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Regência Verbal



Regência em sentido amplo

Dentro da estrutura frasal, as palavras são interdependentes, isto é, umas dependem de outras. Podemos assim dizer que a frase é uma seqüência de termos subordinantes e subordinados (termos que completam, modificam, estão na dependência de subordinantes).

Regência Verbal

Regência Verbal

Regência Verbal

os adjuntos são subordinados ao nome ou ao verbo:

Regência Verbal

Regência, em sentido amplo, é sinônimo de subordinação.

Regência em sentido estrito

Trata das relações de dependência entre:

Regência Verbal

Nos dois primeiros exemplos, a relação de dependência entre os verbos e os complementos é feita diretamente, isto é, sem auxílio de preposições. Nos dois outros exemplos, com o auxílio de preposições.

Regência Verbal

As preposições desempenham papel relevante no capítulo da regência. O uso correto das preposições é um indicador seguro do conhecimento da língua.

Casos de Regência

São apresentados a seguir casos de regência em que se verifica divergência entre o que preceitua o ensino tradicional e a realidade lingüística atual.

A abordagem que se faz desses casos diverge consideravelmente da realizada pela maioria dos manuais de cultura idiomática, que privilegiam apenas as regências primárias, originárias, não registrando, por isso, as fortes tendências evolutivas nesta área. Dá-se atenção, nesta apresentação, às inovações sintáticas observadas na realidade lingüística atual, tendo como base as pesquisas de Luiz Carlos Lessa e Raimundo Barbadinho Neto, amplamente aproveitadas por Celso Pedro Luft em seu "Dicionário Prático de Regência Verbal".

Na apresentação dos aspectos normativos da língua, como em qualquer apreciação de fatos lingüísticos, há que se observar o que é preferível, o que é tolerável, o que é admissível, o que é aceitável, o que é grosseiro, o que é inadmissível, deixando de lado a dicotomia elementar, o primitivismo lingüístico que observa a língua sob o prisma estreito de "certo" x "errado".

Agradar (desagradar)

Sentido: Causar agrado; ser agradável. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: O professor agradou aos alunos. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: O filho agradou a mãe. Observação: - Este uso já era encontrado entre os clássicos. - Esta regência explica-se por analogia com "contentar", transitivo direto.

Aspirar

Sentido: Desejar; anelar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Aspirar ao cargo. Observação: Esta é a sintaxe originária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: Aspiro o cargo. Observação: - É uma inovação regencial sob a pressão semântica de "desejar", "querer", "pretender" - todos verbos transitivos diretos. - Em nível culto formal, Luft recomenda a sintaxe originária.

Assistir

Sentido: Ajudar; auxiliar. De acordo com o ensino tradicional Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: O médico assiste ao doente. Observação: Esta é a regência primitiva. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: O médico assiste o doente.

Observação:

É uma evolução regencial sob a pressão de "ajudar", "auxiliar" - verbos transitivos diretos.

Assistir

Sentido: Presenciar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Assisti ao filme. Observação: Esta é a regência primária, original. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: Assisti o filme.

Observações:

- É uma evolução regencial sob a pressão de semântica de "ver" - verbo transitivo direto. - A forma passiva "o filme foi assistido" comprova a transitivação do verbo. - De acordo com luft, o mais que se pode é aconselhar a sintaxe original, tradicional.

Chegar

Sentido: Atingir o término do movimento de ida ou vinda. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Chegou cedo à escola. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: em Exemplo: Chegou cedo na escola. Observações:

- A preposição "em" é exclusiva diante da palavra "casa". Exemplo: Chegou em casa. - No Brasil, usa-se muito a construção com a preposição "em". É, portanto, um brasileirismo. Exemplo: Quando ele chegou na porta da cozinha. - "Já se tolera o "chegou em" na linguagem escrita". (Sílvio Elia). - Luiz Carlos Lessa e R. Barbadinho Neto confirmam amplamente essa regência entre os modernistas. - Mesmo assim, Luft entende que, em texto escrito culto formal, melhor se ajusta o "Chegar a".

Ir

Sentido: Deslocar-se de um lugar para outro. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: para, a Exemplos: - Para: Quando há intenção de permanecer, de fixar residência. "Ir para Porto Alegre". - A: Quando há intenção de não se demorar, de não fixar residência. "Ir a Porto Alegre". De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: em Exemplo: Ir no colégio. Observações:

- A regência"ir em" é típica da fala brasileira, podendo até ser sobrevivência da língua arcaica. - "Os portugueses dizem ir à cidade. Os brasileiros, na cidade. Eu sou brasileiro". (Mário de Andrade). - Na fala brasileira, prevalece o emprego de "para", sobre o "a". Apesar disso, Luft recomenda o "ir a" / "ir para" na linguagem culta formal, sobretudo escrita.

Morar

Sentido: Ter habitação ou residência; habitar. De acordo com o ensino tradicional: Preposição: "em", em todos os contextos Exemplos: - Moro em Porto Alegre. - Moro na Rua da Saudade. De acordo com a realidade lingüística atual: Preposição: Emprega-se também com a preposição "a" com o substantivo "rua", e menos freqüentemente, com outros femininos, como "avenida", "praça", "travessa", na linguagem escrita de jornal, tabelionato, etc.

Namorar

Sentido: Cortejar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto Exemplos: - Namorar alguém. - Namorá-lo. Observação: Esta é a regência primitiva. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: com Exemplo: Namorar com alguém.

Obedecer (desobedecer)

Sentido: Submeter-se à vontade de alguém. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Obedeço aos pais. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como transitivo direto. Exemplo: Obedeço os pais.

Observações:

- Entre os clássicos antigos, aparece como transitivo direto. - Os modernistas também empregam esta construção. - A passiva é vista como normal. - Luft recomenda na linguagem culta formal a construção com objeto indireto. - A mesma descrição vale para o verbo "desobedecer".

Pagar

Sentido: Satisfazer dívida, encargo, etc. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto e indireto; objeto direto do que se paga e objeto indireto de pessoa (a quem se paga) Exemplos: - Paguei a consulta. - Paguei ao médico. - Paguei a consulta ao médico. Observação: Esta é a sintaxe originária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como objeto direto de pessoa. Preposição: com Exemplo: Paguei o médico. Observação: - Os puristas condenam esta construção. - Segundo Luft, quando muito, pode-se dizer que, na língua escrita formal, a sintaxe "pagar a alguém", "pagar-lhe" é preferível a "pagar alguém".

Pisar

Sentido: Pôr os pés sobre. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto Exemplo: Não pise a grama. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Transitivo indireto Preposição: em Exemplo: - Não pise na grama. - Pisar em ovos. - Pisar nos calos.

Preferir

Sentido: Dar primazia a. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo direto e indireto Preposição: a Exemplo: Prefiro o azul ao vermelho. Observação: Esta é a sintaxe primária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Também ocorrem as construções "preferir antes ou mais ((do) que)". Exemplos: - Prefiro mais a música do que a pintura. - Prefiro antes a música que a pintura.

Observações: - Há abonações literárias dessa regência. - Segunto Nascentes, "não há erro nenhum nas expressões "preferir antes ou preferir do que"". - De acordo com Luft, "Mesmo assim, em lingua culta formal, cabe a sintaxe primária".

Querer

Sentido: Ter afeto; amar; estimar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: - Quer a alguém. - Querer-lhe. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como verbo transitivo direto. Exemplo: - Quer alguém. - Querê-lo.

Observação: - É inovação regencial por influência de "amar" - verbo transitivo direto. - Para Luft, pode-se recomendar a variante com objeto indireto (querer a alguém), na modalidade culta formal, sem, no entanto, condenar a outra (querê-la).

Sentar

Sentido: Tomar assento. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Sentar-se à mesa. Observação: Esta é a sintaxe originária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Verbo transitivo indireto Preposição: Emprega-se também com a preposição "em" Exemplo: Sentar-se na mesa.

Observação: - "Sentar em" é um brasileirismo. - De acordo com Luft, "Em linguagem culta formal, mantenha-se a sintaxe primitiva".

Visar

Sentido: Ter em mira; ter em vista; objetivar. De acordo com o ensino tradicional: Verbo: Transitivo indireto Preposição: a Exemplo: Eles visam a fins nobres. Observação: Esta é a regência primária, originária. De acordo com a realidade lingüística atual: Verbo: Emprega-se também como verbo transitivo direto. Exemplo: Eles visam fins nobres.

Observação: - É uma inovação regencial sob a pressão semântica de "pretender", "buscar" - verbos transitivos diretos. - Vários gramáticos e dicionaristas registram esta sintaxe.

De + o/a + substantivo + infinitivo

ou De + pronome + infinitivo

De acordo com o ensino tradicional: - Não se contrai a preposição e o artigo neste tipo de construção.

Exemplos: - Há possibilidade de o chefe se atrasar. - Está na hora de o trem partir. - Apesar de ele se mostrar indiferente, é muito solidário. - Isso se deve ao fato de o português ser assim. De acordo com a realidade lingüística atual: - É natural a contração da preposição com o artigo ou com o pronome.

Exemplo: Está na hora do trem partir.

Entregar a domicílio/Em domicílio

De acordo com o ensino tradicional (regra purista):

- Exemplo: Ir a domicílio. Enviar encomendas a domicílio.

- Exemplo: Dar aulas em domicílio. Fazer as unhas em domicílio.

De acordo com a realidade lingüística atual:

- Usa-se "a domicílio" em ambos os casos. Exemplo: Entrega a domicílio.

Complemento comum a verbos de regência diferente

De acordo com o ensino tradicional (regra purista):

- Entraram e saíram da sala (entrar em/sair de). - Compreendeu e participou da alegria do marido (Compreender algo/participar de algo). - Fui e voltei a Porto Alegre (ir a/voltar de).

- Entraram na sala e saíram dela. - Compreendeu a alegria do marido e participou dela. - Fui a Porto Alegre e voltei (de Porto Alegre).

De acordo com a realidade lingüística atual:

- Prefere-se a construção simplificada. Exemplo: Entraram e saíram da sala.

Fonte: www.pucrs.br

REGÊNCIA VERBAL

A regência e o verbo "assistir"

O verbo "assistir" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "assistir", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de presenciar, ver, observar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)";

verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de caber (direito a alguém), pertencer; rege a preposição "a" e admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe(s)";

verbo transitivo direto: aponta para o sentido de socorrer, prestar assistência e não rege qualquer preposição. A é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "assistir" for empregado para indicar os sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a presença da preposição regida.

Exemplos:

Os mais velhos insistiam em querer assistir o jogo em pé. [Inadequado] Os mais velhos insistiam em querer assistir ao jogo em pé. [Adequado]

Os mais velhos insistiam em querer assisti-lo em pé. [Adequado]

...[termo regente: assistir a = ver, observar]

Assiste o médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Inadequado] Assiste ao médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]

Assiste-lhe o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]

...[termo regente: assistir a = caber, pertencer]

Tua equipe assistiu aos processos de forma brilhante e participativa. [Inadequado] Tua equipe assistiu os processos de forma brilhante e participativa. [Adequado]

Tua equipe os assistiu de forma brilhante e participativa. [Adequado]

...[termo regente: assistir = prestar assistência, socorrer]

A regência e o verbo "preferir"

O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".

A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir". Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.

Exemplos:

Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado] Meus alunos preferem o brinquedo ao livro. [Adequado]

...[objeto direto: o brinquedo]

...[objeto indireto: ao livro]

O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado] O pequeno infante preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]

...[objeto direto: marchar]

...[objeto indireto: a esperar]

A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de assimilação de expressões comparativas do tipo:

Prefiro mais ler do que escrever! A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo da comparação ("do que") ainda permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a preposição "a" e não o termo "do que".

A regência e o verbo "visar"

O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)"; verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer preposição. A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a presença da preposição regida.

Exemplos:

Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado] Os estudantes visam a uma melhor colocação profissional. [Adequado]

Os estudantes visam-na. [Adequado]

...[termo regente: visar a = ter por objetivo]

Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado] Os combatentes visavam os territórios ocupados recentemente. [Adequado]

Os combatentes visavam-nos. [Adequado]

...[termo regente: visar = mirar]

A regência e o verbo "aspirar"

O verbo "aspirar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.

O verbo "aspirar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:

verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de almejar, desejar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)"; verbo transitivo direto: aponta para o sentido de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer preposição. A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "aspirar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1) é obrigatória a presença da preposição regida.

Exemplos:

Os quase mil candidatos aspiravam a única vaga disponível. [Inadequado] Os quase mil candidatos aspiravam à única vaga disponível. [Adequado]

Os quase mil candidatos aspiravam-na. [Adequado]

...[termo regente: aspirar a = desejar]

E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos canaviais... [Inadequado] E eu era obrigado a aspirar o mau cheiro dos canaviais... [Adequado]

E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]

...[termo regente: aspirar = inalar]

A regência e os verbos pronominais

Os verbos pronominais são termos que, em geral, regem complementos preposicionados.

São considerados verbos pronominais aqueles que se apresentam sempre com um pronome oblíquo átono como parte integrante do verbo (ex.: queixar-se, suicidar-se). Alguns verbos pronominais, porém, podem requerer um complemento preposicionado. É o caso, por exemplo, do verbo "queixar-se" (queixar-se de) e não do verbo "suicidar-se".

Quando os verbos pronominais exigirem complemento, esse deve sempre vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

Naquele momento os fiéis arrependeram-se os seus pecados. [Inadequado] Naquele momento os fiéis arrependeram-se dos seus pecados. [Adequado]

...[dos: de + os = dos / de = preposição]

...[dos seus pecados: objeto indireto]

Os biólogos do zoológico local dedicam-se as experiências genéticas. [Inadequado] Os biólogos do zoológico local dedicam-se às experiências genéticas. [Adequado]

...[às: a (preposição) + as (artigo) = às]

...[às experiências genéticas: objeto indireto]

Note que, no exemplo (2), o verbo "dedicar-se" não é essencialmente pronominal, mas sim acidentalmente pronominal. Isto é, esse verbo pode se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse caso, deixa de ser pronominal (ex.: Ele dedicou sua vida ao pobres). Casos como esse, porém, demonstram que, em princípio, qualquer verbo pode se tornar pronominal e, portanto, possuir um complemento preposicionado.

A regência e as orações subordinadas

Um período composto é aquele que apresenta uma oração principal e uma ou mais orações dependentes desta principal. As orações subordinadas são dependentes e, em geral, ligam-se à oração principal por meio de conectivos (pronomes, conjunções e etc.).

As orações subordinadas adjetivas e as orações subordinadas adverbiais, quando introduzidas por um pronome relativo (que, qual, quem e etc.), devem conservar a regência dos seus verbos.

Exemplo:

A vaga para o emprego o qual/que eu lhe falei continua aberta. [Inadequado] A vaga para o emprego do qual/de que eu lhe falei continua aberta. [Adequado]

...[A vaga para o emprego continua aberta: oração principal]

...[do qual eu lhe falei: oração subordinada]

...[falei de emprego a você = de que/do qual OU falei sobre o emprego a você = sobre o qual]

Notem que a preposição regida pelo verbo da oração subordinada vem antes do pronome relativo. Deve-se compreender, no entanto, que essa regência verbal é relativa ao verbo da oração subordinada (falei de/ falei sobre) e não ao verbo da oração principal (continua). Vejamos outro exemplo:

A pessoa que me casei é muito especial. [Inadequado] A pessoa com quem me casei é muito especial. [Adequado]

...[A pessoa é muito especial: oração principal]

...[com quem me casei: oração subordinada]

...[casei-me com a pessoa = com quem]

REGÊNCIA NOMINAL

Os substantivos, adjetivos e advérbios geralmente exigem que seus complementos venham precedidos por uma determinada preposição específica, prevista nos dicionários de regência. A utilização de outra preposição, não prevista, constitui erro de regência, e deve ser evitada.

À esquerda apresentamos alguns casos inadequados de regência nominal; à direita seguem as construções recomendadas:

"TV a cores" "TV em cores" "bacharel de direito" "bacharel em direito" "igual eu" "igual a mim" "alienado com" "alienado de" "curioso com" "curioso de/por"

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

REGÊNCIA Verbal

1-

Chegar/ ir - deve ser introduzido pela preposição a e não pela preposição em. Ex.: Vou ao dentista./ Cheguei a Belo Horizonte.

2- Morar/ residir - normalmente vêm introduzidos pela

preposição em. Ex.: Ele mora em São Paulo./ Maria reside em Santa Catarina.

3- Namorar - não se usa com preposição.

Ex.: Joana namora Antônio.

4- Obedecer/desobedecer - exigem a preposição a.

Ex.: As crianças obedecem aos pais./ O aluno desobedeceu ao professor.

5-Simpatizar/ antipatizar - exigem a preposição com.

Ex.: Simpatizo com Lúcio./ Antipatizo com meu professor de História.

Estes verbos não são pronominais, portanto, são considerados construções erradas quando aparecem acompanhados de pronome oblíquo: Simpatizo-me com Lúcio./ Antipatizo-me com meu professor de História.

6- Preferir -  este verbo exige dois complementos sendo que um usa-se sem preposição e o outro com a preposição a.

Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica.

Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo reforçado pelas expressões ou palavras: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, etc. Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica.

Verbos que apresentam mais de uma regência

1 - Aspirar

a- no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição.

Ex.: Aspirou o ar puro da manhã. b- no sentido de almejar, pretender: exige a preposição a. Ex.: Esta era a vida a que aspirava.

2 - Assistir

a) no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer:

usa-se sem preposição. Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos. b) no sentido de ver, presenciar: exige a preposição a. Ex.: Não assistimos ao show. c) no sentido de caber, pertencer: exige a preposição a. Ex.: Assiste ao homem tal direito. d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a preposição em. Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.

3 - Esquecer/lembrar

a- Quando não forem pronominais: são usados sem preposição. 

Ex.: Esqueci o nome dela.

b- Quando forem pronominais: são regidos pela preposição de.

Ex.: Lembrei-me do nome de todos.

4 - Visar

a) no sentido de mirar: usa-se sem preposição. Ex.:

Disparou o tiro visando o alvo. b) no sentido de dar visto: usa-se sem preposição. Ex.: Visaram os documentos. c) no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição a. Ex.: Viso a uma situação melhor.

5 - Querer

a)

no sentido de desejar: usa-se sem preposição. Ex.: Quero viajar hoje. b) no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição a.  Ex.: Quero muito aos meus amigos.

6 - Proceder

a) no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.

Ex.: Suas queixas não procedem. b) no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a preposição de. Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo. c) no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição a. Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.

7 - Pagar/ perdoar

a) se tem por complemento palavra que denote coisa: não

exigem preposição. Ex.: Ela pagou a conta do restaurante. b) se tem por complemento palavra que denote pessoa: são regidos pela preposição a. Ex.: Perdoou a todos,

8 - Informar

a) no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas construções:

   1) objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido

pelas preposições de ou sobre). Ex.: Informou todos do ocorrido.    2) objeto indireto de pessoa ( regido pela preposição a) e direto de coisa. Ex.: Informou a todos o ocorrido.

9 - Implicar

a) no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.

Ex.: Esta decisão implicará sérias conseqüências.

b) no sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois complementos, um direto e um indireto com a preposição em.

Ex.: Implicou o negociante no crime.

c) no sentido de antipatizar: é regido pela preposição com.

Ex.: Implica com ela todo o tempo.

10- Custar

a) no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela preposição

a. Ex.: Custou ao aluno entender o problema. b) no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se sem preposição. Ex.: O carro custou-me todas as economias. c) no sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem preposição. Ex.: Imóveis custam caro.

Fonte: www.portugues.com.br

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