A Medicina Veterinária, profissão oficializada no Brasil em 1918 e regulamentada em 1933, no dia 9 de setembro, data que ficou consagrada a categoria profissional, é considerada uma profissão bastante eclética, pois está, atualmente, inserida num abrangente contexto que envolve, além da prevenção e cura de afecções das diversas espécies animais, a produção e a inspeção de alimentos, defesa sanitária animal, saúde pública, ensino superior, pesquisa, extensão rural e a proteção da fauna.
Já estamos nos distanciando do estereótipo estabelecido por leigos que vêem o veterinário, apenas como o médico que trata de animais.
A clínica de animais é hoje uma das inúmeras atribuições que esse profissional possui e uma das mais importantes, visto o valor que o animal de companhia adquiriu dentro da família.
A cura dos males animais é tão antiga quanto a própria civilização. Segundo a tradição, a arte de curar animais está embasada nos poderes do Centurião Quirão, considerado o Deus da Medicina Veterinária, metade homem, metade cavalo.
Quirão, um ser sobrenatural, exercia a prática médica dos animais, através do uso das mãos.
A produção animal no brasil é sem dúvida um dos mais importantes segmentos econômicos, imprescindível para o crescimento do país e, nesse contexto, o médico veterinário contribui decisivamente para a produção de proteína nobre como fonte alimentar e para a garantia da qualidade dos produtos destinados tanto ao mercado interno quanto para a exportação.
O médico veterinário exerce na inspeção de alimentos uma função essencial. Sabidamente, muitas doenças que acontecem aos animais podem, com maior ou menor facilidade, atingir o homem através do consumo de carne, do leite e do sangue.
No seu desempenho profissional em matadouros, frigoríficos, usinas de leite e outras indústrias de alimentos, o inspetor veterinário, graças a seus conhecimentos em patologia, microbiologia e sanitarismo, está em condições de detectar aquelas doenças, evitando que a carne, o leite e os subprodutos oriundos de animais doentes sejam consumidos pela população ou entrem em contato com a mesma.
Vê-se a importância de não consumir produtos clandestinos.
No campo da saúde pública, a medicina veterinária tem participação efetiva, estabelece a profilaxia das doenças de animais passíveis de atingir o homem(zoonoses), pondo a salvo a saúde pública, que não é tarefa fácil.
Hoje temos o problema da Leishmaniose, que se espalha em todo país.
Esta é uma doença que acomete tanto os animais como os seres humanos, mas no homem, se descoberta no início tem tratamento.
O mercado já existem vacinas que protegem 95% o cão e não se pode esquecer que o melhor remédio é a prevenção com consultas anuais.
Fonte: www.conexaonoroeste.com.br
Medicina veterinária é a ciência que trata da prevenção, do diagnóstico e do tratamento de doenças em animais domésticos, assim como também do controle de distúrbios que acontecem em outros tipos de animais. Ela surgiu quando o homem começou a domesticar determinadas espécies, em decorrência da necessidade de que seus exemplares fossem objeto de cuidado e atenção para se verem livre dos males que os acometiam.
Os registros sobre a História Antiga dão conta de que a prática da veterinária foi estabelecida na Babilônia desde 2.000 a.C., mas alguns pesquisadores vão ainda mais longe, sugerindo que ela remonta a 4.000 a.C.. O Código de Hamurabi, um conjunto de leis desenvolvido pelo soberano do mesmo nome durante o período de seu reinado (1728-1686 a.C.), e que hoje se encontra no Museu do Louvre, em Paris, França, já continha as seguintes normas sobre atribuições e remuneração dos "médicos de animais":
Se o médico dos bois e dos burros trata um boi ou um burro de uma grave ferida e o animal se restabelece, o proprietário deverá dar ao médico, em pagamento, um sexto de siclo .
Se ele trata um boi ou burro de uma grave ferida e o mata, deverá dar um quarto de seu preço ao proprietário.
Os gregos antigos tinham uma classe de médicos chamada de "doutores de cavalos", aos quais os romanos davam o nome de veterinarius. Os primeiros registros sobre a prática da medicina animal na Grécia datam do século VI a.C., quando as pessoas que exerciam essa função, os hippiatros (hipiatro, medico veterinário que trata dos cavalos), tinham um cargo público.
Bem mais adiante, metade do século XVIII, as escolas de veterinária principiaram a surgir na Áustria, Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Polônia, Rússia, e Suécia. A primeira a ser organizada segundo critérios científicos, a Escola de Medicina Veterinária de Lyon, na França, foi instalada em 1761 graças ao hipólogo francês Claude Bougerlat.
Em 1875, quando D. Pedro II visitou a escola parisiense de Medicina Veterinária de Alfort, que foi a segunda a funcionar no mundo, ficou tão bem impressionado com o que viu que resolveu criar instituição semelhante no Brasil. Mas apesar da sua vontade, as duas primeiras escolas do gênero só apareceram nos primeiros anos do governo republicano: a escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (1910), e a escola de Veterinária do Exército, as duas no Rio de Janeiro.
Com relação a esta, o tenente-coronel médico João Moniz Barreto de Aragão, patrono da medicina veterinária militar brasileira, criou inicialmente o Curso Prático de Veterinária do Exército, embrião da Escola de Veterinária do Exército (EsVet). Em funcionamento a partir de 1914, a EsVet diplomou sua primeira turma em 1917, sendo considerada a precursora do ensino veterinário civil no Brasil.
No dia 9 de setembro de 1933, através do Decreto nº 23.133, o então Presidente Getúlio Vargas criou uma normatização para a atuação do médico veterinário e para o ensino dessa profissão. Em reconhecimento, a data passou a valer como o Dia do Veterinário. Mas escolas de veterinária já existiam no Brasil, desde 1910. Para o exercício profissional, o registro do diploma passou a ser exigido a partir de 1940, na Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário do Ministério da Agricultura, órgão fiscalizador da profissão. A partir de 1968, com a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária, foi transferida a estes a competência para o registro profissional do médico veterinário, e a função de fiscalizar o exercício dessa profissão.
A formação em medicina veterinária dura, em média, cinco anos, com os dois primeiros anos tratando das disciplinas básicas: anatomia, microbiologia, genética, matemática, estatística, além de nutrição e produção animal. Depois é a vez de estudar as doenças, as técnicas clínicas e cirúrgicas, e então optar por alguma das diversas especializações, que vão desde a clínica e cirurgia de animais, ao acompanhamento da produção de rações, vacinas, medicamentos e outros insumos.
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Fonte: www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br