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Suicídio de Santos Dumont

 

 

Alberto Santos Dumont tirou a própria vida em um quarto do Grande Hotel de La Plage, Guarujá, em 1932.

O motivo, dizem alguns, teria sido uma profunda depressão causada pela constatação de que o avião, seu invento, estava sendo usado para fins militares. Virara um instrumento de morte e destruição.

Há testemunhas que juram ter visto o inventor presenciar um bombardeio na ilha da Moela, Guarujá, em frente à praia do Grand Hotel, pouco antes de recolher-se a seu quarto para enforcar-se, com a própia gravata segundo alguns, com o cinto do roupão de banho, segundo outros.

Há quem diga que o motivo do suicídio foi uma desilusão amorosa. Alguns dizem que seu sobrinho e companheiro, Jorge Dumont Villares, o abandonara.

Outros dizem que a cantora lírica Bidu Sayão, casada com Walter Mocchi, visitava Santos Dumont no Grand Hotel. Há mesmo quem diga que o inventor era apaixonado por Yolanda Penteado.

O fato é que Alberto Santos Dumont não desceu para almoçar em 23 de julho de 1932. Os funcionários do hotel arrombaram a porta do quarto 152 (onde Dumont se hospedava, reservando o quarto 151 para seu sobrinho, Jorge) encontrando o inventor já sem vida.

Quatro anos antes, em 3 de dezembro de 1928, Santos Dumont voltava ao Brasil bordo do navio Cap Arcona e vários intelectuais e amigos do inventor planejaram prestar-lhe uma homenagem. Pretendiam lançar uma mensagem de boas vindas em um paraquedas e estavam todos à bordo de um hidroavião batizado com o nome do Pai da Aviação.

Depois de uma manobra desastrada, o avião caiu no mar matando todos os seus ocupantes, entre eles vários amigos de Santos Dumont, tais como Tobias Moscoso, Amauri de Medeiros, Ferdinando Laboriau, Frederico de Oliveira Coutinho, Amoroso Costa e Paulo de Castro Maia.

Santos Dumont fez questão de acompanhar por vários dias as buscas pelos corpos, após o que recolheu-se, primeiro a seu quarto no Hotel Copacabana Palace, depois a sua casa em Petrópolis, onde entrou em profunda depressão. Após algum tempo, voltou a Paris, internando-se em um sanatório nos Pirineus.

A insistência em creditar aos irmãos Wright a invenção do avião incomodava Santos Dumont, que levou seu 14 Bis ao ar em outubro de 1906, sem recorrer a qualquer artifício. Os americanos voaram somente em 1908 e seu aparelho alçava vôo apenas com o auxílio de uma catapulta.

Antonio Prado Júnior, exilado em Paris, foi visitar o amigo Santos Dumont em Biarritz e constatou seu total abatimento, imediatamente telegrafando à família do inventor para que esta tomasse alguma providência. Jorge Dumont Villares foi buscar o tio na Europa e passou a ser seu inseparável companheiro no Brasil.

Em São Paulo, Alberto Santos Dumont ia à Sociedade Hípica Paulista e ao Clube Athlético Paulistano. Passava muitas tardes também na redação do jornal O Estado de São Paulo. Recebia também a visita quase diária do médico Sinésio Rangel Pestana, que recomendou ao inventor uma temporada no Guarujá, para tratar de sua delicada saúde.

Lá, Santos Dumont passou seus últimos dias, passeando pela praia, conversando com crianças, entre elas Marina Villares da Silva e Christian Von Bulow, que moravam no balneário. Christian conta ter presenciado Santos Dumont chorando na praia após ver o bombardeio do cruzador Bahia, por três aviões "vermelhinhos", leais ao Governo Federal, na ilha da Moela.

Algum tempo depois, naquele mesmo dia, o inventor teria tirado a própria vida em seu quarto no Grande Hotel. Um pouco antes recebera a visita de Edu Chaves, com quem havia conversado sobre o bárbaro destino da aviação.

A certidão de óbito do inventor ficou "sumida" por 23 anos. Quando foi encontrada, dava como "causa mortis" de Santos Dumont um suposto "colapso cardíaco". Não ficava bem o herói nacional ter cometido suicídio.

O próprio Governador da época, Dr. Pedro de Toledo, determinou: "Não haverá inquérito. Santos Dumont não se suicidou." Cumpridas as ordens do Governador, somente a 3 de dezembro de 1955 seria registrado o óbito.

Santos Dumont entrou em depressão ao ver seu invento sendo usado para lançar bombas sobre inimigos de guerra.

Imaginem o que ele sentiria se pudesse presenciar as cenas que o mundo todo viu, de aviões civis sendo atirados contra as torres do World Trade Center e contra o Pentágono, em covardes ações terroristas.

Fonte: www.sobreasondas.com

Suicídio de Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu na Fazenda Cabangu, MG, em 20 de julho de 1873, e cresceu lendo histórias do escritor Júlio Verne, que antecipava grandes progressos na área de transportes para a humanidade, inclusive na área da aerostação.

Santos Dumont, desenvolveu seu gosto pela mecânica em Paris, na então "Capital do mundo" a França.

Confirmou seu fascínio pelo transporte aéreo ao voar pela primeira vez em uma balão e, a partir de então, dedicou sua vida à aviação.

Após diversas experiências com balões, construiu o exemplar mais conhecido: o balão "Brasil", que voou em julho de 1898. Alberto foi o pioneiro ao desenvolver dirigíveis usando motor à gasolina, mais leves que os motores a vapor ou eletricidade empregados na época.

Em 19 de outubro de 1901, conquistou o prêmio Deustch de la Meurthe destinado ao primeiro vôo bem sucedido em dirigível, ao contornar a Torre Eifel com um dirigível (nº6) dentro das regras estipuladas.

Suicídio de Santos Dumont

Em 1906 foi a vez do mais-pesado-que-o-ar, um aeroplano (avião), onde teve o testemunho do público geral e especialistas da imprensa. Desta vez os prêmios conquistados foram os de Ernest Archdeacon e do Aeroclube da França.

Em 23 de outubro, Santos Dumont realizou o que ficou conhecido como "um minuto memorável na história da navegação aérea".

No campo de Bagatelle, às 16h25min, após percorrer cerca de 200 metros, o "14-Bis" conseguiu deslocar-se em pleno espaço a uma altura calculada de 2 a 3 metros, e voar 61 metros de distância. Em 12 de novembro, o brasileiro voltou a surpreender o mundo, voando 220 metros a uma altura de 6 metros batendo seu próprio recorde ao conseguir atingir, em 21,5 segundos, a velocidade de 41,3km/h.

Em 1907, Santos Dumont cria seu modelo mais popular: o "Demoisele". Era extremamente leve (118kg) e oito vezes menor que o 14-Bis, feito de seda e bambu e muito rápido (90km/h) o verdadeiro precursor dos ultra-leves.

Suicídio de Santos Dumont
Santos Dumont

Alberto Santos Dumont suicidou-se em 1932 no Guarujá em São Paulo.

Fonte: www.pioneirosdoar.com.br

Suicídio de Santos Dumont

Santos Dumont, o inventor do avião, continua sendo assunto frequente em Guarujá, pois foi a cidade que escolheu para viver os seus últimos dias, até porque muitas pessoas que tiveram contato com ele estão vivas e ainda residem no município.

Oriundo de uma família rica ( exploradores de ouriversaria e pedras preciosas), Santos Dumont nasceu em 1873. Passou sua infancia na fazenda de café do pai, que era a maior da América Latina com 5 milhões de pés de café.

Fanático por livros do escritor francês Jules Verne, o pequeno Alberto começou suas experiências com pequenos balões, nas festa juninas, chegou a construir pipas exóticas e até pequenas aeronaves movidas a elásticos e hélice.
Era um gênio da mecânica. Aos 7 anos dirigia os automóveis da fazenda, aos 12 passou a manejar, desmontar e consertar as locomotivas Baldwin.

Foi a Paris pela primeira vez buscando tratamento para o pai, doente, e lá viu um motor a petróleo funcionando, o que lhe despertou profundo interesse. Aos 19 anos , seu pai emancipou-o e garantiu sua liberdade financeira para o resto da vida. Ele viajou para Paris e passou a estudar automóveis( foi o primeiro brasileiro a introduzir no Brasil um automóvel a petróleo ).

Para chegar aos balões, se empregou como piloto de uma empresa. Construi seu primeiro balão, o Brasil, dois anos depois, e 13 dirigíveis, com os quais conquistou um prêmio de 100 mil francos, que financiou a construção de outros balões e do 14 Bis, a primeira aeronave a deslizar e decolar usando apenas suas próprias forças, em 1906, nos campos de Bagatelle.

Durante três anos construiu outros tipos de aviação e, em 1909, abandonou os estudos, voltou para o Rio de Janeiro e se estabeleceu em Petrópolis, onde ainda criou vários inventos.

O chalé onde residiu em Petrópolis, foi transformado em Museu.

No Guarujá era frequentador do Grande Hotel La Plage, onde posteriormente passou a residir e conheceu a cantora lírica Bidu Sayão por quem manteve uma grande amizade.

Segundo Iraci Morrone, residente em guarujá e na época camareira do hotel, Santos Dumont , era um homem metódico, mantinha tudo extremamente arrumado e no lugar.

Oswaldo Cáfaro diz que Dumont era uma pessoa bastante reservada e que demonstrava a depressão que sentia no dia-a-dia.

Santos Dumont era uma pessoa sentimental e sensível aos acontecimentos, e não lhe passava despercebido o uso de aviões na revolução constitucionalista de 1932, houve também um acidente com avião no Rio de Janeiro que o magoou muito, outros afirmam que sua depressão teve início com a ida da cantora Bidu Sayão para a Europa.

O aposentado Antônio Mendes, 84 anos, foi a última pessoa a vê-lo com vida. No dia do suicídio, Antônio levou Dumont , de charrete, a ilha que fica em frente ao Shopping La Plage, há períodos em que é possível ir até a lha a pé.

Dumont estava sereno e não havia nenhum indício de que dali a poucas horas iria se matar.

Quando desceu da charrete, comentou comigo "Eu inventei a desgraça do mundo". "Ele não era de muita conversa, e não seria comigo, um moleque de 17 anos que o faria mudar".

Quando retornou ao Grande Hotel La Plage, Santos Dumont entrou no quarto e não saiu mais. Na hora do almoço, funcionários sentiram sua ausência e o procuraram, bateram na porta , mas não obtiveram resposta. O funcionário da limpeza do hotel, Adelino Cardoso, arrombou a porta e encontrou o inventor morto no banheiro.

Sua filha Sra. George Lamarse residia em Paris.

Fonte: www.cabangu.com.br

Suicídio de Santos Dumont

Epílogo de um Idealista

Santos-Dumont nunca aceitou o fato de que sua invenção fosse utilizada para fins bélicos, tão bem demonstrado durante a Grande Guerra de 1914-1918.

Ele acreditava que o avião deveria servir para unir as pessoas, como meio de transporte e, por que não, de lazer, como ele mesmo havia demonstrado, ao deslocar-se em suas aeronaves em Paris para assistir à ópera ou visitar amigos.

Com o início da Revolução Constitucionalista em São Paulo, manda uma mensagem aos brasileiros, posicionando-se contra a luta fratricida.

Alberto sofria de duas graves doenças: Depressão Crônica e Esclerose Múltipla.

Residindo no Grande Hotel no Guarujá, litoral paulista, podia ouvir o som dos aviões do governo, indo em direção a capital paulista para missões de bombardeio: irmãos matando irmãos, utilizando seu invento, fruto de pesquisas e trabalho árduo de toda sua vida.

Aquele som o enlouquecia, e muito agravou seu estado de saúde, levando-o à cometer suicídio em 23 de julho de 1932, aos 59 anos. Ele se enforcou com duas gravatas, no banheiro do hotel.

O motivo da morte foi omitido desde a ditadura de Getúlio Vargas, quando criou-se a figura-mito do herói nacional, chegando a ser ignorado pelos livros de história.

Achavam que não ficaria bem um herói suicida.

Na certidão de óbito a causa da morte foi registrada como "Colapso Cardíaco".

O Brasil, orgulhoso dos feitos de Santos-Dumont, prestou-lhe inúmeras homenagens, e em 22 de setembro de 1959, a ele foi conferido postumamente a patente honorária de Marechal-do-Ar; e no septuagésimo aniversário de seu memorável vôo em torno da torre Eiffel a 19 de outubro de 1901, Santos-Dumont foi declarado "Patrono da Força Aérea Brasileira".

Mais recentemente, em 23 de outubro de 1991, foi conferido a Santos-Dumont, pelo governo brasileiro, o título de "Pai da Aviação"; o título de "Patrono da Força Aérea Brasileira" foi transferido ao Ten.-Brig.-do-Ar Eduardo Gomes.

Os feitos aeronáuticos do Homem foram muitos e grandiosos neste século; pouco mais de 68 anos após Santos-Dumont circundar a torre Eiffel, o astronauta norte-americano Neil Armstrong pisava o solo da Lua, a 20 de julho de 1969 - exatamente no dia em que Santos-Dumont completaria 96 anos de vida.

Uma estranha coincidência, que nos faz admirar os feitos daquele brasileiro, verdadeiro Pai da Aviação.

José Eduardo Oliveira Bruno

Fonte: www.angelfire.lycos.com

Suicídio de Santos Dumont

Porém, ao mesmo tempo em que outros pegavam suas idéias (que ele fez questão de não patentear, para que caíssem no domínio público, como citou o jornal francês Le Matin em 17/9/1909) e tratavam de enriquecer com elas, veio a Primeira Guerra Mundial e ele, desgostoso, viu seus balões dirigíveis e seus aviões ("minha família", como afirmou certa vez) serem empregados militarmente.

Em 1928, viu um grupo de seus amigos morrer em um acidente aéreo no Rio de Janeiro, quando tentavam homenageá-lo por seu retorno ao Brasil, o que agravou sua já profunda depressão. Em 1932, não suportou ver novamente seu maior invento ser usado para metralhar civis e bombardear cidades, na Revolução Constitucionalista. Sua alma fez o vôo final, deixando o corpo no Guarujá...

A morte do Pai da Aviação

O mês de julho tem um grande significado para a nossa aviação, pois assinala a passagem de duas importantes datas: o nascimento e a morte de Alberto Santos Dumont, que trabalhou incansavelmente pelo progresso da humanidade, escrevendo páginas decisivas na história espacial, como criador do primeiro balão dirigível e do aeroplano mecânico.

O mês de julho tem um grande significado para a nossa aviação, pois assinala a passagem de duas importantes datas: o nascimento e a morte de Alberto Santos Dumont, que trabalhou incansavelmente pelo progresso da humanidade, escrevendo páginas decisivas na história espacial, como criador do primeiro balão dirigível e do aeroplano mecânico.

Suicídio de Santos Dumont
Santos Dumont em foto de 1904 de autor desconhecido, em Saint Louis

Além de ter resolvido o problema da dirigibilidade dos balões, contornou a Torre Eiffel a 19 de outubro de 1901, conquistou com o seu 14-Bis a hegemonia de vôo em aparelho mais-pesado-do-que-o-ar, a 23 de outubro de 1906.

O genial aeronauta brasileiro esteve em Paris pela última vez em 1929, quando foi promovido ao grau de Grande Oficial da Legião de Honra da França, marcando presença na Conferência da Federação Internacional Aeronáutica, em junho de 1930, internando-se logo depois numa casa de saúde, em Orthez.

Voltou definitivamente ao Brasil em meados de 1931 e, amargurado, lamentava ter contribuído para os horrores da guerra, onde os aeroplanos se haviam transformado em engenhos de destruição.

No início da Revolução de 1932, ele havia chegado em Guarujá, acompanhado do seu sobrinho Jorge Dumont Villares, demonstrando então profundo esgotamento nervoso. Ficou hospedado no Hotel La Plage e no dia 23 ainda chegou a receber a visita do aviador Edu Chaves, sendo que pouco depois veio a ocorrer o dramático desfecho.

Suicídio de Santos Dumont
Laudo necrológico pelo legista Roberto Catunda, nos arquivos policiais:
Transcrição parcial: "Guarujá - Alberto Santos Dumont - 23-julho-1932. Alberto Santos Dumont - Brasileiro, branco, solteiro, com 59 anos de idade, inventor. Ao que consta, foi encontrado morto em um dos apartamentos do hotel de la Plage, no Guaruja, onde residia. Trata-se do cadáver de um homem de estatura mediana e de constituição regular, ainda em estado de flacidez muscular. Veste terno de casemira preta, gravata preta e calça botinas pretas. Não encontramos pelo corpo vestígio de lesão traumática. A morte se deu por colapso cardíaco"
Imagem: cópia no acervo do historiador Waldir Rueda

Existem várias versões sobre o seu falecimento, mas vejamos o relato do delegado de polícia que atendeu à ocorrência, Dr. Raimundo de Menezes, descrita por Barros Ferreira, a qual transcrevemos:

"- Santos Dumont estava hospedado no Hotel La Plage, que era o melhor do Guarujá. De lá, recebera a comunicação aflita. Não havia tempo a perder. Dirigi-me para o hotel, onde fui encontrar Edu Chaves e um sobrinho do inventor, muito preocupados. Contaram-me que Santos Dumont, nos últimos dias, ficara muito impressionado com o lançamento de bombas por parte de aviões do Governo Ditatorial. Culpava-se pelo seu invento, que devia aproximar os homens e não contribuir para maior matança. Penitenciava-se pelo mau uso que faziam da aviação. Já sofrera uma crise muito grave.

"Sucedera o inesperado. Apesar da vigilância com que o cercavam discretamente, ele desaparecera. Talvez se tivesse afogado.

"- Mas já procuraram no hotel?
"- Ainda não.
"- Já viram nos banheiros? Qual deles usava?
"- Está fechado.
"- Por dentro ou por fora?
"- Não reparamos.
"- Convém ir ver sem demora. É capaz de estar...

"Correram em direção ao banheiro. Bateram à porta. Como não houvesse resposta, mandei arrombá-la. E o que vimos constituia um quadro dos mais dramáticos. Santos Dumont enforcara-se. O corpo, pequeno e magro, pendia do cano do chuveiro. Utilizara como corda o cordão do roupão de banho. Retirado o corpo, o médico informou que nada mais havia a fazer. Estava morto. Restava dar cumprimento aos regulamentos. Conquanto se tratava de uma glória nacional, a autópsia se impunha. Mas, quando cheguei à delegacia, já me aguardava um telefonema do chefe de polícia, então o Tirso Martins. Informou-me que a família de Santos Dumont obtivera do Governador Pedro de Toledo a entrega do corpo..."

E mais adiante:

"... - Suicidou-se, sem dúvida alguma. Por enforcamento. Apanhou o sobrinho distraído e escapou-lhe. O Edu Chaves contou-me que ele andava muito abatido, ultimamente.

"- Então não crie embaraços à família. Vamos dar o caso como morte natural. A família insiste na dispensa da autópsia. Não há motivo para não atender a essa solicitação. O governador está de acordo. Eu assumo a responsabilidade. Já demos instruções à Censura para que os jornais não divulguem a morte como suicídio.

"Assim foi encerrado o caso. Para mim, de certa maneira, da forma mais humanitária e honrosa..."

O "Pai da Aviação" passou seus últimos dias de vida no Grande Hotel de La Plage, em Guarujá, na Ilha de Santo Amaro, a poucos quilômetros da Base de Aviação Naval da Bocaina. E foi ali que, visivelmente abatido pela doença que o afligia, entregou a alma ao Criador no dia 23 de julho de 1932, quando o governo decretou luto oficial por três dias.

Depois do triste desenlace, os parentes e amigos que se encontravam em São Paulo, Drs. Jorge Alfredo e Alberto Dumont Villares, os Srs. José Severo Dumont Fonseca, Alcides de Nova Gomes e os Drs. Taylor de Oliveira, Francisco Bento de Carvalho, José Bento de Carvalho e João Mourão, se deslocaram rapidamente para o Guarujá e acompanharam o corpo até nossa cidade, através do ferry-boat e, daqui para São Paulo, pela estrada de rodagem. (2)
Da capital bandeirante, o esquife de Santos Dumont foi colocado num comboio especial que partiu da Estação do Norte (Roosevelt) com destino ao Rio de Janeiro, onde foi sepultado com honras de Ministro de Estado.

Suicídio ou não, o certo é que desaparecia, aos 59 anos de idade, o genial aeronauta patrício, desbravador incansável que cumprira o seu patriótico sonho de menino: competiu com as aves e elevou-se majestosamente no espaço como um verdadeiro homem-pássaro, tranqüilo como um deus-alado, pois, afinal, o seu sonho era "voar como os pássaros e não saltar como os gafanhotos".

(*) J. Muniz Jr., no livro Episódios e Narrativas da Aviação na Baixada Santista, edição do autor, comemorativa da Semana da Asa de 1982, Santos/SP.

NOTAS:

(1) "Morte Trágica de Santos Dumont", Edição Extra.... (4.3.1963)

(2) "O Brasil Perdeu um dos Seus Maiores Filhos", jornal A Tribuna (24.7.1932)

Suicídio de Santos Dumont
Carta aberta de Santos Dumont em 14/71932, nove dias antes de sua morte.
Embora datada de São Paulo, teria sido escrita mesmo em Guarujá/SP
(Documentos & Autógrafos Brasileiros na Coleção Pedro Correa do Lago,
ed. Salamandra, São Paulo/SP, 1997, p.107)

São Paulo 14 de Julho de 1932

Meus patrícios

Solicitado pelos meus conterraneos mineiros moradores neste estado, para subscrever uma mensagem que revindica a ordem constitucional do paiz, não me é dado, por molestia, sair do refúgio à que forçadamente me acolhi, mas posso ainda por estas palavras escriptas afirmar-lhes, não só o meu inteiro aplauso como tambem o apêlo de quem, tendo sempre visado a gloria da sua Patria dentro do progresso harmônico da humanidade, julga poder dirigir-se em geral a todos os seus patrícios, como um crente sincero em que os problemas de ordem, politica e economica que óra se debatem, sómente dentro da lei e n'um quadro de plena concordia poderão ser resolvidos, de forma a conduzir a nossa Pátria à superior finalidade dos seus magnos destinos. Viva o Brazil unido.

Santos Dumont

Suicídio de Santos Dumont
Desenho feito por Santos Dumont, em 8/1/1929, no Rio de Janeiro: "minha família" (Documentos & Autógrafos Brasileiros na Coleção Pedro Correa do Lago,
ed. Salamandra, São Paulo/SP, 1997, p.106)

Suicídio de Santos Dumont
Carta de 1926 que Santos Dumont escreveu na cidade suíça de Val-Mont para um de seus melhores amigos, Antônio Prado, mais tarde prefeito de São Paulo (Documentos & Autógrafos Brasileiros na Coleção Pedro Correa do Lago, ed. Salamandra, São Paulo/SP, 1997, p. 105)

Val-Mont, 11-10-1926

Presado Amigo

Espero que a minha carta postal tenha alcançado você em Lisboa e que tenham feito bôa viagem.

Venho te pedir um grande favor: como já deves saber um senhor senador propoz sem me consultar, a minha nomeação de General! Não só isto é uma coisa ridícula, mas também parece até sarcástica pois eu em Fevereiro propuz a abolição da aviação como arma de guerra.

Venho pois te pedir como sei que és muito amigo do nosso futuro Presidente, para pedir a elle que mande parar tudo isto e mais homenagens, pois eu como você sabe ando já ha 2 annos doente dos nervos e só peço a Deus uma coisa é que me deixem em paz. Já aqui estou há __ mezes e não tenho coragem de sahir (Berne, Divonne e Val-Mont). Desde já te agradeço e também ao Dr. Washington Luis. Eu não sei quando irei até ahi.

Muitas recomendações à Dª Eglantina.

Saúdades do amigo

Santos Dumont

Suicídio de Santos Dumont
Carta autógrafa de Santos Dumont, descrevendo o aeroplano Demoiselle, em 15/2/1920, escrita em sua casa de Petrópolis/RJ, que chamava de "A Encantada"
(Antologia e Documentação/Enciclopédia Mirador Internacional, ref. 9)

A "Demoiselle" media 10 metros quadrados de superfície de azas; era 8 vezes menor que o 14 bis! Com ella, durante um anno, fiz vôos todas as tardes e fui, mesmo, em certa occasião, visitar um amigo em seu castello.

Como era um aeroplano pequenino e transparente, deram-lhe o nome de "Libelule" ou "Demoiselle".

Este foi, de todos os meus apparelhos, o que conseguiu maior popularidade.

Suicidou-se em julho de 1932, no Guarujá. Isto em plena Revolução Constitucionalista e du- rante um bombardeio aéreo das tropas federais. Esses ataques aéreos agravaram ainda mais seu estado depressivo.

Seu suicídio foi escondido do público duran te muitos anos, bem como seu atestado de óbito foi adulterado, para que não conhecessem a real causa de sua morte.

Santos Dumont

Fonte: www.novomilenio.inf.br

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