A recente visita do submarino Salvatore Todaro (S 526) da Marinha Italiana à Estação Naval de Mayport (EUA) marcou um feito histórico, conforme noticiado neste Blog: pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, um submarino italiano atravessou o Oceano Atlântico.
As travessias de mais de 60 anos atrás tinham como objetivo atacar rotas mercantes. Desta vez, a visita foi para exercícios conjuntos.

A recente visita do submarino Salvatore Todaro (S 526) da Marinha Italiana à Estação Naval de Mayport (EUA) marcou um feito histórico, conforme noticiado neste Blog: pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, um submarino italiano atravessou o Oceano Atlântico.
As travessias de mais de 60 anos atrás tinham como objetivo atacar rotas mercantes. Desta vez, a visita foi para exercícios conjuntos.
Mas houve outra travessia histórica do Atlântico por parte de um submarino de origem italiana e o destino, naquela oportunidade, era o Brasil.
Construído na Itália com recursos provenientes da venda do encouraçado guarda-costas Deodoro para o México, o submarino Humaytá, da classe Balilla, deixou La Spezia em 25 de junho de 1929, guarnecido por tripulação brasileira.
Chegou ao Rio de Janeiro em 18 de julho tendo percorrido, sem escalas, cerca de 5.100 milhas náuticas. Mais do que uma façanha, foi um recorde para a época.

As manobras de hoje do S 526 com a US Navy também têm um precedente histórico de grande importância, no que se refere a exercícios entre submarinos de origem italiana e navios norte-americanos deste lado do Atlântico.
Uma história em que a Marinha do Brasil também teve seu papel.
Tanto o Humaytá quanto as três unidades que a ele se juntaram na Flotilha de Submarinos da MB ao final dos anos 30, o Tupy, o Tymbira e o Tamoyo (Classe Perla, construídos na Itália), cumpriram uma função de grande importância na II GM: por sua similaridade com os submarinos do Eixo, contribuíram de maneira fundamental para treinamento ASW das forças navais e aeronavais aliadas, em exercícios freqüentes a partir das bases de Salvador, Recife e Rio de Janeiro.
Essa participação foi elogiada em carta do Comandante das Forças Navais do Atlântico Sul, Vice-Almirante Jonas Howard Ingram, ao Ministro da Marinha.
Tragicamente, numa dessas missões faleceu o comandante do Tymbira, capitão-de-corveta Aristides Francisco Garnier, atingido por uma bomba de exercício que se desprendeu por acidente de um Vultee Vengeance da FAB.

Fotos: Salvatore Todaro (S 526) em Mayport – USN/Jeff Myers;
Humaytá no RJ – SDM via NGB; Tupy, Tamoyo e Tymbira em La Spezia
– coleção E. Lucas via NGB
Fonte: www.naval.com.br
Ao que se sabe ao certo, o primeiro aparelho capaz de mergulhar e manobrar debaixo de água, embora de forma rudimentar, foi construído em 1620, na Inglaterra, pelo holandês Cornelius Van Drebbel (1572 - 1624). Mas esse aparelho e os que se seguiram eram apenas curiosidades.
A revolução americana e a Guerra Civil levaram ao desenvolvimento de submersíveis mais avançados. Um dos inventores da época, o norteamericano Robert Fulton (1765 - 1815), construiu em 1800 um submarino com forma de charuto, como os atuais, com razoável autonomia de viagem e um sistema de retenção do ar. O nome desse submarino era precisamente Nautilus.
Depois de Fulton, são incontáveis os submarinos a que foi dado o mesmo nome. Não apenas por tradição. É a homenagem a um antepassado dos modernos submarinos. Um antepassado que os antecedeu em qualquer coisa como 650 milhões de anos...
O náutilo que inspirou os submarinos é um animal marinho que vive a cerca de 600 metros de profundidade e que todas as noites sobe a menos de 100 metros à procura de comida.
Enquanto outros animais morreriam com a mudança de pressão, o náutilo suporta-a sem difi culdades. Pode até viver em águas pouco profundas, em um aquário, desde que a temperatura não suba acima dos 27 graus.
“ Em Vinte Mil Léguas Submarinas, romance sempre atual, Júlio Verne descreve o submersível Nautilus, construído pelo prodigioso capitão Nemo. Mas ainda antes do livro de Verne, escrito em 1870, foram construídos vários submersíveis com esse mesmo nome. “
Os náutilos são moluscos muito curiosos. reinaram no paleozoico, competindo com outros invertebrados e com as trilobites. Sobreviveram até a atualidade, com seis espécies que povoam as águas tropicais do Pacífico e do Índico.
Da classe dos cefalópodes, semelhantes aos polvos e às lulas, com uma cabeça grande, olhos desenvolvidos e múltiplos tentáculos em torno da boca, têm concha externa, dividida em câmaras. Quando partida longitudinalmente, a concha revela um crescimento espiral muito curioso, com separações entre o que parecem ser compartimentos estanques.

O segredo da capacidade de adaptação dos náutilos às diversas profundidades está precisamente nessas câmaras, que o animal vai construindo ao longo da vida.
Enquanto cresce, constrói um prolongamento da concha para conter o corpo e abandona, mas deixa uma comunicação com as sucessivas câmaras através de um tubo (sifúnculo) por onde controla a passagem de um líquido que enche parte das câmaras. Outra parte é preenchida com gás.
Para se deslocar, o náutilo recorre a um processo mecânico, expelindo água. Atingindo determinada profundidade, para flutuar em equilíbrio tem que ter o peso exatamente igual ao do seu volume em água.
É o princípio de Arquimedes. Se tiver de se adaptar a profundidades maiores, tem de que tornar mais pesado, o que consegue bombeando líquido nas câmaras através do sifúnculo. O gás aí existente é comprimido e passa a ocupar menor espaço.
O peso do náutilo aumenta até que a sua maior densidade equilibra a também maior densidade da água. Para se adaptar a profundidades menores, basta ao náutilo expelir água e deixar que o ar nas câmaras se descomprima.
Os modernos submarinos seguem este princípio e movem-se para cima e para baixo comprimindo e descomprimindo o ar das suas câmaras. Inspiraram-se neste animal fabuloso. É justo que honrem o seu nome.
Fonte: www.fariasbrito.com.br