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Dia Mundial Sem Carro

Dia Mundial Sem Carro

DEZ RAZÕES PARA LEVAR A SÉRIO O DIA MUNDIAL SEM CARRO

Por eduardo.carvalho, publicado no blog Mundo Sustentável, de André Trigueiro, no G1

1) Tamanho é documento

A multiplicação indiscriminada da frota automobilística já é um dos maiores problemas da Humanidade. Na maioria das capitais brasileiras (e mundiais) já não há a chamada “hora do rush”, porque sucessivos congestionamentos em diferentes horas do dia colapsam o trânsito progressivamente. A construção de mais pontes, viadutos, túneis ou vias expressas são paliativos, não resolvem efetivamente o problema, como muitas vezes, indiretamente, contribuem para estimular o uso do carro. A mobilidade urbana se tornou questão central do debate sobre qualidade de vida nas cidades.

2) É bom para a economia?

Estima-se que o setor automotivo responda por aproximadamente 20% do PIB brasileiro. Entre 2009 e 2011, as montadoras de veículos informam ter recolhido em impostos diretos R$ 137 bilhões. Se as montadoras de todo o planeta fossem um país, este seria um dos dez mais ricos do mundo. É bom lembrar que junto às linhas de montagem, orbitam os setores de autopeças e combustíveis, além do mercado de seguros e outros agregados. Se não há dúvida de que os automóveis fazem girar a roda da economia, também é certo que o impacto do crescimento da frota nas cidades tem inspirado outro gênero de contabilidade preocupante.

Segundo o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, Marcos Cintra, os prejuízos causados pelos engarrafamentos crescentes na cidade somam R$ 52,8 bilhões por ano, o equivalente a mais de 10% do PIB municipal. Um crescimento de 60% nos últimos quatro anos. Se outras cidades incomodadas com os engarrafamentos realizarem cálculos semelhantes, os resultados deverão ser surpreendentes.

3) A questão do IPI

Sabe-se que o governo federal reduz periodicamente o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre automóveis, toda vez que o setor reclama de queda nas vendas e risco de desemprego. Essa é uma questão polêmica, uma vez que a medida não vem acompanhada de contrapartidas sociais e ambientais que pudessem justificar tamanha renúncia fiscal.
Nos Estados Unidos, o governo Obama socorreu as montadoras com pesadas contrapartidas (manutenção do emprego, maior eficiência e inovação tecnológica na direção de uma nova geração de motores mais econômicos). É lamentável que o dinheiro arrecadado pelo governo com a venda de carros não esteja sendo devidamente investido em transporte público de massa eficiente, barato e rápido. Não custa checar também o quanto as montadoras de veículos instaladas no Brasil transferem em divisas para as respectivas matrizes fora do país.

4) O “carrocentrismo”

No livro “Muito Além da Economia Verde” (Ed.Abril) o professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Economia Internacional da USP, Ricardo Abramovay, afirma que o automóvel é “a unidade entre duas eras em extinção: a do petróleo e a do ferro. Pior: a inovação que domina o setor até hoje consiste mais em aumentar a potência, a velocidade e o peso dos carros do que em reduzir seu consumo de combustíveis (…) O mais grave é que ali onde houve inovações nessa indústria ela se voltou mais a preencher desejos privados por carros maiores, mais rápidos e de melhor desempenho do que a reais interesses públicos por veículos mais econômicos e de uso partilhado. Foi só em 2007 que, pela primeira vez em 32 anos (houve um precedente logo após a primeira crise do petróleo), a lei americana impôs metas de economia de combustíveis aos veículos fabricados pela indústria automobilística.

5) Lata de sardinha

O sucateamento do transporte público no Brasil –- responsabilidade dos governos –- determina um dos maiores fatores de estresse para milhões de brasileiros. Só quem é passageiro e já passou pelo aperto de um trem, de um metrô, de um ônibus ou de uma barca (experiência desconhecida pela maioria dos governantes, alguns dos quais muito mal acostumados com os batedores que escoltam seus carros oficiais ou vivem refugiados no vai-e-vem de helicópteros barulhentos) sabe o tamanho do desgaste físico e emocional que isso representa.

Em boa parte dos casos, quem sofre a agonia diária de chegar ao trabalho exaurido, com a roupa amarrotada e cansado pelas horas de aperto no transporte coletivo, sonha em ter um carro para se livrar desse pesadelo. O raciocínio é mais ou menos o seguinte: melhor sofrer nos engarrafamentos em seu próprio carro, ouvindo um agradável “sonzinho” no ar -condicionado, do que seguir apertado por aí. O que parece ser lógico e justo no campo individual constitui um enorme problema na esfera coletiva. A incompetência dos governos em assegurar o direito constitucional de um transporte público decente agrava a perda da mobilidade urbana numa escala sem precedentes.

6) Uma questão de saúde pública

Os dados são do dr. Paulo Saldiva, pneumologista da USP: quem mora em São Paulo, cidade com o maior número de carros do Brasil, onde a maior fonte de poluição vem justamente do escapamento dos veículos, está vivendo em média dois anos a menos em função de problemas causados ou agravados pela inalação de poluentes presentes na fumaça. São aproximadamente quatro mil óbitos por ano.

7) O maior dos sonhos de consumo

Concebido inicialmente apenas como um meio de transporte, o carro foi ganhando, ao longo de sua história – talvez mais do que qualquer outra invenção moderna – uma representação simbólica que explica o fascínio que exerce sobre as pessoas em todo o mundo há muitas décadas. A publicidade soube trabalhar bem esse sentimento, transformando no imaginário coletivo os carros em metáforas de nossas existências, onde os sonhos de liberdade, poder, força, status social, beleza, juventude, auto-afirmação, a capacidade de desbravar obstáculos antes intransponíveis, a possibilidade de chegar à frente de todo mundo (já reparou que carro só anda sem engarrafamentos em comerciais de TV?) tornaram-se “possíveis” e “ao alcance de todos” com a simples posse de um veículo automotor. Como resumiu uma campanha publicitária recente sobre um determinado veículo: “ou você tem, ou você não tem”.

8 ) O efeito Pateta

Em “Motormania”, desenho animado de Walt Disney do ano de 1950, o dócil Pateta se transforma ao volante em alguém raivoso, egoísta e perigoso. Alguém que dirige alucinadamente no trânsito oferecendo risco a si próprio e aos outros. Em depoimento registrado no livro “O automóvel: planejamento urbano e a crise das cidades” (Ed.Fiscal Tech), a psicóloga Iara P. Thielen, diretora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná, diz que “ as pessoas têm um sentimento de individualismo exagerado. Elas não vêem o trânsito como um fenômeno coletivo. Por isso elas acreditam que, em primeiro lugar, o problema é sempre dos outros, que são loucos e que correm, enquanto que elas apenas exageram um pouquinho”.

9) O impacto sobre o clima

Atualmente a frota automobilística do mundo é superior a 800 milhões de carros. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas a China deverá aumentar sua frota de 17 milhões de carros para 343 milhões de carros até 2030. Segundo a secretária de Economia Verde do Estado do Rio de Janeiro, a professora da COPPE/UFRJ, Suzana Kahn, que também integra o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o setor de transportes é responsável onde por 23% das emissões globais de gases estufa (que agravam o aquecimento global) e cerca de 50% a 70% dos poluentes atmosféricos. Os automóveis sozinhos respondem por metade de tudo isso.

10) “A era do automóvel”, por João do Rio

Membro da Academia Brasileira de Letras, João do Rio registrou em 1909, numa crônica profética, alguns dos problemas causados pela multiplicação indiscriminada de automóveis nas ruas das cidades. Note-se que esta crônica foi publicada em 1909 quando apenas 37 automóveis rodavam pelas ruas do Rio de Janeiro, então com 500 mil habitantes. O texto foi reproduzido na íntegra no livro “O automóvel : planejamento urbano e a crise das cidades” (Ed.Fiscal Tech). Destaco aqui apenas o início e o final da crônica:
“E subitamente, é a Era do Automóvel. O monstro transformador irrompeu, bufando, por entre os escombros da cidade velha, e como nas mágicas e na natureza, aspérrima educadora, tudo transformou com aparências novas e novas aspirações (…). Automóvel, Senhor da Era, Criador de uma nova vida, Ginete Encantado da transformação urbana, Cavalo de Ulysses posto em movimento por Satanás, Gênio inconsciente da nossa metamorfose!”

Fonte: http://g1.globo.com

Dia Mundial Sem Carro

Um dia sem carros, por quê?

O dia 22 de setembro se aproxima. Foi escolhida como a data simbólica para um mundo em busca da mobilidade urbana sustentável. Notícias nos jornais e comentários na internet já mostram a agitação que a data provoca. As duas maiores cidades do país, Rio e São Paulo, aderiram formalmente. A mobilidade sustentável é algo amplo e complexo, mas o refrão é “Dia Mundial Sem Carros”.

Ao lançar uma campanha contra os carros pode-se causar efeito inverso, gerando uma sensação de desamparo na maioria das pessoas, em estágio avançado de dependência do automóvel. Tal como quando o boato “vai faltar água” se espalha e todos começam a encher baldes e bacias.

Quando se fala em mobilidade, o alerta tem de ser feito. Os malefícios causados pelo automóvel na coletividade são bem maiores que os benefícios que ele proporciona a seus proprietários individualmente. Cidades são sistemas complexos e a política urbana adotada na sociedade ocidental, ao valorizar em demasia o individualismo do transporte por automóveis, só fez piorar a situação a um ponto insustentável. Há uma rede de conexões entre o aumento do uso e da quantidade de automóveis e sua influência negativa no ambiente das áreas urbanas.

Em março deste ano foi publicado o documento The Urban Environment pela Royal Commission on Environmental Pollution, do Reino Unido. Eles identificaram uma teia de problemas maléficos causados pelos automóveis nas cidades. O diagrama foi traduzido para o português e encontra-se disponível na página da TA.

Para uma teia de problemas, há uma árvore de soluções. Neste cenário caótico e aparentemente sem saída da dependência dos automóveis, a bicicleta apresenta-se como alternativa viável para mobilidade nas cidades. É uma forma de transporte individual ecologicamente limpo, silencioso, que ocupa pouco espaço urbano. Além disso, ainda melhora a saúde e aproxima as pessoas. Em busca de melhor qualidade de vida, de um planeta mais limpo e um futuro garantido para as novas gerações, as cidades precisam que todos nós façamos uma opção ativa pelo transporte coletivo, andar a pé, de skate, patins ou bicicleta.

Dia Mundial Sem Carro

Fonte: http://transporteativo.org.br

Dia Mundial Sem Carro

22 de setembro é dia sem carro na cidade

22 de setembro é dia sem carro, uma data para sensibilizar as pessoas para os imapctos do carro nas cidades e promover a mobilidade sustentável. Participe.

NO PRÓXIMO DIA 22 DE SETEMBRO, E SEMPRE QUE POSSÍVEL, DEIXE SEU CARRO NA GARAGEM. BUSQUE FORMAS ALTERNATIVAS DE LOCOMOÇÃO: VÁ DE ÔNIBUS, A PÉ OU DE BICICLETA, OU INCENTIVE A CARONA SOLIDÁRIA, DEMONSTRANDO QUE MENOS CARROS É SINÔNIMO DE MAIOR QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS OS CIDADÃOS.

Moradores de todas as grandes cidades do país estão sendo convidados a abandonar seus carros, no próximo dia 22. Trata-se do Dia Mundial Sem Carro.

No Brasil, a mobilização foi promovida pela primeira vez em 2001. Em 2004, 63 cidades de todo o país participaram.
O objetivo é despertar a população para a importância do combate à poluição do ar, à emissão excessiva de gases e ao efeito estufa, além de estimular o uso de transportes não-motorizados.

Valorizar o consumo sustentável, é o que se propõe no Dia Mundial Sem Carro, incentivando o ir e vir de outro modo, combatendo a poluição, evitando a emissão excessiva de gases de efeito estufa que causam a elevação da temperatura do planeta e que alteram as condições de vida, causando vários problemas de saúde, tais como: doenças respiratórias e cardiovasculares de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Viver em uma cidade com ar puro, sem barulho e com um trânsito tranqüilo, é o sonho de todo mundo. O "Dia Mundial Sem Carro", evento internacional realizado anualmente, visa à conscientização das pessoas sobre o quanto é importante transitar menos de carro e optar por uma forma diferente, mais ecológica, de se deslocar para o trabalho, para as compras, ou mesmo para passear. É uma boa oportunidade para refletirmos sobre a valorização excessiva e errada da cultura individualista a que estamos acostumados.

Fortalecer a Mobilidade Sustentável, despertando nos cidadãos o dever com relação ao uso racional e solidário do automóvel, descobrindo outros meios de transporte, vendo a cidade sem congestionamentos e com uma atmosfera mais limpa, além de se beneficiar de uma boa dose diária de exercício físico, também são objetivos desse dia.

HISTÓRICO MUNDIAL

Os europeus, preocupados com os graves problemas ambientais e com a qualidade de vida nas cidades devido ao uso desordenado dos automóveis, assumiram a proposta idealizada e realizada pela França, inicialmente na cidade de La Rochelle, em 1997. Em 1998 houve a adesão nacional, além do apoio da Itália, o que motivou a Comissária Européia para o Meio Ambiente, em 2000, a submeter a proposta a outros países europeus e à Comissão Européia. Naquele ano (1998) foram 35 cidades francesas, já em 1999, 186 cidades francesas e italianas e em 2000 a União Européia instituiu a Jornada Internacional "Na Cidade, Sem meu Carro", reunindo 760 cidades. Em 2001 foram 1683, das quais 1050 realizaram integralmente a Jornada e assinaram declaração de compromisso (843 da União Européia envolvendo 14 países e 207 cidades de 18 países não membros), além de 633 cidades que se associaram à Jornada, mas não assinaram o compromisso, entre as quais estão 11 cidades brasileiras.

HISTÓRICO BRASILEIRO

O Brasil aderiu à Jornada ainda de forma tímida comparada à radicalidade européia, porém, indo além da expectativa dos organizadores, com o envolvimento de 11 cidades, dentre elas 7 capitais, que interditaram ruas, praças, áreas centrais e quarteirões e onde foram realizadas atividades como: passeios ciclísticos, caminhadas, eventos culturais, painéis sobre transporte e trânsito, exposições de carros antigos, shows musicais, exposição de artistas plásticos, teatro, pesquisas de avaliação, de níveis de poluição, de velocidade do transporte coletivo (onde foi interditada a área central).
As cidades pioneiras foram: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas no Rio Grande do Sul; Piracicaba em São Paulo, Vitória no Espírito Santo, Belém no Pará, Cuiabá no Mato Grosso, Goiânia em Goiás, Belo Horizonte em Minas Gerais, Joinville em Santa Catarina e São Luís no Maranhão.

VOCÊ SABIA?

- Que o primeiro Dia sem Carro foi realizado na França em 1998? Desde então, a mobilização se estendeu a vários países, chegando ao Brasil em 2001.

- Que mais de 80% do óleo consumido pelos carros no nosso país é queimado ou despejado na natureza?

- Que o automóvel pesa 30 vezes mais que os passageiros que ele carrega? Portanto, a gasolina utilizada é quase toda gasta para mover o próprio automóvel, e não seus passageiros?

- Que 40% da poluição do ar é produzida pelos meios de transportes?

- Que para transportar 50 pessoas em ônibus, são ocupados 54m² de rua, sendo que, usando carros, o espaço ocupado é de 267m²? Ou seja, 8 vezes mais espaço!

- Que os congestionamentos de veículos também contribuem para o estresse e a poluição sonora, além da poluição do ar?

- Que a "cultura do carro" favorece a menor convivência entre as pessoas?

- Que na cidade de Bogotá, Colômbia, o Dia Sem Carro acontece uma vez por mês?

- Que mais de 40 países participam da Jornada "Na Cidade Sem Meu Carro", no dia 22 de setembro?

- Que a bicicleta é amplamente utilizada em diversos países, por ser um veículo econômico, ecologicamente correto, não poluindo e não contribuindo para congestionamentos?

- Que, segundo a "Federação Portuguesa de Utilizadores de Bicicleta", cinco mil bicicletas em circulação representam 6,5 toneladas a menos de poluentes no ar?

- Que levando seu carro para a revisão periodicamente, mantendo-o sempre em ordem e também na hora de abastecer, priorizando o álcool e o bio-diesel (sustentável), você estará ajudando a uma menor emissão de gases poluentes na atmosfera?

QUER SABER MAIS SOBRE O DIA MUNDIAL SEM CARROS?

www.nacidadesemmeucarro.org.br

Fonte: www.midiaindependente.org

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