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Síndrome de Edward

 

Essa cromossomopatia foi descrita pela primeira vez em 1960 por Edward e colaboradores.

Sua prevalência varia entre 1:6.000 a 1:8.000 nascimentos.

Cerca de 95% dos embriões portadores da trissomia 18 evoluem para aborto espontâneo ou óbito fetal, nascendo apenas 5%.

A mortalidade pós-natal da trissomia 18 é elevada, tendo estes recém-nascidos uma sobrevida média inferior a uma semana; globalmente, menos de 5% destas crianças atingem o primeiro ano de vida.

A causa da trissomia do 18, em cerca de 95% dos casos, é a não separação do cromossomo no momento da formação do gameta – trissomia 18 “livre” – geralmente, o gameta de origem materna. Está relacionada com o aumento da idade materna.

São raros os casos em que o cromossoma extra tem origem paterna (erros mitóticos pós fertilização). A origem genética pode ser ainda pode ocorrer por translocação herdada (“de novo”) ou mosaicismo.

O seu diagnóstico pode ser feito ainda intra-útero, no período pré-natal, sendo indicada uma investigação genética no material fetal quando a idade da mãe for superior a 35 anos, alteração nos exames ultrassonográficos (translucência nucal alterada, ausência do osso nasal e outras malformações).

O diagnóstico, após o nascimento, é realizado através do quadro clínico do recém-nascido e do estudo genético.

CARACTERÍSTICAS DOS PACIENTES COM SÍNDROME DE EDWARDS

Fenotípicas (aparência): atraso de crescimento, microcefalia, micrognatia, orelhas dismorficas, onfalocelo, alterações radiais dos membros, dedos caracteristicamente flectidos, proeminência dos calcanhares.

Malformações associadas: cardíacas, cerebrais (quistos do plexo coroideu), osteoarticulares, digestivas (atresia do esófago, divertículo de Meckell), mielomeningocelo.

Características

Deficiência mental e crescimento
Hipertonicidade
Implantação baixa das orelhas
Mandíbula Recuada
Rim duplo
Ocorrência 1/6.000 nascimentos
5% a 10% sobrevive o 1º ano

Síndrome de Edward

Fonte: www.imunorepro.med.br / www.assis.unesp.br

Síndrome de Edward

Apresentando uma Síndrome

A síndrome da trissomia do cromossomo 18 foi descrita pela primeira vez por Edwards & cols.2 em I960 em recémnascidos com malformações congênitas múltiplas e retardamento mental (MCA/MR); foi a segunda trissomia autossômica identificada no homem (a primeira foi a S. de Down ou trissomia 21) e é também conhecida como síndrome de Edwards. A freqüência da síndrome é de l para 8.000 nascimen tos, sendo que nascem mais meninas afetadas do que meninos (4F:1M). A idade média das mães das crianças afetadas é de 32 anos e a dos pais é de 35 anos - (De Grouchy & Turleau, 19781).

As manifestações mais comuns relatadas na gestação são movimentos fetais fracos e hidrâmnio; muitas vezes a gestação é prolongada, podendo ser de 42 semanas ou mais; a placenta se apresenta pequena e a artéria umbelical é única (Schinzel, 19844).

Características comumente observadas em recém-nascidos são: peso de nascimento diminuído, em torno de 2240g; choro fraco; hipotonia seguida de hipertonía, hipoplasia da musculatura esquelética e do tecido adiposo subcutáneo; diminuição de resposta a estímulos sonoros.

A seguir, apresentaremos as características fenotípicas comumente presentes nos pacientes com síndrome de Edwards:

a) Crânio e Face

O crânio é dismórfico, com o diâmetro bifrontal diminuído e o occipital saliente (dolicocefálico); as fontanelas podem ser amplas e a microcefalia pode estar presente. A face é triangular com jesta alta e ampla. As fendas palpebrais são estreitas, o nariz é pequeno, a boca é pequena com palato ogival e há micrognatia.

As orelhas são mal formadas e de implantação baixa, lembrando orelhas de fauno, isto é, desenroladas e com a parte superior em ponta.

O occipital proeminente, o micrognatismo e as orelhas de fauno constituem os sinais mais importantes da dismorfia crânio-facial presente na síndrome.

b) Tórax e Abdomem

Pescoço curto com excesso de pelo; esterno curto, mamilos pequenos; presença de hérnia inguinal ou umbilical, e/ou diastase dos músculos retos; pelvis estreita, limitação da abdução dos quadris.

c) Extremidades

Muito característico nessa síndrome é a criança manter os punhos cerrados, o segundo dedo recrobrindo o dedo médio e o quinto dedo recobrindo o quarto; as unhas são hipoplásicas. É comum o pé torto congênito; o calcanhar se apresenta proeminente, tendo o pé o formato de mata-borrão (ou cadeira de balanço); o hálux apresenta-se encurtado e em flexão dorsal (Schinzel. 19844)

d) Órgãos genitais

É comum criptorquidia nos meninos e hipertrofia de rgão genital feminino com hipoplasia dos grandes lábios nas meninas.

c) Malformações

Um amplo espectro de malformações congênitas afetando cérebro, coração, rins e aparelho digestivo pode estar presente. Entre as malformações cardíacas, quase sempre responsáveis pelos óbitos dos recém-nascidos, a comunicação interventricular e a persistência do cretal arterial são as mais freqüentes. Tecido pancreático heterotópico eventração diafragmática, diveitículo de Meckel e diversos tipos de displasias renais são observados freqüentemente.

Síndrome de Edward

Síndrome de Edward

Síndrome de Edward

Achados citogenético

A análise cromossômica dos pacientes revela que a maioria tem a trissomia do cromossomo 18 (47, XV, + 18 ou 47, XX, + 18) presente em todas as células (Figura abaixo). Raras vezes observam-se casos de mosaicismos nos quais células normais e células trissômicas estão presentes. Em alguns pacientes foram descritos rearranjos estruturais envolvendo todo ou parte do cromossomo 18; só nessas situações é que a análise cromossômica dos pais do paciente se faz necessária para o cálculo do risco de recorrência. Na trissomia 18 universal ou com mosaicismo, o risco para os pais dó afetado de ter outra criança com a mesma síndrome é baixo, da ordem de 1%.

Síndrome de Edward
Cariótipo parcial de um paciente portador de Trissomia 18 mostrando os cromossomas do grupo E. Observar os três cromossomas 18 presentes

Achados dermatoglíficos

O estudo dás impressões digitais e palmares revela um excesso de padrão arco nas falanges distais (7 a 10 dedos), ausência de pregas interfalangianas, deslocamento do trirrádio palmar para posição t' ou t" e em cerca de 30% dos pacientes, pregas palmares transversas (simiescas)

Evolução

O prognóstico para os bebês que nascem com a síndrome de Edwards é ruim, já que a sobrevida para a maioria dos pacientes é de 2 a 3 meses para os meninos e 10 meses para as meninas (De Grouchy & Turleau, 19781), raramente ultrapassando o segundo ano de vida; os pacientes com mosaicismo podem viver mais tempo. Na literatura já foram relatados pacientes com 13,15 e 18 anos (revisão em Schinzel, 19844). A sobrevida parece estar relacionada com a gravidade das malformações congênitas (Goodman & Gorlin, 19773)

Os recém-nascidos exigem freqüentemente alimentação por gavagem, já que têm sucção pobre; podem apresentar crises de apnéia e não ganham peso. O atraso mental é profundo nos sobreviventes.

Diagnóstico diferencial

Recém-nascidos com a síndrome podem apresentar lábio leporino e/ou palato fendido (cerca de 25%), características presentes também na síndrome da trissomia 13 ou síndrome de Patau. Na forma fistal da artrogripose o posicionamento das mãos pode ser semelhante ao observado na trissomia 18. A sus peita diagnostica deve ser confirmada pelo estudo cromossômico.

Célia Koiffmann

Claudette H. Gonzalez

Referências

1. DE GROUCHY, J.& TURLEAU, C. - Atlas de las Endermedades Cromossômicas. Barcelona, Marín, 1978.
2. EDWARDS,]. H. et al. - Añewtrisomic syndrome. Lancet 1:787, I960.
3. GOODMAN, R. M. & GORLIN, R. J. - Atlas of the Face in Genetic Disorders. 2nd. ed.. St. Louis, C. V.Mosby, 1977.
4. SCHINZEL, A. - Catalogue of Unbalanced Chromosome Aberrations in Man. Berlin, Wal ter de Gruyter, 1984

Fonte: ww.pediatriasaopaulo.usp.br

Síndrome de Edward

I - Como surgem as anomalias numéricas?

Na espécie humana, as alterações numéricas envolvem acréscimo ou diminuição de um ou poucos cromossomos e são chamadas aneuploidias. Os indivíduos são, dessa forma, 2n + 1, 2n - 1, 2n + 2 etc. Ao contrário, as euploidias, são frequentes em vegetais e alteram conjuntos cromossômicos inteiros, ou seja, o número de genomas ( 3n, 4n etc ).

De que maneira surgem as aneuploidias? Por razões desconhecidas, durante a meiose formadora de óvulos ou espermatozóides, um determinado par de cromossomos homólogos pode não separar. Isso é tecnicamente chamado de não-disjunção. Dessa forma, uma célula fica com um cromossomo a mais, e outra, com um cromossomo a menos. Isso pode acontecer tanto com um autossomo quanto com um cromossomo sexual.

Se uma não-disjunção do X ocorrer numa ovogênese, poderão originar-se óvulos com 2X, ou ainda óvulos sem nenhum X, que, fecundados por espermatozóides ( X ou Y ), produzem zigotos com aneuploidias.

Os indivíduos com três cromossomos do mesmo tipo são chamados trissômicos e os que têm apenas um são ditos monossômicos.

II-A Síndrome de Edwards

O primeiro caso de trissomia 18 foi descrito por John H. Edwards, no ano de 1960. A trissomia do 18 é a segunda mais frequentes síndrome de trissomia autossômica, com incidência estimada em 1:3500 a 1:7000 em nascidos vivos; e predominância no sexo feminino na razão de 3:1. Provavelmente 95% dos fetos com trissomia do 18 são abortados espontaneamente. A sobrevivência pós-natal também é pequena, sendo estipulada desde poucos dias até alguns meses.

Apesar de a etiopatogenia ser desconhecida, verifica-se uma nítida associação entre a ocorrência da síndrome e a idade materna avançada decorrida da não-disjunção meiótica do cromossomo 18, a maioria dos pacientes apresentam uma trissomia regular, com cariótipo 47XX + 18. Dentre os restantes, cerca da metade é constituída por casos de mosaicismos, apresentando genótipo 46XX/ 47XX + 18; sendo que, esses desenvolvem manifestações menos graves, sobrevivem por mais tempo e nascem de mães jovens. Estudos recentemente realizados, demonstram que na maior parte dos casos ( 85% ), o erro ocorre na disjunção cromossômica da meiose materna, e somente 15% na meiose paterna.

As manifestações da trissomia 18 sempre incluem retardamento mental e atraso do crescimento e, às vezes malformações graves no coração. O crânio é excessivamente alongado na região occipital. O pavilhão das orelhas é dismórfico, com sulcos. A boca é pequena. O pescoço é curto. Há uma grande distância intermamilar. Os genitais externos são anômalos. O dedo indicador é maior do que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm as pontas arqueadas. As unhas costumam ser hipoplásticas.

Estudos anatomo- patológico e de imagem, realizados no Hospital Infantil Pequeno Príncipe entre janeiro de 89 a janeiro de 99, permitem a identificação de um grande número de malformações de órgãos, podendo comprometer praticamente todos os sistemas do organismo. As malformações do sistema cardiovascular ocorrem em 80% das crianças com trissomia 18. Contudo, nesse levantamento, somente 58% dos lactentes apresentavam algum tipo de anormalidade cardíaca, sendo todos submetidos a estudo ecocardiográfico. As malformações cardíacas encontradas foram múltiplas, mantendo relação fiel com a literatura internacional, sendo a comunicação interventricular a mais frequente ( 64% ), seguida de comunicação interatrial (57% ) e anomalias valvares com frequencia variável. A ocorrência da comunicação interventricular nesse estudo mostrou-se pouco abaixo da relatada na literatura ( em torno de 75-100% dos casos de trissomia 18 ) 3,8. A dextroposição da aorta é uma alteração raramente observada na trissomia 18, sendo que um dos pacientes estudados apresentou tetralogia de Fallot.

No sistema gastrointestinal, as malformações ocorrem em aproximadamente 80% dos casos, sendo o divertículo de Meckel e a atresia do esôfago as mais frequentemente relatadas 2,7,10. Dos 14 pacientes estudados nessa pesquisa, apenas 14% apresentavam divertículo de Meckel e 7% atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica. O volvo do sigmóide, também frequentemente descrito, ocorreu em 21% das crianças estudadas e em 35% foi firmado diagnóstico de refluxo gastrioesofágico. Somente um dos pacientes apresentou estenose hipertrófica de piloro, em concordância com a baixa frequência dos relatos internacionais.

As malformações do sistema genito-urinário ocorrem em aproximadamente 60% dos portadores de trissomia 18. Nesse levantamento, tais malformações foram observadas em 58% dos casos. As mais frequentes foram criptorquidia ( 37% ), rim policístico ( 28% ), refluxo vesico-uretral ( 7% ) e cisto renal ( 7% ). Rins em ferradura e persistência da lobulação renal, usualmente descritos, não foram observados em nenhuma das crianças estudadas.

Cerca de 30% dos portadores da trissomia 18 demonstram algum comprometimento do SNC, sendo os mais frequentes: alterações do padrão dos giros cerebrais, alterações morfológicas cerebelais, mielomeningocele, anomalias do corpo caloso e hidrocefalia. Nesse levantamento, 42% dos pacientes apresentavam atrofia cerebral de graus variados, demonstrada na tomografia axial computadorizada de crânio, 7% agenesia do corpo caloso e 14% mielomeningocele.

Atualmente, há forte tendência que todas as crianças com aspectos clínicos compatíveis com a Síndrome de Edwards realizem estudo genético mais precoce possível. Os autores do presente trabalho acreditam que a confirmação diagnóstica da trissomia 18 é de suma importância, para posterior aconselhamento genético e avaliação criteriosa da realização de procedimentos invasivos de alto risco em um recém-nascido de prognóstico reservado.

II I- O Cariótipo: Trissomia do 18

Síndrome de Edward
Síndrome de Edward - 47, XX + 18

IV - Anatomo-patologias da Síndrome de Edwards

Síndrome de Edward
Sobreposição do segundo e quinto dedo sobre o terceiro e quarto , assim como pé de balanço foram encotrados em todos os pacientes avaliados.

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Sobreposição de artelhos

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Micrognatia

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Microretrognatia, implantação baixa das orelhas e occipício proeminente

Fonte: www.ufv.br

Síndrome de Edward

A síndrome de edward ou trissomia 18 é uma doença genética resultante de trissomia regular sem mosaicismo do cromossoma 18.

As características principais da doença são: atraso mental, atraso do crescimento e, por vezes, malformação grave do coração. O crânio é excessivamente alongado na região occipital e o pavilhão das orelhas apresenta poucos sulcos.

A boca é pequena e o pescoço normalmente muito curto. Há uma grande distância intermamilar e os genitais externos são anômalos. O dedo indicador é maior que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm as plantas arqueadas e as unhas costumam ser hipoplásticas.

Esta sintomatologia tem uma incidência de 1/8000 recém-nascidos, a maioria dos casos do sexo feminino, mas calcula-se que 95% dos casos de trissomia 18 resultem em abortos espontâneos durante a gravidez. Um dos factores de risco é idade avançada da mãe.

A esperança de vida para as crianças com síndrome de edward é baixa, mas já foram registrados casos de adolescentes com 15 anos portadores da síndrome.

Fonte: www.deficientesolidario.com.br

Síndrome de Edward

Trissomia do 18

A síndrome de Edwardsou trissomia 18,é uma síndrome genética resultante de trissomia do cromossomo 18. Ela foi descrita inicialmente pelo geneticista britânico John H. Edwards. Seus resultados foram publicados e registrados na literatura no ano de 1960.

Estes sintomas têm uma incidência de 1 a cada 8000 recém-nascidos,com prevalência no sexo feminino. Calcula-se que 95% dos casos de trissomia 18 sejam letais e resultem em abortos espontâneos ainda durante a gravidez.

Um dos fatores de risco é idade avançada da mãe. A esperança de vida para as crianças com síndrome de Edwards é baixa, mas existem registros ded casos de adolescentes com 15 anos portadores.

Sintomas

Hipertonia (característica típica).
Olhos pequenos.
Estatura baixa.
Cabeça pequena, alongada e estreita.
Zona occipital muito saliente.
Pescoço curto.
Orelhas baixas e mal formadas.
Defeitos oculares.
Palato alto e estreito, por vezes fendido.
Lábio leporino.
Maxilares recuados.
Esterno curto.
Mão cerrada segundo uma forma característica (2º e 5º dedos sobrepostos, respectivamente, aos 3º e 4º dedos).
Pés virados para fora e com calcanhar saliente.
Rugas presentes na palma da mão e do pé, ficando arqueadas nos dedos.
Unhas geralmente hipoplásticas.
Acentuada má formação cardíaca.
Anomalias renais (rim em ferradura).

Anomalias do aparelho reprodutor.

Diagnóstico

O diagnóstico se realiza entre a 12ª e a 20ª semana de gravidez mediante técnicas ultrassonograficas, mediante a presença de qualquer malformação que se presuma em aberração cromossômica.

Se confirma o diagnóstico mediante amniocentese,cordocentese ou biópsia do tecido placentário.

Tratamento

Devido a alta taxa de mortalidade pós –natal desta enfermidade genética, não existe um tratamento fechado.

O trabalho clínico se restringe ao dignóstico prematuro. Para supervisionar a gravidez de forma adequada e preparação psicológica dos pais para uma eventual morte perinatal, ou iminente retardo mental e as incapacidades físicas dos casos sobreviventes.

Fonte: www.coletivozonanorte.com.br

Síndrome de Edward

INTRODUÇÃO

A trissomia do cromossomo 18 foi descrita pela primeira vez em 1960 pelo professor John Edwards. Esta corresponde à segunda trissomia mais freqüente nos seres humanos e sua incidência está estimada em 1: 60001,2 e 1: 80003 nascidos vivos. Os indivíduos portadores da trissomia do 18 têm, entre 90 e 94% dos casos, uma trissomia livre. Em 5 a 10% dos indivíduos acometidos verifica-se mosaicismo. E um número muito inferior de alterações deve-se a trissomias parciais. A síndrome de Edwards compreende um distúrbio multissistêmico, com fenótipo complexo, que tem como principais características retardo no crescimento fetal, polidrâmnio, sobreposição dos dedos da mão, anormalidades cardíacas e crâneo-faciais.

São essas anomalias que dão a base para o diagnóstico clínico. Para um diagnóstico pré-natal, utiliza-se, para início de investigação, métodos não
invasivos, como a ultrassonografia e o screening de marcadores séricos maternos.
Entretanto, para a confirmação diagnóstica, o método-padrão ouro é a amniocentese, que propicia uma avaliação adequada do cariótipo fetal. Preconiza-se uma investigação mais aprofundada em gestantes de idade avançada, pois como em todas as trissomias, a incidência aumenta de acordo com a idade materna

Considerando-se que a síndrome de Edwards é conhecida desde a década de 60 e é vista como uma entidade clínica bem estabelecida, o presente artigo tem como objetivo uma revisão bibliográfica atual a respeito de sua epidemiologia, manifestações clínicas, diagnóstico pré-natal e, principalmente, seus aspectos citogenéticos.

HISTÓRICO

A trissomia do 18 foi originalmente descrita, em 1960, pelo professor John Edwards e seus colegas em um relato de caso de uma menina de nove semanas de vida que apresentava atraso de desenvolvimento e crescimento, occipício proeminente, orelhas displásicas e de baixa implantação, micrognatia, pescoço alado, esterno curto, cardiopatia congênita, mãos fletidas com sobreposição dos dedos, calcâneo proeminente e hálux dorsifletidos3. Pouco depois, no mesmo ano, Smith e colaboradores na Universidade de Wiscousin descreveram o primeiro caso na América do Norte, estabelecendo assim o padrão da síndrome. Na verdade, esses grupos ajudaram a descrever tanto a trissomia do 18 quanto a trissomia do cromossomo 13 (síndrome de Patau)1. Desde então, a síndrome de Edwards desperta o interesse da comunidade científica, sendo o foco de inúmeros trabalhos
e publicações em todo o mundo.

EPIDEMIOLOGIA

As trissomias são as alterações cromossômicas mais comuns, estando presentes em até 20% dos abortos espontâneos que tiveram cariótipos analisados. Entretanto, menos de 1% dos nascidos vivos são portadores de trissomias, dentre as quais as mais importantes são as que envolvem os cromossomos 21, 18 e 131

A trissomia do 18 compreende a segunda trissomia mais freqüente nos seres humanos. Um estudo realizado para analisar diagnóstico pré-natal de trissomias detectou 27 fetos portadores de trissomias, sendo 12 portadores de trissomia do 21 (síndrome de Down), 11 portadores de trissomia do 18 e 4 portadores de trissomia do 13 (síndrome de Patau)4. Já outro grande trabalho que analisou diagnóstico pré-natal por amniocentese, em 11.000 casos, identificou 96 fetos com trissomia do 21, 33 fetos com trissomia do 18 e 6 com trissomia do 135.

Em estudos citogenéticos de abortos espontâneos, a trissomia do 18 é menos comum que a trissomia do 21. Entretanto, se considerarmos apenas os fetos cariotipados, após diagnóstico por ultrassom, de malformações e/ou crescimento retardado, a trissomia do 18 é a alteração citogenética mais comum, ocorrendo cerca de 50% mais freqüentemente que a trissomia do 211.

A trissomia do 18, assim como as demais trissomias, está associada a uma elevada taxa de mortalidade intra-uterina. Estima-se que apenas 2,5% dos conceptos afetados sobrevivam até o nascimento e que cerca de 30% daqueles vivos até o 2° trimestre de gestação cheguem a termo1.

A mortalidade pós-natal associada com essa síndrome é elevada. Na literatura, 55 a 65% dos recém nascidos afetados morrem ao redor dos 6 meses de idade e somente de 5 a 10% permanecem vivos até completarem 1 ano de vida. Todavia, é possível que indivíduos afetados cheguem a vida adulta, caso não apresentem a forma livre de trissomia. Smith et al em 1983 relataram um caso de um paciente de 21 anos com trissomia do 18, apresentando mosaicismo cromossômico 6.

A incidência dessa síndrome é estimada entre 1: 60001,2 e 1: 80003 nativivos. Os dados de prevalência ao nascimento vêm sendo alterados pelo advento dos métodos de diagnóstico pré-natal como rastreamento de marcadores séricos e amniocentese em populações de risco. Isto tem como conseqüência a interrupção da gravidez em que se tem fetos com trissomia do 18 diagnosticados. Dessa forma, um recente estudo no Reino Unido determinou que a freqüência de trissomia do 18 na 18° semana de gestação era de 1 em 4274 e que o número de nascidos vivos era de 1 em 83332.

Existe uma predominância de indivíduos afetados do sexo feminino na razão de 3:1. Isto se deve ao fato de que há um número maior de indivíduos masculinos que morrem nas primeiras semanas de gestação1. Na trissomia do 18, bem como nas trissomias do 21 e do 13, há uma relação bem definida entre o aumento da idade materna e a ocorrência de trissomias. Verifica-se que 63% dos fetos portadores de trissomias são de mães com idade acima dos 35 anos.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Mais de 150 anormalidades diferentes já foram descritas em pacientes com a síndrome de Edwards. Algumas podem ser detectadas ainda intra-útero, através de ecografias de controle pré-natal. A detecção de uma anomalia isolada não deve ser considerada como diagnóstico, mas sim como um gatilho para investigação de outras malformações que levem ao diagnóstico. Atenção especial deve ser dada para aqueles achados mais freqüentes na síndrome de Edwards, que serão citados a seguir.

Anormalidade encontradas em mais de 50% dos pacientes:

Choro fraco.
Atividade fetal fraca.
Tempo gestacional alterado (1/3 pré-maturo, 1/3 pós-maturo).
Polidrâmnio.
Placenta pequena.
Artéria umbilical pequena.
Déficit no crescimento.
Baixo peso ao nascer (média=2.300g).
Hipoplasia da musculatura esquelética, do tecido subcutâneo e do tecido adiposo.
Deficiência mental depois do período neonatal.
Resposta diminuída ao som.
Cranio-faciais: occipital proeminente; diâmentro bifrontal estreito; pavilhões auriculares malformados e com implantação baixa; fissuras palpebrais pequenas; micrognatia; arco do palato curto e microstomia.
Mãos e pés: mãos cerradas, com sobreposição do 2° dedo sobre o 3° e do 5° sobre o 4° dedo; hipoplasia das unhas; hálux curto e freqüentemente dorsifletido; calcâneos proeminentes; e convexidade da planta do pé.
Tórax: esterno curto com redução no número de centros de ossificação; mamilos pequenos.
Abdome: hérnias inguinais ou umbilicais; diástases do músculo reto.
Pelve: pequena, com limitação da abdução das coxas.
Pele:
hirsutismo leve, principalmente na testa e nas costas.
Cardíaca: defeito nos septos interventricular e interauricular; persistência do ducto arterial.

Anormalidades encontradas em 10-50% dos casos:

Cranio-facial: microcefalia; fontanelas amplas; ptose palpebral; opacificidade da córnea; fenda labial e/ou palatina.
Mãos e pés: desvio ulnar ou radial das mãos; polegar hipoplásico ou ausente; pés em taco de hóquei; eqüinovaro; sindactilia do 2° e 3° pododáctilos.
Tórax: largo, com ou sem espaçamento dos mamilos.
Genitália: hipoplasia dos grandes lábios com clitóris proeminente.
Orifício no final do intestino grosso: afunilado ou em posição anormal.
Cardíaco: valva aórtica bicúspide; nodularidade dos folhetos valvares; estenose da artéria pulmonar; coarctação da aorta.
Pulmão: malsegmentação ou ausência de segmentação do pulmão direito.
Diafragma: hipoplasia muscular.
Abdome: divertículo de Meckel; tecido pancreático e/ou esplênico heterotrópico; onfalocele; rotação incompleta do cólon.
Rins: em ferradura, ectópicos; ureteres duplos; hidronefrose; rins policísticos.

Anormalidades em menos de 10% dos casos:

SNC: paralisia facial; hipoplasia cerebelar; microgiria; defeitos no corpo caloso.
Meningo-mielocele.
Cranio-facial: sela túrcica alongada e rasa; hipertelorismo; catarata; microftalmia.
Atresia coanal.
Mãos: sindactilia dos 3° e 4° dedos; polidactilia; 5° metacarpo curto.
Esqueleto: aplasia radial; ossificação incompleta da clavícula; hemivértebra, vértebras fusionadas; pescoço curto; escoliose; anormalidade das costelas; peito escavado.
Genitália: hipospadia; escroto bífido; útero bífido; hipoplasia ovariana.
Cardiovascular: artéria coronária anômala; tetralogia de Fallot; dextrocardia; proliferação da camada íntima em artérias com aterosclerose e calcificações.
Abdominal: estenose pilórica; vesícula hipoplásica; orifício retal imperfurado.
Renal: tumor de Willms.
Endócrino: hipoplasia adrenal ou tireóidea.
Outras: hipoplasia do timo; fístula traqueoesofágica; trombocitopenia6.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

Algumas características apresentadas pelo recém-nascido levam à suspeita de síndrome de Edwards como: baixo peso ao nascimento, posição dos dedos das mãos características (dedos sobrepostos), formato cranio-facial (occipital proeminente e frontal pequeno, baixa implantação da orelha, etc.) e esterno curto 1. Marion et al desenvolveram, em 1988, um sistema de escore para o diagnóstico da trissomia do 18 em recém-nascidos, possibilitando aos clínicos não especializados em doenças genéticas o reconhecimento da síndrome.

As características mais freqüentes (apresentadas por 50% ou mais dos afetados) correspondem a 5 pontos cada uma. 3 pontos são atribuídos aquelas anomalias presentes em 10-50% dos afetados e 1 ponto àquelas observadas em menos de 10% dos pacientes.

A soma dos pontos atribuídos a cada característica apresentada pelo neonato deve
resultar, em média, em 94 pontos para ser considerado o diagnóstico da síndrome de Edwards3.

Todavia, a confirmação do diagnóstico é dada pela análise cromossômica das células do paciente, utilizando-se, mais freqüentemente, o padrão de banda G para identificar o cromossomo 18 extra ou, menos comum, a parte do cromossomo 18 que está em trissomia2.

DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL

A importância dos exames pré-natais é indiscutível nos dias de hoje, principalmente para gestações de risco. Exames e testes têm sido aplicados e avaliados para melhor análise do crescimento e da formação fetal, a fim de detectar o maior número possível de alterações presentes no concepto. Especial atenção tem sido dada àqueles achados que sugerem alterações genéticas já conhecidas, como no caso das aneuploidias (síndrome de Down, por exemplo).

Devido à associação da trissomia do 18 com a idade materna avançada, o mesmo ocorrendo com outras trissomias, é imprescindível a investigação pré-natal de fatores que levariam ao diagnóstico destas.

O padrão ouro para o diagnóstico é a amniocentese, procedimento invasivo que deve ser realizado sob adequada indicação. São controversas na literatura, as situações em que deveria ser feita a amniocentese. Duhl et al (2000) defendem a realização desse procedimento independente de achados ultrassonográficos, devido ao número de aneuploidias não detectadas pelo exame de ultrassom (1 em 70), naquelas gestantes com idade avançada, já que o risco de aneuploidia nestes casos excede o risco da amniocentese7,8.

Outros estudos recomendam a amniocentese nos casos em que há alterações na ultra-sonografia sugestivas de trissomia do 18, além da idade materna ser acima dos 37 anos, ou quando há alteração no screening sérico materno (AFP, HCG e uEST)9.

Outro teste, realizado apenas quando há suspeita de trissomia do 18 sugerida por outros estudos, é a biópsia de vilosidades coriônicas, que, assim como a amniocentese, possibilita a análise do cariótipo fetal e, conseqüentemente, a presença de aneuploidia com exatidão. Um estudo realizado por Ferrinam et al (1998) demonstrou que o teste é altamente sensível e específico para o diagnóstico, com índice de falso positivo de 9% e de falso negativo igual a 0,06%. Um fator que pode atrapalhar a interpretação do exame é o mosaicismo, presente em alguns casos, que, quando está confinado à placenta e, não aparece em células das vilosidades coriônicas 10.

O exame inicial geralmente é a ultra-sonografia, realizada em todos os programas prénatais. Nos últimos tempos, vários achados ultrassonográficos têm sido atribuídos a trissomia do 18 como cisto no plexo coróide, retardo no crescimento fetal, poliidrâmicos (30-60%), entre outros. O exame geralmente é feito no 2° trimestre da gestação, pois é nesse período que se observa melhor as características sugestivas da síndrome2. Os achados mais variados, em conjunto com o retardo no crescimento fetal, geralmente levam ao diagnóstico pré-natal depois da 20° semana de gestação.

A presença de cisto no plexo coróide como características da síndrome de Edwards é controversa na literatura, sem nenhum consenso de quando se deve indicar ou não a amniocentese em caso de cisto isolado, ou seja, sem outras anormalidades presentes. O cisto é observado em 1% dos fetos normais e em 50-60% dos fetos com trissomia do 18 9,11, uma diferença significativa. Por não ser característica exclusiva da síndrome de Edwards (é visto, em menor freqüência na síndrome de Down, de Turner e de Klinefelter, e em triploidias), o achado de cisto no plexo coróide não deve ser interpretado como diagnóstico, mas sim como um gatilho para investigações de outras anormalidades. Gratton et al (1996) demonstraram que 80% dos casos de trissomia do 18 que tinham cistos visíveis na ultrassonografia também apresentavam outras anormalidades ultrassonográficas associadas9.

Outros dois estudos também demonstraram anormalidades associadas: taxa de 70% no estudo de Achiron et al10 e 97% no estudo de Snijders et al11.

Testes sorológicos também são usados para o diagnóstico pré-natal da trissomia do 1812. Vintzilios et al (1998) demonstraram que as gestantes de fetos trissômicos possuíam níveis de gonadotrofina coriônica humana (hCG), estriol não conjugado (uEST) e alfafetoproteína (AFP) mais baixos que as gestantes de fetos normais. Palomki et al (1997) considerou os valores de AFP menor ou igual a 0,75; uEST menor ou igual a 0,6 e hCG menor ou igual a 0,55 para determinar maior risco de trissomia do 1813. Esses marcadores possibilitam o diagnóstico de até 60% dos casos de trissomia9, 14, 77% no estudo de Benn15.

O fragmento beta-core da hCG, presente na urina, tem sido avaliado como um marcador promissor da trissomia do 18. Yaron et al (1998) confirmaram a alta sensibilidade do teste para detecção da síndrome de Edwards16, 17.

Como análise final, a decisão sobre quais testes fazer para estabelecer o diagnóstico da trissomia do 18 deve ser tomada pela família juntamente com o médico assistente, analisando os riscos dos procedimentos, o impacto da descoberta e os benefícios de firmar o diagnóstico intra-uterino.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Características fenotípicas da síndrome de Edwards, como retardo no crescimento, mão fechada, alterações faciais, esterno curto, entre outras não são específicas, pois as mesmas podem ser encontradas em outras patologias, confundindo o médico no momento do diagnóstico clínico.

A pseudotrissomia do 18, diagnosticada menos freqüentemente, apresenta um fenótipo com semelhanças aos da trissomia do 18, no entanto o indivíduo é cariotipicamente normal. Essa pseudotrissomia também é conhecida como síndrome de Marden-Walker ou síndrome de Bowen-Conradi1.

Outra condição, a hipocinesia facial, também chamada de síndrome de Pena-Shokeir tipo I, pode ser confundida clinicamente com a trissomia do 18. Os principais achados incluem hipertelorismo ocular, orelhas displásicas de baixa implantação, poliidrâmnio, tórax pequeno, hipoplasia pulmonar, malformações cardíacas, do sistema digestivo e genitourinário e contraturas articulares múltiplas. É uma doença com herança autossômica recessiva. A maioria dos afetados é natimorto ou morre logo ao nascer, devido à insuficiência respiratória3.

Devido à similaridade do posicionamento das mãos e dedos, a artrogripose distal tipo I deve ser pensada durante o diagnóstico. Entretanto, crianças acometidas por essa condição não possuem maiores anormalidades da síndrome de Edwards e o retardo no crescimento não é acentuado2.

ASPECTOS CITOGENÉTICOS

O fenótipo da síndrome de Edwards manifesta-se à partir de diferentes alterações genotípicas que envolvem o cromossomo 18. Na maioria das vezes (90 a 94% dos casos) ocorre uma trissomia completa desse cromossomo. Pode haver ainda a apresentação de mosaicismo ou trissomia parcial com incidências que oscilam dentre 5 a 10% e menos de 1 a 2%, respectivamente.

O mecanismo envolvido na maioria dos casos de trissomia completa do cromossomo 18 é uma não-disjunção que ocorre na gametogênese, levando a uma falha na segregação dos cromossomos. Em geral, essa não-disjunção acontece na oogênese, cerca de 95% dos casos, sendo mais rara a sua ocorrência na espermatogênese.

Quando há presença de mosaicismo, o mecanismo de não-disjunção é pós-zigótico, gerando duas populações celulares distintas em um mesmo indivíduo. Já quando a trissomia é do tipo parcial, as manifestações clínicas são ainda mais variadas, e a origem das alterações cromossômicas equilibradas podem ocorrer tanto durante a gametogênese masculina, quanto na gametogênese feminina, na mesma proporção18.

Assim, do ponto de vista didático, podemos dividir a genotipagem da síndrome de Edwards em 3 grupos, de acordo com o mecanismo envolvido na gênese da alteração cromossômica:

A) As que ocorrem por trissomia livre, constituindo as aneuploidias.
B)
As que ocorrem por mosaicismo; e
C)
Aquelas cujas alterações cromossômicas são estruturais, sendo chamadas de rearranjos cromossômicos.

A) Aneuploidias

As aneuploidias são as alterações genéticas mais freqüentes. O cromossomo adicional costuma resultar de uma não-disjunção materna. O processo de não disjunção do cromossomo 18 corresponde a não separação de dois cromossomos homólogos ou de duas cromátides irmãs, caso ocorram na meiose I ou II respectivamente. Quando acontece essa falha na segregação, formam-se gametas aneuplóides, ou seja, com um número de cromossomos diferente dos vinte e três usuais correspondentes ao conjunto haplóide de cromossomos. Se houver fecundação de um óvulo que possui vinte e quatro cromossomos (devido a dissomia do 18) por um espermatozóide normal, o zigoto apresentará, então, quarenta e sete cromossomos, com trissomia livre do cromossomo 18.

O processo de não-disjunção do cromossomo 18 apresenta uma peculiaridade em relação às demais não-disjunções: aqui a maioria das falhas na segregação que ocorrem na oogênese é em meiose II19, havendo a presença de uma dissomia de cromossomos idênticos (provenientes de cromátides irmãs) no gameta acometido. Nas outras trissomias os erros costumam ocorrer em meiose I. Alguns autores acreditam que essa singularidade possa existir devido a fatores específicos do cromossomo 18 que estariam envolvidos com a susceptibilidade dos quiasmas durante a meiose I19.

A respeito da relação com a idade materna, a trissomia do cromossomo 18 segue o mesmo padrão que as demais, apresentando incidência crescente à medida que avança a idade materna.

B) Mosaicismo

É uma forma muito rara de apresentação da síndrome de Edwards, correspondendo a cerca de 5% dos casos. A manifestação clínica da doença é ainda mais variável que quando há trissomia completa, dependendo da razão entre o número de células trissômicas e o número de células normais. O mosaicismo é decorrente de uma não-disjunção pós-zigótica, durante a fase de mitose com formação de uma célula monossômica (a qual sucumbe ou nem chega a ser gerada) e outra trissômica para o cromossomo 18. Esta permanece aderida às demais células, que não sofreram falhas em sua segregação, originando um embrião com dois cariótipos distintos. Teoricamente, quanto mais tarde ocorrer essa falha, menor o prejuízo fenotípico gerado. Entretanto, a contagem do número de células trissômicas, tanto à partir de linfócitos no sangue periférico como à partir de fibroblastos da derme, não apresenta valor preditivo significativo quanto à apresentação do indivíduo mosaico. Isso ocorre, pois a proporção celular é muito variável de um tecido para o outro20.

Uma forma ainda mais rara de mosaicismo, com duas aneuploidias distintas, foi documentada e relatos históricos. Há quatro casos reportados com apresentação do genótipo 45, X / 47, XX, + 18. Acredita-se que esses casos possam ocorrer raças a uma não–disjunção do cromossomo 18 na primeira mitose zigótica, devido à usência de células diplóides nas análises feitas nesses indivíduos.

Posteriormente, haveria uma perda simultânea dos cromossomos X e 18, com conseqüente formação da linhagem celular 45, X. Outra hipótese seria a ocorrência de dois erros simultâneos envolvendo os cromossomos 18 e X, um em cada célula filha, após a primeira mitose do zigoto. Permanece a dúvida se esses erros ocorrem ao acaso ou devido a uma possível instabilidade cromossômica de base,
presente nesses indivíduos.

C) Rearranjos cromossômicos

As trissomias parciais do cromossomo 18 são as formas mais raras de alteração genotípica da síndrome de Edwards. Elas podem apresentar-se como duplicações, isocromossomos ou até cromossomos pseudodicêntricos.

1). As regiões do cromossomo necessárias para apresentação fenotípica da síndrome de Edwards não são fáceis de ser estudadas21. Isso se deve à grande variabilidade da apresentação clínica dessa síndrome, mesmo em presença de uma trissomia completa. Alguns estudos demonstram a maior importância do braço longo na manifestação dos sinais e sintomas. Determinadas regiões deste braço foram estudadas. A duplicação da região 18q11®q12.1 demonstrou grande importância quando combinada com a duplicação do 18q21®qter (Wilson etal). Portanto, fica evidente a associação de uma porção proximal e outra mais distal do braço longo na apresentação clínica de diversas características fenotípicas. Pesquisas feitas por Boghasian-Sell et al demonstraram que as duplicações de loci proximais estão fortemente envolvidas na manifestação do retardo mental.

Nesses estudos, foram avaliados seis pacientes com trissomia parcial do braço longo do cromossomo 18: quatro desses, levemente afetados, portavam duplicação da região 18q21.1®qter, enquanto que os outro dois, com deficiência mental mais severa, apresentava duplicada a região 18q12.1®qter. Com isso, foi proposto que a deficiência mental, vista apenas nos dois últimos pacientes, está associada à duplicação da porção mais proximal do braço longo, ou seja, 18q12.3®q21.11.

No entanto, duplicações quase completas de 18q podem reproduzir pouca ou nenhuma característica da síndrome de Edwards.

A presença de isocromossomos i (18p) é ainda mais rara que a i (18q). Esses isocromossomos não apresentam uma preferência quanto ao sexo do progenitor. A origem paterna de isocromossomos é mais freqüente que a ocorrência de trissomias por nãodisjunção durante a espermatogênese22.

Além dos isocromossomos, há relatos de sete casos na literatura de cromossomos pseudodicêntricos. Esses cromossomos apresentam-se dicêntricos em prófase, ficando um dos centrômeros inativado na metáfase, o que torna viável sua duplicação. Portanto, diversos tipos de alterações no cromossomo 18 podem reproduzir o fenótipo da síndrome de Edwards, embora com expressividade variada.

RISCO DE RECORRÊNCIA

Conforme os dados da literatura, sabe-se que existe risco de recorrência da trissomia do 18. Todavia, esse risco, tanto para a trissomia livre quanto para o mosaicismo, é inferior a 1%. Por outro lado, caso a síndrome de Edwards tenho ocorrido devido a uma alteração estrutural do cromossomo 18, sabemos que o risco é consideravelmente maior quando comparado ao das outras alterações citogenéticas possíveis para essa síndrome1. Nessa situação, o risco de recorrência em gestações subseqüentes chega a ser superior a 5%. Com isso, está indicado o estudo cromossômico dos pais do paciente, com o objetivo de identificar se um parente é portador de uma alteração estrutural envolvendo o cromossomo 18 3.

CONCLUSÃO

A Trissomia do 18 apresenta-se como uma doença com alta morbidade e elevadíssimo índice de abortamento e de mortalidade pós-natal. Portanto, a realização do diagnóstico prénatal é de grande valia tanto para os pais como para a comunidade científica em geral. O uso de métodos invasivos para o diagnóstico torna-se inquestionável quando há chances elevadas de ocorrência de uma síndrome mórbida como a de Edwards A detecção prévia dessa aneuplodia agiliza a determinação da conduta a ser estabelecida.

A decisão a respeito do manejo deve ser tomada basicamente pelos pais, devidamente orientados pela equipe médica, visto que não há terapêuticas eficazes para a melhora clínica do paciente. O aborto provocado não é permitido pela legislação vigente no Brasil. Entretanto, na maioria dos países de primeiro mundo essa opção deve ser sempre considerada, para evitar maior sofrimento dos pais devido ao contato prolongado com uma criança que apresenta um prognóstico sombrio.

Além da decisão sobre a gestação em andamento, deve-se sempre procurar esclarecer a etiologia do distúrbio. Esse conhecimento torna-se importante para podermos predizer qual a possibilidade de o casal gerar um novo descendente trissômico. Sobre a terapêutica para esse tipo de aberração, ainda não há perspectivas que indiquem um tratamento curativo. Contudo, com o advento de novas técnicas de inseminação artificial, citogenética e biologia molecular, pode-se vir a agir, em um futuro próximo, na prevenção secundária dessa doença. Isso poderá ser feito pela seleção de um zigoto viável, a partir de pais que possuam alto risco de gerar descendentes trissômicos.

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Fonte: www.genetica.ufcspa.edu.br

Síndrome de Edward

1. Definição

A Síndrome de Edwards ou trissomia do 18 consiste na presença de uma cópia extra do autossomo 18 e foi descrita por 1960 por Edwards et al., estando presente em todas as raças e áreas geográficas.

Depois da Síndrome de Down, a trissomia do 18 é a mais comum, com prevalência de 1/8000 nativivos. Durante a gravidez a incidência é muito mais elevada, mas cerca de 95% das gravidezes com trissomia 18 evoluem para abortos espontâneos. A taxa de sobrevivência durante vários meses é baixíssima (5 a 10% sobrevivem ao primeiro ano) apesar de já terem sido registrados casos de adolescentes com 15 ou mais anos. Na literatura observa-se discreta predominância nos indivíduos do sexo feminino.

Toda mulher, independente da idade, tem risco de ter um risco cromossômico em seu feto. Para avaliar o risco de cromossomopatia é necessário analisar uma série de fatores que dependem da idade materna, idade gestacional e histórico prévio de anomalias cromossômicas. Quanto maior a idade materna, maior o risco de defeitos cromossômicos; porém, quanto mais tardia a idade gestacional, menor o risco, devido a maior chance de fetos com anomalias cromossômicas morrerem intra-útero ao primeiro trimestre.

O fenótipo da Síndrome de Edwards é tão evidente quanto o da Síndrome de Down, mas por ser menos constante tem menor probabilidade de ser reconhecido clinicamente. O quadro clínico costuma se traduzir por múltiplas malformações, condição que raramente permite longa sobrevivência aos afetados.

A maioria dos pacientes com a trissomia do cromossomo 18 apresenta trissomia regular sem mosaicismo, isto é, cariótipo 47, XX ou XY, +18. Entre os restantes, cerca de metade é constituído por casos de mosaicismo e outro tanto por situações mais complexas, como aneuploidias duplas, translocações.

Cerca de 80% dos casos são devidos a uma translocação envolvendo todo ou quase todo o cromossomo 18, o qual pode ser herdado ou adquirido de novo a partir de um progenitor transportador. Estudos recentes demonstram que, na maior parte dos casos (85%), o erro ocorre na disjunção cromossômica da meiose materna, e somente 15% da meiose paterna.

A trissomia também pode estar presente na forma de mosaico, apresentando uma expressão variável, mas geralmente de tipo médio. É de referir que em biologia molecular, o termo “mosaico” refere-se a um indivíduo ou tecido com, pelo menos,
8 duas linhas celulares diferentes relativamente ao seu genótipo ou cariótipo, originário de um único zigoto. Nesses casos, o cariótipo é de 46/47, +18.

Apesar da região crítica do cromossomo 18, responsável por essa trissomia, ainda não estar identificada, já se sabe que a trissomia de todo o braço longo produz um fenótipo característico da trissomia.

2. Manifestações Clínicas

As principais manifestações clínicas são:

Retardo no crescimento pré e pós-natal (peso médio ao nascer: 2340g)
N ascimento pós-termo
Tórax de pombo
Panículo adiposo e massa muscular escassa ao nascer
Hipotonia inicial que evolui para hipertonia
Pescoço curto

Região craniofacial

Microcefalia, fontanelas ampliadas, alongamento do diâmetro antero-posterior do crânio (escafocefalia), defeitos oculares (córnea opaca, catarata, microftalmia), zona occipital muito proeminente, palato alto e estreito, por vezes fundido, lábio leporino, abertura oral pequena, palato ogival, implantação baixa das orelhas, choro agudo, orelhas baixas e malformadas, pés virados para fora e com calcanhar proeminente, rugas presentes na palma da mão e do pé, ficando arqueadas nos dedos;

Extremidades

Sindactilia parcial, dedos das mãos imbricados (2º e 3º dedos), hipoplasia das unhas, posição das mãos características com tendência a punho fechado hálux curto e fletido dorsalmente, calcâneo proeminente, áreas simples nas polpas digitais;

Tórax-abdômen

Hérnia umbilical e inguinal, espaço intermamilar aumentado, mamilas hipoplásicas;

Urogenital

Hipoplasia dos grandes lábios com clitóris proeminente, malformações uterinas, escroto bífido
Rim em forma de ferradura e policísticos, ureteres duplos

Cardiovascular

Cardiopatias congênitas presentes em 90% de casos;

Trato gastrintestinal

Divertículo de Meckel, pâncreas ectópico, orifício retal anteriorizado, atresia anal;

Sistema nervoso

Espinha bífida, hidrocefalia
Anomalias no aparelho reprodutor.

A incidência da afecção é maior no sexo feminino na proporção de 3:1. O diagnóstico deve se basear nos aspectos clínicos e no estudo cromossômico (cariótipo).

Estudos recentes indicaram que cerca de 50% das crianças com trissomia do 18 morrem no primeiro mês e apenas cerca de 10% ainda estão vivas aos 12 meses de idade. Mas relatam-se crianças afetadas com 15 anos de idade ou mais. Uma combinação de fatores, incluindo pneumonia de aspiração, predisposição a infecções e apnéia e, (mais importante) defeitos cardíacos congênitos, contribuem para a alta taxa de mortalidade.

As crianças com trissomia do 18 que sobrevivem a lactância têm uma acentuada perturbação de desenvolvimento. O grau de retardo é muito mais significativo que na Síndrome de Down e a maioria das crianças é incapaz de andar. Entretanto, as crianças maiores aprendem algumas habilidades de comunicação.

Abaixo estão descritas algumas características ao nascer dos bebês afetados pela síndrome:

1. Cariótipo: 47, XX ou XY + 18.
2.
Sinonímia: Trissomia do 18, trissomia E.
3. Anomalia cromossômica: trissomia do cromossomo 18. Em 80% dos casos, trissomia livre; 10% mosaicismos e 10% aneuploidias duplas ou translocações.
4. Freqüência: 1/3500 a 1/8000 nascimentos, aumentando com a idade materna.
5.
Peso: 2000g.
6.
Expectativa de vida: baixa; 30% morre antes de um mês de vida e 10% antes de um ano; meninas têm maior sobrevida do que os meninos; mosaicos duram mais, podendo chegar à vida adulta.
7.
Neurológica: retardo mental, hipertonia, retardo do crescimento.
8.
Cabeça: occipúcio proeminente; retroflexão da cabeça; suturas cranianas abertas e grandes fontanelas ao nascer; fenda palpebral; sombrancelhas arqueadas; micrognatia; palato ogival; palato e/ou lábio fendido (infrequente) e baixa implantação das orelhas.
9.
Pescoço: Curto.
10.
Tronco: Cardiopatia congênita em 99% dos casos, principalmente defeito no septo interventricular; hérnia diafragmática; pelve pequena; genitais externos anormais e anomalias renais.
11.
Membros: Mãos fortemente fechadas, indicador maior do que os demais e flexionados sobre o dedo médio; unhas hipoblásticas, pés arqueados e calcanhar proeminente.
12.
Dermatóglifos: Linha siamesca em 30% dos casos; sulcos simples de flexão dos dedos.

3. Métodos de detecção

O exame ultra-sonográfico (transvaginal ou trans-abdominal), entre 10-14 semanas de gestação, permite avaliar a espessura do “espaço escuro” (black space) entre a pele e o tecido subcutâneo, que recobre a coluna cervical do feto e, com isso, detectar alterações fetais.

A este “espaço” chamamos de translucência nucal (TN). A sensibilidade dos fatores de risco (idade materna, história familiar, etc.) acrescentados a translucência nucal é superior a 80% nos casos de alterações. O aumento da espessura da TN é característica comum de várias anomalias cromossômicas.

Entre elas, as mais freqüentes são: a trissomia do 21 (Síndrome de Down), a trissomia do 18 (Síndrome de Edwards), trissomia do 13 (Síndrome de Patau), triploidias (69 cromossomos), monossomia do X (Síndrome de Turner) e as anomalias ligadas ao sexo.

4. Aconselhamento genético

A trissomia do 18 se dá de forma aleatória em famílias consideradas normais. Nestes casos, o risco de recorrência é de 0,55%. Nos casos de trissomia por translocação os pais devem procurar o Serviço de Genética para estudo citogenético. É mais freqüente em mães de idade avançada. A partir dos 35 anos a freqüência aumenta progressivamente desde 1/2500 nascidos vivos até 1/500 aos 43 anos. Em mulheres com idade acima de 35 anos ou com filhos anteriores com trissomia do 18, devem ser oferecidos diagnósticos pré-natais mediante amniocentese nas seguintes gravidezes.

CONCLUSÃO

O interesse pelo estudo da síndrome de Edwards foi suscitado no nosso grupo quando tivemos a oportunidade de acompanhar um caso desta patologia no HRAS, local onde foi realizada a eletiva da Perinatologia, da qual participamos. O caso era de uma menina (a maioria dos bebês afetados por essa síndrome é do sexo feminino) recém – nascida que estava na UTI Neonatal sendo acompanhada por médicos e enfermeiras. A criança apresentava malformações como implantação baixa do pavilhão auricular, mãos e dedos fletidos, plantas dos pés arredondados e distância intramamilar aumentada. A través dos nossos estudos pudemos perceber e fixar o conhecimento sobre esses a outras malformações que ocorrem em bebês com essa síndrome. Além disso, aprofundamos nossos conhecimentos e obtivemos novas informações sobre a genética, fisiopatologia e mortalidade da doença.

Concluímos os que o principal papel da comunidade médica e também dos estudantes de medicina em relação à prevenção dessa patologia consiste em alertar as mulheres a terem seus filhos antes dos 35 anos, já que o risco de nascer com a trissomia do 18 se torna maior com o avanço da idade materna.

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Fonte: www.fepecs.edu.br

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