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Nicotina

Como funciona a nicotina

Introdução

Há milhares de anos as pessoas vêm fumando ou mastigando folhas de tabaco (o nome científico da planta é Nicotiana tabacum). O tabaco foi encontrado e cultivado pela primeira vez nas Américas, talvez por volta de 6.000 a.C.

Após a descoberta e colonização do continente, o tabaco foi amplamente exportado para a Europa continental e outras partes do mundo. Mesmo em seus primeiros dias, o uso do tabaco já causava polêmica.

Nicotina
A nicotina vem das folhas do tabaco

Alguns louvavam suas propriedades medicinais. Um exemplo disso é que o tabaco supostamente deveria proteger contra os males causados pela peste. Desde o século 17 as pessoas especulavam que poderia haver uma ligação entre doenças, como o câncer, e o uso do tabaco.

Desde então, as pesquisas têm fornecido evidências dessa ligação, e as propagandas públicas que alertam sobre os riscos causados à saúde pelo tabaco são veiculadas regularmente na TV.

E o que é que o tabaco tem que, apesar de todos as advertências, deixa as pessoas tão obstinadas em usá-lo? Fumar ou mastigar tabaco faz muita gente se sentir bem e até levemente eufórica.

Embora haja milhares de compostos químicos na planta do tabaco (sem mencionar aqueles adicionados pelos fabricantes de cigarros), um deles, a nicotina, é que produz todas as sensações "boas" que levam as pessoas a fumar mais um cigarro ou mastigar um pouco de tabaco. Neste artigo, vamos examinar a nicotina e ver como ela afeta o corpo humano.

O que é a nicotina

A nicotina (C10H14N2) é um alcalóide líquido que ocorre espontaneamente na natureza. Um alcalóide é um composto orgânico de carbono, hidrogênio, nitrogênio e, algumas vezes, oxigênio. Esses compostos químicos causam efeitos poderosos sobre o corpo humano. Por exemplo, muitas pessoas costumam apreciar os efeitos estimulantes de outro alcalóide, a cafeína, quando saboreiam uma ou duas xícaras de café pela manhã.

Cerca de 5% do peso do tabaco é composto por nicotina. Os cigarros contêm de 8 a 20 mg de nicotina (dependendo da marca), mas somente cerca de 1 mg chega a ser absorvida pelo seu corpo quando você fuma um cigarro.

A nicotina no corpo

Assim como acontece com a maioria das substâncias viciantes, o homem desenvolveu uma grande variedade de maneiras para fornecer nicotina ao seu corpo. Ela se espalha imediatamente através:

da pele

dos pulmões

das mucosas (como o tecido do interior do seu nariz ou gengivas)

A nicotina vai diretamente para as pequenas veias que revestem os tecidos listados acima. Ela viaja pela corrente sangüínea até o cérebro e é transmitida ao resto do corpo.

A maneira mais comum e mais conveniente de levar a nicotina e outras drogas para a corrente sangüínea é pela inalação, ou seja, fumando. Os pulmões são revestidos por milhões de alvéolos, que são as minúsculas bolsas onde ocorre a troca de ar. Esses alvéolos fornecem uma enorme área de superfície (90 vezes maior do que a da pele) e devido a isso fornecem um amplo acesso para a nicotina e outros compostos.

Uma vez na sua corrente sangüínea, a nicotina flui quase que imediatamente para o cérebro. Embora a nicotina aja de várias maneiras diferentes pelo corpo, a atuação dela no cérebro é responsável pelas sensações "agradáveis" que alguém sente quando fuma, assim como também pela irritabilidade que sente quando tenta parar de fumar (leia sobre vício e abstenção para maiores informações). Em um período de 10 a 15 segundos após a inalação, a maioria dos fumantes está sob os efeitos da nicotina.

A nicotina não fica muito tempo no corpo. Sua meia-vida é de cerca de 60 minutos, o que significa que seis horas após um cigarro ter sido fumado, apenas cerca de 0,031 mg do 1 mg inalado continua no corpo.

E como o seu corpo se livra da nicotina? Aqui está o processo:

cerca de 80% da nicotina é quebrada em cotinina por enzimas no seu fígado;

a nicotina também é metabolizada em cotinina e óxido de nicotina em seus pulmões;

a cotinina e outros metabólitos são excretados na sua urina. A cotinina tem uma meia-vida de 24 horas, o que torna possível testar se alguém fumou ou não nos últimos dois dias ao procurar cotinina em sua urina;

a nicotina restante é filtrada no sangue pelo seus rins e excretada na urina.

Cada pessoa metaboliza a nicotina a diferentes taxas. Há até pessoas que possuem um defeito genético nas enzimas do fígado que quebram a nicotina, o que faz com que essa enzima mutante não seja tão eficiente em metabolizar nicotina quanto a enzima normal. Se uma pessoa tiver esse gene, os níveis de nicotina no sangue e cérebro ficam altos por um período maior após ter fumado um cigarro. Normalmente, as pessoas fumam cigarros durante todo o dia para manter um nível fixo de nicotina em seus corpos. Fumantes com este gene geralmente acabam fumando bem menos cigarros, já que não têm essa necessidade constante de mais nicotina.

Os efeitos da nicotina

A nicotina altera a maneira como seu cérebro e seu corpo funcionam. Os resultados disso são um tanto quanto paradoxais: a nicotina pode tanto estimular quanto relaxar um fumante, dependendo de quanto e com que freqüência ele fuma. Este efeito bifásico não é incomum. Muito embora as ações da nicotina e do etanol no corpo sejam bem diferentes, também é possível ver efeitos que dependem da dosagem quando se ingerem bebidas alcoólicas. O primeiro copo pode diminuir as inibições e deixar a pessoa ligada, mas após vários copos você normalmente fica bem sedado.

A nicotina no seu corpo

A nicotina, inicialmente, causa uma rápida liberação de adrenalina, o hormônio da reação de "luta ou fuga". Se você já pulou de medo em um filme de terror ou correu pelo escritório tentando terminar um projeto antes do prazo, já deve estar familiarizado com os efeitos da adrenalina:

freqüência cardíaca acelerada

aumento da pressão arterial

respiração rápida e superficial

A adrenalina também diz ao corpo para liberar no sangue parte do seu estoque de glicose. Isso faz sentido se você lembrar que a reação de "luta ou fuga" foi criada para que você se defenda de um predador faminto ou saia de uma situação perigosa - correr ou lutar requerem muita energia para abastecer os músculos. Para obter mais informações, consulte Como funciona o exercício físico .

A nicotina também pode bloquear a liberação do hormônio insulina. A insulina comanda as células para que tirem o excesso de glicose do sangue. Isso significa que a nicotina deixa as pessoas um pouco hiperglicêmicas, com mais açúcar do que o normal em seu sangue. Algumas pessoas acham que a nicotina também corta o seu apetite, fazendo com que elas comam menos. A hiperglicemia poderia ser uma explicação para isso. O corpo e o cérebro podem perceber o excesso de açúcar e diminuir os hormônios e outros sinais que são percebidos por nós como fome.

Ela também pode aumentar levemente a taxa de metabolismo basal. O que significa que, só de estar sentada a pessoa queima mais calorias do que o normal (para obter mais informações sobre metabolismo, consulte Como funcionam as calorias). No entanto, perder peso devido ao fumo não traz nenhum dos benefícios de saúde que se ganhariam caso se perdesse peso praticando exercícios. Na verdade, o que ocorre é o contrário! A longo prazo, a nicotina pode aumentar o nível de colesterol "ruim", o LDL, que danifica as artérias. Isso aumenta a probabilidade de um infarto ou um derrame.

A nicotina e o cérebro

O cérebro é o protagonista na ação da nicotina. Como um computador, o cérebro processa, armazena e utiliza informações. Em um computador, as informações viajam na forma de eletricidade, correndo através de fios. As informações são transferidas em um processo binário, com chaves de "ligado" ou "desligado". No cérebro, os neurônios são as células que transferem e integram as informações. Cada neurônio recebe milhares de entradas vindas de outros neurônios pelo cérebro. Cada um desses sinais está incluso na decisão que o neurônio toma de passar ou não o sinal recebido para outros neurônios.

Nicotina
Uma sinapse é o local em que dois neurônios estão em contato. O neurônio pré-sináptico libera um neurotransmissor, que se liga a receptores na célula pós-sináptica. Isso permite que sinais sejam transmitidos de neurônio a neurônio através do cérebro.

Enquanto os sinais são conduzidos através dos neurônios individuais na forma de corrente elétrica, a comunicação entre os neurônios é mediada por mensageiros químicos, chamados de neurotransmissores. Os neurotransmissores cruzam o espaço físico entre dois neurônios e se ligam a receptores protéicos específicos na célula pós-sináptica. Após se ligarem, esses receptores colocam em movimento alterações fisiológicas dentro do neurônio, que permitem que ele envie o sinal para o próximo neurônio.

Cada neurotransmissor tem sua própria família específica de receptores. A nicotina age ancorando-se em um subconjunto de receptores, que se associam ao neurotransmissor acetilcolina. A acetilcolina é o neurotransmissor que, dependendo da região do cérebro em que o neurônio está localizado:

transmite sinais do cérebro para os músculos

controla funções básicas como o nível de energia, a batida do coração e a respiração

atua como um "policial de trânsito", supervisionando o fluxo de informações no cérebro

desempenha um importante papel no aprendizado e na memória

Nicotina
A acetilcolina é liberada de um neurônio e se liga a receptores nos neurônios adjacentes

Assim como a acetilcolina, a nicotina conduz uma explosão na atividade dos receptores. Contudo, ao contrário da acetilcolina, a nicotina não é regulada pelo corpo. Enquanto os neurônios normalmente liberam pequenas quantidades de acetilcolina de maneira controlada, a nicotina ativa os neurônios colinérgicos que usam principalmente acetilcolina para se comunicar com outros neurônios, em várias regiões diferentes de seu cérebro de forma simultânea. Esse estímulo cria:

liberação elevada de acetilcolina dos neurônios, levando a um aumento de atividade na trilha de reações colinérgicas através do seu cérebro. Essa atividade colinérgica manda seu corpo e seu cérebro entrarem em ação, e este é o sinal de alerta que muitos fumantes usam para se reenergizar durante o dia. Através dessas reações químicas, a nicotina melhora o seu tempo de reação e a sua habilidade de se concentrar, fazendo com que sinta que pode trabalhar melhor;

o estímulo dos neurônios colinérgicos promove a liberação do neurotransmissor dopamina nos mecanismos de recompensa do seu cérebro. Este circuito neural supostamente reforça comportamentos que são essenciais para sua sobrevivência, como comer quando está com fome. Estimular neurônios nessas áreas do cérebro traz sensações agradáveis e de felicidade que encorajam você a repetir aquelas ações. Quando drogas como a cocaína ou a nicotina ativam os mecanismos de recompensa, o seu desejo de usá-las é reforçado pelo fato de você se sentir calmo e feliz após o uso;

liberação de glutamato, um neurotransmissor envolvido no aprendizado e na memória. O glutamato aprimora as conexões entre grupos de neurônios. Essas conexões mais fortes podem ser a base física do que conhecemos como memória. Ao usar nicotina, o glutamato pode criar uma alça de memória das sensações boas que você teve e aumentar ainda mais o desejo de usar nicotina.

A nicotina também aumenta o nível de outros neurotransmissores e compostos químicos que modulam a maneira de trabalhar do seu cérebro. Por exemplo, o seu cérebro produz mais endorfinas como resposta à nicotina. As endorfinas são pequenas proteínas que são comumente chamadas de analgésicos naturais do corpo.

Acontece que a estrutura química das endorfinas é muito semelhante à estrutura de analgésicos sintéticos potentes como a morfina. As endorfinas também podem levar a sensações de euforia. Se você conhece o "barato" que corredores sentem durante uma corrida forte, você já experimentou o "barato da endorfina." Essa liberação de compostos químicos lhe dá uma vantagem mental para terminar a corrida e, ao mesmo tempo, mascara as dores incômodas que você pode estar sentindo.

O lado negro da nicotina

Alguns dos efeitos da nicotina têm estimulado estudos para descobrir se ela pode ser útil como terapia para certos problemas. Algumas doenças em que a nicotina pode ajudar incluem:

Mal de Alzheimer - os primeiros neurônios perdidos no mal de Alzheimer são neurônios colinérgicos de uma região específica do cérebro. A nicotina pode melhorar o funcionamento dos neurônios restantes e diminuir a progressão dos sintomas.

Síndrome de Tourette - essa doença produz tiques, movimentos incontroláveis da cabeça, mãos e outras partes do corpo e desejos violentos em seus portadores. Os adesivos de nicotina que fornecem nicotina vagarosamente através da pele podem reduzir os sintomas de pessoas com essa síndrome.

Mas, para pessoas comuns, os problemas de saúde associados ao uso de produtos com nicotina são muito maiores do que os benefícios. Entre esses problemas estão:

câncer

enfisema

doenças cardíacas

derrame

Muitas delas são causadas, na verdade, por outros produtos químicos presentes na fumaça do cigarro ou em outros produtos que contêm tabaco. O maior problema com a nicotina é o quão facilmente ela deixa você dependente de fumar ou mastigar tabaco.

Vício e abstenção

Bilhões de dólares têm sido gastos para comprovar se a nicotina é viciante ou não. A posição da comunidade médica e científica é que a nicotina certamente é viciante. Ela cumpre com os requisitos psicólogicos e fisiológicos que definem uma substância viciante.

psicológicos - as pessoas viciadas em algo irão usar isso compulsivamente, sem se preocupar com os efeitos negativos sobre sua saúde ou sua vida. Um bom exemplo seria alguém que continua a fumar, mesmo quando está usando um tanque de oxigênio para respirar devido aos danos que o fumo causou em seus pulmões;

fisiológicos - neurocientistas consideram como viciante qualquer coisa que cause a reação de recompensa no cérebro. E já que o estímulo desse circuito neural faz você se sentir tão bem, você vai continuar a repetir essa ação mais e mais vezes para ter sensações boas de volta.

Os efeitos da nicotina duram pouco, variando em torno de 60 minutos. Isso faz com que as pessoas fumem ou mastiguem tabaco periodicamente durante o dia para receberem suas doses de nicotina. Adicione a isso o fato de que você pode desenvolver uma tolerância aos efeitos da nicotina, necessitando usar quantidades cada vez maiores dela para atingir o mesmo nível de estímulo ou relaxamento. A partir daí uma pessoa pode passar a fumar de um cigarro a um maço por dia.

O que acontece quando os fumantes param abruptamente de usar nicotina? Enquanto você usa produtos que contêm nicotina, o seu corpo se adapta para compensar seus efeitos. Por exemplo, os neurônios no seu cérebro podem aumentar ou diminuir o número de receptores ou a quantidade de neurotransmissores diferentes afetados pela presença da nicotina. Quando você deixa de ter a nicotina no seu corpo, estas adaptações fisiológicas continuam presentes. O resultado é que seu corpo não consegue funcionar da mesma maneira na ausência da droga, pelo menos não a curto prazo. As pessoas que tentam parar de usar nicotina sentem isso na forma de:

irritabilidade

ansiedade

depressão

necessidade incontrolável da nicotina

Após cerca de um mês, esses sintomas e as alterações fisiológicas vão diminuindo. Mas para muitos fumantes, um dia sem nicotina é difícil de agüentar. A cada ano, milhões de pessoas tentam cortar o hábito do uso da nicotina, mas apenas 10% conseguem. A maioria das pessoas desiste depois de menos de uma semana de tentativa, pois a maneira com que a nicotina transforma o mecanismo de recompensa no cérebro torna o impulso por ela irresistível.

Toxicidade

As pessoas que são contra o tabagismo relacionam o surgimento de doenças como câncer e enfisema, a uma vida entregue ao vício do tabaco. Esses males porém, são o resultado de compostos químicos presentes no cigarro e não na nicotina. Infelizmente, o fato de que a nicotina por si só é um veneno extremamente tóxico não é mencionado. Poucas pessoas percebem que a nicotina também é vendida comercialmente na forma de um pesticida! A cada ano, muitas crianças chegam a pronto-socorros depois de comer cigarros ou bitucas de cigarro. Sessenta miligramas de nicotina (a quantidade de três ou quatro cigarros se toda a nicotina deles fosse absorvida) é capaz de matar um adulto, mas consumir a quantidade de nicotina presente em apenas um cigarro já é o bastante para deixar um bebê gravemente doente!

O que acontece com as pessoas após ingerir nicotina? O envenenamento por nicotina causa vômito, náusea, dores de cabeça, dificuldades na respiração, dores de estômago e convulsões. Cada um desses sintomas pode ser provado como resultado do estímulo excessivo dos neurônios colinérgicos. As pessoas envenenadas por inseticidas organofosforados sentem exatamente os mesmos sintomas.

Com os organofosforados, a acetilcolina cresce nas sinapses e ocorre um excesso de estímulo dos neurônios. E já que a nicotina é tão semelhante à acetilcolina, e se liga aos receptores colinérgicos, ela produz o mesmo excesso de estímulo e toxicidade. Quanto mais nicotina ligando-se aos receptores colinérgicos, maior a quantidade de acetilcolina liberada e pronta para ativar outros conjuntos de receptores colinérgicos.

O tratamento de envenenamento por nicotina tem dois objetivos:

1.manter a vítima respirando e o coração batendo até que a nicotina seja "quebrada" pelo corpo;

2.impedir que mais nicotina chegue à corrente sangüínea.

Fonte: uol.com.br

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