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Socialismo

 

Definição do socialismo

Etimologia: do socialis Latina, Sociável, para a sociedade, a própria derivada de parceiro "Sócio".

O socialismo é uma doutrina econômica e política que visa reverter o modelo liberal , para reformar o sistema de propriedade privada dos meios de produção de e comércio e posse dos mesmos pela comunidade.

Os valores fundamentais do socialismo são: falta de classes (pelo menos em suas origens), a igualdade de oportunidades, a justiça social, a distribuição equitativa dos recursos, a solidariedade , a luta contra o individualismo , o interesse público compartilhados e interesses individuais prevalecem sobre ...

Na teoria política marxista, o socialismo é o período de transição entre a abolição do capitalismo ea ascensão do comunismo com o desaparecimento do Estado.

Durante este período, a " ditadura do proletariado "é exercido através do Estado sobre o conjunto da sociedade.

No socialismo não marxista é a designação geral das doutrinas de partidos de esquerda que buscam renovar a organização da sociedade para a justiça social e capacitação de cada indivíduo com o respeito pela dignidade.

O pensamento socialista

O sistema capitalista: Efeitos e causas

O sistema capitalista enfrenta um dos maiores dilemas da sociedade em todo seu tempo: não distribui renda de forma justa a todas camadas da sociedade. Nesse sistema, maior parte da renda se concentra na mão dos empregadores, que correspondem a uma pequena parte da sociedade, a grande maioria da população, os trabalhadores, recebem apenas o chamado salário, esse último, na maioria das vezes, apenas suficiente para sua sobrevivência. Desta forma, existe um grande descontentamento da maioria com esse sistema capitalista, uma vez que todo lucro gerado pela produção (através da mão-de-obra) não é repassado para a mesma.

Recebem apenas o que o empregador determinou previamente como sendo o seu ordenado, mas e o lucro?

Esse irá apenas aos empresários ou detentores privados do capital. Assim percebemos que no sistema capitalista a tendência é que os “pobres” permaneçam onde estão e os mais ricos acumulem cada vez mais riqueza.

Karl Marx

Um dos grandes pensadores de seu tempo, idealizou uma sociedade com uma distribuição de renda justa e equilibrada, economista, cientista social e revolucionário socialista alemão Karl Heinrich Marx, nasceu em 05 de Maio de 1818, cursou Filosofia, Direito e História. Devido ao seu radicalismo, foi expulso da maior parte dos países europeus. Seu envolvimento com radicais franceses e alemães, no agitado período de 1840, fez com que ele levantasse a bandeira do comunismo e atacasse o sistema capitalista. Para ele o capitalismo era o principal responsável pela desorientação humana e defendia a idéia de que a classe trabalhadora deveria unir-se com o propósito de derrubar os capitalistas e aniquilar de vez a característica abusiva deste sistema, que segundo ele era o maior responsável pelas crises que se viam cada vez mais intensificadas pelas grandes diferenças sociais.

Esse grande revolucionário, que também participou ativamente de organizações clandestinas com operários exilados, foi o criador da obra “O Capital”, livro publicado em 1867, mas que é citado até os dias de hoje, seu tema principal é a economia. A obra mostra estudos sobre o acúmulo de capital, identificando que o excedente originado pelos trabalhadores acaba sempre nas mãos dos capitalistas, classe que fica cada vez mais rica as custas do empobrecimento do proletariado, ou seja, a classe trabalhadora. Com a participação de Engels, Marx escreveu também o “Manifesto Comunista”, que não poupou críticas ao capitalismo.

Até os dias de hoje, as idéias marxistas continuam a influenciar muitos historiadores e cientistas sociais, que aceitando ou não as teorias do pensador alemão, concordam com a idéia que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua forma de produção.

Karl Marx: suas idéias

Um dos pensadores mais influentes da história, autor de O Capital, Karl Marx, não escreveu para leigos e sim para economistas, o poder e a alta sociedade, uma vez que seu trabalho era embasado cientificamente. Marx defende que o capitalista torna-se mais rico, na mesma medida que consegue explorar a força de trabalho dos outros cada vez mais, impondo assim ao trabalhador a abstinência de todos os outros fatores da vida, como lazer, bem-estar social, cultura, entre outros.

A maior crítica de Marx com relação ao capitalismo é a questão valor- trabalho é a teoria de que os salários tenderiam a um nível de subsistência, socialmente definido. De acordo com a teoria do valor-trabalho, o valor de qualquer bem é determinado pela quantidade de trabalho necessário para produzi-lo. Entretanto, conforme Marx reconhecia, esse valor deve incluir tanto o tempo de trabalho diretamente gasto na produção, quanto o tempo gasto em etapas anteriores ao mesmo, ou seja, o trabalho gasto em fazer as máquinas necessárias à produção.

Assim ele propunha: se o trabalho é a origem de todo valor, os trabalhadores recebem todo o valor do produto nacional, como contrapartida de sua contribuição?

A resposta é negativa, pois tudo que ele recebe é um baixo salário que representa uma fração do que ele produziu, o restante do valor ele define como mais-valia: ou seja, o lucro.

A mais-valia e a luta de classes

“Trabalhadores de todos os países: Uni-vos!” – Com esse imperativo, Marx inicia sua crítica ao proletariado que lutando em grupos, conquistaria mais espaço no sistema capitalista. Conforme sua visão acumula-se a riqueza na medida que se acumula a miséria – um correspondente ao outro.

Segundo Marx, a exploração do trabalhador não decorre do fato de o patrão ser bom ou mau, mas sim da lógica do sistema: para o empresário vencer a concorrência entre os demais produtores e obter lucros para novos investimentos, ele utiliza-se da mais-valia, que constitui a verdadeira essência do capitalismo.

Sem a mais-valia o capitalismo não existe, mas, a exploração do trabalho acabaria por levar, por efeito da tendência decrescente da taxa de lucro, ao colapso do sistema capitalista.

Uma solução para o problema da grande exploração, segundo Marx, seria derrubar do poder o controlador capitalista, os empresários, com uma revolução, uma greve geral, e assim a tão idealizada sociedade comunista, apareceria, uma vez que o Estado desapareceria.

“Através da abolição violenta dos direitos de propriedade, (os trabalhadores) centralizarão todos os meios de produção nas mãos do Estado.” (Karl Marx)

O socialismo

É um sistema econômico no qual o Estado tem a posse dos meios de produção: capital, edificações e terra.

O socialismo em sua teoria é justo e eficaz, já na sua pratica é difícil de funcionar. È um sistema econômico que visa igual distribuição de renda para todas as classes, não permitindo que existam milionários ou miseráveis na sociedade.

Nesse sistema os trabalhadores centralizarão todos os meios de produção nas mãos do Estado. Para os radicais de esquerda, é uma ferramenta crítica á sociedade estabelecida. Para a classe mais rica, o socialismo sugere uma conspiração para arruinar suas riquezas.

Não restam dúvidas que com o socialismo teríamos um sistema econômico mais humano e com melhor distribuição de renda, mas seria muito difícil vivermos numa sociedade em que todos têm o mesmo nível socioeconômico, uma vez que sempre a classe mais rica dependerá da mão-de-obra da classe mais pobre. Os assalariados necessitam de manter-se empregados produzindo o “lucro” para a classe rica, somente com o lucro e crescimento da classe rica, cada vez mais os trabalhadores se manterão ativos na sociedade e crescerá o número de empregos.

A posição Marxista do socialismo prega que uma vez que o Estado fosse responsável pelos investimentos do país, todos teriam, por exemplo, habitação própria, mas é importante lembrar que esse sistema pode gerar alguns problemas tais como: é discutível se as decisões de investimentos tomadas pelo governo gerariam inovação tecnológica tanto quanto o capitalismo. Uma vez que a concorrência capitalista “obriga” a busca por inovações. Outro fator importante que se torna um problema para o socialismo é a mentalidade da sociedade hoje que apesar de criticar o capitalismo não sabe viver sem o mesmo. Seria necessário demandar grande tempo de estudo e conscientização para que as pessoas entendessem a profundidade do sistema socialista. Nossa sociedade é educada a pensar em ter sempre o seu melhor e o seu crescimento individual e não o do grupo.

Em suma, vê-se que o grande problema não esta no sistema econômico mas na mentalidade da sociedade que visa o seu beneficio próprio, vindo contra as regras regidas pelo socialismo. Ou seja se o individuo tem um carro, futuramente almejará ter dois o que é natural nas pessoas, não importando se seu vizinho não tem nenhum veículo.

Mais gritante ainda é termos paises como Cuba, socialista, que incrivelmente há diferenças de classe e, a miséria predomina.

Motivo: má administração do Estado e não conscientização do real socialismo.

Esse talvez seja um argumento real de que o socialismo não funciona, haja vista a situação deste país.

A situação do consumidor nos paises socialistas

Vale ressaltar que nos paises de regime socialista as empresas não correm o risco de lançarem um produto no mercado e o mesmo não vir a fazer sucesso, uma vez que todos as pessoas certamente irão consumir o produto sem reclamar ou dizer que não gostou do modelo. Isso se deve a obrigação imposta pelo governo que se consuma àquele produto sem verificar o real desejo da sociedade. No sistema socialista não importa o desejo das pessoas ou a individualidade das pessoas, mas sim o interesse coletivo, que é a funcionalidade do produto.

Um fato que pode ser usado como exemplo foi nos anos 50, a empresa Ford lançou o Edsel, um automóvel que foi um fracasso, principalmente nos EUA. O modelo não caiu no gosto da população e simplesmente não vendeu, gerando dessa forma um enorme prejuízo à fábrica. Se fosse num país socialista isso não teria acontecido, uma vez que as pessoas não teriam outro modelo e seriam obrigadas a comprar o tal veículo. O que conta no socialismo não é o gosto ou modelo do carro, como neste exemplo, mas a sua funcionalidade, ou seja, o transporte de pessoas. Sendo assim, fica fácil compreender que num país capitalista uma decisão incorreta acarreta prejuízo, já no socialismo representa apenas uma perda para os consumidores.

O ideal seria um sistema socialista com a democracia capitalista, para que não fique tudo centralizado nas mãos governo, dando margem para abusos. Porém, sendo otimista, pra não dizer impossível, é uma possibilidade bastante remota.

A economia centralizada nos países socialistas

A antiga União Soviética foi o primeiro país a implantar um sistema socialista, durante quase trinta anos foi a única nação socialista de importância. Em 1917, o regime decadente e repressivo de czarismo russo foi substituído pelo governo moderado de Kerensky, em seguida foi derrubado pelo Partido Bolcheique, liderado por Lênin, um revolucionário marxista. Somente depois que o exército vermelho de Lênin derrotou os Russos Brancos, em uma guerra civil sangrenta, repeliu uma tentativa de invasão pelos países ocidentais que tentaram desmantelar a revolução socialista que aqueles lideres puderam dedicar-se totalmente para a estruturação de um novo tipo de economia.

Essa economia tornou-se diferente das economias capitalistas em dois pontos principais: os ativos produtivos eram de propriedade do Estado, a tomada de decisões por um órgão central de planejamento. Desta forma, a liberdade do consumidor era parcial, os preços eram estabelecidos pelo órgão de planejamento central e a propriedade dos ativos produtivos, os meios de produção, eram de propriedade estatal, com exceções no setor agrícola.

O planejamento central nos países socialistas

As decisões mais importantes, tomadas com relação aos investimentos e produção, são de responsabilidade de um órgão de planejamento central, nos países socialistas. Em comparação a nossa economia, estas decisões são tomadas pelos empresários, produtores individuais, que tem a liberdade de investir onde acharem mais vantajoso para sua respectiva empresa obter lucro, no entanto, outras decisões de produção, como construção de estradas, escolas, ou bens públicos, estão nas mãos do governo, seja estadual, municipal ou federal.

O planejamento econômico nos países socialistas é muito bem elaborado e faz uma previsão de todos os índices de produção, investimento, num determinado setor e são estabelecidas metas para todos as áreas. Mas esses planejadores só fixam essas metas mediante uma consulta geral as empresas, sendo abertos a correções, quando necessárias, as metas originais do plano.

Os lucros obtidos no sistema socialista, não fornecem o mesmo tipo de incentivo a produzir que em uma economia de mercado, portanto, podem não desempenhar o mesmo papel crucial na alocação de recursos como o fazem em uma economia capitalista. Os planejadores centrais podem decidir-se pela desativação de uma atividade lucrativa de modo a expandir uma outra que esteja dando prejuízos, exatamente o oposto do que aconteceria no modelo capitalista.

No sistema socialista, o diretor da empresa é voltado a obedecer às ordens a respeito do que produzir, podendo consultar os membros do planejamento central.

No sistema capitalista, o diretor seria um empresário que toma suas decisões acerca do que produzir, de acordo com a perspectiva de lucro.

Acredita-se que um problema econômico pode ser resolvido por meio do planejamento, mas a economia é muito complexa e imprevisível a ponto de se conseguir eliminar todos os possíveis imprevistos que venham a aparecer num mercado de produção em que cada item produzido, influência, direta e indiretamente, todos setores.

Socialismo X Comunismo

Muitos confundem o termo socialismo com o comunismo, mas entre ambos a algumas diferenças a considerar:

Numa sociedade comunista não existe o Estado nem as classes sociais. A sociedade é altamente desenvolvida, tanto nos setores tecnológicos como no setor produtivo, permitindo assim que o principio “de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades” possa ser atendido.

Só que até o comunismo há um longo caminho a ser percorrido, a insuficiência no desenvolvimento das forças produtivas ainda não o permitem.

Para se chegar ao comunismo são necessárias algumas etapas de transição da sociedade. Primeiramente do capitalismo para o socialismo, em que o Estado defenda os interesses dos trabalhadores, utilizando uma democracia operária, onde os trabalhadores, em conselhos populares, decidam tudo sobre a vida política do país, tendo domínio sobe os meios de produção.

As principais diferenças entre a etapa do comunismo e a etapa do socialismo é o fim completo do Estado e a aplicação completa do principio: “de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades” e o fim do trabalho alienado.

Atualmente, somente Cuba, governada por Fidel Castro, mantém plenamente o sistema socialista em vigor. Mesmo enfrentando um forte bloqueio econômico dos Estados Unidos, o líder cubano consegue sustentar o regime socialista, utilizando, muitas vezes, a repressão e a ausência de democracia.

Pontos principais do sistema capitalista:

Grande parte do capital físico em uma economia de mercado é de propriedade privada, enquanto em uma economia socialista o capital físico é de propriedade do Estado. Os socialistas defendem que ele elimina uma das causas básicas da desigualdade no sistema capitalista: o poder e a riqueza concentrados com aqueles que possuem o capital e meios de produção.

No sistema socialista o capital físico é de propriedade coletiva, em vez de privada. Os níveis de produção e investimentos são fixados por uma instituição de planejamento central.

A maior vantagem no sistema socialista reside no fato de que as metas de produção industrial são fixadas de tal forma a manter um nível de desemprego mínimo, com algumas desvantagens: o planejamento centralizado determina um acúmulo de poder nas mãos das instituições políticas centrais. E quanto mais for centralizado for esse poder, maiores serão os riscos de abusos, haja vista a corrupção de alguns governantes, no caso do Brasil, por exemplo. A grande questão é: poderia uma economia centralizada operar no contexto de liberdade democrática abrangentes?

Um problema trazido com o planejamento generalizado da economia é que se torna extremamente difícil controlar e administrar o sistema econômico, o que determina, com freqüência, pontos de estrangulamento e outras perdas de eficiência. Dessa forma, o planejamento central pode resultar em níveis altos de desemprego disfarçado, com trabalhadores determinados a produzir bens que não satisfazem as preferências dos consumidores.

Bibliografia

WONNACOTT, Ronald. Economia. Makron Books. P779-793
MARX, K.; ENGELS, F. O manifesto do partido comunista. Afiliada. P129-149
COULON, O.M.A.F.; PEDRO, F.C. O socialismo cientifico:marxismo. www.hystoria.hpg.ig.com.br/marx.html. 20/10/2006, 11:25.

Fonte: www.administradores.com.br

Socialismo

O que é

Socialismo é a doutrina social e econômica que exige a posse ou controle da propriedade e dos recursos naturais pública e não privada.

De acordo com o ponto de vista socialista, os indivíduos não vivem ou trabalham isoladamente, mas vivem em cooperação uns com os outros. Além disso, tudo o que as pessoas produzem é, em certo sentido, um produto social, e todos os que contribuem para a produção de um bem tem direito a uma quota.

A sociedade como um todo, portanto, deve possuir ou, pelo menos, propriedade de controle para o benefício de todos os seus membros.

Esta convicção coloca o socialismo em oposição à capitalismo, que se baseia na propriedade privada dos meios de produção e permite que as escolhas individuais em um livre mercado para determinar como bens e serviços são distribuídos.

Os Socialistas queixam-se que o capitalismo leva necessariamente à concentração injustas e abusivas de riqueza e poder nas mãos de relativamente poucos que saem vitorioso da competição de pessoas de livre mercado que, em seguida, usam sua riqueza e poder para reforçar a sua posição dominante na sociedade .

Socialismo e Sistema Socialista

Socialismo é a denominação genérica de um conjunto de teorias socioeconômicas, ideologias e políticas que postulam a abolição das desigualdades entre as classes sociais. Incluem-se nessa denominação desde o socialismo utópico e a social-democracia até o comunismo e o anarquismo.

As múltiplas variantes de socialismo partilham de uma base comum de tendência sentimental e humanitária.

Para caracterizar uma sociedade exclusivamente socialista é necessário que estejam presentes os seguintes elementos: limitação do direito à propriedade privada, controle dos principais recursos econômicos pelos poderes públicos com a finalidade, teórica, de promover a igualdade social, política e jurídica.

História do Socialismo

A revolução industrial iniciada na Grã-Bretanha, no século XVIII, estabeleceu um tipo de sociedade dividida em duas classes sobre as quais se sustentava o sistema capitalista: a burguesia (empresariado), e o proletariado (trabalhadores assalariados). A burguesia, formada pelos proprietários dos meios de produção, conquistou o poder político na França, com a revolução de 1789, e depois em vários países.

Nessa ocasião o modelo capitalista se afirmou ideologicamente com base nos princípios do liberalismo: liberdade econômica, propriedade privada e igualdade perante a lei. A grande massa da população proletária, no entanto, permaneceu inicialmente excluída do cenário político. Logo ficou claro que a igualdade jurídica não era suficiente para equilibrar uma situação de desigualdade econômica e social, na qual uma classe reduzida, a burguesia, possuía os meios de produção enquanto a maioria da população não conseguia prosperar. Aí então surgiram as idéias socialistas.

Nota do editor: os militantes de Esquerda (marxistas, anarquistas, socialistas e comunistas) usam, com um tom meio pejorativo, a expressão burguesia para referir-se ao empresariado; e a expressão proletariado para referir-se aos trabalhadores assalariados.

Um dos primeiros precursores do socialismo utópico (socialismo, na prática, insustentável) foi o revolucionário francês François-Noël Babeuf, que, inspirado nas idéias de Jean-Jacques Rousseau, tentou em 1796 subverter a nova ordem econômica (“burguesa”) por meio de um levante popular. Foi preso e condenado à morte na guilhotina.

A crescente degradação das condições de vida da classe operária motivou o surgimento dos diversos teóricos do chamado socialismo utópico, alguns dos quais tentaram, sem sucesso, criar comunidades e unidades econômicas baseadas em princípios socialistas de inspiração humanitária e religiosa (católica principalmente).

Outro teórico francês importante foi François-Marie-Charles Fourier, que tentou acabar com a coerção, a exploração e a monotonia do trabalho por meio da criação de falanstérios, pequenas comunidades igualitárias que não chegaram a prosperar. Da mesma forma, fracassaram as comunidades fundadas pelo socialista escocês Robert Owen.

Marxismo e anarquismo

Na metade do século XIX, separaram-se as duas vertentes do movimento socialista que polarizaram as discussões ideológicas: o marxismo e o anarquismo. Ao mesmo tempo, o movimento operário começava a adquirir força no Reino Unido, França e em outros países onde a industrialização progredia.

Contra as formas utópicas, humanitárias ou religiosas, Karl Marx e Friedrich Engels propuseram o estabelecimento de bases que chamaram de “científicas” para a transformação da sociedade: o mundo nunca seria modificado somente por idéias e sentimentos generosos, mas sim, pela luta de classes. Com base numa síntese entre a filosofia de Hegel, a economia clássica britânica e o socialismo francês, defenderam o uso da violência como único meio de estabelecer a ditadura do proletariado (comunismo) e assim atingir uma sociedade justa, igualitária e solidária. No Manifesto comunista, de 1848, os dois autores apresentaram uma previsão de decadência do sistema capitalista e prognosticavam a marcha dos acontecimentos rumo à revolução socialista.

O anarquismo contou com diversos teóricos de diferentes tendências, mas nunca se converteu num corpo dogmático de idéias, como o de Marx. Proudhon combateu o conceito de propriedade privada e afirmou que os bens adquiridos mediante a exploração da força de trabalho constituíam um roubo. Bakunin negou os próprios fundamentos do estado e da religião e criticou o autoritarismo do pensamento marxista. Piotr Kropotkin via na dissolução das instituições opressoras e na solidariedade o caminho para o que chamou de comunismo libertário.

Na Rússia czarista, o Partido Social Democrata foi fundado em 1898, na clandestinidade, mas dividiu-se em 1903 entre o setor marxista revolucionário, dos bolcheviques, e o setor moderado, dos mencheviques. Liderados por Vladimir Lenin, os bolcheviques chegaram ao poder com a revolução de 1917.

As idéias socialistas tiveram bastante aceitação em diversos países das áreas menos industrializadas do planeta. Na maioria dos casos, porém, o socialismo da periferia capitalista adotou práticas políticas muito afastadas do modelo europeu, com forte conteúdo nacionalista.

Fim do "socialismo real" (comunismo)

Na última década do século XX chegou ao fim, de forma inesperada, abrupta e inexorável, o modelo socialista criado pela União Soviética. O próprio país, herdeiro do antigo império russo, deixou de existir. Nos anos que se seguiram, cientistas políticos das mais diversas tendências se dedicaram a estudar as causas e conseqüências de um fato histórico e político de tanta relevância. Dentre os fatores explicativos do fim do chamado "socialismo real" da União Soviética destacam-se a incapacidade do país de acompanhar a revolução tecnológica contemporânea, especialmente na área da informática, a ausência de práticas democráticas e a frustração das expectativas de progresso material da população. As explicações sobre o colapso da União Soviética abrangem os demais países do leste europeu que, apesar de suas especificidades, partilharam das mesmas carências.

Socialismo no Brasil

O primeiro partido socialista brasileiro foi fundado em 1902, em São Paulo, sob a direção do imigrante italiano Alcebíades Bertollotti, que dirigia o jornal Avanti, vinculado ao Partido Socialista Italiano.

A fundação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, e seu rápido crescimento sufocaram as dezenas de organizações anarquistas que na década anterior chegaram a realizar greves importantes. Pouco antes da revolução de 1930, Maurício de Lacerda organizou a Frente Unida das Esquerdas.

Proibida a atividade político-partidária durante a ditadura Vargas, o socialismo voltou a se desenvolver em 1945, com a criação da Esquerda Democrática, que em agosto de 1947 foi registrada na justiça eleitoral com o nome de Partido Socialista Brasileiro.

Com o golpe militar de 1964, todos os partidos políticos foram dissolvidos e as organizações socialistas puderam atuar apenas na clandestinidade. A criação do bipartidarismo em 1965 permitiu que os políticos de esquerda moderada se abrigassem na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição consentida ao regime militar, ao lado de conservadores e liberais.

Na segunda metade da década de 1960 e ao longo da década de 1970, os comunistas (socialistas radicais), ao lado de outros setores de oposição ao regime militar, sofreram implacável combate. Professavam idéias comunistas a imensa maioria dos militantes de organizações armadas que confrontaram o regime militar.

O lento processo de redemocratização iniciado pelo general Ernesto Geisel na segunda metade da década de 1970 deu seus primeiros frutos na década seguinte, quando os partidos socialistas puderam mais uma vez se organizar livremente e apresentar seus próprios candidatos a cargos eletivos.

Fonte: www.renascebrasil.com.br

Socialismo

A consolidação da ordem burguesa, industrial e capitalista na Europa do século XIX produziu profundas transformações no mundo do trabalho. As precárias condições de vida dos trabalhadores, as longas jornadas de trabalho, a exploração em larga escala do trabalho feminino e infantil, os baixíssimos salários, o surgimento de bairros operários onde conforto e higiene inexistiam, eram apenas algumas das contradições geradas pela nova sociedade capitalista.

É dentro desse contexto que se desenvolve a teoria socialista. Trata-se ao mesmo tempo, de uma reação aos princípios da economia política clássica e às práticas do liberalismo econômico que, nessa época, serviam de referencial teórico ao desenvolvimento do capitalismo.

Os pensadores socialistas entendiam que a produção capitalista, estabelecida a partir da propriedade privada dos meios de produção e da exploração do trabalho assalariado, era incapaz de socializar a riqueza produzida. Pelo contrário, o capitalismo tendia à máxima concentração da renda, não apenas pelo avanço contínuo do progresso da técnica aplicada à produção mas, também, e principalmente, pelo fato de se apropriar do excedente das riquezas, produzidas pelos trabalhadores.

Significado

O Socialismo é um sistema sociopolítico caracterizado pela apropriação dos meios de produção pela coletividade. Abolida a propriedade privada destes meios, todos se tornariam trabalhadores, tomando parte na produção, e as desigualdades sociais tenderiam a ser drasticamente reduzidas, uma vez que a produção poderia ser equitativamente distribuída.

O Socialismo Utópico

A necessidade de modificações profundas na sociedade foi expressa, inicialmente, pelos chamados socialistas utópicos. Suas idéias, desenvolvidas na primeira metade do século XIX, de uma maneira geral, se distinguiram por propor certas mudanças desejáveis, visando alcançar uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna, sem, no entanto, apresentar de maneira concreta os meios pelos quais essa sociedade se estabeleceria, pois não fizeram uma análise crítica da evolução da própria sociedade capitalista. Tais considerações seriam desenvolvidas mais tarde por Karl Marx e Friedrich Engels.

Dentre os principais "teóricos" do socialismo utópico, destacam-se:

Charles Fourier: Propunha a organização da sociedade em "falanstérios", onde se reuniriam todos os segmentos sociais: proprietários, operários e até mesmos capitalistas, que colocariam suas propriedades e força de trabalho em posse comum, recebendo ações proporcionais ao valor de sua contribuição. Essa "comunidade modelo", verdadeiro hotel de veraneio repleto de oficinas de passatempo, não chegou sequer a sair do papel. Fourier, que não foi levado à sério no seu tempo, não encontrou ninguém disposto a financiar o primeiro "falanstério".

Robert Owen: Capitalista, dono de várias fábricas, mas sinceramente preocupado com os problemas sociais, tomou atitudes que o inserem na lista dos utópicos: construção de casas para seus funcionários; participação nos lucros de suas empresas; redução da jornada de trabalho para 10,5 horas por dia (em outro locais era 13,14 horas/dia); fundação de escolas para filhos de seus empregados. Propôs, além disso, a organização da sociedade em cooperativas de operários. Chegou, inclusive, a tentar aplicar suas idéias implantando uma colônia em Indiana, Estados Unidos, denominada "New Harmony", não conseguindo êxito, entretanto. Destacou-se muito mais, segundo alguns autores, como um "patrão esclarecido" do que propriamente como um socialista utópico.

Louis Blanc: Defendia a interferência do Estado para modificar a economia e a sociedade. Imaginava a criação de "Ateliers" ou "Oficinas Nacionais", que associariam trabalhadores que dedicavam-se às mesmas atividades, onde, com o apoio do Estado, a produção não enfrentaria concorrência de grandes empresas.

Saint Simon: Preocupado com o problema da direção moral da sociedade, o conde de Saint-Simon desejava a planificação da economia, visando sobretudo beneficiar as classes trabalhadora. A indústria, afirmava ele, deveria voltar-se para atender aos interesses da maioria, notadamente dos mais pobres.

Proudon: Combatia seus próprios colegas de pensamento socialista, pois, acreditando que a reforma da sociedade deve ter como principio básico a justiça, entendia que dentro do próprio capitalismo estava a solução. Poder-se-ia, segundo seu pensamento, criar o "capitalismo bom". Acreditava que não é na produção que estão as falhas do sistema, mas na circulação. Defendia o "crédito sem juros", feito através de bancos populares ; isso permitia que os operários adquirissem os meios de produção e se traduziria na libertação da classe trabalhadora. Contradizia-se, no entanto, ao afirmar que "toda propriedade é um roubo."

Em síntese:

O"socialismo utópico" pode ser definido como um conjunto de idéias que se caracterizaram pela crítica ao capitalismo, muitas vezes ingênua e inconsistente, buscando, ao mesmo tempo, a igualdade entre os indivíduos. Em linhas gerais, combate-se a propriedade privada dos meios de produção como única alternativa para se atingir tal fim. A ausência de fundamentação científica é o traço determinante dessas idéias. Pode-se dizer que seus autores, preocupados com os problemas de justiça social e igualdade, deixavam-se levar por sonhos. Não foi por acaso que Karl Marx denominou os socialistas utópicos de "românticos".

Os princípios básicos do socialismo utópico podem ser resumidos assim:

Crítica ao liberalismo econômico, sobretudo à livre concorrência.
Formação de comunidades auto-suficientes, onde os homens, através da livre cooperação, teriam sus necessidades satisfeitas.
Organização, em escala nacional, de um sistema de cooperativas de trabalhadores que negociariam, entre si, a troca de bens e serviços.
Atuação do Estado que, através da centralização da economia, evitaria os abusos típicos do capitalismo.

O Socialismo Científico ou Marxista

Reagindo contra as idéias espiritualistas, românticas, superficiais e ingênuas dos utópicos, Karl Marx (1818 - 1883) e Friedrich Engels (1820 - 1895) desenvolveram a teoria socialista, partindo da análise crítica e científica do próprio capitalismo. Ao contrário dos utópicos, Marx e Engels não se preocuparam em pensar como seria uma sociedade ideal. Preocuparam-se, em primeiro lugar, em compreender a dinâmica do capitalismo e para tal estudaram a fundo suas origens, a acumulação prévia de capital, a consolidação da produção capitalista e, mais importante , suas contradições. Perceberam que o capitalismo seria, inevitavelmente, superado e destruído. E, para eles, isso ocorreria na medida em que, na sua dinâmica evolutiva, o capitalismo, necessariamente, geraria os elementos que acabariam por destruí-lo e que determinariam sua superação. Entenderam, ainda, que a classe trabalhadora agora completamente expropriada dos meios de subsistência, ao desenvolver sua consciência histórica e entender-se como uma classe revolucionária, teria um papel decisivo na destruição da ordem capitalista e burguesa.

Marx e Engels afirmaram, também, que o Socialismo seria apenas uma etapa intermediária, porém, necessária, para se alcançar a sociedade comunista. Esta representaria o momento máximo da evolução histórica do hom, momento em que a sociedade já não mais estaria dividida em classes, não haveria a propriedade privada e o Estado, entendido como um instrumento da classe dominante, um vez que no comunismo não existiriam classes sociais. Chegar-se-ai portanto, à mais completa igualdade entre os homens. Para eles isso não era um sonho, mas, uma realidade concreta e inevitável. Para se alcançar tais objetivos o primeiro passo seria a organização da classe trabalhadora.

A teoria marxista, expressa em dezenas de obras, foi claramente apresentada no pequeno livro publicado em 1848, O Manifesto Comunista.

Posteriormente, a partir de 1867, foi publicada a obra básica para o entendimento do pensamento marxista: O Capital, de autoria de Marx. Os demais volumes, graças ao esforço de Engels, foram publicados após a morte de Marx.

Os princípios básicos que fundamentam o socialismo marxista podem ser sintetizados em quatro teorias centrais: a teoria da mais-valia, onde se demonstra a maneira pela qual o trabalhador é explorado na produção capitalista; a teoria do materialismo histórico, onde se evidencia que os acontecimentos históricos são determinados pelas condições materiais (econômicas) da sociedade; a teoria da luta de classes, onde se afirma que a história da sociedade humana é a história da luta de classes, ou do conflito permanente entre exploradores e explorados; a teoria do materialismo dialético, onde se pode perceber o método utilizado por Marx e Engels para compreender a dinâmica das transformações históricas. Assim como, por exemplo, a morte é a negação da vida e está contida na própria vida, toda formação social (escravismo, feudalismo, capitalismo) encerra em si os germes de sua própria destruição.

Karl Marx

Marx, Karl Heinrich (Trier, 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883.) Cientista social, historiador e revolucionário, Marx foi certamente o pensador socialista que maior influência exerceu sobre o pensamento filosófico e social e sobre a própria história da humanidade. Embora em grande pane ignorado pelos estudiosos acadêmicos de sua época, o conjunto de idéias sociais, econômicas e políticas que desenvolveu conquistou, de forma cada vez mais rápida, a aceitação do movimento socialista após sua morte, em 1883. Quase metade da população do mundo vive hoje sob regimes que se pretendem marxistas. Esse mesmo sucesso, porém, significou que as idéias originais de Marx foram, com freqüência, obscurecidas pelas tentativas de adaptar seu significado a circunstâncias políticas as mais variadas. Além disso, como decorrência da publicação tardia de muitos de seus escritos, só em época relativamente recente surgiu a oportunidade de uma apreciação justa da sua estatura intelectual.

Marx nasceu em uma família de classe média, de situação confortável, em Trier, às margens do rio Mosela, na Alemanha. Descendia de uma longa linhagem de rabinos, tanto da parte materna quanto paterna, e seu pai, embora fosse intelectualmente um racionalista de formação tipicamente iluminista, que conhecia Voltaire e Lessing de cor, só concordara em ser batizado como protestante para não se ver privado de seu trabalho como um dos mais conceituados advogados de Trier.

Aos 17 anos, Marx matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Bonn e mostrou-se sensível ao romantismo que ali predominava: havia ficado noivo pouco antes de Jenny von Westphalen, filha do barão von Westphalen, figura destacada da sociedade de Trier e que havia despertado em Marx o interesse pela literatura romântica e pelo pensamento político de Saint-Simon. No ano seguinte, o pai de Marx mandou-o para a Universidade de Berlim, maior è mais seria, onde ele passou os quatro anos seguintes e abandonou o romantismo em favor do hegelianismo que predominava na capital naquela época.

Marx participou ativamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Esse grupo, que contava com figuras como Bauer e Strauss, estava produzindo uma crítica radical do cristianismo e, implicitamente, uma oposição liberal à autocracia prussiana. Quando o acesso à carreira universitária lhe foi vedado pelo governo prussiano, Marx transferiu-se para o jornalismo e, em outubro de 1842, foi dirigir, em Colônia, a influente Rheinische Zeitung (Gazeta Renana), jornal liberal apoiado por industriais renanos. Os incisivos artigos de Marx, particularmente sobre questões econômicas, levaram o governo a fechar o jornal, e o seu diretor resolveu emigrar para a França.

Ao chegar a Paris em fins de 1843 Marx estabeleceu rapidamente contato com grupos organizados de trabalhadores alemães que haviam emigrado e com as várias seitas de socialistas franceses. Também dirigiu os Deutsch-französische Jahrbücher (Anais franco-alemães), publicação de vida efêmera, que pretendia ser uma ponte entre o nascente socialismo francês e as idéias dos hegelianos "radicais alemães. Durante os primeiros meses de sua permanência em Paris, Marx tomou-se logo comunista convicto e começou a registrar suas idéias e novas concepções em uma série de escritos que mais tarde ficariam conhecidos como Oekonomisch-philosophischen Manuskripte (Manuscritos econômicos e filosóficos), mas que permaneceram inéditos até cerca 'de 1930. Nestes manuscritos, Marx esboçava uma concepção humanista do comunismo, influenciada pela filosofia de Feuerbach e baseada num contraste entre a natureza alienada do trabalho no capitalismo e uma sociedade comunista na qual os seres humanos desenvolveriam livremente sua natureza em produção cooperativa. Foi também em Paris que Marx iniciou a colaboração com Friedrich Engels que durada toda sua vida.

Em fins de 1844, Marx foi expulso da capital francesa e transferiu-se (com Engels) para Bruxelas, onde passou os três anos seguintes, tendo nesse período visitado a Inglaterra, que era então o pais industrialmente mais adiantado do mundo e onde a família de Engels tinha interesses na fiação de algodão em Manchester. Em Bruxelas, Marx dedicou-se a um estudo intensivo da história e criou a teoria que veio a ser conhecida como a concepção materialista da história.

Essa concepção foi exposta num trabalho (também só publicado postumamente), escrito em colaboração com Engels e conhecido como Die Deutsche Ideologie (A ideologia alemã, cuja tese básica é a de que "a natureza dos indivíduos depende das condições materiais que determinam sua posição". Marx esboça, nessa obra, a história dos vários modos de produção, prevendo o colapso do modo de produção vigente - o capitalista - e sua substituição pelo comunismo. Ao mesmo tempo em que escrevia essa obra teórica, Marx participou intensamente da atividade política, polemizando, em Misère de la Philosophie (Miséria da filosofia), contra o socialismo de Proudhon, autor de Philosophie de la misère (Filosofia da miséria), que considerava idealista, e ingressando na Liga Comunista, organização de trabalhadores alemães emigrados sediada em Londres da qual se tornou, juntamente com Engels, o teórico principal. Na conferência da Liga realizada em Londres em fins de 1847, Marx e Engels receberam a incumbência de escrever um manifesto comunista que fosse a expressão mais sucinta das concepções da organização. Pouco depois que Das Kommunistische Manifest (Manifesto comunista ) foi publicado em 1848, uma onda de revoluções varreu a Europa.

Em princípios de 1848, Marx transferiu-se novamente para Paris, onde a revolução eclodira primeiro, e em seguida para a Alemanha, onde fundou, de novo em Colônia, o periódico Neue Rheinische Zeitung (Nova Gazeta Renana). O jornal, que teve grande influência, sustentava uma linha democrática radical contra a autocracia prussiana, e Marx dedicou suas principais energias à sua direção, já que a Liga Comunista havia sido praticamente dissolvidas. Com a onda revolucionária, porém, o jornal de Marx froi proibido e ele buscou asilo em Londres, em maio de 1849, para começar a "longa e insone noite de exílio" que deveria durar o resto de sua vida.

Ao fixar-se em Londres, Marx mostrava-se otimista em relação à iminência de uma nova onda revolucionária na Europa: voltou a participar de uma liga Comunista renovada e escreveu dois extensos folhetos sobre a revolução de 1848 na França, e suas conseqüências, intitulados Die Klassenkämpfe in Frankreich 1848-1850 (As lutas de classe na França de 1848 a 1850) e Der Achtzehnt Brumaire des Löuis Bonaparte (O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte).

Convenceu-se, porém, em pouco tempo de que "uma nova revolução só era possível em conseqüência de uma nova case" e dedicou-se ao estudo da economia política, com o propósito de determinar as causas e condições dessa crise.

Durante a primeira metade da década de 1850, a família Marx viveu num apartamento de três peças no bairro de Soho, em Londres, em condições de grande pobreza. Ao chegar a Londres, a família já tinha quatro filhos, e dois outros nasceram pouco depois. Destes, apenas três meninas sobreviveram ao período do Soho. A principal fonte de renda de Marx nessa época (e posteriormente) era Engels, que tinha bons rendimentos com o negócio de algodão de seu pai em Manchester. Essa renda era suplementada por artigos semanais que Marx escrevia, como correspondente estrangeiro, para o jornal norte-americano New York Daily Tribune. Heranças recebidas em fins da década de 1850 e princípios da década de 1860 tornaram um pouco melhor a situação financeira da família de Marx, mas só a partir de 1869 ele pôde dispor de uma renda suficiente e constante, que lhe foi assegurada por Engels.

Não é de surpreender que a importante produção teórica de Marx sobre economia política tenha feito progressos lentos. Em 1857-1858, ele tinha já redigido um gigantesco manuscrito de 800 páginas, esboço inicial de uma obra em que pretendia ocupar-se do capital, da propriedade agrária, do trabalho assalariado, do Estado, do comércio exterior e do mercado mundial. Esse manuscrito, conhecido como Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie (Esboços da crítica da economia política), só foi publicado em 1941. No início da década de 1860, Marx interrompeu seu trabalho para escrever três grossos volumes intitulados Theorien über den Mehrwert (Teorias da Mais-Valia), em que examinava criticamente o pensamento de seus antecessores na reflexão teórica sobre a economia política, particularmente Adam Smith e David Ricardo. Só em 1867 pode Marx publicar os primeiros resultados de seu trabalho no primeiro livro de Das Kapital (O Capital), dedicado ao estudo do processo capitalista de produção. Nele, desenvolveu sua versão da teoria do Valor trabalho e suas concepções da Mais-Valia e da Exploração, a qual acabada por levar, por efeito da TENDÊNCIA DECRESCENTE DA TAXA DE LUCRO, o colapso do capitalismo . O segundo e o terceiro livros de O Capital estavam em grande parte inacabados na década de 1860, e Marx trabalhou neles pelo resto de sua vida. Foram publicados postumamente por Engels.

Uma das razões por que Marx levou tanto tempo para escrever O Capital foram o grande tempo e a energia que dedicou à Primeira Internacional, para cujo Conselho Geral foi eleito quando de sua fundação em 1864. Marx atuou de maneira incansável particularmente na preparação dos congressos anuais da Internacional a na liderança da luta contra a ala anarquista, chefiada por Bakunin. Embora tivesse vencido a disputa, a transferência da sede do Conselho Geral de Londres para Nova York, em 1872, que apoiou, levou ao rápido declínio da Internacional. O acontecimento político mais importante durante a existência da Internacional foi a Comuna da Paris de 1871, quando os cidadãos da capital, na esteira da guerra franco-prussiana, rebelaram-se contra seu governo e tomaram a cidade por um período de dois meses. Sobre a sangrenta repressão dessa revolta, Marx escreveu um dos seus mais famosos folhetos, Der Burgerkrieg in Frankreich (A guerra civil em França), defesa entusiasta das atividades e objetivos da Comuna. Na última década de sua vida, a saúde de Marx entrou em acentuado declínio, e ele tornou-se incapaz do esforço continuado de síntese criativa que havia caracterizado, de maneira tão evidente, sua obra até então.

Conseguiu, apesar disso, fazer comentários substanciais sobre a política contemporânea, em especial sobre a Alemanha e a Rússia. Quanto à primeira, opôsse, em sua Kritik des Gothaer Programms (Crítica do Programa de Gotha), à tendência de seus seguidores Wilhelm Liebknecht e August Bebel a fazer concessões ao socialismo de Estado de Ferdinand Lassalle, no interesse de um partido socialista unificado. Na Rússia, em correspondência com Vera Zassulitch, previu a possibilidade de que o país saltasse a fase capitalista de desenvolvimento e edificasse o comunismo com base na propriedade comum da terra, característica do mir das aldeias russas. Marx via-se, porém, cada vez mais acometido por doenças e viajava regularmente para estações balnearias na Europa e até mesmo na Argélia, em busca de recuperação. As mortes de sua filha mais velha e de sua mulher ensombreceram os últimos anos de sua vida.

A contribuição de Marx para nossa compreensão da sociedade foi imensa. Seu pensamento não é o sistema abrangente desenvolvido por alguns de seus seguidores sob o nome de MATERIALISMO DIALÉTICO. A própria natureza dialética da sua abordagem dá a esse pensamento um caráter experimental e aberto. Além disso, registra-se com freqüência uma tensão entre o Marx ativista político e o Marx estudioso de economia política. Muitas de suas previsões sobre o futuro do movimento revolucionário não se confirmaram até agora. Mas a ênfase que atribuiu ao fator econômico na sociedade e sua análise das classes sociais tiveram, ambas, enorme influência sobre a história e a sociologia.

Vladimir Ilitch Ulianov Lenin

Lenin ( Vladimir Ilitch Ulianov Lenin ), estadista russo (Simbirsk na atual Ulianovsk 1870 - Gorki, perto de Moscou, 1924). Estudante de direito em St. Petersburg, entrou em contato com os círculos marxistas e tornou-se discípulo de Plekhanov, que encontrou na Suíça em 1895. Condenado a três anos de exílio na Sibéria (1897-1900) por sua ação revolucionária, casou com a militante marxista Nadejda Krupskaia e redigiu diversas obras, entre as quais Razvitie kapitalizma v Rossii (Desenvolvimento do capitalismo na Rússia) (1899). Posto em liberdade, instalou-se na Suíça (1900), onde fundou o jornal Iskra (A centelha); separou-se de Plekhanov, por causa de tática a seguir, o que, em 1903, provocou uma cisão entre os bolcheviques (majoritários), sob sua direção, e os mencheviques (minoritários), que seguiram Plekhanov.

Por ocasião da revolução de 1905, retornou á Rússia (novembro) e apoiou a greve geral de Moscou. Após o fracasso dessa revolução, opôs-se aos mencheviques, afirmando que o proletariado russo faria sozinho a revolução.

Forçado a deixar a Rússia (dezembro de 1907), residiu a maior pane do tempo em Genebra ou em Paris. Fundou o jornal Pravda (A verdade). Contra o revisionismo dos sociais-democratas alemães, redigiu sua obra Materializm i empiriokritcism (Materialismo e empírio-criticismo) (1909). Encarou a primeira guerra mundial como uma luta entre os imperialismos rivais pela partilha do mundo (Imperializm kak noveichikh etap kapitalizma [O imperialismo, etapa superior do capitalismo], 1917) e desejou fazer da guerra entre nações uma guerra entre classes. Após a queda do czarismo, voltou à Rússia com o acordo do governo alemão (3 de abril de 1917).

Publicou no Pravda as "teses de abril": paz imediata, o poder para os sovietes, as fábricas para os operários e as terras para os camponeses.

A repressão das sublevações bolcheviques pelo governo provisório obrigou Lenin a fugir para a Finlândia, onde escreveu Gossudarstve i revolutsia ( O Estado e a revolução [ agosto de setembro de 1917] ), em que prediz o desaparecimento do Estado depois da vitória da ditadura do proletariado.

Em face do agravamento da situação política na Rússia, assumiu a direção da insurreição bolchevique (7 de novembro ou 25 de outubro pelo antigo calendário).

Nomeado presidente do conselho dos comissários do povo, nacionalizou as grandes propriedades rurais e as indústrias, estabeleceu a ditadura do proletariado e assinou a paz em separado de Brest-Litovsk (3 de março de 1918). Transferiu a capital para Moscou (12 de março de 1918) e inaugurou a política dita "comunismo de guerra"; depois, em julho de 1918, fez aprovar pelo V Congresso dos Sovietes a primeira constituição da república federativa dos sovietes da Rússia.

Enfrentou a contra-revolução, que recebeu apoio do exterior (1918-1921). Tornou-se o chefe do movimento revolucionário mundial e constituiu a 1ª Internacional (março de 1919). As dificuldades internas obrigaram-no a aplicar, a partir de 1921, nova política econômica (a N.E.P.* [Novaia Ekonomitcheskaia Politikaj), que assinalou um retorno parcial e provisório ao capitalismo privado. Em 1922, transformou o antigo império russo em União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S.). Morreu em conseqüência dos efeitos de um atentado que sofrera em 1922.

Ernesto "Che" Guevara

Rosário 1928-Higueras, Bolivia, 1967. Com dois anos de idade Ernesto Guevara de La Serna desenvolveu asma a qual sofreu a vida inteira então sua família se mudou para Alta Gracia que era uma região mais úmida o que era menos prejudicial para o jovem Ernesto.

Sua mãe, Celia de la Serna foi responsável por quase toda sua educação primária, isso em casa. Ainda muito jovem ele teve os primeiros contatos com os livros como os de Marx, Engels e Freud, que eram da biblioteca de seu pai, isso antes do 2º Grau ( equivalente ao do Brasil ). Foi opositor a Guerra Civil da Argentina e com a ditadura neo-facista de Juan Peron. Esses fatos influenciaram infinitamente para a formação do jovem Ernesto.

Estudou medicina em Buenos Aires. No começo para entender sua própria doença ( asma ), mas depois começou a se tornar mais interessante. Antes de terminar o curso, viajou por grande parte da Argentina com uma bicicleta equipada de um motor de 25 cilindradas. Depois com um amigo ele viajou pela América Latina para conhecer suas estruturas econômicas (1951) e teve contato com algumas tribos de índios. De volta a Buenos Aires terminou seus estudos e fez doutorado em dermatologia (1953).

Foi a Bolívia para estudar os intentos de reforma agraria e passou a correr vários países, passou na Guatemala, a onde apoiou Jacóbo Arbenz e tentou formar um grupo armado para organizar a resistência contra a invasão norte-americana (1954).

Foi ao México aonde conheceu Fidel Castro e os exilados cubanos do "Movimento 26 de julho", a que se uniu para combater a ditadura de Batista. Participou do desembarque do iate "Granma" (dez. 1956) e foi um dos doze sobreviventes que organizaram as guerrilhas na Sierra Maestra. Por méritos de guerra foi nomeado comandante. Ao comando da coluna Ciro Redondo, invadiu Las Villas e, após atravessar toda a ilha, junto com a coluna de Camilo Cienfuegos ocupou Havana (jan. 1959).

No novo governo revolucionário, ocupou o cargo de diretor do serviço de industria do Instituto Nacional de Reforma Agraria e posteriormente o de presidente do banco nacional, o de responsável pelas finanças do país (1959-1961), e o de ministro da Industria (1961-1965).

Representando o governo revolucionário realizou varias viagens por países afro-asiáticos e socialistas (Checoslovaquia, U.R.S.S., China popular, etc.). Presidiu a Delegación Cubana na Conferencia de Punta del Este (1961) e no seminário de planificação de Argel (1963). Após uma volta pela África negra, de volta a Cuba, desapareceu da vida pública e, poucos meses depois, Castro veio a conhecer sua renuncia a todos os cargos e sua partida da ilha. Após uma estadia no Congo como instrutor das guerrilhas de Sumialot e Mulele (1965-1966) iniciou um foco guerrilheiro na Bolívia que foi dizimado pelo exercito dirigido e apoiado pelos Rangers norte-americanos. Ferido e feito prisioneiro foi executado.

As idéias e a prática de Guevara abrangem um amplo espetro da vida política contemporânea: Guerra de Guerrilhas (Relatos da guerra revolucionaria em Cuba [1961] e Diário de Campaña na Bolivia [1968]); dependência latino-americana (Intervenção em Punta del Este, [1964]); transição ao socialismo (Polêmica com Bettelheim [1965]); internacionalismo e luta anti-imperialista (Criar dois, três, muitos Vietnã [1966]) constituem o âmbito em que se moveu a atividade do líder revolucionário.

Fonte: www.angelfire.com

Socialismo

O sonho de uma sociedade igualitária, na qual todos tenham franco acesso à distribuição e à produção de riquezas, alimenta os ideais socialistas desde seu nascimento, no século XVIII, na sociedade que brotou da revolução industrial e dos anseios de "liberdade, igualdade e fraternidade" expressos pela revolução francesa.

Socialismo é a denominação genérica de um conjunto de teorias socioeconômicas, ideologias e práticas políticas que postulam a abolição das desigualdades entre as classes sociais. Incluem-se nessa denominação desde o socialismo utópico e a social-democracia até o comunismo e o anarquismo.

As múltiplas variantes de socialismo partilham uma base comum que é a transformação do ordenamento jurídico e econômico, baseado na propriedade privada dos meios de produção, numa nova e diferente ordem social.

Para caracterizar uma sociedade socialista, é necessário que estejam presentes os seguintes elementos fundamentais: limitação do direito à propriedade privada, controle dos principais recursos econômicos pelas classes trabalhadoras e a intervenção dos poderes públicos na gestão desses recursos econômicos, com a finalidade de promover a igualdade social, política e jurídica. Para muitos teóricos socialistas contemporâneos, é fundamental também que o socialismo se implante pela vontade livremente expressa de todos os cidadãos, mediante práticas democráticas.

A revolução industrial iniciada na Grã-Bretanha na segunda metade do século XVIII estabeleceu um novo tipo de sociedade dividida em duas classes fundamentais sobre as quais se sustentava o sistema econômico capitalista: a burguesia e o proletariado. A burguesia, formada pelos proprietários dos meios de produção, conquistou o poder político primeiro na França, com a revolução de 1789, e depois em vários países.

O poder econômico da burguesia se afirmou com base nos princípios do liberalismo: liberdade econômica, propriedade privada e igualdade perante a lei.

A grande massa da população proletária, no entanto, permaneceu inicialmente excluída do cenário político. Logo ficou claro que a igualdade jurídica não era suficiente para equilibrar uma situação de profunda desigualdade econômica e social, na qual uma classe reduzida, a burguesia, possuía os meios de produção enquanto a maioria da população era impedida de conquistar a propriedade.

As diferentes teorias socialistas surgiram como reação contra esse quadro, com a proposta de buscar uma nova harmonia social por meio de drásticas mudanças, como a transferência dos meios de produção de uma única classe para toda a coletividade. Uma conseqüência dessa transformação seria o fim do trabalho assalariado e a substituição da liberdade de ação econômica dos proprietários por uma gestão socializada ou planejada, com o objetivo de adequar a produção econômica às necessidades da população, ao invés de se reger por critérios de lucro. Tais mudanças exigiriam necessariamente uma transformação radical do sistema político. Alguns teóricos postularam a revolução violenta como único meio de alcançar a nova sociedade. Outros, como os social-democratas, consideraram que as transformações políticas deveriam se realizar de forma progressiva, sem ruptura do regime democrático, e dentro do sistema da economia capitalista ou de mercado.

Precursores e socialistas utópicos

Embora o socialismo seja um fenômeno específico da era industrial, distinguem-se precursores da luta pela emancipação social e igualdade em várias doutrinas e movimentos sociais do passado. Assim, as teorias de Platão em A república, as utopias renascentistas, como a de Thomas More, as rebeliões de escravos na Roma antiga, como a que foi liderada por Espártaco, o cristianismo comunitário primitivo e os movimentos camponeses da Idade Média e dos séculos XVI e XVII, como o dos seguidores de Jan Hus, são freqüentemente mencionados como antecedentes da luta pela igualdade social. Esse movimento começou a ser chamado de socialismo apenas no século XIX.

O primeiro precursor autêntico do socialismo moderno foi o revolucionário francês François-Noël Babeuf, que, inspirado nas idéias de Jean-Jacques Rousseau, tentou em 1796 subverter a nova ordem burguesa na França, por meio de um levante popular. Foi preso e condenado à morte na guilhotina.

A crescente degradação das condições de vida da classe operária motivou o surgimento dos diversos teóricos do chamado socialismo utópico, alguns dos quais tentaram, sem sucesso, criar comunidades e unidades econômicas baseadas em princípios socialistas de inspiração humanitária e religiosa.

Claude-Henri de Rouvroy, conde de Saint-Simon, afirmou que a aplicação do conhecimento científico e tecnológico à indústria inauguraria uma nova sociedade semelhante a uma fábrica gigantesca, na qual a exploração do homem pelo homem seria substituída pela administração coletiva. Considerava a propriedade privada incompatível com o novo sistema industrial, mas admitia certa desigualdade entre as classes e defendia uma reforma do cristianismo como forma de atingir a sociedade perfeita.

Outro teórico francês importante foi François-Marie-Charles Fourier, que tentou acabar com a coerção, a exploração e a monotonia do trabalho por meio da criação de falanstérios, pequenas comunidades igualitárias que não chegaram a prosperar. Da mesma forma, fracassaram as comunidades fundadas pelo socialista escocês Robert Owen.

Marxismo e anarquismo

O papel do proletariado como força revolucionária foi reconhecido pela primeira vez por Louis-Auguste Blanqui e Moses Hess.

Na metade do século XIX, separaram-se as duas vertentes do movimento socialista que polarizaram as discussões ideológicas: o marxismo e o anarquismo. Ao mesmo tempo, o movimento operário começava a adquirir força no Reino Unido, França e em outros países onde a industrialização progredia.

Contra as formas utópicas, humanitárias ou religiosas do socialismo, Karl Marx e Friedrich Engels propuseram o estabelecimento de bases científicas para a transformação da sociedade: o mundo nunca seria modificado somente por idéias e sentimentos generosos, mas sim por ação da história, movida pela luta de classes. Com base numa síntese entre a filosofia de Hegel, a economia clássica britânica e o socialismo francês, defenderam o uso da violência como único meio de estabelecer a ditadura do proletariado e assim atingir uma sociedade justa, igualitária e solidária. No Manifesto comunista, de 1848, os dois autores apresentaram o materialismo dialético com o qual diagnosticavam a decadência inevitável do sistema capitalista e prognosticavam a inexorável marcha dos acontecimentos rumo à revolução socialista.

As tendências anarquistas surgiram das graves dissensões internas da Associação Internacional dos Trabalhadores, ou I Internacional, fundada por Marx. Grupos pequeno-burgueses liderados por Pierre-Joseph Proudhon e anarquistas seguidores de Mikhail Bakunin não aceitaram a autoridade centralizadora de Marx.

Dividida, a I Internacional dissolveu-se em 1872, após o fracasso da Comuna de Paris, primeira tentativa revolucionária de implantação do socialismo.

O anarquismo contou com diversos teóricos de diferentes tendências, mas nunca se converteu num corpo dogmático de idéias, como o de Marx. Proudhon combateu o conceito de propriedade privada e afirmou que os bens adquiridos mediante a exploração da força de trabalho constituíam um roubo. Bakunin negou os próprios fundamentos do estado e da religião e criticou o autoritarismo do pensamento marxista. Piotr Kropotkin via na dissolução das instituições opressoras e na solidariedade o caminho para o que chamou de comunismo libertário.

II Internacional e a social-democracia

Depois da dissolução da I Internacional, os socialistas começaram a buscar vias legais para sua atuação política. Com base no incipiente movimento sindicalista de Berlim e da Saxônia, o pensador alemão Ferdinand Lassalle participou da fundação da União Geral Alemã de Operários, núcleo do que seria o primeiro dos partidos social-democratas que se espalharam depois por toda a Europa. Proibido em 1878, o Partido Social Democrata alemão suportou 12 anos de repressão e só voltou a disputar eleições em 1890. Em 1889, os partidos social-democratas europeus se reuniram para fundar a II Internacional Socialista. No ano seguinte, o 1º de maio foi proclamado dia internacional do trabalho, como parte da campanha pela jornada de oito horas.

Eduard Bernstein foi o principal ideólogo da corrente revisionista, que se opôs aos princípios marxistas do Programa de Erfurt adotado pelo Partido Social Democrata alemão em 1890. Bernstein repudiou os métodos revolucionários e negou a possibilidade da falência iminente do sistema capitalista prevista por Marx.

O Partido Social Democrata alemão cresceu extraordinariamente com essa política revisionista, e em 1911 já era a maior força política do país. A ala marxista revolucionária do socialismo alemão, representada por Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo, manteve-se minoritária até a divisão em 1918, que deu origem ao Partido Comunista Alemão.

Na França, o socialismo também se desenvolveu entre duas tendências opostas: a marxista revolucionária de Jules Guesde e a idealista radical de Jean Jaurès, que rejeitava o materialismo histórico de Marx. Em 1905 as duas correntes se unificaram na Seção Francesa da Internacional Operária e entraram em conflito com a linha anarco-sindicalista de Georges Sorel e com os líderes parlamentares que defendiam alianças com partidos burgueses.

No Reino Unido, a orientação do movimento socialista foi ditada pela tradição do sindicalismo, mais antiga. Os sindicatos foram reconhecidos em 1875 e cinco anos depois surgiu o primeiro grupo de ideologia socialista, a Sociedade Fabiana. Em 1893, fundou-se o Partido Trabalhista, que logo se converteu em importante força política, em contraposição a conservadores e liberais.

Na Rússia czarista, o Partido Social Democrata foi fundado em 1898, na clandestinidade, mas dividiu-se em 1903 entre o setor marxista revolucionário, dos bolcheviques, e o setor moderado, dos mencheviques. Liderados por Vladimir Lenin, os bolcheviques chegaram ao poder com a revolução de 1917.

Os partidos socialistas e social-democratas europeus foram os maiores responsáveis pela conquista de importantes direitos para a classe dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho, a melhoria nas condições de vida e de trabalho e o sufrágio universal. A II Internacional, no entanto, não resistiu à divisão promovida pela primeira guerra mundial e foi dissolvida. O Partido Social Democrata alemão, por exemplo, demonstrou dar mais importância ao nacionalismo do que aos interesses internacionalistas ao votar no Parlamento a favor dos créditos pedidos pelo governo para a guerra.

Dois fatores causaram a gradual redução do apoio popular ao socialismo nas décadas de 1920 e 1930: o sucesso da revolução russa, que fortaleceu o movimento comunista e atraiu numerosos trabalhadores em todo o mundo, e a implantação dos regimes fascista, na Itália, e nazista, na Alemanha.

Em 1945, depois da segunda guerra mundial, os partidos socialistas e social-democratas restabeleceram a II Internacional e abandonaram progressivamente os princípios do marxismo. Em diversos países europeus, como Bélgica, Países Baixos, Suécia, Noruega, República Federal da Alemanha, Áustria, Reino Unido, França e Espanha, os partidos socialistas chegaram a ter grande força política. Muitos deles passaram a se alternar no poder com partidos conservadores e a pôr em prática reformas sociais moderadas. Essa política tornou-se conhecida como welfare state, o estado de bem-estar, no qual as classes podem coexistir em harmonia e sem graves distorções sociais.

As idéias socialistas tiveram bastante aceitação em diversos países das áreas menos industrializadas do planeta. Na maioria dos casos, porém, o socialismo da periferia capitalista adotou práticas políticas muito afastadas do modelo europeu, com forte conteúdo nacionalista. Em alguns países árabes e africanos, os socialistas chegaram mesmo a se aliar a governos militares ou totalitários que adotavam um discurso nacionalista. Na América Latina, o movimento ganhou dimensão maior com a vitória da revolução de Cuba em 1959, mas o exemplo não se repetiu em outros países. No Chile, um violento golpe militar derrubou o governo socialista democrático de Salvador Allende em 1973.

Fim do "socialismo real"

Na última década do século XX chegou ao fim, de forma inesperada, abrupta e inexorável, o modelo socialista criado pela União Soviética. O próprio país, herdeiro do antigo império russo, deixou de existir. Nos anos que se seguiram, cientistas políticos das mais diversas tendências se dedicaram a estudar as causas e conseqüências de um fato histórico e político de tanta relevância. Dentre os fatores explicativos do fim do chamado "socialismo real" da União Soviética destacam-se a incapacidade do país de acompanhar a revolução tecnológica contemporânea, especialmente na área da informática, a ausência de práticas democráticas e a frustração das expectativas de progresso material da população. As explicações sobre o colapso da União Soviética abrangem os demais países do leste europeu que, apesar de suas especificidades, partilharam das mesmas carências.

A crise econômica mundial das duas últimas décadas do século XX, que teve papel preponderante no colapso da União Soviética, afetou também os países europeus de governo socialista ou social-democrata. Na França, Suécia, Itália e Espanha os partidos socialistas e social-democratas foram responsabilizados pelo aumento do desemprego e do custo de vida. Políticos e ideólogos neoliberais conservadores apressaram-se em declarar a morte do socialismo, enquanto os líderes socialistas tentavam redefinir suas linhas de atuação e encontrar caminhos alternativos para a execução das idéias socialistas e a preservação do estado de bem-estar social.

Socialismo no Brasil

Há evidências documentais de difusão de idéias socialistas no Brasil desde a primeira metade do século XIX. Essas posições, porém, se manifestavam sempre a partir de iniciativas individuais, sem agregar grupos capazes de formar associações com militância política.

O primeiro partido socialista brasileiro foi fundado em 1902, em São Paulo, sob a direção do imigrante italiano Alcebíades Bertollotti, que dirigia o jornal Avanti, vinculado ao Partido Socialista Italiano. No mesmo ano, fundou-se no Rio de Janeiro o Partido Socialista Coletivista, dirigido por Vicente de Sousa, professor do Colégio Pedro II, e Gustavo Lacerda, jornalista e fundador da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1906, foi criado o Partido Operário Independente, que chegou a fundar uma universidade popular, com a participação de Rocha Pombo, Manuel Bonfim, Pedro do Couto, Elísio de Carvalho, Domingos Ribeiro Filho, Frota Pessoa e José Veríssimo.

A circulação de idéias socialistas aumentou com a primeira guerra mundial, mas ainda era grande o isolamento dos grupos de esquerda. Em junho de 1916, Francisco Vieira da Silva, Toledo de Loiola, Alonso Costa e Mariano Garcia lançaram o manifesto do Partido Socialista Brasileiro. Em 1º de maio do ano seguinte, lançava-se o manifesto do Partido Socialista do Brasil, assinado por Nestor Peixoto de Oliveira, Isaac Izeckson e Murilo Araújo. Esse grupo defendeu a candidatura de Evaristo de Morais à Câmara dos Deputados e publicou dois jornais, Folha Nova e Tempos Novos, ambos de vida efêmera.

Em dezembro de 1919 surgiu no Rio de Janeiro a Liga Socialista, cujos membros passaram a publicar em 1921 a revista Clarté, com o apoio de Evaristo de Morais, Maurício de Lacerda, Nicanor do Nascimento, Agripino Nazaré, Leônidas de Resende, Pontes de Miranda e outros. O grupo estenderia sua influência a São Paulo, com Nereu Rangel Pestana, e a Recife, com Joaquim Pimenta. Em 1925 foi fundado um novo Partido Socialista do Brasil, também integrado pelo grupo de Evaristo de Morais.

A fundação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, e seu rápido crescimento sufocaram as dezenas de organizações anarquistas que na década anterior chegaram a realizar greves importantes. Pouco antes da revolução de 1930, Maurício de Lacerda organizou a Frente Unida das Esquerdas, de vida curta. Uma de suas finalidades foi a redação de um projeto de constituição socialista para o Brasil.

Proibida a atividade político-partidária durante a ditadura Vargas, o socialismo voltou a se desenvolver em 1945, com a criação da Esquerda Democrática, que em agosto de 1947 foi registrada na justiça eleitoral com o nome de Partido Socialista Brasileiro. Foi presidido por João Mangabeira, que se tornou ministro da Justiça na primeira metade da década de 1960, no governo de João Goulart.

Com o golpe militar de 1964, todos os partidos políticos foram dissolvidos e as organizações socialistas puderam atuar apenas na clandestinidade. A criação do bipartidarismo em 1965 permitiu que os políticos de esquerda moderada se abrigassem na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição consentida ao regime militar, ao lado de conservadores e liberais.

Na segunda metade da década de 1960 e ao longo da década de 1970, os socialistas, ao lado de outros setores de oposição ao regime militar, sofreram implacável perseguição. Professavam idéias socialistas a imensa maioria dos militantes de organizações armadas que deram combate ao regime militar. O lento processo de redemocratização iniciado pelo general Ernesto Geisel na segunda metade da década de 1970 deu seus primeiros frutos na década seguinte, quando os partidos socialistas puderam mais uma vez se organizar livremente e apresentar seus próprios candidatos a cargos eletivos.

Fonte: www.geocities.com

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