto viu um aumento assustador nas perdas britânicas. Mas as perdas da Luftwaffe haviam-lhe reduzido consideravelmente a potência, e quando a 7 de setembro Hitler instruiu Goering para mudar sua política de visar incessantemente o Comando de Combate da RAF para uma série de bombardeios diurnos sobre Londres, aquele comando teve uma chance para recuperar parte de sua força. Naquele dia Goering e Kesselring se puseram sobre os penhascos da costa norte da França e observaram o maciço esquadrão de 1.000 aviões alemães passar por cima de suas cabeças em direção à Londres. O cais, o centro e o leste de Londres foram bombardeados, causando morte ou ferimentos a 1.600 civis. A oposição de solo e ar foi muito fraca - havia canhões insuficientes e a RAF chegou tarde em cena - e um reforço alemão enviado na mesma noite perdeu apenas um avião em ataques que duraram a noite toda.
Seguiu-se uma série de ataques noturnos a Londres, durando até 3 de novembro,
conhecida como Blitz. Apesar do início vacilante, os ingleses logo passaram
a dar um tratamento ainda mais violento à Luftwaffe. As defesas antiaéreas
foram consideravelmente aumentadas e o Comando de Combate, aproveitando a
folga concedida pelo relaxamento da pressão sobre suas bases, logo recuperou
forças.
Em 14 de setembro, data marcada para o desencadeamento da Operação Leão-Marinho,
a frota para a invasão estava pronta, mas Goering não havia destruído nem
Londres nem a RAF, e a invasão foi adiada. Não podia ser adiada por muito
tempo, porém, pois as condições de tempo se tornariam desfavoráveis, e na
manhã de 15 de setembro Goering e Kesselring lançaram mil aviões sobre Londres,
num maciço ataque diurno. Num combate que se estendeu por todo o dia, seis
aviões alemães foram abatidos, as perdas da RAF contaram 26 unidades, e finalmente,
permanecendo intactas as defesas britânicas, o ataque foi rechaçado.
A 18 de setembro deu-se a ordem para que a frota Leão-Marinho, devido ao mau tempo e aos persistentes ataques de bombardeiros da RAF, fosse dispersada. A única finalidade do assalto aéreo alemão à Inglaterra - o enfraquecimento para a invasão - fôra frustrada, e embora o bombardeio continuasse por algum tempo, o clímax havia passado.
A 3 de novembro, pela primeira vez em meses, nenhum alarme antiaéreo preveniu
os londrinos de um ataque iminente. Entretanto, uma nova ofensiva estava a
caminho. A 14 de novembro iniciou-se uma campanha de bombardeios noturnos
sobre as cidades, centros industriais e portos ingleses. Coventry foi a primeira
a sofrer, depois Birmingham, Southampton, Bristol, Plymouth e Liverpool. Londres
foi alvo de um ataque pesado em 29 de dezembro, e depois a Luftwaffe abrandou,
devido ao inverno. Em março os ataques recomeçaram e a 10 de maio Londres
sofreu um assalto realmente violento, mas a 16 do mesmo mês a Luftwaffe desviou
a atenção para a iminente invasão da Rússia e o pior havia passado.
Nessa famosa batalha, a Alemanha chegou muito mais perto da vitória do que
a Inglaterra admitiu ou Hitler imaginou. Se os ingleses não tivessem bombardeado
Berlim em 25 de agosto, Hitler não teria ordenado à Luftwaffe que concentrasse
o ataque sobre Londres, e o ataque às bases avançadas do Comando de Combate
poderia ter sido repelido num momento em que a RAF estava em seu ponto mais
fraco. E se mais tarde a Luftwaffe tivesse persistido mais tempo em seus ataques
contra centros industriais, a Inglaterra teria sido posta de joelhos. Dois
erros táticos, análogos ao erro de não liquidar com a BEF em Dunquerque, afrouxaram
o aperto de Hitler na Inglaterra - e ela sobreviveu para lutar noutra ocasião.
A Invasão da Rússia
O pacto de Hitler com a Rússia, o pacto Molotov-Ribbentrop de 1939, foi um
expediente estratégico que capacitou o Fuhrer a invadir a Polônia e subseqüentemente
assolar o ocidente sem recear uma intervenção russa. Mas, nutrindo fanática
convicções anticomunistas, não é de admirar muito que, mais tarde, invadisse
o território de sua antiga aliada. Seus motivos, porém, não foram puramente
ideológicos. A longo prazo a Rússia oferecia um Lebensraum quase sem limites,
os campos de trigos e os celeiros da Ucrânia, e o petróleo do Cáucaso. A curto
prazo Hitler achou que ela estava ameaçando o seu fornecimento de petróleo
da Romênia e conspirava para intervir no lado inglês da guerra da Alemanha
contra a Inglaterra. A Inglaterra, insistia ele, deve ser
conquistada; portanto, a Rússia tem que ser eliminada.
Pelo fim de 1940, o general Von Paulus, que mais tarde comandaria o exército
que se rendeu aos russos em Stalingrado, foi instruído por Hitler para fazer
um plano detalhado para a ofensiva contra a Rússia. A 5 de dezembro Hitler
emitiu ordens para que fossem feitos preparativos para Barbarossa - a invasão
da Rússia -, que deveriam esta completos em 15 de maio de 1941. De fato, a
invasão provavelmente teria ocorrido nesta data se a atenção de Hitler não
tivesse sido desviada para a expedição de tropas alemães para os Bálcãs.
Hitler quisera garantir o controle dos Bálcãs por meio de diplomacia armada,
antes de invadir a Rússia, prevenindo assim a intervenção britânica naquele
setor. A Bulgária submeteu-se, mas a Grécia e a Iugoslávia resistiram, forçando
Hitler a desviar divisões Panzer destinadas à ofensiva russa para dominar
esses dois países. A intervenção armada da Inglaterra foi quase que complemente
ineficaz, e em questão de semanas a Grécia e a Iugoslávia estavam fora de
combate, mas o início de Barbarossa teve que ser adiado para a segunda metade
de junho, que mais tarde contribuiria para a derrota alemã no leste.
A 22 de junho, tropas alemães atravessaram a fronteira russa em três correntes
separadas. Ao norte um exército comandado por Von Leeb avançou contra Leningrado
através dos Estados Bálticos ocupados pela Rússia; ao centro, um exército
sob o comando de Von Bock moveu-se da área de Varsóvia em direção a Smolensk
e depois Moscou; ao sul Von Rundstedt comandou um exército dos pântanos do
rio Pripet rumo a Kiev.
Hitler pretendia que esses exércitos avançassem tanto quanto possível em território
russo, depois efetuassem um conversão e armassem uma armadilha para os russos
com uma série de cercos maciços. Inicialmente o avanço foi quase tão rápido
quanto na Polônia e na Franca, mas os alemães não haviam levado em conta a
obstinação da resistência russa, que os deteve mais tempo que esperavam. Além
disso, as estradas eram precárias e as distâncias a serem cobertas, muito
maiores do que as percorridas nas campanhas polonesa e francesa, criaram consideráveis
problemas logísticos. A frustração de Hitler crescia à medida que suas forças
arremetiam cada vez mais fundo na Rússia e o grande cerco ainda as iludia.
Então começou a chover. As estradas sem calçamento transformaram-se em verdadeiros
lamaçais. Tanques e outros veículos dotados de esteiras podiam continuar sem
impedimento, mas seu abastecimento e a infantaria de apoio, em veículos de
rodas, os retardaram.
Apesar desses problemas, as divisões Panzer de Guderian e Hoth foram capazes
de capturar 300.000 soldados russos em Smolensk, em julho, e se não fosse
pelo lento progresso dos exércitos de Von Rundstedt ao sul, o avanço sobre
Moscou se teria processado velozmente. Mas Rundstedt deparou, em Kiev, com
um formidável exército russo, sob o comando do veterano Marechal Budiênni.
Hitler estava ansioso de que Rundstedt se habilitasse a arremeter com o máximo
de pressa para a Criméia e, ante a insistência de Guderian de que devia continuar
perseguindo os russos na estrada que levava a Moscou o Fuhrer ordenou a uma
parte do exército de Bock, incluindo as divisões Panzer de Guderian, que voltasse
para o sul e ajudasse Rundstedt a derrotar Budiênni e seus homens em Kiev.
Guderian, atacando ao sul, e Kleist, atacando ao norte, encontram-se a leste
de Kiev, num brilhante movimento de pinças que cercou por volta de 600.000
russos, mas já era fim de setembro antes que o avanço se pusesse em marcha
de novo. Outro cerco de exércitos de Bock em torno de Viazma fez outros 600.000
prisioneiros, mas o tempo estava piorando e novas forças russas se reunindo
diante Moscou.
Os generais alemães pensaram que haviam chegado o momento de parar, devido
ao inverno, e consolidar sua posição - até Hitler perdera parte do seu otimismo
- , mas Bock achava que deviam continuar, e no começo de dezembro tropas alemães
atingiram os subúrbios de Moscou, apenas para serem sumariamente expulsas
pelos russos comandados por Zukov. Hitler ordenou a suas forças que não se
retirassem, mas estabelecessem posições tão próximas de Moscou quanto possível,
e aí ficassem por todo o apavorante inverno russo, mal vestidos e mal equipados
para as condições.
Ao sul, os exércitos de Rundstedt haviam entrado na Criméia e na Bacia de
Donetz, mas não haviam conseguido tomar os campos de petróleo do Cáucaso,
e na primeira semana de dezembro tiveram que bater em retirada. O fracasso
de Hitler em tomar Moscou pode ser atribuído ao erro tático de desviar exércitos
dirigidos contra Moscou para ajudar Rundstedt em Kiev; ao fato de ter subestimado
o tamanho dos exércitos russos que o enfrentaram, que pareciam ter sempre
novas tropas para trazer para o front quando sofriam perdas; e ao fato de
que a lama ter retardado o avanço a partir de julho.
O ano seguinte deveria testemunhar o inicio da ruína da Alemanha nazista,
decretada na Rússia, em Stalingrado.
A América Antes de Pearl Harbor
Por toda a década de 30, a América manteve uma política de rígido isolamento
que incluía os acontecimentos na Europa. Quando Mussolini atacou a Etiópia,
em 1935, o congresso aprovou um ato impedindo o presidente, Roosevelt, na
época, de intervir em qualquer dos lados. Igualmente, quando rompeu a Guerra
Civil espanhola, o congresso insistiu em que a América adotasse uma posição
neutra, proibindo remessas de armas para qualquer das partes. Atado por uma
legislação dessa ordem, Roosevelt não podia fazer mais, à medida que a situação
na Europa se tornava mais e mais ameaçadora, do que exortar os americanos
a adotar uma atitude mais aberta em relação ao exterior, esperando que a opinião
pública gradativamente se voltasse contra os regimes fascistas na Europa,
que representavam uma ameaça, ainda que distante, para a paz mundial. Mas
nem a ocupação da Checoslováquia, a invasão da Polônia ou a declaração de
guerra da Inglaterra e seus aliados europeus foram capazes de gerar um movimento
unificado pró-abandono da neutralidade americana. Quando a França caiu, porém,
e a Inglaterra permaneceu sozinha entre a agressão alemã e os Estados Unidos,
o sentimento popular mudou da noite para o dia. Finalmente o congresso autorizou
um programa de mobilização e adoção de medidas visando ao fornecimento de
ajuda à Inglaterra. Primeiro enviou-se um excedente de armamento; depois,
concluiu-se um acordo de transferência de destróieres americanos da primeira
guerra mundial para as bases navais britânicas e por fim o Congresso aprovou
a Lend-Lease Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), estipulando o fornecimento
de equipamento de guerra para os adversários do fascismo em condições de pagamento
fácil. No momento em que Roosevelt terminou suas conversações com Churchill
a bordo do navio de guerra Prince of Wales, ao largo da Terra Nova em agosto
de 1941, era evidente que a neutralidade americana não era mais que formal,
pois a nação se comprometera com o lado aliado.
Hitler não gostou nem um pouco disso. E se indispôs ainda mais com os Estados
Unidos quando a América tomou a iniciativa de proteger a chegada de fornecimentos
transportados pelo Atlântico, oferecendo cobertura de escolta. Submarinos
alemães atacaram pela primeira vez navios americanos em 1941, e quando a navegação
americana na zona de segurança ao largo da costa oriental se tornou um alvo
para submarinos, pelo final do mesmo ano, os Estados Unidos fizeram seus preparativos
finais para a ação, embora sem declarar guerra formalmente. Foi nesse período
de inquietação que o Japão atacou Pearl Harbor.
As relações entre os Estados Unidos e o Japão andavam tensas há algum tempo,
e o principal ponto de discórdia eram as tentativas japonesas de colocar a
China sob o controle do império do sol nascente, pôr meios bélicos. A Guerra
Sino-Japonesa começara em 1937, provocando protestos americanos, visto que
os Estados Unidos tinham fortes interesses na China. A recusa do Japão em
dar ouvidos a esses protestos moveu o governo americano a declarar um embargo
na exportação de certos produtos para o Japão, inclusive petróleo, o que gradualmente
reforçou a disputa.
Privados de uma importantes fonte de combustível, os japoneses tinham
duas alternativas: aceitar um acordo humilhante com uma América pretendendo
a inviolabilidade da China; ou procurar petróleo em outro lugar, se necessário
pela força.
Não conseguindo firmar o acordo com o governo das Índias Orientais Holandesas
para o fornecimento de petróleo, os japoneses decidiram negociar mais uma
vez com os Estados Unidos, no verão de 1941, esperando que ainda houvesse
uma chance de romper o embargo em termos aceitáveis. Se isso falhasse, teriam
que recorrer a força nas Índias. Falhou, e houve endurecimento de atitude
de ambas as partes.
Pelo final de 1941 parecia que a guerra era inevitável, e os dois lados apressavam
seus preparativos. Para ganhar tempo um embaixador japonês foi enviado a Washington
na metade de novembro, a fim de apresentar uma última oferta do Japão, cuja
rejeição era conclusão previamente determinada, mas deveria manter as discussões
em andamento até que o Japão estivesse pronto para atacar. Os americanos também,
contemporizaram. Finalmente, quando Roosevelt foi informado das intenções
do Japão em romper relações diplomáticas, aeronaves japonesas atacaram a base
naval americana de Pearl Harbor, na ilha havaiana de Oahu.
Isso aconteceu às 8 horas da manhã de 7 de setembro de 1941, a frota americana
e os campos de pouso estavam desprevenidos, e o estrago foi feito em meia
hora. Sete navios de guerra foram destruídos ou seriamente danificados. Apenas
os porta-aviões escaparam, porque não estavam no local no momento. Tendo desmembrado
a frota americana, os japoneses podiam dar prosseguimento a seu programa de
conquista no Pacífico.
O Japão Assola o Oriente
O vitorioso ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, em 7 de setembro
de 1941, efetivamente eliminou, como pretendiam os japoneses, a ameaça de
intervenção americana em suas operações no sudeste do Pacífico. Uma quantidade
de outras operações simultâneas ao ataque a Pearl Harbor, deveria levar ao
colapso extraordinariamente rápido da resistência ocidental no extremo oriente.
A primeira a cair foi Hong Kong, que tinha a fraqueza inerente de estar situada
a apenas 650 km das bases aéreas japonesas em Formosa e a 2.600 km da base
britânica em Cingapura. Hong Kong foi atacada do continente a 8 de dezembro
por uma poderosa força japonesa, que, depois de vencer os obstáculos iniciais,
desembarcou na extremidade nordeste da ilha e avançou para o sul, cortando
as forças de defesa pelo meio. Dezoito dias após o início da operação, a guarnição
de Hong Kong capitulou.
Ainda no mesmo dia do ataque a Pearl Harbor, aviões japoneses investiram
contra uma base aérea americana em Luzon, a maior das ilhas da Filipinas.
O ataque pegou os americanos desprevenidos, e uma considerável proporção do
esquadrão americano em Luzon foi danificado ou destruído, dando aos Japoneses
a superioridade aérea que muito contribuiria para a sua conquista das Filipinas.
O comandante americano em Luzon era o General Douglas MacArthur, que dispunha
de cerca de 110.000 soldados filipinos e por volta de 30.000 soldados de linha.
Os primeiros, inadequadamente treinados, foram espalhados ao longo da costa
da ilha, enquanto os demais estavam concentrados perto de Manila. Quando as
primeiras tropas japonesas, comandadas pelo General Homma, desembarcaram em
Luzon, tiveram pouca dificuldade de romper as defesas do exército filipino,
e logo estava, se dirigindo para o interior, rumo a Manila. Nessa altura,
MacArthur retirou seus homens para a península fortificada da Bataan, movimento
esse que foi vitoriosamente efetuado em 6 de janeiro de 1942, apesar do incessante
ataque aos americanos em retirada. A área ocupada pelas tropas de MacArthur
atrás de suas defesas na península não eram mais que meros 80 km de terreno
infestado de malária. Os americanos, isolados de qualquer reforço, resistiram
bravamente, embora seus efetivos estivessem sendo dizimados pela febre. Os
japoneses foram igualmente reduzidos pela malária, mas receberam reforços
em março e gradualmente empurraram os defensores para a extremidade da península.
A 9 de abril o comandante americano (na ausência de MacArthur) capitulou.
Então um violento ataque japonês foi desferido contra a ilha de Corregidor,
a apenas 3 km de Bataan, cuja guarnição agüentou uma terrível fuzilaria pôr
parte da aviação japonesa e pela artilharia sediada em Bataan. No começo de
julho estava tudo acabado, e as forças remanescentes se renderam, deixando
os japoneses como senhores do norte das Filipinas.
A quarta operação japonesa começou em 8 de dezembro de 1941 e consistiu
em desembarques em três pontos da península malaia: Singora, Patani
e Kora Bharu, seu objetivo era tomar a Malásia e a vital base naval de Cingapura,
que simbolizava o conjunto da presença ocidental armada no oriente, nas mãos
dos ingleses. Todos esses desembarques foram feitos na costa leste, mas enquanto
uma força diversionária avançava pelo leste da península, a força principal
movia-se para o interior e entrava na Malásia pelo lado oeste.
Nesse ponto o poder marítimo britânico no oriente recebeu um duro golpe, que
deveria facilitar grandemente a conquista japonesa da Malásia e Cingapura.
O moderno navio de guerra King George V, o Prince of Wales, acompanhado pelo
antigo cruzador Repulse, navegava sob o comando do Almirante Phillips para
interceptar transportes japoneses que haviam acabado de desembarcar em Kuantan,
na península malaia, quando os dois navios foram atacados por um grande numero
de bombardeiros e lança-torpedos japoneses. Na falta de cobertura de um porta-aviões
de acompanhamento (pois não havia nenhum disponível no momento), os navios
apenas puderam se defender com fogo antiaéreo e afundaram após duas horas
de ininterrupto e preciso bombardeiro japonês. Sua destruição permitiu que
o programa japonês de desembarques prosseguisse sem obstáculos e acelerou
a queda da Malásia e Cingapura. Encontrando resistência mal organizada e apoiados
por uma inquestionável superioridade aérea, os invasores, comandados pelo
General Yamashita, conquistaram a Malásia em dois meses. A 31 de janeiro de
1942, o remanescente das forças britânicas na região cruzou o estreito para
a ilha de Cingapura.
A defesa da ilha era dificultada pelo fato de sua base naval ter sido construída
para resistir a ataques vindos do mar. Assim, quando os japoneses vieram pela
porta dos fundos, desembarcando na ilha à força em 8 de fevereiro, foram rapidamente
capazes de estabelecer uma base de operações. Embora numericamente inferiores
aos defensores, os japoneses estavam mais bem liderados, mais bem treinados
e mais bem apoiados pelo ar. Logo estavam empurrando os ingleses para o sul,
e apesar das exortações de Churchill para que se lutasse até a morte pela
honra do império, as forças britânicas, cerca de 60.000 homens no total, capitularam
depois de uma semana, a 15 de fevereiro com Cingapura em chamas ao seu redor.
Este foi um dos piores reveses jamais ocorridos na historia militar britânica.
A queda de Cingapura seria seguida de perto pela entrada dos japoneses em
Rangum, a 8 de março, e pela subseqüente retirada britânica para a Índia,
pela fronteira indo-birmanesa.
A conquista da Birmânia representou a consumação dos objetivos estratégicos
japoneses no cenário oriental: o estabelecimento de uma inexpugnável
barreira de defesa indo das Filipinas à fronteira da Índia, atrás da qual
poderiam prosseguir insensatamente na sua intenção de colocar a China sob
controle Japonês. Alem disso, podiam garantir os fornecimentos de petróleo
de que o embargo americano os privara.
A conquista Birmânia foi realizada por uma força japonesa comparativamente
menor. Começou na metade de dezembro de 1941. Com um avanço para o norte da
Birmânia, partindo da Malásia e da Tailândia. As forças britânicas de defesa
logo se puseram em retirada, e no começo de março, quando os japoneses se
encontravam perto de Rangum, a passagem ocidental para a China, seu comandante,
o General Sir Harold Alexander, resolveu não tentar defender a cidade. O objetivo
era recuar e defender Mandalay, que ainda poderia dar aos ingleses um elo
com a China através da estrada da Birmânia. Mas os japoneses avançaram, depois
de receber pesados reforços de tropas e aviões e em pouco tempo ficou claro
que Mandalay também não podia ser defendida.
Os ingleses então começaram um recuo de 320 km em direção da fronteira, e
no começo de maio já se encontravam a salvo, do outro lado. O número de feridos
ultrapassou de longe o de japoneses, embora a maioria se tenha salvado, mas
a Birmânia, a Tailândia, a Malásia e Cingapura estavam firmemente nas mão
dos japoneses. A barreira de defesa estava completa - seis meses depois de
Pearl Harbor - e a Inglaterra tinha perdido todo o seu sustentáculo no Oriente.