
A Persistência da Memória, Salvador Dali
Movimento da literatura e das belas artes, fundado em Paris pelo poeta e crítico André Breton em 1924, quando publicou seu Manifesto Surrealista. Foi constantemente dominado por seu criador. Cresceu fora do movimento conhecido como Dadaísmo, um movimento artístico e literário que refletiu o protesto niilista contra todos os aspectos da cultura Ocidental. Assim como o Dadaísmo, enfatizou o papel do inconsciente na atividade criativa, mas empregou o inconsciente psíquico mais ordenadamente e de maneira mais séria.
Os surrealistas deram seguimento, como seus antecessores literários, a uma longa linha de excelentes escritores, entre os quais Comte de Lautreamont (1846-70), autor do longo e complicado romance Les chants de Maldoror (1868). Além de Breton, muitos dos escritores franceses mais distinto do início do século se conectaram ao movimento, incluindo Paul Eluard, Louis Aragon, Rene Crevel (1900-35), e Philippe Soupault (1897-1990). Escritores mais jovens, como Raymond Queneau (1903-76) também foram influenciados por seus pontos de vista.
Os escritores surrealistas mais "puros" usaram o automatismo como uma forma literária, quer dizer: escreviam quaisquer palavras que entrassem em sua mente consciente, considerando-as invioláveis. Não alteravam o que escreviam, pois isto constituiria uma interferência com o puro ato de criação. Sentiam que este fluxo livre de pensamento estabeleceria uma conexão com a mente subconsciente de seus leitores.
Um pequeno exemplo típico de um texto surrealista é este provérbio de Paul Eluard: "Elefantes são contagiosos". Este automatismo puramente psíquico foi modificado depois pelo uso consciente, especialmente na pintura, de símbolos derivados da psicologia freudiana.
Como seus precursores dadaístas, os surrealistas quebraram regras aceitas de trabalho e conduta pessoal para liberar sua sensação de verdade interna. O movimento espalhou-se por todo o mundo e floresceu na América durante a Segunda Guerra Mundial, quando André Breton passou a residir em New York.
Na pintura e na escultura o surrealismo é uma das principais influências do século XX. Considerando como seus antepassados nas artes gráficas pintores como o renascentista italiano Paolo Uccello, o poeta e artista romântico inglês William Blake, e o francês Odilon Redon. Seus artistas admiravam e também incluíam em suas exibições, trabalhos de artistas do início do século, como o italiano Giorgio de Chirico, o russo Marc Chagall, o suíço Paul Klee, os franceses Marcel Duchamp e Francis Picabia, e o espanhol Pablo Picasso, sendo que nenhum destes fazia parte do grupo surrealista.
A partir de 1924 o alemão Max Ernst, o francês Jean Arp, e o pintor e fotógrafo americano Man Ray aderiram ao movimento. Permaneceram juntos pouco tempo, até 1925, aproximados pelo francês André Masson (1896-1987), assim como o espanhol Joan Miró, que era muito individualista, era difícil para eles se submeter à forte liderança de André Breton, que continuava a exercitar sua autoridade final sobre o movimento.
Depois o grupo passou a incluir o americano Yves Tanguy, o belga René Magritte, e o suíço Alberto Giacometti. O pintor catalão Salvador Dali uniu-se ao movimento surrealista em 1930 mas foi acusado depois, pela maioria dos surrealistas, de estar mais interessado em comercializar sua arte do que defender as idéias surrealistas. Embora durante certo tempo tenha sido um dos membros mais divulgados do grupo, seu trabalho é tão idiossincrático que chega a ser só parcialmente típico do surrealismo.
A pintura surrealista exibe grande variedade de conteúdo e técnica. Por exemplo, os trabalhos de Dali consistem, mais ou menos, em uma transcrição direta e fotográfica de sonhos e deriva sua inspiração das pinturas de sonhos de De Chirico, anteriores às suas próprias. As esculturas de Arp são grandes, lisas, e de formas abstratas, e Miró, um surrealista formal por pouco tempo, emprega formas fantásticas que também incluíram adaptações deliberadas da arte infantil, tendo algo em comum com os desenhos usados pelos artistas catalãos para decorar sua cerâmica. O pintor americano de origem russa Pavel Tchelichew (1887-1957), apesar de não se considerar um surrealista, traz imagens surrealistas em suas pinturas e também nos numerosos balés por ele criados.
Um ramo americano do movimento surrealista é o grupo de artistas conhecido como "realistas mágicos", que surgiu sob a liderança do pintor Paul Cadmus (1904). O grupo também inclui George Tooker (1920 -), Ivan Le Lorraine Albright, Philip Evergood (1901-73), Peter Blume (1906-92), e Louis Guglielmi (1906-56). Joseph Cornell, escultor de assemblage, começou como um surrealista reconhecido, mas depois procurou por uma maior individualidade de sua arte.
A atitude de criação livre dos surrealistas foi uma das principais influências do expressionismo abstrato de New York. Uma coleção representativa dos trabalhos gráficos dos surrealistas está no Museum of Modern Art e dos "realistas mágicos" no Whitney Museum of American Art, ambos em New York.
Fonte: Infopedia 2.0 CD-ROM
Movimento literário e artístico do século XX que tenta expressar o funcionamento do subconsciente por imagens fantásticas e justaposição incongruente de temas.
O Surrealismo, movimento das artes visuais e da literatura, floresceu na Europa entre a I e a II Guerra Mundial. Cresceu principalmente a partir do movimento Dada, que mais cedo, antes da Primeira Guerra Mundial, produziu trabalhos de anti-arte que deliberadamente desafiavam a razão; mas a ênfase do Surrealismo não estava na negação mas sim na expressão positiva. O movimento representou uma reação contra o que seus criadores viram como a destruição da arte forjada pelo "racionalismo" que tinha guiado a cultura e a política européia no passado, culminando nos horrores de Primeira Guerra Mundial.
De acordo com o porta-voz principal do movimento, o poeta e crítico André Breton, que publicou o Manifesto Surrealista em 1924, o Surrealismo é um meio de reunir reinos conscientes e inconscientes de experiências, tão completamente que um mundo de sonho e fantasia seria juntado ao mundo racional cotidiano em "uma realidade absoluta, um surrealismo".
Utilizando teorias pesadamente adaptadas de Sigmund Freud, Breton viu o inconsciente como a origem da imaginação. Ele definiu o gênio como alguém que, normalmente, extrai deste reino sua inspiração, o que, como acreditou, poderia ser conseguido por poetas e pintores especiais.
Os principais pintores surrealistas foram Jean Arp, Max Ernst, André Masson, René Magritte, Yves Tanguy, Salvador Dalí, Pierre Roy, Paul Delvaux, e Joan Miró. Com sua ênfase em conteúdo e formas gratuitas e imaginárias, o Surrealismo foi uma das alternativas principais para a arte contemporânea, se contrapondo ao movimento Cubista, altamente formalista e largamente responsável pela perpetuação, na pintura moderna, da ênfase em conteúdos tradicionais.
Em 1917, Apollinaire criou a expressão "Surrealismo" (a palavra teria sido sugerida por Chagall ou, de acordo com outras fontes, através de P. Albert-Birot).
Junto de processos de criação e expressão que usam todas as forças psíquicas (disposições automáticas, sonhos, inconsciente...) livres do controle da razão e em luta contra os valores recebidos; concebido como movimento intelectual revolucionário que afirma a superioridade destes processos, se desenvolveu especialmente na literatura e nas artes plásticas, na pintura, no cinema... seguindo o movimento Dada.
"Quando o homem quis imitar a marcha, ele criou a roda, que não se parece com uma perna. Assim fez também com o surrealismo, sem o conhecimento racional".
Apollinaire, Les Mamelles de Tirésias, Prefácio.
"Foi de muita má fé quem nos contestou o direito de usar a palavra 'Surrealismo' no sentido especialmente particular que a entendemos, pois está claro que antes de nós esta palavra não tinha feito fortuna.
Eu a defino agora de uma vez por todas:
SURREALISMO. substantivo masculino - Automatismo psíquico através do qual se pretende expressar (...) o funcionamento real do pensamento. Ditado a partir do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, afastado de toda preocupação estética ou moral.
Encicl. Filos. O Surrealismo repousa na crença da realidade superior de certas formas de associação negligenciadas pelo indivíduo, na presença do sonho, no jogo desinteressado do pensamento."
André Breton, Manifeste du surréalisme (1924).
Fonte: www.puc-rio.br