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Soyuz

Uma nave espacial soviética com
capacidade para três cosmonautas!


Nave Soyuz

Soyuzé uma nave espacial soviética com capacidade para três cosmonautas, usada no programa espacial de mesmo nome e em outros programas, e que é usada até hoje pela Rússia. A expressão também pode designar o programa e a família de foguetes Soyuz da URSS (hoje Rússia). A Soyuz é a espaçonave com maior período de uso na história da exploração espacial (o primeiro vôo tripulado foi em 1967).

Origem

A nave Soyuz tem sua origem no programa com o mesmo nome, desenvolvido pela extinta URSS, durante a corrida espacial pela conquista da Lua. Após a queda do comunismo, a nave passou a servir o programa espacial da Rússia (herdeira da URSS) e acabou sendo usada em parceria com o ex-rival, os EUA, nas operações com a Estação Espacial Internacional (ISS).

A nave Soyuz foi precedida pelas naves Vostok (com capacidade para um cosmonauta) e Voskhod (com capacidade para dois).

O principal objetivo do desenvolvimento da Soyuz era levar homens para a Lua, embora a URSS, depois de derrotada pelos EUA na corrida espacial pela Lua, jamais tenha admitido a existência destes planos.

A nave Soyuz adaptada para executar circunavegação da Lua, sem no entanto pousar no solo lunar, foi chamada Zond. A sua principal caraterística, em relação às outras naves consistia na substituição do módulo de reentrada por um módulo com vários instrumentos de medição.

A URSS tentou ao final da década de 1960, sem sucesso, circum-navegar com cosmonautas a Lua antes dos EUA. Tal fato não veio a ocorrer, devido a uma série de problemas com o programa espacial soviético.

Apenas missões Zond não tripuladas, Zond 5 e Zond 6, o fizeram em setembro e novembro de 1968. Após isto, ainda houve as missões não tripuladas Zond 7 e Zond 8 que circum-navegaram a Lua em 1969 e 1970, já após os bem sucedidos vôos tripulados dos EUA para a Lua.


Diagrama Soyuz

Versões da espaçonave

Durante o longo período de uso da Soyuz, diversas versões foram desenvolvidas para atender necessidades específicas.

As versões atuais são basicamente três: Soyuz T, Soyuz TM e Soyus TMA. A versão Soyuz T voou pela primeira vez em 1980 e, desde 1986, foi introduzida a versão "TM". Esta versão foi especialmente desenvolvida para enviar as tripulações da estação espacial MIR. As modificações incluem uma série de melhorias no projeto da nave e a introdução de controle de vôo computadorizado. A Soyuz TMA é a versão mais recente. Ela visa atender as necessidades das missões conjuntas EUA-Rússia: permite uma tripulação de altura mais alta (até 1,80m), possui um cockpit modernizado e um sistema de aterissagem melhorado que utiliza foguetes para amortecer o pouso. É também utilizada como "bote salva-vidas" da Estação Espacial Internacional (ISS).

Existe ainda uma versão não tripulada da Soyuz, chamada Progress, que consiste numa nave para envio de suprimentos, antes usada com a estação espacial MIR, e atualmente com a ISS. Com a suspensão dos vôos do Ônibus Espacial dos EUA, a Soyuz e a Progress são as únicas naves em operação que podem ser usadas para viagens até à ISS. A capacidade de carga da Progress é de 2,230 - 3,200 kg.

A China, recentemente, enviou seu primeiro taikonauta ao espaço, usando a nave Shenzhou, que é uma versão melhorada da Soyuz.

Foguete lançador e espaçonave

A espaçonave Soyuz é uma nave com capacidade para três cosmonautas em viagens prolongadas (pretendia-se que ela viajasse para a Lua) formada por três compartimentos: módulo de serviço; módulo orbital; e cápsula de reentrada (veja diagrama). No total, considerando todos os módulos, a nave mede cerca de 7,2 m de comprimento, com um diâmetro máximo de 2,7 m e 10,6 m de ponta a ponta dos painéis solares, pesando todo o conjunto, no lançamento, 7,1 ton. Suas dimensões e capacidades são similares à da nave Apollo que foi usada pelos EUA no Projeto Apollo.

Estes módulos da Soyuz podem se separar durante a missão. Este é, particularmente, o caso do módulo de reentrada, usado pelos cosmonautas, como o nome já indica, para a reentrada na atmosfera terrestre.

O módulo de reentrada da Soyuz, diferente do que aconteceu com o Projeto Apollo dos estadunidenses, não foi projetado para pousar na água, mas sim em terra firme. Sua precisão de acerto do ponto de pouso é de 30 km.

Os dispositivos de comunicação e controle, assim como os assentos dos tripulantes, ficam no módulo de reentrada. Os dispositivos de manutenção de vida ficam localizados no módulo orbital. Finalmente, no módulo de serviço localizam-se os motores para manobras, as antenas de comunicação e os painéis solares.

Na extremidade do módulo orbital, a Soyuz possui uma porta para acoplagem (usada para acoplar na MIR e na ISS, por exemplo).

A versão de carga Progress não possui esta construção modular, sendo totalmente inteiriça.


Soyuz TMA-3 e seu foguete lançador sendo transportados para a torre de lançamento

O foguete lançador da Soyuz e da Progress, chamado Soyuz, evoluiu do míssil balístico intercontinental Classe A (R.7 ou "Sputnik"), originalmente desenvolvido por Sergei Korolev. Desde o início dos anos 1960 até hoje, o veículo lançador Soyuz evoluiu em sua capacidade de lançamento, tendo sido desde o início o principal veículo para trabalho com a ISS.

O lançador Soyuz possui três estágios com um comprimento que vai de 44,3 m até 46,28 m, dependendo da configuração usada, e 10,5 m de diâmetro máximo. A combustão é obtida usado uma mistura de querosene e oxigênio líquido. O foguete pesa 308 ton quando totalmente cheio de combustível. O foguete é equipado com 6 motores com 4 câmaras de combustão cada, sendo 4 motores no primeiro estágio, 1 no segundo e mais 1 no terceiro.

Missões da Soyuz


Nave Soyuz acoplada na estação espacial MIR

Para uma tão bem sucedida espaçonave, não se esperaria um início tão problemático como o da Soyuz. Sua primeira missão tripulada ocorreu em 23 de abril de 1967, tendo a bordo um único cosmonauta, Vladimir Komarov. Esta missão foi chamada Soyuz 1.

Foi planejado que a Soyuz 1 fizesse um rendez-vous (encontro em órbita) com a Soyuz 2, que seria lançada no dia seguinte, e dois cosmonautas da Soyuz 2 passassem para a Soyuz 1 após um "passeio no espaço".

Devido a uma série de problemas técnicos, nada disto se realizou, e a planejada Soyuz 2 nem decolou. No final, a missão resultou na morte de Komarov na reentrada, pois seu pára-quedas não abriu e a nave se espedaçou contra o solo.

Este acidente atrasou o programa Soyuz por 18 meses. Neste período foram tentados lançamentos não tripulados para verificar a confiabilidade do equipamento.

As missões tripuladas foram retomadas em 26 de outubro de 1968, com o lançamento da Soyuz 3. No entanto, o programa espacial soviético já estava bastante atrasado, e não tinha mais condições de alcançar o programa espacial dos EUA. O cosmonauta desta missão era Georgi Beregovoi, e sua missão era acoplar com uma Soyuz não tripulada (que recebeu o nome de Soyuz 2). No entanto, por falha humana, a acoplagem não foi bem sucedida.

O primeiro acoplamento do programa espacial soviético só ocorreria com a Soyuz 4 - Soyuz 5, em janeiro de 1969. Nesta missão ocorreu a primeira transferência de tripulação da história da exploração espacial, onde dois cosmonautas da Soyuz 5, Yevgeny Khrunov e Aleksei Yeliseyev, trocaram de nave ("caminhando pelo espaço") e foram para a Soyuz 4, onde já estava o cosmonauta Vladimir Shatalov. Permaneceu na Soyuz 5 o cosmonauta Boris Volynov que acabou patrocinando a mais estranha reeentrada da história espacial, pois teve problemas para desacoplar o módulo de serviço na reentrada e a nave reentrou na atmosfera em uma posição não convencional. Também devido a problemas no sistema de foguetes de pouso, a descida foi mais dura que o normal e Volynov quebrou um dente na colisão com o solo.

Na década de 1960 ainda ocorreu a missão conjunta Soyuz 6, Soyuz 7 e Soyuz 8. A Soyuz 6 tirou fotos da tentativa de acoplamento das Soyuz 7 e Soyuz 8. O acoplamento falhou devido a um problema na eletrônica de rendez-vous das três naves.

A última missão Soyuz foi a Soyuz 9 em 1970.

O uso da nave Soyuz prosseguiu durante os anos 1970 e 1980, em um consistente conjunto de missões com objetivo de testar a capacidade humana em permanecer no espaço por longos períodos (projetos Salyut e Almaz). Este projeto culminaria com as missões Soyuz relacionadas com a estação espacial MIR. A primeira delas foi a Soyuz T-15, em março de 1986.

Também devemos lembrar a missão Soyuz 19 que acoplou com a Apollo 18 da Nasa (agência espacial dos EUA) em 1975.

Finalmente, nos dias de hoje a Soyuz é a única nave espacial que serve a Estação Espacial Internacional, tanto levando astronautas, quanto mantimentos (usando uma nave Progress).

Fonte: pt.wikipedia.org

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