A sífilis congênita é resultado da infecção do feto pelo Treponema pallidum, bactéria causadora da sífilis. Essa infecção se dá através da placenta de uma mulher grávida que esteja infectada pela sífilis. É uma doença grave e pode causar má formação do feto, sérias conseqüências para a saúde da criança ou até a morte.
A sífilis pode se manifestar logo após o nascimento ou durante os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida.
Ao nascer, a criança infectada pode apresentar problemas muito sérios, entre eles: pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou retardamento. A doença pode também levar à morte. Há ocorrências em que a criança nasce aparentemente normal e a sífilis se manifesta só mais tarde, após o segundo ano de vida.
A transmissão da mãe infectada para o bebê pode ocorrer em qualquer fase da gestação ou durante o parto. Estando presente na corrente sangüínea da gestante, após penetrar na placenta, o treponema ganha os vasos do cordão umbilical e se multiplica, rapidamente, por todo o organismo da criança que está sendo gerada. A infecção do feto depende do estágio da doença na gestante. Quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais grave será o risco de transmissão para o bebê.
Realização do teste diagnóstico em mulheres com intenção de engravidar, tratamento imediato dos casos diagnosticados nas mulheres e em seus parceiros.
Realizar testes em amostra de sangue dos recém-nascidos cujas mães apresentaram infecção pela sífilis ou em casos de suspeita clínica de sífilis congênita. O tratamento deve ser imediato nos casos detectados e deve ser feito com penicilina. Com o tratamento adequado, mães com sífilis podem dar à luz a crianças saudáveis.
A notificação e investigação dos casos detectados, incluindo os que nascem mortos ou os casos de aborto por sífilis, são compulsórias e dever de todo cidadão, obrigatórias a médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e privados de saúde (Lei no 6259).
Fonte: www.sintivest.org.br
Doença sistêmica causada pela bactéria espiroqueta Treponema pallidum.
A transmissão pode ocorrer por via sexual, contato íntimo não sexual, transplancetária ou parenteral (acidente percutâneo ocupacional ou uso de drogas endovenosas). Doença de distribuição cosmopolita, afeta todas as faixas etárias, principalmente pessoas sexualmente ativas.
Período de incubação de 3 a 90 dias. A evolução da doença é dividida nas seguintes fases:
Lesão primária: período de incubação médio de 21 dias. Presença de lesão papular indolor que evolui para úlcera com fundo liso, limpo e apresenta bordas endurecidas, formando cancro duro. Em homens, a lesão geralmente manifesta-se em glande e sulco balanoprepucial. As mulheres podem apresentar lesões que passam despercebidas. O cancro pode também ser encontrado em outros locais onde houve inoculação. Adenopatia regional pode ser encontrada. Mesmo sem tratamento específico, a lesão cicatriza espontaneamente após 2 a 8 semanas.
Lesão secundária: geralmente manifesta-se 6 a 8 semanas após aparecimento de lesões primárias e caracteriza-se pelo exantema macular, maculopapular, papular ou pustular acometendo tronco e membros, e lesões características que acomete palmas e plantas.
O quadro clínico é acompanhado de linfadenopatia generalizada, sintomas sistêmicos como febre, astenia, anorexia, artralgias, faringite e cefaléia, sendo diagnóstico diferencial das síndromes mononucleose símile. O processo inflamatório mononuclear perivascular pode envolver folículos capilares ocasionando alopecia e queda de pêlos.
Em áreas úmidas do corpo como regiões interdigitais, vulva, escroto e axilas, as pápulas podem hipertrofiar e sofrer erosão central, com coloração rosada ou branco-acinzentada, também conhecidas como condiloma lata. São encontradas em 10% dos pacientes com sífilis secundária. Outras manifestações sistêmicas são raras. Incluem meningite, uveíte, irite granulomatosa, hepatite, alterações gastrintestinais, nefropatia e periostite.
Sífilis latente: caracterizada pela reação sorológica positiva para sífilis na ausência de sintomatologia clínica. Pode ser classificada em sífilis latente precoce, quando a infecção ocorreu há menos de um ano, e sífilis latente tardia, quando a infecção ocorreu há mais de 1 ano.
Devido à dificuldade de caracterização do momento da infecção e do subdiagnóstico de manifestações primárias, para definir como sífilis latente precoce, o paciente precisa ter as seguintes condições:
Sífilis terciária: sinais e sintomas geralmente surgem após 3 a 12 anos de infecção. Caracteriza-se principalmente por lesões mucocutâneas destrutivas (goma), neurológicas, cardiovasculares (endarterite obliterante, aneurisma aórtico) e articulares (artropatia de Charcot).
Neurossífilis: o acometimento do sistema nervoso central pode ocorrer em qualquer estágio da doença. Principais manifestações são alteração motora e de sensibilidade (tabes dorsalis), acometimento de pares cranianos, alterações oftalmológicas (uveíte) ou auditivas, demência, meningite crônica e meningoencefalites.
Sífilis primária: o diagnóstico é feito através da identificação do T. pallidum na secreção da lesão por microscopia em campo escuro ou por imunofluorescência. Nessa fase da doença, a sorologia geralmente é negativa, portanto, na prática clínica, o diagnóstico deve ser realizado na presença da lesão característica com epidemiologia sugestiva de infecção recente.
Outras formas de sífilis:
Exame direto: identificação do agente do material obtido do esfregaço das lesões. T. pallidum não é cultivável em meios de cultura.
Sorologia:
Testes não treponêmicos: VDRL (venerealdisease research laboratory) e RPR (rapid plasm reagin) são testes quantitativos importantes para o diagnóstico e controle pós-tratamento. Geralmente tornam-se positivos a partir da segunda semana após aparecimento da lesão primária. Os títulos sofrem redução natural no primeiro ano de evolução. Após o tratamento específico, tendem a negativar-se em 6 a 12 meses, ou mantêm-se baixos por tempo prolongado. Testes de resultado falso positivo podem ocorrer, portanto, é necessário teste treponêmico para confirmação.
Testes treponêmicos: imunofluorescência com FTA-Abs (fluorescent treponema antibody absorvent test), MH-TP ou TPHA (microaglutinação para T. pallidum) e ELISA (imunoenzimático). São testes específicos e qualitativos, importantes para confirmação da infecção.
Neurossífilis: é importante salientar que o acometimento do SNC pode ser assintomático, portanto, todos pacientes que têm sorologia positiva (excluindo lesão recente) sem tratamento específico prévio, devem ser investigados quanto ao acometimento do SNC. A confirmação de neurossífilis requer sempre mais de um teste. Exame liquórico apresenta pleocitose linfomonocitária, com elevação de proteína. VDRL no liquor é altamente específico, mas tem baixa sensibilidade. A presença de VDRL positivo no liquor não acidentado confirma o diagnóstico. Todos os outros testes são altamente sensíveis, porém, pouco específicos. Na presença de alteração liquórica compatível com títulos treponêmicos elevados, o diagnóstico de neurossífilis deve ser considerado.
Sífilis primária, secundária, latente precoce:
Penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM dose única.
Doxiciclina 100 mg VO 12/12 horas por 14 dias.
Tetraciclina 500 mg VO 6/6 horas por 14 dias.
Ceftriaxona 1 g IM ou EV 1 x/dia por 8-10 dias.
Azitromicina 2 g VO dose única.
Latente tardia e terciária, sem acometimento SNC:
Penicilina G benzatina 2.400.000 UI IM 1 x/semana por 3 semanas.
Doxiciclina 100 mg VO 12/12 horas por 28 dias.
Tetraciclina 500 mg VO 6/6 horas por 28 dias.
Neurossífilis e forma ocular:
Penicilina cristalina 3-4 milhões UI EV 4/4 horas por 10-14 dias.
Penicilina G procaína 2,4 milhões UI IM + probenecida 500 mg 6/6 horas por 10-14 dias.
Ceftriaxone 2 g IM ou EV 1 x/dia por 14 dias.
Observações:
Gestantes: sempre preferir tratamento com penicilina. Fazer dessensibilização se for alérgica.
Reação febril de Jarisch-Herxheimer: exacerbação das lesões cutâneas que aparecem após início do tratamento na doença recente. A involução é espontânea e geralmente tem duração de 12 a 48 horas. Exige apenas tratamento sintomático, não necessita de interrupção do tratamento.
Considera-se tratamento inadequado de sífilis em gestantes:
Todo tratamento em mães que não fizeram tratamento com penicilina ou tratamento incompleto, mesmo com penicilina ou tratamento não adequado para fase clínica da doença;
Administração do tratamento com menos de 30 dias antes do parto;
Elevação dos títulos no seguimento após o tratamento;
Parceiro não tratado ou tratado inadequa-damente;
Ausência de documentação do tratamento;
Ausência da queda dos títulos do parceiro após o tratamento.
Em todos os filhos não tratados ou tratados inadequadamente, independentemente do resultado do VDRL do recém-nascido, deve-se realizar radiografia de ossos longos, punção lombar e outros exames para avaliação de sífilis congênita.
Se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas, deve-se tratar o recém-nascido com:
penicilina cristalina 100.000 UI/kg/dia EV, divididas em 12/12 ou 8/8 horas, por 7 a 10 dias;
penicilina G procaína 50.000 UI/kg IM por 10 dias;
se houver alteração liquórica ou na impossibilidade de punção, penicilina cristalina 150.000 UI/kg/dia EV, divididas em 12/12 ou 8/8 horas, por 14 dias.
Se não houver alterações clínicas, sorológicas e radiológicas, deverá ser administrada penicilina benzatina 50.000 UI/kg IM dose única.
Acompanhar recém-nascido clinicamente e com VDRL (1º e 3º mês).
Fonte: www.consultormedico.com