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Classe TR-1700: Base para novos projectos

Alguns projectos alemães que foram desenvolvidos quase que propositadamente para outras marinhas, acabaram também tendo influência nos seguintes produtos que a industria naval alemã apresentou. Um deles foi o TR-1700 desenhado na Alemanha pelos estaleiros Thyssen no final dos anos 70 e com a construção iniciada em 1980 foi entregue à marinha da Argentina em 1984 e 1985, embora apenas dois dos seis inicialmente previstos tenham sido construidos..

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O TR-1700 introduziu o conceito do deck duplo num submarino com um casco com maior diâmetro. Notar também o estabilizador na vela, característica adoptada no U212

O TR-1700, é ainda hoje o maior submarino em operação na América do Sul, e a sua principal característica era na altura da sua concepção e mesmo quando entrou ao serviço, a capacidade de mergulhar a profundidades superiores a 300 metros. Os estudos que conduziram a atingir uma grande resistência do casco, foram posteriormente aproveitados nos desenvolvimentos mais recentes de submarinos alemães. O navio foi pensado para operações de patrulha, pelo que tem boas instalações para garantir a presença no mar durante períodos de até 70 dias. Também a sua tripulação de aproximadamente 30 militares, resultado da automatização também permite que o espaço a bordo seja considerado bastante bom para um submarino convencional de propulsão Diesel-Electrica.

O TR-1700 tem dois motores a Diesel que carregam baterias para alimentar o seu motor eléctrico de 6600kW que consegue fazer mover o submarino a velocidades de até 25 nós, o que o transforma num dos mais rápido submarinos convencionais existentes, podendo percorrer à velocidade de 8 nós, um total de quase 21.500Km.

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Sala de torpedos do TR-1700: Seis tubos em duas filas de três

O TR-1700 dispõe de seis tubos de torpedos, organizados em duas fileiras de três, exactamente como o U212, mas a mais importante característica do TR-1700, está numa novidade introduzida em submarinos alemães do pós guerra. Trata-se da estrutura interna em dois andares, que foi posteriormente utilizada no U212 e no T800/Dolphin.

Também foram introduzidos no TR-1700 os estabilizadores colocados na vela, configuração utilizada igualmente no U212.

Da análise da configuração interna do TR-1700 salta à vista a enorme dimensão da área reservada aos motores.Aliás a potência dos motores do TR-1700 faz dele um dos mais rápidos, se não o mais rápido dos submarinos convencionais em operação.

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Esquema interno do TR-1700. Notar o tamanho ocupado pela
área reservada aos motores (a vermelho)

Embora com apenas duas unidades produzidas (uma vez que as restantes foram canceladas devido à crise económica da Argentina, o TR-1700 é um submarino extremamente importante porque ele na sua configuração base a origem para projectos que mais tarde se vieram a mostrar como sucessos.

O primeiro navio da classe foi submetido a um complexo processo de modernização que foi efectuado pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, onde a marinha brasileira constrói os seus submarinos. Além de novos motores, foi igualmente substituído o Sonar.

Aparece o U212

Com o passar dos anos e considerando o fim de vida útil dos submarinos U206, mesmo pesando o facto de 12 das 18 unidades serem convertidas para um novo padrão, chamado de U206A a marinha alemã começou a pensar na necessidade da sua substituição.

Vários projectos foram considerados. Um deles, ainda nos anos 70, que se chamou U-208 foi abandonado por se considerar que a tecnologia de células de combustível estava num estágio muito atrasado para tornar viável a sua utilização e o projecto U-211, ultrapassou os custos previstos.

A especificação final para o novo submarino foi finalmente estabelecida em 1987 e ele seria conhecido como U212

O U212 no entanto, e ao contrário do seu antecessor U206-A, a especificação implicava não um submarino mais ou menos baseado num modelo anterior, mas sim concebido para responder a novas exigências da marinha da Alemanha, tendo em atenção o periodo da guerra fria.

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O submarino U-212, um dos mais sofisticados submarinos convencionais, beneficiou da cooperação entre estaleiros alemães e da junção de conceitos testados noutros submarinos

A especificação do U212 era para um navio que mantivesse as suas características de navio costeiro, adequado para as condições do mar Báltico, que era considerado a primeira linha de defesa marítima da Alemanha, tendo no entanto capacidade para se necessário operar em mar aberto, nomeadamente no oceano Atlântico.

A necessidade de conseguir desenhar um navio que tivesse capacidade para incluir os volumosos tanques de oxigénio necessários ao funcionamento do sistema AIP, levou a que se optasse por uma configuração de casco já utilizada anteriormente no submarino TR-1700 que foi vendido à Argentina, embora apenas duas das seis unidades previstas chegassem a ser entregues.

O U212, mostra claramente a influência do TR-1700, com a mesma configuração interna. Foram alteradas as linhas exteriores do submarino, com o objectivo de o tornar mais silencioso, e foi adaptada a parte posterior do navio, de forma a acomodar os tanques de Oxigénio fora da área pressurizada do navio.

Esta exigência de segurança, numa altura em que a tecnologia não era tão segura, levou ao desenho algo estranho da área pressurizada do U-212, que é inspirada no TR-1700 na parte da frente, mas que tem uma pequena secção conica a meio do navio, que liga a uma outra secção de menor diâmetro, em cima da qual (e fora da área pressurizada) foram colocados os tanques contendo um total de 15 toneladas de Oxigénio líquido.

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A linha amarela, mostra a área pressurizada dentro do U212. Esta foi a solução encontrada para responder às exigências de segurança, que na altura não podiam ser resolvidas de outra forma. Foi criado uma espécie de casco duplo na parte traseira do U212.

Em 1987, além da especificação, foi também determinado que seriam construidos 12 unidades deste submarino, cuja construção deveria estar concluida em 2005, com a entrega da última unidade.

Atrasos

As coisas porém não correram como previsto, e a continuação dos estudos resultou na identificação de vários problemas com o sistema de propulsão independente do ar, especialmente o motor de iman permanente e as células de combustível propriamente ditas.

O projecto esteve assim suspenso dos desenvolvimentos dos motores PEM e dos modulos de células de combustível desde 1987 até 1996, quando finalmente se conseguiu um sistema operacional. O atraso, levou a que se decidisse efectuar uma modernização de 12 dos 18 U206, convertendo-os para a versão U206-A.

Só por volta de 1996 o sistema foi finalmente declarado operacional, tendo-se resolvido grande parte dos problemas. Nesta altura, a marinha italiana que procurava um sucessor para a sua frota de submarinos, juntou-se ao projecto do U212, adquirindo os direitos de fabrico de duas unidades, com opção para mais duas.

O submarino U212 saído do periodo de maturação do projecto, aproveitou o tempo para incorporar sistemas mais recentes e aproveitar mesmo ensinamentos que decorreram da construção na Alemanha dos três submarinos do tipo 800, também conhecidos como Dolphin, para Israel.

Passou a ser conhecido como U212-A. Assim, a referência U212 diz respeito ao primeiro projecto, que nunca chegou a ser construido, tendo-se passado directamente para a produção do U212-A.

Apenas em 1998, já com todas as alterações incorporadas ao projecto é que o U212-A começou de facto a ser construido na versão definitiva.

O U212-A

Utilizando parte da configuração base do TR-1700, o U212-A foi relativamente encurtado e tem um diametro ligeiramente menor. A configuração da área para a tripulação e sala de torpedos também sofreu algumas alterações e o espaço para motores foi reduzido, dado os motores do U212-A ocuparem muito menos espaço que os motores do TR-1700.

A principal diferença do ponto de vista exterior, são as linhas muito hidrodinâmicas do U212-A, que devem permitir ao submarino deslizar na água, fazendo o menos ruido possível.

O novo sistema AIP, utiliza a primeira versão de módulos de células de combustível, e é constituido por nove módulos, com uma potência de 34kW cada um, o que soma um total de 306kW no total. Este sistema, pode ser ligado directamente a um motor electrico.

O U212-A também possui motores atmosféricos a Diesel, com os quais pode não só carregar as baterias, como também mover o submarino.

O U212-A pode deslocar-se a uma velocidade de até 8 nós, apenas utilizando a energia produzida pelas células de combustível, no entanto a autonomia do navio nestas condições será bastante reduzida, podendo no máximo aguentar alguns dias a esta velocidade até consumir todo o combustível (Oxigénio e Hidrogénio).

Sistemas electrónicos e segredos do sistema AIP.

Parece existir alguma confusão relativamente à sofisticação do U212-A e à possibilidade de este ter guardados alguns segredos que a Alemanha não divulga.

Na realidade, nada poderia estar mais longe da verdade. No que respeita ao sistema AIP com células de combustível, (um conceito estudado desde meados do século XIX) qualquer análise dos dados conhecidos e divulgados pela SIEMENS permite concluir que os modulos de células de combustível mais recentes, são bastante mais evoluidos. Só a miniaturização sería uma demonstração disso. As diferenças e vantagens de uns e de outros estão no capitulo relativo ao sistema AIP.

Já a electrónica a bordo dos navios depende não de "segredos de estado" mas dos sistemas que os vários clientes decidirem utilizar e da forma de harmonização e integração escolhida. Isto mede-se pelo sistema de combate ISUS-90 e pelos sub sistemas que ele vai controlar.

A sofisticação depende assim das exigências específicas de cada uma das marinhas, e a sofisticação dos navios pode-se por isso medir pelo seu custo unitário.

U212 Batch II ou U212-B

Começaram já os estudos para que o segundo lote de submarinos U212-A, que deverá ser conhecido como U212-B - dos quais a Alemanha já contratou a compra de duas unidades - seja equipado com novos armamentos, que poderão transformar o U212-B num dos mais sofisticados submarinos do mundo. Entre esses armamentos estão tubos de torpedos capazes de lançar mísseis de cruzeiro, capacidade para lançar mísseis anti-aéreos e a inclusão de um canhão de 20mm antiaéreo, que pode ser operado com o submarino em imersão a profundidade de periscópio.

Além disso estão em estudo vários sistemas que permitirão aos futuros U212-B a interligação com as novas fragatas da marinha da Alemanha e dos países da NATO, desenvolvendo o conceito de Network Centris Warfare, em que pelo menos em teoría, um U212-B pode disparar um míssil contra um navio que a tripulação não sabe onde está, mas que poderá ser guiado por um helicóptero que partiu de uma fragata a centenas de quilometros de distância.

Os sistemas electrónicos em estudo, tanto podem ser instalados a bordo de submarinos U212-B como a bordo de submarinos U214 e mesmo U209.

Classe 800 / Dolphin

O Dolphin, é um projecto de submarino envolvido ainda hoje em algum secretismo e em alguma contra-informação.

Quando o projecto Dolphin começou a tomar forma, por volta de 1988, os alemães estavam ainda a desenvolver o futuro substituto dos U206-A. Esse projecto era conhecido como U212, e a especificação pedia um submarino mais completo que o pequeno U206, mas também bastante mais complexo.

O projecto estava avançado no que respeitava às linhas e conceitos básicos, mas a exigência da utilização de um sistema alternativo de propulsão independente do ar, atrasou o projecto por várias razões, arriscando ultrapassar os custos como aconteceu com outros modelos.

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A necessidade de Israel de substituir os seus U206 (conhecidos como classe GAL) levou a que se desenvolvesse um submarino específico para as necessidades de Israel, que incluísse os desenvolvimentos técnicos possíveis e que, além de permitir a utilização de torpedos permitisse a utilização de mísseis anti-navio.

Inicialmente, esse submarino seria construído nos Estados Unidos, com financiamento por parte do programa americano de assistência militar a países estrangeiros que apoia uma parte das despesas militares de Israel.

No entanto, mesmo antes de se assinar o contrato de aquisição dos submarinos, Israel cancelou o contrato. O cancelamento do contrato, que previa a contratação de estaleiros e empresas alemãs para o fabrico dos seus componentes, gerou uma onda de choque na industria naval alemã, que se encontrava em crise. Com o U212 «encalhado» com problemas de desenvolvimento, não havia nenhum projecto na calha para entrar em produção. Este lapso de tempo de alguns anos até à entrada em construção do U212, poderia ser fatal para a industria alemã.

Por esta razão, os alemães acabaram financiando o projecto, para manter em funcionamento os estaleiros e garantir um futuro para o U212 e restantes construções alemãs. A proposta feita a Israel foi irrecusável, e os submarinos acabaram por ficar praticamente de graça para Israel, tendo ao mesmo tempo permitido à industria alemã afinar arestas, onde fosse possível utilizar o Dolphin, como plataforma de ensaios para alguns sistemas e soluções do U212.

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O Dolphin aproveitou não só a estrutura interna do TR-1700 como parte da electrónica desenvolvida para o U212, embora não tenha incorporado todos os desenvolvimentos entre os quais estavam o sistema AIP. Notar nesta foto o estabilizador colocado no casco, característica também adoptada no U214

O Dolphin está equipado com três motores a Diesel 16V 396 SE 84, com uma potência total de 4.243cv, ligados a três alternadores e pode atingir uma velocidade máxima de 20 nós em imersão.

As dimensões do navio também são diferentes conforme as origens. No entanto, uma análise visual das proporções do navio, diz que ele não é muito maior que o U212 alemão - provavelmente 1.5M mais longo- e que portanto o seu deslocamento submerso deverá ser marginalmente superior

As linhas do Dolphin, e a sua configuração interna são influenciadas pelo tipo de configuração interna com dois andares do TR-1700, com as alterações hidrodinâmicas já estudadas para o U212. Esta configuração, permite ao Dolphin a instalação não só dos seis tubos para lançamento de torpedos  DM2A3 mas também permite a colocação de quatro tubos adicionais, para torpedos de calibre 650mm. No entanto a restante configuração é idêntica à do U209.

Os tubos adicionais estão no centro de uma quantidade de rumores não confirmados, de que os quatro tubos adicionais (característica exclusiva dos Dolphin) podem permitir o lançamento de mísseis de cruzeiro, eventualmente equipados com uma ogiva nuclear.
Os tubos maiores estão instalados dois em cada extremo, com os tubos mais pequenos ao centro, o que faz com que os tubos maiores sejam visíveis em imagens laterais.

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A sala de torpedos do Dolphin, onde se podem identificar os 10 tubos. Os tubos de maior diâmetro (nas extremidades) estão ligeiramente recuados quando em comparação com os seis tubos centrais.

A ser verdade, o Dolphin seria uma arma de importância estratégica.

No entanto, nem tudo são boas noticias para o utilizador. O Dolphin, tem forçosamente menos espaço disponível, o que leva a que algumas das suas performances sejam inferiores a outros submarinos.

Os dados internacionalmente publicados são divergentes, porém várias fontes apontam para o Dolphin uma autonomia muito menor que a inicialmente indicada, bem assim como uma menor profundidade máxima de mergulho, que se é indicada em até 350M por algumas fontes, é referida como de 250 por outras.

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