Por sugestão de São Jerônimo, trinta de setembro é o “Dia da Bíblia”. Foi ele que, a pedido do papa Dâmaso, com grande sacrifício, à luz de lamparinas nas grutas de Belém, traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época.
A versão latina da Bíblia ficou conhecida como “Vulgata”. São Jerônimo foi teólogo, filósofo, gramático, escritor, apologista, sacerdote e doutor da Igreja; levou boa parte de sua vida traduzindo a Bíblia.
Quem escreveu a Bíblia ?
A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o “povo do Livro”, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas.
Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a ação de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Constatamos também o esforço de homens e mulheres que querem, que procuram conhecer e praticar a vontade de Deus.
Em síntese, a resposta sobre quem escreveu a Bíblia é simples: foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la.
Quando foi escrita ?
Já abordamos acima que a Bíblia levou muito tempo para ser escrita. Estudiosos de hoje consideram que ela começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinqüenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus.
Por que se chama Bíblia ?
Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma coleção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos como o Livro do Profeta Abdias com apenas uma folha. Daí a palavra “Bíblia” em grego significar “livros”, isto é, um conjunto de livros.
E de fato ela é formada pela reunião de setenta e três livros que trazem diversos temas. Mesmo com temas variados, os livros da Bíblia sempre tratam de um mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo.
Por que dizemos Bíblia Sagrada ?
Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Quando contemplamos a natureza, o mundo em que vivemos, o universo, sempre nos perguntamos: Como tudo originou ? Quem fez essa maravilha ? Ao tentarmos responder a estas perguntas, sempre vem à nossa mente a idéia de alguém que criou tudo isso.
O universo não apareceu por si, por acaso. Toda a criação é um modo de Deus comunicar-se com o ser humano, uma comunicação amorosa. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.
A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus.
Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia.
Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história... História da Salvação.
Por que a Bíblia católica é diferente da Bíblia “protestante” ?
Uso a palavra “protestante” entre aspas porque consideroesta palavra pejorativa em relação aos nossos irmãos cristãos separados, pois todos acreditamos no mesmo Deus, somos filhos do mesmo Pai. A nossa fé centraliza-se em Jesus Cristo. Chamá-los “evangélicos”, nós católicos também o somos e, por isso, prefiro considerá-los “irmãos em Cristo”. Mas voltando à pergunta, podemos dizer que como Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. Mais atrás falamos que a Bíblia possui setenta e três livros. Esse número corresponde à católica.
A Bíblia “evangélica” tem sete livros a menos, por não ter os seguintes livros: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíblia “evangélica”. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “deuterocanônicos”, isto é, livros que foram aceitos como inspirados bem mais tarde, ou seja, em segundo lugar.
Independentemente dessas diferenças, nós cristãos católicos ou não, seguimos a Jesus, Caminho, Verdade e Vida, somos irmãos pela fé no mesmo Deus. Reconhecemos que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele.
A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia. Bendito seja Deus que fala conosco e quer o nosso bem!
Fonte: www.koinonialivros.com.br
A palavra grega Bíblia, em plural, deriva do grego bíblos ou bíblion (ß? ß?) que significa "rolo" ou "livro". Bíblion, no caso nominativo plural, assume a forma bíblia, significando "livros". No latim mediaval, bíblia é usada como uma palavra singular - uma coleção de livros ou "a Bíblia". Foi São Jerônimo, tradutor da Vulgata Latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina".
A Bíblia é na realidade uma coleção de livros catalogados, considerados pelas diversas religiões cristãs como Divinamente inspirados. É sinônimo de "Escrituras Sagradas" e "Palavra de Deus".
Os livros bíblicos, considerados canônicos pela Igreja Católica, constituem-se de 73 livros, isto é, sete livros a mais no Antigo Testamento do que as restantes traduções bíblicas usadas pelas religiões cristãs não-católicas e pelo Judaísmo. Esses livros são chamados de deuterocanônicos ou livros do "segundo Cânon", pela Igreja Católica.
A lista dos livros deuterocanônicos é a seguinte: Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Ben Sira ou Sirácida) e Baruque. Possui, ainda, adições aos livros protocanônicos (ou livros do "primeiro Cânone") de Ester e Daniel. Foram considerados escritos Apócrifos por outras denominações religiosas, ou seja, livros ou escritos que carecem de inspiração Divina. Porém, é reconhecido o valor histórico dos livros de Macabeus.
Conceitos sobre a Bíblia
Os cristãos acreditam que estes homens escreveram a Bíblia, inspirados por Deus e, por isso, consideram que a Bíblia é a Escritura Sagrada. No entanto, nem todos os seguidores da Bíblia a interpretam de forma literal, e muitos consideram que muitos dos textos da Bíblia são metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em que foram escritos, mas foram perdendo atualidade.
Para o cristianismo tradicional, a Bíblia é a Palavra de Deus, portanto ela é mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus escrita para a humanidade. Para esses cristãos nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral.
Os agnósticos vêem a Bíblia como um livro comum, com importância histórica e que reflete a cultura do povo que os escreveu. Os não crentes recusam qualquer origem Divina para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental (apesar de a Bíblia ter origem no Médio Oriente).
A comunidade científica tem defendido a bíblia como um importante documento histórico, fielmente narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Muito de sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos, uma vez que, a sua história é religiosamente tendenciosa em função da soberania de um povo que se dizia o "escolhido" de Deus e manifestou essa atitude nos seus registros.
Independente da perspectiva que um determinado grupo tem da Bíblia, o que mais chama a atenção neste livro é a sua influência em toda história da Sociedade Ocidental, e mesmo mundial. Por ela, nações nasceram (Estados Unidos da América, etc.), foram destruídas (Incas, Maias, etc.), o calendário foi alterado (Calendário Gregoriano), entre outros fatos que ainda nos dias de hoje alteram e formatam nosso tempo. Sendo também o livro mais lido, mais pesquisado e mais publicado em toda história da humanidade, boa parte das línguas e dialetos existentes já foram alcançados por suas traduções. Por sua inegável influência no mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a sua interpretação, muitas vezes, sem a utilização da Hermenêutica.
Os idiomas originais
Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico. Em hebraico consonantal foi escrito todo o Antigo Testamento, com exceção dos livros chamados deuterocanônicos, e de alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico. Em grego comum, além dos já referidos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, foram escritos praticamente todos os livros do Novo Testamento. Segundo a tradição cristã, o Evangelho de Mateus terá sido primeiramente escrito em hebraico, visto que a forma de escrever visava alcançar os judeus.
O hebraico utilizado na Bíblia não é todo igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (por ex., livros de Samuel e Reis), em outros um hebraico mais rudimentar e noutros ainda, nomeadamente os últimos a serem escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência de outras línguas circunvizinhas. O grego do Novo Testamento, apesar das diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego koiné (isto é, o grego "comum" ou "vulgar", por oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império Romano.
Inspirado por Deus
O apóstolo Paulo afirma que a Bíblia é "inspirada por Deus" [literalmente "soprada por Deus", em grego Theó pneumatos]. (II Timóteo 3:16) O apóstolo Pedro diz que "nenhuma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que homens falaram em nome de Deus." (II Pedro 1:21 MC) Veja também os artigos Cânon Bíblico e Apócrifos.
Os cristãos crêem que a Bíblia foi escrita por homens sob Inspiração Divina, mas essa afirmação é considerada subjetiva na perspectiva de uma pessoa não cristã ou não religiosa. A interpretação dos textos bíblicos, mesmo usando o mesmo Texto-Padrão, varia de religião para religião. Verifica-se que a compreensão e entendimento a respeito de alguns assuntos podem variar de teólogo para teólogo, e mesmo de um crente para outro, dependendo do idealismo e da filosofia religiosa defendida. Entretanto, quanto aos fatos e às narrações históricas, existe uma unidade.
A Fé dos leitores religiosos da Bíblia baseia-se na premissa de que "Deus está na Bíblia e Ele não fica em silêncio", como declara repetidamente o renomado teólogo presbiteriano e filósofo, o Pastor Francis Schaeffer, dando a entender que a Bíblia constitui uma carta de Deus para os homens. Para os cristãos, o Espírito Santo de Deus atuou de uma forma única e sobrenatural sobre os escritores. Seguindo este raciocínio, Deus é o Verdadeiro Autor da Bíblia, e não os seus escritores, por si mesmos. Segundo este pensamento, Deus usou as suas personalidades e talentos individuais para registrar por escrito os Seus pensamentos e a revelação progressiva dos Seus propósitos em suas palavras. Para os crentes, a sua postura diante da Bíblia determinará o seu destino eterno.
A interpretação bíblica
Diferente da mitologia, os assuntos narrados na Bíblia são geralmente ligados a datas, a personagens ou a acontecimentos históricos (de fato, os cientistas em sua maioria têm reconhecido a existência de personagens e locais narrados na Bíblia que, até há poucos anos, eram desconhecidos ou considerados fictícios).
Os judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da Palavra Divina, mas a própria palavra. Os Cristãos, por sua vez, incorporam a tal entendimento em todos os livros do Novo Testamento. Os ateus e agnósticos possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos ensinamentos religiosos. Alguns cientistas ecléticos entendem que existem personagens cuja real existência e/ou atos praticados dependem exclusivamente do entendimento religioso de cada um, como dos relatos de Adão e Eva, da narrativa da sociedade humana antidiluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas engolido por um "Grande peixe", etc.
A hermenêutica, uma ciência que trata da interpretação dos textos, tem sido utilizada pelos teólogos para se conseguir entender os textos bíblicos. Entre as regras principais desta ciência encontramos:
A Bíblia - coleção de livros religiosos - se interpreta
por si mesma, revelando toda ela uma harmonia doutrinal interna;
O texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isoladamente;
Deve-se buscar a intenção do escritor, e não interpretar a intenção do autor;
A análise do idioma original (hebraico, aramaico, grego comum) é importante para se captar o melhor sentido do termo ou as suas possíveis variantes;
O intérprete jamais pode esquecer os fatos históricos relacionados com o texto ou contexto, bem como as contribuições dadas pela geografia, geologia, arqueologia, antropologia, cronologia, biologia...
Sua estrutura interna
A Bíblia é um conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. Foi escrita ao longo de um período de cerca de 1.500 anos por 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais, segundo a tradição judaica cristã. No entanto, exegetas cristãos divergem cada vez mais sobre a autoria e a datação das obras.
Livros do Antigo Testamento
Pentateuco
Gênesis - Êxodo - Levítico - Números - Deuteronômio
Históricos
Josué - Juízes - Rute - I Samuel - II Samuel - I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias - Ester
Poéticos e Sapienciais
Jó - Salmos - Provérbios - Eclesiastes (ou Coélet) - Cânticos dos Cânticos de Salomão
Proféticos
Isaías - Jeremias - Lamentações - Ezequiel - Daniel - Oséias - Joel - Amós - Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias
Livros Deuterocanônicos
Tobias - Judite - I Macabeus - II Macabeus - Baruque - Sabedoria - Eclesiástico (ou Ben Sira) - e alguns acréscimos ao texto dos livros Protocanônicos - Adições em Ester (Ester 10:4 a 11:1 ou a 16:24) - Adições em Daniel (Daniel 3:24-90; Cap. 13 e 14)
Livros do Novo Testamento
Evangelhos e Livros históricos
Mateus - Marcos - Lucas - João - Atos dos Apóstolos (abrev. Atos)
Cartas para igrejas locais
Romanos - I Coríntios - II Coríntios - Gálatas - Efésios - Filipenses - Colossenses - I Tessalonicenses - II Tessalonicenses - Hebreus
Cartas a presbíteros
I Timóteo - II Timóteo - Tito
Carta particular
Filémon
Outras cartas
Tiago - I Pedro - II Pedro - I João - II João - III João - Judas
Livro profético
Apocalipse ou Revelação
Versões e traduções bíblicas
Livro do Gênesis, Bíblia em Tamil de 1723
Apesar da antiguidade dos livros bíblicos, os manuscritos mais antigos que possuímos datam a maior parte do III e IV Século. Tais manuscritos são o resultado do trabalho de copistas (escribas) que, durante séculos, foram fazendo cópias dos textos, de modo a serem transmitidos às gerações seguintes. Transmitido por um trabalho desta natureza o texto bíblico, como é óbvio, está sujeito a erros e modificações, involuntários ou voluntários, dos copistas, o que se traduz na coexistência, para um mesmo trecho bíblico, de várias versões que, embora não afetem grandemente o conteúdo, suscitam diversas leituras e interpretações dum mesmo texto. O trabalho desenvolvido por especialistas que se dedicam a comparar as diversas versões e a selecioná-las, denomina-se Crítica Textual. E o resultado de seu trabalho são os Textos-Padrão.
A grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto Massorético. Trata-se do texto hebraico fixado ao longo dos séculos por escolas de copistas, chamados Massoretas, que tinham como particularidade um escrúpulo rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O trabalho dos massoretas, de cópia e também de vocalização do texto hebraico (que não tem vogais, e que, por esse motivo, ao tornar-se língua morta, necessitou-se de indicá-lo por meio de sinais), prolongou-se até ao Século VIII d.C.. Pela grande seriedade deste trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto Massorético (sigla TM) é considerado a fonte mais autorizada para o texto hebraico bíblico original.
No entanto, outras versões do Antigo Testamento têm importância, e permitem suprir as deficiências do Texto Massorético. É o caso do Pentateuco Samaritano (os samaritanos eram uma comunidade étnica e religiosa separada dos judeus, que tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do Pentateuco), e principalmente a Septuaginta Grega (sigla LXX).
A Versão dos Setenta, ou Septuaginta Grega, designa a tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os séculos IV e II a.C., feita em Alexandria, no Egito. O seu nome deve-se à lenda que referia ter sido essa tradução um resultado milagroso do trabalho de 70 eruditos judeus, e que pretende exprimir que não só o texto, mas também a tradução, fora inspirada por Deus. A Septuaginta Grega é a mais antiga versão do Antigo Testamento que conhecemos. A sua grande importância provém também do fato de ter sido essa a versão da Bíblia utilizada entre os cristãos, desde o início, e a que é citada na grande parte do Novo Testamento.
Da Septuaginta Grega fazem parte, além da Bíblia Hebraica, os Livros Deuterocanônicos (aceitos como canônicos apenas pela Igreja Católica), e alguns escritos apócrifos (não aceitos como inspirados por Deus por nenhuma das religiões cristãs).
Encontram-se 4 mil manuscritos em grego do Novo Testamento, que apresentam variantes. Diferentemente do Antigo Testamento, não há para o Novo Testamento uma versão a que se possa chamar, por assim dizer, normativa. Há contudo alguns manuscritos mais importantes, pela sua antiguidade ou credibilidade, e que são o alicerce da Crítica Textual.
Uma outra versão com importância é a chamada Vulgata Latina, ou seja, a tradução latim por São Jerônimo, em 404 d.C., e que foi utilizada durante muitos séculos pelas Igrejas Cristãs do Ocidente como a versão bíblica autorizada.
De acordo com o Scripture Language Report, a Bíblia já foi traduzida para 2.403 línguas diferentes, sendo o livro mais traduzido do mundo.
Fonte: www.velhosamigos.com.br