Embora muito se fale sobre o ataque dos submarinos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, o primeiro torpedeamento confirmado, em águas que costeavam o Brasil, coube a um submarino italiano.
Em 25 de fevereiro de 1942 o submarino italiano Tazzoli torpedeou o cargueiro inglês Queen City, ao largo da costa do Maranhão, dando início a uma série de ataques.
Outras atividades dos submarinos italianos, que causaram afundamentos na costa brasileira , também foram registrados.
Barbarigo (Afonso Pena, Chalbury, Monte Igueldo, StagHound).
Calvi (Backis, Bem Brush, Eugene V. R. Thayer, Stavanca Calcuta, ).
Tazzoli (Dona Aurora, Empire hawk, Ombilim).

Dados Técnicos do Submarino
Arquimede
| Deslocamento |
Medidas
|
Velocidade |
Armas
|
Tripulação
|
| 1.231 T. |
Comprimento:
76,76 m. Boca: 6,76 m. Altura: 9,40 m |
--- |
16 Torpedos
2 metralhadoras de 39 polegadas e 2 de 13 mm. 6 tubos lança torpedo. |
40 - 52 |
Comandante: Capitão de Corveta Guido Sacardo.
Nacionalidade: italiano
Ações anteriores no Brasil: nenhum ataque.
Ato de Guerra: Trazia 16 torpedos e ordem para voltar a base ao ter usado. Atacado por dois aviões Catalina: 83-P-12 e 83-P-5 durante a 2ª grande guerra.
No dia 15, as equipes dos Esquadrões VP-83 e VP-94, da base em Natal, voavam a 7.300 pés, à cerca de 350 milhas da base, quando avistou um submarino na superfície.
O piloto manteve o curso e a altitude, a uma milha o submarino abriu fogo. O avião iniciou o bombardeio a 6.000 pés, deixando cair duas bombas Mark-44 a 2.000 pés, num ângulo do alvo de 45 graus (manobra típica para atáques pela ré).
As bombas explodiram a bombordo, junto ao submarino Em outro ataque duas outras bombas, explodiram a estibordo. Durante todo o ataque o submarino manteve as antiaéreas funcionando. O submarino rodopiava na superfície, deixando uma faixa de óleo e muita fumaça; 15 minutos depois o submarino retomou a marcha.
Foi feito contato com outro avião (83-P-12), Ao avistar o submarino, já parcialmente submerso, iniciou o ataque lançando quatro bombas de profundidade Mark-44, o fogo anti-aéreo continuava.
Após as explosões, em meio a uma grande mancha de óleo, o submarino foi afundou lentamente de popa. Na superfície, se debatiam aproximadamente trinta sobreviventes.
Atacante: aviões Catalina: 83-P-12 e 83-P-5 base aérea de natal.
Localização: A cerca de 115 milhas a leste de Fernando de Noronha. Em Alto Mar.
Latitude: 3º 23' N.
Longitude: 30º 28' W.
Os submarinos do tipo VII C foram muito utilizados durante a primeira fase da guerra no mar, sendo empregados em uma vasta gama de ações. Devido a seu curto raio de ação, limitou sua atuação ao litoral norte do Brasil, onde fez diversas presas, causando muitas perdas ao países aliados.
| Deslocamento |
Medidas
|
Velocidade |
Armas
|
Tripulação
|
| 769 T. na
superfície 871 T. submerso 1.070 T. total |
Compr.:
67,10 m. Boca: 6,20 m. Altura: 9,60 m. |
17,7 nós
na superfície 7,6 nós submerso |
14 Torpedos
26 minas |
44 - 52 |
Relação dos submarinos do tipo VII C
Comandante: Capitão OBLT Werner Kruer
Ações anteriores no Brasil: Pelotaslóide (PA).
Nacionalidade: alemã
Ato de Guerra: Decolando da base aérea de Belém um Catalina PBY-3, do Esquadrão PV-94, patrulhava a região norte do nosso litoral. A 200 milhas ao largo do Amapá, foi avistado um submarino em início de submersão.
O U-boat submergiu e desapareceu por cerca de 1 hora, após o que foi avistado imóvel, na superfície.
O Catalina mergulhou violentamente soltando suas bombas poucos metros acima do submarino.
O U-boat foi atingido em cheio, afundando rapidamente. Só restou na superície alguns destroços e 5 homens que gritavam desesperadamente, 3 dos quais afogaram-se.
Várias balsas foram lançadas, onde os 2 náufragos agarraram-se, Horas mais tarde foram recolhidos por um navio e levados ao Estados Unidos para interrogatório.

Atacante: Catalina PBY-3, Esquadrão PV-94
Localização: Ao largo do litoral do Amapá. Alto Mar
Latitude: 3º 22' S.
Longitude: 48º 38 ' W.
Comandante: Capitão Ziesmer
Ações anteriores no Brasil: 5 ataques registrados, porém de identificação desconhecida.
Nacionalidade: alemã
Ato de Guerra: Um avião Ventura do Esquadrão VP-127 decolou da base aérea de Fortaleza na manhã do dia 30, para dar cobertura do comboio TJ-2 (Trinidad / Rio de Janeiro). As 12:30 horas, a cerca de 16 milhas ao largo de Recife, foi avistado 12 milhas na frente, a esteira de um submarino.
Rapidamente o Ventura mergulhou surpreendendo o U-boat na superfície. Os tripulantes trabalhavam pintando o convés e não reagirão com antiaérea ao ataque. Foram lançadas 6 bombas MK-44 e uma das bombas caiu diretamente sobre o convés.
O submarino iniciou uma navegação, porém logo ficou imóvel e começou afundar de proa; a popa emergiu abruptamente e em seguida mergulhou.
O submarino afundou em menos de 3 minutos sem deixar sinais. Muitos minutos depois apareceu uma grande mancha de óleo. O USS Saucy recolheu 28 sobreviventes, inclusive o comandante Capitão Ziesmer levados para os Estados Unidos para interrogatório.
Atacante: Avião Ventura do Esquadrão VP-127
Localização: A cerca de 33 milhas da costa de Recife PE. Alto Mar
Latitude: 8º 36' N.
Longitude: 34º 34' W.
Comandante: Capitão Tenente Gottfried Holtorf.
Ações anteriores no Brasil: 2 ataques registrados, porém de identificação desconhecida.
Nacionalidade: alemã
Ato de Guerra: Durante uma patrulha de rotina um Mariner da base aérea de Natal (RN.) localizou a presença do submarino na superfície.
Iniciando o ataque o Mariner, pilotado pelo capitão Baldwin, lançou várias bombas, algumas atingiram o convés, e mesmo sem explodir, inutilizaram o equipamento rádio, emperraram o leme de profundidade e danificaram o tanque de óleo e o de água, tornando-o incapaz de mergulhar.
Uma das explosões elevou da superfície o submarino, que imediatamente começou a vazar óleo. As armas antiaéreas do U-boat continuavam a atirar, apesar do fogo do avião.
O primeiro Mariner, estabeleceu contato pelo rádio com outro Mariner, o 107-B6, e permaneceu sobrevoando a área do submarino. O avião pilotado pelo capitão Waugh mergulhou para atacar o U-boat lançando suas bombas de cerca de 20 metros. Infelizmente as explosões muito próximas, causaram o desequilíbrio da aeronave que descontrolada mergulhou no mar, matando todos os seus ocupantes.
Com a chegada do terceiro avião, o capitão Gottfried Haltorf do U-boat, ordenou o abandono do submarino.
O avião, o 107-B 12, realizou o último ataque; foram lançados 6 bombas, que explodiram junto a torre de comando. O submarino afundou rapidamente, deixando atrás de sí muitos destroços e uma grande mancha de óleo. Metade da tripulação, segundo relatos posteriores, ficou presa no convés inferior, porém vários tripulantes foram avistados a bordo de 2 balsas e nadando na água.
Um dos barcos de borracha, com 7 sobreviventes a bordo, foi levado pela correnteza e se perdeu; o segundo emborcou e somente dois homens, um oficial e um marinheiro, conseguiram salvar-se nadando por mais de 13 horas, quando um avião lhes lançou outra balsa. Em seguida foram recolhidos pelo USS. Seneca que os levou para a base de Recife e posteriormente para os Estados Unidos para interrogatório.
Atacante: Avião VB-107 B 12, 2 Mariners 107-B6 e 107-B8
Localização: Cabo de São Roque. 60 milhas do litoral de Natal. Touros
Latitude: 4º 5'S.
Longitude: 33º 23' W.
Comandante: Capitão OBLT Heinz- Eberhard Muller.
Ações anteriores no Brasil: 3 ataques registrados, porém de identificação desconhecida.
Nacionalidade: alemã
Ato de Guerra: O Catalina 94-P-4 decolou da Base de Belém, para dar cobertura ao comboio T3-2, três horas e meia depois, um submarino foi avistado na superfície a 4 milhas de distância.
O capitão preparou o ataque direcionando o avião ao U-boat; percebendo a aproximação do avião; o submarino iniciou um intenso fogo antiaéreo, que atingiu severamente o Catalina ferindo o radiotelegrafista. e iniciou um pique raso. O fogo do submarino se manteve persistente, formando uma barragem violenta. Várias granadas explodiram ao impacto com o avião, o estabilizador vertical foi atingido na base, bem assim a cantoneira exterior do casco da estação de radiotelegrafia, quando o avião ainda se encontrava a uma milha de seu objetivo.
Com um mergulho o Catalina lançou suas bombas junto ao submarino. Elas atingiram em cheio o casco a bombordo; da torre. de manobras e à frente da proa do submarino.
O submarino parou os movimentos e a proa emergiu embicada para cima envolta em fumaça, poucos minutos depois, o submarino afundou de popa deixando atrás de siuma mancha de óleo.
Em poucos minutos quatro tripulantes, inclusive o capitão, surgiram na superfície. O Catalina lançou balsas, para onde nadaram os sobreviventes, estes, derivaram por muitos dias sem água ou comida, causando problemas físicos e mentais nos três tripulantes que sobreviveram, até que finalmente foram recolhidos pelo navio USS Siren e levados aos Estados Unidos para interrogatório.
O catalina, bastante avariado pelo fogo anti-aéreo, com problemas hidráulicos e de comunicação pelo rádio, conseguiu retornar a base.
Atacante: Avião Catalina VP-94
Localização: Ao largo do litoral. Amapá
Latitude: 3º 56' S.
Longitude: 48º 46' W.
Fonte: www.naufragiosdobrasil.com.br
INTRODUÇÃO
A Força de Submarinos (ForS) tem uma longa tradição na Marinha do Brasil, tendo sido criada em 17 de julho de 1914 como Flotilha de Submersíveis, há 90 anos.
Seus primeiros meios foram três submersíveis da Classe Foca, da Itália, introduzidos em 1914, porém encomendados pelo Programa Naval em 1906. Antes disso, porém, o Peru iniciou sua Força em 1911 com 2 submersíveis adquiridos na França.
Entretanto, o Brasil manteve-se somente como operador de projetos de terceiros até os anos 1980, quando decidiu estabelecer uma estratégia para, a longo prazo, tornar-se projetista e construtor de seus próprios submarinos.

Quatro Submarinos da Classe Tupi da ForS da MB, saindo da Baía
de Guanabara.
A tecnologia de construção de submarinos militares sempre foi restrita a poucos países que os projetavam e construíam. Com o tempo, outras nações conseguiram evoluir e construir submarinos a partir de projetos fornecidos pelos primeiros, como foi o caso do Brasil.
Mas esse não é um mundo fácil de sobreviver. Até mesmo países tradicionais construtores de submarinos terminaram seus programas, devido aos crescentes custos de desenvolvimento e aquisição desses novos sistemas de armas a cada geração e também às mudanças das ameaças.
Enquanto que outros aprenderam com o tempo e hoje passam a despontar para o futuro. Este já é o caso do Brasil.

Submarinos S-33 Tapajó e S-34 Tikuna no AMRJ.
O Brasil já teve 2 fases como construtor de submarinos. Na primeira delas, produziu 3 IKL-209-1400 de 1.450 ton no AMRJ (o primeiro dos 4 da classe na MB, o Tupi, foi produzido na Alemanha), e a segunda fase foi concluída em dezembro de 2005 com o Tikuna, um IKL-209 melhorado (209-1500).
Parte agora para a terceira fase, com a construção do ESTALEIRO ITAGUAÍ (DCNS/Odebrecht), dedicado a submarinos na área de Itaguaí, Região Metropolitana do Rio. Veja detalhes no PROSUB (9 Mb em pdf).
Lá serão produzidos 4 submarinos de propulsão convencional e 1 submarino de propulsão atômica. Esses futuros submarinos brasileiros passaram a ser chamados de SBR (Submarino Brasileiro) e SNBR (Submarino Nuclear Brasileiro). Os SBR não terão AIP porque vão operar em bases de desdobramento que não contam com suporte para este tipo de equipamento.
O SBR não será nem o Scorpène (modelo desenvolvido em conjunto com a espanhola Navantia) e nem o Marlin (basicamente, um Scorpène 100% francês), e sim um novo modelo com especificações da Marinha Brasileira.
Para construir os 5 submarinos, sendo 4 convencionais SBR, serão gastos € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões. Isso representará € 820 milhões, ou US$ 1,144 bilhão em média por cada submarino francês. Uma conta rápida de US$ 1,8 bilhão para o SNBR levaria cada SBR a custar US$ 980 milhões.

Lançamento do S-34 SB Tikuna.
Essa terceira fase de construção faz parte de uma reviravolta. Serão agora 4 submarinos SBR, da DCNS francesa com especificações brasileiras. Antes, estava planejada a construção de IKL-214 de 1.700 ton também sem AIP. Entretanto, em 2008, o governo brasileiro mudado radicalmente em direção aos franceses, de olho na quarta fase.
A quarta fase deverá ser a de um SSN conhecido como Submarino Nuclear Brasileiro, o tão falado SNB, agora chamado de SNBR, de projeto francês.
Em novembro de 2006, tal projeto havia sido adiado por prazo indeterminado, e em julho de 2007 foi noticiada a intenção de sua retomada pelo próprio Presidente Lula.
Em 10 de julho de 2007, o Presidente Lula anunciou em Iperó (SP) a destinação de R$ 1,040 bilhão para a conclusão do projeto nuclear da Marinha, dirigido à propulsão do submarino e também à geração de energia comercial. Só falta agora o retorno do projeto do SNB.
O ministro da Defesa anunciara em 22 de setembro de 2008 que um acordo prevendo a construção de submarinos seria assinado em dezembro com a França. Nelson Jobim disse que o contrato seria de 5 submarinos de ataque, incluindo um destinado a ser dotado de propulsão nuclear. De fato, o contrato de € 4,1 bilhões ou US$ 5,720 bilhões foi mesmo assinado em 23 de dezembro, como prometido.
A DCNS não intervirá, contudo, além das partes não nucleares desse navio, que será o primeiro submarino nuclear de ataque brasileiro (desprovido de armas estratégicas). Uma opção ainda aberta é de o Brasil adquirir um SNA Barracuda pronto.
As primeiras construções, dos submarinos convencionais, serão do tipo SBR e uma parcela do trabalho poderá ser feita na França, de acordo com autoridades brasileiras. Uma transferência de tecnologia ocorrerá, em seguida, junto aos estaleiros locais.
Todos os SBR serão nuclearizáveis, ou seja, bastará mais à frente retirar o motor diesel e as baterias, e alongar o submarino através da adição de uma nova seção com o futuro reator.
Um grande obstáculo para a transferência de tecnologia ao Brasil é a falta de mão-de-obra especializda. Os franceses irão colaborar na formação de técnicos brasileiros, dada a obrigação contratual de transferir parte da tecnologia. A FIESP também estará investindo junto com o SENAI para formar esta mão-de-obra.
Os projetos dos SBR e do SNBR serão totalmente acompanhado pelos técnicos brasileiros desde o inicio, passando pelas etapas de projeto, construção, teste e aprovação. As especificções serão fornecidas pela MB.
Com tal processo, a MB não estará adquirindo 4+1 submarinos, estará pagando para aprender a especificar, projetar e construir os submarinos brasileiros com seus mais de 36.000 itens, espalhando benefícios econômicos e sociais por toda nossa indústria a longo prazo.
PRIMEIRA FASE
Esse pode vir a ser o caso também do Brasil, que teve, em uma primeira fase como construtor, uma bem sucedida estratégia de aquisição de tecnologia junto à Alemanha com a construção dos seus 4 submarinos convencionais IKL-209-1400, da Classe TUPI (2), com características para emprego no litoral.

Submarinos da Classe Tupi S-31 Tamoio e S-32 Timbira.
Até hoje a OTAN tenta compreender o que aconteceu para seus navios
e NAe terem sido "afundados" em exercícios com esses dois
acima.
O primeiro deles foi produzido na Alemanha pelo Estaleiro Alemão Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW) e comissionado em 1989. Os outros 3 foram totalmente construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), o qual obteve absoluto sucesso na empreitada, formando ainda excelente mão-de-obra especializada para a produção e gerenciamento de seu programa de construção.
SEGUNDA FASE
Na segunda fase do processo como construtor, tendo desenvolvido capacidades próprias, o Brasil iniciou em 1991 no AMRJ a construção de um outro submarino ainda de uso no litoral, o S-34 SB TIKUNA (2 3), um Tupi aperfeiçoado no País (IKL-209-1500), que foi comissionado em 16 de dezembro de 2005.
Lançamento do S-34 SB Tikuna no AMRJ do Rio de Janeiro, em
9 de março de 2005.
O Tikuna trouxe diversas novas tecnologias desenvolvidas pela própria MB, como na redução dos níveis de ruído e de exposição durante a recarga de baterias.

Presidente Lula e D. Marisa conhecendo o Tikuna.
Conta ainda com evolução na geração de energia, sistema de direção de tiro e sensores. Além disso, deverá utilizar mísseis antinavio e anti-helicóptero no estado da arte.

Submarino S-34 Tikuna em Santos em 6 de maio de 2006.

Submarino S-34 Tikuna em Santos, em 6 de maio de 2006. Atenção
à Fortaleza
da Barra Grande, que teve importante papel no conjunto de defesa instalado
no
canal de acesso à Baía de Santos, na época das invasões
piratas.
Ela está situada na Ilha de Santo Amaro (Guarujá).
Nesta segunda fase do processo como construtor, podemos incluir a modernização da frota da ForS que, em 2008, era composta de 5 submarinos, sendo 4 IKL-209-1400, da Classe Tupi.