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Suíça

 

Locais Turísticos

Terceira indústria de exportação

Uma tradicional fonte de receita suíça é o turismo, embora, nos dias atuais, suíços que viajam para o exterior gastam quase tanto quanto os estrangeiros que visitam o país.

O saldo, entretanto, se mantém positivo. O turismo que é a terceira maior indústria suíça, emprega 250.000 pessoas, ficando atrás, apenas, dos setores metalúrgico, engenharia e produção farmacêutica.

Suíça
Os Alpes suíços são a maior atração turística para os visitantes.

Origens prematuras

O Turismo, como tal, começou no século XIX. Mas já nos primeiros anos do século XVII relatos simples ou literários das pitorescas belezas naturais suíças atraíam elites intelectuais do exterior.

No início, o turismo era apenas uma atividade estival. No inverno, as pesadas nevascas impediam bastante as viagens. Foram, no entanto, as atividades desportivas de inverno - em grande parte fomentadas pelo pioneirismo dos britânicos, no final do século XIX - que lançaram a moda das férias invernais. Hoje, a temporada de baixa estação abrange apenas algumas curtas semanas da primavera e do outono.

Curtas pausas

Na atualidade, há temporadas de inverno e de verão, bem como temporadas 'bi-sazonais', complementadas com spas (balneários) e congressos turísticos.

A tendência mais recente, depois de "férias ativas", é o turismo de bem-estar - uma combinação de descanso com banhos termais, tratamentos de beleza e treinamento físico - reunindo todas essas atividades em um hotel ou um grupo de centros turísticos.

Tornam-se igualmente muito populares viagens curtas a cidades ou, para a população suíça, as jornadas de um dia ou excursões de fim de semana. São opções que favorecem viagens ferroviárias pelas montanhas, passeios de barco nos lagos e restaurantes alpinos, em prejuízo da tradicional indústria hoteleira.

Por todo o país

Não há nenhuma região da Suíça que não aspire a exercer algum tipo de atração turística. Trata-se de resorts alpinos, com montanhismo no verão e esqui no inverno, ao lado de inúmeros resorts às margens dos lagos, que oferecem esportes aquáticos. Muitas cidades suíças se constituem em estâncias para férias. Há, finalmente, incontáveis locais em áreas rurais que oferecem forma menos radicais de turismo, como as montanhas do Jura, na fronteira com a França.

Numerosas regiões turísticas montam um conjunto de eventos e atividades para atrair visitantes. As grandes cidades, muitas situadas às margens de grandes lagos, oferecem condições para realização de congressos, visitas a museus e convenções de negócios.

A promoção da Suíça como destino turístico é de total responsabilidade da Switzerland Tourism (www.myswitzerland.com).

De modo geral, a Suíça enfrenta, atualmente, maior concorrência, de outros destinos turísticos. Os gastos do Estado na promoção turística permanecem, porém, relativamente modestos. A Switzerland Tourism está agora tentando atrair mercados como Índia e China, países onde têm aumentado o número de ricos.

Transportes

Suíça
A maior parte do território suíço está coberto pelas Ferrovias Federais.

Redes

Embora muitos suíços sejam fanáticos por automóveis, eles usam o trem mais freqüentemente do que em qualquer outro lugar do mundo, exceto no Japão. A infra-estrutura do transporte público cobre todo o país.

Hoje há praticamente um carro para cada dois suíços, seja homem, mulher ou criança. Mas a venda anual de carros novos, cujo volume caiu para 260.000 unidades, reflete a falta de crescimento econômico como também a idade média (dez anos) de um terço dos carros que trafegam nas estradas suíças.

Ao mesmo tempo, um suíço faz em média 40 viagens de trem por ano.

A Suíça tem uma das mais densas redes ferroviárias do mundo. A maioria das linhas é operada pelas Ferrovias Federais Suíças, empresa nacionalizada no início do século XX.

Além da FFS, há muitas companhias privadas de bitola estreita operando serviços locais e regionais. Autoridades cantonais e locais são geralmente acionistas dessas empresas.

Em áreas montanhosas, há um número incontável de funiculares, ferrovias com cremalheira e 'telecabinas', que servem os altos picos alpinos.

Tráfego de mercadorias

A política suíça de transporte quer transferir para as ferrovias todo o movimento de carga das rodovias e auto-estradas – fundamentalmente por razões ecológicas. Isto se aplica principalmente ao tráfego transalpino, entre o norte e o sul da Europa.

As linhas atuais do Gotardo e Lötschberg têm projeto para novos túneis em altitudes mais baixas. São novos túneis de 57 e 35 quilômetros de extensão, respectivamente, que permitirão o transporte de passageiros e carga em alta velocidade. Os novos túneis deverão estar prontos, respectivamente, em 2012 e 2007.

Em dezembro de 2004, as principais extensões do projeto Ferrovia 2000 foram inauguradas.

A prematura participação da Suíça na "febre ferroviária" em meados do século XIX resultou em muitas estradas sinuosas entre vilarejos em vez de linhas diretas interligando cidades.

Por isso, um dos projetos da Ferrovia 2000 inclui a implantação de uma linha paralela à auto-estrada Zurique-Berna, permitindo que a viagem de 125 quilômetros, entre as duas cidades, seja feita em menos de uma hora.

Itinerários de ônibus, freqüentemente operados ou subcontratados pelos Correios, garantem transporte onde não há linhas ferroviárias. A competição entre os dois sistemas é evitada porque, em muitos casos, os serviços são parcialmente subsidiados.

Muitas dessas linhas estão, contudo, ameaçadas, especialmente em áreas rurais, onde os governos cantonais cortaram subsídios para reduzir suas próprias despesas.

Serviços de navegação lacustre e fluvial operam em muitos lagos e rios. Enquanto a maior parte dos passageiros é composta por turistas, há uma linha especial para atender a uma alta demanda no lago Leman (ou de Genebra), entre Evian, na França, e Lausanne, na Suíça. E há, ainda, um popular ferryboat, entre a Suíça e Alemanha, no lago de Constança.

Pontes

A topografia montanhosa da Suíça exige uma grande quantidade de pontes sobre rodovias e ferrovias, de modo que não é surpresa que as pontes dos velhos tempos conservem uma conotação mítica.

A assim chamada Ponte do Diabo, nas proximidades de Andermatt, no Passo do Gotardo, recebeu esse nome porque, segundo a lenda, o Diabo exigiu sacrifício humano para que os passageiros pudessem cruzar ilesos a temerosa ligação. A lenda conta que os perspicazes habitantes da região colocaram primeiro uma pequena cabra no trem que atravessou a ponte recém-contruída...

Seja como for, as redes rodoviária e ferroviária da Suíça têm notáveis obras de arte. Dirigir na auto-estrada do Gotardo já dá ao motorista uma impressão do trabalho de engenharia civil realizado.

O vão de concreto armado tem uma longa história neste país. Em Berna, a ponte Lorraine, das Ferrovias Federais Suíças, concluída em 1944, constituiu-se, por muitos anos, no maior vão livre em uma ponte de concreto no mundo (151 metros)

O mais conhecido construtor de pontes da Suíça, Othmar Ammann, natural de Feuerthalen, proximidades de Schaffausen, nordeste, foi por muitos anos o engenheiro chefe da Superintendência Portuária de Nova York. Projetou pontes sobre o rio Hudson, inclusive a ponte George Washington, assim como a estonteante ponte suspensa Verrazano Narrows, quase tão longa quanto a ponte Golden Gate de São Francisco.

Túneis

Os Alpes sempre foram uma barreira para as ligações rodoviárias e ferroviárias. Passos tortuosos eram inevitavelmente fechados no inverno devido à neve. Mas, com o advento das ferrovias e das novas técnicas de construção de túneis, na segunda metade do século XIX, as montanhas deixaram de ser instransponíveis.

A pioneira linha ferroviária do Gotardo, com seu traçado sinuoso, profundos precipícios e um túnel de 16 quilômetros de extensão sob o passo do mesmo nome, foi inaugurada em 1882. Depois dela, construíram-se nos Alpes muitos outros túneis.

Em 1902 o túnel Albula abriu o caminho para a Ferrovia Rética entre Coira (Chur), no vale do Reno, e a estação de inverno de St. Moritz, uma das mais famosas na Suíça.

Em 1906, os primeiros trens puderam usar o túnel Simplon, de quase 20 quilômetros de comprimento, ligando as fronteiras da Itália e Suíça. As Ferrovias Federais Suíças ainda operam a linha de Brig, na Suíça, a Domodòssola, na Itália.

O túnel de 15 quilômetros de Lötschberg, o irmão gêmeo do Simplon, no Oberland Bernês, foi concluído um pouco antes da Primeira Guerra Mundial.

A partir de 1960 as auto-estradas "roubaram" o interesse e o fundo público destinado às ferrovias.

O ano de 1982 marcou a abertura do túnel rodoviário de 16.9 quilômetros, que por muitos anos se constituiu no mais longo do mundo. Ele foi precedido por outro túnel transalpino sob os passos do Grande São Bernardo e do São Bernardino. Os dois túneis tornaram essas estradas utilizáveis durante os 365 dias do ano.

Com a malha rodoviária praticamente completa, novos projetos ficaram restritos à triplicação dos túneis em pontos de congestionamento. Novas faixas para resolver o mais famoso engarrafamento, no túnel rodoviário do Gotardo, parecem pouco prováveis.

Os anos de 1990 viram o término do túnel ferroviário Vereina, abrindo uma ligação de inverno entre o vale de Engadina e as baixadas.

Também estão em andamento os trabalhos nos túneis ferroviários de 57 km do Gotardo e o de 35 km de Lötschberg, ambos em baixa altitude, eliminando profundos precipícios e riscos provocados pela inclemência do tempo.

Esses túneis farão parte da rede européia de trens de alta velocidade e reduzirão consideravelmente o tempo de viagem entre cidades no norte da Europa e Itália. Os primeiros trens deverão usar a nova linha do Lötschberg em 2007 e a do Gotardo, em 2014-2015.

Sociedade

Diversidade

O único fator comum à sociedade Suíça é sua extrema diversidade. Toda tentativa de se obter um perfil homogêneo está fadada ao fracasso.

A razão fundamental é sua composição lingüística, que compreende três idiomas principais – alemão, francês e italiano, herdados das fortes culturas vizinhas.

Apesar de a cultura suíça ter sido sempre influenciada pela Alemanha, França e Itália, há uma cultura independente suíça, em todas as suas regiões lingüísticas.

Tomadas em conjunto, essas diferenças poderiam ser chamadas de cultura suíça, apesar de que ela continue sendo um somatório de diversidades.

Numericamente, os suíços de fala alemã formam uma clara maioria, superando a casa dos 60% da população. Sua língua materna, entretanto, é o suíço-alemão – uma variedade de dialetos que dificulta a um nativo do Valais, sudeste, ser entendido por um compatriota de St. Gallen, nordeste, e vice-versa.

E para alguém que só fale o chamado "bom alemão", os dialetos suíços são praticamente incompreensíveis, salvo para pessoas que vivem nas regiões fronteiriças da Suíça.

Suíça
A Suíça é um país onde muitas culturas se cruzam.

Tensão eterna

Desse modo, os artistas suíço-alemães vivem eterna tensão entre a língua que falam e a que escrevem, quando estão redigindo uma novela ou um programa, para exposições de arte ou concertos

Os suíços de fala alemã nascem com uma língua e um idioma maternos, mas têm que aprender sua língua escrita através de um esforço muito duro, na escola.

Pesquisas recentes, realizadas na Europa, mostram que as escolas suíças estão tendo dificuldades em manter os padrões do alemão escrito. Esses esforços são sabotados pelo crescente uso do dialeto em músicas pop, no rádio e na tv.

Como medida preventiva, muitos cantões obrigam, atualmente, os professores a darem aulas em "bom alemão", ao invés do dialeto.

A medida poderia ajudar a remover as barreiras não apenas em relação ao restante da Europa de língua alemã, como também dentro da Suíça. Até porque os outros habitantes, os de línguas francesa e italiana, aprendem na escola o "bom alemão" e não o dialeto suíço-alemão.

As divisões lingüísticas na Suíça possuem uma clara demarcação geográfica, não respeitando as fronteiras políticas. Há Cantões bilingües, como Berna, Friburgo e Valais. Já no Cantão dos Grisões (Graubünden), as três línguas faladas são alemão, romanche e, em diversos vales, o italiano.

Bilingüe

Oficialmente, há até cidades bilingües, como Fribourg/Freiburg ou Biel/Bienne. Nelas o visitante pode usar seus conhecimentos de alemão ou de francês, com boas possibilidades de ser entendido.

É muito provável, entretanto, que um suíço-francês, às margens do Lago de Constança, nordeste da Suíça, encontre tantas dificuldades de ser entendido em sua língua materna, quanto um suíço do leste tentando falar alemão, em Genebra, sudoeste.

Apesar do fato da Suíça ser trilingüe não se constituir um mito, é pelo menos uma situação complexa, aliviada pelo consenso geral de que cada um deveria entender duas das línguas faladas no país. Este fato é ressaltado nos sistemas escolares, que estão obrigados a ensinar, pelo menos, duas das línguas nacionais.

É interessante e talvez lógico que um maior número de idiomas seja entendido e falado pelas minorias mais vulneráveis, os suíços de língua italiana e os romanches. Eles têm sido bem sucedidos na preservação do próprio idioma, falado nos altos vales do Cantão dos Grisões, desde os tempos pós-romanos.

Romanche

Oficialmente, apenas 35.000 suíços utilizam o romanche no dia-a-dia, como primeira língua. Entretanto, são provavelmente cerca de 50.000 suíços que têm o romanche como sua língua materna, mas vivem em outras partes da Suíça.

Consideráveis esforços estão sendo feitos para manter viva essa antiga língua. O romanche é compulsório em muitas escolas, mas a situação está se complicando devido à existência de vários dialetos romanches.

As recentes tentativas de promover a padronização do Rumantsch Grischun chegam até a irritar estudantes e professores, que precisam aprender, de fato, uma nova língua.

Rumantsch Grischun

O advento do inglês, como língua comercial, da música pop, da Internet, etc., contribuiu para enfraquecer o trilingüismo suíço.

O amplo e antigo sistema de recrutamento militar garantia que a maior parte dos soldados passasse um determinado tempo em regiões lingüísticas do país diferentes da sua própria.

Havia também maior número de unidades lingüisticamente mescladas do que agora. No passado, era muito mais comum que meninas deixassem a escola para passar um ano como au pair em outra região.

Apesar de ainda existirem quase 100 jornais diários, disponíveis praticamente em todo país, além das rádios e televisões suíças transmitindo nas três principais línguas, há poucos leitores que compram jornais que não sejam os de seu próprio idioma.

E enquanto rádio e televisão funcionam sob a proteção de uma corporação nacional, as diferentes entidades lingüísticas que a compõe são praticamente autônomas, com pequeno grau de influência.

Federalismo

A fragilidade suíça, como um conjunto de regiões lingüísticas, tem se constituído na permanente preocupação do governo federal em Berna, embora o bilingüismo tenha sido sempre cuidadosamente mantido nas grandes corporações do Estado, tais como ferrovias e correios, sem esquecer os corpos de oficiais das forças armadas.

Religião e língua são duas áreas de potenciais questionamentos que as estruturas do federalismo suíço tendem a diluir antes que se tornem problemas. Foi assim com a região do Jura, de língua francesa, à qual foi dada autonomia, como um novo Cantão, em 1979, após um plebiscito nacional. Com a iniciativa, o Cantão de Berna ficou com apenas um pequeno grupo de suíços de língua francesa.

Contando com 20 a 25% de suíços nativos de língua francesa, a Suíça é normalmente convidada e participa das conferências francófonas. Mas, nesse caso, a Suíça desempenha um papel moderado, como forma de respeito aos outros grupos lingüísticos do país.

Os controles e os equilíbrios inerentes ao sistema político suíço também desempenham papel no gerenciamento e na promoção das artes na Suíça.

A política cultural envolve a Confederação, os Cantões e as comunidades locais. Mas o sistema de 'subsidiaridade' não funciona no mundo atual das artes.

Fundo para as artes

O sistema de divisão dos encargos a que estão obrigados os Cantões é insuficiente para subsidiar os custos das autoridades locais com teatros, orquestras e companhias de balé. Por isso, atualmente, as grandes cidades assumem pelo menos a metade dos custos da vida cultural na Suíça.

Os municípios dos arredores das grandes cidades, que podem, de forma independente, se constituir em entidades políticas, bem como as regiões ou Cantões, têm concluído acordos, cada vez mais freqüentes, para pagar teatros e outras instituições culturais em regiões como Zurique, Basiléia ou Berna.

O patrocínio cultural também é garantido pelas fundações, grandes empresas, bancos e cadeias varejistas, como a Migros, que doa percentagem de seu lucro.

O governo federal apóia as atividades culturais através do Divisão Federal de Cultura e financia a Pro Helvetia e o Conselho de Arte da Suíça, que recebem subvenções parlamentares pelo período de quatro anos.

O orçamento de 2005 para a cultura foi de 33 milhões de francos suíços (US$ 27,7 milhões). Mais de 85% do dinheiro são gastos com o patrocínio de projetos apresentados por artistas ou pela própria Fundação Pro Helvetia.

Esses projetos incluem exibições temáticas, exposição de pinturas, apresentação de filmes suíços ou excursão de companhias de balé, teatro ou orquestras suíças.

Pro Helvetia trabalha em estreita colaboração com representações diplomáticas e consulares suíças no exterior para promover artistas do país. Dirige, ainda, oito escritórios na Europa e na África.

Uma nova lei prevê definição mais precisa da demarcação entre o trabalho de Pro Hevetia e da Divisão Federal de Cultura.

Cultura

Arquitetura

Graças à urbanização e a seu crescimento industrial, a Suíça sempre foi um solo fértil para os arquitetos.

A Suíça não foi apenas o berço produtor de vários arquitetos famosos como também é um pólo de atração para alguns grandes nomes estrangeiros.

Mas o pequeno tamanho do país e a falta de projetos de grande envergadura fizeram com que muitos arquitetos suíços buscassem trabalho no exterior.

Um dos mais famosos foi Charles Edouard Jeanneret (1887-1965) – mais conhecido como Le Corbusier. Ele nasceu em La Chaux-de-Fonds, Jura Suíço, oeste, mas passou a maior parte de sua vida profissional na França.

Le Corbusier se tornou famoso por sua arquitetura funcional e por sua contribuição ao planejamento urbano. Uma de suas obras foi recentemente restaurada na sua cidade natal, mas muitos outros de seus trabalhos podem ser vistos na França e até mesmo em locais tão distantes quanto a Índia.

Suíça
Chafariz, de Jean Tinguely, congelado pelas baixas temperaturas de inverno, em Basiléia.

Arquitetos contemporâneos

Mais recentemente, Mario Botta, da Suíça Italiana, ganhou fama internacional com seus projetos arrojados.

Entre seus trabalhos, destaca-se o Museu de Arte Moderna, em São Francisco, e a recente restauração do teatro de ópera de Milão, La Scala. Botta ensina na Universidade do Ticino, fundada há poucos anos.

Outros renomados arquitetos suíços são Herzog e de Meuron, radicados em Basiléia. Eles foram responsáveis, por exemplo, pela renovação da Galeria Moderna de Arte, Tate Gallery, de Londres.

Ao longo de sua história, Suíça também tem abrigado muitos arquitetos estrangeiros, como o alemão Gottfried Semper, que fugiu para Zurique durante o levante de 1848, na Alemanha.

Ele se tornou professor na então recém-inaugurada Escola Politécnica Federal, em Zurique, tendo projetado seu edifício original, bem como o prédio da prefeitura de Winterthur.

O arquiteto espanhol, Santiago Calatrava, também estudou em Zurique, onde construiu a estação ferroviária de Stadelhofen e a biblioteca da Universidade. Boa parte da nova Valência, na Espanha, também foi trabalho de Calatrava.

Teatro

A Suíça tem uma antiga e rica tradição teatral. Basiléia, Berna e Zurique oferecem produções, cujo sucesso vai muito além de suas fronteiras. O mesmo ocorre com Genebra.

Os grandes teatros, com ou sem orquestras e/ou corpos de balé, consomem boa parte dos respectivos orçamentos de suas cidades. Mas há igualmente numerosos pequenos teatros, muitos deles especializados em repertórios clássicos, comédias ou produções paralelas.

A Suíça tem ainda uma grande quantidade de produções ao ar livre apesar da inclemência do tempo.

Há representações a céu aberto para produções de Guilherme Tell, em Interlaken; para o Teatro do Mundo, de Calderón, de dez em dez anos, em Einsiedeln; para não mencionar a Fête des Vignerons (festa dos vinhateiros), que celebra, de 25 em 25 anos, a bucólica vida dos vinicultores de Vevey, nos arredores de Montreux.

A maior parte das peças e produções tem raízes regionais e lingüísticas. No entanto, Friedrich Dürrenmatt superou essas limitações, conquistando renome mundial como dramaturgo.

Dimitri, o palhaço da Suíça de Língua Italiana, fez nome como artista de picadeiro e criou uma escola de artes circenses na cidade de Verscio –escola à qual foi atribuído o status de nível universitário.

Escritores

Friedrich Dürrenmatt talvez seja o nome mais conhecido por peças dramáticas, tais como Os Físicos, apesar de ter igualmente escrito romances policiais e cenários cinematográficos.

Seu contemporâneo, Max Frisch, que se formou arquiteto em Zurique antes de se tornar um escritor é, provavelmente, mais conhecido por suas novelas, como Não sou Stiller, do que como um autor de peças de teatro.

Há, muitos jovens escritores, na Suíça de língua alemã, que têm seguido os passos de grandes autores, mas, inevitavelmente, estão cercados pelos limites do mundo germânico.

Autores suíços que escrevem em francês enfrentam o mesmo problema.

Freqüentemente – como no caso de Blaise Cendrars – esses autores preferem se residir em grandes cidades como Paris. Cendrars chegou até mesmo a lutar como voluntário francês na Primeira Guerra Mundial. Seus trabalhos têm lugar de destaque na Literatura Francesa.

Mais tarde, Jacques Chessex também se tornou conhecido na França, ganhando o Prêmio Goncourt, em 1973, com o romance L'Ogre (bicho-papão).

As escritoras suíço-francesas, quando são reconhecidas, se destacam mais que suas compatriotas suíço-alemãs. Alice Rivaz, Yvette Z'Graggen e Anne Cuneo são autoras de certo renome nas regiões de língua francesa.

Música

Muitos suíços se tornaram conhecidos no mundo da música clássica: Arthur Honegger e Othmar Schoeck foram respeitados compositores. Honegger passou a maior parte de sua vida na França, onde ele fez parte de um grupo vanguardista de sua época, início do século XX.

No mesmo século XX, o maestro, Ernest Ansermet, esteve intimamente ligado à Orchestre de la Suisse Romande, que fundou. Charles Dutoit e Mathias Bamert deram continuidade à tradição dos maestros suíços em orquestras de projeção internacional.

O Jazz se tornou popular, na Suíça, depois dos anos 30. Montreux, Willisau e Lugano realizaram grandes festivais populares. Berna possui uma reconhecida escola de Jazz.

Uma ampla variedade de eventos musicais ao ar livre bem como festivais de música clássica são realizados durante o verão na Suíça.

Pintores e escultores

Muitos historiadores da arte vêem Ferdinand Hodler como a figura embrionária da pintura suíça. Seus trabalhos datados do final do século XIX e início do século XX são populares e alcançam elevados preços em leilões de arte.

As pinturas de Hodler retratam temas e locais suíços. À sua época, ele era visto por todos como o pintor nacional suíço. Ele jamais foi premiado no exterior como o foram Jean Tinguely e Alberto Giacometti.

Nas duas guerras, Zurique se tornou o paraíso para todas as tendências artísticas. Foi durante a Primeira Guerra Mundial que se iniciou o momento Dadaísta. Um de seus membros, Hans Arp e sua mulher, Sophie Taeuber-Arp, tornaram-se mais tarde figuras muito conhecidas. Sophie Taeuber-Arp tem sua efígie nas cédulas de 50 francos suíços.

Um indiscutível ícone da arte moderna européia foi Paul Klee. Ele cresceu na Suíça, passou muitos anos na Alemanha e ensinou na famosa escola "Bauhaus". Regressou à Suíça devido ao antagonismo que nutria em relação ao regime nazista, na década de 30.

Sua pintura minimalista destinava-se a "abrir os olhos do povo". Berna, cidade com a qual mais se identificava, foi o local escolhido para o novo centro Paul Klee.

Projetado pelo famoso arquiteto Renzo Piano, o centro foi aberto em 2005.

O novo centro Paul Klee é um ponto obrigatório para os amantes da arte que visitam a cidade. Faz parte de uma lista de 1.000 museus existentes no país. Os últimos números mostram que as galerias de arte continuam, cada vez mais, atraindo visitantes.

Educação

Suíça
A educação suíça é baseada em uma sutil mistura de prerrogativas federais e cantonais.

Sistemas múltiplos

A Constituição Federal estipula o direito à educação e a obrigação de freqüentar a escola. Mas, são os Cantões os responsáveis pela escolaridade.

Isto significa que existem atualmente 26 diferentes sistemas de educação na Suíça, embora tenha havido apelos visando harmonizar os diferentes sistemas.

Muitos alunos começam a escola aos sete anos de idade, depois de passarem um ou dois anos no jardim de infância. Eles geralmente permanecem nove anos na escola antes de ingressarem nos níveis superiores de educação e aprendizado.

Os Cantões estão autorizados a tomar suas próprias e independentes decisões, quando o assunto diz respeito à estrutura de seus sistemas de educação, programas e datas das férias escolares.

Contudo, a Conferência de Diretores Cantonais de Educação Pública assegura o contato e a harmonia entre os Cantões.

Os críticos apontam dois principais problemas em relação ao atual sistema. Nem sempre é fácil se transferir de um para outro sistema cantonal. Os dias de aula nem sempre são compatíveis com os horários de trabalho dos pais.

Estas e outras falhas estão sendo tratadas em uma ampla série de propostas, apresentadas pelos diretores cantonais de educação. Eles são favoráveis a dois anos de escola materna e nove anos de escolaridade básica para todos. Da mesma forma, propõem regulamento obrigatório sobre o ensino de línguas estrangeiras e escolas com período integral. O implemento destas propostas não deve ocorrer antes de 2009.

Reforma

O Partido Radical, de centro-direita, deseja introduzir uma política de educação nacional com escola de período integral e horários harmonizados em todo país.

As pressões para mudanças também têm surgido de comparações internacionais, tais como o estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que mostra atrasos dos alunos suíços em algumas matérias.

Depois da escola básica, os alunos, normalmente, escolhem programas de aprendizagem que cobrem 400 setores de formação profissional ou superior.

Colégios foram criados para oferecer diplomas mais voltados para o mercado de trabalho.

Na Suíça há também dois institutos federais de tecnologia - as Politécnicas de Zurique e a de Lausanne - bem como dez universidades em diferentes cidades do país. Mas com os orçamentos reduzidos e freqüentes cortes de despesas, faculdades de diferentes instituições têm se fundido.

Cursos estão sendo gradualmente adaptados para incluir os diplomas europeus de BA (bachelor) e MA (master). Hoje, são mulheres a metade dos estudantes que não colaram grau.

Economia

Suíça
A indústria demonstrou que continua a ser um setor importante para a economia helvética ao lado dos bancos e manufatura de relógios.

Em termos globais, a Suíça é um peso político leve, mas comercialmente figura entre as economias de tamanho médio.

Desprovida de recursos naturais – exceto as águas do degelo, os lagos e os rios – a economia suíça é quase totalmente dependente das suas exportações, com alto grau de valor agregado.

Exceção feita a algumas nações, não há, provavelmente, nenhum outro país cuja prosperidade dependa tanto da exportação de suas indústrias. Em números absolutos, a Suíça é o 15º maior exportador do mundo.

As maiores empresas suíças – na indústria farmacêutica, por exemplo – podem, na melhor das hipóteses, vender 2% de sua produção dentro da Suíça.

A abundância de água foi, de início, utilizada para mover seus teares. Essa imensa quantidade de água também se constituiu em pré-requisito para a indústria de corantes, precursora do setor farmacêutico de hoje, em Basiléia.

Manufaturas

Os avanços tecnológicos na geração de energia hidrelétrica levaram as indústrias pesadas suíças a construir centrais elétricas, motores diesel para navios e locomotivas elétricas, exportadas para todas as partes do mundo.

E foram exatamente as pesadas nevadas, nos modorrentos meses de inverno suíços, que incentivaram os agricultores a usarem as mãos no fabrico de relógios.

O relógio é um bom exemplo do conceito de valor agregado que norteia a economia suíça. A produção maciça de baratos bens de consumo não é uma opção que interessa às indústrias suíças, porque exigiria pesada importação de matéria-prima cara, cujo preço líquido não representaria um significativo aumento de exportação no competitivo mercado mundial.

O custo da matéria-prima utilizada em um relógio, seja ele vendido por 100 ou 3.000 francos suíços, não varia muito. Mas o trabalho consumido em design, produção e marketing, faz uma tremenda diferença.

O mesmo se pode dizer a respeito de uma pequena empresa suíça que produz fluido lubrificante para mecanismo do relógio. A matéria-prima, o óleo, é tão refinado que o produto final, vendido no máximo em vidrinhos, vale seu peso em ouro ou caviar.

Embora a Suíça tenha numerosas empresas de porte – como a empresa gigante de alimentos Nestlé, as companhias farmacêuticas Novartis e Roche, os bancos UBS e Credit Suisse, as seguradoras Winterthur e Zurich – essas firmas não são, verdadeiramente, representativas do país como uma nação industrial. Tanto assim que dois terços da produção econômica suíça derivam numa proporção de 98% de empresas com menos de 50 empregados.

As PME – pequenas e médias empresas – empregam 1.45 milhão de pessoas, pouco acima da metade de todos os empregados que não trabalham para estatais. Apenas 750 empresas têm quadro de trabalhadores superior a 250 pessoas, apesar de representarem 30% de toda força de trabalho.

Engenharia

Muitas dessas empresas atuam nos campos da engenharia elétrica e mecânica – o segmento industrial número 1 de produção na Suíça. A maior parte dessas empresas é extremamente especializada e orientada para a exportação. Usualmente, produzem utensílios como máquinas de precisão ou aparelhos eletrônicos cujas marcas não são muito conhecidas, mas exportadas para indústrias de produção em todo o mundo.

As indústrias suíças de engenharia representam mais de 40% dos valores de toda exportação. Sua origem pode ser encontrada na mecanização da produção têxtil.

As tecelagens e os teares da Suíça conquistaram uma grande parte do mercado mundial. Embora a produção têxtil do país não seja significativa em termos quantitativos – incluindo equipamento elétrico de controle – mesmo assim tem uma expressiva participação no mercado mundial. Maquinário com design suíço também é produzido sob licença em muitas partes do mundo.

Até bem recentemente, as fábricas suíças produziam muitos equipamentos pesados de engenharia, desde os barcos com motores diesel da Sulzer e centrais elétricas completas, até algumas das mais potentes locomotivas elétricas do mundo. Mesmo antes dessa fase, a Suíça já produzia motores e caminhões de primeira linha, amplamente exportados.

A produção de maquinário pesado suíço abriu as portas para investimentos em produtos mais especializados. Neste setor, a Suíça se encontra entre os cinco maiores exportadores do mundo – o que inclui artigos como máquinas têxteis, de produção de papel, máquinas para o setor gráfico, de embalagens, de ferramentaria e de equipamentos para pesagem e medição.

Muitos produtos suíços são usados na indústria automobilística em todo o mundo. Por exemplo, os pequenos detonadores, que inflam os airbags em uma colisão ou os sofisticados conjuntos para isolamento de som.

Trabalho

Embora a economia suíça venha registrando baixo crescimento há quase uma década, a produção e o desempenho continuam mantendo seu alto nível se comparados com outros países. As horas trabalhadas na Suíça superam as de nações vizinhas, com poucas pessoas trabalhando menos do que 40 horas semanais.

Os feriados na Suíça são poucos e as aposentadorias raramente ocorrem antes dos 60. Outro fator são relações trabalhistas.

Somente no ano de 2000 é que foram introduzidas alterações na legislação trabalhista admitindo o direito de greve. Os pessimistas receavam que essas alterações abrissem as portas para uma onda de movimentos reivindicatórios, particularmente diante de um quadro trabalhista pouco róseo.

Apesar da nova legislação, em 2002 houve apenas oito movimentos paredistas na Suíça, o mesmo número de pico anterior, verificado em 1994. Na última década, registrou-se média anual de 7 a 8 dias perdidos, por 100.000 empregados, motivados por greve, dados estes que figuram na parte inferior da tabela de estatísticas européias relativas a reivindicações trabalhistas.

Farmacêuticas e químicas

A indústria farmacêutica suíça tem marcante participação mundial. Possui instalações de produção e pesquisa em muitos continentes. A sede e as raízes dessas empresas estão localizadas em Basiléia. Empresas como Novartis, iniciaram suas atividades como fornecedores de produtos de tintura para a indústria têxtil suíça.

O mercado doméstico representa uma diminuta parte da produção total das empresas farmacêuticas suíças. Apesar disso, um quinto de suas vendas é reinvestido em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos – única forma, na visão empresarial suíça, de manter a lucratividade da sua produção farmacêutica, especialmente porque, à luz dos fatos, sabe-se que a proteção de patentes não dura mais do que uma década.

Tinturas, lacas e vernizes também são produzidos na Suíça. E promissores negócios para o setor farmacêutico começam a florescer no campo dos aromas, cujo líder mundial é Givaudan.

Como em todo o mundo, a concentração de forças tem sido um sinal dos tempos, na indústria farmacêutica suíça. A grande fusão, registrada em 1996, entre a Sandoz e a Ciba-Geigy, da qual resultou a Novartis, não pode ser considerada o último dos casamentos de gigantes.

Da mesma forma que produz os medicamentos de base química, a Suíça abriga uma gama de prósperas empresas que produzem suprimentos médicos alternativos e holísticos. Em alguns casos, essas empresas foram encampadas por gigantes da indústria farmacêutica, uma forma de cavalgar dois cavalos ao mesmo tempo.

O pequeno tamanho da Suíça faz com que a busca por novos talentos também seja limitada. Com a livre circulação de trabalhadores, garantida na Europa, a pressão pela busca de destacados cientistas levou muitas empresas farmacêuticas suíças a desenvolverem suas atividades investigativas na América do Norte.

Relógios

Se fosse feita na maioria das cidades do mundo uma pesquisa para saber a que imagem a Suíça estaria associada, não há dúvidas de que as respostas seriam "aos queijos ou aos relógios". A maior parte dos suíços ficaria feliz com qualquer uma das respostas, se bem que os relógios sejam, de longe, muito mais lucrativos para o país.

A pior resposta seriam os "relógios cuco". Apesar de Orson Wells e do filme Terceiro Homem, a Suíça não inventou o relógio cuco, que provém da Floresta Negra na Alemanha. A maior parte dos modelos vendidos aqui são fracas imitações produzidas para o mercado de suvenires.

Os relógios suíços são, geralmente, produzidos por pequenas fábricas relojoeiras situadas no arco que começa em Genebra, se estende através das colinas do Jura, no noroeste, e termina na cidade de Schaffhausen, às margens do rio Reno, no nordeste. Os maiores centros relojoeiros fora de Genebra encontram-se em Neuchâtel, Bienne e Grenchen.

O final da Segunda Grande Guerra Mundial se constituiu no apogeu da indústria relojoeira suíça, posto que a maioria das fábricas de relógio da Europa havia sido danificada pela guerra. Além disso, Japão e Estados Unidos ainda não eram competitivos nesse mercado. Por muitas décadas, os relógios suíços representaram praticamente a metade da produção mundial.

Embora o relógio a quartzo tenha sido efetivamente inventado em Neuchâtel, os baratos relógios a quartzo de procedência asiática destruíram a indústria relojoeira suíça, no início da década de 70.

Mas a reestruturação da indústria relojoeira suíça, com a fusão dos dois maiores fabricantes do setor, levou à produção – ou à invenção – do agora renomado Swatch. É um relógio a quartzo, não tão barato como os concorrentes, mas que se tornou, graças a um inteligente trabalho de marketing, um indispensável acessório de moda.

De mãos dadas como a expansão do mercado de massa tradicional, os relógios de corda, contrariando todas as previsões, tiveram um retorno triunfal.

Existe hoje na Suíça uma sobreposição de marcas de relógios convencionais e de relógios de prestígio. Mas, a "alta relojoaria" ainda é um domínio suíço. Apesar dos relógios a quartzo responderem por cerca de 90% das vendas do setor, o mercado dos relógios de corda corresponde a um valor superior a 50% das exportações suíças. O total de exportações locais em 2005 superou a casa dos 11 bilhões de francos suíços.

Indústria de serviços

Embora a Suíça mantenha uma forte base industrial, mais da metade da população ativa do país trabalha na indústria de serviços, como bancos, seguradoras e turismo.

Os bancos e as companhias de seguro nacionais que operam mundialmente, em setores específicos como resseguros, lideram seu segmento.

Os suíços são grandes poupadores – basta dizer que há média de duas poupanças por habitante – e evitam ao máximo possível correr qualquer tipo de risco.

Isso explica o tamanho desproporcional assumido pelos setores bancário e de seguros na Suíça. E de certa forma esclarecem porque as empresas suíças conseguiram acumular tamanha experiência e "know-how" nesses dois segmentos. Na verdade, tornou-se também um setor muito lucrativo para a economia local.

Há, também, uma clara correlação entre o papel da Suíça como nação comercial e o de exportadora, bancária e seguradora.

Apesar de haver cerca de 2.700 agências de bancos na Suíça e mais de 100.000 bancários, não se pode dizer que o banco de varejo seja o principal objetivo.

Gerenciamento de ativos

Gerenciamento de ativos em todas suas formas é o ponto chave dos serviços bancários suíços. Isto não é válido apenas para "dois grandalhões" – UBS e Credit Suisse – mas também para inúmeros bancos privados, muitos deles instalados em Genebra, onde o atendimento pessoal e a alta discrição estão assegurados quando se faz um depósito mínimo de 1 milhão de francos suíços – uma soma para a qual o banqueiro estará pessoalmente disponível.

Muitas tolices já foram provavelmente escritas sobre bancos suíços, mais do que qualquer outro assunto. Atualmente, um simples correntista suíço, para abrir uma poupança, tem que apresentar uma prova de identidade. Mais embaraçoso será, ainda, se o depósito for de pelo menos 100,000 francos suíços. Neste caso, ele terá que explicar ou provar a origem do dinheiro.

Hoje, os estabelecimentos bancários estão precavidos contra a Comissão Federal de Bancos e contra os "lavadores de dinheiro". Com certeza, a OCDE não vê a Suíça como um problema maior, no campo da lavagem de dinheiro.

Agora a Suíça é, de fato, considerada o país que adotou uma das mais rígidas legislações sobre lavagem de dinheiro no mundo, obrigando os bancos a seguirem regras estritas para conhecer bem seus clientes.

O momento decisivo nas mudanças ocorreu em meados da década de 80 quando o governo suíço determinou um bloqueio sem precedentes das contas do ditador filipino, Ferdinando Marcos, invocando uma quase desconhecida cláusula da Constituição, relativa a proteção da reputação suíça.

Hoje, mais de 100 agências de bancos suíços estão presentes em inúmeras praças do mundo. Enquanto a maior parte de seus negócios se concentra fora da Suíça, seus clientes, claramente, baseiam sua confiança na moeda suíça, na sua estabilidade política e na sua experiência. O sigilo bancário, em alguns casos, é fator fundamental, mas freqüentemente é mal interpretado se ele não se aplica quando inquéritos policiais ou investigações criminais estão em andamento.

O nível de integração com normas internacionais pode ser sentido pelo fato de que a Suíça cobra um imposto de retenção na fonte sobre toda poupança de cidadãos da União Européia depositada no país. Parte dessa retenção é repassada às autoridades da União Européia.

Seguros

A maior parte das seguradoras suíças – Winterthur, Zurich, Baloise, Vaudoise, etc – adotaram o nome da cidade ou Cantão onde foram fundadas. Tempos atrás, "Winterthur" era, praticamente, sinônimo de seguro em espanhol.

A maioria das seguradoras suíças oferece apólices de vida e outros seguros, mas 55 são especializadas em resseguros, isto é, asseguram os riscos de outras seguradoras.

As companhias de seguro empregam cerca de 45.000 pessoas. Mas essas empresas, como os bancos, têm ultimamente enxugado o número de empregados. Os serviços de bancos e seguradoras têm ajudado a evitar um déficit na balança de pagamentos.

Investimentos

Enquanto a Suíça importa mais do que exporta, em valores ela tem grandes investimentos no exterior.

Estatísticas atuais refletem a turbulência de anos recentes no mercado mundial de ações e também a desvalorização do dólar. Apesar disso, os investimentos suíços direcionados ao exterior totalizaram 426 bilhões de francos suíços, no final de 2003, enquanto que as inversões estrangeiras, na Suíça, alcançaram a casa dos 190 bilhões de francos suíços.

Segundo estimativas feitas por pesquisadores do Anuário de Competitividade Mundial do IMD – Instituto de Gestão e Desenvolvimento, de Lausanne – os investimentos suíços no exterior atingiram a casa dos 28 bilhões de francos suíços, em 2004. Este é o quarto mais alto nível de investimento mundial em relação ao Produto Interno Bruto.

Um terço desses investimentos no exterior encontra-se aplicado nos Estados Unidos, registrando-se, porém, um crescente fluxo, em relação às novas economias emergentes do leste e do centro europeus, como Polônia, República Checa e Hungria.

Tradicionalmente, os investimentos têm fluído para o exterior, mas a Suíça também atrai capital estrangeiro.

Segundo as estimativas da IMD, a Suíça atraiu mais de 14 bilhões de francos suíços em investimentos estrangeiros, em 2004, colocando-se em 12º lugar, à frente da Rússia e da Espanha.

Alimentos

Os agricultores suíços são mais conhecidos por produtos de laticínios, mas a prematura industrialização também abriu caminho para o início do processamento de alimentos. Do ponto de vista estritamente alimentar, os produtores de queijo podem ser considerados os primeiros processadores de alimentos.

Os clássicos produtos suíços, sopa instantânea ou cubos de carne, remontam às primeiras indústrias de alimentos na região de Winterthur, no começo do século XIX. Naquela época, os donos de fábricas já registravam as precárias condições dos operários devido à má nutrição. Ao mesmo tempo, porém, desaprovavam a perda de tempo de trabalho pela excessiva duração dos seus horários de refeição.

Foi assim que um certo Sr. Maggi, da região de língua italiana da Suíça, teve a inspiração de desenvolver cubos solúveis de sopa, precursores da ampla variedade de sopas instantâneas que lotam os mercados, sob os nomes de Maggi e Knorr. Hoje, as duas empresas são multinacionais.

Outra primazia suíça foi o café instantâneo, inventado por uma firma nas proximidades de Berna, nos idos de 1930. Esse produto, entretanto, só começou sua carreira internacional através dos soldados dos Estados Unidos (US GIs), depois da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, era um produto da Nestlé, que, mais tarde, passou a ser produzido por um processo de liofilização, atualmente usado para muitos outros tipos de alimentos.

Um pioneiro suíço, cujos esforços não foram recompensados à sua época, foi Dr. Max Bircher-Benner, que dirigia uma clínica exclusiva de saúde, em Zurique, no princípio do século XX. Para estimular seus debilitados pacientes, Bircher inventou uma espécie de papinha (muesli), composta de maçã ralada, grãos de cereais e um pouco de leite condensado, que ficou conhecido como Birchermuesli.

Hoje, há no mercado incontáveis cópias deste muesli como alimento para desjejum, mas muito mais calóricos do que Bircher havia idealizado.

Entre outros produtos de exportação da Suíça incluem-se sanduíches vegetarianos e com pasta de fígado, além de chocolate em todos os formatos e tamanhos.

Agricultura

Suíça
Futuro incerto da agricultura suíça.

Menos fazendeiros

É difícil encontrar um segmento da economia suíça que tenha sofrido tantos golpes, nos últimos dez anos, quanto a agricultura.

Faz parte do folclore nacional que os agricultores suíços têm o costume de reclamar. Na realidade, porém, eles os lucros deles caíram pelo menos 10%, na última década.

Milhares de fazendolas – quase sempre à beira da falência – têm sido vendidas. Das mais de 92.000 propriedades em 1990 restavam pouco mais de 70.000, no ano de 2000.

Muitas das propriedades remanescentes sobrevivem apenas porque seus agricultores encontraram uma segunda ocupação. Fazendas com superfície superior a 20 hectares resistiram a essa tendência graças a crescentes investimentos.

Antes e durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 25% da população suíça trabalhava na agricultura. Hoje, não chega a 3 ou 4%.

Nos anos 50, a Suíça ganhou isenção do GATT – Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, que deu origem à OMC, Organização Mundial do Comércio – em grande parte para proteger a agricultura suíça da concorrência estrangeira.

Isto não decorreu tanto do interesse próprio mas como reflexo de que o relevo da montanhosa Suíça não se presta para nenhuma espécie de agricultura eficiente.

Subsídios

Os agricultores suíços necessitam de 2.5 bilhões de francos suíços (US$ 1.96 bilhões) anuais em pagamentos diretos ou em subsídios governamentais, tenham ou não tenham que enfrentar essa concorrência.

Algumas estimativas sugerem que o apoio aos agricultores custem aos cofres suíços 4 bilhões de dólares anuais.

Pagamentos diretos têm a vantagem de não recompensar simplesmente a super produção. Seletivamente, permitem promover setores da agricultura que operam em sintonia com a política agrícola suíça, como por exemplo, a agricultura orgânica. Atualmente, mais de 10% do solo cutivado estão de acordo com rigorosas exigências orgânicas.

Ultimamente, há poucos produtos agrícolas que não possam ser importados mais baratos do que os produzidos no país. Mas a Suíça quer manter um nível de auto-suficiência na produção alimentar. E será difícil superestimar o significado cultural, sociológico e, não menos importante, o aspecto político dos agricultores, como um grupo.

Mesmo se a grande quantidade de queijos, produzidos nas planícies centrais e pastagens alpinas (160.000 toneladas por ano) não puder ser vendida com lucro real, mesmo assim os fazendeiros, cultivadores, trabalhadores florestais e jardineiros serão necessários para zelar por cerca de 50% de terras cultiváveis.

Política

Suíça
O Palácio Federal é o prédio no centro de Berna que abriga a Câmara dos Deputados, o Senado e também o governo federal.

No início...

As estruturas políticas suíças ganham forma com a primeira constituição federal de 1848.

Mas suas raízes remontam no tempo, a 1291, quando, segundo a lenda, os camponeses da Suíça Central se comprometeram a formar uma duradoura aliança unindo Uri, Schwyz e Unterwalden, os três primeiros Cantões.

O objetivo inicial do pacto era estabelecer uma liberdade limitada, em relação à hegemonia das abomináveis regras dos Habsburgos. Essa frágil aliança cresceu até incluir 13 Cantões, em 1513.

A defesa coletiva de independência dos camponeses em relação aos senhores feudais marcou a primeira fase. O passo seguinte foi a expansão. O subjugar dos territórios vizinhos prosseguiu até que autoridades européias deram um basta...

Historiadores vêem a derrota suíça na Batalha de Marignano, em 1515, no norte da Itália, como o auge das aspirações territoriais suíças, se não o fim das mesmas. Este período marca o começo da neutralidade suíça de fato, a qual foi posteriormente subscrita pelas grandes potências no Congresso de Viena, em 1815.

Nesse meio-tempo, a Reforma e a Contra-Reforma tinham varrido o país, levando-o finalmente a uma breve guerra civil em 1847. Esse conflito, entre sete Cantões conservadores católicos e cerca de doze Cantões liberais protestantes, incluiu áreas urbanas e aquelas onde a ocupação napoleônica, no começo do século XIX, deflagrou as reformas democráticas.

Estado Federal

O ano de 1848 vê a criação do Estado Federal, com uma nova constituição, um Parlamento Federal e, ao mesmo tempo, os primeiros passos na direção da centralização.

As lições de "Sonderbund" ou guerra civil não foram esquecidas pelos fundadores do novo Estado.

A unidade nacional dependia do Estado, integrando todas as diversidades políticas, lingüísticas, étnicas e elementos religiosos que existiam em uma diminuta área da Europa, ocupada pela Suíça. E o federalismo foi considerado o único quadro que poderia abrigar o gerenciamento de um país com tamanha diversidade.

Onde há federalismo há também 'subsidiaridade'. Isto significa que decisões políticas são sempre tomadas nos níveis mais fundamentais possíveis sejam federal, cantonal ou comunitário.

Mesmo tendo a constituição de 1848 sido revista em 1874 e substituída por uma nova, em 2000, a autonomia fundamental dos Cantões continua sagrada.

A Suíça tem, atualmente, tem, atualmente, 26 divisões entre Cantões e Meio-Cantões, cada um com sua própria constituição (aprovada pelo Parlamento Federal). O mais novo Cantão, o Jura, foi admitido na Confederação, através de um plebiscito nacional, em 1979.

Os Cantões podem aumentar impostos e sancionar suas próprias leis, desde que estejam em conformidade com a legislação federal. Eles também elegem seus próprios governos e parlamentos. Cerca de um quinto das 3 mil autoridades cantonais tem seus próprios parlamentos e leis locais, ligadas a questões como ruas, edifícios escolares e tarifas de água e energia elétrica, assim como regras para áreas de estacionamento.

Poderes governamentais

Os poderes do governo federal estão firmemente definidos na Constituição. Estes poderes incluem a defesa, a segurança interna, as relações diplomáticas e a política exterior, a alfândega, os correios, os telefones e as comunicações ferroviárias.

Apesar de se haver registrado certo grau de liberalização nos setores de transportes e telecomunicações, as empresas estatais retiveram ampla margem desse mercado. As autoridades federais também regulam a caça e a pesca, e ainda controlam as áreas de seguro social nacional compulsório e o sistema de seguro para deficientes físicos.

O setor energético, especialmente o de energia nuclear, ainda é rigorosamente controlado. As tentativas de liberalização até agora fracassaram.

Suíça ratificou a Convenção Européia de Direitos Humanos.

Quando o Estado Federativo Suíço foi fundado, em 1848, o país era uma república democrática em meio a um mar de monarquias.

O jovem Estado tornou-se bem cedo um porto seguro para radicais e revolucionários. Lenin viveu na Suíça durante a Primeira Guerra Mundial e realizou, a partir de seu exílio, em Zurique, a decisiva viagem para criar a União Soviética.

Dentro da Suíça, a constituição de 1848 introduziu amplos direitos civis, dando aos cidadãos uma real influência na política.

O governo

O poder executivo – governo – composto por um gabinete de sete ministros, é também chamado de Conselho Federal. Os membros são eleitos, reeleitos – e muito raramente demitidos – pelo Parlamento em Berna.

Eleições para uma nova legislatura ocorrem a cada quatro anos e não é raro que membros do gabinete ou ministros permaneçam em seus cargos por dez ou mais anos, embora muitos mudem de pasta durante esse período.

Em tese, qualquer cidadão pode se tornar membro do Gabinete. Na prática, porém, a única possibilidade de sucesso, desde a Segunda Guerra Mundial, é filiar-se a um dos quatro partidos representados no Governo Federal.

Em 1959, o remanejamento de governo passou a seguir o esquema chamado "fórmula mágica" (2-2-2-1), estabelecendo duas cadeiras para os radicais, duas para os socialistas, duas para os democratas cristãos e uma, para a União Democrática do Centro (UDC), que, na época, era o chamado Partido dos Agricultores e Artesãos.

A divisão dos 7 assentos do poder executivo era, de fato, reflexo da proporcionalidade de forças dos principais partidos no Parlamento. A crescente força da UDC (direita), nas últimas duas legislaturas, levou os democratas cristãos a cederem uma de suas cadeiras, após as eleições de 2003.

Ruth Metzler, ministra da Justiça e Polícia, teve que deixar o cargo depois de apenas quatro anos. O acontecimento quase sem precedentes foi provocado por lutas internas no Partido Democrata Cristão. Metzler foi substituída por uma emblemática figura da União Democrática de Centro, Christoph Blocher.

O presente acordo, com a UDC obtendo uma segunda cadeira, restabelece o esquema 2-2-2-1 e, de fato, continua a representar a força proporcional dos partidos.

Ministros mulheres

Ruth Metzler foi a terceira mulher a chegar ao posto de ministro no Governo, desde 1984. O fato de ter perdido sua cadeira, enquanto seu colega democrata cristão, Joseph Deiss, manteve a sua, foi considerado por muitas mulheres como prova de machismo, um comportamento que prevalece no sistema político.

Atualmente, há duas mulheres no Governo – composto por sete membros: a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey e a ministra da Economia, Doris Leuthard. Os outros quatro ministérios são Defesa, Interior, Finanças, EJustiça e Polícia (juntos), Transportes, Energia e Comunicações (também juntos).

O Gabinete e a Confederação têm um presidente mas este é um cargo ocupado em forma de rodízio anual entre os sete ministros do Governo Federal Suíço.

O presidente suíço não desfruta de quaisquer poderes especiais ou privilégios. Ele ou ela preside as reuniões do Gabinete e representa o país como anfitrião durante visitas oficiais de chefes de estado estrangeiros, programadas pela Suíça.

Como só há sete ministérios, o trabalho dos membros do Governo é intenso. As reuniões do Gabinete são realizadas todas as quartas-feiras, às oito horas da manhã, e geralmente duram até ao meio-dia, após o que os ministros almoçam em um restaurante de Berna. Se necessário, uma sessão extraordinária é convocada.

Apesar dos ministros não serem membros do Parlamento, devem, regularmente, apresentar suas propostas legislativas às duas câmaras. Durante o período de três semanas dedicadas à sessão parlamentar, há espaço para perguntas, que devem ser previamente propostas.

Política de consenso

Um princípio fundamental do Gabinete, composto de 4 partidos, é a necessidade de buscar consenso e demonstrá-lo perante o Parlamento e a opinião pública.

Isto só pode ser conseguido após um longo e fundamental debate. Não é raro que um ministro tenha que representar a política da maioria dos sete membros, mesmo não estando de acordo com a mesma.

Isto significa que, de vez em quando, em determinadas questões, os ministros se distanciam da linha de seus próprios partidos. Contudo, a Suíça não possui um governo de coalizão. Não existe, tampouco, um programa pluripartidário previamente aprovado. O Gabinete não pode ser submetido a pressões oriundas de alianças partidárias.

O fato de que os membros do governo possam chegar a uma verdadeira coalizão representa mais uma posição comum sobre os objetivos do Gabinete durante um período legislativo de quatro anos, que um compromisso obrigatório. Recentemente, fracassou uma tentativa parlamentar, visando obrigar o gabinete a adotar uma política mais firmemente vinculadora.

Apesar de não estarem no centro de grandes negócios, os atuais membros do Gabinete são bem remunerados. Cada um recebe um salário de cerca de 400.000 francos suíços (US$ 316.000) por ano. Os membros do Governo desfrutam do prestígio próprio da alta sociedade, mas, mesmo assim, viajam de vez em quando de trem, para trabalharem em Berna.

Conquistar uma cadeira no Governo não é fácil. Jurisprudência escrita ou não e a estabilidade do sistema suíço significam que que dois candidatos do mesmo Cantão ou vários de uma mesma região, se auto-excluem.

Equilíbrio

Uma lei proibindo a eleição de mais de um ministro do mesmo Cantão foi rejeitada. Mesmo assim, ambições locais asseguram que a composição do executivo federal deva apresentar equilíbrio - de preferência proporcional - entre regiões, idiomas, religiões e, naturalmente, fidelidade partidária.

Segundo norma não escrita, os três maiores Cantões – Zurique, Berna e Vaud – devem estar representados no Governo. Isto significa que Cantões como Genebra, provavelmente o mais conhecido da Suíça, possam ficar sem representação no Gabinete durante décadas.

O mesmo ocorre com o Ticino, Cantão pertencente à Suíça italiana, ao sul do país, que há muitos anos não vem tendo representante no governo federal, o que, de certa forma, melhora as possibilidades de eleição de um eventual candidato dessa região.

As regras, no entanto, não são nem tão rígidas, nem tão genéricas. Zurique conta, atualmente, com dois membros no executivo federal: o ministro socialista Moritz Leuenberger e o da UDC - União Democrática do Centro - Christoph Blocher.

Um Gabinete eleito exclusivamente pelo Parlamento é visto por alguns suíços como uma aberração. Por isso mesmo, tem havido alguns tímidos esforços no sentido de discutir a eleição dos ministros pela população. O debate foi alimentado pela recente substituição da ministra Ruth Metzler por Christoph Blocher.

Uma mudança desse porte se chocaria com os poderes parlamentares zelosamente guardados, poderes que incluem a possibilidade de eleger – de forma mais ou menos intencional – um Governo relativamente fraco.

Parlamento

A legislação nacional é tarefa do Parlamento Federal em Berna, que habitualmente se reúne para suas quatro sessões de três semanas de duração, durante cada uma das quatro estações do ano. A pressão do trabalho ou uma crise pode levar à realização de sessões extraordinárias com alguns dias de duração.

O modelo do trabalho parlamentar é o reflexo de milícia ou de trabalho por tempo parcial dos deputados e senadores, que quase sempre têm uma atividade profissional fora do Parlamento.

O Parlamento tem duas câmaras no mesmo edifício. A Câmara dos Deputados (também chamada de Conselho Nacional) representa a população com 200 cadeiras. E o Senado (ou Conselho dos Estados), onde têm assento representantes dos Cantões, com 46 membros.

Não há Câmara Alta ou Câmara Baixa. As propostas podem ser apresentadas em qualquer uma das duas Câmaras, mas, todos os projetos devem passar pelas duas casas, com idêntica formulação.

Os membros da Câmara dos Deputados são eleitos por representação proporcional. Os membros do Senado, por voto majoritário. Cada Cantão tem dois senadores e os meio-Cantões elegem um. O censo demográfico determina o número de representantes a serem enviados ao Parlamento de Berna.

A maior parte dos projetos de lei é submetida ao Parlamento pelo Governo. Deputados e senadores têm, no entanto, o direito individual de apresentar projetos de lei, moções obrigatórias e não obrigatórias ou simples questões.

Há, ainda, no Parlamento, um espaço semanal consagrado para respostas a perguntas escritas.

Apesar de as mulheres suíças terem obtido o direito de voto, em plano nacional, há apenas 30 anos, a representação delas no Parlamento continua oscilando em torno de 25%, mesmo considerando o fato de que a metade da população suíça seja composta por mulheres.

Vista de fora, a Suíça parece uma típica democracia parlamentar. Mas, o que faz deste país um caso especial é que nem os membros do executivo federal, nem o Parlamento, têm poderes semelhantes aos de países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.

Poder Popular

Praticamente, qualquer decisão que o Governo tome ou que o Parlamento aprove, pode ser rejeitada pela população – ou o "soberano" - como as vezes o eleitorado é chamado.

Uma vez que o Parlamento aprove uma lei que esteja pronta para entrar em vigor, os eleitores têm 100 dias para coletar 50.000 assinaturas para pedir um referendo nacional sobre a questão.

É como se os eleitores tivessem um freio nas mãos. Isto explica porque antes de se apresentar uma proposta ao Parlamento, as partes interessadas são exaustivamente consultadas.

Mas, mesmo com essa cuidadosa sondagem de opinião não há garantias de que seja aprovada, como têm constatado o Governo e o Parlamento.

Um quorum de Cantões também tem o direito de convocar um referendo nacional sobre questões que os afetem. Apesar de este direito vigorar há mais de um século, foi utilizado pela primeira vez na primavera de 2004, quando um referendo convocado por Cantões derrubou um imposto federal e uma decisão sobre cortes de gastos.

Os eleitores, porém, não são apenas capazes de colocar freios em legislações. Eles também podem apresentar propostas. Coletando 100.000 assinaturas, os cidadãos podem forçar uma votação nacional sobre emendas ou alterações na Constituição.

Eleitores têm 18 meses para coletar as assinaturas necessárias. Nesse período, o Governo freqüentemente apresenta uma contraproposta de menor alcance. As experiências mostram que essa alternativa é mais bem sucedida que a iniciativa propriamente dita, cujas possibilidades de êxito oscilam entre 25% e 30%.

Rigorosamente falando, uma iniciativa popular deve estar relacionada com matérias constitucionais, seja o remanescente de um artigo ou um novo provimento. No entanto, nem sempre foi assim. Em décadas recentes, matérias como proibição da franco-maçonaria ou exportação de armamentos surgiram através do sistema de iniciativa popular.

Tratados internacionais de duração indeterminada, como a adesão às Nações Unidas, precisam ser submetidos à votação popular. Em muitos casos em que o referendo era opcional, o Governo decidiu realizar um plebiscito para evitar que os oponentes desenvolvessem uma campanha ruidosa.

Em resumo, pode-se dizer que os eleitores suíços estão capacitados a exercer uma forte pressão sobre o legislativo e o executivo.

Neutralidade

A Suíça e a neutralidade são sinônimos. Este país não pode estabelecer alianças militares a menos que seja atacado. Suas forças somente podem ser usadas em defesa própria e para segurança interna. Não pode tomar partido em conflitos internacionais e dar direito de passagem a forças estrangeiras.

Para a Suíça, neutralidade implica neutralidade armada, o que justifica a vontade que o país sempre demonstrou de manter sua defesa em respeitável nível e por que o serviço militar continua compulsório, de acordo com sua Constituição.

Com o fim da Guerra Fria, a neutralidade já não é mais tão imperativa quanto foi para pequenas nações. A interdependência do mundo moderno torna cada vez mais difícil uma neutralidade pura e ortodoxa.

Mas a limitação auto-imposta para permanecer à margem do mundo político acabou modificando as atitudes suíças em relação à neutralidade. O país é membro das Nações Unidas desde 2002, embora tenha, de fato, participado intensamente e por várias décadas das atividades de suas agências especializadas, como UNESCO, OMS, FAO, OIT, UNICEF, entre outras.

Um referendo nacional foi necessário para autorizar seu ingresso no organismo internacional, registrando-se um total de 55 por cento de votos favoráveis. A Suíça também é membro da Parceria para a Paz, da OTAN, apesar de não ter planos para se integrar à aliança militar, o que certamente comprometeria seu princípio de neutralidade.

A adesão às Nações Unidas foi saudada como um grande passo rumo ao concerto de nações. De fato, após o término da Segunda Guerra Mundial, a Suíça tem apoiado permanentemente os esforços internacionais pela paz, conseguindo evitar a adesão às forças de manutenção da paz das Nações Unidas.

A Suíça tem participado das tarefas de supervisão da trégua, após a Guerra da Coréia e a crise no Oriente Médio desde 1967. Observadores suíços de eleições foram enviados à África e ao Leste Europeu. Uma companhia das Forças Armadas Suíças, composta de 175 homens (Swisscoy), instalou-se há vários anos em Kosovo, com apoio dos esforços internacionais de manutenção de paz nos Bálcãs.

A Suíça foi um dos primeiros membros do Conselho da Europa e mais recentemente da OSCE – Organização para Segurança e Cooperação na Europa.

Política Exterior

O fim da Guerra Fria deu à Suíça a possibilidade de desenvolver uma política exterior mais ativa.

Isto também se aplica a muitos outros pequenos países. O resultado é que o papel da Suíça como mediadora não é mais opção automática em caso de conflitos internacionais. Permanece, porém, como ponto de encontro para conversações internacionais. Exemplos recentes foram os esforços patrocinados pela ONU para reunir cipriotas gregos e cipriotas turcos, e nas conversações de paz entre o governo de Sri Lanka e os Tigres Tâmil.

A oferta de bons ofícios permanece como objetivo principal da política exterior suíça. Outras metas são a salvaguarda dos interesses econômicos suíços, a promoção mundial dos direitos humanos, boa governabilidade e proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.

Os esforços mais visíveis da Suíça são os projetos de ajuda ao desenvolvimento, geralmente dirigidos às mais pobres nações e baseados na auto-ajuda.

Consideráveis somas foram aplicadas em ajuda humanitária, especialmente depois de desastres como terremotos. É nesses casos que intervém a Unidade Suíça de Ajuda em Caso de Catástrofe, com a atuação de um grande grupo de especialistas.

Ajuda de curto prazo, em caso de emergência, precede os projetos de longo prazo que são geralmente realizados pela Divisão Suíça de Desenvolvimento e Cooperação – DDC – e pelo Ministério das Relações Exteriores.

Projetos ultramarinos de desenvolvimento

A DDC concentra sua ajuda técnico-financeira em 17 nações-chave. Outros países em desenvolvimento recebem da Suíça apoio canalizado através de programas internacionais e, em casos de desastres naturais, da Unidade Suíça de Ajuda em Caso de Catástrofes.

Os países industrializados ocidentais, integrantes da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - aumentaram sua contribuição aos projetos de ajuda em 2003.

A Suíça, como membro do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento (DAC) da OCDE subscreveu auxílio no valor de 1.9 bilhão de francos, equivalente a 0,4% de seu PIB. Esse total não alcança os objetivos de 0,7% do PIB fixado pela ONU, mas considerado per capita, é bastante elevado.

A Suíça também é membro do pacto de estabilização do Sudeste Europeu e deve contribuir com 1 bilhão de francos suíços para o fundo de coesão da União Européia em favor dos novos paises do Leste Europeu que ingressam na EU.

CICV

O antigo símbolo da ajuda humanitária suíça é o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV – com sede em Genebra.

Esta organização humanitária independente presta ajuda em áreas de desastres ao redor do mundo. Promove o cumprimento das leis humanitárias internacionais, e, em particular, tudo o que está relacionado às Convenções de Genebra, no que se refere às vítimas dos conflitos e tratamentos de prisioneiros de guerra. O CICV pode também agir como mediador em conflitos.

A Suíça, como estado depositário das Convenções de Genebra, tem um grande interesse no sucesso dos trabalhos desenvolvidos pelo CICV e contribui substancialmente em espécie, sem influenciar politicamente a organização.

A justiça

Suíça
A Justiça pode ser cega, mas na Suíça ela é vista sob diferentes aspectos

Tribunal Federal

O Tribunal Federal, a corte suprema da Suíça, está sediado em Lausanne, sudoeste. O Tribunal Federal de Seguros, que julga casos relativos aos programas de seguros do Estado, localiza-se em Lucerna, centro. E em abril de 2004, a divisão penal do Tribunal Federal se estabeleceu em Bellinzona, região italiana da Suíça, no sul dos Alpes.

Já o Tribunal Administrativo Federal deverá ser aberto em St. Gallen, nordeste, em 2007.

É proposital a localização descentralizada do Tribunal Federal e de suas diferentes divisões. Esta atitude evidencia o federalismo e, acima de tudo, o desejo de respeitar a separação de poderes, com distâncias geográficas entre o judiciário, o legislativo e o executivo.

O sistema é, porém, complexo e oneroso, custando aos contribuintes cerca de 4 bilhões francos suíços por ano.

Enquanto o sistema legal suíço tem uma estrutura amplamente federal, a legislação nacional, como definida pelo Tribunal Federal, tem precedência sobre as leis cantonais.

O Código Penal e, mais recentemente, o Código Civil são da alçada federal. Mas a organização e os procedimentos legais estão nas mãos de várias cortes cantonais.

Desse modo, alguns cantões ainda possuem jurados, enquanto outros têm um corpo de juízes profissionais, responsáveis pelos veredictos.

Entretanto, está em estudos uma legislação visando agilizar o sistema.

Apelos contra veredictos cantonais podem terminar no Tribunal Federal. Mas, este Tribunal também está apto a julgar crimes federais específicos, tais como atentados a bomba e seqüestros. O mesmo vale para violação dos direitos internacionais e intercantonais.

O Tribunal Federal, em Lausanne, tem 30 juízes e 15 substitutos. Os juízes são designados pelo Parlamento, que normalmente assegura paridade político-partidária das nomeações.

Cerca de 40 por cento das questões debatidas referem-se a matérias constitucionais. O restante é composto por ações administrativa, criminal, civil e executiva de débito.

Contudo, ao contrário de várias outras supremas cortes, o Tribunal Federal Suíço não pode julgar legislação federal.

Assim, o Tribunal Federal não pode decidir se uma lei federal está de acordo com a constituição. Alguns veredictos acabam terminando numa área nebulosa. O Parlamento, em geral, mantém controle cerrado sobre os veredictos, que tratam de sentenças sobre questões políticas ou de liberdade.

A Defesa

Suíça
O exército suíço defende a neutralidade do país.

Tradição

O clássico papel do Exército Suíço tem sido defender a independência do país e garantir sua segurança interna.

A estes papéis foram acrescidos, agora, a promoção da paz em contexto internacional e ajuda humanitária após catástrofes naturais.

O serviço militar é compulsório para todos os homens habilitados. As mulheres podem servir como voluntárias na maior parte das unidades. Quem se oponha ao serviço militar pode substituí-lo por serviços comunitários, 1.5 vezes mais demorados. Um painel de especialistas analisa o pedido desses contestadores.

As Forças Armadas Suíças têm um papel puramente defensivo. Essas regras vêm sendo modificadas, de modo que tem sido possível para as tropas suíças de armamento ligeiro servir nas operações de apoio à paz das Nações Unidas, que não prevejam combates.

Desde o término da Guerra Fria, a Suíça vem conseguindo, com sucesso, reduzir o tamanho de suas forças armadas. O reforma Exército 1995 restringiu o número de efetivos para 400.000 soldados. O novo programa Exército XXI prevê uma força ativa de 120.000 pessoas, além de 80.000 reservas e incorporação de 20.000 recrutas.

Mais profissional

A crescente profissionalização das unidades significa que novas e mais extensas formas de serviços serão agora necessárias.

A ala permanente da força aérea há décadas vem operando a tempo integral. A crescente natureza técnica dos exércitos exige agora que dois terços dos recrutas façam treino básico de 18 semanas ao invés de 15. O terço remanescente cumpre um período de 21 semanas de treinamento.

Atualmente, os processos de recrutamento e de seleção duram três dias, assegurando uma menor taxa de dispensa. Os cursos de aprimoramento anual de duas ou três semanas estão de volta na programação, e, novidade na Suíça, os recrutas podem optar por fazer seu serviço vitalício de 300 dias em um período ininterrupto.

Um núcleo de 2.000-3.000 recrutas anuais, juntamente com cerca de 3.000 instrutores profissionais, não representa um exército permanente. Permite, porém, mais eficiente desempenho de missões como segurança de embaixadas ou proteção de conferências internacionais que se realizem na Suíça.

Reforma

Exército XXI é a mais radical transformação da defesa suíça desde a Segunda Guerra Mundial. Concepção militar moderna exige unidades de luta mais flexíveis, dinâmicas e móveis.

Divisões estão se transformando em brigadas e muitas formações estáticas estão sendo reagrupadas. A drástica redução significa que a Suíça acumula um gigantesco arsenal, petrechos que na maioria tenta vender.

Desse modo, os caças F-5E foram vendidos de volta aos Estados Unidos, enquanto que os tanques de combate Leopard foram armazenados - com bolinhas de naftalina - num depósito climatizado.

Os cortes significam que, com o fechamento de certo número de bases da força aérea, centros logísticos e depósitos, muitos empregados do Ministério da Defesa correm risco de perder o emprego.

A Suíça gasta, atualmente, menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) anuais com a defesa nacional.

Mas mantém-se o objetivo de formar uma dinâmica e eficiente força de autodefesa, baseada no recrutamento. E o estado-maior do Exército quer reforçar com mais aviões a esquadra de caças, integrada por 33 F/A-18, para permitir uma força aérea que atenda às metas da defesa aérea do país. Contudo, especialistas militares advertiram que, com uma redução dos gastos militares desse porte, o Exército precisará de pelo menos oito anos para recuperar seu total desempenho.

O DIS, Diretório para Inteligência Secreta, é um serviço de inteligência exterior permanente. Ele produz contínuas análises sobre ameaças, perigos e riscos, particularmente através de estações de satélites de interceptação.

As comunicações civis e militares internacionais transportadas por satélites, incluindo tráfico via Internet, são monitorados pelo Onyx, uma pequena versão do sistema americano Echelon.

Onyx, com base em três regiões dos Cantões de Berna e Valais, utiliza software de filtro, que busca palavras chaves para interceptar comunicações via satélite.

Fonte: www.swissinfo.ch

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