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A Ciência e o tabaco: do pós-guerra aos anos 70.

O tabaco foi utilizado extensivamente pelas tropas aliadas durante a II Guerra. O hábito arraigado começou a ser melhor estudado nos países europeus e nos EUA. Levantamentos epidemiológicos na Inglaterra e nos EUA foram realizados em 1950. Nos anos 60, a relação entre câncer de pulmão e tabagismo foi definitivamente estabelecida.

A partir de 1962, o Governo Britânico decretou que os produtos derivados do tabaco deveriam ter avisos sobre os riscos potenciais. Os EUA tomaram atitude semelhante em 1964. Foram duas décadas de constatações. O combate frontal ao hábito, no entanto, esperaria até meados dos anos 80.

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FIGURA 20: O cigarro, a juventude transviada, os Beats e o Hippies. Bons companheiros.

O período do pós-guerra aos anos 70 mostrou algumas peculiaridades. A crescente preocupação científica com os danos causados pelo cigarro se contrapuseram ao ambiente liberal do pós-guerra. Tanto que o hábito era pouco criticado e amplamente aceito. Fumar em locais fechados, tais como ônibus, cinemas e lojas era absolutamente normal. Não se questionava as incompatibilidades entre o hábito de fumar e o estilo de vida que muitos levavam. Não incomodava ao grande público as associações pouco prováveis na prática, tais como o fumo e a prática de esporte.

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FIGURA 21: O Rei Roberto não se conformou com o anúncio que dizia É Proibido Fumar (1964).

A Ciência e o tabaco: anos 70 Os anos setenta foram o ápice da revolução sexual e libertária, onde o consumo de drogas (entre elas o cigarro) era visto como uma modo de contestar o sistema político vigente (autoritário em boa parte do mundo, inclusive no Brasil). Paralelamente a Medicina continuou a demonstrar associações entre o tabagismo e doenças clínicas, entre elas o enfisema e diferentes tipos de câncer. O conceito de sustância prejudicial à saúde crescia entre as pessoas.

Um sinal de reação mercadológica a esse movimento conscientizador foi o aparecimento de apresentações menos concentradas. Assim, dizia um anúncio no final da década: "menos nicotina e alcatrão, sem cortar seu prazer de fumar".

"Honestamente, eu nunca encontrei ninguém em lugar algum que me desse a mínima evidência médica, tampouco que me indicasse o cigarro como causa absoluta de doença. Eu acredito no que digo. Eu estou sentado aqui falando com vocês com a consciência absolutamente limpa".

Gerald H. Long, Presidente da RJR Tobacco Company. Washington Times, 19 de maio de 1986.

Os anos oitenta foram marcados pelo combate ao fumo e seu modo de comercialização. A indústria do cigarro foi intensamente investigada nesse período. Ela negou qualquer conhecimento das propriedades indutoras de dependência da nicotina. Por outro lado, evidências apontavam não só para o conhecimento destas, como também para esforços industriais no sentido de potencializa-las. Em 1983, Rose Cippolone ganhou uma das primeiras indenizações da indústria tabagista, no valor de US$ 400 mil dólares. O motivo fora um câncer de pulmão contraído e em parte relacionado aos seus anos de tabagismo.

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FIGURA 22: Rose Cippolone foi uma das primeiras a ganhar direito à indenização da indústria tabagista pelos danos relacionados ao seu consumo de cigarros.

A Ciência e o tabaco: anos 80 Não havia mais dúvida acerca dos malefícios causados pelo tabaco nos anos oitenta. Desse modo, a década se consagrou pelo surgimento de políticas públicas voltadas para a prevenção e combate ao fumo. Nunca o consumo do tabaco havia sido alvo de controle e normatização como foi durante os anos oitenta. O uso foi banido de locais fechados, transportes públicos, lojas e congêneres. Muitos países proibiram a veiculação de comerciais incentivando a venda de cigarros (figura 23). A Organização Mundial da Saúde criou em 1987 o Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio).

O Brasil comemora essa data desde 1989, sob a organização do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O Ministério da Saúde criou em 1986 o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto). Durante a semana que antecede a data, uma campanha de âmbito nacional alerta a população, em particular os adolescentes e adultos jovens - alvos preferidos da indústria do tabaco - sobre os males causados pelo fumo à saúde.

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FIGURA 24: A França proibiu no final dos anos 80 a veiculação de anúncios comerciais sobre cigarros. Durante a temporada de Fórmula 1 nesse país, a MacLaren, que durante muitos anos foi patrocinada pela marca de cigarro Marlboro, retirava seu patrocinador e o substituía pelo nome da equipe.

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FIGURA 25: A crescente constatação de que o consumo de tabaco causa diversos males à saúde (em especial pulmonares) tornou esse hábito um dos principais alvos dos profissionais da saúde.

Os anos 90 trarão mais contribuições ao entendimento do tabagismo. A análise das pessoas acerca do tabagismo amadureceu. As considerações médicas são hoje aceitas com mais facilidade. Anteriormente, chegaram ser tomadas como repressoras ou restritivas. Isso refletia um pouco o ranço autoritário por que passou o mundo ocidental, tensionado pelas atitudes libertárias se lhe contrapuseram na Segunda metade do século XX.

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